21 de junho de 2012

"O valor da fé se avoluma 
Com a despedida das destrezas da mocidade"
Os trechos do relato que segue é continuação da frase acima que extrai de uma das crônicas do novo livro de Pe Fábio de Melo, "Orfandades", que venho dividir com vocês como reconhecimento da importância do papel da fé, de acolher, guiar, sustentar, adornar nossas vidas.
"...Idalina grita aos céus sempre que a vida a aperta, encontra conforto em ladainhas, rosários, novenas, jaculatórias. Vive a salmodiar com desatino tudo que a aflige. Foi condicionada a entregar a vida nas mãos de Deus. Aprendeu a dividir o fardo...Vez enquanto eu a vejo passar na porta da minha loja com as feições cobertas de desespero. Faz sempre da mesma forma. Entra na igreja e uma hora depois sai de lá refeita, reconciliada com a serenidade.
Eu não sou assim. Nunca soube dividir minhas lutas. Não encontrei esse Deus a quem Idalina atribui o poder de recolher-se os fardos...A vida em nossa casa não permitia espaço a outras questões que não fossem as humanas...Cresci assim. 
O meu pai era um militar que tinha o peito colmado de medalhas."Todas conquistadas com trabalho, dedicação e competência", dizia ele, desprovido da necessidade de dividir a glória com divindades...Sua crença era nas coisas terrenas, não conhecia outras...O tempo retirou-lhe a competência, a possibilidade do trabalho, a tal dedicação à qual ele atribuía os resultados. Restou-lhe a indigência, a mão vazia desprendida de buscar o céu, a voz sem prece, sem salmos...
Minha mãe seguiu o mesmo caminho...o corpo foi perdendo a grandeza,a musculatura minguada já em nada me recordava a destreza da mulher que sempre comandara com maestria a ordem da casa. Deitada permanecia com olhos sempre posicionados na direção do céu, como se procurasse fé para gritar uma súplica, um dedo divino que lhe proporcionasse uma epifania...Sabia-se velha, doente, insuficiente. Sabia-se sem auxílios superiores. Ateia, incapaz de molhar a boca com palavras que lhe trouxessem auxílio redentor, ela sorveu o último cálice alicerçada na fria laje de suas convicções...
Hoje estou aqui...minhas respostas prontas respondem aos outros, mas não a mim. Sinto um desejo imenso de crer em mistérios, verdades ocultas, oráculos, revelações. Desejo de prostrar meu corpo diante de altares, imagens, livros santos."

4 comentários:

  1. Que lindo compartilhar esse teu!!beijos,tudo de bom,chica

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  2. Muito lindo Tina...tenho muita FÉ!!!

    Beijos no seu coração e um ótimo restinho de semana para vc ;)

    nandapezzi.blogspot.com

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  3. Procuro cultivar a minha fé e não perder as esperanças. Mas confesso que às vezes o fardo é muito pesado. E me sinto culpada por não ser capaz de carregá-lo.

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    1. Um dos benefícios da fé é esse, dividir o fardo, sentir-se auxiliada e por outro lado compreender os ensinamentos do peso de nossa cruz, vc deve ser forte ou precisar torna-se, não se culpe ou lastime, siga, se circunde de bons pensamentos, boas pessoas, palavras, ações, siga com fé, pois além das suas orações tens a minha por exemplo.
      "É bom ter amigos. Eles são pontes que nos fazem chegar aos lugares mais distantes de nós mesmos"
      Pe Fabio de Melo

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