5 de julho de 2015

Diagnóstico

"Quase fui médico
Cedo acreditei ter inclinação
Aconteceu, em menino
Frente aos compêndios escolares.
Fascinava-me no corpo humano
O vocabulário em flor
O suco gástrico, o bolo alimentar
O trânsito intestinal, as papilas gustativas
Ante o meu prematuro pasmo
A professora vaticinou: vai ser médico
Em casa, porém, meu pai diagnosticou diverso
Não era a anatomia que me atraía
Eu apenas amava as palavras
Meu pai adivinhava
E eu, de poesia, adoecia"
Do livro Tradutor de chuvas
De Mia Couto
Eu li esse diagnóstico e me vi nele, tive similares sintomas ao trabalhar na Faculdade de Medicina, meu primeiro emprego com carteira assinada, digitalizar toda história da Faculdade Bahiana de Medicina era minha tarefa e de meus colegas, após tudo passado para os computadores, Nomes, Notas, Apostilas, Relatórios de anamnese. O que havia nos relatórios de nome tão peculiar e demais materiais didáticos, eu desconsiderava, me apegava nas palavras por mim desconhecidas. As sonoras, as arcaicas, termos formais das solicitações, memorandos, ofícios.
Eu me mantinha afastada dos laboratórios e salas de aulas práticas quanto podia, mas adorava prender no mural verde com tachinhas as notas das provas, avisos. Circulava alegre pelos corredores, sempre disposta a dar informações, ajudar alunos e professores e quando a muito já havia deixado de trabalhar lá, por algumas vezes pela rua alguém me olhava e dizia: Você estudou na Bahiana? Você fez medicina ? Não! Trabalhei lá! Fiz Letras seria a resposta completa (de fato fiz na mesma época), mas lá fazia Letras na secretaria e no CPD (como se chama o núcleo de informática, Centro de processamento de dados).
Fato é, que sou apaixonada por palavras, de Medicina, Engenharia, Direito, Educação Física, artes, de todas as áreas, algumas pessoais, nacionais, regionais, estrangeiras, inventadas, algumas que amo porque vi num filme, li num libro, outras porque fazem parte de minha história, umas que me põem pra cima, pra frente e até algumas que me põe pra baixo, pois olhar pra baixo e viver nossas dores e as do mundo é importante eu acho. Como uma das reflexões do filme e livro pop que eu já trouxe para cá: A culpa é das estrelas, que diz que a dor precisa ser sentida. Da mesma fonte é a palavrinha: Okay. Que diz muito, é palavra chave, palavra de amor, de cumplicidade. Vale assistir o filme para entender.
Sobre o meu gostar de palavras que eu já expliquei, resenhei, referenciei, ilustrei aqui  em crônicas, versos, prosas, que escrevo e digo nas entrelinhas, é para mim exercício, prazer, terapia, quem sabe um dia profissão, formei em letras, então em palavras me orgulho dizer tenho formação, embora não seja curso de pompa, não sou doutora, mas Mia Couto, com a licença da comparação, me entende e representa.
Toda essa prosa, além do dito é para uma proposta de interação, minha e da Emilly, após trocas de figurinhas via blogs e e-mai´s (clica aqui para conhecer o blog dela). O desafio é de a partir do dia 10 ao dia 20, cada amiga(o), vizinho, passante, publicar em seu Blog, um post com o tema: Uma palavra.
Vale dizer porque escolheu a tal palavra, contar uma história, fazer um verso, contar o reverso da escolha, referências, publicar somente a palavra e uma imagem que a represente. A minha palavra vem pra cá dia 11. Mexe ai no seu vocabulário e tira uma palavra pra compartilhar.
Posta e traz o link pra cá ou leva pro Blog da Emilly e vai lá para ver a palavra e as contações dela, uma nova vizinha blogueira que como eu, embora de idades bem diferentes, crentes somos, como a Márcia Duarte autora da frase que segue, que: "As vezes, por uma palavra lida, ou dita, tudo se transforma". Vumbora transformar o dia, o olhar, o sentir, quem sabe a vida de alguém? Com uma palavra. Okay?

4 de julho de 2015

Saudade em tempos de zap

O comportamento das pessoas por conta da tecnologia está mudando. Valores, pensamentos, sentimentos, a relação das pessoas com sua intimidade, com a intimidade do alheio, os limites e até falta de saudade. Verdade! Um sintoma comprovado, li por ai e trouce para cá.
Com tanta exibição e envio de fotos, áudios e vídeos é sucumbida a saudade, o virtual basta pra geral, resolve e até faz dispensar o presencial, rimando pra não chocar.
E nessa de tanto que já se fica cheio de ver a cara da pessoa, de ouvir sua voz, perde-se a ansiedade boa, o frio na barriga, borboletas no estômago, saciedade precedida da saudade, que dá felicidade, de ver a pessoa amada ou ouvir a voz da(o) amiga(o) querida(o). Como muitos sabem, outros não, saudade é palavra que só existe na língua portuguesa e o sentimento as avessas está se globalizando. Pena!
Sinto saudades de minha infância, adolescência, de lugares, pessoas, sabores, algumas saudades pessoais, outras coletivas, uma já esquecidas, algumas alegres, queridas, leves, outras ainda doidas e sendo uma dessas recente e sei para sempre latente, escolhi ela para compartilhar hoje aqui na Blogagem coletiva que tem a saudade como tema.
Já deixando no mural pra sair do caderno, livro, memória, da saudade quem sabe, o tema da BC, para o primeiro sábado de agosto, será: Uma receita, a gosto (vale de comida, de vida, de remédio, de qualquer coisa).
Então, eis que um dia antes de partir em novembro passado, meu Dindo amado, nascido no mês de agosto e a quem os gostos de sonho, pão de açúcar, pão de milho e ovos da Páscoa me remetem, me mandou uma piada por zap, trocamos duas palavrinhas do quanto o mundo está sem freios e foram as últimas. No meu zap, no portão chamando para entregar ou buscar pão, em uma ou outra ligação, na rua em que ele morava, na Padaria, na minha alegria está faltando ele e a saudade dele ainda dói em mim.

3 de julho de 2015

Quem?

Pés com asas de meu irmão
Na corda bamba
Com as asas da emoção
“O trapézio ainda está lá
Olhe os palhaços
Com seus sorrisos disfarçados
Nada mudou tanto assim
Nós é que mudamos muito
Os mágicos, as bailarinas
Todos, poucos ou muitos, estão lá
E quem disse
Que é proibido comer pipoca?
E no meio da rua dá cambalhotas?
Quem foi mesmo
Que criou todas as regras chatas?
Quem te proibiu de ser você?
De ficar a vontade
Onde lhe der vontade?
Inventaram o preto e branco
Mas criaram também um mutirão de cores
E de algumas nem sei o nome
Usamos apenas preto e branco se quisermos
Quem disse
Que não se pode usar sapato vermelho
Calça azul e blusa amarela
Ao mesmo tempo?
Quem?
Quem disse
Que o cabelo tem sempre que estar certinho?
E a roupa engomadinha?
O melhor
Quem disse que não podemos sonhar
Ousar
Girar até cair
Dançar os passos desconhecidos
Aos olhos dos coreógrafos
Quem disse?”
Pensamentos e perguntas de Cristina Lira
Faço uso do nosso nome em comum
E da abertura que as sextas tem
E pergunto também
Quem?

2 de julho de 2015

Salve ao 2 de julho

Arte de Giada Ricci
Que trouxe hoje para saudar a Independência da Bahia
Para incrementar, seguem links de posts passados e engomados
Cheios de histórias
Clicar aqui, aqui e aqui
Clica mesmo
Leia, releia, compartilhe, comente
Um estado que recebe tanta gente
Vale saber sempre algo mais, algo além dos carnavais
Das ladeiras do Pelô
Temperos além dos tabuleiros das baianas
Frescuras além dos banhos de mar
Para novos lugares visitar a cada vinda
Ou numa única vez que seja
Para ver a histórias por trás das belezas
Axé a todos que por aqui passarem
Aqui pelo blog
Aqui pela Bahia
De Todos os Santos
Encantos e Axé
De São Salvador
De lendas, costumes, fé
Dos quitutes, sotaques, atabaques
Mistura de raças, de crenças
Em cada esquina uma igreja, uma história
Um cantor, um escritor
Um povo dito preguiçoso
Que nada!
Trabalhadores
Pés balançando na rede e no chão
Que se permitem contemplação
Gente valente além de festeira
De gira de santos e capoeira
Cores, criatividade, amizade fácil
Da fé no Senhor do Bonfim
Em Nossa Senhora da Guia
Conceição da praia
Iemanjá
De mar e sol
Céu azul
Devoção
Emoções
Tradições

1 de julho de 2015

Ilustração de Manon Gauthier
Pelo tempo de espera das roupas no varal no inverno
Pelas joaninhas
Dentes de leão
Urso de pelúcia
Pregadores antigos e de cor laranja
Estampa de bolinhas
Referências pessoais e amigas
Histórias de quem fez a ilustração
Minhas, alheias, infinitas
Meu bem vindo Julho, a você que um dia, soube por ai, se chamou Quinctilis, por ser o quinto mês do antigo calendário romano, até que, em 44 a.C. o senado romano mudou o nome para Julius, em homenagem a Júlio César. Ave história!
Para o mês começar e para um convite propor, o de meditar, fazer yoga, que fazem bem, alongam o corpo e a mente também. Apesar de muitas tradições antigas, religiosas na sua maioria, utilizarem técnicas de meditação, não necessariamente precisa existir um vinculo religioso na prática, passos simples, pausa, posições que permitem uma boa respiração e oxigenação, detalhes aromáticos, musicais ou coloridos que podem ser interessantes e tem efeitos reais. Uma sugestão num mundo cheio delas, na sua maioria para movimentos, físicos ou mentais, então, já que todo mundo recomenda mil coisas, eis-me aqui recomendando meditação. Porque não?
Além da terapia pessoal e rede social de amizades, há que se ter cuidados ao se conquistar seguidores, admiradores, amigos através de publicações, embora hoje em dia os valores e limites tenham se tornado frágeis e questionáveis, abaixo dos níveis mínimos de qualidade e responsabilidade.
Ciente de que as mensagens, recomendações, opiniões que compartilho influenciam pessoas, vale pontuar que não escrevo aqui para vender nada, convencer ninguém de nada, catequizar ninguém, nem estou dando aval para ser analisada, nem julgada tornando públicas minhas fraquezas, meus gostos, virtudes e acredito que cada um sente, entende, processa, interpreta o que dizemos, o que escrevemos, quem somos, a partir de suas travas, aberturas, limitações e ilimitações. Sou responsável pelo que escrevo e digo, não pelo que cada um entende. Dito isso, bom mês, boas leituras, boas práticas, senso de responsabilidade, liberdade, amizade, doçura e esperança.