30 de novembro de 2012

Natal e plural

Como eu já disse aqui várias vezes, adoro curiosidades linguísticas e dentre as que aprendi na faculdade o plural de Coca-Cola rende histórias até hoje, pois ensinei a um amigo que o certo são Cocas-Colas, uma vez que tanto a palavra Coca, quanto a palavra Cola são substantivos e palavras compostas de substantivos, quando pluralizadas, as duas vão para o plural. 
Moral da história ele passou a pedir assim e entre garçons e amigos em geral, meu marido achava e ainda acha que esse negócio de falar certo o que parece errado ou de ser errado o que eu já expliquei mil vezes que é o certo, pode acabar com a reputação do cara. 
Apesar de Coca-Cola ter a ver com Natal por causa das suas famosas propagandas natalinas, a ideia do post surgiu para pontuar dúvidas clássicas e muitos erros por ai por causa dos plurais de pisca-pisca, Papai Noel e árvore-de-natal. Momento escola, vamos lá!
Pisca-pisca, como todas as  palavras compostas de duas palavras iguais, para ser usada no plural  apenas o último termo deve ser pluralizado, então são pisca-piscas, assim como teco-tecos. O detalhe é que o ornamento natalino admite também, segundo alguns dicionários, a forma: piscas-piscas.
Papai Noel segue a linha das compostas por dois substantivos, as quais os dois termos vão para o plural, logo, mais de um Papai Noel são Papais Noéis, como mais de uma Coca-Cola, são Cocas-Colas.
Árvore-de-natal (que se escrevia desse jeito mesmo, com hífen e na nova ortografia é opcional o uso do hífen) é um substantivo composto ligado por preposição. Nessa situação, vai para o plural somente a primeira palavra. Uma árvore-de-natal, duas árvores-de-natal. De brinde, clica aqui para uma cartilha de palavras e uso do hífen (tarefinha de casa). Para nossa sexta-feira bênçãos e alegrias, muitos pisca-piscas, árvores-de-natal, Papais Noéis e tudo que for bom, de preferência no plural.

29 de novembro de 2012

"Meu Deus
Me dá cinco anos
Me dá um Natal e sua véspera
Me dá a mão
Me cura de ser grande"
São trechos de “Bagagem” de Adélia Prado
As vezes dá uma vontade de voltar a ser criança né?
Se agente soubesse como era bom aproveitava mais ou não?
Saber quanto é bom é não ser leve como uma criança
Que por não saber não sofre
Acordei filósofica hoje né?
Deixo então com vocês essa imagem qua achei linda
Um convite as lembranças da velha infância de cada um
Cartazes, letreiros, padarias, baleiros, pipoqueiros
Saias rodadas, de pregas, balonês
Sapatinhos laqueados
Laços de fita no cabelo
Quichutes e congas
Bola chuveirinho
Carrinho de rolimã
Cartinhas para o Papai Noel

28 de novembro de 2012

Hoje não consegui vir postar cedo
Nem deixei post programado
E tô com um monte de coisinhas para resolver
Ai resolvi passar aqui rapidinho
Só para desejar um bom dia
Que hajam flores em nossos caminhos
Boas energias
Gente feliz para nos alegrar
Nossa felicidade para alegrar quem esteja triste
Com sol ou chuva
Sem pressa ou rapidinho
Que nosso dia seja cercado de paz e carinho

27 de novembro de 2012

Festa em Poá

Chica, nome fácil de falar, sonoro, alegre
Presença constante aqui no blog e em tantos outros
Amiga comum do tipo incomum
Pessoa fofa, simples, doce, atenciosa
Afetuosa, criativa, engraçada
Poética, filosófica e prosáica
Hoje é aniversário dela
É dia de festa em Poá
E essa é minha homenagem
Registro de meu carinho e admiração
Eu pensei em fazer versos sobre joaninhas e jardins
Amizade, bondade, carinhos sem fim
Fiquei procurando palavras simples
E tentando iluminar elas, para parecem velas
Ai pensei melhor e resolvi fazer elas perecerem bandeirinhas
E pendurar aqui nessa janela
Onde sempre passa uma joaninha
Que janelas e portas
Céus, campos, estradas
Rios e mares
Estejam a seu alcance
Por muitos anos ainda
É Chica! É Chica! É Chica!
É Chica! É Chica! É Chica!

26 de novembro de 2012

O que cabe em uma semana?

O ato de medir é tão presente em nosso dia a dia
Medimos consciente e inconscientemente
Distâncias, tamanhos, volumes, espaços
O que você vai colocar dentro de seu dia hoje?
E na semana inteira?
As vezes na distância de um minuto a outro
Ou até em uma fração de segundos 
Podemos mudar nossas vidas
Clica aqui para ver um vídeo
Sobre o que cabe em um milimetro
"Somos infinitos números convivendo em um mesmo espaço"
Infinitas possibilidades nos cercam
Façamos bom uso de nossas escolhas
E entre limites e ilimitações
Sejamos felizes

24 de novembro de 2012

"A vida, às vezes, é tão intensa
Que nem precisa fazer sentido”
Ana Jácomo
Laçar estrelas?
Porque não?
Lacemos a lua, o sol, as nuvens
Lacemos nossos sonhos
Tenhamos um final de semana realizador

23 de novembro de 2012

Sexta-feira
Final de semana a vista
Em todos os cantos já é Natal
Bençãos para nosso dia
Cheirinho bom de maresia
Sensação de pés descalços na areia
E estrelas do mar
Para no clima de Natal agente entrar

22 de novembro de 2012

Feliz Dia de Ação de Graças

De nossa casa para sua desejamos um Feliz Dia de Ação de Graças
Nos Estados Unidos na quarta quinta-feira do mês de novembro, famílias e amigos se reúnem e organizam uma refeição especial para celebrar a colheita, é o Dia de ação de graças. Imitamos a neve nas árvores de Natal, os doces e travessuras no Halloween, porque não aderir a essa simbólica comemoração?
Sempre vemos e ouvimos falar nos filmes americanos sobre esse dia e esse ano aceitei a proposta de minha amiga Beatriz para comemoramos a data seja feriado ou não, tradição ou não. Ano passado já inclui no calendário a tradição do Nhoque da fortuna em dezembro, esse ano incluo o Dia de ação de graças. Inclua você também, ainda da tempo de preparar uma ceia e reunir a família na mesa para agradecer por não nos faltar o que comer e independente da religião de cada um, dar graças pelas bênçãos recebidas durante todo o ano, dar um parto de comida a um ou mais necessitados.
Nos EUA as universidades servem uma refeição especial para os alunos remanescentes, estudantes internacionais, que são muitas vezes convidados a partilhar esse dia com as famílias locais. Uma refeição de Ação de Graças é servida aos soldados americanos no exterior e quando os americanos em casa sentam-se à mesa e dão graças, expressam gratidão pela comida a mesa, por sua liberdade, pelos sacrifícios e conquistas e se preparam para as festas natalinas e as graças e lutas que virão com o anúncio no Réveillon, da chegada de um novo ano.
Juntos como numa corrente de gratidão e boas energias agradeçamos pelas nossas colheitas, pela comida nas nossas dispensas, por poder comprar o essencial e supérfluos no supermercado, padaria, lanchonetes, pelo o privilégio de frequentar restaurantes, pelas contas pagas, por termos saúde para correr atrás de como pagá-las. Tenhamos a virtude e a nobreza da gratidão.
Sejamos cuidadosos e conscientes de nossas semeaduras, incineremos o que de ruim nossos olhos tiverem visto e nos orientemos como os girassóis na direção da luz, de Deus, da fé, do amor, da partilha, da busca e do agradecimento.
Sejamos sempre os mesmos, mas sempre melhores, mais maduros, menos complicados e mais felizes.
Que não sejamos agnósticos 
Evitemos momentos de topor
Tenhamos sensibilidade e fé
Com direito a muitos sibilos
Alguém ai sabe o que sibilar? Eu sei afinal sou passarinha. Sibilar é o mesmo que assobiar. As vezes me pego sem saber o significado de alguma palavra lida ou ouvida e tenho o hábito de consultar o que aquela palavra significa, antes no dicionário hoje nele ou no amigo Google.
Topor é ter por razões patológicas ou psicológicas a sensibilidade reduzida. Agnóstico é quem duvida da existência de Deus, é ser desprovido de fé. Os ateus negam a existência de Deus, os agnósticos alegam a impossibilidade de provar a existência. O agnosticismo pode ser definido de várias maneiras e às vezes é usado em abordagens céticas de uma maneira geral, sem ser relacionadas a fé, como resposta a determinadas perguntas.
Recado dado ao pé do ouvido, tudo explicado, ratifico o que eu acho: fé, sensibilidade e canto de passarinho não fazem mal a ninguém.

21 de novembro de 2012

A procissão passa por dentro

Foto de meu filho com meu avó
Por dentro deles passava uma procissão
Meu avó, como eu já devo ter dito aqui, era doce como um caramelo e fofo como um algodão, como diz a canção: muita graça, muito riso, meu avô sabia brincar e era tão lindo seu sorriso e tão afetuoso seu jeito de amar e ele ainda tinha um maravilhoso senso de humor de onde saiam frases e ditados que se repetiam. Como uma frase muitas vezes dita e que sempre me lembro ao ascender a primeira lâmpada ao cair da tarde: "Boa noite Cinderela! Não há santa como ela!". Posso estar enganada, mas acho que foi ele que inventou isso e  não significa absolutamente nada, mas eu repito quase que automaticamente e ele está presente a cada primeiro click da noite, seria essa a intenção dele? Vale ressaltar que as frases tinham sotaquezinho espanhol.
Ele também dizia quando nos afligíamos com a novela ou algum programa de TV: "Fiquem tranquilas, está tudo combinado!". Amava os programas de Silvio Santos, Os trapalhões e uma propaganda da Gelol (pomada para machucados), que tinha queda para todo lado, dentre elas uma pessoa que vinha correndo e caia por cima de uma banca de frutas e lá se ia tudo para os ares e era o ápice da risada dele que ficava com as bochechas vermelhas e até lágrimas caiam dos olhos, passasse o comercial quantas vezes passasse. 
Lágrimas também e palavrões dos grandes quando eu prazerosamente fazia a sobrancelha dele Sim! Eu fazia e sim ele deixava, deixava a gente cortar a unha dele, fantasiar ele, quase um cabeça de batata em nossas mãos.
Citamos tantos escritores, tantas frases filosóficas ou banais de pessoas famosas ou até de anônimos e com certeza temos pérolas ouvidas na nossa infância, no nosso dia-a-dia que por vezes passam despercebidas, por vezes não, mas raramente usamos em cartões, cartas e publicações. Eis-me aqui para corrigir isso.
Esse ditado da procissão é ótimo, as vezes há muito floreiro por fora, declarações de fé, amor, devoção e por dentro pão bolorento. Que as procissões passem por dentro da gente.

20 de novembro de 2012

Meu sorriso negro
Acompanhado do desse garotinho da foto
Um riso radiante e contagiante
É meu desejo para o dia de hoje
Hoje é dia da consciência negra e a data foi escolhida, para quem não sabe, por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares. Penso que na Bahia, mais do que em qualquer estado devia ser feriado, devia haver festa de rua. Devia ser uma data para enaltecer, agradecer, demonstrar respeito e consciência da importância dos negros na nossa história, na história do nosso estado, da nossa cidade, a presença negra na nossa garra, gingado, fé, festas, vocabulário, culinária, na nossa cultura.

19 de novembro de 2012

Coragem e gratidão

Para começar as semanas tento sempre escolher palavras, imagens, poemas, letras de música ou escrever algo, seja um desejo ou uma crônica inteira que me adoce e encoraje e adoce e encoraje a quem por aqui passar.
Desejo hoje que na nossa jornada diária queiramos e lutemos sempre pelo melhor, que busquemos nossos sonhos e realizações, mas ao mesmo tempo agradeçamos a vida que temos. Muito triste famílias inteiras na Espanha sendo retiradas de suas casas, sem ter para onde ir. Ações de despejo, desemprego, desespero. Agradeçamos por nossa casa, pela comida a nossa mesa, por ter um emprego ainda que não seja o ideal, por ainda que sem grana para supérfluos,  conseguirmos pagar as contas ou até mesmo parcelar elas.
Agradecimento, coragem, realização e oração pelos que passam por situações difíceis. Que a força de dentro seja maior que todos os ventos contrários.

18 de novembro de 2012

"O universo parece-me mais com uma grande ideia 
Do que com um grande máquina"
Disse James Jeans e eu assino embaixo
Boas ideias em nosso domingo
Para nossa semana
Em nosso infinito particular
E no universo ao nosso redor

16 de novembro de 2012

Recebi essa imagem de Norminha
Palavras e carinho em forma de orvalho
Para hoje e todo dia
Palavras escritas ou faladas
Sejam duas ou tres
Em frases ou orações
Através de imagens ou gestos
Vindas do coração
Uma sexta de palavras escolhidas
Bençãos e graças
Afeto, esperança e ternura
"Palavra
Tenho que escolher a mais bonita
Para poder dizer coisas do coração
Toda palavra escrita, rabiscada
No joelho, guardanapo, chão
Ponto, pula linha, travessão"
Teatro Mágico

15 de novembro de 2012

Vamos conversar?

Escolhi essa imagem por achar a menina parecida comigo 
A muitos anos atrás me custa ratificar
E o vestidinho amarelo é em homenagem a minha irmã Susana
Lá em casa somos 3 meninas e um menino 
E para cada cria minha mãe escolheu uma cor para as roupas e as coisinhas
Não algo rígido, apenas uma referência
A minha cor azul (incorporei diga-se de passagem)
A de Susana, a primogênita, amarela
Hoje para mim não é o dia da Proclamação da República, pois desde que me entendo por gente hoje é dia do aniversário de minha irmã Susana. A mais velha e portanto a mãezona, como via de regra e talvez pela data da chegada uma pessoa independente e de proclamações, promulgações e regrinhas mil.
Quando pequena ela colocava um mão no queixo e a outra atravessada embaixo e numa pose de autoridade e charme dizia: Vamos conversar?
Tia Nana para meu filho e será para o sobrinho recém-chegado tem um apelidinho fácil de pronunciar, mas eu deixo, afinal sou admiradora da hierarquia.
Nada de barulho, tv ou som alto quando ela acorda e nem conversa quando ela está comendo e nem pense em pegar carona com ela e não colocar o cinto.
Das histórias de muitos tempos atrás, dos prédios e da casa onde moramos, da casa da Tia Nélia até as histórias e as nossas casas de hoje em dia, afinal o tempo não para como dizia Cazuza de quem ela foi fã, muitas conversas, broncas, aprendizados rolaram.
Hoje faço uso desse meio de comunicação para declarar e proclamar que ela e todas as irmãs mais velhas parem de tomar conta de tudo e de todo mundo e se joguem na buraqueira, se comportem como as mais novas ou as do meio, façam coisas erradas, sejam egoístas  digam nãos que não virem sim após o senso de responsabilidade se manifestar.
A você minha irmã meu carinho, minha admiração, para ser a sua altura vou parafrasear Shakespeare que disse que as ideias das pessoas são pedaços de sua felicidade, você e suas ideias, sua doação, sua amizade são pedaços da minha felicidade. Obrigada! Vamos sempre conversar.

14 de novembro de 2012

“O homem amadurece quando reencontra 
A seriedade que demonstrava em suas brincadeiras de infância”
Achei essa reflexão bem interessante
A leveza e os aprendizados da infância
As lições das brincadeiras
A seriedade
Somadas a maturidade
As estratégias e experiências
Adquiridas com a idade
Tudo junto e misturado
Receita para boas jogadas
Passos, saltos
E uma maturidade feliz

13 de novembro de 2012

Desmistificando mitos

Para mim até outro dia e para muitos, Édipo, filho de Laio e Jocasta é sinônimo de encesto ou de complexo. Freud explica essa correlação desvirtuada, na verdade Freud criou o mito sobre o mito quando deu o nome de Complexo de Édipo ao apego e paixão de meninos por suas mães e assim popularizou o personagem. Mas essa é uma leitura da história, uma visão limitada e adjacente de um mito que fala justamente sobre não enxergar.
Segundo a lenda grega, Laio, o rei de Tebas em uma consulta ao Oráculo de Delfos foi alertado sobre uma maldição: seu próprio filho o mataria e se casaria com a própria mãe. Por tal motivo, quando o menino nasceu o pai o abandonou ele preso com pregos nos pés em um monte. O menino foi recolhido por um pastor que passava e o batizou como "Edipodos", o de "pés-furados", que foi adotado depois pelo rei de Corinto e voltou a Delfos.
Em uma consulta ao tal Oráculo, Édipo a maldição lhe é apresentada: ele mataria seu pai e desposaria sua mãe. Achando se tratar de seus pais adotivos, foge de Corinto e no caminho, encontra um homem que o destrata e com quem briga e sem saber que era o seu pai, o mata.
Havia uma Esfinge que aterrorizava Tebas e ela lançava desafios e Édipo conseguiu responder a suas perguntas, derrotar o monstro e segue para sua cidade natural onde casa-se "por acaso" (já que ele pensava que aqueles que o haviam criado eram seus pais biológicos) com sua mãe, com quem teve quatro filhos.
Quando Édipo consulta novamente o oráculo, por ocasião de uma peste, Jocasta e Édipo descobrem que são mãe e filho. Ela se mata e ele fura os próprios olhos.
Em um único mito, muitos aspectos a serem abordados, analisados, muitas reflexões e uma delas a de como assumimos a leitura, visão, impressão de algo a partir de rótulos, Édipo não ficou deixou de enxergar quando furou os olhos, ele na verdade sempre foi cego.
Que não haja armadilhas em nossos caminhos, em nossas escolhas e principalmente que não sejamos cegos com plena visão, no que diz respeito a nossos sentimentos, aos dos outros, a nosso papel na sociedade, na preservação da natureza, na educação de nossos filhos, no cumprimento dos nossos deveres sociais e morais, além dos que os olhos alcançam.

12 de novembro de 2012

Passando rapidinho
Para desejar uma semana de cantos e encantos
Leve como uma brisa
Ou forte como uma ventania
Que o tom seja de cantoria
Que bons ventos soprem a nosso favor
"Os tristes acham que o vento geme
Os alegres acham que ele canta"
Luiz Fernando Veríssimo

9 de novembro de 2012

Prendada e agradecida

Imagem de Seu Davi Alves Correa, empalhador de cadeiras que achei na internet
Sou da época em que era divertido e útil aprender trabalhos manuais, aprendi em casa, na casa de minha Tia Nélia, na escola. Era terapêutico ainda que eu não soubesse.  Sei colar, recortar,   trançar, desenhar, criar, consertar, passar, lavar, tratar peixe. Desenvolvi habilidades manuais e sensoriais e sou grata por cada um que me ensinou e por quem ainda me ensina, pois não canso de aprender.
Muita coisa eu aprendi com meu pai, seu Guillermo, um concertador e inventor nato, além de padeiro, confeiteiro, jardineiro, conhecedor e narrador de muitas histórias de filósofos, reinos, mares e personagens clássicos da literatura espanhola e mundial.
Tão poucas crianças, meninos e meninas, pequenos e principalmente os adolescentes de hoje se interessam ou são incentivadas a aprender um trabalho manual. Ai na maior idade , imagino, seguirá esse desdém, acompanhado da falta de prática e da falta de destreza próprias da idade avançada. E então, o que fazer? Ser pessoas ranzinzas, se aventurar em aprender antes tarde do que nunca ou se limitar a ficar navegando nas redes sócias de dia e ir para baladas a noite, o que não acho que seja uma boa ideia.
Lá dos idos de muito tempo atrás, moça prendada bordava, cozinhava e outras coisinhas que preparavam suas habilidades para ser uma boa esposa, dona de casa, mãe de família e no futuro uma avó ocupada e dinâmica. Os homens sabiam sem exceção a regra, concertar coisas, faziam tarefas que representavam sua masculinidade, habilidades e ainda eram cavalheiros. Perdoem-me as feministas e toda modernidade tão suada, mas bons tempos aqueles. Uma correção aqui e outra ali, no que tange a submissão e diferenças infundadas de direitos, tudo estaria indo muito bem obrigada.
Meninos hoje não jogam gude, não empinam pipa, não tem paciência com nada, nem veem nenhuma utilidade em tais brincadeiras que não ganham bônus e não podem publicar, nem ninguém curtir. Meninas não trocam papéis de carta, pulam corda, brincam de bambolê, boneca ou casinha. Tudo coisa de menininha boba.
Não vejo mais anúncios e o ofício manual e fascinante de empalhar cadeiras, não vejo mais engraxates. Tá feio? Sujo? Passa um pano ou joga fora e compra outro, são de péssima qualidade mesmo.
Até pipoqueiros ando vendo poucos por aqui e por ai. Será que só vai existir pipoca das do cinema num futuro próximo? Aquelas que custam o preço de um sanduíche e só tem porção monstra, sem aquela manteiga derretida, sem opção de colocar coco ralado, queijo ralado, leite-moça e outras esquisitices tão prosaicas.
Cadê os amoladores de tesouras, que passavam com a máquina de fiar, tipo um monociclo, que apitavam ou tocavam uma musiquinha. Cadê os vassoureiros e os vendedores de coisas em tabuleiros na cabeça que passavam gritando pelas ruas?
Por aqui havia um tal de Acaçá. Já ouviram falar, comeram, sabem o que é?

Eu não sei o que era, mas comia, de leite e de milho e adorava. Minha não dizia que fazia mal, que não sabia de onde vinha e todos esses cuidados apocalípticos de hoje em dia. Eu também comprava picolés desses que também não vejo mais pelas ruas, vendidos em isopor, que iam muito além de sabor chocolate e morango. Tinha de tapioca, umbu, tamarindo e o preço era uma delícia.
"Pinga gota a gota o sentimento
Que escorrega pela veia
E vai bater no coração
Quando vê já foi pro pensamento
Já mexeu na sua vida
Já varreu sua razão
Acelera a asa do sorriso
Muda o colorido
Vira o ponto de visão"
Lenine

8 de novembro de 2012

Dia desses confessei aqui que ando me policiando e treinando deixar passar algumas borboletas. Não! Não vou deixar de ter olhos de poesia, mesmo porque isso não se treina ou escolhe, está grudado além de nossas retinas. O que eu quis dizer e tenho praticado, minha amiga Sheilinha bem traduziu através das palavras de Adélia Prado.
“De vez em quando Deus me tira a poesia
Olho pedra, vejo pedra mesmo
O mundo, cheio de departamentos
Não é a bola bonita caminhando solta no espaço”
Há momentos em que devemos e até precisamos enxergar com olhos de poesia, imaginar, idealizar, colorir, há outros porém em que a realidade tem que ser vista como ela é. Sejam os acontecimentos cotidianos ou questões sociais, políticas, violência, guerras,  intolerância, preconceito ou até o cuidado com  nossa saúde, com as pessoas que amamos e com o que é nocivo a nós e a elas.
Penso que é saudável ter esses dois tipos de olhares, olhos vivos, atentos, coerentes, sensatos, para ver as pedras e também olhos que piscam, fecham, sonham, vêem flores, joaninhas, borboletas, passarinhos e poesias.

7 de novembro de 2012

Amo essa foto de meu filho
Essas e todas...rsrs
Lembrei dela quando li um post
Sobre o livro "A elegância do ouriço"
De Muriel Barbery
Clica aqui para ver o post
A autora do livro aborda diversos temas contemporâneos
Através de ironias delicadas e reflexões filosóficas
Tempo e eternidade
Beleza e Envelhecimento
Justiça, Ética e Psicologia
Uma zeladora de um prédio chique 
Que tem mais finesse e conteúdo
 Dos que as pessoas sofisticadas que ali residem
Muitas pessoas são como ouriços
Por fora espinhos, por dentro delicadeza
Outras são belas e fascinantes como água-vivas
Mas queimam
“Além do que se aparenta
Há o joio, mas também o trigo”
Há que se prestar atenção
Nas coisas, nas pessoas, na vida
Além das aparências ruins ou convidativas demais

A gota d´água

Vídeo que por enquanto ainda não foi proibido
Mas também não foi divulgado
Vozes sonoras de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown
Depoimentos de vários artistas
Que acompanhamos na tv, no cinema
Nas suas vidas pessoais
Que tal acompanhá-los nessa causa?
Apoiando e divulgando
Manipulação de informação é a gota d´água
Alienação é a gota d´água
Falta de informação é a gota d´água
Assista, se informe

6 de novembro de 2012

"O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e a esquerda
E de vez em quando olhando para trás
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto
E eu sei dar por isso muito bem
Sei ter o pasmo essencial que tem uma criança
Se ao nascer reparasse que nasceras deveras"
Alberto Caeeiro

5 de novembro de 2012

Td dia é dia de cultura

Hoje é comemorado o Dia da Cultura Brasileira em homenagem a Ruy Barbosa, nascido em 5 de novembro de 1849. Dia de cultura é todo dia e valorizar, viver, ensinar, alimentar a cultura é papel de todos nós, a cultura está no povo e o que deve ser cobrado e vigiado são as condições necessárias, para sua preservação e manutenção.
É nosso o papel da valorização pessoal e disseminação da nossa cultura, seja entre nossa família, sucessores, amigos ou além fronteiras, bem como deve ser nosso o interesse e reconhecimento do valor e significados das culturas de outros povos, países e civilizações do presente e do passado.
A cultura brasileira reflete os vários povos que constituem a nossa demografia. Somos um pais miscigenado, dinâmico, criativo, produtivo e nossa cultura é portanto peculiar, múltipla e rica.

Múltipla Sampa







Aquela história de que um bêbado ao chegar a uma cidade vê vários bêbados, grávidas ao andarem nas ruas avistam várias grávidas, é válida. Ainda que não seja preciso ser pichador para ver pichações, nem oriental para ver orientais por toda parte em São Paulo, aspectos como: lugares, culinária, arquitetura, cultura de um modo geral são escolhidos e julgados por nós a partir de quem somos e do que gostamos seja na múltipla Sampa ou em qualquer lugar.
Como tenho gostos tipo dupla-face, tipo desejo de ir ao Mercado municipal e a Laudreé (Filial da famosa doceria francesa, recentemente aberta no refinado Shopping JK), para conhecer tudo que tenho vontade em SP, uma semana eu imaginava, seria necessário, mas apenas 2 dias é o que tínhamos. Diga-se que marido, filho e amigos se dispuseram as máximas realizações possíveis em tão pouco tempo e a minha constatação após 50% do planejado: muitas outras coisas entraram na lista, um mês ainda seria pouco.
De estranho para mim destaco a segmentação das tribos, bairros, grupos, espaços. Em Salvador seja nas praças, bairros, bares, há skatistas, futebolistas, bahias e vitórias, patricinhas, roqueiros e pagodeiros numa mesma roda, sem barreiras, sem desperdiçar a oportunidade de troca, de misturar.
Fiquei me perguntando se quem mora em Sampa aproveita tudo que acontece por lá e acho que nós aproveitamos mais os lugares quando somos visitantes. No lugar que é nosso, deixamos para outro dia e as vezes ignoramos pontos turísticos, cartões postais, lugares, sabores, eventos tão ao nosso alcance.
O Salão do automóvel, evento organizado e gigantesco é um atestado de que brasileiro é mesmo apaixonado por carros, muita gente, de todas as idades, todos fotografando, babando, olhando, viajando, se espremendo entre pneus, portas, roncos de motores, marcas centenárias e muitas novidades. Na noite dessa maratona automobilística, para contrapor, fomos a uma vila interiorana no meio da cidade de pedra, Avanhadava, território da família Mancini, com luminárias de papel, fontes, comida italiana, música e até mágico. Um lugar encantador.
Eu não fui na Sé, não fui ao MASP (mas passei na frente dele), não fui pela segunda vez ao Museu da Língua Portuguesa, nem a Pinacoteca, muito menos cheguei perto do Jardim Botânico,  Zoo, Ibirapuera ou da Liberdade.  Não tínhamos tempo de entrar parar conhecer um lugar que achamos lindo só de passar pela entrada, o Parque Trianon (de frente ao MASP), nem de ver uma exposição de Silvio Romero em um espaço de arte dos muitos na Av. Paulista, nem dava pra encaixar a apresentação de Stand-up de Marco Luque, que ouvimos anunciar no rádio, mas fomos a Fnac da Paulista, encaramos a 25 de março (totalmente fora dos planos), andamos pela Rua Augusta a bem menos que 120 por hora, rumo a nada tradicional Caos, famosa loja do programa do canal History. Em menos de 10 minutos lá dentro senti uma vontade incontrolável de arrumar tudo aquilo e de convencer meu irmão a abrir uma loja daquelas com tudo que ele guarda e coleciona, seja para os cenários, seja por prazer mesmo. A ideia de ir lá foi de meu filho e ele adorou, se sentiu na TV.
Um parêntese: esqueçamos o preço da bandeirada e o trânsito de SP ( o de Salvador anda bem pior), em meio aos milhões de taxistas da grande capital, pegar um táxi com um baiano foi se sentir em casa, 40 anos em SP e o sotaque, o bom humor e os ares da Bahia, ali, fervilhando como acarajé no azeite. Andamos também com um outro meu, paulista, corintiano, cheio das notícias e histórias e garanto, que se alguém se dispuser a pegar junto com os táxis, lápis e papel, muitas crônicas nascem de cada ida e volta.
O Mercado Municipal como disse em tom poético um amigo que foi conosco “é lindo”. Eu adoro feiras, peixes frescos, camarões, bacalhau, frutas, verduras, caixotes de madeira pra lá e pra cá. Me realizei de ir lá. Muitas frutas diferentes, tudo muito organizado, o desejo realizado de ver e provar amoras, que essa semana vão virar torta, enfim, meu lado simples ficou realizado.
Meu lado chique ficou encantado com os macarrons da francesa e centenária Laudreé, com o sorvete italianíssimo da Baccio de Latte (sorveteria italiana), com as maquiagens, cremes e perfumes da Sephora, com as bolsas e sofisticação da Prada e com toda a finess do Shopping JK.
Há glamour e simplicidade, prédios centenários e novas construções, arquitetura clássica e moderna, cultura e ócio, frutas tropicais e petites importados, orientais, nordestinos e paulistas, engarrafamentos e lugares vazios, pedras e flores em São Paulo.

1 de novembro de 2012

Rumo a SP

“Somos seres enraizados. Moramos a vida inteira na mesma cidade, mantendo um endereço fixo. Nossa movimentação é restrita: da casa para o trabalho, do trabalho para o bar, do bar para a casa, com pequenas variações de itinerário. Essa rotina vai se firmando gradualmente, e um belo dia nos damos conta de que estamos vendo sempre as mesmas pessoas e conversando sobre os mesmos assuntos", boa reflexão, das muitas de Martha Medeiros.
Há segredos, aprendizados, horizontes que se revelam quando nos pomos em movimento. Estou indo me por em movimento, na movimentada Sampa, mas volto segunda, com muitas histórias para contar. Até!
Olá novembro!
Seja bem vindo e que seja bem vivido
Que as folhas secas o vento leve
Que nossas esperanças sejam renovadas
E tenhamos os corações abertos
Que venham as decorações dos Shopping
Anunciando a chegada do Natal
Os enfeites
Os preparativos
O som dos guizos
O sentimento fraterno entre as pessoas
O inicio dos balanços do ano que se passou
E planos para um ano novinho que virá
Que seja um doce novembro
E que os próximos sejam sempre mais doces