11 de julho de 2013

Impermanência e Coerência

Aceitar a impermanência nos permite tirar proveito dos altos e baixos, compreendendo a mutabilidade das coisas, dos sentimentos, das sensações, da natureza. Essa reflexão ficou fazendo eco em mim, bem como o nome de São Miguel arcanjo, por conta de um entrevista que vi com Miguel Falabella semana passada. E entre essa entrevista e uma outra no mesmo programa, pesquisas que fiz, lampejos de luzes e inspirações de anjos e arcanjos, descobri e reuni uma porção de curiosidades e historinhas.
A tradução literal para o nome Miguel é “Aquele como Deus”, fica a dica para repartimos os pedidos e orações entre o arcanjo e o imediato que por vezes deve ficar atolado de pedidos. Nos ensinamentos católicos o arcanjo é guerreiro espiritual contra o mal, entre os homens e internamente.
Os arcanjos Miguel (anjo dos anjos), Gabriel (o mensageiro) e Rafael (arcanjo da cura, da dedicação e protetor dos viajantes) são os mais venerados na Igreja Católica. Há outros e diversas histórias sobre esses três em outras religiões e no próprio catolicismo, que fica a dica, vale a pena conhecer.
Entre anjos, arcanjos a santos, fiquei me perguntando qual o sentido, onde está a coerência em se erguer e cultuar um templo ostentador dedicado a São Francisco? Simbolo de votos de pobreza, vida e obras de simplicidade e desapego. Estou me referindo a Igreja de São Francisco, uma das mais famosas igrejas aqui de Salvador (bem como devem haver outras por ai), conhecida como a igreja de ouro, linda por fora e por dentro que em seu belíssimo estilo Barroco destoa em coerência com o santo que representa, sendo internamente toda talhada em ouro. Calcula-se que foi usada uma tonelada de ouro nos douramentos. O santo não deve estar de acordo lá do alto e nem se sentir bem lá.
Ai fiquei pensando no pedido do papa para as delegações dos países gastarem o que gastariam indo ver sua pose, com os pobres, com os problemas de suas nações. Senti vergonha do tamanho da delegação e do gasto de D. Dilma. Não me senti representada por ela.
O pedido do papa e as mudanças de hábitos e posturas em seu pontifício é uma aula de coerência, é discurso e com exemplo, e isso dá liga. Falando em liga, liguei essa reflexão ao filme sobre Mandela que indiquei semana passada aqui: Invictus, que além da história de vida dele, é uma fonte de inspiração e motivação, com lições de perdão, superação, bom uso da impermanência, de união e civilidade é um guia sobre coerência, sobre começar por si e em casa o que queremos ver do lado de fora de nossas janelas.
Para finalizar vou dividir com vocês uma reflexão muito legal e coerente sobre as vezes na vida em que nós corremos atrás de algo que desejamos e parece que quanto mais pedimos aos anjos e santos, quanto mais querermos e quanto mais nos movemos, a coisa se afasta de nós. Nessa circunstância a técnica de parar pode ser a melhor forma de alcançar o que se quer, como quem corre atrás de um balão de ar e a corrida faz criar um vaco entre a pessoa e o balão e parar faz a atmosfera se acalmar e o balão vir. Ouvi de Falabella essa metáfora e ela entrou no meu manual.
Que aprendamos a viver na impermanência, que tenhamos fé, seja no que for, que sejamos coerentes e que saibamos distinguir as bolas de couro que ao avançar alcançamos e os balões de ar que ao pararmos vem a nós.

11 comentários:

  1. Bom dia Tina Flor!!!
    Como sempre você com seus textos que nos deixam a pensar e a concordar sempre!
    Adorei sua análise sobre as igrejas e confesso que discuto isso com a família e amigos há tempos!
    E sabe o que é legal, acontece com vc e comigo também...vemos uma entrevista, lemos um texto e a partir daí juntamos informações e queremos saber mais sobre o assunto e analisar, filosofar nos porquês...adoro isso!
    Beijos Tina Flor...muitas nutellas! E não esquece de me mandar e mail no camomilarosa@yahoo.com.br!!!
    CamomilaRosa

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  2. A falta de coerência com os luxos das igrejas e os votos de pobrezas nunca me "desceram" goela abaixo. O Vaticano, quando visitei o museu, me deu nojo, saí de lá cheia de raiva ao ver tudo aquilo.

    Estou gostando de ver a postura do papa Chico! E tudo que escreveste faz pensar.Lindo! beijos,chica

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  3. Oi Tina, ótimo texto.
    Tb acho uma incoerência pregar uma coisa e viver outra, cm acontece na igreja e em mts outras coisas. Seria bom que td que fosse pregado fosse vivido.
    Dilma com certeza não me representa...

    Bjoooo

    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  4. É como sempre digo: não precisamos de religião para chegarmos até Deus. Ele está dentro de nós! Beijos, querida pensadora!

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  5. Bom dia Tina, hj meu dia está mega, hiper corrido :( Não tive tempo de ler com calma, volto assim que der ;)

    Mas vim te deixar um beijão, desejar um ótimo restinho de semana!!

    Obrigada pela visita!

    Nanda

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  6. Por essas e outras que amo aquela frase de Osho:
    Faça da existência o seu templo e do amor a sua religião!

    Bjs amiga passarinha
    e uma brisa fresquinha das asinhas dos anjos em você :)

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  7. TINA NAO CONHECIA A HISTORIA DOS OUTROS ARCANJOS, CONHECIA Sò A DE GABRIEL, QUE ACHO QUE è O MAIS CONHECIDO.
    ESSE BLOGUINHO è PURA CULTURA.

    BACIONE

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  8. Texto maravilhoso!

    A vida é cheia de incoerência.

    Beijos minha florzinha linda!


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  9. Tina, que texto lindo, obrigada por compartilhar tanta inspiração ♥

    bjs

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  10. oi Tina, vim agradecer sua visita e desejar uma linda noite. parabéns pelo lindo texto que deixa muitos ensinamentos.
    Ilumine seu olhar com a sinceridade.
    Faça dos seus dias, um marco de amor.
    Dê a alguém a gentileza da sua afeição.
    Agradeça a Deus cada hora vivida.
    deixe suas pegadas enquanto é tempo!
    Uma noite abençoada, abraçoss
    Lourdes Duarte

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  11. Vi, no facebook, um pessoal compartilhando uma imagem com duas fotos: uma do papa Bento, sentado em um trono e o papa Francisco, sentado no mesmo lugar, mas num trono diferente. Não sei se a senhorita viu. O trono do Bento XVI não tinha mais lugar para ouro. O trono do papa Francisco parece uma simples cadeira, com o conforto mínimo necessário, apenas. Achei isso muito interessante.

    Quando conheci São João Del Rei, em Minas, o guia nos apresentou várias igrejas. Maioria delas foram construídas por escravos, que trabalhavam para seus senhores de dia e a noite eram submetidos a construção do templo. Um templo construído com lágrimas de sofrimento, com dor, com angústia, com a morte, inclusive, segundo o guia. Muitos morriam. Era só mais um. No interior das igrejas, o ouro está espalhado por todos os lados. Tangenciam ou participam dos trabalhos de Aleijadinho. Cobrem toda marca grosseira do sofrimento do escravo que levantou as paredes do templo, dando a própria vida. Uma pena que tenham sido construídas sob tais condições.

    Precisamos aprender que o verdadeiro poder é espiritual e não se mede com ouro. E por poder temos o balanço, a concentração, a medição daquilo que faz bem a nós mesmos e aos outros, sem tirar direitos de qualquer cidadão.

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