21 de novembro de 2014

De por ai para cá

Imagem da web

Recortei dia desses comentários meus em postagens alheias para trazer vez em quando para cá, na íntegra ou com correções, edições, bordas e recheios a mais, para desenrolar e cronicalizar histórias paralelas e perpendiculares. Hoje trouxe o primeiro da série (sempre quis dizer isso). 
Anteontem, por coincidência, ocorreu de eu publicar aqui o que havia comentado dias antes em um post do blog vizinho de onde veio o comentário fruto da publicação de hoje. Um emaranhado contato para dizer que adoro essas histórias, esses alinhavos, retalhos, remendos, essas interligações, por acasos ou não.
Pular elástico e minha infância são sinônimos, objetos diretos, companheiros inseparáveis e como modéstia não vem no pacote ser ariana, eu arrasava. Do tornozelo ao pescoço, não tinha pra ninguém e quando não havia quem segurasse o elástico para mim, eu, como milhares de garotas, colocava duas cadeiras de costas uma para outra, na distância ideal, passava o elástico e cantarolava: "Ono um, ono dois, ono três, zig zag, zig zag" ou "Seu marido morreu e deixou você carregada de filhos, foi um, foi dois (e eu acabava com a pobre da mulher enchendo ela de filhos). 
Os elásticos lá em casa, pedíamos geralmente, com beicinho e cara de netas adoráveis a minha vô que pegava uma peça retangular na sua máquina de costura, cortava um pedaço e amarrava na ponta, em tamanhos menores fazia o mesmo para amarrarmos os cabelos e irmos para escola nos achando. 
Quando o tempo era de vacas magras, remendávamos os elásticos folengados retirados dos cós das roupas já alaçadas, que ganhariam um elástico novo. Lá em casa as roupa passavam entre irmãs e também vinham de primas, assim como iam para os pobrinhos depois.
Se hoje tivesse por aqui meninas brincando eu me convidaria, desconsideraria minhas 38 primaveras. Para fechar com a estima toda trabalhada no dourado, me ocorreu que minha professora de yoga queria saber como eu tinha tanta elasticidade, tão óbvio, tão sinônima a resposta e só descobri escrevendo esse post: pular elástico, elasticidade, tudo a ver.
Então, bora essa vidinha parada rever Fase bebês, adolescentes e em qualquer idade, praticar a elasticidade, o movimento faz bem de imediato, a curto, médio e longo prazo. Hoje é sexta-feira dia de esticar no sentido boêmio e na vibe do corpo são, mente sã, fica a dica de no final de semana se mexer e a cabeça espairecer.

20 de novembro de 2014

Para passar

Todo mundo com as palmas das mãos juntas, como que rezando, que vou passar minhas mãos assim por entre cada par de mãos. Entre um dos pares, que tem que disfarçar, vou deixar um anel. Quantas vezes brinquei disso e de lagarta pintada beliscando as mãos alheias e depois segurando em pontas de orelhas. Porque a velhinha pintou a lagarta? De que cor? Não sei! Também não sei a origem dessas brincadeiras e não me pus a procurar. Sei que muito da nossa cultura popular, brincadeiras, danças, cantigas, muito do nosso vocabulário, da culinária é de origem africana e indígena também.
Querer bem além da cor, viver, para ver não ser preciso um dia para celebrar a consciência negra, mais sim a cultura negra, as raízes negras, personalidades e pessoas simples que fizeram e fazem a diferença e que sejam homenageadas e valorizadas no cotidiano, misturadas a tudo e todos.
Que a consciência seja multi-racial, multi-étnica, que a essência seja o respeito e a mistura excelência. Que passemos de mãos em mãos, de geração em geração, de coração para coração, circular com um anel, os valores que não tem cor, dígitos, localização geográfica, religião. Axé odô!

19 de novembro de 2014

Só 10% será verdade

Fiz curso de Letras Vernáculas e nunca ouvi falar em Manoel de Barros. Não! Eu não ficava conversando, nem me perdia com o bater de asas de uma borboleta. Sempre fui muito ativa e também muito atenta. Nada sobre ele, nem uma linha de seus escritos. Muitas pessoas nunca tinham ouvido falar dele até ontem, mas precisamente até o dia que ele se foi. E ele não fazia questão de ser falado, mas de ser lido, não por volume ou extensão, mas de coração.
Ele não fazia questão de ser visto, mas sentido e para ser melhor conhecido, foi reprisado na GNT o documentário sobre sua vida e obra, que recomendei certa vez aqui, clica para ler e clica lá para ver:  Só dez por cento é mentira.
Soube que seus livros serão relançados por nova editora, de maneira bem comercial na segunda metade de 2015. Ele não fez parecerias muitas vezes oferecidas, quase sempre monetariamente intencionadas. Mas! Eu, em particular e intransferível, tenho um projeto na gaveta que muito tem dele e pensei com pesar, agora arrumarei quem faça gosto em participar.
Lembro que fui numa das maiores livrarias aqui de Salvador ano passado e nem no sistema havia seu nome. Na outra um título na prateleira e outros poucos no sistema, sem nenhum conhecimento do atendente sobre de quem se tratava. Não era comercial, #fato e nessa vai ir do 8 ao 80.
Não era conhecido, divulgado e acho que isso era exatamente o que ele queria, era o que ele era e que hão de reconfigurar, a um ponto talvez de só dez porcento ser verdade. Primeiro passo ao preço no ócio que ele afirmava que comprou, manteve, poetou e preservou foi no mesmo dia em que ele voou para além das nuvens, notícias comerciais além das homenagens e toda uma descrição material de sua pessoa e obra imateriais, fervilharem nos meios de comunicação.
Seus escritos valiam para quem tocavam, para quem os descobria por acaso, como tesouro escondido, por indicação ou por quem por refino buscava algo além das prateleiras dos mais vendidos. Pensar que mais pessoas terão acesso, dessas a quem irá tocar e fazer germinar é coisa boa de se pensar e se alegrar por isso. Mas também chegará por atacado, será rotulado, lido por obrigação, por modinha e afins. Educadores e deseducadores, com e sem noções vão querer traduzir, explicar, sistematizar e com isso o encantamento desencantar. Sobre os poetas para não usar uma de suas muitas desexplicações, Rita Apoena explica: “O mágico nunca conta os seus segredos. O poeta nunca explica uma entrelinha.”
Eu cá com meus exemplares de antes da fama e o endereço que recebi para lhe mandar uma cartinha, desenhos, recortes, que nunca mandei porque tudo era tão pouco, penso que agora ele tá on line e não ter mandado nada também é uma história, é um fazedor de imaginares, um desperdício guardado com alargador de horizontes.

18 de novembro de 2014

Planos de voo

Fonte da imagem: Create it Girl no etsy.com

Hoje pensei voar até o Rio
Em um belo e mágico passeio de balão
Pousava no Cristo para tirar uma foto
E ia conhecer pessoalmente um amigão
Pensei também em mandar um balão de ar, daqui para lá
Um com gps para o destino ele não errar
Ai resolvi aqui registrar meus planos de voo
Como uma pequena homenagem
A um pequeno principie
Que já está crescidinho
Um pequeno grande amiguinho
Por quem tenho um enorme carinho
Faz de conta hoje Pedrinho
Que fui ai rapidinho
E te dei uma abraço esmagadinho
Quem é de casa vai lá no blog dele parabenizar
Quem não, clica aqui para conhecer ele
Ler poemas, se encantar com seu sorriso
Resenhar com vó Amara
Levar um presentinho
Seguem sugestões:
Bem querer
Dica de um bom livro para ele ler
Beijinhos
Som de mar
Barcos de papel
Uma arteirice qualquer
Brigadeiro na colher
Abraço tipo laço
Bolinhas de sabão
Semente de manjericão
Algo que tenha luz
Um par de meias azuis
Folhas para sua coleção

17 de novembro de 2014

Conto de uma margem e um marcador

Contam-se muitas histórias com muitas palavras, frases, linhas, pontos e contrapontos. E esse conto é sobre uma parte de todo conto, história, crônica, poema ou qualquer outro estilo de escrita: as margens. Seja no papel ou nos equipamentos digitais elas estão presentes. Tem quem faça rabiscos nelas na escrita manual e devem elas se sentir nessas ocasiões, parentas bem próximas das entrelinhas, que são margeadas de palavras.
Certa vez uma margem larga e soberana da página de um livro que vivia na extremidade do miolo acompanhada de um marcador de páginas, começou a amarelar, não de medo, mas pelo avanço da idade. E o marcador que ali ficou tanto tempo, marcando aquela parte do livro onde o último leitor o repousou por gosto, para alguma recordação ou por ser onde parou a leitura, se pôs a refletir sobre a utilidade da vizinha.
Não houvesse as margens, as letras amarelar-se-iam de súbito e tão logo comprometeriam a leitura, a medida que os livros envelhecessem. Tão livres, puras, tão reveladoras dos miolos são as margens! Como molduras de retratos, divagou o marcador. 
A margem de um conto parece expressão de renegação, tanto quanto tantas outras expressões e palavras que subjugam o valor contido e além do que é visível ou formal. Como a areia está a margem do mar e nem por isso é menos importante, vista, querida, põe-se o poeta marcador, para sua amiga margem recitar. 
E na amarelidão, como no esbranquiçamento dos cabelos, como parceiros e admiradores um do outro, puseram-se os dois a namorar, torcendo não mais para alguém abrir o livro em asas e pôr o marcador a andar, mas para ali juntinhos na estante ficarem, margem e marcador, como amantes e um para o outro, importantes.
Dos meus escritos, para uma segunda poética, romântica, literária e uma semana de leituras, reflexões, bem quereres, paz e bem.