16 de janeiro de 2012

Dividindo leituras

Criando raízes
Autor: Philip Gulley

"Quando eu era pequeno, tinha um velho vizinho chamado Dr. Gibbis. Ele não se parecia com nenhum médico que eu jamais houvesse conhecido. Todas as vezes que eu o via, ele estava vestido com um macacão de zuarte e um chapéu de palha cuja aba da frente era de plástico verde transparente. Sorria muito, um sorriso que combinava com seu chapéu – velho, amarrotado e bastante gasto. Nunca gritava conosco por brincarmos em seu jardim. Lembro-me dele como alguém muito mais gentil do que as circunstâncias justificariam.
Quando o Dr. Gibbis não estava salvando vidas, estava plantando árvores. Sua casa localizava-se em um terreno de dez acres e seu objetivo na vida era transformá-lo em uma floresta.
O bom doutor possuía algumas teorias interessantes a respeito da jardinagem. Ele era da escola do “sem sofrimento não há crescimento”. Nunca regava as novas árvores, o que desafiava abertamente a sabedoria convencional. Uma vez perguntei-lhe por quê. Ele disse que molhar as plantas deixava-as mimadas e que, se nós as molhássemos, cada geração sucessiva de árvores cresceria cada vez mais fraca. Portanto, tínhamos que tornar as coisas difíceis para elas e eliminar as árvores fracas logo do início.
Ele falou sobre como regar as árvores fazia com que as raízes não se aprofundassem e como as árvores que não eram regadas tinham que criar raízes mais profundas para procurar umidade. Achei que ele queria dizer que raízes mais profundas deveriam ser apreciadas.
Portanto, ele nunca regava suas árvores. Plantava um carvalho e, ao invés de regá-lo todas as manhãs, batia nele com um jornal enrolado. Smack! Slape! Pou! Perguntei-lhe porque fazia isso e ele disse que era para chamar a atenção da árvore.
O Dr. Gibbis faleceu alguns anos depois. Saí de casa. De vez em quando passo por sua casa e olho para as árvores que o vi plantar há cerca de vinte e cinco anos. Estão fortes como granito agora. Grandes e robustas. Aquelas árvores acordam pela manhã, batem no peito e bebem café sem açúcar.
Plantei algumas árvores há alguns anos. Carreguei água para elas durante um verão inteiro. Borrifei-as. Rezei por elas. Todos os nove metros do meu jardim. Dois anos de mimo resultaram em árvores que querem ser servidas e paparicadas. Sempre que sopra um vento frio elas tremem e balançam os galhos. Árvores maricas.
Uma coisa engraçada a respeito das árvores do Dr. Gibbis: a adversidade e a privação pareciam beneficiá-las de um modo que o conforto e a tranqüilidade nunca conseguiram.
Todas as noites, antes de ir dormir, dou uma olhada em meus dois filhos. Olho-os de cima e observo seus corpinhos. O sobe e desce da vida dentro deles. Freqüentemente rezo por eles. Rezo principalmente para que tenham vidas fáceis: “Senhor, poupe-os do sofrimento”. Mas, ultimamente, venho pensando que é hora de mudar minha oração.
Essa mudança tem a ver com a inevitabilidade dos ventos gelados que nos atingem em cheio. Sei que meus filhos irão encontrar dificuldades e minha oração para que isto não aconteça é ingênua. Sempre há um vento gelado soprando em algum lugar.
Portanto, estou mudando minha oração vespertina. Porque a vida é dura, quer o desejemos ou não. Ao invés disso, vou rezar para que as raízes de meus filhos sejam profundas, para que eles possam retirar forças das fontes escondidas do Deus eterno.
Muitas vezes rezamos por tranqüilidade, mas essa é uma graça muito difícil de alcançar. O que precisamos fazer é rezar por raízes mais profundas, para que quando as chuvas caiam e os ventos soprem não sejamos varridos em direções diferentes."

Resenha de Ralph Waldo Emerson

8 comentários:

  1. MUITO INTERESSANTE, ESSE TEXTO. EU NÃO COSTUMO DAR MOLEZA PRO MEU FILHO, NÃO.ÀS VEZES QUANDO PRECISO SER DURA COM ELE, ATÉ CHORO ESCONDIDA, POIS NÃO É FÁCIL ENCARAR AQUELES OLHINHOS, MAS NUNCA VOLTO ATRÁS EM UMA REPREENSÃO. ACHO QUE SE A GENTE PASSA A MÃO POR CIMA DE TUDO, POR MENOR QUE PAREÇA SER, O MUNDO LÁ FORA, NÃO VAI TER PIEDADE. ENTÃO PROCURO TER EM MENTE, QUE EU ESTOU CRIANDO UM HOMEM, PREPARADO PARA O MUNDO.
    E DEIXO PRA CAPRICHAR NO AMOR E CARINHO, NAS HORAS CERTAS, EM QUE ELE PRECISA SABER, QUE TEM UMA MÃE QUE O AMA MUITO!!!

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    1. Acredito e pratico bem por ai Josiane, acho que quem ama rega na medida certa pra que as raízes se aprofundem, quem ama educa.

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  2. Esse texto é lindo, eu adoro..

    Bjinhosss

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  3. Tina, que postagem linda! Geralmente queremos facilitar tudo para nossos entes queridos. Na verdade estamos dificultando o seu desenvolvimento. Acabam por não terem "raízes profundas" e fraquejam no primeiro "vento gelado".
    Muito bem escolhida essa lição de vida.
    Bjos.
    Manoel.

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  4. Nossa que coisa mais linda!
    Adorei.. super profundo e inspirador.
    Boa semana!

    .
    http://fernandahauagge.blogspot.com

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  5. Interesante espacio el tuyo.
    feliz semana.
    un abrazo.

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  6. Tina, estou aqui que não consigo parar de chorar, juro!
    Sabe, minha mãe faleceu em 2008, eu tinha 20 anos e minha irmã 14, até hoje eu vivo tentando proteger ela, mas isso só faz com que ela não cresça, não amadureça sozinha, assim não deixo ela criar raízes :(

    Tina, ainda n consegui olhar meu e-mail, assim que eu conseguir respondo vc ;) Muito obrigada voi?????!!!

    Beijinhos no coração e uma ótima semana ;)

    nandapezzi.blogspot.com

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    1. Trate de deixar de proteger ela em excesso, sempre é tempo de aprofundar as raízes, crescer, florescer, dar bons frutos, faça isso por ela, por amor e se sinta orgulhosa depois por vc ter feito o melhor.

      “Florescer livremente – eis minha definição de sucesso.” Gerry Spence

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