24 de julho de 2013

Por um fio

Tenho problemas com fios de cabelos soltos, deve ser hereditário e eu presumo que Freud explicaria. Lembro que meu pai sempre pedia a minha mãe e a mim, que tenho como sobrenomes minúcias e manias, que tirássemos os fiozinhos soltos em seu rosto advindos de sua vasta carequinha rodeada de cabelos "encaraminhoculados" (autora da palavra: Júlia) por todos os lados ou dos cílios. Ele ainda deve fazer isso, mas como convivo menos com ele, a lembrança surgiu nesse fio, nessa linha direta com as lembranças a que me conecto quando escrevo.
Ele não tira sozinho, sempre pede e fica estático, como passarinho colocado de barriga para cima na palma da mão para a retirada do fio e depois sente-se aliviado como se tirássemos um trem de seu rosto.
De meu irmão eu lembro de uma cena, na fila do supermercado, ele planejando obcecadamente tirar da camisa de uma mulher da frente, um fio solto, sem que ela sentisse. Falando nisso, lembrei da declaração, ódio mortal e perseguição dele a moscas e elas parecendo entender tinham igual obsessão por ele. Meu avó oferecia um pataco (trocado) a quem furasse com um palito o olho de alguma mosca que lhe perturbasse. Eu tentei, não sei se preciso mencionar: sem sucesso. Uma outra história de moscas foi uma tirada ótima de meu filho em um restaurante onde a comida era tão apetitosa que as moscas não resistiam, danei a querer matar as moscas e meu marido me achando uma assassina dando mal exemplo a nosso filho, que era bem pequeno, disse: Não mate os insetos! E o pequeno saiu com essa pérola: - Deixe ela matar pai, mosca não tem importância econômica.
Hein! Oi!! Demais né? Vamos voltar aos fios de cabelo que é para isso, de uma história que lembra outra, não me fazer fez perder o fio da meada.
Meus sintomas com fios são diários, sinto um fiozinho em meu braço, ainda emaranhado nos que estão em seu devido lugar ou um fio solto completamente em meu ombro, braços, costas, pernas, estejam estáticos ou em movimentos de queda: paro tudo, busco o danado e ao apanhá-lo sinto-me plenamente satisfeita e apta a continuar o que estava fazendo. Detalhe, quando não acho ou não alcanço, de imediato peço ajuda.
A sensação dos fios soltos para quem não sente isso se assemelha ao incomodo das etiquetas de roupas que pinicam e eu faria um manifesto sobre elas, quantidades exageradas, localizações, tamanhos, costuras que impossibilitam o corte, assunto para outro post, olha eu outra vez por um fio de outro assunto fiar.

14 comentários:

  1. Vou começar a prestar atenção e fazer uma lista do que me incomoda. Pensando bem, devo ser uma mosca morta (ou de olho furado) se até hoje não percebi nada. Quanto aos fios soltos somente fico a pensar nos que Deus espalha por nossas vidas e anos depois ele mesmo junta as pontas soltas e tudo passa a fazer sentido e ter uma razão de ser.

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  2. Olá! Fios soltos na comida sempre me trouxeram problemas como perder a fome, sentir nojo do local que estou! abração

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    1. Tem uma piada sobre fios e sopas que é na verdade uma liçãozinha de moral que diz que tudo na vida é relativo, um fio de cabelo por exemplo, na cabeça é pouco, na sopa é muito :)

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  3. Bom dia!
    Você é engraçada, estou rindo das etiquetas que pinicam (essa semana tirei uma e quase estraguei a blusa). Adoro seu jeito simples de escrever suas crônicas.
    Beijos, querida!

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  4. Meu problema era mais com as etiquetas do que com fios soltos por aí.

    Mas o que mais me incomoda, quanto aos fios, é quando tem um cabelo caído na camisa e surge uma pessoa do além, que para tudo o que está fazendo para tirar o fio da minha roupa. Foi engraçado quando uma daquelas moças que passam de casa em casa lendo partes da bíblia fez isso. Ela terminou de ler e olhou rapidamente para um fio solto na minha blusa. Tirou. Eu acompanhei o movimento dela com os olhos do começo ao fim e ela percebeu minha insatisfação disfarçada.

    - Desculpa, força do hábito!


    Encaraminhoculados não passou despercebido, adotei! Obrigado Júlia, obrigado Tina!

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  5. Merecia um estudo genético/poético entre avô/pai/Tina e a não importância econômica da mosca do filho.
    Tenho uma amiga que também pressente um fio de cabelo nas costas cobertas de muitas blusas porque ela é do sul. Incrível sensibilidade essa de vocês. Deve ser coisa de passarinho no DNA.
    Beijo!

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  6. Quanta fiação e imaginação boa, querida Tina! Lembrei-me de uma história escrita pela Sylvia Orthof que, por coicidência, li ontem para as meninas antes de dormirem. Cada fio tinha uma cor e cada fio puxava uma história fantástica, bem maluca. O livro chama-se "A gema do ovo da ema". Clara não entendia, Bruna ria. Resultado, vou ter que contar tudo de novo... Beijos! :)



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  7. Oi Tina,
    Me vi no post, pois sou mega cismada com fios e moscas! Acho que moscas pisam no coco e depois pisam na comida da gente. Eca!
    Tenha um ótimo meio de semana.
    Bjs

    GOSTO DISTO!

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  8. Também detesto fios soltos, fico feliz quando os encontro,rs bjs praianos,chica

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  9. Li fio a fio a sua palavras bem fiadas e diria que as manias nesse mundo de humano são tantas q quem não as tivesse é pq tinha um fio solto. Se lhe contassem as minhas eu estaria dando fios pra mangas, por isso, enFIO as palavras no saco e saio de fininho. Bjos à fio.

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  10. Não gosto de fio solto no chão do banheiro,e das
    etiquetas na gola de roupas, vou logo cortando.
    Beijos
    Amara

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    1. Fios de cabelo pela casa, uma outra boa questão querida Amara, eu tenho cá para mim que eles brotam do chão :)

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  11. Tina,morri de rir com a tirada do seu filho!...rss...Fios soltos,ninguém merece,com certeza!Um excelente texto!bjs,

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  12. Hahahaha morri de rir!
    Eu tenho essa coisa com fios de cabelo tb! E quer me matar é deixar meu cabelo solto e MOLHADOOO nas costas! Deus me livre! hahahaha

    Beijos

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