17 de abril de 2015

Do estender




Quintanices é o nome que dei a essa série de fotos
Coisas de quintal no modo Guimarães de palavrear
Que acabei por conjugar
Quintais e Quintana são mais que rima
Toda uma composição
Como quem tirou as fotos foi meu irmão
E ambos amamos o apassarinhado poeta
Não podia passar sem poesia essa descrição das fotos
E porque três tão "iguais"?
Para observâncias de uma coisa e outra em cada uma por cada um
“Mas o que quer dizer este poema?
Perguntou-me alarmada a boa senhora
E o que quer dizer uma nuvem?
Respondi  triunfante
Uma nuvem, disse ela
Umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo”
Mario Quintana

Estender foi a melhor palavra que achei para trazer de novo varais para cá. A história começou na sexta-feira passada, quarada em uma crônica compartilhada e comentada por uma amiga em seu blog, que acabei por fazer uma crônica aqui e da referência e carência de varais, pedi a minha mãe, para pedir a minha irmã, para fotografar o da casa dela e acabou que quem fotografou foi meu irmão, com todo seu olhar poético e ai estendeu-se a história até aqui, literalmente.
Estender roupas ou histórias é coisa boa demais, dessas fotos, por exemplo, dá para resenhar sobre esse prato de planta que já foi fundo de balde, virado para baixo, que faz as vezes de guarda-chuva para a comida dos passarinhos, nesse comedouro confeccionado por meu pai (o modelo muda com o tempo, se atualiza, tipo troca e reforma de móveis). Quando a chuva aperta ele ainda põe uma sombrinha para os pássaros se abrigarem e para não molhar as migalhas de pão. também põe um pratinho para água, como se não tivessem poças suficientes, na verdade penso seja na ideia dele uma água filtrada para os problemáticos, ou tipo luxo de hotel.
Outra historinha é painho dar nomes a visitantes recorrentes. Na infância de meu filho uma rolinha foi batizada de Lindinha, agora tem por lá um tal ou uma tal de Piti, piando, saltitando e voando e eu que não sou de pouca coisa, quis saber o porque do nome (imagino minha mãe perguntando a ele e ele dizendo: Conchita, essa menina quer o que com isso? rararara).
A fonte do nome é ímpar. Ele me pediu um tal livro pop (avesso a coisas pops que ele é, estranhei e logo providenciei). O capital é o nome do tal livro, que comprei no pré lançamento e custou por mais de um motivo a chegar e eis que chegou por lá, nesse tempo de espera, o tal passarinho que ele chamou de Pity (mandou me avisar que é com y, com todo vocabulário espanhol abaianado que lhe é pertinente). Deu o nome por causa do nome do autor do livro que é Thomas Piketty. Me diz o que tem a ver? Resolvi recorrer a Quintana para achar além de engraçado por demais, lindo. "A poesia não se entrega a quem a define".
Com toda essa contação e diante dessa figura que é meu pai (do tipo quem conhece que compre), parece um senhor fofo e adorável Seu Guilhermo. É e não é (feliz nessas horas que ele não é uma pessoa conectada e vai ler isso). A pessoa miúda é tipo uma cebola que é preciso trato para descascar, paladar sem frescuras para gostar, o grande e barbudo fotógrafo e cineasta também, sobre eu ser assim não acho necessário mencionar.
E tem ainda de detalhes com histórias, as cordas, que são hoje de cordão, mas já foram de nylon e trocadas tantas vezes, os pregadores que as vezes tomam chuva e ficam cor de madeira escura, o concertar quando desprendem desse treco do meio que nunca consigo, o tirar folhas das calhas, que meu marido tanto tirou, o cooorre que tá chovendo, minhas subidas na goiabeira que hoje só tem o tronco e a figueira tomou conta. Um viveiro de periquitos que um dia fez parte desse cenário e uma roseira, uma pimenteira, um gato, uma eu com quinze anos.
Enfim, para tirar essa colcha de retalhos do varal e fechar a porta do quintal, uma cítrica, no sentido saudável, aromática e alaranjada sintonia, sendo laranja a cor preferida de meu irmão e da minha amiga escritora. Descobri, que o varal da casa dela, não o de hoje, o da infância, que iniciou esse estendimento sacudido e depois passado e engomado, ficava junto a um pé de limão e a casa desse varal das fotos, tem como endereço: Rua do limoeiro.

16 de abril de 2015

Eu, sempre rente

No cantinho do sofá, com tanto espaço
No mesmo sofá apertado com outro vazio ao lado
Ler o mesmo cardápio, tendo dois
A ilustração não sei de quem é
Mas essa descrição é bem minha cara
Lembro de nomes de livros da minha infância e aborrecência e não lembro das histórias de alguns, tipo um bem infanto chamado: Rente que nem pão quente, talvez pela graça e rima do nome, ou talvez por eu andar rente que nem pão quente as paredes quando caminho, as paredes ou armários ou o que seja, não ando pelo meio, meus passos usam as margens. Descoberta sorridente a minha, foi ao pesquisar, ser um livro de poesia para brincar.
Meu marido acha graça e sempre está a observar esse meu caminhar, que  topa com quinas as vezes e que quando pequena (é de sempre o hábito), eu andava rente aos portões das casas nas idas para o colégio ou passeio na praça com meu avô e avó ou meus pais, que conversava com os cães já cadastrados e amigos de algumas e os nem tão amigos e sempre tinham que me lembrar: Nessa casa tem cachorro! Se afaste desse portão que você não sabe se tem cão! E lá ia eu numa de fazer das grades arpas quando cães não haviam, passando a mão por capôs de carros e muros espelhados de água da chuva e enxugando depois no short, calça ou saia, sem nem disfarçar.

15 de abril de 2015

Not nice

Essa prática de troco likes e me siga que sigo de volta é além da minha natureza. Os adeptos que me perdoem e me xingariam se soubessem (agora vão saber) que só na semana passada, recusei que 5 pessoas me seguissem no Instagram. Quatro completos estranhos e uma pessoa conhecida que tipo não quero que fique olhando minhas fotos, legendas, vida, o tal do filtro, intimidade (difícil muita gente entender o valor disso).
Uma curtida espontânea é legal. Um seguidor novo, que resolveu te seguir porque achou sua conta interessante, tem afinidades, é legal. Mas likes para promover ou se autopromover é um saco! Você já parou para refletir o porquê de as pessoas andarem tão desesperadas por notoriedade? Me pergunto isso. Será carência? Falta de amizades reais? Isso é bastante preocupante. A pessoa posta uma foto no Insta e na sequência te manda um recadinho no Whats: Ae, acabei de colocar uma foto. Curti lá pfv (por favor, porque td é sigla, resumo e emotions e se vire para traduzir). Sério isso? 
Socialização virtual para jovens que tem muitos amigos reais e para os que tem poucos ciclos de convívio real, pela profissão e para comercialização de produtos e serviços, tudo bem (com podas), mas pedir para ser seguido e seguir tipo por coleção, cota, troféu se não é carência, falta de recheio, do que fazer, é falta de disposição, talento ou criatividade em postar coisas interessantes para ter likes voluntários, ou se não tiver, isso não interferir na auto estima.
Não curto, só comento em várias publicações e sei quem não gosta e muitos não gostam, dispensam (tipo às vezes apagam o comentário, sabe Luisa - recado para minha sobrinha que tem uma tia fã e amiga, que tem blog e ela não lê, não segue, nem comenta, segue e sempre curtia tudo no Instagram, mas agora tá sem tempo, sem saco, na vibe das modinhas. Okay!). Ela e muitos preferem ao invés de comentários pessoais, doces, engraçados ou agregadores um like. Só o like! #sintomuito.
Às vezes também, não comento só curto e muitas vezes nem um nem outro. Sem regras, sigo sem ser seguida e vice versa. Deixo recados em fotos do Padre Fábio por exemplo, que sigo pelo Instagram, sem cobrar e nem sugerir que ele me responda, marque ou siga de volta e vejo tanta gente fazendo isso #ohlord. Pedidos e perguntas de n assuntos e imagino esperem respostas e se aborreçam por não ter. Três mil curtidas, quinhentos comentários em uma foto e a consciência de que ele não ia fazer mais nada se lesse, respondesse e visitasse cada contato, fica onde?
Sdv é sigla de segue de volta, é da fase adolescentesca eu entendo, assim sendo, para fase passar e para quando passar, vale pontuar. Não cabe na minha opinião, alegria desmedida de alguém, de sei lá, 40 anos por ganhar 20 likes numa foto. As pessoas parecem o blogueiro na novela global recém terminada, ávido por likes. Cruuuzes! 
#Follow? #InstaFollow? #TrocoLikes? Para quem não tá ligado, antenado e talz são aplicativos que usam uma prática parecida com a de joguinhos de celulares, que é preciso  passar de fase e para tanto, paga-se com merchan, metas ou dinheiro por vidas, no caso por seguidores. Os valores variam de R$ 2 a R$ 80. Além disso, mesmo que se faça a compra, ainda é preciso cumprir tarefas, como curtir uma quantidade exata de fotos #bizarro. 
Uma novidade (velha para muitos) é que existe um app que promete excluir todos esses comentários chatos, que acabam virando spams (lixo eletrônico). O nome do aplicativo é "Chega de SDV", mas parece que ele ainda não tem muitos likes e baixadas, são mais de 206 milhões de resultados para a tag "follow", mais de 1 milhão para "SDV" e mais 800 mil para "troco likes". Aff! 
O intuito do Instagram, penso eu, seja compartilhar fotos e acompanhar assuntos e pessoas que te acrescentem algo. Fotos de paisagens, de um fotógrafo que viaja pelo mundo, de um parente distante, do seu marido porque não e seus almoços e selfies, temquem siga o Padre Fábio, o Zac Efron (só para descontrair). Se você ama animais, pode seguir uma conta de algum gatinho ou cãozinho fofo. Agora, fico pensando em seguir perfis apenas para realizar as missões, cotas, para encher o ego. Uma miscelânia de assuntos, uma falta total de identidade e é isso.
Eu acho também e dizem alguns especialistas que pode deprimir, pois a pessoa começa a travar competições com outros usuários, se decepciona por não conseguir ganhar likes e seguidores, ou se acha a última bolacha do pacote por ser uma "celebridade". E dentre as muitas bizarrices, existe um site, para atender esse nicho, que disponibiliza imagens incríveis para a pessoa postar no seu Insta e deixar os outros morrendo de inveja da sua vida maravilhosa? O único problema é que nada é real. Me pergunto se é real as vezes o que penso que seja. Surtando, vou aqui tomar um chá para relaxar.

14 de abril de 2015

O valor da inutilidade

Ilustração The Lighthouse by Majalin
Para alumiar de candeeiro, luz do sol ou da lua
Luz de farol, luz do saber, sentir, ser ou não ser
Sobre as palavras de Pe Fábio de Melo
“É interessante você saber fazer as coisas
Mas acredito que a utilidade é um território muito perigoso 
Porque, muitas vezes a gente acha que o outro gosta da gente
Mas não, ele está interessado naquilo que a gente faz por ele
A velhice é esse tempo em que passa a utilidade 
E aí fica só o seu significado como pessoa
Eu acho que é um momento que a gente purifica, né?
De saber quem nos ama de verdade
Porque só nos ama, só vai ficar até o fim
Aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado
Por isso
Eu sempre peço a Deus
Para poder envelhecer ao lado das pessoas que me amem
Aquelas pessoas que possam me proporcionar a tranquilidade de ser inútil
Porque a vida é assim
Se você quiser saber se o outro te ama de verdade 
É só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade
É assim que descobrimos o significado do amor"

13 de abril de 2015

Cinderela sim

Com rima no tema e no olho da polêmica cá estou para defender a personagem, como dizem os atores sobre seus papéis, uma vez que, dia desses, descobri em Cinderela o ícone do fetiche feminino por sapatos e logo minha identificação com ela ganhou um upgrade, além da cor blue do vestido. Tanto trabalho para o tal vestido e é por causa de quem? quem? quem? que a bonita laça o príncipe ? Do sapato. Sobre o tá na boca do povo, pessoas, mulheres em sua maioria estão indignadas com o filme que está nas telonas e que já acionei meu príncipe par ir ver. Iria aos 70 se com setenta estivesse, para quanto mais com quase 39. 
A queixa é sobre a imagem obediente, submissa a madrasta, ingênua, sonhadora e romântica da princesa. E lá se vai meu despejo (se não falo morro). Primeiro é um conto de fadas embora tudo tenha moda, política, sociologia, psicologia, sociologia e blá blá blá. Para as crianças é uma princesa, como monstros são monstros e carros que viram robôs e tem sentimentos são ficção. Para adultos bem resolvidos também. Nada a ver viés femininista ou machista, julgamento e alinhamento universal do politicamente correto ou incorreto. Quem gosta de Vampiros e casal de 3, com mocinha periguete okay, quem gosta de sadomasoquismo okay, quem gosta de princesas sonhadoras e ingênuas okay. Simples assim!
Falando em okay, lembrei de minha cunhada que disse com tom crítico sobre "A culpa é das estrelas": Muito romântico! Eu pensei: A ideia é essa! Que bom! E outros pensamentos mais. Lembrei também de uma amiga com quem fui a algumas lojas experimentar o vestido de noiva e ela vestia um mais lindo que o outro e se olhava no espelho com cara de comer jiló sem gostar e em uma das vezes disse: Pareço uma noiva! Pois não era para parecer? Vai numa griffe e escolhe um longo xadrex ou manda fazer um vestidinho estilo Paula Fernandes, trabalha o look e arrasa.
Gosto das tradições e de uma pitadinha de modernidade e criatividade, essa sou eu tá. E além de mim e do que gosto, penso no conjunto em certas escolhas, tipo única neta de vó bem católica e idosa que resolve sair da igreja suspendendo o vestido e dançando funk #achocomplicado #desnecessário.
Voltando ao filme, que o primeiro da Disney foi ao ar na década de cinquenta, há toda uma referência, o lado tradicional e clássico da coisa, há romantismo sim e o mundo precisa dele. De príncipes, de meninas prendadas e obedientes, de pais como o de Nemo, de adolescentes magos que demoraram várias edições do filme para namorarem. Além do que, mulheres modernas, malhadas, antenadas e donas do nariz podem ser maioria (ou não), mas tem as que não são, não querem ser. Pode ser? A evolução não é ter respeito por geral? Bora respeitar o diferente além da embalagem do eu acho, eu sou, o mundo é. 
Acho para fechar e ir para meus afazeres do lar, cara de pau e falta do que fazer ficar fazendo juízos de valores comportamentais, feminismo alterado com a Cinderela, culto sem naturalidade, tipo chocar das relações de sexo oposto, enquanto negros ainda são discriminados e muito, enquanto pobres são desrespeitados como seres humanos, enquanto diferenças religiosas matam, oprimem e não são contos, ficção. Fica a reflexão!