24 de abril de 2014

Sonhos, asas, lonas e prêmios

O que a gente faz com nossos sonhos quando cresce? Essa é uma das perguntas do documentário: Jonas e o circo sem lonas, da Plano 3, produtora da qual meu irmão faz parte. Na terça ele contou, diretamente de NY que o documentário foi uma das produções latinas ganhadoras desse ano no Festival Tribeca.
O Festival de Cinema Tribeca foi criado pelo ator Robert De Niro juntamente com uma produtora local para incentivar e promover a 7ª arte, além de movimentar o sul de Manhattan. E todo esse agito lá, com gente nossa marcando presença é um orgulho para mim, contudo tive a decepcionante constatação buscando a notícia no amigo Google, de notícias antigas aparecem pelo nome do festival e nomes do documentário e da produtora. Penso que tinha que estar na ponta da digitação e do clique a notícia e também nos jornais que circulam em nosso pais, em Salvador (lugar de origem da produção), em Sampa (capital cultural), no Rio (fomentadora do cinema nacional). Em tempo real, no mais tardar enquanto ainda está quentinha. Enfim, é pouco, mas, eis-me aqui com uma poeirinha!
Vale dizer que o documentário já participou de outros festivais e já ganhou prêmio, mas por aqui nem nos canais virtuais, nem nos impressos, nem na tv, há divulgação e reverência a altura. Não falo por meu irmão e amigos fazerem parte do projeto, falo por ser uma produção do cinema brasileiro. Falo pelo conteúdo que é bom, tanto que ganhou em concorrência com produções diversas de qualidade em um festival conceituado. E sendo esse circo sem lonas cheio de estrelas de luz própria e mambembe, ele não para e vai estat entre outros quatro selecionados de todo o mundo na sessão Rough Cut do Festival Visions du Reel, em Nyon, Suíça, dia 28 agora.
Recortei respostas de uma entrevista concedida por Haroldo Borges, um dos integrantes da trupe Plano 3 filmes, sobre um outro filme que fala de sonhos de vida, de infância e dos de comer, que já trouxe para cá, com o menino palhaço Jonas no papel principal. Fiz com tais recortes uma colcha de retalhos que segue como bandeira de aceno e lona do meu aplauso para o espetáculo que é fazer cinema, que é escolher o circo como carro chefe, fonte de inspiração, de valores, lições, magia e realidades tão próprias e próximas de qualquer um, em qualquer idade e continente.
"Nos apaixona contar histórias onde a criança seja a protagonista. Já realizamos outros filmes para esse público, todos eles com carreira em festivais e difusão em escolas da rede pública, cineclubes e pontos de cultura, entre eles “Meninos” que foi o único sul-americano que participou do Pangea Day, evento transmitido dos estúdios da Sony para todos os continentes. Teve ainda o “Piruetas”, que integra o Programa Curta Criança, do Minc/TV Brasil, bem como o “Pequeno”, que também está rodando muitos festivais agora, entre eles o festival infantil Divercine no Uruguai, o Festival de Cinema Infanti (FICI), no Brasil, e o Festival de Cine para Ninos y no tan Ninos, no México."
"É muito importante a realização de obras representativas da nossa cultura, da nossa identidade, para que nossas crianças se reconheçam...Minha infância foi vivida nos anos 80. Assistia a todas as aventuras dos super-heróis dos Estados Unidos. Não existe nenhum problema em assistir à produção estrangeira...mas algo anda muito mal quando uma geração ou duas ou até três trazem suas lembranças mais afetivas relacionadas às culturas estrangeiras."
Jonas no documentário é um menino de 13 anos, seu sonho é manter o circo criado em seu quintal e enquanto ele vive esse desafio, ele cresce, como cresce na vida real diante de nossos olhos, como segue obstinado em ser palhaço, viver e fazer viver o circo, nos ensinando e aprendendo a não perder os sonhos a medida que crescemos, a sermos emoção e em meio a emoção descobrirmos a razão. Gato bebe leite, cachorro late e Jonas e a Plano 3 fazem cinema e circo, com ou sem lonas, com ou sem aplausos.

23 de abril de 2014

Para escutar a cor da poesia

Escutando a cor do vento, fui guiada como personagens de desenhos e filmes infantis a tortas na janela, a uma descoberta. Navegando, abri um site, que abriu outro, que abriu outro e numa sombra boa, encontrei um tesouro para dividir.  
Márcio de Camillo é um moço que gosta de poesia desde quando um professor lhe deu um livro de Mario Quintana. Aos vinte anos ele debandou solto através das asas do apassarinhado Manoel de Barros. Colocar melodia na obra do poeta virou meta e depois de passados 17 anos com a ideia na cabeça, tempo grande que eu entendo. Dou meu depoimento de ter o endereço do Manoel, que pedi timidamente, nem mesmo esperando conseguir, desde 26 de março do ano passado e não ato nem desato a escrever, desenhar, rechear um envelope de passarinhices e admiração que idealizo mandar para ele.
O músico garimpou todos os livros do escritor, que lhe sugeriu calma para dar voz, som e poesia ao trabalho chamado: Crianceiras. E apesar de o produtor e o poeta mensurarem as coisas por valores além de moedas e medidas, está a venda, em livrarias, por ai e através do próprio Márcio de Camillo (marciodecamillo@hotmail.com) esse trabalho lindo. Fica a dica!

22 de abril de 2014

Petisquices

Eu ia colocar no título da postagem a petisquice a que vou me referir, mas pensei melhor e poupei os leitores mais pudicos de se chocarem ou me acusarem de atentado ao pudor. Vou confessar que sou pura proza, poesia e meninices, mas falo palavrões, não vejo outra maneira de desabafar ao dar uma topada por exemplo, uso variadas palavras de baixo calão para mandar para aquele lugar o juiz que rouba no jogo, para responder desaforos alheios que não há simpatia que dê conta e por ai lá vai, ladeira abaixo o habitual e recomendado palavreado formal e doce.
Sou de paz, de fé mas ser cem por cento equilíbrio e sensatez eu acho que faz um pouco mal, entope as artérias, pelo menos a de quem for nascido(a) sob os signo de Áries eu acho que entope se não der uns palavrões, uns murros num saco de box ou algo do tipo. Confesso também (já que ajoelhei vou rezar), que falo alguns palavrõezinhos por gosto, como o nome que é dado ao dito petisco: sacanagem. Falo muito esse palavrão e crianças de plantão, não façam como eu hein! Ai! Ai! Ai!
Era presença certa nas mesas de aniversários e festinhas em geral, nos idos de mil novecentos e bolinha, uma tal de meia bola de isopor forrada com papel alumínio ou um abacaxi todo espetado com palitos que espetaram antes quadradinhos de queijo, presunto, mortadela, azeitonas e salsichas. Porque sacanagem era o nome desse petisquinho retrô? Decidi não pesquisar para não perder a poesia e gosto pelos espetinhos de minha infância com nome nada infantil e visual decorativo. 
Para ilustrar o post escolhi essa frase que me representa. Adoro comer brigadeiro quente, bolo quente, pão quente, não dando ouvidos que dá dor de barriga, queima o esmalte dos dentes e a língua. E porque com as geladeiras cheias de chocolates da Páscoa não vou causar muito água na boca, sem falar que brigadeiros são gulodices presentes desde antigamente até hoje em festinhas, seja cobertos de chocolate granulado, confeitos coloridinhos, sejam doces ao extremo, meio amargos, molengas, durinhos, com casquinha e derretidos por dentro, em potinhos, tacinhas ou direto da panela nas nossas comilanças caseiras que mandam a dieta e a boa alimentação as favas como diz minha mãe, para não dizer um palavrão.

21 de abril de 2014

Nos trilhos da vida

Foto que tirei do primeiro trem que vi e andei (na Disney em 2010)

Foto tirada de dentro do trem
Boba e feliz que nem foca com bola no nariz

A vida é como trem, passa depressa
No trem da nossa vida somos maquinistas e passageiros
Os sonhos e experiências são como vagões
Se a viagem será longa, não sabemos
Portanto, nas paradas e da janela devemos apreciar as estações
Ver de fora o trem de outras vidas como pareja e paisagem
Infante, forte, veloz deve ser o misto de nosso trem e nós
A fumaça, apito, trilhos e faróis
Por fora e por dentro, cansados ou animados 
Não esqueçamos que a viagem prossegue
Longa ou breve, carreguemos na bagagem o que for leve
E na primeira classe ou na lida
Agradeçamos as chegadas e partidas
Poemice ainda em clima de mais um ano de vida

20 de abril de 2014

Ovos mexidos

Dei uma de repórter investigativa sobre o que fazem as pessoas hoje em dia no dia de Páscoa, cisquei aqui, ali e acolá para ver se achava algumas sementinhas variadas e não achei lá muita coisa. Aqui em terras baianas, nada de decoração nas casas, guirlandas nas portas como em países europeus e da América do norte, mesas postas com detalhes temáticos, tradição de esconder ovinhos para os menores ou colocar o ovo fora da porta e dizer para criança abrir pois alguém tocou e perguntar fantasiosamente se não terá sido um coelhinho.
E não venha me dizer que as crianças de hoje não são bobas. Nunca fui boba, mas tive infância, não nasci com tpm e cheia de certezas e inteligência pura. Acreditava em contos de fadas, histórias, duvidava as vezes, mas tinha magia na vida que me era apresentada, pois são os adultos que apresentam a vida, com mistérios, sonhos e realidade as crianças. Tem uma história, de um menino que conheço e criei que trocou a chupeta por um ovo de páscoa.
De lado a tradição de serem os padrinhos quem dão os ovinhos a seus afilhados, ao lado de tantas crianças nem serem batizadas, padrinhos que não dão a menor importância ao papel que assumiram e por ai lá vai. Nada de a maioria saber os símbolos da páscoa e nem de longe o que tem a  ver cenoura, com ovos, coelhos e chocolates. Mexido tudo isso, que nem ovo de galinha, há a obrigatoriedade e falta de originalidade de o objeto comercial da data ser o famoso ovo de chocolate. Para as crianças pequenas ou grandes nada de variações, uma caixa de chocolates não vale, coelhinhos de pelúcia ou plásticos para crianças menores também não valem ou valem se vierem com um ovo.
Nas maioria das escolas, além dos amigos secretos de chocolate, dos ovos e coelhos nas ilustrações das tarefas, nada de pintar ovos de galinha e ensinar como esvaziar sem quebrar a casca e rechear com doces ou papel picado. Nada de confecção de cenourinhas, no máximo orelhas nas crianças e em escolas públicas, uma data qualquer.
Há os não tão famosos e deliciosos pães de páscoa, que são como os do Natal,  minha mãe disse que lá onde ela nasceu e cresceu, era tradição os padrinhos darem aos afilhados um pão, chamado roscão. Os almoços são tradicionais, religiosos e diferentes em cada região, cada família. Lá na casa de meus pais espanhóis por exemplo, sexta-feira santa é dia de peixe ou bacalhau e a Bahia se rende ao caruru. Domingo fartura como filhotes de coelhos de pratos diversos.
A semana santa, foi para muitos e hoje ainda é para poucos dias de estar em casa, em família, tipo um Natal de meio de ano, de ir as missas e não um feriadão, uma oportunidade imperdível de viajar, encher a cara e fazer n coisas que se faz o ano inteiro.
Eu tenho em mim umas americanices, não por influência, por gosto mesmo e acho o máximo a tradição dos coelhinhos na Casa Branca. Ritual infantil seguido por um homem poderoso, que publicamente se diverte e curte, se não é com gosto, bem fingidamente. Obama me pareceu uma criança no ano passado.
Minha ciscada, cutucada e desejo de que em cada casa e de maneira viral como se é moda fazer algo pegar hoje em dia a semana santa e a Páscoa sejam uma oportunidade extra de reflexão, de agregar, de sermos tradicionais e criativos, de valorizarmos os laços de família e adornarmos nossa fé!

19 de abril de 2014

Desembestada

"Velho é criança de fôlego diferente
Já não lhe interessam as correrias nos jardins
O sobe e desce das gangorras
O vaivém dos balanços
É tudo muito pouco
O que ele quer agora é desembestar no céu
Soltar os bichos que colecionou a vida inteira
Os bichos todos
Domésticos, selvagens, úteis e nocivos
Os pesados répteis que ainda guarda no coração
E as borboletas, peixes
E passarinhos
Tudo solto”
Pensamento do livro Arroz de Palma 
De Francisco Azevedo
Tinha que vir de um Francisco essas saborosas migalinhas
Trouxe elas para repartir e eu mesma ciscar
Para quem como eu está ficando mais velho
Velho para mim é palavra bonita
Tem cara, cheiro, valor, carinho de vó e vô
Conforto de roupa e sapato que já se moldaram a gente
Tem poder, sabedoria e tradição latentes
Que eu seja uma velinha de fôlego diferente
Cercada de gente
Desembestada no sentido de ativa e de sem besteira
Guiada por estrelas, grilos falantes, cães e gatos
Com raízes e asas
Fazendo das pedra do caminho barcos, pontes, castelos
Movida por crenças e quebra de mitos
Silêncio e sons
Acompanhada e cercada de quem me quer bem
Velha, sempre nova e feliz
Amém!

18 de abril de 2014

Por literatura infantil para crianças e adultos

Pedido no título em plena sexta-feira santa
Pois hoje é dia nacional da literatura infantil
Para que seja ilustrada, cheia de valores
De cores, de crenças nossas vidas
E como amanhã é o dia do índio
Fonte de personagens, cenários, histórias, mitos e lendas
Da nossa rica literatura
Segue pescaria já que hoje é dia de comer peixe
Pescada em um rio alheio para sentar e saborear com deleite
"Nós os índios, conhecemos o silêncio
Não temos medo dele
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio 
E eles nos transmitiram esse conhecimento
"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam
Esta é a maneira correta de viver
Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes
Observa os anciões para ver como se comportam
Observa o homem branco para ver o que querem
Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos
E então aprenderás
 Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar
Com vocês, brancos, é o contrário
Vocês aprendem falando
Dão prêmios às crianças que falam mais na escola
Em suas festas, todos tratam de falar
No trabalho estão sempre tendo reuniões nas quais todos interrompem a todos
e todos falam cinco, dez, cem vezes
E chamam isso de "resolver um problema"
Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos
Precisam  preencher o espaço com sons
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer
Vocês gostam de discutir
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase
Sempre interrompem
 Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.
Se começas a falar, eu não vou te interromper
Te escutarei!
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo
Mas não vou interromper-te
 Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste
Mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante
 Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei
Terás dito o que preciso saber
Não há mais nada a dizer
Mas isso não é suficiente para a maioria de você
Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando
E que devemos ficar em silêncio para escutá-la
Existem muitas vozes além das nossas
Muitas vozes
 Só vamos escutá-las em silêncio"
Preceitos e tradições Xamanistas ancestrais
Para refletir e praticar