14 de maio de 2013

Mudanças e caos

Assisti a uma matéria no Globo News que falava com tom de total compreensão e apoio, sobre uma resolução lá na terra do Tio Sam, de ser opcional a cada estado ensinar a letra cursiva no processo de alfabetização e sobre o desuso da mesma e portanto exclusão de forma definitiva. 
Um dos apresentadores versou veemente, cheio de argumentos e empatia por parte dos outros 3 contra a letra  cursiva, que ninguém mais usa, que não tem sentido e que os motivos de quem defende não tem fundamento comprovado.
Eu escrevo com os dois tipos de letra, escrevo a cursiva com total gosto, destreza e escutando a voz de minha professora de alfabetização, subindo o l, descendo a perninha do g. Também sou ótima para fazer cópias de letras de estilos diversos, das tipo deitadas e magrelas as rechonchudas, sou como o seletor de fontes do Word é só escolher que sai igual. As que adoro fazer sãos as maiúsculas com gracejos, tipo de convite de casamento.
Para não me estender muito e dar a voz ao público, que pode ser contra a minha opinião, afinal não sou dona da verdade, eu penso que a letra cursiva é de total utilidade, seja pela representatividade na assinatura de cada um, como um símbolo pessoal, como traço da personalidade, haja vista a existência da grafologia, que não me admira será questionada e subjugada, seja por que treina a coordenação motora, ensina sobre a prática do uso das letras minúsculas e maiúsculas em nomes próprios, abreviações etc.
Sem falar que as letras cursivas são uma marca gráfica, histórica, cultural e atemporal. Mas há tanto sendo retirado e mudado em prol da praticidade. Agora, por exemplo, para quem não sabe, em muitos lugares, no processo de alfabetização, não é mais necessário que a criança saia escrevendo. Lendo já é o bastante e nem precisa ser bem.
E os pais compreendem, quanto menos trabalho para eles e crianças aprovadas melhor, é o senso comum. E as crianças se enchem de "razão" com suas mentes destinadas a limitação, que para usar computador e vídeo game, não precisam saber escrever, só ler. Um aluno quando eu ensinei, me disse: -Pró, não preciso saber ler e escrever, vou ser jogador de futebol. Dei uma enorme resposta, mas me fiz várias perguntas e lamentei.
Quem sabe daqui a uns anos a nossa língua oficial passe a ser o inglês, pois jogos e programinhas de celular são em inglês, para as redes anti-sociais é um facilitador, afinal com tanto senso de urgência, gosto por praticidade e carência de sentidos, usar o Google tradutor vai dar muito trabalho.
Não se tem mais fitas e nem cds ou dvds de músicas, até mp´s estão em desuso  e  se faz bem poucos álbuns de fotos físicos, muitas pessoas não compram mais livros, simplesmente baixam (e geralmente nunca leem). Enfim, tudo é armazenado na internet para facilitar e com isso se perde o tato, as gavetas, as caixas, pastas, cheias de trecos que alegram, que são lembranças para posteridade ou boas companhias para dias sem luz ou sem conexão.
Dentro dessa facilitação e desapego a tudo que sempre foi como foi e sempre teve um porque: Para que aprender a ler? Programas, livros, tudo vai ser lido por alguém que tenha aprendido ou por uma máquina programada para tal e só será preciso escutar. Hummm! Tenho sérias dúvidas de êxito, pais já não se escuta mais. Não consigo não me preocupar com a desevolução na qual caminha a humanidade, em passos de formigas, cheia de vontades, leituras e escritas precárias.

22 comentários:

  1. Também não acredito no êxito disso tudo. Deixar pra máquinas as coisas? Sabes nos bancos quando chega a tua vez e o sistema do banco cai? Ninguém sabe fazer mais nada.Assim será! Pena! beijos,chica

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  2. A segunda palavra escolhida para o título é perfeita. Fico me perguntando se saberemos usar o tempo que toda essa urgência da modernidade nos promete dar.
    Aqui em São Paulo, algumas escolas tornam opcional a letra cursiva a partir do sexto ano.
    Nossa marca, nossa grafologia deixando de existir.
    Gostei de saber de seus dons artísticos tipo word! Essa é uma arte!
    Beijo

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  3. Tenho visto, ao longo destes anos de vida, movimentos indo e vindo. Sempre aparece alguém afirmando que daqui pra frente usar, fazer, adotar esta nova atitude, modelo ou postura vai ser melhor para a humanidade. E, na maioria das vezes, lá na frente, se faz o resgate do que foi jogado no lixo. Fique tranqüila, isto tudo dói mas um dia passa.

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  4. Oi Tina,
    O desapego tem que ter limites! Não podemos
    jogar a cultura pela janela para dar espaço para a tecnologia.
    Os dois tem que andar juntos!
    Sobre não estudar para ser jogador de futebol, eu já ouvi isso
    de um aluno (e em um colégio de alunos com poder aquisitivo alto!)
    Beijos

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  5. Nossa Tina ...que texto! Sei muito bem (na pele) sobre tudo isso que você escreveu! Tive uma séria discussão com professores na escola do meu filho que com 4 anos estava trazendo para casa tarefas para copiar palavras e mais palavras em letras "de gibi" ou então a "times new roman"...sim, letras tipográficas. E a explicação é que para as crianças lerem, elas precisam praticar a tipográfica primeiro e por último, lá na primeira série é que vão ensinar a cursiva!!! Hã!!! E escrever? Ninguém precisa? Sem contar a idade...pra que aprender a ler tão cedo? Enfim...como vc diz, o mundo americano tomou conta, dita as regras e todos aceitam e em breve estaremos falando inglês!
    Adorei o texto Tina Flor...perfeito e atual!
    Beijos e que seu dia tenha muitas formas, letras e que os Gs tenham o rabinho do gato! Bons tempos!
    CamomilaRosa

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  6. Excelente texto, Tina!
    Beijos
    Lita

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  7. Eu dou aulas e estudo aqui nos EUA e tenho que escrever sempre em letra de forma para todos entenderem. Demora muito mais pra eu escrever e tenho que ficar prestando atencao, enquanto que a letra cursiva escrevo automaticamente.
    Acho muito errado isso, acho que todos tem que aprender as duas formas de escrever sim, as criancas tem que aprender a escrever muito bem e os pais tem que pegar no pe.
    Vejo minha prima pre adolescente escrevendo mil coisas erradas no chat comigo, sempre a corrijo e me pergunto "sera que meus tios sabem disso? Sera que eles pegam o caderno dela?? Sera que eles sabem que esta errado??" e sempre me lembro da minha mae olhando meus cadernos, lendo minhas redacoes...
    Quanto ao ingles, acho dificil acontecer... Mas nao impossivel. O povo mal fala e escreve portugues hoje em dia, vivo reportando erros grotescos ate nos jornais, imagina ensinar outra lingua pra essa gente.
    Desculpe a falta de acentuacao, estou em um computador gringo =(
    Parabens pelo texto.
    Beijos

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  8. Que tristeza, só me resta dizer que tristeza a letra cursiva entrar e desuso, nem saber escrever,só ler já está bom! Que mundo é esse? Anda cada vez mais impossível de se viver nele! Credo!!! Tina, salve-se quem puder! Beijão!

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  9. É uma pena que a modernidade nos cause a sensação de perda de algo que tem muito de nós: a letra cursiva.
    Beijos.

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  10. Lindo texto Tina querida. Aprendi do modo antigo e o aprecio muito. Quero dizer: ainda estou aprendendo, é que a gente não pode parar né?
    Beijos linda flor!

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  11. Sensata reflexão, Tina.

    A letra parece algo transcendental, já que nenhuma pessoa escreve igual à outra, seja na inclinação do punho ou na força que imprime ao papel em cada voltinha, em cada letra.

    Ótima terça para você!

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  12. Tina, concordo com tudo o que vc escreveu.
    O que será do nosso futuros né? Filhos, netos...?
    Daqui a pouco as crianças entraram na escola e ao invés de vir caderno normal, de desenho na lista de materiais... Vai vir tablete, notebook... Sou a favor da escrita, letra cursiva com certeza!

    Beijão Tina, semana linda e iluminada para vc!

    Nanda

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  13. Quando minha filha mais velha fez alfabetização o método usado se eu não me engano era o método predominantemente analíticos – “PALAVRÃO” O aluno aprende algumas palavras associadas às suas imagens visuais. É usada a memória visual. Depois que o aluno já reconhece algumas palavras, estas são divididas em sílabas para formar outras palavras.
    Quando chegou no meio do ano percebi que aquele método não ia dar certo pra minha filha mais velha. Ela ainda não sabia ler nada. Conversei com outros pais e todos reclamaram, pedimos uma reunião e o que ouvimos foi... Se eles não aprenderem agora vão aprender nos anos consecutivos. Não gostei nada daquilo e resolvi tira-las da escola no meio do ano. O Sr. Biet foi contra e depois de varias discussões entre eu e ele, resolvemos deixa-las na mesma escola. Resumindo; final de ano, e nada de leitura. Tive que muda-las de escola e penalizar a menina fazendo a alfabetização tudo de novo. detalhe... fui criticada por muitos. O que quero dizer com tudo isso é que vc fez uma critica muito apropriada para aos dias atuais. E o grande problema disso tudo é que têm pais que não percebem isso porq não têm condições de fazer uma avaliação como a sua como a minha. O problema é muito mais grave que imaginamos. O MEC e demais órgão deveriam cuidar disso com mais carinho, ou será que todo isso que vc nos mostrou é uma estratégia politica de formação de cidadãos?

    Beijos flor!

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    1. Super-Alê, você tem razão e foi bem colocado esse seu depoimento. Perceba que para nós, quem sabe assinar o nome não é analfabeto, contudo conhecemos muitas pessoas que sabem assinar o nome, conseguem ler um trecho de qualquer coisa e infelizmente não conseguem explicar o que leram.
      Conclusão: Devem ser colocados entre os analfabetos ou não alfabetizados. Não conseguem se expressar pela escrita. Se você for ver o percentual disso, é vergonhoso. É até politicamente incorreto, kkk!
      Beijos
      Manoel

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  14. Sobre a nossa língua mãe por Manoel de Barros
    A LÍNGUA MÃE

    Não sinto o mesmo gosto nas palavras:
    oiseau e pássaro.
    Embora elas tenham o mesmo sentido.
    Será pelo gosto que vem de mãe? de língua mãe?
    Seria porque eu não tenha amor pela língua
    de Flaubert?
    Mas eu tenho.
    (Faço este registro porque tenho a estupefação de não sentir com a mesma riqueza as palavras oiseau e pássaro )
    Penso que seja porque a palavra pássaro em mim repercute a infância
    E ouseau não repercute.
    Penso que a palavra pássaro carrega até hoje
    nela o menino que ia de tarde pra debaixo das árvores
    a ouvir os pássaros.
    Nas folhas daquelas árvores não tinha oiseaux
    Só tinha pássaros.
    É o que me ocorre sobre língua mãe.

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    1. Pois é, me ocorre o mesmo.
      Como me ocorre ao pensar em escrita, as letrinhas desenhadas, maiúsculas e minúsculas (adoro essas duas palavras), a escrita do próprio nome, bilhetes, cartas, de um jeitinho próprio, cursivo.

      Digitais era coisa de analfabetos e agora tá virando coisa chique. Eu hein!

      Não conhecia o texto. Adorei!

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  15. Super texto,Tina!É uma pena esse descaso com a letra cursiva e com a educação em geral.Fico me perguntando aonde iremos parar desse jeito? Seremos todos robôs, sem compreensão, sem opinião,o que me entristece demais!bjs,

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  16. Tudo muda mas até aonde vamos não sei dizer, se é melhor ou não?
    Beijo Lisette.

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  17. Tina, para dizer a verdade, eu acho ridícula essa discussão dos americanos.
    O pessoal está querendo apagar a memória da história. Nào adianta agitar esse tipo de coisa porque não vai ser aceito pelo próprio usuário. Você deve se lembrar quando resolveram que o mundo inteiro falaria ESPERANTO. Muitos começaram a estudar e eu até conheço pessoas que falam e escrevem nessa língua, mas não deu em nada.
    O latim que é uma língua morta, a toda hora somos surpreendidos con citações e mais citações (Amem - por exemplo). Está firme aí porque é a mãe da nossa língua.
    Então o Latim, o Grego,..., estão firmes no pedaço e me aparece alguém querendo "proibir" a letra cursiva. Em pleno século 21 me aparece isso.
    Se depender de um depoimento meu, todos os meus relatórios de trabalho, principalmente os de auditoria são feitos em letra cursiva (de próprio punho) para que se garanta a confiabilidade do trabalho.
    Enfim...vamos deixar o pessoal brigar. Devem estar distraindo a gente por causa de coisas muito mais importantes (que interessa a nossa ignorância sobre as mesmas).
    Garanto que nosso amigo pipoqueiro não vai se abalar com isso!
    Abraços para vocês
    Manoel

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  18. Esses assuntos me deixam indignada.
    Eu fui muito bem alfabetizada pela tia Zezé. Lembro que ela contava historinhas de cada letra. Ensinávamos a desenhá-la. Até hoje eu lembro da história sobre o p / b e quando usa o m ou n antes de cada um.
    Acho a letra cursiva fundamental nesse processo. Como você disse, é a nossa identidade.
    Eu uso a letra de forma por achar ela menos feia que a minha cursiva. Mas foi uma opção.
    Eu sou a favor da escrita. Sou a favor de cadernos, de canetinhas, adesivos feitos pelas irmãs e de professoras que corrigem os cadernos e colocam recadinhos e estrelinhas.

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    1. P.S.: O deixa lá em cima é no singular. :P

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  19. Uma discussão por parte deles que parece ter surgido na falta de ideia do que discutir.
    A letra cursiva é uma forma de nos caracterizar e o processo de aprendizagem dela é benéfico para nossa coordenação, assim como você comentou em seu texto.
    É a mania do desuso. Sempre estão querendo matar e colocar alguma coisa no museu. E pelo que me parece não é só falando de tecnologia. Até a bendita forma de escrever já querem aposentar.
    A internet tem os prós e contras, mas é preciso que ela já seja encarada quando a criança tiver toda a base de escrita e leitura. Do contrário a criança pode ser prejudicada... Inclusive por essas leis que tentam mexer no que não tem que mexer.

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