3 de agosto de 2015

De outro barro

Iluminura de Maja Lindberg
"Não gosto das palavras fatigadas de informar
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão
Tipo água pedra sapo
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
E aos seres desimportantes
Prezo insetos mais que aviões
Prezo a velocidade das tartarugas 
Mais que a dos mísseis
Tenho em mim um atraso de nascença"
Que pena pessoas como Manoel de Barros não serem eternas, pessoas que parecem ser feitas de outro barro, talvez até seu sobrenome tenha a ver com isso. Eu aqui sem postagens programadas, sem rascunhos, com atrasos de nascença e nos afazeres da vida, resolvi trazer palavrices dele, sentimentos comuns, com o desejo solto que nem balão no ar, de uma semana com sotaque de águas, aroma de alfazema, sabor a gosto e muito amar.

1 de agosto de 2015


Ai, na programação, tem Blogagem coletiva marcada para hoje, primeiro dia do mês de agosto, tema: Receita, a gosto, com ou sem frescuras. E por sintonia, recebo esses dias o pedido por parte da Editora Grafset, de cessão de um de meus textos publicados aqui, que segue abaixo, servido como receita de entrada, para fazer parte de um livro didático da Rede pública de ensino, de João Pessoa, a circular entre as mãos dos alunos do Ensino médio no ano que vem. A pessoa aqui, é claro que adorou, de se lambuzar.
Receita de bem-viver

Ingredientes:
Muita Calma
Um pouco de coragem
Uma pitada de fé, de qualquer marca
3 momentos de alimentação (sadia de preferência)
1 momento de descanso
1/2  falar e 1/2 ouvir
100 gramas de grama, céu, rio, mar ou um passarinho avistado ao longe
Sorrisos e gargalhadas a gosto
Afeto com gosto

Modo de fazer:
Calma na hora de levantar, pensar, falar, agir
Sempre mesclando com coragem e fé, para render
Se alimentar é o recheio, porque saco vazio não fica em pé
Descansar como massa de pão é indispensável
Falar e ouvir sem exagerar para não desandar
Contatos com a natureza são a glace
Sorrisos e gargalhadas dão cor e vida
E afeto dá a liga

Como prato principal, vou servir a banana da terra com açúcar demerara e canela, a da foto que ilustra o post, preparada e servida com carinho na Pousada Jasmins do Poetas, lá em Imbassai, preparada com esmero por seu Carlito, dono do Local e Dona Rosa, flor de pessoa. adorei, comi de me fartar e nas bordas, acompanhei o cortar de um das minhas porto alegrenses e alegres companhias, das fatias da banana em uniformes quadradinho minis, talvez para render, talvez para descer arrumado, vai saber (risos), sei que rimos e rendeu o tal picotar da banana, observado com graça pelo vô Kiko que é uma pedrinha a mais na minha cartela vai ser bingo ir na Itália, pois se metade das pessoas lá forem fofas como ele, além do sotaque e meu desejo particular tipo lindo deve ser tudo lá, os lugares históricos a visitar e muitos desejos gastronômicos.
Na casa de mãe e de vó, sempre ataquei as bananas da terra em fatias mais finas que essas da imagem, fritas em pouco óleo numa frigideira e ainda quentes e salpicadas generosamente com a deliciosa misturinha de açúcar com cabela, quentinhas e crocantes, minha preferência sempre pelas mais torradinhas. Não saboreio a tempo as danadas de boas, pois confesso tem coisas que a gente sabe fazer mais só come na rua pela trabalheira ou meleira que faz,pela poesia ou por embora fazer igual não sair igual feito pela gente.
Clica aqui e aqui para ver  alguns dos meus muitos posts com referências a receitices, a meu ver sendo o comer e fazer, histórias como ingredientes, sempre fonte de nutritiva poesia. Para fechar, tipo o café ou sobremesa, deixo uma dica de leitura, que está na minha lista, indicação de minha irmã: Doces lembranças é o nome do livro, da escritora Margareth Abrão.  Um livro, conforme diz na sua descrição nos sites das grandes livrarias, “d e doces lembranças, em que as receitas se misturam aos sentimentos, as palavras se aqueçam no afeto e o coração é o ingrediente principal. Cada receita deste livro é um retrato de família, uma página de nossas vida, conserva o calor, o sabor e o afeto.”
Para próxima Blogagem coletiva, em parceria com a amiga escritora e blogueira Ana Paula Paula, convido a todos os sempre presentes, os quando em vez e os passantes. O tema é: Foto da infãncia. Abre os álbuns, caixas, envelopes, baús, viaja no tempo e põe na nuvem no primeiro sábado de setembro, cheio de primavera a se anunciar.

31 de julho de 2015

Dos encontros que são sol e mar





Eu já disse por aqui e digo por todo canto, escrito e falado que para mim vale ouro encontrar um limpador de para-brisas, educado, sorridente, simpático e criativo nas sinaleiras da vida (ver um aqui), ou uma senhora que colhe o algodão, faz fio e faz artesanatos, como encontrei na Chapada Diamantina quando lá fui. Vale mais que se eu encontrasse um ídolo qualquer da música ou do cinema, por exemplo. Ontem encontrei com amigos de blog, tipo abraços reais, olhos nos olhos, cheiros, sabores, histórias sem limites de cliques, sem formatações.
E não sei dizer o que mais amei, se todos no portão a minha espera, se as bandeirolas artesanais feitas pelos guris que amam fazer artesanato só que não, se a recepção e delícias do café da manhã, dos donos da Pousada, que para aumentar a poesia da coisa se chama: Jasmin dos Poetas. E assim foi, e mesmo estando chuviscando a maior parte do dia, ter sido puro sol cada passo, histórias ao som e aroma do mar e do amar que vou bordar e contar aqui aos poucos. Hoje algumas fotos e o fato cada dia mais comprovado por mim de que amizade não tem idade, não ter cor, não tem credo, não tem distância, que bem querer é um tipo um pé de qualquer coisa que dá as vezes sem querer e que para fazer crescer e valer é só regar com afeto.

30 de julho de 2015

Fitas, fatos, fé

Fita de Santana 
Avó de Jesus, mãe de Maria 
Que amarrei no dia dos avós 
No bracinho de minha vó Maria 
Junto da do Bonfim 
Que amarrei ano passado 
Cheia de amarrados no braço
Que nem o neto circense
Que nem eu as vezes 
Antes do momento fé e fashion
A neta mais velha havia feito curativo nela
Ela disse:
A das medicações estava aqui agora 
Foi! E eu sou a do que?  Perguntei 
Ela respondeu na lata 
A da bagunça 
Parece que não mas está lúcida 
Fatos da foto contatos, segue reflexão 
Religião, li por ai outro dia
É uma garrafa com um rótulo
Espiritualidade
É a coisa dentro dela
Muitos brigam pela garrafa
Discutem sobre a forma
Os acessórios
Poucos bebem e servem seu conteúdo
Para refletir
Para ser alma e coração, independente da Religião
Para ser mão que ajuda, palavras que curam
Silêncios que falam
E menos barulho, objetos e objeções
Fica a dica!

29 de julho de 2015

Eu Fiona

Sabem aqueles copos de processadores pequenos, que vem diversos, com diversas tampas, tipo copo de liquidificador tamanho miniatura, pois bem, eu tenho feitos suco de polpa neles que são do tamanho de duas porções (um copo para mim outra para o maridão). Copo pequeno para lavar, mais rápido, gasta menos água e sabão e porque sempre tive apreço por ter um copo de liquidificador para sopas e coisas salgadas e outro para coisas doces. Acho que o copo pega o cheiro e gosto, frescura ou não, tenho essa sensação.
Pois bem, meu lado ogra está se manifestando no sorvete de creme, batido com Nescafé, um pouco de leite de caixa e um pouco de leite condensado, tudo batidinho no mini copinho e geladinho bebido diretamente dele, sem passar para um copo ou caneca. Para beber direto do copo grande do liquidificador é um pulo.
Ninguém via ou sabia, mas depois de eu me entregar e para emendar, isso de ninguém tá vendo me lembra uma história que ouvi muito na minha infância e que repito quando cabe (tipo para pais preocupados demais com os mimimis dos filhos ou crianças que fazem show de dengo). O garoto diz para o amigo na escola: Ontem cai e me machuquei todo!  O outro diz: Poxa! Foi mesmo? E você chorou muito? O menino responde: Não! Não tinha ninguém em casa.