29 de maio de 2011

Tudo d+ é sobra

"Embora as pessoas reclamem com imensa frequência daquilo que não possuem, existe outra questão que merece toda a nossa atenção: aquilo que possuímos em excesso.
Aliás, os excessos costumam ser mais prejudiciais que as faltas, mas demoram mais para serem percebidos. As faltas nós notamos imediatamente, os excessos só quando despertam a nossa consciência.
Tudo o que temos em excesso demanda tempo e energia para ser administrado. Roupas demais, cds demais, bagunça demais, lembranças demais (fique com as que valem a pena, pelo aprendizado ou felicidade que trouxeram), compromissos demais, pressa demais, comida demais.
Não precisa ser o mínimo necessário, pode haver algumas sobras, mas sem os exageros de costume.
Nada é mais gratificante que a liberdade, a sensação de que você se basta sem precisar de um arsenal de coisas, sons e cores a seu redor. Dedique-se a experimentar essa libertadora sensação. Quem sabe viver com pouco, sempre saberá viver em quaisquer situações, mas aqueles que só sabem viver com muito, nas mínimas provações e ausências sofrem e se desesperam. Esses últimos se confundem com seus excessos e na falta deles, não se reconhecem. Excesso de excessos corresponde à falta de si mesmo. E se o que te falta é você, se encontre.
Liberte-se dos excessos de todo o tipo: excesso de informação (aliás, muita coisa é só ruído, nem mereceria sua atenção); excesso de produtos e serviços (consumismo é uma válvula de escape para não olharmos para nossa própria existência e para o vazio que buscamos inutilmente preencher com compras); excesso de relacionamentos (nem todos valem a pena, não é verdade?). "

2 comentários:

  1. “Um grande urso, vagando pela floresta, percebeu que um acampamento estava vazio. Foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou um panelão de comida. Abraçou a panela com toda a sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo.

    Enquanto abraçava, começou a perceber que algo o atingia. Na verdade, era o calor da panela... Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e onde mais a panela encostava. O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria tirar-lhe a comida. Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto urrava, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo. Quanto mais a panela o queimava, mais ele a apertava contra o corpo e mais alto urrava. Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore, segurando a tina de comida. O urso tinha tantas queimaduras que estava grudado na panela e, mesmo já morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo”.

    Ao ouvir esta história de um mestre e amigo, percebi que, em nossas vidas, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos serem importantes. Algumas delas nos fazem gemer de dor, queimam-nos por fora e por dentro, e mesmo assim nos mantemos apegados a elas. Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero. Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos. Em certos momentos, é necessário reconhecer que nem sempre o que parece ser a salvação nos dá condições de prosseguir.

    Tenha a coragem, a visão e o amor que o urso não teve. Observe e compreenda o padrão de carência que te faz agarrar uma coisa até o "fim", e tire de seu caminho tudo aquilo que te faz arder além da medida. SOLTE A PANELA!

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  2. Nossa...que linda reflexão. Não sei qual é mais bonita a sua ou a de Paulo. Só sei que estou aqui pensando no que seria a minha panela...
    :\

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