25 de agosto de 2011

Modo de usar

Por Airton Luiz Mendonça

Fragmentos de artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo

"O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio.... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.

Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.

Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: Nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas.

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente. Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos...

Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência). Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.

Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações.
As experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a rotina.
A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.

Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.

Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do
cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.

Se você tiver dinheiro, especialmente viaje, vá para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos.Viva! Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo. E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.

Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes. Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?

Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção e rituais e vida."



7 comentários:

  1. Flor acho lindo esse dom da escrita, transformar pensamentos em palavras. São lindos. Daniela Cristina bjmm

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  2. Daaaaaaaani

    Amei vc comentar.
    Obrigada flor (com sotaque) pelo elogio, pela visita, pelo carinho.

    “Feliz daquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”
    Cora Coralina - Florrrr de Góias

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  3. Aaahhh ki otimo Dra Tina!! rss
    ADOREI!

    Bjo florzóka!

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  4. Tina, mais uma vez perfeito!! Sua dica é ótima, assim cercada de amigas de diferentes gostos, cultura... aprendo tantas coisas...!!

    Beijinhos e uma maravilhosa quinta-feira para vc!!

    nandapezzi.blogspot.com

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  5. gente, eu não tenho nem mais vocabulário direito para comentar seus posts, Tina, todos eles são tão verdadeiros!

    E esse é mais um e explica tanta coisa... eu às vezes não aguento sentir o tempo voando como está agora!

    bjs

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  6. Pois use as dicas e sinta mais os dias e o tempo Georgia e obrigada por comentar sempre e pelo carinho.

    Obrigada também Cris, Nanda...

    Nessas visitas, post´s, comentários, entre blog´s, estados, costumes, gostos, habilidades, crescemos, nos somamos, dividimos, multiplamos. Escrevemos capítulos novos e deliciosos em nossos livros, adicionamos imagens aos nossos scrapbooks, "cada quá leva algo a mais em seu piquá" e deixa algo.
    É o doce sabor da troca, das amizades, das boas energias.

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  7. Cada quá com seu piquá!
    é isso ai!!
    hsauishaiushauishiaus

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