23 de setembro de 2013

Anota ai

Elisa Lucinda, para quem não sabe, é uma poetisa, jornalista, cantora e atriz brasileira, por quem tenho especial admiração, gosto do seu jeito simples, do olhar, da energia quando canta e atua, do seu lado poeta e trouxe hoje algumas palavras dela, que em uma entrevista na semana passada, disse achar que para escrever, para ser poeta é preciso não perder o espanto, ser como criança e não achar o biscoito de ontem igual ao de hoje, ainda que sejam idênticos, ter o gostinho, o encantamento, a euforia de estreia a cada estreia e reestreia de tudo, ter olhos abertos para coisas simples. Anotei no papel e coloquei em negrito por dentro o que eu já tinha como certeza, de não ser o necessário não só para escrever, mas para viver. Segue trecho de apresentação de um de seus livros, chamado: "A Fúria da Beleza":
"Uma hora a gente joga, outra hora é a vez da vida jogar. É assim sempre. Mas, às vezes, a gente quer forçar a barra da vida, impor a ela nosso desejo, enquadrá-la à nossa pressa, determinar o seu tempo, ditar sozinho a ordem das cenas do grande roteiro. Acontece que a vida também é rio, é mar; está sujeita às correntezas, às luas, às tempestades, aos sóis, aos desígnios do vento e nos põe diante da sua verdade incontestável: ela flui. E nos cabe respeitar sua fluência.
Por vezes é difícil aceitá-la. Então a literatura vem e ensaia a gente: quando esse livro começou a nascer, seu embrião tinha outro nome, Caderno abóbora. Pretendia esse ser um livro ensolarado, explodido de cores, matizes, com poemas nascidos de um caderninho laranja que tive, donde só saia poema bom. Organizei-o nessa viagem, cuja estrutura se concentrava na variação desse tema cor. Como um fruto que amadurece e passa do seu tempo de colheita, esse Caderno abóbora caiu na relva.
Ficou lá, exposto às chuvas, às secas, invernos, geadas, verões intermitentes e às minhas mudanças. Enquanto isso, saiam da mesma árvore e na frente, livros para criança. O fruto ao cair partiu-se e partindo retornou ao seu estado de semente, se misturando de novo à velha terra. Silêncio sobre esse nome.
Enquanto isso a fábrica de poema trabalhava dia e noite sem parar e, quando pude me dedicar ao velho livro, cinco anos depois de sua ideia original, ele já era outro. É certo que não deixou de ser um livro de tons na sua ossadura onírica de cronos e cromos. Havia um espanto além das cores e havia também outros cadernos cheios de outros poemas que falavam ao meu coração, além daquele caderninho fértil. Aos poucos A fúria da beleza, mero nome de poema, foi virando o nome de um capítulo do livro. Dei uma saidinha e quando voltei ele já era o nome do livro e tinha tomado o poder."
Tomemos o poder, ouçamos e observemos o que nos cerca, o poder da natureza, dos ensinamentos e valores em que acreditamos e sigamos com poesia, proza, crônicas, narrativas, no comando e na carona, olhando para o lado, pra trás, para frente, observando, contemplando com euforia de estreia, se adaptando ao que for preciso se adaptar, colocando  a mão na massa, a faca no dente, os pingos nos is, buscando e praticando paz e bem nessa semana e em todas as outras que vem.

16 comentários:

  1. Gosto muito dela e trouxeste esse lindo trecho que ,como sempre pode nos ensinar. Lindo! Ótima semana pra ti e teus! beijos,chica

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  2. Puxa!! que legal, bom quando nos identificamos com alguém que sabe através das palavras nos transmitir bons ensinamentos de vida, de expressões, de conhecimento.
    Gosto do jeito que você escreve tambem, parece que estamos te ouvindo falar, sem nem saber como é sua voz, engraçado, né?
    Bjs
    Excelente semana e uma primavera florida em sua vida
    Ritinha

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  3. bom diaaaa

    Maravilhoso vc dividir isso conosco.

    bjokas =)

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  4. Oi Tinaaaaaaaaaaaa
    N sabia q ela era escritora tb, mt boa a forma dela escrever
    Gostei bastante

    Ótima semana pra ti

    Bjooooooooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  5. Vou anotar e ler Elisa Lucinda! Adoro sensibilidade escrita. Um livro que amadurece e dá frutos é algo muito bom.
    Beijos, querida Tina!

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  6. Não conhecia, vou procurar mais e mais, porque o citado abriu um apetite por aqui. Muito lindo tudo o que ela escreve, já vi semelhante situação tratada em textos sobre amadurecimento e mudanças, que vêm com o tempo. Que a vida não seja subordinada inteiramente ao calendário, ao relógio frenético, a essas turbulência que precisamos enfrentar. Ela, por direito, deve ser conduzida também por outros fatores, extremamente mais naturais.

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  7. Muito bom!
    Parabéns a Elisa Lucinda cujo nome já tem uma sonoridade poética...
    Bjs
    Vania

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  8. Amém!

    Não conheço a Elisa Lucinda mas vou procurar conhecê-la! Essa foto está uma graça, né?

    Obrigada pelo comentário lá no meu blog, minha querida, até me arrepiou!

    bjs e uma ótima semana para você

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  9. Que assim seja!!!

    Tinha, até ler seu post não conhecia Elisa Lucinda... vou pesquisar mais sobre... e tenho certeza que irei gostar ;)

    Beijão e uma ótima semana para vc!

    Nanda Pezzi

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  10. Não conhecia e agradeço por compartilhar. Já vou atrás para saber mais.

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  11. Já conhecia ela como atriz...mas não sabia deste lado tão lindo!
    Já estou seguindo a "Casa Poema" no face para acompanhar...
    Bjs minha amiga+cotovia+flor :)

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  12. Tina,é um grande prazer conhecer essa escritora e o texto dela é muito poético,achei lindo! A Chica já me entregou a poesia tb e vou postar lá no Recanto se vc e ela me permitirem.bjs e uma ótima semana pra vc!

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  13. Um belo texto, levou-me a meditar por alguns momentos em cada trecho, vc esteve inspirada e realmente deixou a quem lê um belo rastro de luz, dxo pra vc bjos, bjos e bjosssssssssss

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  14. Obrigada por compartilhar tão lindo texto, Tina
    Fiquei encantada com a imagem
    Linda semana
    Feliz Primavera !!!
    Beijinhos de
    Verena e Bichinhos

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  15. Sou fã de carteirinha de Elisa!
    Conheci primeiro seu lado atriz e impressionou-me a beleza e expressão de seus olhos, sua voz linda cantando ao lado de Tony Ramos. Depois veio a poetiza; soube também da professora que ensinava crianças a declamarem. Algo que acho que falta, pelo menos na escola das minhas crianças não há incentivo à poesia seja escrita ou falada.
    Elisa "tem" a Casa Poema que sonho um dia pisar por lá pra conhecer.
    Parem de falar mal da rotina é meu livro predileto dela que há mais de dez anos é peça de teatro e eu nunca vi, snif.
    Que bom que você trouxe a moça capixaba cá pras bandas baianas, muita gente passou a conhecê-la!
    beijo

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  16. Olá Tina! De Elisa, conheço os olhos incríveis e a voz linda, na participação de uma novela cujo nome esqueci. Ignorava a vertente literária. Gostei muito.
    beijo

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