2 de setembro de 2014

Sobre esconder e valorizar

Imagem de alguma garimpagem de iluminuras que não sei a fonte

O esforço tem que ser escondido diz um ditado francês
Quando a gente faz um esforço enorme para fazer uma coisa
Um trabalho, uma apresentação
Escrever algo, arrumar, cozinhar, criar etc etc etc
Quando se trata de boas ações, é o recheio, cobertura e valor nutricional
Como bem reza, um dos ditados que prezo, pratico e prego
Não saiba sua mão esquerda o que fez a direita
Vale sempre porém, com ou sem cartaz
Valorizar o que o outro faz
As grandes coisas, médias e pequenas
As pontuais e as diárias
Não só para o outro, mas também para nossa percepção
Pelo valor das coisas grandiosas e das miudezas
Vale sermos colecionadores de pequenas semeaduras e colheitas
É riqueza pura
Abrir os olhos, ouvidos, apurar o tato para reconhecer
Post por um setembro setembroso, frondoso, carinhoso
Realizador, cheio de amor, miudezas e belezas
Com reconhecimentos de e para
O meu hoje é a meu pai
Um colecionador de bem feitorias sem palco
Que amo, imito e reconheço o valor que nem ele sabe que tem

1 de setembro de 2014

De consideração



Clicks de Sophie Gamand, fotógrafa francesa
A série de fotos das quais essas fazem parte se chama:
Flower Power, Pit Bulls of Revolution
São lindas fotos de cães da raça pit bull com coroas de flores
A fim de humanizar a raça
E desmitificar a violência atribuída a ela
Mostrando os olhares doces
Revelando a paciência dos animais com as fotos e charme com os arranjos
E seus comportamentos meigos e comedidos quando assim são criados

Considero o mês de setembro especial, pelas flores que anuncia e faz brotar e por uma data pessoal. Assistindo a um programa local dias desses, soube que uma denominação que muito usamos aqui em Salvador é própria nossa (dessas coisas que falamos e achamos todo mundo fala e entende). Aqui a gente diz quando um amigo é muito amigo, que é irmão de consideração, a filha de uma amiga irmã de consideração de nossos pais, é nossa prima de consideração, aquela senhorinha que ajudou a nos criar ou a avó que cuida como mãe são mães de consideração.
As fotos foram para ilustrar e para homenagear meus cães de consideração, Balu na casa de meus pais e os da casa de minha irmã e também em memória de meu cãozinho de lá dos idos de minha adolescência, que o nome era Tico.
Hoje tenho candura , em especial, pela mais doce de todas as criaturas caninas que me cercam: Hanami (de minha irmã), que tem nome de primavera e beleza de cerejeira em flor. A postagem é para compartilhar e semear o uso dessa expressão: de consideração e desejar um setembro de muita consideração e considerações. Minhas floridas saudações a todos os leitores, cães, gatos, passarinhos, borboletas, a setembro e a primavera!

31 de agosto de 2014

Das miudezas

Foto de sinaleira na Liberdade - São Paulo

"É muito útil estudar o alfabeto das flores miúdas 
Esquecidas na beira dos caminhos
Pequenas florezinhas amarelas como mensagens perdidas. 
Elas dizem sim à vida, ao Sol, à chuva
Sim ao amor que nasce todos os dias"
Roseana Murray
Tão gostoso o gosto desse fim de agosto para mim
Que para muitos tenha sido ou no próximo seja assim
Que setembro seja um mês de miudezas
Que tenhamos o olhar, a audição, o tato
O coração recheado por miúdas e grandiosas sensações
Por valores além das cifras
Por sentidos e sentimentos bons
E assim na beira dos caminhos ou no meio deles
Nas esquinas, paradas ou no seguir em frente
 Numa sinaleira ilustrada ou não
Encontros, pequenezas, grandezas
Cores, luz, amor no coração
Fé, paz e bem
Amém!

30 de agosto de 2014

Era uma vez












Imaginar é bom para distrair, relaxar
Para ilustrar a realidade
 E muitas vezes um princípio de criação
Um ponto de partida
Ao imaginarmos, desejarmos, idealizarmos
Podemos ir atrás, na frente ou na carona
Sendo levados ou levando pela mão o que imaginamos

Li a muito tempo em algum lugar que imaginação é pilha que move qualquer brinquedo e acho que imaginação mais que pilha, é energia renovável, gás, força, impulso, cor, que move além de brinquedos dos mais sofisticados a pedaços de papelão para crianças, histórias lidas, ouvidas e contadas, movem as pessoas, contatos, projetos, sonhos, promovem soluções, criações, realizam sonhos.
Era uma vez uma menina (auto massagem na estima) que queria ir na Bienal de São Paulo e imaginava um dia conhecer o oriental bairro da Liberdade que não deu para ela conhecer quando esteve lá, que idealizava conhecer uma amiga de blog e seus dois filhos que moram em Sampa de emenda e também numa outra oportunidade conhecer uma outra amiga que mora em Goiás (além de outras espalhadas mundo a fora). Imaginar e planejar é bem com essa tal menina que conheço desde que nasci, ariana, romântica, idealista, sonhadora, que apesar de tanto planejar e confabular, não imaginou faria tudo isso junto e num dia só, mas assim foi. Ida e volta no mesmo dia, domingo passado, viagenzinha rápida mas pensada e repensada, cálculos do investimento e um fado marido madrinho na coxia que financiou a parte econômica da realização e deu o empurrão.
Uma semana inteira de posts programados e o tempo para pensar e arrumar o que eu ia postar sobre as vivências do dia de pela segunda vez entrar sozinha em um avião, de quem sabe andar pela primeira vez de metrô, de ter esquecido em casa o casaco tão separado para o frio de São Paulo e apelar com fé para o sol da Bahia me acompanhar (acompanhou), dia de Bienal, livros de blogueiras amigas, de mega estandes, mega estrutura, megas filas, ainda bem fiquei zen e adornada pela passeada na Liberdade, com direito a realejo, comprinhas num mercadinho e sorvetinho com frutas delicioso. Algumas fotos para ilustrar e algumas histórias que aos poucos, nas emendas ou como resenhas vou por aqui e por ai contar. Adorei é um resumo!

29 de agosto de 2014

Pedagogia dos caracóis

Ilustração de Stacey Yacula
Em uma de suas crônicas, Rubem Alves, conta sobre um educador que ao ver um caracol faz a reflexão de que talvez chegar na frente não seja tão importante. A conhecida e válida máxima de que o caminho, o ir, é mais educativo e importante que o chegar, que ele chamou de: Pedagogia dos caracóis. Fica a dica para praticar e para ler o livro dele que leva esse nome e é recheado de boas crônicas. E como é fim de mês, últimos posts de agosto programados com gosto, meu desejo de uma sexta de rimas, risos e curtição dos caminhos.

28 de agosto de 2014

Do espanto com gentilezas

Pego sempre vários saquinhos nos puxadores de sacos da seção de frutas e legumes do supermercado e quando vejo alguém cheio de coisas na mão ou pegando algo sem estar com um saco, ofereço um e 99% das vezes a pessoa se espanta. Faço quase que involuntariamente, como também respondo a perguntas feitas no ar, se sei a resposta. Dia desses uma adolescente com carinha marota de que não sabia a diferença de uma batata e um tomate (risos) perguntou diante a imensidão de folhas da seção de hortaliças, o que aqui era hortelã miúdo (com essas palavras). O tal, estava ao alcance de minha mão, então prontamente peguei o maço e dei a ela que sorriu e agradeceu. Dei sem explicações, em resposta ao silêncio, caras e bocas alheias. Vez ou outra, quando a pessoa se mostra interessada e não tem platéia, explico como conhecer as folhinhas que conheço, como saber se tal fruta ou verdura tá boa e adoro quando pergunto e alguém me explica segredinhos.
E vale pontuar que me espanto, como recentemente ocorreu, quando alguém é ríspido com algo tão prosaico como dar uma informação. Foi assim o último episódio que registrei na minha caixinha de malcriações alheias: Uma senhorinha muito elegante estava na hora do almoço com um grupo de amigas, no refeitório do hotel e eu estava me servindo, quando perguntei onde havia algo que tinha no prato dela. A bonita com um ar superior e suspiro enfadonho me respondeu friamente. Por coincidência lá estava eu atrás dos potinhos de manteiga no dia seguinte, no frescor e ânimo do café da manhã e quem estava lá? Ela mesma. Perguntei toda simpática não tenho ainda processado que o azedume dela poderia não ser (e não era) pontual: - Bom dia! A senhora, que sabe das coisas, sabe onde fica a manteiga? Ela me olhou de cima a baixo e disse: - Não sei das coisas não, mas fica ali. Afff!!! #desnecessário e olhe que o hotel era um paraíso. Imaginei: essa criatura tipo na 25 de março, deve morder.
Enfim, que sejamos surpreendidos com gestos de gentileza, como fui com uma historia de uma tal ratinha chamada Tina dia desses (ver aqui). E com finos tratos, não nos choquemos, achemos normal para quisá seja normal. Sejamos gratos, sorridentes, gentis, sem nenhum cartaz ou interesse. Ofereçamos saquinhos no mercado, ajuda para carregar os sacos até o carro, informações e etc, porque vamos combinar, gente mau humorada é um saco.

27 de agosto de 2014

Do que está contido em tudo

As artes e as sabedorias populares qualificavam as tradições e acho que é papel tanto dos órgãos públicos, quanto de empresas privadas e de cada um, não deixar que se percam, de passar de geração em geração, sejam as artesanias, histórias, lendas, hábitos, danças, culinária, sempre valorizando e entendendo o primitivismo das coisas como um tesouro.
Os personagens folclóricos, tradições religiosas (independente de qual seja nossa religião, como símbolo cultural), as estampas, texturas, hábitos, crenças, o vocabulário, tudo isso são símbolos, como são os monumentos, árvores, animais. Tudo pertencente, presentes com e sem data no calendário, cada coisa com sua riqueza, pobreza, beleza, feiura, grandezas e pequenezas. Tudo próprio do coletivo e de cada um de nós. E tenho dito!