26 de julho de 2016

Dos avós em nós

Não sei onde voinho achou essa cor morena
Camisa polo com bolso claro
Certeza tinha um lenço, um documento e dinheiro
Voinha de azul
Tão eu
Lembro perfeitamente desse vestido
Eu look e carinha de anjo que nunca fui
Das memórias com vida própria
Que não ficam quietas dentro de uma caixa
Estão muito além dos retratos
São como pássaros em voo
Vão para onde querem
Moram em nós, mas não nos pertencem
Mix de Rubem Alves e eu
Dona Maria e eu
Seu Luis e eu
Porque hoje é dia de Santana
Dia dos avós
De raízes e asas

23 de julho de 2016

Amar é ter um pássaro pousado no dedo
E quem tem um pássaro pousado no dedo 
Sabe que, a qualquer momento
Ele pode voar
Quem me ensinou foi Rubem Alves
Na foto uma viuvinha
Que marido achou na garagem e trouxe para mim
Elas me alegram
Desde menina
Pousam e se vão
Post por Cuca
Uma ser humaninha canina
Que nunca pousei minhas mãos em suas madeixas cor de ouro
E que voou hoje para o céu dos cachorros
Meu carinho Chica amada
E o sentimento
De que, o que importa
É o que nos importa
#dasefemeridadeseeternidades

20 de julho de 2016

Pronto! Falei!

Eu, que desde sempre fui empoderada, acho que um dos poderes maiores de mulheres e homens, minorias e maiorias, desde sempre, é a palavra. Por uma palavra dita, ouvida, lida tudo pode se transformar. Palavras de ordem, de informação, de diversão, de encantamento. "A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo", disse Maiakóvski, poeta russo, a Escola também não.
A filosofia, a sociologia, a literatura e a história, são mais que disciplinas, cada uma tem muitos papéis, como apresentar diferenças, conflitos, medos, sonhos, expectativas, rivalidades, semelhanças e diferenças de gerações, de culturas, diversidade de sentimentos, de crenças e tudo isso deve ser apresentado e estar presente no ensino de todas as faixas etárias, para oferecerem uma visão atemporal e diversa do mundo que vivemos e para nos oferecer opções de lidar com ele.
Dar opinião em tempos de redes sociais carece de podas é fato, de garimpo, valendo eu acho criminalizar excessos. E acho também, que professores tem direito a ter perfis e ter opinião, partido, religião, porque não? Como não?
São sim formadores de opinião, como autores, atores, cantores etc. São humanos, referências positivas e negativas a serem ou não seguidas, depende da criação dos ainda sem opinião, de terem senso crítico ou não, de entender que somos coletivos, múltiplos, partidários, com ou sem fé, crenças e invariavelmente doutrinados, palavra que como muitas está sendo folclorizada. 
Em casa, na escola, nos meios de convivência diversos que frequentamos, através do que assistimos, lemos, ouvimos, em todas as idades há explícito e ou implícito o compartilhamento de valores, crenças, opiniões, ideais, tidos como princípios entre os membros de um grupo, comunidade, tribo, seguidores, nos mais diversos campos. Isso é doutrinamento. 
Assim sendo, não há como desvincular a educação da religião, da política, das diferenças, das comparações. Não há porque haver mimimi em comparar Chê com São Francisco, Frida, Capitu, Lula, Temer, Oxalá, Buda, com seja lá quem for, com respeito, argumentação, referenciais teóricos, históricos, comportamentais.
A literatura, por exemplo, não é apenas linguagem e veículo de sensibilidade. Livros numa conotação poética, são como árvores, tem história, além da contada. Livros de fantasia embora fictícios tem história, filosofia, moda, psicologia, conhecimento, tomada de consciência do mundo. Jorge Amado não pode ser desvinculado do Candomblé, do coronelismo, da Bahia e seus costumes, culinária. Machado e Castro Alves sem discussão política, não dá e sem dar e receber opiniões, não se faz discussões.
Não me ocorreu nenhuma figura evangélica para comparar ou citar, me ocorreu, católica que sou, foi perguntar ao Papa Francisco fonte da polêmica que é o santo e a comparação ao sanitarista revolucionário, a sua opinião.
A revolução, só que não, das crianças doutrinadas sem glúten, lactose, cheias de ses, de proteção, adolescentes que se prefere alienar não vai dar em bom lugar. Só acho! Como assim julgar Monteiro Lobato, editar e vetar seus livros, personagens ?
"Aprender é muito mais que reproduzir ou decorar. É perguntar, duvidar, questionar, discordar, querer viajar, teimar em atravessar fronteiras" disse ele, que através do Sítio do Pica Pau amarelo em minha infância e na de muitos brasileiros, ainda hoje resistindo a 3D´s, criou personagens e aventuras que ilustram, exaltam e divulgam a cultura brasileira, cheiros, gostos, costumes, valores, lendas e vai além quando exalta e mistura as nossas histórias e folclore a literatura universal, como a mitologia grega, quadrinhos, cinema.
Sobre a polêmica em torno do racismo na obra de Lobato, o preconceitos com a Tia Nastácia, tema infelizmente recorrente que vale para lembrar quanto é antigo esse mal, assim como o mal hábito afanador do Saci que tantos políticos fazem as claras e não são presos em garrafas até devolverem o que roubam.
Nessa caça aos bruxos, com referência histórica, política e religiosa, tem ainda o mau exemplo do pinguçu Muçum dos Trapalhões, a má influência linguística de Chico Bento e eu poderia escrever aqui um tratado didático e partidário a cerca do quanto acho isso tudo uma perda de tempo e um culto as paranóias, a censura, a alienação, mas para fechar, vou parafrasear Charles Bukowski, poeta americano nascido na Alemanha, que não sei se foi bom ou mau, de qual partido ou doutrinas. “O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas e as pessoas idiotas estão cheias de certezas”.

13 de julho de 2016

Das dores e esperas

Eu disse na escola que tinha alergia a Merthiolate, acharam era medo e em minutos eu toda empolada lá estava. Quem tem pouco (ou muito) mais de 30, sabe a relação direta entre o medicamento e a dor, não só pelas causas para o uso, mas também pelo ardor causado pelo danado liquido avermelhado. Eu, piveta que era, vivia ralando os joelhos, cotovelos, rancando os tampos dos dedos e um primo do Merthiolate me salvava com sopro cheio de bactérias curativas depois. 
Ai, com o tempo criou-se uma fórmula que não arde e como muitos remédios a cura é a duras penas. Santa Água Maravilha! E esse post além das reminiscências, é uma ferida, que resolvi cutucar nessa prosa. Nessa onda do tudo sem açúcar, sal, lactose, glúten, sem dor, geração estranha que canta e exibe o sofrer como estilo de vida, gente exibida, estressada, desapegada, despachada além do senso do ridículo e do coletivo, reza a manada que gente antenada não sente nada, nem de ruim, nem de bom, suave na nave. 
Babys, kids, teens anestesiados, que não sabem o que é ardor, fome, sede, espera em fila, paciência, tempo de preparo, época de tal fruta. Todos cercados de aparelhos, apetrechos, apps anti mimimis, pitis, ses, sempre a mão. Água, com gás, aroma, vitaminas, da torneira nem passa na cabeça, pela guela então!  Bolachas e iogurtes sem gosto, smartphones inseparáveis, tablet, carregadores, analgésicos, contatos sem chance são decorados. Tudo assim misturado, insosso.
Filhos, maridos, esposas, amigos não podem esperar, nem meia hora, nem uma. Nem minutos para uma resposta nas redes sociais. Ou envios ficam no limbo, sem ser vistos ou vistos e não respondidos. Filas? Não! Restaurantes sem espaço específico para crianças não! Sem Wi-Fi não mesmo!
O viver as dores e esperas e o tanto que ensinam, a urgência por paciência em série para todos, resistência ao calor, ao frio, as mazelas, porque tem muita coisa que continua ardendo, doendo, demorando ainda que a moda seja camuflar e cultuar a falsa sensação de que nada mais é difícil, doído, doido, de que tudo é imediato, aceitável, que o prático vale mais que o rebuscado, que todo mundo é valente, contente, perfeito, adaptável, saudável e politicamente correto. E tenho dito!

7 de julho de 2016

De por aqui por ai

Porque somos aventureiros
Rumo ao infinito
Entre saltos
Mergulhos
O só contemplar
E nas muitas estradas da vida
Viajamos sempre em nosso lindo Balão azul
#superfantástico
Mais das minhas férias por ai
Aqui
Com dicas, histórias, poesia
Aos poucos trago
Por hora
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