5 de novembro de 2012

Múltipla Sampa







Aquela história de que um bêbado ao chegar a uma cidade vê vários bêbados, grávidas ao andarem nas ruas avistam várias grávidas, é válida. Ainda que não seja preciso ser pichador para ver pichações, nem oriental para ver orientais por toda parte em São Paulo, aspectos como: lugares, culinária, arquitetura, cultura de um modo geral são escolhidos e julgados por nós a partir de quem somos e do que gostamos seja na múltipla Sampa ou em qualquer lugar.
Como tenho gostos tipo dupla-face, tipo desejo de ir ao Mercado municipal e a Laudreé (Filial da famosa doceria francesa, recentemente aberta no refinado Shopping JK), para conhecer tudo que tenho vontade em SP, uma semana eu imaginava, seria necessário, mas apenas 2 dias é o que tínhamos. Diga-se que marido, filho e amigos se dispuseram as máximas realizações possíveis em tão pouco tempo e a minha constatação após 50% do planejado: muitas outras coisas entraram na lista, um mês ainda seria pouco.
De estranho para mim destaco a segmentação das tribos, bairros, grupos, espaços. Em Salvador seja nas praças, bairros, bares, há skatistas, futebolistas, bahias e vitórias, patricinhas, roqueiros e pagodeiros numa mesma roda, sem barreiras, sem desperdiçar a oportunidade de troca, de misturar.
Fiquei me perguntando se quem mora em Sampa aproveita tudo que acontece por lá e acho que nós aproveitamos mais os lugares quando somos visitantes. No lugar que é nosso, deixamos para outro dia e as vezes ignoramos pontos turísticos, cartões postais, lugares, sabores, eventos tão ao nosso alcance.
O Salão do automóvel, evento organizado e gigantesco é um atestado de que brasileiro é mesmo apaixonado por carros, muita gente, de todas as idades, todos fotografando, babando, olhando, viajando, se espremendo entre pneus, portas, roncos de motores, marcas centenárias e muitas novidades. Na noite dessa maratona automobilística, para contrapor, fomos a uma vila interiorana no meio da cidade de pedra, Avanhadava, território da família Mancini, com luminárias de papel, fontes, comida italiana, música e até mágico. Um lugar encantador.
Eu não fui na Sé, não fui ao MASP (mas passei na frente dele), não fui pela segunda vez ao Museu da Língua Portuguesa, nem a Pinacoteca, muito menos cheguei perto do Jardim Botânico,  Zoo, Ibirapuera ou da Liberdade.  Não tínhamos tempo de entrar parar conhecer um lugar que achamos lindo só de passar pela entrada, o Parque Trianon (de frente ao MASP), nem de ver uma exposição de Silvio Romero em um espaço de arte dos muitos na Av. Paulista, nem dava pra encaixar a apresentação de Stand-up de Marco Luque, que ouvimos anunciar no rádio, mas fomos a Fnac da Paulista, encaramos a 25 de março (totalmente fora dos planos), andamos pela Rua Augusta a bem menos que 120 por hora, rumo a nada tradicional Caos, famosa loja do programa do canal History. Em menos de 10 minutos lá dentro senti uma vontade incontrolável de arrumar tudo aquilo e de convencer meu irmão a abrir uma loja daquelas com tudo que ele guarda e coleciona, seja para os cenários, seja por prazer mesmo. A ideia de ir lá foi de meu filho e ele adorou, se sentiu na TV.
Um parêntese: esqueçamos o preço da bandeirada e o trânsito de SP ( o de Salvador anda bem pior), em meio aos milhões de taxistas da grande capital, pegar um táxi com um baiano foi se sentir em casa, 40 anos em SP e o sotaque, o bom humor e os ares da Bahia, ali, fervilhando como acarajé no azeite. Andamos também com um outro meu, paulista, corintiano, cheio das notícias e histórias e garanto, que se alguém se dispuser a pegar junto com os táxis, lápis e papel, muitas crônicas nascem de cada ida e volta.
O Mercado Municipal como disse em tom poético um amigo que foi conosco “é lindo”. Eu adoro feiras, peixes frescos, camarões, bacalhau, frutas, verduras, caixotes de madeira pra lá e pra cá. Me realizei de ir lá. Muitas frutas diferentes, tudo muito organizado, o desejo realizado de ver e provar amoras, que essa semana vão virar torta, enfim, meu lado simples ficou realizado.
Meu lado chique ficou encantado com os macarrons da francesa e centenária Laudreé, com o sorvete italianíssimo da Baccio de Latte (sorveteria italiana), com as maquiagens, cremes e perfumes da Sephora, com as bolsas e sofisticação da Prada e com toda a finess do Shopping JK.
Há glamour e simplicidade, prédios centenários e novas construções, arquitetura clássica e moderna, cultura e ócio, frutas tropicais e petites importados, orientais, nordestinos e paulistas, engarrafamentos e lugares vazios, pedras e flores em São Paulo.

14 comentários:

  1. Foi um belo passeio passando pelas diversidades todas de lá. Dois ou 3 dias é pouco mesmo. Há tanto pra ver! Mas ,assim podes voltar... Valeu,né? beijos,chica e adoro visitar mercados também!

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  2. Tina, isso que colocou é bem verdade: quem é visitante aproveita bem mais a cidade.
    É imensa em coisas para fazer, mas quando você passa a semana inteira no trânsito e caos, aproveitá-la bem é para poucos!
    Eu mesma precisaa só descer a rua para estar no Ibirapuera. Pergunta se ia?
    Não! Achava muito cheio... Esquisitices de paulistano.
    Beijo

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  3. Legal sua visão e percepção Tina.
    Acho que quem é visita aproveita melhor a cidade mesmo.
    Aqui em Juiz de Fora, dou uma saidinha pra fazer algo diferente na cidade somente quando temos visita em casa e temos que mostrar esses "pontos turísticos".

    Bjo pra ti.

    Ana Virgínia
    filhadejose.blogspot.com

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  4. Tina
    Sua visão de SP, me deixou saudosa. Adoro o mercadão e tudo nessa cidade, nem em 1 mês dá pra se ver tudo!!

    Bjos e boa semana.

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  5. Eu sabia que sua viagem ia render crônicas interessantes. Eu também adoro SP (há muito tempo não vou e ando com saudades, mas marido não gosta). E fui ficando com vontade de rever estes lugares e confesso que deu água na boca quando você falou da Baccio de Latte (para quem não conhece é um lugar que vende algo delicioso e dizem que se chama sorvete). E a família Mancini... Como vê, gorda só tem memórias gastronômicas.

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  6. Ah, essa Sampa!
    Parece que sua viagem foi ótima, hein Tina?
    Temos tão pouco tempo para tantas coisas!
    São Paulo é uma terra muito rica, adoro aquela cidade.
    Tantos aspectos a serem notados, tantos detalhes diferencialistas! Uma pena que seja um lugar com tantos problemas sociais.

    Espero que tenha aproveitado bastante bastantão!
    Um abraço!

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  7. Oi Tina,
    um belo passeio não?
    E olha, achei este post interessantíssimo por que ainda hoje comentei com o meu irmão em quantos lugares lindos já moramos e não conhecemos ;/
    É realmente o pensamento de deixar para depois que nos faz empurrar com a barriga aquelas visitas que poderiam nos encher de lembranças queridas.
    São Paulo fica bem pertinho da minha cidade, são pouco mais de duas horas, e por ser a Grande São Paulo, capital, da correria e tudo mais, eu sempre deixo para um futuro próximo que não acontece, mas confesso que teu post me encheu de vontades ! rs

    Um beijo,
    E uma linda semana pra voce!
    Jhosy

    http://meninamsicaeflor.blogspot.com.br/

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  8. Tina, apesar do pouco tempo você conseguiu aproveitar bem. O que eu acho super curioso aqui em SP é o bairro da Liberdade. Você entra ali e tem a nítida impressão de estar no Japão.
    Que bom que você viveu muitas situações interessantes por aqui.
    Valeu!
    Um abraço
    Manoel

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  9. Olá Tina,

    Adoro São Paulo (para passear). Já vi musicais fabulosos no Teatro Abril, que agora mudou de nome: Teatro Renault. Adoro os macarrons da "Ladurée". Quando fui a Paris comprei uma caixinha sortida. São caros, mas valem a pena. E as caixinhas são lindas. A minha é uma caixinha de música da Alice. Na época, Alice estava bem na moda. Virou porta-joias. Não sabia que tinham aberto uma filial em São Paulo. Bom, fica a dica. Beijo grande!

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  10. Que belo passeio fizeste, mas é bom deixar sempre uns lugares para retornarmos num futuro próximo.
    Bjos e uma ótima semana.

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  11. Legal o passeio...
    E realmente...vejo grávida por todos os lados!
    Tipo uma invasão! :)
    bjs
    passarinha-amiga-reflexiva-flor...

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  12. Olá Tina,
    preciso dar um rolê por São Paulo junto a uma baiana, seu olhar me fez lembrar que sou paulistana da gema e que tinha muito orgulho disso.
    Faz tempo que não passeio por essa cidade que abre os braços pro Brasil.
    Lembrei de Caetano....alguma coisa acontece no meu coração....
    bjão e uma ótima quarta.
    Mari

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  13. Me arrepiei toda com essa postagem... até eu me senti visitando São Paulo agora. Obrigada por me proporcionar tão agradável sensação com tua narrativa fantástica. Também quero conhecer São Paulo um dia sentir tudo isso pessoalmente.

    Ameeei essa postagem! ♥

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  14. É querida, São Paulo é mesmo um mundo!
    Bom que você gostou e agora é só repetir a dose quantas vezes forem necessárias...
    Estou indo para lá dia 20 (minha filha casada mora lá) e fico uma semana.
    Mas, quando vou, fico mais por conta dela e do meu netinho.
    Irei onde eles forem.
    Beijo carinhoso.

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