23 de julho de 2013

Som no cajón

Cajón (na pronúncia o j tem som de rr) é o aumentativo da palavra espanhola: caja, que significa caixa e é o nome de um instrumento musical, uma herança afro-peruana. Separados de seus instrumentos de percussão, os escravos africanos usavam caixas de madeira e gavetas (outra tradução para cajón) para batucar. O instrumento é considerado pelo governo peruano como "Patrimônio Cultural da Nação".
Paco de Lucia foi um dos principais responsáveis pela introdução do instrumento na música espanhola. A tal caixa, que vou aguçar a curiosidade de quem não conhece a ir pesquisar na internet para ver a imagem, ou vê-lo pessoalmente em uma loja de equipamentos musicais e saber mais detalhes, tem uma sonoridade ideal para acompanhar as palmas, sapateados, gaitas e guitarras flamencas e é tão presente e comum hoje nas apresentações das danças típicas, que muitos imaginam que sua origem é espanhola.
Por ser de confecção fácil e barata a comercialização da tal caixa sonora vem se popularizando cada vez mais aqui no Brasil, tanto entre os músicos profissionais quanto entre os amadores, revelando-se versátil e usada em praticamente todos os ritmos e estilos musicais.
Explicações instrumentísticas apresentadas, o motivo da postagem foi a desenvoltura de meu sobrinho se utilizando dos calcanhares, ao invés das mãos, ao sentar no instrumento da mãe (que é quem carrega a fofura na foto). O percussionista Zaion, do alto de seus nove meses se esbalda e na verdade, eu não coloquei uma foto dele no cajón para ilustrar a postagem, porque crianças são assim: não fazem a pose que a gente quer, nem fazem o que a gente quer na hora que queremos mostrar a alguém, além de eventos extraordinários como a máquina dar pane, a foto ficar o máximo mas a camisetinha do menino tá suja de sopa e coisas do tipo.
Como bom e bamba baiano que é, além do cajón ele arrisca batuques em tudo: em capa de papelão de cd, potinhos contra potinhos, colher na lata de manteiga vazia que demos para ele já aprender a ser versátil e a coordenação teima em não acompanhar a empolgação dele e é lindo de se ver.
Dentro da mamadeirinha já pequena para o tamanho de sua fome, grãos de feijão, tampa e uma animação que só vendo, com perninhas que nem bem aprenderam a ficar em pé e se balançam para acompanhar o ritmo. Como recordar é viver, lembrei que meu pai, quando meu filho era pequeno, passava um limadão (ferramenta de limar, lixar...) de dentro para fora do buraquinho das latas de refrigerante para tirar o perigo de corte e ele reutilizar para as invencionices dele e ai o vai e vem do instrumento nas latas fazia um som meio de cuíca e meu filho se esbaldava em risos e remelexos dentro do berço. Meu pai batizou o ritmo de sambão do limadão.
Penso e estudiosos também, que sons, música, instrumentos musicas, devem estar presentes entre os brinquedos das crianças de todas as idades e acredito que mais do que nunca, também entre os objetos e hábitos de adolescentes, adultos e idosos.
Ao alcance das mãos, nas salas, quartos, escolas, instrumentos musicais são fontes de desenvolvimento motor, relaxamento, apuração sensorial, criação, espiritualização. Acredito que tocar e ouvir sons nos faz transcender. Quem canta ora duas vezes é o que dizem, então vamos lá, batucar em cajóns, latas de margarina, leite, caixas de fósforos, assoprar em gaitas, trombones,  dedilhar as cordas de violões e guitarras, acompanhando a animação de Zaion, se contagiando e deixando rolar acordes no ar.

11 comentários:

  1. Adoro tia que "baba colorido". Sempre fui assim e agora estou na geração sobrinhos-netos. E estes registros são sempre bem vindos porque o tempo (este senhor que nem sempre faz o que queremos) virá e o garotinho lindo vai ficar muito feliz ao ler isto. Ou achar que foi o seu primeiro "mico". Não importa, ficou o registro para a história.

    ResponderExcluir
  2. Que titia mais bacana! Eu não sabia nada sobre esse cajón, mas topo entrar na banda e fazer uma baguncinha alegre! Beijocas no fofo!

    ResponderExcluir
  3. Tina, eu já escrevi que o baiano tem musicalidade no corpo e qdo nascesse, não chora, sai dançando. Seu texto me fez refleti sobre o pedido da minha filha adolescente q quer um violão e ainda não dei devido ao seu comportamento na escola, é bagunceira. Lendo seu texto. Refleti. Quem sabe dando o violão ela melhora no comportamento. É de pensar. Bjos.

    ResponderExcluir
  4. Tina. que linda entrada. Acá en Chile el cajón tuvo gran importancia. En la época de la Colonia, hacia la primera mitad del 1800, se usaba en los tablaos y chinganas (que eran los sitios donde iva a bailar la gente del pueblo) para dar ritmo a los diferentes bailes que iban apareciendo por estos lados. fue muy importante en lo que a sido la evolución de La Cueca, nuestro baile nacional. En este momento, estoy haciendo un trabajo relacionado justamente con La Cueca. (yo soy profesora de danzas de mi país) y dentro del material que encontré, viene incluido el uso del cajón como parte de los instrumentos que le dieron vida. como dato, te cuento que también se incluyo en las cuecas hacer sonar dos cucharas, dos platillos pequeños, trozos de madera que se sacan del palo de las escobas ect. En el fondo, todo o que sirva para hacer ritmo. Hasta golpear en una mesa con las manos llevando el compás de la música. gracias por este lindo "reportaje" que hiciste con respecto a este aporte de ritmos de algo tan simple como un cajón, te dejo un abrazo grande. cuidate. bss a mi hombrecito. Ö)

    ResponderExcluir
  5. Que linda essa titia babonba que faz remexer o pequeninho..Lindo! bjs raianos e obrigadão pela imagem!

    ResponderExcluir
  6. hahahaha, que fofo, só fico imaginando as diversas cenas que você descreveu (em especial, a da mamadeira com grãos de feijão!)

    bjs

    ResponderExcluir
  7. Sonoridades e ritmos fazem a alma dançar, o sorriso se alargar feito o de Zaion. Nào deveríamos nunca nos afastar dos batuques, dos sons que alegram.
    Beijo

    ResponderExcluir
  8. Ei, Tina! Tu és uma das amigas que eu não visito comento com frequência, mas que estou sempre por aqui. Vamos combinar, tuas postagens são densas, reflexivas... não dá pra comentar qualquer porqueira e sair rapidola kkkkk adoooooro!

    Sambão do limadão é perfeito, né?!

    É o que fazem as boas professoras do ensino infantil, fazem aflorar as percepções e despertam nas crianças, o gosto pela música. Através daqueles 'instrumentos' que as crianças fazem, utilizando garrafas vazias, latas, grãos, que nem o teu sábio pai.
    Zaion, percussionista em potencial!

    Como não colocaste a imagem do cajón, o jeito é pesquisar rsrs
    Valeu, Tina!

    bjs

    ResponderExcluir
  9. Titi
    Ser seu sobrinho é uma grande FESTA de som, ritmo, alegria e poesia! Você enche a minha vida de criançices - palavra inventada- sonoramente lembrando nosso querido e amado Manuel de Barros!
    ZAION

    ResponderExcluir
  10. Lendo teu texto me lembrei do quanto quero ser tia logo!
    Mal posso esperar para participar dessa bagunça deliciosa que vc narra aqui!

    Excelente reflexão a tua!

    Beijos!

    ResponderExcluir
  11. Que bom conhecer mais sobre o cajón, fui pesquisar, ver fotos e tudo mais. E que bom ver o Zaion de novo. Sempre alegre!
    Gostei bastante do texto, Tina. Em especial o último parágrafo. A minha vovó de quem você é fã, além de fazer o frango delicioso e os bolinhos de chuva, toca violino num coral.


    ResponderExcluir