16 de setembro de 2014

Para fazer chover

"Não é preciso falar de amor para se transmitir amor
Nem é preciso falar de dor para transmitir o seu grito"
Bem dito por Manoel de Barros
Emendo dizendo que não é preciso falar de preconceito para tratar o tema
É preciso não falar em cor para fazer ser a cor o que menos importa
É preciso educação, cultura, integração
"Assim como a lua tem muitas faces
No mundo, por vezes, faz inverno e outras vezes faz verão
Não podemos sempre estar felizes"
Ombela
Eu vi numa revista de uma certa livraria um livrinho que me encantou por esse trechinho acima, pela capa, pela descrição do conteúdo com referência a um assunto que eu já havia publicado aqui e que foi o da publicação de ontem. Meu gostar e ter como que para adultos muitos dos livros infantis, pelos recados, pela filosofia, poesia e conhecimentos dispostos nas entrelinhas e pela beleza e simplicidade também é assunto recorrente aqui. Ombela é o nome de uma Deusa que aprendeu a fazer chover usando as suas lágrimas e que aprendeu com seu pai que há hora para sorrir e hora para chorar e que suas lágrimas doces e salgadas podem encontrar lugares para ir e nutrir (a ela e ao mundo) todos os dias. 
Ondjaki é o nome do escritor, prosador e poeta, nascido em Luanda. Rachel Caiano é o nome da ilustradora e artista plástica, nascida no Brasil, que com formação em artes de palco dá um show a parte nas suas ilustrações. Uma lindeza o livro que foliei mas não comprei, foi para minha lista de desejos e veio para cá, como indicação.
Veio também e muito, por conta da proposta da editora, que lançou o selo chamado de: Pallas mini , esse ano, com livros infantis tão delicados e interessantes quanto Ombela e que viram para cá em posts individuais, uma vez que achei ficariam perdidos dividindo espaço hoje com essa publicação única para tantas indicações. A editora dedica grande parte de seu catálogo aos temas afrodescendentes, não por acaso ou sem cuidado, conscientemente, imprimindo nos livros o interesse pela valorização e conhecimento das raízes culturais africanas, cientes da escassez no tema, da falta efetiva de registros didáticos ao paradidáticos das tradições, lendas, costumes, religiosidade, filosofias, personagens, personalidades, pequenezas e grandezas africanas e da importância de tudo isso como parte de nossa nacionalidade, de nossas crenças, hábitos, referências.
Posta para  fazer chover livros desse tema dentre os livros lidos por quem me lê, por crianças, adolescentes e adultos, para fazer chover pessoas que não vêem a cor da outra como rótulo de nada, por pessoas mais cultas, informadas. Uma divulgação da Pallas e seu trabalho, sem palco ou parceria, sem ao menos uma retorno do aviso que fiz antecipado a Editora que aqui estaria e de editoras menos pops, de bons escritores e ilustradores, populares ou não. Para arrematar, mais uma lista aqui (com livros no tema de ninguém menos que Mia Couto). Oxalá que sejam comprados, um que seja dos tantos apresentados, que sejam lidos, dados, resenhados, divulgados, que chovam escritas, boas práticas, mistura como cura, africanidade como presença rica e forte em nosso país e mundo a fora, nas alegrias e tristezas, no que comemos, nas danças, nas estampas e nos livros, no reconhecer e valorizar das personagens e personalidades, da cultura da história já escrita e escrita em cada canto por esse povo que é nosso, que somos, como somos índios, orientais, indianos...universais.

15 de setembro de 2014

Preta Preta Pretinha

Quem é meu leitor assíduo, lembra de uma postagem que fiz (além de outras com esse tema e nas entrelinhas) sobre a necessidade de livros infantis com personagens negros nas estantes de crianças negras e de todas as cores, de personagens negros em filmes, desenhos animados e histórias contadas, sem caricaturas. Personagens, personalidades, ilustrações negras nos quadros e objetos de decoração de centros culturais, educacionais, nas recepções, nas casas. Clica aqui para ler ou reler. Pois bem! Estou a um bom tempo procurando, para a Pretinha de neve da foto, um dos livros que indiquei nessa postagem e indico sempre pois acho muito interessante, chamado: Pretinha de neve. Nada de ter na Editora, nem nas livrarias. Como pode isso?
Desse livro a história paralela (ou será perpendicular?), de que eu já me fantasiei de Branca de neve em peças , nos idos da minha adolescência, que fazíamos no prédio onde eu morava e de Pretinha de neve para contar a história para uma roda de crianças multicores. A minha amiguinha Lore se fantasiou de Branca de neve esse ano, no bailinho de carnaval de meu sobrinho Zaion. Ou seja, somos princesas gêmeas.
A Princesa Lorenza é filha de uma amiga e na foto, que ela está disfarçada de menina comum, no cavalinho do parque de areia, foi um dia que brinquei com ela como se eu tivesse 2 anos e a noite meu corpo me lembrou que estou me aproximando dos 40. Nesse dia eu prometi a mãe dela que ia achar um exemplar do dito livro nem que fosse num sebo.
E diante da dificuldade de achar o livro e da falta real desse tipo de literatura no mercado, enumerei no post linkado e vou trazer mais sugestões amanhã, nomes de livros com personagens pretinhas e pretinhos, com lendas e cultura afro, para que compremos para as nossas crianças, para dar de presente, para doar para centros culturais e grupos de incentivo a leitura, sem o sentido direcionado da cor da personagem, nem dá temática, naturalmente, assim como entendemos e somos eu e Helga (dona mãe de Lorenza), mães, tias, educadoras, baianas, amantes das tradições, valor e beleza da cultura africana.
Amanhã, como já cochichei, tem indicação livros (de um em especial) de uma editora que espero mude essa realidade, com rubra atitude e poder, cor do cavalinho  do parquinho, de São Jorge Guerreiro, da roupinha de Lore, de Iansã, vermelho amor e paixão, que move e faz transformar.
Uma semana de raça, graça, ginga e energias africanas, com axé da Bahia, positividade, transformações, permanências, animação, calmaria e alegrias.

14 de setembro de 2014

Do pouco que é muito

Um sorriso, um elogio
Uma palavra carinhosa de gratidão, de afeto
Um gesto de gentileza
É um dar e receber de paz, de luz
Ouvir alguém, dar um pouco de nosso tempo
Dar atenção
Muitas vezes, o que podemos comprar com dinheiro
Com pouco ou muito dinheiro
Não produz a felicidade de gestos, palavras, sentimentos
De pequenezas, coisas simples
Sabores, momentos, pessoas
Um bom domingo

13 de setembro de 2014

Resultado Colorido

Frida Kahlo e cores tem tudo a ver com o Concurso
Foto da internet 
Para apontar com o indicador o vencedor
Que rufem os tambores
E quem ganhou o livro Crônicas Gris
O marcador do meu blog com dedicatória
E resenhas com a foto e a legenda da participação 
Foram 3 participantes:
Nina, Majoli e Luís Felipe
Não conseguimos escolher uma única participação
Gostaria de agradecer em meu nome e de Ana Paula por todas as participações criativas e poéticas, todas as fotos, legendas e carinho. Para brindar, além de Frida, no tema cores, trouxe a história de um adolescente que criou um dispositivo portátil e de baixo custo que converte as cores em sons para quem não ouve. Como não compartilhar e aplaudir em azul celeste tal criação? 
Cada cor é representada por um som diferente e Matías, que aprendeu a programar vendo vídeos na internet, teve sua sensível motivação e inspiração nos deficientes visuais de uma instituição que realiza trabalhos de macramé e têm dificuldade para reconhecer as cores das linhas usadas. O equipamento além da utilidade em si, teve a preocupação do garoto de ser pequeno, para ser fácil de transportar e manusear. Ele considerou segundo a matéria (ver aqui) a possibilidade de alguns smartphones realizarem a conversão de cores para sons, tornando a máquina acessível a todos. A colorida invenção valeu o primeiro lugar na primeira edição Argentina da Feira de Ciência do Google. Com o prêmio ele pretende aprimorar seu dispositivo.
Que com o prêmio desse concurso colorido aqui do blog os ganhadores se inspire e espalhe além do habitual, cores, palavras e boas energias por ai. As publicações resenhadas e poetizadas serão publicadas aqui e na Ana na sexta-feira (dia 19). Inté!

12 de setembro de 2014

Movimentos contínuos



“Crocheta o melhor que puder
Um ponto de cada vez
Cada ponto é um dia na agulha do tempo
Depois de 12 carreiras de 30 ou 31 pontos
Terás 365 pontos
Em dez anos, cerca de 3650 pontos
Alguns são pelo direito, outros pelo avesso
Há pontos que se perdem
Mas que podemos recuperar
A lã que o bom Deus nos dá
Para crochetar nossa existência, é de todas as cores
Rosa como nossas alegrias
Negra como nossos sofrimentos
Cinza como nossas dúvidas
Verde como nossas esperanças
Vermelha como nossos amores
Azul como nossos desejos
Branca como a fé que temos nele”

Hoje vim compartilhar o link de um blog amigo, com fotografias da blogueira, introdução alinhavada de um poema colhido em algum canto por encanto e pontos em cruz  por mim descritos, dos trabalhos realizados por Flávia Bonfim, que administra o blog, oficinas de bordado, exposições, publica livros, fotografa circos, faz ilustrações e dá de brinde dicas e sorrisos nos diversos movimentos de realização dos seus sonhos e de arremate (com e as vezes sem a percepção das pessoas envolvidas), faz bainhas, cerzi, borda, aplica e customiza sentimentos, comportamentos e sonhos.
Trouxe a Exposição de um dos trabalhos que Flávia fez circular, na resenha da comemoração com minha mãe do dia das mães esse ano, clica aqui para ver ou rever. Essa resenha de hoje, resolvi escrever quando conheci ela pessoalmente, em uma outra Exposição, dessa vez das publicações dos livretos, ilustrações, quadrinhos e painéis de tema: O rosto é uma mapa, que amei a primeira vista e que fui com minha irmã, semana passada (ver aqui), prestigiar. Essa irmã que foi comigo, Susana, está participando de uma Oficina de bordado, fonte das fotos que ilustram o post. A mão tecendo pontos e o tecido sendo bordado da segunda imagem são dela. 
Como retalho aplicado com garbo (aqui), trouxe outro trabalho de bordado que minha amiga Chica me enviou o link via e-mail e que me apaixonei e usei a poesia de crochetar os dias, pois para mim é da categoria do costurar, assim como as artes do crochê, do tricô e da vida.
Por uma sexta-feira feliz, branca como a paz e a fé, forte e fina como linho, azul como a felicidade e os desejos, amarelinha, rosa, lilás, vermelha paixão e amor, costuradinha com linha boa, decorada de lantejoulas, vidrilhos, com remendos de contentos, chita, fitas, mãos que afagam, costuram, ajudam e tudo que for terapia, realização e alegria.

11 de setembro de 2014

Sobre livros

Em meados do mês de agosto falei aqui de não leituras e hoje vim falar das entrelinhas e bastidores do comércio de livros, que acho há tanto a ser revisto e mudado.
O livro: A culpa é das estrelas, por exemplo é classificado aqui no Brasil como literatura estrangeira e não como juvenil, isso porque é um potencial campeão de vendas e limita as vendas ser considerado "só" como juvenil. Vale a observação do quanto as pessoas tem limitações a rótulos. Eu por exemplo compro livros sem levar em consideração essa classificação, de crianças, de auto-ajuda, para mim não importa. Como quando recomendo ou dou de presente, para mim, o que importa é o conteúdo.
Mas as coisas funcionam nessa linha da classificação, as estatísticas se baseiam em definições estapafúrdias como certos assuntos e autores não serem considerados literatura. Paulo Coelho, por exemplo, tão conceituado fora do Brasil e aqui criticado mais do que valorizado e seus escritos definidos como leituras exotéricas ou categorias similares. Ler ele, tipo não vale.
Já fiz aqui e faço criticas a certo tipo de livros, assuntos, autores, ao que for de alguma maneira nocivo, mas defendo também que vale ler até bula de remédio e placa de rua. No quesito livros, vale o gosto pessoal, vale como leitura tudo que de alguma maneira informe, desafie o raciocínio, o conhecimento, vale fantasias, curiosidades, diversão, terapia, filosofias, poesias.
Existe uma logística muito grande entre escrever um livro, pagar para editá-lo, publicá-lo e fazer chegar as mãos de leitores e uma necessidade de investimento financeiro, reconhecimento do mercado, adoção coletiva da proposta geralmente hoje fruto de contatos e interação nas redes sociais, para que estejam nas prateleiras de uma grande livraria, que tem sua disposições geralmente por gênero e na entrada, uma vitrine e convite aos mais lidos.
Fui a um tempo atrás, numa livraria em Aracaju, que não me esqueço. Ela era muito menor do que as mais famosas e até hoje é a minha favorita, lá nada de categorias, os livros eram dispostos nas estantes do cantinho da entrada até o final por volta de toda ela pelo nome do autor e em ordem alfabética.
Aquilo do livro não ser próprio para crianças e ser indicado para elas, ou vice e versa é de se questionar e não seguir essas indicações. Tantos livros, já disse aqui e digo sempre, são para crianças, mas deveriam ser lidos por adultos, pois a muito a extrair dos personagens, da história, muitas lições para qualquer idade. Uma criança vê só as figurinhas e o básico que a poesia dessas obras contém, absorvendo ainda assim o conteúdo, mas um adulto tem o poder de extrair ao máximo e conscientemente, porque não então?
Outra questão é a casquinhagem das pessoas para comprar um livro. Sempre comparo a um lanche, a duas cervejas para os que gostam e nunca bebem só duas, a uma roupa ou outra coisa qualquer, que a depender, tem menos efeitos positivos sobre nós do que um livro. Não que futilidades não sejam permitidas, sim são e eu até indico, nada como bobagens as vezes. Dou livros de presente que custam o que custaria um perfume caro ou roupa e já ouvi muitas reticências quanto a não ser um presente que se goste de ganhar. Já ouvi de uma mãe, que ela sempre que ia ao shopping, esquecia de ir na livraria comprar livros para o filho. Pode isso? Tem os que dão chiliques e se desdobram em argumentação para o fato de um livro infantil custar o mesmo que um de adulto, não ponderando a parte imensurável do ponto de vista lúdico e do desenvolvimento, comparado a por exemplo gastar, sei lá, 500 reais num tablet pro filho de 2 ou 3 anos. Que muitas vezes quebra em uma semana, que dava para comprar 10 livros caros e inquebráveis...risos
Tipo bordado ou estampa nessa colcha cheia de retalhos rotos um outro ponto a destacar é não ser reconhecido e valorizado o trabalho do ilustrador tanto quanto é merecedor. Não se considera que a quantidade de páginas de um livro com 4 a 5 folhas, seja com figuras (que contem mil palavras e páginas) ou com figuras e meia dúzia de palavras, não deve ser parâmetro para o preço do livro. Há mais ali que nos infinitos e repetitivos cliques em eletroeletrônicos ou em muitas páginas que não dizem nada ao leitor. Não se considera além do livro ser um livro, que ele seja um objeto afetivo, uma forma de educar o abrir com cuidado, o não rasgar, não riscar, para ler, reler, tatear, ser infinitamente reutilizável se for bem cuidado. Parte da estante que diz sobre quem ali mora através dos títulos e autores, parte da nossa memória, objetos max mesmo sendo minis.
Para encerar falando de uma boa leitura, o livro Crônicas Gris de Ana Paula Amaral, é o prêmio do Concurso cultural que lancei aqui na sexta passada e que se encerraria nessa sexta, resultado no sábado, clica aqui e participa.

10 de setembro de 2014

Circulante

Foto de minha amiga Gê Visacri
Um meio círculo inteiro de beleza e uma fotógrafa inteira de talento
“Já vi borboletas voarem faltando um pedaço da asa
E rosas incríveis desabrocharem num copo d’água"
Recorte de uma filosofia poética de Marla de Queiroz que colhi aqui
Há tanto no pouco, nos pequenos gestos, nas pequenas coisas. Se observamos na natureza, nos acontecimentos, nas histórias alheias, sempre há lições de superação, adaptação, coletividade etc.
Comentar o que vemos além do que se vê, incentivar o olhar, a audição, o tato apurado, sugerir leituras, canções, intervenções, interações. Falar de algum evento que vai acontecer e não dá para gente ir ou não nos interessa mas sempre interessa a alguém, que vai ser onde você conhece muita gente, divulgar um trabalho sem nenhum retorno aparente por isso, uma imagem, um nome, tudo isso é um fazer circular, é um vai que volta de alguma forma eu acredito.
Eu já contei por aqui que meu filho desde bem pequeno ia numa antiga biblioteca pública, onde morávamos, no bairro onde nasci e cresci, a Biblioteca Monteiro Lobato. Já falei também da minha paixão pela Emília e paridades de personalidade, bem como candura por Dona Benta, Tia Anastácia (desejo de seus bolinhos de chuva), de meu gostar do Saci e para resumir, do gostar de todos os personagens, até da malvada e pirada Cuca, com reconhecimento do valor de todos esses personagens, das histórias e do conjunto da obra atemporal desse poeta escritor.
Clicando nas notícias literárias que sempre tem aqui na lateral do blog (abaixo no lado esquerdo), que as vezes penso que clico mais que os passantes, descobri que tem um município em São Paulo com o nome de Monteiro Lobato, bem como deve ter pelo Brasil afora nomes de bairros, praças, escolas etc. Clica aqui para ler a tal notícia e se for de SP ou passar por lá, participar do Festival que vai acontecer a partir de amanhã, ou lê a notícia e vê a programação quem for da área de educação para se inspirar ou quem quer que seja (pais, tios, avós) inspirar educadores na produção de dinâmicas e trabalhos made in Monteiro Lobato.