6 de junho de 2013

Ritos de passagem



Nietzsche sugere  que não há apenas uma morte ao longo da existência humana, que no decorrer da vida morremos simbolicamente a cada etapa vivida e vencida, para podermos nascer no estágio seguinte.  Li isso e linkei com a postagem sobre João e o pé de feijão que fiz dia desses e buscando imagens de casulos e borboletas para ilustrar o post, tive esse estalo ou seria estouro, do milho em pipoca.
Outra citação por aqui sobre essa mudança de estágio foi a de dar panelinhas e bonecas as meninas quando pequenas e só depois como um rito de passagem para a adolescência, salto alto e maquiagem, para haver uma relação mais mística, sentimental, de valores e tudo não ser tão banalizado e atropelado.
Essa transição de uma vida a outra é o que tribos indígenas, seitas e algumas religiões chamam de rito de passagem.  O antropólogo catalão J. M. Fericgla exemplificou com a Primeira comunhão, essa relação referente aos meninos, ele disse: "Era tradicionalmente um rito de iniciação, uma porta simbólica que conduzia da infância à puberdade. Os meninos ganhavam suas primeiras calças compridas após a cerimônia, transformando-se em homenzinhos. Isso coincidia com a permissão para sair à rua sozinhos, mesmo que apenas para comprar pão. O padrinho costumava abrir uma conta-corrente no nome do afilhado. Também no momento da primeira comunhão os meninos ganhavam seu primeiro relógio, o que significava um controle adulto do tempo". Legal né?
Tem o rito de saída para morar sozinho(a), casar, virar pai, mãe, avós. Tem o rito de passagem da vida ativa de trabalho para a aposentadoria e tantos outros. Separei uma frase de Caio Fernando Abreu, para arrematar: "E, de repente a vida te vira do avesso e você descobre que o avesso é o seu lado certo”. A pipoca é o lado avesso do milho de pipoca e o lado certo e penso que nós também precisamos pipocar para nos revelar e realizar.

19 comentários:

  1. Um conhecimento nunca deve ficar por muito tempo, estoico, estático; deve ganhar asas e ir cada vez mais alto! Há ritos infinitos, não é! abração

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  2. É isso mesmo Tina, com os ritos ou sem eles as etapas vão mudando e a gente se adaptando... Eu particularmente, em geral acho que cada etapa tem a sua beleza e a cada uma que dixamos para trás nos sentimos maiores, mais maduros, mais completos...
    Beijos
    Vania

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  3. Xiii, amiga, não sei se concordo com Nietsche, não! Acho que carregamos nossas fases dentro de nós mesmos. Basta um mole e revelamo-as! Eu acho que parei lá na infância... Não deixo de gostar, por exemplo, das bonecas! :) Ótimo dia com pipoca de São João!

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  4. Lindo teu texto e acredito que temos que estar sempre bem preparadas por dentro para enfrentar essas mudanças na vida, esses ritos que se instalam... beijos,chica

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  5. Oi Tina, q texto interessantíssimo
    Gostei mt!

    Bjoooos

    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  6. Gostei mesmo é dessa frase do Caio.
    Anotei!
    Um beijo minha querida!

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  7. Nie mandou bem em sua análise. Realmente parecemos passar por fases que, fisicamente nunca voltarão. Mas ao passarmos por elas, guardamos o máximo de informação e lembranças.
    Sei, por exemplo, que eu adorava comer só feijão quando eu era criança. Um dia eu estive nessa fase. Hoje ela está em mim, pois está guardada. Não sou mais o pequenino que adorava comer feijão puro, mas tenho o máximo de lembranças possíveis desse meu costume.

    Adorei isso, amiga Tina.

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  8. Tina, muito obrigada pelo seu interesse, porém, mandar vir o livro do Brasil, acabará por fazer subir muito o seu custo, o que, naverdade, nãome interessa.
    Se tudo correr bem, ainda este ano voltarei ao Rio e aí, porei em prática uma das minhas atividades favoritas, que é visitar livrarias e procurar títulos que me interessem.
    Obrigada, novamente, amiga.
    Beijo

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  9. Tina,
    Ah os ritos de passagem!
    São tantos no decorrer da vida, e em todos eles, algo fica para trás... Mas ao mesmo tempo, é como se diante dos nossos olhos, passassem a existir novos horizontes.
    Estou passando por isso agora, entrei no casamento a poucos meses, e como é diferente. Como muda a gente. Para melhor.

    Um beijo Tina!

    http://meninamsicaeflor.blogspot.com.br/

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  10. Como gosto dos seus textos Tina querida.
    Eles sempre me fazem viajar no tempo da minha memória e isso me faz um bem que você nem imagina.
    Muito obrigada por me proporcionar sempre essa doce viagem nas lembranças.
    Um beijo em seu coração e que Deus a ilumine e a proteja sempre.

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  11. Estas passagens nem sempre são tranquilas e sem dor. Porém, como eu decidimcolocar borboletas na minha cabeça e mandei os grilos para o Egito, vou seguindo em frente.

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  12. Que lindo Tina.
    Nossa muita verdade, acredito muito que em cada etapa de nossas vidas morremos e nascemos de novo...! Post lindo, com certeza o milho e a pipoca ilustram perfeitamente ;)

    Beijos Tina, [ótimo restinho de semana!

    Nanda

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  13. Oi tudo bem?!
    Hoje vim aqui pedir uma ajuda, que nem é pra mim... Pedir para vc divulgar o blog das protetoras de cães. Ele ainda não é conhecido, por isso precisa ser divulgado. Eu adotei uma cachorrinha com elas. Conto com sua ajuda!
    Bjos, obrigada!
    http://pipaprotetoras.blogspot.com.br/

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  14. Poderíamos sim valorizar mais os ritos como fazem especialmente as tribos indígenas e africanas. Lembrei de um rito que foi a entrega da caneta no meu quarto ano primário. Sem menosprezar o glamour do lápis e seus apontadores... mas receber um pacote com laço de fita a envolver a caneta que me acompanharia pelo resto daquele ano, foi inesquecível!
    beijo

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    1. Bem lembrado :)
      Começar a escrever com caneta e poder usar para colorir além do giz de cera o lápis de madeira e depois o hidrocor

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  15. Ritual de passagem me faz lembrar o filme da Disney, irmão urso. Adoro!
    A ideia da imagem do milho e da pipoca complementou lindamente seu texto. E o interessante é que tem milho que não estoura e vira piruá, assim como pessoas que não cedem a mudanças. Que dó!!

    Quero também pipocar!

    ... Pois a verdade é que o tempo parece ter a natureza de um rio ou correnteza, que carrega até nós tudo o que é leve e inflado, mas afunda e afoga tudo aquilo que tem peso e solidez.
    Francis Bacon.

    Beijos flor!

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  16. Ola amiga, qto tempo. É sempre bom passar por aqui. Amo suas publicações, pois muitas vezes tem a ver com os meus momentos.
    Fique sempre bem. Grande abraço

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  17. Delicioso ler seus pensamentos,reflexões!!!
    Bjcas, Grazi

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