23 de maio de 2015

De um menino que tava aqui

Ilustração de Maddalena Gerli
Estava a andar lá pela casa de minha mãe a um punhado de anos atrás um menino de cabelos cor de milho, olhos azuis, roupas geralmente azuis, porque a mãe ama azul. Ele nem sabia andar direito e já corria, engatinhar não quis. Tagarelar sempre foi com ele, tudo sempre explicadinho nos mínimos detalhes, palavras engraçadas, rebuscadas e inventadas. Para ele o lobo mau era bom e os três porquinhos uns sacanas, para ele o sol ficava melhor nos desenhos na base do papel, tipo se pondo e não em cima como todo mundo geralmente desenha.
E de repente 15 anos faz hoje o pequeno infante, quinze nasceres do sol. Cá está um rapaz, tipo o homem de lata do mágico de Oz, precisadinho de um coração (tomara justo hoje não venha aqui me ler), mas, como a cor dele preferida é verde e verde é a cor da esperança, vai que se adoça com mais uns aninhos na quilometragem o cabra geminiano.
Se não, gosto de coisas agridoces e de azedinhas também, além do que compensa as humanas sua mente matemática, um cérebro como o desejado pelo espantalho e com HD ilimitado para informações diversas, com muitas chances e ilimitadas possibilidades de carreira, de experiências, uma vasta literatura a ser escrita.
E eu, com meu ingresso vip de mãe, muito bem acompanhada pelo pai, devidamente uniformizado de fã, acompanharemos muitos anos das suas histórias, de sua caminhada nos tijolos amarelos como os da turma de Oz, ou como na canção Yelow, do Coodplay, banda que ele adora. Hoje aqui fica meu registro e desejo azul felicidade, verde vida, amarelo ouro, branco paz, fé transparente, multicores e amor atemporal e incondicional.

22 de maio de 2015

Do em nós

Ilustração by Claudia Tremblay

"Em mim eu vejo o outro
E outro e outro
Enfim dezenas
Trens passando
Vagões cheios de gente
Centenas
O outro que há em mim é você
Você e você
Assim como eu estou em você
Eu estou nele
Em nós
E só quando estamos em nós
Estamos em paz
Mesmo que estejamos a sós"
Paulo Leminski

21 de maio de 2015

Dos repentes

Quando vi esse desenho
Que não sei quem rabiscou
Lembrei de mim e meu grude
Que desde os tempos dos papos pela janela
Proseamos a beça
Das coisas ruins as belas

Eu que teimei a aderir ao zap
Ontem até fiz Ode
E recebi por ele hoje um repente
Que pesquisei a autora inteligente

Mas como não tenho o tar do Face
Não deu para fazer contato 
Que cá estaria sua poesia

Que nem recado mandado na roça
Quem ai pode avisar?
Modi lê com gosto antes de ir lá
E se, se animar de repente
Se põe também a rimar

"Esse tal de "Zap Zap"
É negócio interessante
Eu que antes criticava
Hoje teclo à todo instante
Quase nem durmo ou almoço
E quem criou esse troço
Tem uma mente brilhante.

Quem diria que um dia
Eu pudesse utilizar
Calculadora e relógio
Câmera de fotografar
Tudo no mesmo aparelho
Mapa, calendário, espelho
E telefone celular.

E agora a moda pegou
Pelas "Redes Sociais"
É no "Face" ou pelo "Zap"
Que o povo conversa mais
Talvez não saiba o motivo
Que esse tal de aplicativo
É mais lido que os jornais.

Eu acho muito engraçado
Porque muita gente tem
Um Grupo só pra Família
Um do Trabalho também
E até aquele contato
Que só muda de retrato
Mas não fala com ninguém!

Tem o Grupo da Escola
O Grupo da Academia
Grupo da Universidade
O Grupo da Poesia
Tem o Grupo das Baladas
Das Amigas Mais Chegadas
E o da Diretoria.

Tem quem mande Oração
"Bom dia!", de vez em quando
Que só mande figurinhas
Quem só fique reclamando
No Grupos é que é parada
Dia, noite, madrugada
Sempre tem alguém teclando.

Cada um que analise
Se é bom ou se é ruim
Ou se a Tecnologia
É o começo do fim
Talvez um voto vencido
Porém o Zap tem sido
Até útil para mim.

Eu acho que a Internet
É uma coisa muito boa
Tem coisas muito importantes
Porém muita coisa à toa
Usar de forma acertada
Ou, por ela, ser usada
Vai depender da pessoa.

Comunicação é bom
Vantagens que hoje se tem
Feliz é quem tem amigos
Fora das Redes também
A vida só tem sentido
Quando o que é permitido
É aquilo que convém.

Pra quem meu verso rimado
Acabou de receber
Compartilhe esta mensagem
Que finaliza a dizer:
"Viva a vida intensamente
Porque é pessoalmente
Que se faz acontecer!"

Das memórias, arcos e flechas

Aos novos leitores, sugiro clicarem para ler sobre post no tema: aqui e aqui, vale para os leitores de sempre ou quando em vez. Para sincronicidade da coisa, referências, leitura e de escritos passados (que eu faço muito gosto e aceito comentários), para saber da arqueira que há em mim. Enfim! 
Na busca de um filminho novo para ver a dois, marido clica na descrição de um chamado: O doador de memórias. Alguma referência ao nosso ver com o pop Divergente, não divergimos e escolhemos assistir. Eu adorei e recomendo. Várias reflexões, observações, paralelos, várias  flechas me flecharam e outras eu lancei e eis que ao pesquisar sobre para resenhar, baseado num livro, a editora do mesmo é a Arqueiro.
Mais de 11 milhões de livros vendidos no mundo essa história, para médios e grandes eu categorizaria. O doador de memórias, de Lois Lowry, é uma história onde se conseguiu construir um mundo “ideal”, onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. E todas as pessoas para terem essa ausência de coisas ruins, tem ausência também de amor, desejo, alegria sem ser condicionada e padronizada.
Os habitantes dessa pequena comunidade, são completamente satisfeitos com a vida ordenada e pacata que levam e conhecem apenas o presente, as memórias do passado do mundo que vivemos, são apagadas da mente. Há porém um único indivíduo encarregado de ser o guardião das memórias, sua função é ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos de idade é definida pelos dirigentes a profissão que cada indivíduo irá seguir, sendo as opções administrativas e colaborativas e filhos e pais algo definido não gerado, sem o conceito tradicional de família, apenas as células, sendo casas onde vivem os grupos familiares, não lares (hoje em dia já há esse formato, lamentável observação).
E eis que um garoto, de nome Jonas, recebe a honra de se tornar o próximo guardião e no seu difícil treinamento tomamos conhecimento de detalhes do conceito de viver sem memórias, é possível fazer paralelos, reflexões, acompanhar a coragem do garoto, e do seu orientador e observar detalhes do universo extraordinário que vivemos e muitas vezes não valorizamos.
Deixo a dica do filme e do livro e a partir deles ou de suas experiências, vivencias, referências, as respostas aqui ou internamente ou em escritos e expressões artísticas ao gosto do freguês, para papos em mesas de bar ou no lar: Até que ponto evitar a dor pode nos tornar mais felizes? As diversas emoções, sonhos, desejos, incluindo as angústias e afins não é que dá sentido à vida?
O ruim aumenta o valor do bom é uma das reflexões, que um mundo ideal e Jonas, numa envolvente, filosófica, poética e pop história inteligente, envolvente e cheia de suspense nos convida. Post publicado, tipo flecha no alvo, vou aqui, sentir coisas diversas, viver e agradecer.

20 de maio de 2015

Ode ao WhatsApp

É esse mesmo o título e o assunto e é esse um novo post no mesmo dia. O motivo é que no de mais cedo eu tava brava. Então, eis um post descontração, para sair da nuvem cinza. Para quem me lê e conhece, tá encafifado com o título, defendo o saia dessa de ficar no celular, pc e eletrônicos, mas também é fato que faço muito uso das tecnologias e modernices e sobre o aplicativo modinha, com apelido, adoro o fato de as pessoas estarem escrevendo mais que falando no celular, graças ao Zap.
E nessa, contas de telefone mais baratas, gente pensando o que fala porque escreve e daí lê e repensa, prática de grafia e vocabulário, tem ainda  o lado fofo dos emotions (que virão para cá em um post só para eles), a criatividade dos memes e vídeos, além de menos problemas de saúde auditivos que passarão a ser visuais já que o olho fica alumiado e vidrado nas telas, mas ai a culpa não é do aplicativo, é do tal do excesso.
Vi uma matéria na tv que as operadoras perderam muita receita com os aplicativos, seja o zap para papos e agora até ligações, seja para o poder dos Smartphone com internet onde se busca endereços, informações e tudo antes era necessário efetuar ligações. E ligações a curta ou longa distância contam com outro queridinho que é o Skype. Penso que venda de produtos seja a saída financeira para as mega empresas que já lucram mega as custas do blá blá coletivo. Quem sabe não mudem o ramo de atuação, inventem um novo produto, na contramão da conexão e comunicação, tipo aparelho para não ser localizado, aparelhos para interação com o meio ambiente ou sei lá o que, a necessidade faz os homens e as empresas saírem da casinha, que seja para quintais, praças e faça as pessoas se movimentarem, olharem olhos nos olhos, se abraçarem mais.