20 de fevereiro de 2013

Empatia, amizade e fé

Recebi na segunda-feira por e-mail a crônica de Martha Medeiros que segue abaixo, cujo assunto é empatia. Quem me enviou foi uma amiga que fiz aqui pelo blog, Maria Célia é o nome dela. Uma criatura simpática, doce, inteligente e que agora está sendo uma guerreira, uma passarinha por quem estou orando para lutar e vencer,  destemida, como o pássaro da imagem acima.
Ser Maria para mim, nome de minha avó, já encerra uma grande magia, como canta Milton Nascimento: "É preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre. Quem traz no corpo a marca Maria, mistura a dor e a alegria. Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre. Quem traz na pele essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida."

"As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para ser empáticas, e algumas talvez nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreendê-lo emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não sintonizar com alguém, mas nada impede que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado jeito, o que o faz sofrer, os direitos que ele tem.
Nada impede? 
Foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada, que para ela só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um segundo olhar. Narciso acha feio o que não é espelho.
Ele se retroalimenta de aplausos, elogios e concordâncias, e assim vai erguendo uma parede que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes se voltem para essa agressão gravíssima. Se pisarem no pé do outro, é porque o outro fez por merecer. 
Afora o narcisismo, existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não circulam, não possuem amigos, não se informam, não leem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes tornam-se preconceituosas e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que possua hábitos diferentes será criticado em vez de respeitado. Os ignorantes têm medo do desconhecido. 
E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de pensar no bem público, colocam seus próprios interesses acima do de todos, e aí os exemplos se empilham: políticos corruptos, empresários que só visam ao lucro sem respeitar a legislação, pessoas que “compram” vagas de emprego e de estudo que deveriam ser conquistadas através dos trâmites usuais, sem falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar em vaga para deficientes, terminar namoros pelo Facebook, faltar compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas “coisinhas” que se faz no automático sem pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou magoado.
É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza etc. e tal. Para muitos, puxar uma cadeira para a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair, basta. Sim, somos todos gentis, mas colocar-se no lugar do outro vai muito além da polidez e é o que realmente pode melhorar o mundo em que vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na vida alheia. Logo, sejamos mais empáticos do que simpáticos.
Ninguém espera que você e eu passemos a agir como heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma corrente de acertos e de responsabilidade – colocar-se no lugar do outro não é uma simples gentileza que se faz, é a solução para sairmos dessa barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato."

9 comentários:

  1. Oii Tina, vim conhecer o seu blog e ficar com vc, amei um trecho desse texto que fala que as "pessoas que não circulam... permanecem na estreiteza da sua existência", pura verdade! as pessoas confundem muito simpatia com empatia! Adoro a Martha, e parabéns pelo conteúdo riquíssimo do blog! Bjooos

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  2. Para Maria Célia, força. fé . Os momentos estão temporariamente difíceis e as vibrações positivas e os amigos físicos e virtuais certamente ajudarão.
    Bom dia cercado de empatias e simpatias.
    Bj

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  3. Tina,
    Eu AMO essa crônica da Martha, na minha humilde opinião é uma das melhores,
    excelente escolha.
    um beijo.

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  4. Adoro passar por aqui todas as manhãs.
    Minha mãe MARIA e eu: Angela MARIA.
    "È preciso ter sonho sempre!"
    Beijos

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  5. Amada Tina,

    A imagem fala por si só.
    As palavras traduzem.
    Bate acelerado meu coração.
    É emoção.
    Soma a ela a gratidão.
    Nesta conta, o final se resume ao primeiro parágrafo do texto em questão.
    Uma chuva de água benta para você...
    Pombinha da paz e do amor.

    Maria Célia

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  6. Arrepiadinha da silva, é assim que estou depois de ler o posto de hoje. E eu sou Maria Beatriz, trago na pele esta marca, possui a estranha mania de ter fé nesta vida... E muito obrigado por ter me dado o título de rainha do Bom Dia. Na verdade, rainhas são vocês que me visitam. Para você, um abraço empático.

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  7. Olá!
    Rezaremos por sua amiga Maria Célia, com certeza ela vencerá a batalha, Jesus está com ela.
    Que texto maravilhoso, para pensar e agir sempre.
    Vamos lá procurar ser melhores que somos e sermos mais 'empáticos'.
    Um grande beijo em seu coração Tina querida.

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  8. Colocar-se no lugar da outra pessoa é uma coisa que pouco se vê. É uma pena, que assim seja.
    Vamos orar por sua amiga Maria Célia.
    Beijos.

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  9. Tina, a gente sempre tem que estar aberto a ouvir certas coisas, mesmo que sejam repetidas. Essa sua postagem cutucou o meu coração e eu pude perceber que acho linda a empatia. Bato no meu peito por isso, mas no exame de consciência...no eu comigo mesmo...não tenho feito nada disso. Nem por maldade e nem por preguiça moral. Por falta de "desconfiômetro" mesmo. Uma salva de palmas prá você (em pé) pela inspiração do momento certo de postar isso. (Embora eu não conheça a história da Maria Célia - Deus conhece - vou rezar bastante por ela.
    Abração
    Manoel

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