3 de maio de 2016

Das ondas digitais pras reais

Passo por essa Praça quase todo dia
E esse fotografar a dias fiquei a programar
Por medo de sacar o celular
Onde vamos parar?
Com o zap fora do ar desde ontem
Me perdoe quem usa pra trabalhar e namorar
Mas não pude evitar
Segue para o retrato acompanhar
Pedido tipo poetar
Que pare toda a tecnologia
Nenhum aviso de mensagem
Áudio, vídeo, imagem, texto, nada
Nenhum app novo seja criado ou baixado
Alguns dias por favor sem Jornal
Na tv, nem impressos
Que abaixem os valores de ingressos 
Para futebol, teatro, cinema
O viver anda morto, morno, marolado
Que se curta mais as ondas do mar
Das praças
De fotos antigas, lembranças, traças
Que ouça-se menos avisos sonoros de smartphones
Alarmes de carros, buzinas
Lacres de latinhas de cerveja
Emudeçam por favor músicas que a letra é um horror
Mais melodias instrumentais
Estrofes que nos falem mais
Ondas, sinos a soar
O vento nas folhas, passarinhos a arrevoar
Que aviões sobrevoando o céu sejam vistos
Os passantes pelas janelas das casas
Os finais de tarde
A paisagem por quem dirige
Quem está no carona
E atrás pelo retrovisor
Não estando vidrados pobres e abastados 
Nas telas na palma mão, dedos, colo
Ao alcance imediato
E longe do coração
Que andar a pé, de coletiv o ou bike
Não seja para se pensar
Se alguém vai te roubar, machucar, matar
Que tomar banho de sol e lua
E ir pra rua
Não sejam só por protestos ou badalação
Ondas de concreto
Concreto viver, ser, estar, ir e vir
Com cheiros, gostos, desgostos, sorrisos e emoções
Não de emojis, tipo miojo
De verdade, banho Maria, esperas
Marés, mares, mais que digital
Concreto

28 de abril de 2016

Ser tão

Porque hoje é dia da Caatinga
Bioma nosso
Sertão
Nordeste
Lindo
Foto de meu irmão tão tão
Pura poesia
Terra laranja
Mandacaru que fulora
É sinal que evem chuva
#sertãocaatinga

21 de abril de 2016

Das ressonâncias

Em plena era digital, soa anacrônico, além de improvável, imaginar que o sino de uma capela pos­sa anunciar algo e que alguém preste atenção. Mas era assim nos idos de alguns muitos anos atrás.
Dessa época, é o escritor anglicano John Donne, parente de São Thomas More, santo católico decapitado pelo rei Henrique VIII, padroeiro dos políticos. Descoberta minha sem querer nesse momento tudo a ver.
O tal padroeiro, era tio-avô de Elizabeth Heywood, mãe de Donne, que escreveu a famosa frase: “Nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”. Daí, "Por quem os sinos dobram",  virou livro, que fala de política e história, virou filme e também música de Raul Seixas, leitor de Hemingway e de tantos outros escritores e filósofos.
Ai, em pleno século 21, sem muito espaço para leitores de Donne e Hemingway, que os interpretem de forma profunda, assim como quem ouça com especial atenção Raulzito, os sinos continuam dobrando para cada um, seja no som de aviso de mensagem do Zap, do Face, seja por meio da música do plantão de notícias Global ou de qualquer outro canal, pelo “trending topic” do Twitter.
Os sinos não tocam e não tocavam pela pessoa que morre, nasce, aniversaria, pelo evento em si, tocam para provocar o coletivo, pelo sermos ressontes. E atualmente, num processo de involução, quase ninguém se dá conta de que suas palavras ou silêncio, tem ressonância coletiva.
Publiquei esse texto agorinha no Face em meu perfil comercial por lá, ai trouxe para resoar aqui e em silêncio desejo faça eco.

19 de abril de 2016

1, 2, 3, 4

Não é sobre quando
Ou porque
Não começa aos 40 a vida
Nem quando a gente nasce 
Antes, já estamos vivos nos planos, sonhos, amor de quem nos espera
Não é o número de velas
Não é ter ou não ter vela
Ou bolo, festa
Não é o tamanho do cabelo
Da saia
Do biquíni
Do salto
Não é o que dizem ou pensam sobre nós
Não acho que seja
Não sou dessas
Nada me define, limita
Para fechar o discurso
Pós vela soprada
Uma história alumiada contada por Eduardo Galeano
Um homem, de uma aldeia no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus e quando voltou, disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. Na visão dele, somos um mar de fogueirinhas. 
O mundo é isso, revelou. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
"Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. 
Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. 
Alguns fogos bobos, não alumiam nem queimam, mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.”

13 de abril de 2016



Pelo Dia do beijo
Porque todo dia é dia de beijar
Beijos no rosto
Na testa
De bênção nas mãos
Beijos soltos no ar
Lançados com as mãos
Beijos de coração
Sem mais
E cheios de reticências