26 de novembro de 2014

Farinhas do mesmo saco e pás viradas

"Homines sunt ejusdem farinae" esta frase em latim, que copiei, viajei e pousei nas aulas de latim da faculdade, com meu professor zero de bom humor e cordialidade, que não dava muita corversa e exigia explicações resumidas para tudo, argumento: Comunicou? Então serve.
Pois, bem, essa frase inicialmente transcrita, quer dizer: homens da mesma farinha, expressão em latim que dá origem a expressão popular, utilizada para generalizar um grupo de pessoas que tenha alguma característica ou comportamento reprovável.
E do mesmo saco de expressões nossas de cada dia, escolhi uma que a explicação que encontrei não representa o que sei dela. Da pá virada, que é segundo pesquisei usada para parasitas pois quando a pá está virada para baixo, está inútil. Eu conheço, chamo e já fui chamada de da pá virada por ser danada, amalucada, mas nada de achar o que explicasse essa relação, embora tenha achado que o uso da expressão com esse sentido seja recorrente. Pensei então ser algo regional. Ai, como sou dá pá virada do tipo elétrica, não me dei por satisfeita e xeretei até descobrir que os antigos falavam que uma pessoa era: “do apá virado” quando tinha comportamento buliçoso, brincalhão, amalucado, impetuoso. E está lá no Michaellis a expressão “do apá virado”. Isso leva a não ser a “pá”, utensílio de escavar, a que se refere a expressão, mas ao “apá”, termo que designa a parte mais longa e carnuda da perna da frente do boi. Uma explicação que não entendi o porque tal origem da expressão é o que tenho para hoje. Que souber explicar ou quiser arriscar uma sugestão, fique a vontade, vou adorar esse mistério desvendar.

25 de novembro de 2014

No modo privado

Eu tive um cyber surto nesse final de semana. Isso de a pessoa ser adicionada a grupos no Whatsapp sem a opção de aceitar ou não, com a deselegância que é sair do grupo, caso não queira participar e sem a opção de bloquear as mensagens dos tais grupos é motivo de uma sugestão pedido que pensei enviar para o administrador do aplicativo se é que existe um.
Mas me limitei a desabafar por aqui, uma vez que entrar e sair dos tais grupos é só um detalhe perto do que é estar neles. Entendo, em grupo, ser adequado e coerente compartilhar coisas de grupo, para o grupo. Assuntos privados e paralelos, trata-se no privado e paralelo. Estou errada? Se estiver desculpa minha confusão! Entendo também, que vale horário comercial para grupos comerciais e vale o bom senso para qualquer grupo. Eu não penso como a maioria, disso eu já tenho certeza (nesse e em muitos outros assuntos) ou questiono e a maioria não (faz e aceita tudo no automático).
Em um dos grupos avisei no privado a certa pessoa que ela estava se excedendo no teor das mensagens haja visto que eram desagradáveis para uma outra pessoa. Porque falei? Porque não olho só para meu umbigo, porque gostaria que se fosse eu a estar sendo incomodada alguém se manifestasse em minha defessa. O tão pouco comum, senso de coletividade e a tal sensibilidade para resumir. Pedi também, nesse mesmo grupo, moderação na quantidade de fotos, vídeos e imagens enviadas, por estar lotando minha memória e descarregando meu celular. Tendo ficado sem ele em momentos de necessidade por conta disso. Nem ai foi a reação.
Em outros grupos nunca me manifestei, mas em uns menos em outros mais, a problemática é a mesma em dias de nada para fazer ou assuntos paralelos de um e outro. Detalhe: meu zap é mudo. Não gosto de barulhos contínuos, não gosto na verdade de ser incomodada e me incomoda o assobio dos avisos sejam meus ou alheios, além de me irritar ver a fixação das pessoas com a chegada de mensagens do aplicativo. Tem quem se irrita com passarinhos cantando, vá entender.
Vi uma matéria no Uol, falando ser hoje esse ruído um dos primeiros de uma lista de incômodos auditivos em Sampa, junto a barulheira de obras, trânsito e outros, sendo necessário em empresas, ser norma, colocar no mudo os aparelhos e com a tela para baixo para não comprometer a concentração, desempenho e sanidade mental coletiva e privada.
Outro detalhe que me causa espanto é o assunto polemico da vez, causado pela minha no modo privado e publico cor favorita. Leio não nego respondo quando puder ou quiser é a minha prática com a tal marcação azul. Cara feia ou ansiedade alheia.
Enfim, meu cyber surto resultou em nada menos que eu sair de todos os grupos que fazia parte. Falar comigo pelo zap hoje só no modo privado. Simples assim e adorando assim. 
Muito legal, útil, prático, econômico o aplicativo, a possibilidade de fazer panelinhas, conferências e tal. O que f... é o mal uso, os tais excessos. O msn era o máximo, hj com mais ferramentas é o zap, o face sobrevive e não usar nada disso também sobrevive, não mata e nem engorda. Tem quem ainda escreve cartas, manda postais, quem pede aos pais da menina para namorar ela, quem liga para dar os parabéns a um amigo sem precisar aviso do dia por qualquer quinquilaria.
Tem quem não olha o tempo todo as mensagens, quem sai sem celular, quem viaja para relaxar e fica dias sem se conectar. Tem quem apaga as porcarias que recebe sem ver, quem avisa que não quer receber doa a quem doer, quem prefere bate papo no portão, quem tenha noção e porções extras para a falta de noção alheia. 
Até pouco tempo não tinha o tal zap, usei muito e uso para muitos fins mas saio dia desses se me der na telha, não sou de seguir fila, ser unanimidade, ser refém, deixar meu privado virar privada. Minha catraca é seletiva, tenho dito e tenho orgulho disso.

24 de novembro de 2014

Foto de família
São quatro pares de sapatos que moram nessa caixa. Postei foto deles essa semana no Instagram. Minha mãe guarda um de cada filho, dos tempos dos primeiros passos. Eu, provavelmente gosto de sapatos vermelhos por continuidade, além desse par, tive um de uma história clássica, contada e recontada de minhas birras e teimosias congênitas. O tal tinha um lacinho grudado do lado e eu um dia empaquei que não saia se minha mãe não revirasse o laço. Não revirava e não fui.
Os dois sapatinhos de ponta cabeça nessa foto, que dizem não pode, tipo faz mal, que nem bolsa no chão, segundo várias recomendações, por vários motivos descabidos e crendices que obedeço, são de meu irmão e meus. Revirei eles pois estacávamos no quarto de nossa mãe num momento remexer nas coisas e reparei nos solados. Os dos meus, sujinhos gastos, com a região do dedão mais gasta que o restante desde os primeiros passos até hoje e os dele branquinhos, limpos, quase sem uso tipo pneu novo. Pensei no ato: coitado do pobre, carregado o tempo todo, ninguém pousava ele no chão. Tudo na vida tem uma explicação e eu cá com meus botões pensei não queria ser ele pássaro preso, não gosta dos tais mimos, por isso hoje não para quieto, não tem pouso certo.
Olhinho de canto para o piso da casa de minha mãe, de madeira, que denuncia ao rangir qualquer ir ou vir. Imagens e histórias de família, por valorização, memórias, registros. Muitos passos por bons caminhos, colinhos, carinho, paz e bem.

21 de novembro de 2014

De por ai para cá

Imagem da web

Recortei dia desses comentários meus em postagens alheias para trazer vez em quando para cá, na íntegra ou com correções, edições, bordas e recheios a mais, para desenrolar e cronicalizar histórias paralelas e perpendiculares. Hoje trouxe o primeiro da série (sempre quis dizer isso). 
Anteontem, por coincidência, ocorreu de eu publicar aqui o que havia comentado dias antes em um post do blog vizinho de onde veio o comentário fruto da publicação de hoje. Um emaranhado contato para dizer que adoro essas histórias, esses alinhavos, retalhos, remendos, essas interligações, por acasos ou não.
Pular elástico e minha infância são sinônimos, objetos diretos, companheiros inseparáveis e como modéstia não vem no pacote ser ariana, eu arrasava. Do tornozelo ao pescoço, não tinha pra ninguém e quando não havia quem segurasse o elástico para mim, eu, como milhares de garotas, colocava duas cadeiras de costas uma para outra, na distância ideal, passava o elástico e cantarolava: "Ono um, ono dois, ono três, zig zag, zig zag" ou "Seu marido morreu e deixou você carregada de filhos, foi um, foi dois (e eu acabava com a pobre da mulher enchendo ela de filhos). 
Os elásticos lá em casa, pedíamos geralmente, com beicinho e cara de netas adoráveis a minha vô que pegava uma peça retangular na sua máquina de costura, cortava um pedaço e amarrava na ponta, em tamanhos menores fazia o mesmo para amarrarmos os cabelos e irmos para escola nos achando. 
Quando o tempo era de vacas magras, remendávamos os elásticos folengados retirados dos cós das roupas já alaçadas, que ganhariam um elástico novo. Lá em casa as roupa passavam entre irmãs e também vinham de primas, assim como iam para os pobrinhos depois.
Se hoje tivesse por aqui meninas brincando eu me convidaria, desconsideraria minhas 38 primaveras. Para fechar com a estima toda trabalhada no dourado, me ocorreu que minha professora de yoga queria saber como eu tinha tanta elasticidade, tão óbvio, tão sinônima a resposta e só descobri escrevendo esse post: pular elástico, elasticidade, tudo a ver.
Então, bora essa vidinha parada rever Fase bebês, adolescentes e em qualquer idade, praticar a elasticidade, o movimento faz bem de imediato, a curto, médio e longo prazo. Hoje é sexta-feira dia de esticar no sentido boêmio e na vibe do corpo são, mente sã, fica a dica de no final de semana se mexer e a cabeça espairecer.

20 de novembro de 2014

Para passar

Todo mundo com as palmas das mãos juntas, como que rezando, que vou passar minhas mãos assim por entre cada par de mãos. Entre um dos pares, que tem que disfarçar, vou deixar um anel. Quantas vezes brinquei disso e de lagarta pintada beliscando as mãos alheias e depois segurando em pontas de orelhas. Porque a velhinha pintou a lagarta? De que cor? Não sei! Também não sei a origem dessas brincadeiras e não me pus a procurar. Sei que muito da nossa cultura popular, brincadeiras, danças, cantigas, muito do nosso vocabulário, da culinária é de origem africana e indígena também.
Querer bem além da cor, viver, para ver não ser preciso um dia para celebrar a consciência negra, mais sim a cultura negra, as raízes negras, personalidades e pessoas simples que fizeram e fazem a diferença e que sejam homenageadas e valorizadas no cotidiano, misturadas a tudo e todos.
Que a consciência seja multi-racial, multi-étnica, que a essência seja o respeito e a mistura excelência. Que passemos de mãos em mãos, de geração em geração, de coração para coração, circular com um anel, os valores que não tem cor, dígitos, localização geográfica, religião. Axé odô!