16 de abril de 2014

Folgo saber

Imagem da internet
"Em um mundo onde as pessoas mal se ouvem, onde a indiferença e a intolerância insistem em permanecer nas relações, me alegra e me causa um certo alívio saber que ainda existem pessoas que dão valor ao amor real, a entrega sem medo, a amizade sem reservas, que se interessam de verdade pelo problema alheio e diariamente, em respeito próprio e ao próximo, exercitam a prática do perdão e da compreensão, trazendo leveza e alegria a existência de quem os cercam." Erick Tozzo se alegra e eu também! Que pessoas assim cruzem nosso caminhos e façam morada em nossas vidas!

15 de abril de 2014

Lonjuras, lugares e histórias

Imagem da internet
Senta que lá vem história, dizia o chamado da TVE para a programação infantil nos idos da infância de meu filho. Aqui na Bahia andar por um longo percurso é dar uma paleta e eu numa empreitada dessas em Maceió ao pronunciar tal expressão aprendi como se diz lá, ou como dizia quem me deu informação: é uma lapada. Sendo longe onde Judas perdeu as botas e muito longe onde resolveu tirar as meias e não tendo eu achado sentido na tal lapada, nem nunca tendo questionado sobre a paleta, resolvi pesquisar sobre a história de Judas e suas botas perdidas.
Vale pontuar, que fazendo uso da capacidade e gosto por fantasiar e transformar as narrativas, uma história ou ditado popular sofre reinterpretações que os transforma desde um traço cultural a referência de uma época. Na Idade Média, por exemplo, o pouco acesso aos textos bíblicos foi responsável pela produção de várias narrativas envolvendo os personagens cristãos, seus feitos e não feitos. Levando em conta que boa parte da população era pouco letrada, não cabia rigor, coerência e imparcialidade e de um dos mitos criados nessa época advém a expressão popular da perda das botas do delator de Jesus.
Não há registros de que alguém nessa época usava botas, mas diz a lenda que o discípulo traidor teria escondido em um par, as trinta moedas que firmaram o acordo com os sacerdotes judeus, acontece que o defunto estava sem botas e os 30 dinheiros não foram encontrados com ele, logo os soldados partiram sem rumo e além em busca das tais butinas e não se sabe se acharam ou não elas e o dinheiro.
Para incrementar em inglês, "onde Judas perdeu as botas" pode ser traduzido como "in the back of beyond" , expressão britânica que significa "na parte de trás do além" e "in the boondocks" , expressão americana, que descreve uma zona pouco habitada ou "in the middle of nowhere", no meio do nada. Busquei para ilustração a casinha de Coragem o cão covarde, personagem de um desenho animado que apesar de meio punk louco, eu achava o máximo o nome do cãozinho e do lugar onde moravam, não localizável pelo Google maps, longe de tudo, no meio do nada: lugar nenhum era o nome e nenhuma imagem descente do casebre eu achei, é que não devia ter fotógrafos dispostos a ir lá eu presumi. Fico por aqui, com esse mix de referências, distâncias, lugares e histórias. Inté!

14 de abril de 2014

Budices

O que tem essa imagem a ver com Buda?
Para mim os paninhos amarrados
Um que de simplicidade
E bem pode ser representação de uma religião
Ou cultura qualquer
Budismo mais que uma religião é uma filosofia de vida
Que pode ser agregada a nossas crenças, culturas
Agrega somando e multiplicando
Não divide, segrega, pede exclusividade
Além desse simples, sublime e subliminar ensinamento
O budismo tem muitos outros
Nada complicado, misterioso
Muita filosofia e prática de faxinas por dentro e por fora
Uma observação interessante é como aproveitamos pouco o presente
A maior parte do que ocupa nossa mente e dias
Faz parte do passado ou do futuro 
Para orientação: mantras
Na mão: um janpamala, uma espécie de terço
Ou mãos e mente vazias para encher de leveza o coração
Uma semana de budices para todos!

13 de abril de 2014

Sobre amigos da onça

Não vou falar mal de ninguém em pleno domingo, nem desabafar, nem cronicalizar sobre falsidades. É uma curiosidade tipo: De onde veio, que resolvi compartilhar. Na década de 40, o chargista Péricles Andrade Maranhão, criou para Revista "O Cruzeiro", um personagem nascido por sugestão do então diretor da revista, Leão Gondim de Oliveira, fã do personagem "El inimigo dele Hombre" , de uma revista argentina.
Para compor o personagem, que deu origem a uma expressão usada até hoje por nós, o chargista se inspirou em um garçom muito chato do bar onde frequentava e que acabou virando sinônimo de amigo falso, que vive colocando os outros em situações perigosas ou embaraçosas. Segue a piada de origem do codinome: amigo da onça, que muitos de nós com certeza já deu a alguém.
"Dois caçadores estão conversando:
- O que você faria se estivesse na selva e aparecesse uma onça na sua frente?
- Dava um tiro nela
- E se você não tivesse uma arma de fogo?
- Furava ela com minha peixeira
- E se você não tivesse uma peixeira?
- Pegava qualquer coisa, como um grosso pedaço de pau, para me defender
- E se não encontrasse um pedaço de pau?
- Subia numa árvore
- E se não tivesse nenhuma árvore por perto?
- Saía correndo
- E se suas pernas ficassem paralisadas de medo?
Nisso, o outro perdeu a paciência e explodiu:
- Peraí! Você é meu amigo ou amigo da onça?"
Fonte: "A Origem Curiosa das Palavras", de Márcio Bueno

12 de abril de 2014

Dons

"Sou cristão, eu acredito no dom
A pessoa nasce como uma predisposição
Você sabe o que é se apaixonar pela palavra? 
É você sonhar com ela, e você tomar nota
E de manhã você saber se ela dormiu
Eu acho que poesia é um parafuso a mais na cabeça,
Outra uma vez três de menos
Escrevi para o meu pai e para minha mãe 
Que já tinha descoberto minha vocação
Que não era pra médico
Dentista, engenheiro
Era pra fazer frase"
Recortes do dom, encanto, prazer
Poder com palavras de Manoel de Barros
Em entrevista à revista Caros Amigos
Ilustração de um pouco do dom de Alexandre Reis

11 de abril de 2014

Cinemices

Cena e sonhos do filme: Sonhos

Sonhos mais de perto

"Fascina-me esta ideia de que temos todos um cinema metido na cabeça. Um cinema que implica a produção do filme, a câmara que filma, o projetor que envia uma torrente de luz para o ecrã, os espectadores que estão entre o projetor e o ecrã. Temos isto tudo na cabeça, e quando olhamos para o mundo, tudo isto se põe em movimento, a funcionar. O cinema é a nossa maneira natural de criar imagens sobre o mundo", definiu Manuel Gusmão, poeta e ensaísta português
Penso que meu irmão e sua trupe pensam mais ou menos assim e com esse trabalho e paixão deles e depois do filme: A invenção de Hugo Cabret eu sempre vejo, imagino e quero mais dos filmes. Sobre os sonhos, ilustrei com a cena do filme para referenciar, ai adicionei mais sonhos para provocar desejos e me encontro providenciando providenciar sonhos para matar a vontade que me causei. Açucarada e cinematográfica sexta-feira a todos!

10 de abril de 2014

Das distâncias

Esse é um post de reconhecimento, percepção e reflexão sobre distâncias. Dos tipos concretas e abstratas. Os parceiros que escolhemos na vida amigos e amor, por exemplo, são próximos de nós por nossa opção e distantes no que se refere as vezes a geografia, a afinidades e destemperanças comuns a sermos cada um de um jeito e a acontecimentos diversos dos caminhos que percorremos juntos e também dos que percorremos separados.
Essa foto é da distância percorrida por meu marido até a portaria de onde ele foi pelo trabalho, em Atibaia, por dois dias. Porque que ele tirou essa foto e para que ia até a portaria? Porque Atibaia tem pareja com Tapiré, lugar fictício da novela Além do horizonte, lá no mundo real e conectado de hoje, não tem sinal de celular e internet, o que não me parece um bom lugar para concentrar gerentes e responsáveis por equipes, produtos e serviços, mas vamos a parte romântica da história. Ele fez muitas vezes esse percurso, simplesmente para dar bom dia, falar que ia para reunião, perguntar como eu estava, contar coisinhas, saber coisinhas, mandar fotos que tirou por lá. Vale valorizar, tarde da noite e de dia sob o sol, camisa, calça e sapatos sociais.
Mas isso é pouco para o que ele fazia a uns anos atrás quando foi transferido para Maceió e ia de carro toda segunda e voltava toda sexta: 600km, todo final de semana por muitos meses. Fez isso também quando passou um tempo Aracaju. Ele também ia nos idos da adolescência, a pé para a escola ou de minha casa para a dele (longe a beça). Guardava o dinheiro do transporte para comprar coisas para mim ou não tinha o tal dinheiro para o transporte.
Uma vez fomos juntos a pé por um percurso longinho para sacar um dinheiro no banco e chegando lá lembrei que esqueci a senha em casa. E ele brigou? Fez cara feia? Me chamou de mil e um nomes feios? Não! Voltamos conversando e de volta fomos no banco e de volta fomos para casa. Essa parte tolerante e doce está um pouco gasta, com reações encaroçadas as vezes, mais seguimos caminhando juntos, pelas distâncias e proximidades nossas de cada dia.