10 de dezembro de 2013

Sem e com

Lembro que brincava nas escadas dos prédios onde morei, nos corredores, na área de circulação de baixo, meu filho também quando era pequeno brincou em corredores e na escada do primeiro prédio onde moramos, eu fazia bilhetinhos escondidos com pistas, mapas, uma caça ao tesouro. Num lugar sem espaço ele brincou bem mais do que no grande play do próximo prédio onde fomos morar.
Hoje adolescente não desce para bater papo, dar uma volta, ler lá embaixo, jogar, usar as salas de jogos, de ginástica, piscina e tudo mais que tem a disposição dele. Nem ele nem nenhum outro adolescente, que não vejo nunca nas vezes que saio e chego da rua. Raramente também vejo crianças menores, quando em vez, no máximo babás com as de colo, com carinhas de querer ir para o chão.
Sem área adequada nem equipada, brincávamos de pega-pega, se esconder, de pular elástico, bambolê, futebol, vôlei. baleado, mímicas. Sentávamos no chão ou ficávamos horas de pé, nos juntávamos para ouvir música, jogar baralho, dominó, falar besteira, desfilar roupas, perfumes, novidades, combinar saídas, fazer planos, falar da vida dos outros, da nossa, contar histórias.
Hoje os grandes e planejados espaços de socialização ficam na sua maioria as moscas, crianças e adolescentes cheios de não me toques, com distrações e socializações virtual. Muito sem graça, sem cheiro, sem gosto, sem pés sujos, sem suar, se descabelar, sem abraços, fotos, sem ter muito o que contar.

9 comentários:

  1. Tina, ainda este fim de semana falava sobre isso com uma amiga. Infelizmente, a vida moderna tem tirado isso de nós. Nossos filhos não aproveitam mais a vida como nós aproveitamos. E em todo lugar é assim. Me lembro que, quando ia à praia na minha adolescência, só saía de dentro da água pra mainha retocar o filtro solar e mesmo assim, ela que insistia muito. Já hoje em dia vejo adolescentes sem querer entrar no mar pra não estragar a escova que deu nos cabelos, e quando entra, toma banho de shorts porque não quer mostrar que está meio gordinha (na cabeça delas) usando só biquíni. Fico triste. Ainda hoje procuro aproveitar a vida e tento ensinar isso às minhas filhas, mas está ficando cada vez mais difícil! Paz!

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  2. Oi Tina, esse fenômeno é realmente muito triste, as crianças e jovens cada vez mais enclausurados em seus mundinhos virtuais, sem experimentar as alegrias próprias da idade, que não voltam mais...

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  3. Oi TIna!
    Super verdadeira esta tua análise...infelizmente o mundo virtual chama as pessoas para o lado de fora, para o consumismo, velocidade e falta de movimento. Sou professora de educação física e percebo com muita nitidez esta mudança. Fui num aniversário de criança ontem, num galpão cheio de jogos eletrônicos e um recreador dirigindo as brincadeiras, todas sentadas...olhei para tudo isso e me lembrei dos aniversários de antigamente e mesmo os dos meus filhos: como eram diferentes!se la vie!

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  4. Nunca mudei de casa que por sinal tem uma área verde enorme e foi nela que muitas vezes, quase sempre nas férias, eu e minhas irmãs brincávamos de caça ao tesouro. Lembro que enquanto uma escondia as pistas, as outras duas ficavam trancadas no banheiro, pacientemente, guardando.
    Lembro das tardes de domingo em que reuníamos na rua da minha casa para brincarmos de queimada. Só parávamos quando não enxergávamos mais a bolinha.
    Dia desses estava assistindo GNT e vi uma entrevista com o psicólogo infantil no qual ele dizia que tantas crianças estão sendo diagnóstica com TDAH justamente por não estarem extravasando as suas energias. Não sei se tem base científica esse posicionamento mas acredito nisso!

    Carol
    www.umblogsimples.com

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  5. Pois é, falo muito sobre isso com minhas sobrinhas. E quando me perguntam como eu brincava com minhas amiguinhas, elas acham sem graça. Emoção e divertimento para elas é ficar jogando no computador ou dançando em frente a tv naquele aparelho que nem sei o nome. Isso sim eu acho sem graça.
    Abraço,
    Denise - dojeitode.blogspot.com

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  6. Muito bom,Tina! Não sei se viste que o Brasil é o lugar onde as crianças MENOs se movimentam? Esrtão sempre grudadas, sentadas com os eletrônicos. Pra mim, a 1ª causa disso é a insegurança e depois o resto!

    Mas falta muioiiiiiiito pra elas. Aqui não cultivamos isso! Amanhã, por exemplo, Neno falou agorinha ao retronra da escola, que é dia de Sorvete na aula e de levar eeltrônicos. Daí chegamos a conclusão que ele NÃO TEM NENHUM eletrônico pra levar. Isso é bom! Em casa ele usa o notebook pra suas coisinhas e até pesquisas e empresto 15 minutos por dia o meu IPAD! SÓ!

    E me pergunto o motivo de terem que levar isso pra aula. Já não chega o resto do tempo que a maioria fica neles? beijos,chica

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  7. O mundo virtual vicia e são tantas as opções que brincar de esconde esconde ou chicotinho queimado ficou sem graça.

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  8. Oi Lindona, está rolando o 1° sorteio no meu blog, de um lindo anel em prata.
    Te convido a participar, e conto com você!
    Beijos e obrigada <3
    Acesse: http://www.estiilocarol.com.br/2013/12/1-sorteio-do-blog-anel-de-prata.html

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  9. Oi Tina,
    muito triste saber que quem, como nós, vivenciou o mundo das artes e das brincadeiras infantis, hoje lamenta que seus sobrinhos, netos etc só saibam o que é diversão e família quando plugados em redes e jogos.
    Enquanto meus sobrinhos se socializavam entre si e com os tios e pais, meus sobrinhos-netos nem sabem quem eu sou =0O .
    Impactante que uma máquina tenha um valor tão central na vida de hoje.
    beijos

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