30 de junho de 2013

Vozes e acordes

Ilustração de passarinhos verde, amarelo, azul e branco
By Calle Jane studio
Torcendo pela seleção na final da Copa das Confederações
E para o final das manifestações destrutivas
Práticas, tradições, maus hábitos de todo dia
Também para representar passarinhos cantadores e contestadores
Que cantam ou muito já cantaram e puseram-se a voar
Eu vi uma frase na busca de imagens para ilustrar esse texto: "O brasil é um país bom, só falta ordem e progresso" e um cartaz em uma dessas manifestações por ai que me inspirou a postagem e me remeteu a uma passeata imaginária de ilustres reivindicadores, que tocaram, cantaram, falaram e outros que seguem fazendo isso, nos palcos e na vida. A frase é do Rappa: "Paz sem voz, não é paz, é medo". Cabe como uma luva para o momento político e social que o Brasil vive e o interessante é que a frase é recente, mas outras tem muitos anos e continuam sendo contemporâneas, uma pena. Os slogans, gritos, protestos tem que ser cada dia outros, cada dia mais civilizados, maduros, culturais, motivacionais, sinais de que o básico já foi sanado.
Vi na minha passeata Chorão e uma profusão de cartazes: "Quem é de verdade sabe quem é de mentira". "Não menospreze o dever que a consciência te impõe". "A volta por cima vem na continuação". 
Para formar um trio de vozes e coro e homenagear um conterrâneo, no último dia do mês em que ele nasceu, chamo o interestelar Raul Seixas, para tocar, falar e fazer pensar, fazer os que usam máscaras tirarem ou nós tiramos deles e eles darem as caras a tapa, as suas mãos para obras, as mentes para evolução. Basta ser sincero e desejar profundo, somos capazes de sacudir e mudar o mundo e quando todos praguejarem contra o frio, fazermos a cama na varanda.
"É de batalhas que se vive a vida". "Prefiro ser louco em um mundo em que os normais constroem bombas". "Nunca é tarde demais para começar tudo de novo".
Para arrematar um desejo com rima: Que entre o que já se foi, como está e o que ainda virá, que entres essas e outras vozes, Brasil, acordes!

28 de junho de 2013

Sobre mudar o mundo

"O mundo das pessoas muda com mais cultura. 
O mundo da cultura muda com mais pessoas."
Li em um anúncio do Banco Itaú e amei
É parte das campanhas de projetos e posturas sociais do banco
Sim, bancos são multimilionários
A custa de taxas multiabusivas e protecionismo
Mas fazer essas ações de uma certa forma diminui a dívida social
E que nessa onda de mudanças
De consciência social, política e cidadã
Projetos assim sejam feitos por grandes e pequenas empresas
Por comunidades, grupos, por inciativa individual
Que se crie um filtro nas informações que borbulham pelas redes e mentes
Que haja mais cultura nas escolas, nas ruas, nas empresas
Nos papos, entre amigos, família
Mais prazer em saber e fazer coisas agregadoras
Inspiração e ação mudam tudo
Inspire-se, mova-se, mude o mundo
Vamos andar mais de bicicleta
Vamos nos alimentar melhor
Vamos alimentar melhor, de comida, de informações
Brinquedos e brincadeiras educativas
De histórias, de fantasia, de infância, de valores nossas crianças
Ler para uma criança muda o mundo dela e o seu também
Livros infantis são distribuídos periodicamente pelo Itaú
Gratuitamente, se informe no site
Peça os seus, leia para uma criança
Tire das estantes livros que estão lá abandonados
Compre livros
Ler para si ou para alguém muda o dia 
E talvez a vida da gente e de muitas pessoas
Isso muda o modo como você se vê
E como o mundo te vê
Isso muda a auto estima
Leia para alguém que não enxerga
A gratidão da pessoa será energia boa para você
E sua gratidão aos céus por enxergar será energia boa para o mundo
Isso aumenta, adorna, ilumina a utilidade de ser humano
Plante uma muda em um canto qualquer de uma praça
Plante uma árvore no seu quintal
Lance sementes pela janela do carro ao passar em estradas sem verde
Isso mudará a vista de quem por ali passar no futuro
Coloque um pedra que tenha saído do lugar na calçada
Tire obstáculos que forem fáceis de remover
Isso vai melhorar e talvez salvar os próximos passos de quem passar
Isso muda objetivos, isso muda o mundo
Mãos a obra! O mundo é grande e está precisando de muitos operários

26 de junho de 2013

Saber brincar

Apesar de, do, da
A vida de ninguém é perfeita
A vida é  como uma professora e nós somos os alunos
E evoluímos aos poucos nos aprendizados
Não dá para se aprender tudo de uma vez
E também não serve para nada ficar de birra
Podemos encrarar a vida também como uma parceira de dança
As vezes ela baila muito segura e faceira
Outras ela pisa no nosso pé
E temos que continuar dançando sem perder o ritmo
Tentando sugerir uma música aqui e outra ali
Um assunto para ser abordado nas aulas
Diminuindo e aumentando os passos
A velocidade da leitura, da escrita, da interpretação
Seja como for, aprender sempre é mais fácil, divertido e leve
Para quem sabe brincar

24 de junho de 2013

Eita festa pra João que não acaba não

Pintura linda, linda, linda de Ronaldo Mendes
Tem cultura francesa nas festas juninas sabia? Pois é! A saudação junina Anavantu (anavantur ou alavantu...eita povo que gosta de variar no vocabulário a gente), que usei na postagem acima, significa em francês abrasileirado: Ir adiante. A expressão original é: En Avant, Tout. Como somos criativos né? E Anarriê, originou-se de: En Arrière e significa: Voltar.
Voltei para contar essa curiosidade porque em São João os vizinhos costumam passar bem cedo quando o sol raiá e depois passam mais tarde quando a lua está para chegar. A propósito, quando eu era mais nova por essas bandas fiz postagens juninas, que não tiveram leituras de cumadres e cumpadres que ainda andam por essas bandas e outros que tomaram rumos, mas tem muita vizinhança nova e passantes que convido a averiguar. Clica aqui, aqui e aqui. Bom arraiá e uma noite de capim na boca com muitas estrelas no céu para admirar e estrelas por dentro para o nosso entorno alumiá.

E então? Viva São João!

E hoje é o tar dia de São João
Com reza, zabumba, sanfona, triângulo e baião
Forrozeando, fivela ralando, sandáia rastando, poeira no chão
Cheiro de fumaça, foguetes e espadas no ar
Animação, casório, diversão, fogos e muito prozear
Com jeitinho de interior, canjica, bolo de aipim, carimã e fubá 
Os mininu de chaper de paiá, bigode e calça remendada
As minina frô e tranças nos cabelos e roupa rendada
As portas das casas abertas e de quebra as do coração e da mente
Simbora minha gente que a vida é de si anda pra frente
Desejo um bom dia de São João procês
Anavantúúú! Anarriêêê!

23 de junho de 2013

Esquenta junino

Acende João o nosso coração
Acende minha gente fogueira no portão
Milho assado na brasa e pular  a danada
Quando a chama tiver controlada
Fazer pedido
Comer amendoim cozido
E fazer de todo dia, não só nas festas juninas
Cenários coloridos
Nas toalhas e roupas: chitas, nos objetos: fitas
Bandeirolas, babados, flores e cordéis encantados

21 de junho de 2013

Tec tec tec

Não! O post não é sobre uma nova versão do lek lek lek
É que ontem fui lá na casa da Rovênia
Ali em Brasília
Não! Não foi para protestarmos juntas
Foi uma visita de cumadre mesmo
Sai de postar aqui, após achar não ter assunto 
E desatado a escrever
E chegando lá
Eis que encontro a minha tradução nas palavras dela
"Escrever é uma torneira  com defeito
Que insiste em gotejar na nossa cabeça
Não há conserto que faça a graça de estancar 
O tec, o tec, o tec"
A imagem eu achei uma gracinha e esse B da assinatura
Me chamou como um que de Bautista
Sintonias afloradas com as palavras e ilustrações alheias
Apoveito para agradecer a quem sempre colabora direta ou indiretamente
Com imagens, palavras, inspiração, ideias, apoio para minhas publicações
Uma sexta e um final de semana com muito tec tec, lek lek, blá blá blá
E o que te inspirar, animar, agradar, alegrar

20 de junho de 2013

Fonte nova, fonte de histórias



Hoje estou meio perdida
O prefeito decretou feriado municipal por aqui
Por conta do primeiro jogo da Copa das Confederações
Na Arena Fonte Nova
E ai quem trabalha nas imediações do estádio, está em casa
Escolas sem aula, alguns estabelecimentos fechados outros não
Metade da cidade parada e outra metade da cidade em plena atividade
Por aqui todos de folga, então acordar tarde é um luxo que fiz questão
E nessa folga fora de hora, entrei em desalinho
Não programei nada para postar e não estava tendo nenhuma ideia
Ia vir só dizer oi e enquanto eu enrolava no papo
Lembrei dessa primeira imagem que ilustra o post
Que achei por ai e estava arquivada
É a obra da construção do estádio daqui
Vocês vão pensar: Que bobagem! 
Há mil fotos por ai das obras de todos os estádios
Mas vou fazer igual a criança pequena: A minha é melhor!
Na verdade essa é da primeira obra, em 1951
O nome do estádio foi uma homenagem ao governador em exercício
Octávio Mangabeira e depois recebeu uma apelido
Fonte Nova, por conta de uma reforma
E de uma fonte de água que existe nas imediações
A implosão do estádio foi em agosto de 2010
Uma sensação estranha
Nunca fui frequentadora, fui lá em eventos pontuais
Mas dá uma sensação de mexerem em nós implosões de patrimônio
Vejo as pessoas que iam ao Maracanã falarem do novo estádio
Com um sentimento de que todo o glamour estragou o brinquedo
A geral era do povo, cada cadeira, canto, contava histórias
Para quem não tinha assunto já me empolguei né?
Depois da imagem da obra tem a imagem de uma quina da Fonte original
E ao fundo o Ginásio Antonio Balbino
Para os íntimos Balbininho
Que vale pontuar e registar minha indignação: não reconstruíram
E foi palco das apresentações anuais do Arraiá do Galinho
Festa famosa de junho, onde quadrilhas se apresentavam e competiam
Muitas coreografias, figurinos lindíssimos e casa sempre cheia
Lugar onde os meninos iam jogar bola
Bater o babinha do final de semana ou da semana para os mais fominhas
Adorava quando meu namorado dizia que estava indo para lá
E voltava todo suado
Eu não cheguei a ir ver ele jogar, sempre quis
O namorado ainda é o mesmo, mas o Balbininho não está mais lá
Prefiro assim que ao contrário
Agora chega de prozear que é feriado e eu vou ficar de boa
Boas memórias e boa quinta!

18 de junho de 2013

Por mais

Por mais que não aumentar o valor das passagens de ônibus
Por mais qualidade nos transportes
Por mais respeito aos usuários acima dos lucros
Por mais hospitais, escolas
Prisões tão grandiosas como os estádios construídos
Pela falta de sentido de um estádio do porte do de Brasília
Pela presidente desconsiderar as vaias e os protestos e se manter posuda
Com informações de popularidade falsas
Pela valorização do movimento por parte dos brasileiros
Com um olhar apartidário
Mesmo que saibamos que há partidos envolvidos
E participantes com intereses exclusos
E grupos de arruaceiros
Contra o preço abusivo dos lanches em todos os estádios
Por uma imprensa menos conchavista
Pela cultura popular não ser desconsiderada 
Ao se proibir levar bandeiras e outros objetos aos estádios
O povo tratado como marginais e os marginais a solta
E o tal Feliciano como representante dos direitos humanos
Por qualidade de vida
Por não pagarmos os custos dos grandes eventos 
Que não temos condições estruturais, políticas, sociais de promover
Por muita coisa acumulada
Pela diminuição da violência por parte dos desordeiros e criminosos
E de quem deveria ser o símbolo de ordem e de pacificação
Por uma juventude que protesta e não que se entrega as drogas
A alienação, ao comodismo
Por cidadãos fazendo valer sua cidadania
Usando a imprensa e os olhos do mundo a nosso favor
Não é de carnaval, futebol e praia que vivemos
Precisamos de estrutura, de segurança, de saúde, de educação
De jovens e adultos reivindicando
Se mostrando indignados, atentos, vivos
Se entendo prejudicados, com senso critico
Fora do Facebook, nas ruas

Por fora e por dentro

Do mesmo jeito que enxergamos e entramos em empreitadas de mudanças sociais, na política, na empresa, propostas e incentivos de mudanças no comportamento e postura da sociedade, de nossos filhos, amigos, colegas, temos que nos propor mudanças aqui e ali em nós mesmos. Sem nos julgarmos os certinhos, entendidos, acima de qualquer necessidade de correção.
Todas as pessoas precisam devem se permitir e propor ajustes, a medida que envelhecem, que mudam de trabalho, de classe social, de estado civil, mas mudar não é fácil e fica pior quando se torna urgente e acarreta apuros, desgastes, perdas.
Para mudar é preciso algo muito importante, que é se conhecer, ter autocrítica, definir o que se quer, para onde se quer ir, quem será afetado com a mudança além de nós, positiva ou negativamente. Nossa vidas são fruto de nossas escolhas por fora e por dentro, para o bem individual e o comum.

17 de junho de 2013

Leitura alimenta

Quando vi o nome fui ver o que era, quando descobri o que era amei. Um projeto chamado: Leitura Alimenta, parceria da Livraria da Vila com a distribuidora Cesta Nobre e a agência Leo Burnett Tailor Made. Muito legal, simples e cheio de responsabilidade social, que bem podia ser imitado aos quatro ventos. Trouxe numa segunda-feira que é para inspirar, para colocar a ideia e participação em movimento.
É assim: junto a cada cesta básica preparada pela Cesta Nobre é incluído um livro. Alimentos para o corpo e para mente. Perfeito! E qualquer pessoa pode doar livros para ajudar nesse projeto. Para quem mora em Sampa é só levar a doação, seja um livro, dois ou vários, a qualquer loja da Livraria da Vila, para quem mora em qualquer outro lugar é só enviar para a Caixa Postal 73007. CEP 08341-420. Vale as dicas de escolher o envio módico, que é uma modalidade de envio dos correios mais barata para envio de livros e de que doar alimenta a alma, doar livros alimenta ainda a cultura, sonhos, mentes. Livros eu li uma certa vez em algum lugar rima com livres. Liberte livros que você tem presos na estante, abra espaço para novos, compre livros usados para doar e fazer girar o acervo dos sebos, compre um livro novinho e doe para um projeto desses, custa o mesmo que um lanche, uma cerveja, um gasto supérfluo qualquer. Como diz no banner da campanha, tem gente que não tem tempo ou vontade de ler e tem quem não tem livro. Para saber mais sobre o projeto acesse o site, clicando aqui.

14 de junho de 2013

A descoberta

A descoberta é um dos curtas da Plano 3 filmes que está circulando por ai e essa semana a Direção de arte, de um moço chamado Marcos Bautista, foi premiada. Ver aqui. O curta conta a história de um menino que não entende porque seu cachorro desapareceu e não vai mais voltar e ao se desfazer das coisas do melhor amigo, ele fará uma grande e apassarinhada descoberta.
Ian, ator mirim que também foi premiado por A descoberta, é irmão de Jonas do filme Sonhos que falei aqui, estrela de outros dois filmes do momento da produtora.
Eis-me aqui para divulgar e trazer noticias sobre os novos trabalhos e conquistas dessa fábrica de curtas, longas e cativantes histórias. Um deles é "Jonas e o Circo sem Lona”, um curta que vem conquistando prêmios e participando de eventos como o DocMontevideo (no Uruguai), DocBuenosAires (na Argentina), Cine Cruzando Fronteras (Espanha e Argentina) e Atlantidoc (também no Uruguai). O filme conta a história de um menino de 13 anos que sonha em ser artista das grandes lonas e que armou e mantém um circo que ele mesmo inventou no quintal de sua casa. Dentro dessa história, entre as aventuras, doçuras e amarguras da busca desse sonho, o sonhador menino Jonas, cresce.
Outro trabalho é o longa-metragem “O Menino e O Palhaço”, selecionado para o V BoliviaLab, que está acontecendo em La Paz, de 10 a 19 de junho. Durante esse período, o filme passará por um laboratório de projetos, onde receberá consultorias de especialistas visando o desenvolvimento do roteiro e o intercambio entre produtores e realizadores de todos os países ibero-americanos.
Tem ainda um curta que foi gravado no subúrbio ferroviário aqui de Salvador, cuja estrela principal (além do protagonista), se chama Balu, que dá nome ao filme e é uma cadelinha que fez papel de cachorrinho e após as gravações fez morada na casa dos pais do cenógrafo e diretor de arte, meu irmão. Minha mãe reclama que ele leva muita tralha pra casa ai eu acho que ele resolveu variar e levar uma que anda, come, late e é um agito em forma canina. Clica aqui para ver e ouvir um pouco sobre essa história. Uma curiosidade dos bastidores das gravações é que o cachorro que começou a fazer o papel de Balu sumiu e depois que tempo já tinha sido perdido, gravações prontas, buscas feitas pela estrela desaparecida, desespero se instalando, eis que surge a substituta providencial pelas ruas de Plataforma, circense e faceira, pronta para começar a gravar  e começaram tudo de novo, deu trabalho, mas deu certo.
Então é isso! Divulgação feita, histórias contadas, meus aplausos de pé como irmã coruja, fã das histórias, dos atores, personagens e equipe da Plano 3 filmes. E só por essa breve reunião de informações, vê-se que os aplausos não são só meus e que estão tendo merecidas dimensões. Espalhem por ai, curtam, divulguem, incentivem, aplaudam também, eu deixo e desejo que a Plano 3 seja a descoberta de grandes mídias, prêmios, canais de veiculação de filmes, histórias, arte e cultura.

12 de junho de 2013

Sem palavras

Gosto muito de palavras
Mas as vezes, muitas vezes eu diria
Não são necessárias palavras
A comunicação se faz por gestos, por olhares
A declaração, o reconhecimento, o recado
Sem que nenhuma palavra seja dita
Diz uma infinidade delas

10 de junho de 2013

Por + gente que dá bom dia

"Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias. Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual... Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este  tênis,  usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá. O problema é  que, em geral, não se chega. 
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental  três requisitos são indispensáveis: amizades,  autoestima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser Feliz."
Trechos de uma narrativa de Frei Beto, uma indireta do bem para sermos felizes e fazermos os outros felizes com pequenas coisas, com dar bom dia por exemplo, como sugere a Campanha desse card que ilustra o post e vou trazer mais de vez em quando. E vamos nessa dando e recebendo boa tarde, boa noite, pedindo desculpa, dizendo obrigada.

7 de junho de 2013

Miguelito x Mafalda

Que entre o simples e o complicado
O que vemos e o que está além
Façamos um mix

5 de junho de 2013

Taboca e acaçá

Taboca para o dicionário é uma palavra de origem tupi, que significa: planta oca, sem nó; uma vara verde encontrada nas florestas brasileiras. Para mim é o nome de uma gostosura de infância, com formato dessa planta (tipo um tubo de uns 15 cm), um folhado fininho e doce, que desmancha na boca e o gosto é parecido com casquinha de sorvete.
A tinoca aqui, quando o vendedor passava tocando o triangulo, com as tais tabocas em saquinhos transparentes, dentro de latões de manteiga emendados como na imagem, transformados em porta tabocas delivery, sacudia as pernocas e a fralda no berço no ritmo do tim, tim, tim tirim tim tim.
Não sei se existem além Bahia, procurei na internet essa informação e não achei nada além de referências daqui sobre tabocas. O que sei é que ando numa de falar de comer por aqui que vocês já podem pegar um caderninho e anotar o que vão comer quando vierem a Salvador além de acarajé.
Lamento dizer que é difícil hoje passar um vendedor de taboca, mas se você ouvir um triângulo ritmado ou ver o nome já sabe, eu recomendei, corre e compra e se prepara para meleira e colação no céu da boca.
Tem uma outra iguaria que passava vendendo nas ruas antigamente que nunca mais vi, acaçá o nome. Quando eu ouvia o homenzinho que vinha com um tabuleiro apoiado em um torso na cabeça gritando: "Olha o acaçá! Tem de leite, tem de milho oiá!". Eu, nessa época já aborrecente, saia desembestada atrás de pedir dinheiro para comprar. Adorava e comia feliz e faceira, sem ponderar , nem perguntar do que foi feito, se engordava, se era feito de forma higiênica e estou aqui vivinha da Silva, graças a Deus e aos anticorpos.
Pesquisando imagens e informações sobre o acaçá descobri que é um quitute típico do candomblé, como o acarajé e o abará. O acaçá que me dá água na boca só de falar o nome é uma pasta de milho branco ralado ou moído, envolvido, ainda quente, em folhas de bananeiras (adoro essa parte, pelo cheirinho, saborzinho e beleza), que para os rituais da religião tem toda uma preparação ritualística e significados.
Voltando as tabocas, dia desses passando a tarde na casa de minha mãe resolvi atravessar a rua para comprar do outro lado, numa barraquinha de lanches, uma   saltenha. Entre abrir o portão e dar dois passos até a barraquinha eis que ouço o som familiar da musiquinha do triangulo e sem pestanejar berrei o vendedor: "Moooço!"
Música, latas com o nome da manteiga, sem pinturas ou adesivos, o senhorzinho com o boné do Vitória (meu time), a imagem das tabocas saindo das latas, o preço convidativo, juntando tudo comprei dois pacotes e esqueci da saltenha.

4 de junho de 2013

Crônicas Gris

Quem ai aceita um chá, um café, uma dica literária? Crônicas Gris é minha indicação, o primeiro livro de Ana Paula Amaral, recheado de histórias, revelações, emoções. Eu não fazia ideia do que haveria no livro, mas pelos escritos da autora em seu blog sabia que valeria a pena e decidi comprar no mesmo dia em que ela anunciou que estava a venda. Para ler a apresentação dela sobre o livro e saber como adquirir, clicar aqui.
Muita gente se amarra para investir na compra de um livro de editoras ou autores sem popularidade, por ter dúvida se vale ou não a pena, ou pela falta de glam em dizer que está lendo um livro de uma pessoa "desconhecida".
Imaginei se foi assim com o primeiro livro de Quintana, Clarice, Manoel de Barros. Ter uma editora grande e publicidade por trás é uma mão na roda, mas ter sensibilidade também é uma ferramenta em que aposto.
Conheço quem entra nas livrarias e garimpa livros pela capa, pelo nome, algo que nunca se tenha ouvido falar, um gosto pela descoberta, por provar coisas de sabor diferente.
Tenho os dois hábitos, esse de garimpar livros diferentes e o de querer ler autores já consagrados, além de uma quedinha pela Companhia das letras.
Gris é um tom de cinza azulado e há histórias cinzas, azuladas e cinzas azuladas no livro de Ana. Um livro para ler e reler, para dar de presente, para se dar de presente, para dar o presente do incentivo, do reconhecimento a uma nova escritora. 
Separei um trechinho de uma das crônicas para dar água na boca e sugerir uma sadia e saborosa troca do investimento em um lanche da Mac, pelo livro, que será um bom acompanhamento para o café de uma xícara só de nosso dias.
"Pego no armário da cozinha a xícara emborcada sobre o pires...Dispenso o pires e acomodo a xícara ao lado do computador. Vou falar com meus amigos das redes sociais, bebericando meu café...Mais de trezentos amigos é o que aparece marcado ali na tela...Tantos amigos e uma só xícara de café...Tantos compartilhamentos, mas nunca várias xícaras emborcadas, esperando o som do riso real, o brilho verdadeiro dos olhos, sejam eles tristes ou alegres."

3 de junho de 2013

Hoje cedo teve receitinha e petição 
Mas faltou ilustração
Para ser uma semana completinha
Eis aqui uma figurinha
Para por no álbum do coração
Na página alegria e bolhas de sabão

Receita de bem-viver

Ingredientes:

Muita Calma
Um pouco de coragem
Uma pitada de fé, de qualquer marca
3 momentos de alimentação (sadia de preferência)
1 momento de descanso
1/2  falar e 1/2 ouvir
100 gramas de grama, céu, rio, mar ou um passarinho avistado ao longe
Sorrisos e gargalhadas a gosto
Afeto com gosto

Modo de fazer:

Calma na hora de levantar, pensar, falar, agir
Sempre mesclando com coragem e fé, para render
Se alimentar é o recheio, porque saco vazio não fica em pé
Descansar como massa de pão é indispensável
Falar e ouvir sem exagerar para não desandar
Contatos com a natureza são a glace
Sorrisos e gargalhadas dão cor e vida
E afeto dá a liga

Como segunda é o dia clássico de começar dietas e eu adoro coisas clássicas, resolvi tirar essa receitinha light de um dos meus rascunhos de projetos de livros a serem publicados. Esse é um de receitas de vida, com planos de capa e jeitinho de livros de receitas de avós. Mas publicar um livro é muito caro, comercializar sem ter nome na praça é muito desanimador e por isso trouxe outra coisa clássica de segundas-feiras, notícias da semana. Escolhi uma que recebi sobre uma petição, clica aqui pra saber do que se trata e assinar.

1 de junho de 2013

Plantar para colher

Tem um poema de Vicente de Carvalho que sei de cor e salteado, que diz que a felicidade é uma árvore milagrosa, areada de verdes pomos e muitos não a alcançamos, pois ela está sempre onde a colocamos e muitas vezes não a colocamos onde estamos. E não a colocamos talvez porque a temos com um prédio, um carro do ano, uma viagem, um grande objetivo qualquer e ela é tipo mato, dá fácil, floresce, vira árvore se a percebemos, alimentamos e buscamos nas coisas simples.
Que tal deixar o carro, e ir até a padaria a pé hoje ? Ou deixar a moto em casa e ir de bicicleta? Andar de bicicleta dá uma felicidade que a ciência já deve ter estudado, não sei explicar, mas sinto e recomendo.
Que tal um diazinho, só por distração ou gosto lavar o próprio carro? Ou o de seu marido, esposa, pai, mãe. Admirar vitrines sem entrar para comprar, virar o pescoço para olhar uma planta, uma criança, um gato, uma pipa presa em um fio.
Sabe aquele café da esquina ou do shopping, que nunca você tem tempo de ir, vá. Pare o mundo, desça e tome o café, o suco, o chá que tanto você deseja. Reduza a agitação e a tagarela na hora do almoço e sinta o gosto da comida que você está comendo e da bebida que está bebendo.
Abra, mostre a alguém, viaje sozinha(o) nos seus álbuns de fotos de infância, da juventude, de seus filhos, de viagens que você já fez um dia e ao fitar seu sorriso ou o de alguém que você quer bem em uma foto, como sugere o autor do livro "Happier", se pergunte e tente lembrar o motivo daquele sorriso, para reproduzir o que o provocou.
Não dá para relaxar, curtir, degustar, sorrir de novo com um sorriso que já demos ou que deram para gente se pularmos da cama com o despertador toda manhã, nos entregarmos ao corre-corre do dia-a-dia e acharmos que estamos na busca da árvore milagrosa que somos nós mesmos os responsáveis por plantar ao nosso lado.
Todo mundo quer ser feliz e desconfio que são os pensamentos, comportamentos e valores do dia-a-dia que levam e conduzem a essa tal felicidade, toda areada e encantada que não aceita ser subjulgada.
Um feliz final de semana, feliz junho, feliz plantar e colher!