28 de julho de 2014

Das dobras, vincos e vínculos

Sempre que estico os braços que nem o Cristo redentor para dobrar um lençol, lembro de minha avó. Como sábado foi dia dos avós, resolvi trazer para cá uma das muitas histórias minhas com Dona Maria Francisca, a única avó que conheci e que segue aqui cada dia mais dobradinha. Dobrar os lençóis era uma tarefa que ela com certeza podia fazer sozinha, mas que jamais fazia, chamava sempre um ajudante merim que estivesse de bobeira, eu sempre me escalava. Segurávamos, cada uma duas das pontas e na medida certinha e num vai e vem que nem sanfona dobrávamos os tais lençóis e cobertores retirados do varal ou os de cima da cama desforrada ao dormir e religiosamente forrada todas as manhãs.
Uma tarefa para se sentir na obrigação de ajudar, uma companhia para os afazeres rotineiros, uma vivência de carinho, de dobras, vincos e vínculos, como tantas outras que só damos valor algum tempo depois ou que no ato já nos recheia e direciona. Voinha também me ensinou como colocar os pregadores em cada tipo de roupa, vestidos, blusinhas de alcinhas, camisas de homem, pendurar sem pregadores roupas de tecidos finos para não marcar, como lavar roupa na mão, como suspender e manter a corda o varal com um cabo de vassoura para os lençóis e pernas de calça não arrastarem no chão, como improvisar varais, colocar roupa para quará e também como comprar e tratar peixe, galinha, como passar roupa. Desde miúda, como telespectadora e ouvinte, até maior como coadjuvante e no papel principal.
Assistindo a um filme em uma cena onde muito havia para prestar atenção, eu prestei atenção no fato de a mãe avisar a amiguinha pequena do filho que jogava batalha naval com ele, que o avô dela a chamava e não houve cara feia, pausa, nova jogada, questionamento, nenhuma reticência. Dito que o avô a chamou, a menina se despediu. Obediência e respeito, ensinamentos que devem ser repassados urgente, assim como dar atividades das mais variadas, seja varrer, lavar, levar o lixo, colocar a mesa. Vale para aos pequenos, médios e grandes. Mais do que senso de coletividade, são valores semeados que brotam dessas prosaicas práticas. E tenho dito!

25 de julho de 2014

Ode ao adeus

Pintura de Joan Miró
"A vida é um sopro", bem definiu o poeta arquiteto Oscar Niemeyer. E num sopro se foi na sexta passada, o mestre letrado e simpático João Ubaldo Ribeiro. No dia seguinte para o infinito e além, além do infinito que em vida foi, se foi o mestre Rubem Alves. Fiquei vazia de palavras, assim como o mundo literário ficou e dei um tempo de uma sexta a outra. Entre esse suspiro, e homenagem escrita e agendada, anteontem, Ariano Suassuna, estrela da terra e lonas dos circos foi para o firmamento.
Sexta-feira dia de todos os santos aqui na Bahia, de toda roupa ser branca, todo canto, conta, toda renda, como diz a canção e reza a tradição. Branca é para mim a cor do luto, cor da paz, que emana luz e todas as cores. Durante a semana, relembrei, reli, pesquisei os ditos e escritos dos três. Do que escrevi e transcrevi nas tantas postagens aqui, com citações, reverência, essência e adorno de Rubem Alves, separei algumas publicações, para quem já leu reler, quem não leu, ler, comentar, compartilhar, é só clicar aquiaquiaquiaqui e aqui.
Dar adeus a pessoas queridas, as de perto e as de longe, mas de dentro, varia no que tange as reações, sentimentos, processamento, de acordo a quem seja, a como estejamos e a tantos outros fatores que estão diretamente ligados a como lidamos com a morte. Publiquei no dia da partida dele em meu instagram e recortei para trazer para cá, o que segue: "Os mágicos conhecem o segredo, só porque não vemos uma coisa não significa que não está lá" e assim é com os que se vão  Não creio que morrer é não ser mais visto. Creio que enquanto formos lembrados, seja nosso nome, causos, seja quando alguém vê uma flor, um pássaro, uma cor, um doce que gostamos, estaremos vivos.
O doutor, professor, filosofo recheado de poesia, com cheirinho de passarinho molhado pousado em uma carregada jabuticabeira, vizinha a um ipê amarelo dourado em flor, disse o que segue e que encerra essa ode ao adeus, essa homenagem, esse sopro que ele foi e deixou e nunca vai se apagar: "A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe. Fósforo que foi riscado. Nunca mais acenderá. Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festas de aniversário."

24 de julho de 2014

Hemisférios rei e palhaço

Foto de Ricardo Sena

"A alma humana divide-se no hemisfério rei e no hemisfério palhaço
O que há de trágico é ligado ao primeiro
E o que há de cômico, ao segundo
O hemisfério rei se complementa com o hemisfério profeta
O hemisfério poeta, com o palhaço
No meu entender
O ser humano tem duas saídas para enfrentar o trágico da existência
O sonho e o riso"
Salve o nordeste!
As xilogravuras
Salve o cangaço tão mal visto!
Os cangaceiros mansos
E porque não, Lampião e Maria Bonita
Salve os circos mambembes!
A Cultura popular
Salve Ariano!
Caetana, como é chamada a morte nas bandas de Suassuna levou ele, mardita e prevista para algum dia a danada. Mas o levou sem sofrer, sem o acamar, sem o deixar perder a alumiada lucidez. Ele passou aqui por Salvador esses dias agora, deu uma de suas aulas teatro no maior teatro daqui e nada de chamados, avisos, matérias na tv local, nem em jornais, nem em programas voltados para divulgações do que acontece de bom na cidade, nada de chamados de hora em hora, como para show´s, bares e apresentações teatrais "pops". Está tendo aqui uma Exposição na Caixa Cultural sobre a obra dele e também nenhum chamado ou aviso. Talvez agora que ele se foi e por conta disso eu soube, se faça a devida divulgação. Como ele questionou tantas vezes sobre muitos artistas americanos em suas polêmicas declarações: Serão lembrados daqui a décadas, ou daqui a cem anos? Não! Ainda bem! Ele será! Imortal, como decretado na honrosa e merecida cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, na literatura, na história, na cultura popular. Os dois hemisférios ficaram ontem mais pobres, tendo ele os deixado tão mais ricos.

23 de julho de 2014

Compadecida

Para não ficar o corriqueiro, de que as homenagens só são feitas na ausência, embora seja fato que numa conta de sentimentos e reconhecimento do valor das coisas e das pessoas, o que é ausente parece ser bem maior do que a soma do que havia, aqui, aqui e aqui um tantinho da minha candura e bem querer por Ariano, que já no nome me cativa. Ariana orgulhosa que sou e amante de palavras o Suassuna completa o meu gostar como palavra que assobia.
Ouvi uma atriz, dos tempo que não é levado a mal dizer o que se pensa e sente, sem o peso da responsabilidade ou cobrança de ser profética, sem longas explicações e provas, sem vínculos religiosos definidos, que, quando se vai um grande artista vão outros dois junto. Escritores, embora assim não sejam citados ou considerados, são artistas. Das letras, em forma de palavras, que formam imagens, exalam cheiros, emitem sons, provocam sentimentos, artistas do real e do imaginário. Com a palavra o mestre Ariano: "Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa."
Quem sabe esse preceito seja verdade, não sei, que não seja! Creio que há sim mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia. Seja como for, foram-se João, Rubens e acena Suassuna. Ficarão para sempre. Uma soma de infinitudes, estrelas de luz própria que rogo sejam guias para novos escritores de igual valor, valores, produções. 
Terão cumprido suas sentenças, como dito no Auto da Compadecida. Encontrando-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre. E dessa certeza, sem melindres de falar no nome da dita, sabendo que um dia será o último para nós e para todos, sejamos um mix de João Grilo e Chicó, pés no chão e cabeça nas estrelas.

Da Disney a Grécia antiga

Me empolguei nas viagens, que nem sempre precisam de passagem aérea, que vale pontuar, ainda que com tanta concorrência e promoções, estão pela hora da morte. De histórias dos Estados unidos para onde fomos ontem, vamos para uma das muitas histórias da mitologia grega?
Escolhi uma que envolve dragões, por estarmos as portas do mês de agosto. E por falar nisso: Quem sabe o que tem a ver dragões com o mês de agosto levanta a mão! Quem nãos sabe, volta aqui no primeiro dia de agosto, que com gosto vou contar.
Por hora, diz uma lenda, que o último dos 12 trabalhos de Hércules era roubar as maçãs douradas da macieira que Gaia, a mãe terra, deu a Hera, rainha dos céus, no seu casamento com Zeus. Hera tinha escolhido Ladon, um monstruoso dragão com 100 cabeças, para guardar a sua preciosa árvore. Ladon ficaria no seu jardim, enrolado à volta da árvore e Hera não teria preocupações em relação ao furto dos frutos.
Héracles, insatisfeito e astuto pesquisou informações sobre o dragão, descobrindo como enganá-lo. E para por em ação seu plano foi pedir a companhia de Atlas, para ajudá-lo.
Por ter contrariado Zeus, Atlas que entrou de gaiato na história, foi punido em ter de carregar o mundo nos seus ombros. O mapeamento geográfico do planeta terra se chama atlas por conta de Atlas? Seria essa a origem da expressão: Carregar o mundo nas costas? Não sei! Provavelmente sim.
O que sei é que Atlântidas, as filhas de Atlas, que tinham ordem expressa para não deixar ninguém tocar aqueles frutos, diante da bravura de Hércules ao enfrentar o dragão, entregam-lhe as maçãs. E fim!

22 de julho de 2014

Histórias do Tio Sam



Fotos na terra do Tio Sam
Para ilustrar
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Com um quê de quero ir de novo
E de momento relembrar é viver

Tio Sam, a personificação nacional dos Estados Unidos, um dos símbolos mais famosos do mundo, é representado como um senhor de fisionomia séria com cabelos brancos e barbicha. Muitos vêem uma semelhança do rosto delê com o do presidente Andrew Jackson, outras com o do presidente Abraham Lincoln, sou dessa turma. Um parêntese para quanto adorei o filme, por conhecer a história, pela atuação de Daniel Day-Lewis e todo show cinematográfico de Spielberg.
Diz o folclore que o tiozinho foi criado por soldados americanos no norte de NY, que recebiam barris de carne com as iniciais U.S., refrentes a United States, estampadas. Os soldados teriam dito brincando que as iniciais significavam Uncle Sam (Tio Sam), uma referência ao dono da companhia fornecedora da carne, Samuel Wilson, ai o congresso americano resolveu adotar a lenda e reconheceu Samuel Wilson como inspirador da figura do Tio Sam em 1961. Em 1870, o cartunista Thomas Nast fez o desenho baseado no rosto de Lincoln. Ahaaam!!!
Em 1917, o artista James Flagg desenhou-o em o cartaz com o dedo em riste e com a frase "Eu quero você para o exército dos EUA", encomendado pelas Forças Armadas americanas, que recrutava soldados para a Primeira Guerra Mundial. Este poster foi utilizado ainda com outras frases como: "Continuemos unidos" e "Deus abençoe a America" amais famosa e difundida juntamente com a ilustração.
Nas histórias em quadrinhos ele é um personagem criado pela Quality Comics que se baseou no mito americano e ajudou a consagrar o símbolo, dando uma mãozinha para que hoje todos se refiram aos EUA como a terra do Tio Sam. Podem chamar de cultura inútil, mas é uma história por trás de um nome que ouvimos, lemos, de uma imagem que vemos e sabendo do que se trata tem um que de conhecimento, é de alguma forma agregador, para quem é e para quem não é americano. Eu adoro saber histórias de histórias, de nomes, coisas, pessoas, lugares e confesso me rendi aos encantos da Disney, a materialização dos personagens que fizeram parte da minha infância, as histórias, a percepção de hábitos de vida e comercias diferentes, a toda organização e magia daquele lugar. Ímpar!

21 de julho de 2014

Por bons resultados

“Somos seres de hábitos
Um pensamento que se repete
Leva a uma ação
Uma ação que se repte
Leva a um hábito
Um hábito define comportamentos
Comportamentos ditam resultados"
Vale para começar a semana
Sustentar e repensar pensamentos, hábitos, comportamentos
Vale para sempre lembrar
Para praticar
Com meu agradecimento ao Sr. meu marido que me mandou essa reflexão
Adoro receber colaborações para o blog
Meu baú as vezes se esvazia
E meu coração se enche quando sou lembrada
Para mostrar nossa carinhas escolhi a foto que ilustra o post
Com espuma e cheiro de mar
Pelo hábito de arrumar tempo de interagir com a natureza
De passar momentos relaxantes com quem amamos
De sermos gratos
De buscarmos entendimento das coisas e com as pessoas
Por uma boa semana