24 de agosto de 2011

O essencial


“Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado? E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada. É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta a cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo.

Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver.”

(Padre Fábio de Melo)

4 comentários:

  1. com certeza, por uma vida com cada vez menos excessos!

    Depois que eu assisti aquele filme com o Clooney que ele viaja demitindo pessoas (que eu adoro, mas nunca lembro o nome), eu repensei muito a coisa do "ter". Muitas vezes nosso excesso de bagagem é grande demais, empata a vida mesmo!!

    bjs

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  2. É "Amor sem escalas" o nome do filme, já vi e gostei muito tb.

    Lembrei agora de "Um homem de família" que dentre muitas lições traz um pouco dessa tb e é com Nicolas Cage, que adoro.

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  3. Lindo texto!
    Bjo e uma ótima noite!!

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  4. Isso! não ia lembrar nunca, Tina, obrigada... eu ia chutar "fuso horário do amor", mas aí lembrei que esse é com o Jean Reno

    Adoro "Um homem de família" também, assisti no domingo

    bjs

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