9 de maio de 2013

O valor dos clássicos

A fotografia é de Paula Gomes
O fotografado, menino e palhaço é Jonas Laborda
"A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo", disse Maiakóvski, poeta russo. O espetáculo circense, a música, a dança e tantas outras manifestações artísticas, como a literatura são ferramentas de moldar e a literatura infantil em particular é um martelinho forjador de mentes e corações.
"Que mudanças teve a literatura infantil nos últimos 50 anos?
Como eram os livros infantis do século passado e como são os de hoje?" 
Estive pensando sobre essas perguntas que vi em uma matéria da Folha de São Paulo e acho que a literatura mudou muito e para pior no universo dos livros infantis, que são cheios de nada e vazios de essências e simbologia. Assim como os espetáculos circenses, que perderam muito de sua essência por tirar e botar daqui e dali  e ceder a exigências, críticas, modernices e insensibilidades.
Os contos de fadas nada mais são que narrativas curtas com papel lúdico explícito e papéis adjacentes como transmitir conhecimento, valores culturais, morais e cujos temas não devem apenas se referir ao presente, o leitor precisa ler sobre o que lhe cerca e precisa dar uma viajada no tempo e no espaço, para se encontrar, para criar referências.
Personagens e situações que façam parte do passado, do futuro, do imaginário são de extrema importância. Fiquei indignada ao ler uma matéria que não merece referência sobre a falta de necessidade e propósito de as crianças estudarem tantos fatos históricos e que cada uma procuraria informações na medida de seu interesse quando achassem oportuno. A mesma opinião dantesca para os contos clássicos, descritos como ultrapassados por uma mente nada brilhante (e o que me assusta é que há outras que concordam). Exclamei a medida que li, com o perdão do vocábulo: - Que merda é essa!
Cenários, histórias, situações do cotidiano, do nosso universo e de universos e mundos além de nós, são importantes, tem um papel, uma intenção, como a de apresentar diferenças, conflitos, medos, sonhos, expectativas, rivalidades, semelhanças e diferenças de gerações, as etapas da vida, a diversidade de sentimentos (amor, ódio, inveja, amizade, lealdade, coragem). Tudo isso deve ser apresentado e está presente nos contos clássicos e nos novos para oferecerem uma visão atemporal do mundo que nos rodeia e nos oferecem sugestões de lidar com ele.
Assim como palhaço tem que vestir roupas coloridas, o rosto tem que ser pintado, o nariz tem que ser vermelho.
"A literatura cria a felicidade", afirmou Cristovão Tezza, o homenageado da FestiPoa Literária, que acontecerá nesse final de semana em Porto Alegre. Eu estou com ele e acredito que os palhaços também criam e recriam a felicidade e continuarão criando, sem mudar a fórmula e a boa literatura também.
Vou trazer dia desses o conto de João e o pé de feijão, seus símbolos e simbologias, que ao meu ver é ideal para ser trabalhado na escola depois da leitura "descompromissada" da infância, com os adolescentes, extensivo aos pais.

19 comentários:

  1. Eu exclamei como você ao saber que a "moda" na literatura agora é a tal " literatura de doença" onde os personagens estão às voltas com seus transtornos modernos e cada vez mais exacerbados por aí: toc, tic, bipolar, pânico...
    Encantamento. Precisamos dele.
    Beijo

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  2. Acredito que a boa literatura liberta as pessoas, e passam a não serem simples dentes da engrenagem! abraços

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  3. OLà Tina
    mudou muito mesmo, mas os clássicos continuam fazendo sonhar até hoje, meu filho por exemplo ama as mesmas fabulas que eu escutava, quando tinha a sua idade.
    como chapeuzinho vermelho etc..

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  4. É através da leitura que nós formamos os nossos valores. É através da história que entendemos a cultura e as tradições de um povo. Se não tivermos nada disto somos capazes de criar letras assim Aaaaaaaaah lelek lek lek lek lek lek lek lek lek lek e ainda chamamos de música.

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  5. Olá Tina Flor...bom dia!!! Que frio por aqui, hehe, logo cedo e cadê o sol!
    Então entro embaixo das cobertas com vários livrinhos de contos infantis para ler com meu filhote! João e Maria, O Coelho e a Lebre e Chapeuzinho são os preferidos. Mas ele guarda com carinho o livro do Saci e Marcelo, Marmelo, Martelo...tem tanta coisa boa, tantos livros bons!
    Os clássicos adoro e algumas histórias antigas eram muito bem feitas...originais, e hoje vejo em alguns livros novos que a escola pede uma cópia da cópia, sabe aquela historinha manjada, que todos já conhecem o final...mas enfim, tem que procurar, que tem coisa boa por aí!
    Beijos com aromas de flores de laranjeira e mel! Lindo dia!
    CamomilaRosa

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  6. Como podem afirmar uma coisa dessas? É de se ficar indignado mesmo. As crianças precisam receber esse tipo de histórias para buscar por outras - e até descobrir interesse em criá-las, recriá-las, imaginá-las além. Não é do nada que elas acordarão e pensarão "hoje vou procurar por histórias que possam enriquecer minha imaginação". Não discordo que elas devam desbravar esse mundo, mas não há desbravamento se elas não forem encorajadas a tal. E mais uma vez, repito: só se encoraja por meio daquilo que conhecem por outra pessoa... Uma história ali, outra aqui. E vão formando seu próprio interesse.

    Excelente, Tina (:

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  7. Como tenho as pequenas, sinto que os clássicos deram uma sumida da escola. Criticam Monteiro Lobato,etc e tal. Mas há graça em muitos livros infantis atuais. É preciso mesclar, temos uma avalanche de literatura infantil, coisas boas, outras nem tanto, outras de jeito nenhum. Mas o circo, ainda que se modernize, não perdeu sua magia. Nós crescemos, o mundo é outro, mas as crianças, esses queridos pequeninos, ainda sonham, nos emocionam, nos ensinam. Tenhamos fé, amiga! :)

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    1. Tem sim coisas novas e boas.
      Eu citaria o Macacão espantado, de Léo Cunha a coleção Famílias malucas da Editora fundamento e tantos outros.
      Mas eu classifico esses como histórias, tipo a Bolsa amarela e tantas outras antigas e ímpares.
      Mas em se tratando de contos, com lição de moral, heróis e vilões, não contando com as animações do cinema, na âmbito dos livros, não conheço novos.

      Saber-se e reconhecer-se parte de um contexto, respeitar, conhecer, admirar os clássicos é a questão.
      Criticar Monteiro Lobato uma aberração.

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    2. Existe uma discussão na qual colocam Monteiro Lobato, como o autor racista.
      “Depois de “Caçadas de Pedrinho”, outra obra do escritor Monteiro Lobato é alvo de denúncia. O livro de contos “Negrinha”, adquirido pelo MEC (Ministério da Educação) por meio do Programa Nacional Biblioteca na Escola, também foi considerado racista e sexista pelos mesmos autores da ação contra “Caçadas de Pedrinho”, que pedem agora que a CGU (Controladoria Geral da União) investigue a aquisição da obra.”
      Eu particularmente acho isso ridículo. Mas com certeza isso vai longe!

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    3. Eu acho que tem nuances e tratamentos racistas nas falas e nas histórias de muitos autores antigos e esses tratamentos são retrato de uma época, marcas da história.
      A leitura dessas obras tem que ter a referência de tempo e espaço e suas peculiaridades são oportunidades de se trabalhar a evolução, a falta dela também, bem como a falta de preconceito em alguns casos e a desmistificação dessa paranoia de td ser ofensivo.

      Hoje tudo é preconceito e nos tornamos e tornamos nossas crianças cada vez mais frágeis, com posturas, órgãos, leis e defesas que não os defendem, os limitam, melindram.

      Aqui na Bahia, negão quer dizer querido, parceiro, amigo. Neguinha é maneira carinhosa de chamar uma amiga, a amada. Slogan 100% negro é coisa de branco, que por aqui é mais negro e sem preconceito que muito negro por ai.
      Pronto! falei!

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    4. Tina, palmas para você! É isso mesmo. Logo logo vão proibir a Bíblia. Se ignorarem as épocas, é bem provével, kkk!
      Monteiro Lobato é daqui de Taubaté e sempre foi um homem sem freios na língua. Além de escritor, tinha muita influência política. Como era "bocudo" (como se diz hoje) falava todas as verdades e foi muito odiado por aqui. E parece que por gracejos do destino, até os livros dele estão querendo proibir. Nós estamos explorando nosso petróleo recentemente e ele, antes da gente nascer, já dizia que O Petróleo é Nosso. Claro que por alguns interesses, foi ignorado. Antigamente recomendava-se a leitura do livro Urupês. Hoje não vejo mais falar nisso. Fala-se do Sítio do Pica Pau Amarelo por causa do programa de tv da rede globo e também por causa de turismo na cidade, mas... tudo deturpado.
      Depois você coloca na minha conta mais esse espaço "roubado", rs.
      Manoel

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  8. Muito legal,Tina e a boa leitura só nos faz crescer. Precisamos e desde os pequenos ser "enfronhados" nela( olha a palavra que a Ana Paula gostou!sr beijos,chica

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  9. Oi flor!

    Primeiro, quero dizer que sua visita ao meu blog foi ótima e amei, de coração. Pode visitar sempre!
    E já estou seguindo que é pra não perder seus textos e reflexões.

    Achei muito boa sua postagem, pois ainda não tinha pensado em como anda a literatura infantil ultimamente. Estou por fora completamente do que as crianças estão lendo. Vou corrigir isso!

    Beijos,

    Selma

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  10. Oie...
    Passando para te dar um beijo e um soprinho no ouvido o/
    rsss

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    1. Senti e veio com cheiro de talco. Adorei!
      :)

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  11. Eu sou apaixonada pela leitura. Quando tiver filhos quero incentivá-los a ler sempre. Incentivá-los o hábito da leitura!
    Amei Tina!

    Beijos no coração e um ótimo final de semana para vc!

    Feliz dia das mães antecipado!

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  12. Oi Tina!Texto excelente e nos alerta como estão as mentalidades d hoje que não hesitam em jogar fora nossa história, tradições em detrimento da diminuição dos valores, das éticas...a literatura infantil, o circo devem preservar suas raízes sempre no meu entender!bjs,

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  13. Oi,Tina.Texto para refletirmos.
    BJSSS

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  14. Tina, muito bem colocada essa sua postagem. Tudo isso vem acontecendo porque, ou temos vergonha ou não temos fibra para colocar o mundo e suas coisas no seu devido lugar. Hoje o mundo exige que sejamos práticos e nós concordamos com essa praticidade e paramos de curtir nossa imaginação. Passamos a nos destruir em vez de instruir.
    Quando eu era criança, até sonhava com as peripécias da Emília, do Pedrinho, do Visconde, do Sací Perere. Não era coisa de tv não. Todas as noites, na minha cama, minha mãe se sentava e lia as estorinhas. Era lindo porque a gente acreditava na veracidade dos personagens e minha mãe não ficava dizendo que eram fictícios. Deixava a cabeça da gente funcionar. Quando você citou o João e o pé de Feijão, até senti saudades da minha mãe. Ela dava ênfase no tamanho do pé de feijão e a gente ficava impressionado com aquilo. Não com mêdo, apenas achava fantástico. Infelizmente hoje essas coisas foram substituidas por programas policiais (à tarde), e semi-pornográficos disfarçados de cultura moderna.
    Enfim...chega-se a conclusão que o seu vocábulo foi muito bem colocado e também já está perdoado (rs...rs!).
    Abração
    Manoel

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