22 de outubro de 2014

Poesia como reino

Janelas, varandas, terraços
Cercas, portas, portões
Sótãos e porões
Almas e corações
Estejam abertos
Para vermos tudo que nossos olhos possam enxergar
Na natureza, no nosso dia-a-dia
Em nosso lar
E também além de onde os olhos e compreensão possam alcançar
Na simplicidade ou em complicada engenharia
No silêncio, barulho 
Ou ao som de uma bela sinfonia
Através do olhar, cheiro, som, sabor, tato
Na espera, descanso, calmaria
E também na agitação e euforia
Nas partidas e chegadas
Que a poesia entre, desabroche, adorne
Se acomode e em nós faça morada

21 de outubro de 2014

Por todo tipo de cultura e arte

Vários representantes indígenas, acadêmicos, educadores e admiradores da cultura e do papel histórico dos índios, tem pedido mais atenção para a cultura e a literatura dos povos nativos no sistema educacional do Brasil. "Ainda há uma mentalidade retrógrada, que o índio só existe como elemento de folclore. Têm que perceber que os índios estão aí ganhando prêmios literários e de cinema. Isso é a realidade, temos que acabar com o romantismo, com a mentalidade do bom selvagem" (Daniel Munduruku, em uma matéria da Revista Exame).
É urgente parar com essa rotulação de tudo. Com esse papel secundário e coadjuvante do índio na sociedade moderna e nessa via, desvincular o rótulo de arte sere erudita ou popular. Arte é muito mais que estética, tem valor cultural, histórico e terapêutico. Todo artesanato, canto, toda dança ou qualquer manifestação artística tem variadas funções sociais, são sementes que viram flores que adornam e frutos que alimentam e transformam vidas.
Pela arte os homens podem expressar suas angústias, alegrias, podem contar, resgatar, perpetuar histórias, como fizeram e fazem os índios, como devemos fazer com essa cultura nas escolas, na tv, nas notícias, nos bate papos, não folcloricamente ou misticamente. Assim como a cultura africana a arte e cultura indígena já passou da hora de ser mais explorada, valorizada, estudada, desde o ensino fundamental as faculdades. Em canais fechados, programas da tv aberta, nas novelas, revistas, livros.
Para muitos pais, crianças e até educadores e gestores de centros educacionais, as aulas de artes plásticas, desenho e até mesmo de literatura são supérfluas, aulas de distrair, sem que se faça a devida relação e pontuação do trabalho da criatividade, da sensibilidade, das destrezas e o muito que há por trás, entre e além do trabalho manual, do lúdico. Vale referenciar por exemplo os desenhos das cavernas, onde homens primitivos pintaram na parede como forma de expressão e comunicação ou as danças em torno de fogueiras. como expressão de religiosidade, prática de astrologia, astronomia. O bordado como outro exemplo é uma arte que fala da mulher, da sociedade, do trabalho informal, de economia. E por ai lá vai.
A definição de arte é muitas vezes elitizada, limitada, por vezes ridicularizada e pouco refletida, verbalizada, contudo é presente ao passo que mexe com o sentimento de cada um ou de um grupo. A beleza de uma pintura, de um artesanato, o som de um instrumento musical. E nesse mesmo lugar comum estão os filmes, programas de tv e também as novelas, tão queridinhas no Brasil, tão vistas e resenhadas, que são contação de história, são literatura, encenação, cenários, são arte.
A arte é subjetiva e sempre discutível e que assim seja, cada vez mais e cada vez mais múltipla. Que seja mais presente a arte e a cultura indígenas e africanas em nossas vidas, menos colocar a margem o que não é modinha, não é vendido como pop, é secionado como nordestino ou sulista, pobre ou rico. Por menos achar e tratar a arte como parte de galerias e afins. E tenho dito!

20 de outubro de 2014

Das ocupações e alienações

A gente aprende na escolinha de pequeno e depois de grande sobre as profissões. Era assim e ainda é e muitas vezes é uma seleção bem pontual que se faz e que precisa ser revista. Médicos, Enfermeiros, Professores, Bombeiros é o lugar comum e eu acho que é preciso uma variedade maior, seja nas ilustrações das tarefinhas, no incentivo no segundo grau e pré-vestibular, nos resultados de testes de aptidão, nas fantasias, no profissional que é levado para falar em palestras, bem como na mentalidade das pessoas. 
Palhaços, pedreiros, donas de casa, sapateiros, barbeiros, são profissões, como tantas outras e tem muito barbeiro mais culto que muito médico, não tenha dúvida. Pedreiros ou até ajudante de pedreiro mais educados que muitos advogados. Muita dona de casa mais antenada que muitas madames empresárias e descoladas.
Pensei nisso das profissões que são apresentadas nas escolas, que são idealizadas para filhos, netos, irmãos, porque ouvi a mesma frases duas vezes esses dias. Uma foi por eu saber o nome de um tipo novo de torta, outra por eu saber o nome, história e frescurices sobre uma pulseirinha de marca, famosa e bem popular, que confesso meu espanto foi maior de as pessoas em questão desconhecerem. Enfim, a frase sentencial dita por duas pessoas relativamente próximas foi de que eu sei dessas coisas porque sou desocupada, lei-se não ter carteira assinada, não trabalhar no momento em uma empresa, firma, não prestar serviço, embora tenha alguns carimbos na minha azul, sigo a um tempo cuidando da casa, do filho, dando apoio logístico a marido e família, faço vez ou outra arteirices e vale pontuar, não peço nada a ninguém.
Não respondi nada porque acho que quem diz algo assim não é capaz de entender ou não merece muitas explicações. Em tempo, das muitas coisas que sei, úteis e inúteis (que acho super úteis para o quesito criatividade, interação, compreensão e adorno das úteis) eu sei porque presto atenção, porque me ocupo por inteiro das pequenas ocupações que tenho e das ocupações ao meu redor, infinito e além. Pergunto, leio, me interesso pela história das receitas, nomes, origens de pratos, gosto de coisas simples, artesanais e também de marcas, modices e afins. Leio muitos livros e nele muitas coisas além da história principal se aprende. assisto filmes com olhos e ouvidos atentos para pequenezas, vejo documentários, converso com diferentes tipos de pessoas.
Não uso por exemplo bigodes na tee e acessórios sem procurar saber o que é. Não vejo uma loja nova do shopping e passo por ela sem passar o olho, sem depois comentar com alguém, sem registrar o logo e ver por acaso depois em outros lugar e linkar. Não ouço uma música que adoro e não me interesso em saber quem canta, não vejo um filme e adoro a atriz e nem me interesso em saber seu nome e procurar outros trabalhos dela. Para mim tudo tem muita coisa e o espaço que separamos para guardar informações, culturices e bobagens independe da profissão que temos, da classe social, da idade. Sei de coisas de crianças para ter assunto com elas, pela criança que fui e assim para assuntos de adolescentes, idosos.
Acho limitador achar que temos que sair ao pares comuns, uma casal de médicos com outro de médicos, uma turma que gosta de golf que só sai junta, porque todos gostam e sabem jogar golf. E a troca, fica onde? Penso que surfistas tem que ter amigos padeiros, donos de mega empreendimentos, advogados, pastores, costureiras, budistas, ateus, pastores, tudo junto e misturado, alinhavado, tipo colcha de retalhos, um mosaico, que faz o nível de informação, respeito e admiração mútua se elevar no individual e no coletivo. E tenho dito!

17 de outubro de 2014

Do saber ver

"É necessário abrir os olhos
E perceber que as coisas boas estão dentro de nós
Onde os sentimentos não precisam de motivos
Nem os desejos de razão
O importante é aproveitar o momento
E aprender a sua duração
Pois a vida está nos olhos de quem sabe ver
Se não houverem frutos, valeu a beleza das flores
Se não houverem flores, valeu a sombra das folhas
Se não houve folhas, valeu a intenção da semente"
Henfil
Por sabermos ver
Por uma sexta de boas visões
Coroada de conchas, flores, louros
Com cheiro de mar, de chuva, de bolo ou do que queremos bem
E um avistar de final de semana agradável
Animado ou parado
Com os olhos, a alma e o coração arejados
Energias boas e lições do vai e vem das ondas do mar
Odoiá!

16 de outubro de 2014

Down the rabbit hole

Imagem da internet
Eu sou fã de carteirinha, de ilustrações, objetos e acessórios em geral do filme Alice, da história como um todo, dos personagens (principalmente do chapeleiro e tendo sido interpretado por Jonny Deep, aumentou o gostar) e dos detalhes cenográficos, filosóficos e poéticos dessa história que é um clássico atemporal.
Nos moldes de hoje de resumir os clássicos não passaria de a história de uma garotinha, que segue um coelho branco, chega a um país de fantasia, e após viver diversas aventuras e conhecer personagens bizarros, ela descobre que tudo foi um sonho.
Mandar cortar cabeças é com a Rainha de copas, há quem veja nela uma caricatura da Rainha Vitória, outra correlação é com a Guerra das Rosas, uma representação da Rainha Margaret, esposa de Henrique VI, que disse: “Fora com a coroa, e, com a coroa, a cabeça”, dirigindo-se ao Duque de York e a sua tentativa de dominar a Inglaterra.
A rainha do conto não admite que suas flores sejam de outra cor que não vermelho e tem seu nome de cartas de baralho e um exército deles pois  gosta de jogar críquete, sendo que nos jogos ela sempre vence porque todos sempre trapaceiam ao invés de em favor próprio, a favor dela.
Não podia deixar de confabular o porque do fashion e doce chapeleiro ser chamado de louco. É que em tempos idos, lá quando a obra foi escrita e o seu autor tido como um louco, era utilizado mercúrio no processo da confecção das majestosas e imponentes cartolas e chapéus. O cheiro inalado pelos chapeleiros eram tóxicos e provocavam, frequentemente, problemas neurológicos.
Quem nunca observou ou se perguntou o por que dos números 10/06 que o chapeleiro carrega em um papel na cartola este é um pormenor que como muitos não aparece por acaso. O número é simplesmente o preço da cartola, 10 xelins e 6 péni (a moeda da época).
O Gato Cheshire, sorridente é um símbolo de medo, covardia, de consciência, que dá recados, que some e aparece ao bel prazer. E o nome Cheshire é o nome de um condado na Inglaterra e também uma expressão inglesa (há quem diga que por culpa do gato) aplicada às pessoas que sorriem largo.
Um dos personagens mais enigmáticos e queridinhos da história é o acelerado coelho. Sempre apressado e atrasado, com seu relógio ele simboliza o tempo, rígido e exigente, e marcam a quebra com a realidade de Alice, tal como ela a conhecia. Ele é o responsável por tentar a protagonista a entrar no tal buraco. Essa cena é fonte de várias reflexões e ilustrações: “Down the rabbit hole” se tornou uma metáfora utilizada para todos os que arriscam o desconhecido. 
Como o desconhecido é companheiro da caminhada de qualquer um, em qualquer idade, momento, lugar, meu cronicalizar e poetar para um bom explorar, o negar do que não vale a pena experimentar, nem mexericar e um incentivar do gostar do que é conhecido, um ver e ter como fantástico o cotidiano, o mundo real que temos a nossa volta.

15 de outubro de 2014

Das escolhas

Somos livres para escolher e responsáveis pelas consequências de nossas escolhas #fato. E essa segunda parte, muito desconsiderada, gera o que eu chamaria de rifa de culpas, que fazemos inconscientemente. 
Se o caminho escolhido foi o de pedra e a gente foi descalço ou de salto alto a culpa não é do fabricante de sapatos ou da criação divina das nossas sensíveis solas dos pés, nem do caminho.
Se fazemos um financiamento cientes dos juros e condições, depois não podemos nos achar no direito de entrar na justiça para rever as condições, que certas ou erradas foram aceitas por nós na aquisição do produto ou serviço. Vale pontuar que aceitar esse tipo de ação é um dever da justiça, que se enche de processos sem coerência e deixam na fila questões bem mais pertinentes a ações judiciais.
Fui da filosofia poética a vida prática, porque creio que tudo está misturado, com tudo podemos fazer pareja, com o cuidado da abertura para justificas e variações no que tange os comportamentos dos seres humanos, que de racionais tem bem pouco se formos olhar de perto, como disse Caetano, e eu assino embaixo: De perto ninguém é normal.
Há tantas variáveis em casa escolha, cada caminho. Muitos espaços cheios e vazios que cada um preenche a seu modo, com o fruto de suas escolhas e das alheias também.
E assim, no dia-a-dia, além dos fóruns e processos, além das idas e vindas que são escolhidas por nós, feliz de que a palavra além não perdeu o acento como idéia, senão seriam duas palavras a eu estar grafando errado. Meu recado, para geral  e para mim também, de não sermos vitimas de nós mesmos, de más escolhas, de plantar sementes de maçã e esperar colher morangos.

14 de outubro de 2014

Bordados, mudas, aprendizado e dica

"Chega um momento
Em que a gente se dá conta de que às vezes
Para sermos verdadeiros com nós mesmos
Precisamos ter o desprendimento para abençoar as tentativas sem êxito
Agradecer pelo o que cada uma nos ensinou e seguir
De que, às vezes
Para se reconstruir
É preciso demolir construções que por mais atraentes que sejam
Não são coerentes com a ideia da nossa vida
A gente se dá conta do quanto somos protegidos
Quando estamos em harmonia com o nosso coração
De que o nosso coração é essencialmente puro
Essencialmente amoroso
O bordador
Capaz de tecer as belezas que se manifestam no território das formas
De que, sabedores ou não
É ele que tem as chaves
Para as portas que dão acesso aos jardins de Deus
Vez ou outra
Quando em plena comunhão criativa
Entra lá
Pega uma muda de planta
E traz para fazê-la florescer no canteiro do mundo"
Ana Jácomo