31 de julho de 2013

Se´s

Se tá cheio, se dilua
Se está no meio, conclua
Se quebrou, concerte
Se aborrecer, delete
Se desmoronou, reconstrua
Se é presente, viva
Se é passado, reviva
Se é futuro, evolua
Se tiver aborrecido, se distraia
Se estiver doente, se cuide
Se tiver angustiado, ore, medite, respire fundo
Se ganhar, distribua
Se perder, subtraia
Se nada acontece, abstraia
Se for demais, atenue
Se está feliz, assobie
Se há muita quietude, se agite
Se há muita agitação, apazigue
Se enxergar, repare
Se´s emprestados da canção Que me continua de Arnaldo Antunes
Com outros se´s mesclados
E para fechar mais uns se´s na rede pescados
"Poeme-se
Leminski-se
Drumonde-se
E que o mundo Quintane-se
Musique-se
Buarque-se
Lenine-se
E que o mundo Caetane-se"
E se o seu julho não foi bom
Põe foco, amor e gosto para fazer um bom agosto

30 de julho de 2013

Indicações com boas intenções

Estava eu andando pelo shopping, quando o letreiro da loja me fez olhar para trás e chegar mais um pouco para trás para ler tudinho pois o nome era grande: Quem disse Berenice? Quem disse que nome loja não pode ser uma frasee interrogativa? A loja é de maquiagem e o Google disse que é do grupo O Boticário. O porquê do nome? Não descobri (ainda).
Já que estou fazendo merchan free ilustrei a postagem com uma propaganda da Imaginarium que adoro e de quebra vou indicar uma loja onde comprei uma camiseta que tem escrito: "Pense fora da caixa" e lá ficaram muitas com frases de Drummond, Clarice, outras personalidades, poesias, estampas de filmes, passarinhos e fofurices. Mito é o nome da loja.
O ministério dos bons conselhos adverte: fazer boas recomendações faz bem a saúde. Por isso para completar o momento indicações, tem livro novo de Martha Medeiros saindo do forno. Aos leitores virtuais que comentam, compartilham, gostam de seus textos e sempre tem alguma relação pessoal e terapêutica com as suas crônicas, vale o investimento. Ter a leitura ao alcance das mãos, na estante, na cama, numa sala de espera, fila, vai um pouco além do contato apenas virtual com seus escritos, sem falar que adquirir o livro, a meu ver, é um reconhecimento ao trabalho  da escritora.
Eu já garanti o meu, reservei antes mesmo do dia do lançamento, me achando a fã. Alguém ou muitas pessoas podem dizer: - Essa mulher deve gastar a beça com livros! Não! na verdade não gasto muito, nem a metade do que desejo e gasto com lanches, transporte e outras necessidades e extravagâncias.
Tem também que não entende e desaprova divulgação de graça e sem o conhecimento dos divulgados. Não quero reconhecimento, cartaz ou vitrine, se me derem também não recuso...muitos risos. Eu acho que assim como tenho envolvimento com autores de livros, projetos, produtos de pessoas próximas que divulgo e que divulgam o que produzo, ter pessoas por ai divulgando por iniciativa própria o que acham legal sem ter envolvimento pessoal, é um leva e trás positivo e ainda que haja todo um staff por trás de algo, o velho boca-a-boca é sempre bem vindo.
De fato, minha intenção com divulgações seja do que for, é de que as pessoas se inspirem, se enfeitem, comprem mais livros, vejam filmes de qualidade, façam programas culturais,produzam algo e com isso se transformem, agreguem valores as suas realidades e ao mundo.
Voltando a Martha, seu novo livro se chama: A graça da coisa. Amei a capa preta e branca com um catavento colorido, amo cataventos e vou devorar cada crônica assim que der conta dos livrinhos que estão na fila de espera de minha leitura.
De aperitivo, pescado na internet,  segue trecho de uma das crônicas de uma escritora de apartamento, como eu, como muitas(os). Quem me dera uma casinha branca (azul também serve), um quintal, uma janela, uma rede, uma oliveira, uma amendoeira, uma laranjeira, passarinhos e grama verdinha com uma esteira em cima para eu escrever.
"Sou uma escritora de apartamento, digo com o mesmo tom pejorativo que classificamos crianças de apartamento. Deveríamos estar cercados por jardins, margens de rio, praias abertas, mas vivemos confinados entre quatro paredes que de certa forma aleijam a inspiração. Escrever, lógico, me oferece várias oportunidades de fuga. Estou onde estou, fisicamente, mas também não estou: invento meu próprio lago, pátio, horizonte. Até que volto a ser atingida pela consciência do inevitável: não é o barulho do mar que escuto, nem o das folhas caindo nesse final de outono, e sim o de betoneiras, perfuratrizes, compactadores, rolos compressores. De poético, me restou apenas a chuva. Quando chove, a obra para. Quando chove, o helicóptero some. Quando chove, o silêncio me pisca o olho: "Aproveita a trégua e me escuta". Martha Medeiros
Que tenhamos amor no coração, escutemos a chuva, o vai e vêm das nuvens, o espichar dos raios do sol, um sim tão esperado, o bater de asas de uma borboleta, o girar de um catavento, o bemol de um rouxinol.

29 de julho de 2013

Transparência

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele
Por sua origem, ou sua religião
Para odiar as pessoas precisam aprender
E se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar"
Nelson Mandela
Recebi a sugestão de divulgar um livro sobre racismo por conta do encantamento de quem me indicou, de um relato de discriminação e da constatação de poucos personagens negros pop´s na literatura infantil.
Inspirada e fazendo de ponte o papa pop, sua passagem pelo Brasil,  suas práticas e crença no poder e valor da simplicidade, seus discursos e a metáfora de sairmos de trás do balcão, de puxar fila e não seguir, resolvi falar de transparência.
Há muitos estudos, trabalhos, discursos, foco em não haverem personagens infantis negros, mas o patinho feio é uma história clássica e famosa, onde a feiura não é uma característica do personagem, mas sim a diferença. Seus traços, trejeitos, o seu cabelo loiro o fazem ser tachado de diferente pelos que não são iguais a ele.  No patinho feio podemos considerar que estão os negros e tantos outros grupos e indivíduos.
E que tal focar na imagem universal e poderosa de uma personagem brasileira e universal, saída das águas como a alva Iemanjá ou Iara para as crianças, tão forte e tão poderosa quanto a mulher maravilha, a Nossa Senhora Aparecida, negra, com identidade cultural, santa e acima de preconceitos.
Sei que há mais personagens clássicos infantis brancos que negros e isso é parte da história, retrato de como tudo aconteceu e por conta disso há outras características, faltas, caricaturas nas obras que não contemplam a evolução atual e são as obras novas as responsáveis por evoluídas, virarem a página.
Acho que personagens negros precisam ser apresentados e vistos sem caracterização folclórica, sem apontamento para a cor da pele ou cabelo, como outros quaisquer. Releituras são interessantes, contudo, só de Brancas de neve negras conheço 3 títulos, dentre eles Branquinha de neve e Pretinha de carvão foi o que achei mais interessante, por criar uma nova personagem, com personalidade, referências e características próprias. É mais agregador ao meu ver, personagens com identidades pessoais, desvinculadas de esteriótipos, para as crianças negras se verem nas páginas do livro, seja nas palavras, seja nas imagens e crianças brancas verem crianças negras sem serem lembradas que são diferentes, com naturalidade.
Na minha opinião, um livro de racismo fala de racismo e é muito mais didático e agregador falar da cultura africana, de personalidades negras, heróis, lendas, valores morais e paralelo a leitura associar a teoria a prática. É preciso ainda músicas, danças, brinquedos de todo tipo, bonecas, bonecos, personagens de jogos de tabuleiro, ilustrações de todos as cores e também objetos como esculturas, quadros.
Em casos pontuais de algum incidente ou recorrência de episódios preconceituosos, seja a negros, autistas, baixinhos, gordinhas, em casa ou na escola, sendo estes espaços recheados como devem ser de imagens, palavras, objetos que fazem a cor de pele negra ser tão comum como a branca, vale usar um livro sobre racismo, bem como trabalhar o tema entre os educadores e com as famílias.
Penso como o grande Mandela bem descreveu, que uma criança não cria essas más impressões sozinha, ela vê coisas, ouve opiniões, comentários ácidos que a levam a formatar preconceitos, seja contra cor, peso, altura, hábitos. E essa erva daninha semeada vai da infância para a vida.
Quem teve na infância, deu para seus filhos, deu de presente, recomendou livros com personagens infantis negros? A hora é agora!
Não tem? Tem poucos? Não! Tem muitos e maravilhosos e devem ter mais, com mais divulgação e aquisição. Não acho porém que devam ser obrigados livros assim nas escolas, ter cotas de livros disso e daquilo, acho que esse é um movimento natural, é prática individual, ou de iniciativa das instituições de ensino e incentivo a leitura, que se enraíza e dissemina.
Segue lista de livros para serem comprados, indicados, popularizados e fica a sugestão para outros serem escritos, para que se produzam materiais (curtas, longas, peças, quadros, desenhos animados...) sobre os personagens das obras indicadas, para que a roda gire pra frente, pois é certo que águas passadas não movem moinhos.
A menina transparente de Elisa Lucinda

Pretinha de Neve de Rubem Filho
Na África tem neve?
Porque será que as personagens de contos de fadas não possuem nome próprio?

O pássaro da chuva de Monique Bermond
Antiga história que se passa em uma aldeia africana. Banium resolve apanhar e prender um pássaro da chuva, pois deseja ajudar sua comunidade. Com isso recebe uma valiosa lição e orientação dos mais velhos do seu vilarejo

Betina de Nilma Lino Gomes

O comedor de nuvens de Heloisa Pires

Kofi e o menino de fogo de Nei Lopes

O chamado de Sosu de Meshack Asare

O que tem na panela, Jamela? de Niki Daly

Princesa Arabela: mimada que só ela de Milo Freeman

A árvore do Beto de Ruth Rocha

O cabelo de Lelê de Valéria Belém

Obax de André Neves

A cor da ternura de Geni Guimarães

Nzua e o arco-iris de Julio e Débora D'zambê

As tranças de Bintou de Sylvanie Diouf

Tanto, tanto  de Trish Cooke

Que mundo maravilhoso de Joe Cepeda Julius Lester
Um Deus negro é apresentado pelo autor  
Que reconta a seu modo a criação do mundo, com humor e poesia

A menina que bordava bilhetes de Lenice Gomes

Quando eu digo, digo de Lenice Gomes

Ana e Ana de Célia Cristina

Valentina de Márcio Vassallo

Tequinho: o menino do samba de Neusa Rodrigues e Alex Oliveira

O beijo da palavrinha de Mia Couto

Contos da Lua de Sunny

E para fechar: Meus Contos Africanos de Nelson Mandela

"As imagens que moram em nossas mentes desde a infância influenciam nossos pensamentos durante a vida e podem contribuir (se não forem estereotipadas, inferiorizadas) para a autoestima e aceitabilidade das diferenças visando uma vida adulta feliz. Para isso essas imagens precisam mostrar nossa “cara”, força e cultura de todos" (Sousa, 2002, p. 196).
Salve a miscigenação! Salve a paz entre os povos, raças, religiões! Salve o Papa Francisco! Nossa Senhora Aparecida! Zumbi dos palmares! Salve Mandela! Salve o Saci e o Negrinho do pastoreio! Salve as diferenças que completam, peças de quebra-cabeça que desiguais se encaixam. Ovelhas brancas e negras em um só rebando e vamos em frente, para o alto, infinito e além.

26 de julho de 2013

Por olhos regados de nascente

“Viver é nascer lentamente” li essa frase em algum lugar e gravei, mas não sei a autoria. Vou emendar ela em outra frase que recortei e nem sabia mais de onde: “Mesmo nossos fracassos são parte de nossos pertences”, salvei como sendo de Voo Noturno e lá voei eu para consultar com o parceirão Google que voo era esse (registro de surto gráfico para escrever voo, sem acento circunflexo). 
Eis que me situo e lembro que se trata de uma frase do autor de "O pequeno príncipe", em um outro livro dele chamado: Vôo noturno (lindamente com acento na época de sua publicação).
Já falei muito aqui do principezinho e de seus exemplos de sabedoria para qualquer faixa etária e hoje mais precisamente, desejo que como ele tiremos lições das nossas viagens e das pessoas que cruzam nossos caminhos, nascendo lentamente, enumerando conquistas e levando nossos fracassos entre nossos pertences.
Tenhamos como lindamente disse Manoel de Barros "olhos furados de nascente" e regados como sugere a ilustração de Alexandre Reis. Vou desejar ainda mais um pouquinho, afinal é sexta-feira, todos os santos me ouvem, todo mundo é baiano junto, as pessoas nas sextas-feiras ficam mais receptivas e o papa está geograficamente por perto. Desejo aos céus, ao mar, peço aos passarinhos para esse recado levar, peço a quem está me lendo que tenhamos não só os olhos, mas os ouvidos, a alma e o coração também furados de nascente. Que assim seja!

25 de julho de 2013

Pelo dia do escritor

Dia 25 de julho comemora-se o dia do escritor, data promulgada após a realização do primeiro Festival do Escritor Brasileiro, promovido pela União Brasileira de Escritores, da qual Jorge Amado era vice-presidente. 
Registro minha homenagem a todos os escritores(as) citados e recomendados por mim, aos que nunca citei mas gosto, uma homenagem especial aos que escrevem poesias, aos que publicaram o primeiro livro esse ano, aos que fazem publicações em seus blogs e também aos que escrevem em cadernos e folhas de papel que as vezes ninguém lê.
Falando em escritores que nunca falei aqui, resolvi trazer um que nunca falei porque é uma recente descoberta: Moacyr Scliar é o nome dele, nascido em Porto Alegre, lugar que me lembra Chica, escritora e amiga (olha ele ganhando simpatia extra de mim). Era médico, além de escritor, duas lindas profissões.
Vou confessar que me empolguei e escrevi a beça. Como dizia na abertura de um programa da TV Cultura que eu assistia com meu filho quando ele era miudinho: "Senta que lá vem história".
Sciliar é autor de mais de 80 livros de vários gêneros, sendo as crônicas seu carro chefe. Em uma seleção de crônicas dele, reunidas em um livro chamado: A poesia das coisas simples, da Companhia das letras, organizado e prefaciado por Regina Zilberman, descobri que ele leu e gostou muito, como eu, do livro: O livreiro de Cabul, bom livro para ser indicado no dia de hoje, que embora eu já tenha lido está na lista dos que vou comprar um dia para minha coleção.
Como bem diagnosticou o médico escritor Scliar: "As pessoas que amam o livro, amam-no não só por seu conteúdo, pelas histórias que conta ou pelas ideias que expõe; as pessoas que amam o livro, amam-no também como objeto."
Não podia deixar de pontuar que comprei "A poesia das coisas simples" pelo nome e pela capa, embora acredite e valha para livros e pessoas, não se fazer julgamento pela capa, costumo comprar livros sem ler a descrição ou a orelha como geralmente se faz. A tal capa a propósito, é azul celeste e há passarinhos voando por ela. Recortei trechos de uma das crônicas dele, publicada por Moacyr Scliar em 1977 para trazer, segue:
"As perguntas feitas aos escritores são interessantes. Refletem a concepção de que a literatura se gera no escritório como resultante de uma conjuntura peculiar, de certas manobras, de determinados ritos...alguns escritores escrevem de pé (como Hemingway) e outros, deitados (como Proust)...Pergunta-se aos escritores como e por que começaram a escrever. Como, não é difícil de descobrir, mas o porquê, ah, o porquê."
São tantos porquês e "para ques", pessoais, coletivos, vocacionais, sensoriais. Palavras reunidas, garimpadas, enfileiradas, rabiscadas, digitadas, impressas, registradas, advindas de vivências, filosofias, fantasias, reflexões, relatos, sentimentos, sensações.
Scliar foi colunista dos jornais Zero Hora e Folha de São Paulo, escreveu e contribuiu com suas ideais e pensamentos para vários órgãos da imprensa e tem textos seus adaptados para o cinema, teatro, tevê e rádio, inclusive no exterior. Em 2003, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras e em 2011 foi escrever no infinito azul celeste.
Para fechar, vou divulgar e divagar sobre o Plano Municipal do Livro e da Leitura de Salvador, do qual faz parte da construção uma amiga minha, Adriana Gonçalves Reis, para quem mandei algumas sugestões e hoje está havendo uma conferência, na qual novos passos serão dados. A quem morar aqui e se interessar pelo tema está feito o convite a participar do evento, que será na Biblioteca Thales de Azevedo, às 14 horas.
O mundo precisa de muitos e bons escritores e de acesso e incentivo a produção literária. As pessoas precisam de boas leituras, pois, na minha opinião somos o que comemos, lemos, ouvimos, assistimos e o mundo precisa de gente sadia, esperta, gente bem resolvida, com acesso a informação, com opões de interação e intervenções fora do virtual, de pessoas com opiniões a dar, com esperança em mudanças.
Minhas contribuições não são do tamanho da necessidade de acesso e incentivo a leitura que a minha cidade precisa, mas foram feitas no tamanho exato de minha crença de que se cada um colaborar dá para melhorar.

24 de julho de 2013

Por um fio

Tenho problemas com fios de cabelos soltos, deve ser hereditário e eu presumo que Freud explicaria. Lembro que meu pai sempre pedia a minha mãe e a mim, que tenho como sobrenomes minúcias e manias, que tirássemos os fiozinhos soltos em seu rosto advindos de sua vasta carequinha rodeada de cabelos "encaraminhoculados" (autora da palavra: Júlia) por todos os lados ou dos cílios. Ele ainda deve fazer isso, mas como convivo menos com ele, a lembrança surgiu nesse fio, nessa linha direta com as lembranças a que me conecto quando escrevo.
Ele não tira sozinho, sempre pede e fica estático, como passarinho colocado de barriga para cima na palma da mão para a retirada do fio e depois sente-se aliviado como se tirássemos um trem de seu rosto.
De meu irmão eu lembro de uma cena, na fila do supermercado, ele planejando obcecadamente tirar da camisa de uma mulher da frente, um fio solto, sem que ela sentisse. Falando nisso, lembrei da declaração, ódio mortal e perseguição dele a moscas e elas parecendo entender tinham igual obsessão por ele. Meu avó oferecia um pataco (trocado) a quem furasse com um palito o olho de alguma mosca que lhe perturbasse. Eu tentei, não sei se preciso mencionar: sem sucesso. Uma outra história de moscas foi uma tirada ótima de meu filho em um restaurante onde a comida era tão apetitosa que as moscas não resistiam, danei a querer matar as moscas e meu marido me achando uma assassina dando mal exemplo a nosso filho, que era bem pequeno, disse: Não mate os insetos! E o pequeno saiu com essa pérola: - Deixe ela matar pai, mosca não tem importância econômica.
Hein! Oi!! Demais né? Vamos voltar aos fios de cabelo que é para isso, de uma história que lembra outra, não me fazer fez perder o fio da meada.
Meus sintomas com fios são diários, sinto um fiozinho em meu braço, ainda emaranhado nos que estão em seu devido lugar ou um fio solto completamente em meu ombro, braços, costas, pernas, estejam estáticos ou em movimentos de queda: paro tudo, busco o danado e ao apanhá-lo sinto-me plenamente satisfeita e apta a continuar o que estava fazendo. Detalhe, quando não acho ou não alcanço, de imediato peço ajuda.
A sensação dos fios soltos para quem não sente isso se assemelha ao incomodo das etiquetas de roupas que pinicam e eu faria um manifesto sobre elas, quantidades exageradas, localizações, tamanhos, costuras que impossibilitam o corte, assunto para outro post, olha eu outra vez por um fio de outro assunto fiar.

23 de julho de 2013

Som no cajón

Cajón (na pronúncia o j tem som de rr) é o aumentativo da palavra espanhola: caja, que significa caixa e é o nome de um instrumento musical, uma herança afro-peruana. Separados de seus instrumentos de percussão, os escravos africanos usavam caixas de madeira e gavetas (outra tradução para cajón) para batucar. O instrumento é considerado pelo governo peruano como "Patrimônio Cultural da Nação".
Paco de Lucia foi um dos principais responsáveis pela introdução do instrumento na música espanhola. A tal caixa, que vou aguçar a curiosidade de quem não conhece a ir pesquisar na internet para ver a imagem, ou vê-lo pessoalmente em uma loja de equipamentos musicais e saber mais detalhes, tem uma sonoridade ideal para acompanhar as palmas, sapateados, gaitas e guitarras flamencas e é tão presente e comum hoje nas apresentações das danças típicas, que muitos imaginam que sua origem é espanhola.
Por ser de confecção fácil e barata a comercialização da tal caixa sonora vem se popularizando cada vez mais aqui no Brasil, tanto entre os músicos profissionais quanto entre os amadores, revelando-se versátil e usada em praticamente todos os ritmos e estilos musicais.
Explicações instrumentísticas apresentadas, o motivo da postagem foi a desenvoltura de meu sobrinho se utilizando dos calcanhares, ao invés das mãos, ao sentar no instrumento da mãe (que é quem carrega a fofura na foto). O percussionista Zaion, do alto de seus nove meses se esbalda e na verdade, eu não coloquei uma foto dele no cajón para ilustrar a postagem, porque crianças são assim: não fazem a pose que a gente quer, nem fazem o que a gente quer na hora que queremos mostrar a alguém, além de eventos extraordinários como a máquina dar pane, a foto ficar o máximo mas a camisetinha do menino tá suja de sopa e coisas do tipo.
Como bom e bamba baiano que é, além do cajón ele arrisca batuques em tudo: em capa de papelão de cd, potinhos contra potinhos, colher na lata de manteiga vazia que demos para ele já aprender a ser versátil e a coordenação teima em não acompanhar a empolgação dele e é lindo de se ver.
Dentro da mamadeirinha já pequena para o tamanho de sua fome, grãos de feijão, tampa e uma animação que só vendo, com perninhas que nem bem aprenderam a ficar em pé e se balançam para acompanhar o ritmo. Como recordar é viver, lembrei que meu pai, quando meu filho era pequeno, passava um limadão (ferramenta de limar, lixar...) de dentro para fora do buraquinho das latas de refrigerante para tirar o perigo de corte e ele reutilizar para as invencionices dele e ai o vai e vem do instrumento nas latas fazia um som meio de cuíca e meu filho se esbaldava em risos e remelexos dentro do berço. Meu pai batizou o ritmo de sambão do limadão.
Penso e estudiosos também, que sons, música, instrumentos musicas, devem estar presentes entre os brinquedos das crianças de todas as idades e acredito que mais do que nunca, também entre os objetos e hábitos de adolescentes, adultos e idosos.
Ao alcance das mãos, nas salas, quartos, escolas, instrumentos musicais são fontes de desenvolvimento motor, relaxamento, apuração sensorial, criação, espiritualização. Acredito que tocar e ouvir sons nos faz transcender. Quem canta ora duas vezes é o que dizem, então vamos lá, batucar em cajóns, latas de margarina, leite, caixas de fósforos, assoprar em gaitas, trombones,  dedilhar as cordas de violões e guitarras, acompanhando a animação de Zaion, se contagiando e deixando rolar acordes no ar.

22 de julho de 2013

Velázquez, as meninas e eu

A Família, mais conhecido como: As Meninas, é o nome de um famoso quadro pintado em 1656 por Velázquez. Recebi via meu irmão viajante, vindo da Espanha, enviada por minha madrinha que mora lá, uma boneca de biscuit muito graciosa de Maria Tereza a menina central dessa obra de arte famosa e instigante.
Resolvi pesquisar e trazer um pouco sobre a obra, que é uma das mais analisadas e comentadas no mundo da arte. O habilidoso Velázquez pintou em uma tela um desafio a observação e um show de composição de espaço, perspectiva, luz, cenários e múltiplos personagens (inclusive ele está na obra, pintando a tal pintura).
Maria Tereza, filha do rei e as suas damas de companhia são a primeira vista as personagens principais da tela. Num espelho, na parte do fundo da pintura, o reflexo do Rei Filipe IV da Espanha e a sua esposa são fonte de muitas interpretações. Segundo alguns historiadores eles apareceram enquanto Velázquez pintava a obra e deu-se o insight no pintor, segundo outros eles posaram para o artista. Dentre as interpretações mais conhecidas da obra, está a do espanhol Ramiro de Moya de que o espelho ao fundo refletia o próprio quadro, no qual os reis estavam sendo retratados e não o reflexo deles em pessoa.
Lucas Jordan levanta a dúvida de que o espelho é na verdade a tela e sendo assim, o que pintaria Velázquez? Um autorretrato? Ou As meninas é um quadro dentro de um quadro?
Há muitos outros detalhes na pintura e muitas análises artísticas, históricas, psicológicas e filosóficas. As inúmeras interpretações do quadro tornam atemporal e sempre sedutor e aberto a novos olhares seu estudo.
Diego Rodríguez de Silva y Velázquez nasceu em Sevilha e foi nomeado em outubro de 1623 "pintor do rei" e como encarregado dos retratos reais passou a residir em Madri com a família real. No quadro famoso de grandes proporções (3,18 x 2,76m), as figuras possuem tamanho quase natural e revelam muitos detalhes, dentre eles a Cruz de Santiago, no colete do pintor, que foi agregada três anos depois de terminada a pintura, quando nomeado cavaleiro dessa ordem.
Bale! (que é: vale, com a pronúncia espanhola do v como b). Análises, perguntas e muitas respostas para nossa semana e nossa vida!

20 de julho de 2013

Sem certeza

O mar 
O azul 
O sábado
Liguei pro céu
Mas dava sempre ocupado
Poetizou Leminski
E que sem as certezas que o vento leva
E que nunca são certas de todo
Como dizia o poeta Cazuza:
"Existe o certo, o errado e todo o resto"
Que na dúvida
E se der ocupado
Escolhamos passar um bom sábado
E para a semana seguir bem
Um bom domingo também

19 de julho de 2013

Pequenas memórias

Pequenas memórias é o nome de um dos livros de Saramago no qual ele conta histórias de sua infância.
Moleskine é o nome de uma marca famosa, quase um sinônimo de cadernos de notas fechados por um elástico por fora e onde se anotam pequenas memórias.
A cadernetinha elegante é símbolo de status e referência no meio literário e artístico, grandes pensadores, escritores, artistas famosos, como Van Gogh, Picasso, Ernest Hemingway, dentre outros, rabiscaram em uma Moleskine.
A bem pouco tempo eu nem imaginava que essa marca existia, eis que Ana Paula (amiga, blogueira, escritora), publicou uma crônica em seu blog (ver aqui) sobre a tal, que é produzida por uma empresa italiana.
Exatamente no mesmo dia em que fui apresentada ao objeto pop, ao ir fazer meu cadastro na Livraria Cultura, estava lá, ao lado de onde fiz o cadastro, uma estante de cadernetas e sorri por dentro com a casualidade. Não resisti em conferir de perto e constatei o preço a altura da fama das belas originais.
Selecionei algumas curiosidades cinematográficas que pesquei após a minha intimidade com a cadernetinha, no filme “O Diabo Veste Prada”, por exemplo, a personagem de Anne Hathaway anota tudo o que sua chefe pede ou diz em uma e em um dos filmes filme de Indiana Jones seu pai mantém as anotações de pesquisa em uma também.
O mais interessante para mim foi observar que até antes de saber que as tais Moleskines existiam e tinham histórias para contar, mesmo não tenho anotações nenhuma nelas, elas passariam despercebidas por mim naquela estante da Cultura ou em qualquer outro lugar.
Gostei de aprender algo novo e futilmente interessante e confesso que desde então desejo ter uma para chamar de minha, para quem sabe atrair fama e carreira ou para fazer anotações que virem histórias para contar, ainda que guardanapos, blocos, folhas de papel avulsas ou até o saco de papel do pão me rendam boas e produtivas anotações.
Eis então, que meu irmão me trouxe de Portugal, nada menos que da Fundação José Saramago, uma Moleskine, vermelha, a cor clássica da marca. O que dizer? Sem palavras e sem nem saber se de tanto zelo e encantamento a riscarei um dia.
Pequenas e grandes memórias, anotações e histórias a todos. Uma abençoada sexta-feira e um inspirador final de semana.

18 de julho de 2013

Saramandices



Pratrasmente, na Faculdade, eu tinha especial admiração por uma matéria chamada: Linguística. Nela estudávamos as variações de linguagem, pronúncias e expressões, de uma localidade geográfica para outra, os sotaques (que acho o máximo), as gírias, os muitos nomes de uma mesma coisa devido a cultura popular, as influências diversas e a riqueza que é a língua portuguesa.
Chegando ao shopping ontem, me deparei com invencionices da série global Saramandaia, sobre a qual eu já estava rascunhado cronicalizar. Lá estavam asas enormes representando o anjo da história; um espelho que refletia uma imagem redonda de quem se coloca-se diante dele; a imagem de São Dias, padroeiro de Bole-bole, uma homenagem ao criador da trama original, Dias Gomes e a todos os dramaturgos brasileiros.
A imagem do santo tem o rosto dele, nas mãos ele segura uma pena e um caderno. No manto: letras, máscaras de riso e choro símbolos das artes cênicas e multicores representam o lúdico e a criatividade. Uma outra criação exposta, era da cadeira cheia de raízes, onde fica sentado o personagem com raízes também, representado pelo grande Tarcísio Meira. Quando o sono não me vence assisto a mini-série e além de adorar o palavrês, gosto muito do folclorês, adoro por exemplo as galinhas imaginárias da personagem de Fernanda Montenegro
Pera! Tive de súbito uma revelação! Milagrices do tal São Dias? Ou terá sido o saramandês bolibolense que corre em minha veias a pedir reconhecimento? Dizem que crianças absorvem deverasmente como esponja o que ouvem, entendendo ou não, desde o ventre das mães. Dai uma elo de minha epifania sobre a minha mania e gosto por inventar palavras e adotar palavras inventadas pelos outros. Mas de fato apassarinhei-me, desfiz-me em entendimento como dente de leão ao vento foi na tal exposição. Lá, vi que a novela que originou a série passou em 1976, ano em que nasci e deduzi que a tv devia ficar ligada e eu ligada nela.

17 de julho de 2013

Naturezinha particular

"É por demais de grande a natureza de Deus
Eu queria fazer para mim uma naturezinha particular
Tão pequena que coubesse na ponta do meu lápis
Fosse ela, quem me dera, só do tamanho do meu quintal
No quintal ia nascer um pé de tamarindo apenas
Para uso dos passarinhos.
E que as manhãs elaborassem outras aves
Para compor o azul do céu.
E se não fosse pedir demais
Eu queria que no fundo corresse um rio
Na verdade, na verdade
A coisa mais importante que eu desejava era o rio
No rio eu e a nossa turma
A gente iria todo dia jogar cangapé nas águas correntes
Essa, eu penso é que seria a minha naturezinha particular
Até onde o meu pequeno lápis poderia alcançar"
Poemas rupestres é o nome do livro de Manoel de Barros onde foi publicada essa poesia ai de cima, chamada: O lápis, da qual foi retirada a frase bordada por uma passarinha chamada Helga na almofadinha de meu sobrinho que apareceu na foto que postei sábado aqui.
Os escritos do livro são fruto da infância do autor, inspirados na natureza e que a retratam poeticamente, falando de pedras, árvores, bichos, água, terra, sentimentos e sensações, de uma maneira pulsante, simples e metafórica. 
Acho quintais poeticamente e vivencialmente sensacionais e defendo que devia estar no estatuto da criança, do adolescente e do idoso, direito a um quintal. No do poema de Mané o pé de tamarino é dos pássaros e o rio, a parte mais importante, é símbolo de diversão e quem sabe não seja de treino para vida.
Uma curiosidade (que eu não sabia e pesquisei) é sobre o tal Cangapé que nada mais é do que uma brincadeira de pega-pega no rio, de onde alguém brota do fundo das águas determinado a derrubar quem está ao alcance. Estudiosos e leigos referenciam as brincadeiras de infância a lições e treinos para vida e um treino dessa brincadeira bem pode ser o de se preparar para situações daquelas que aprecem do nada, prontas a nos darem rasteiras, a testar e surpreender nossas habilidades, destreza, astúcia, medo. Na brincadeira e na vida, do leito a corrente, cada um tem que se defender e quem se prepara, quem treina brincando tem mais chances de sucesso quando não for brincadeira.
Nadando até o final do poema, declaro que amo cotocos de lápis para desenhar e escrever, de preferência com pontas gastas. E é com a pequenice da ponta do lápis que Manoel define a grandeza de se ter uma naturezinha particular, criadora, inventiva, fértil. Que assim plantemos e colhamos nossos canteiros, hortas, florestas particulares e o infinito ao nosso redor.

16 de julho de 2013

De cinza a laranja

Falei por aqui, por ai, ali e acolá, piei aos quatro ventos sobre não ter lido nem me interessado e lamentar pelos livros da famosa série cinzenta terem tantos leitores e vendas. Eis que passado o burburinho de tais tons, azulei com a publicação e leitura das Crônicas Gris, primeiro livro de uma amiga e escritora de mãos, alma e coração cheios: Ana Paula Amaral.
Já me sentindo mais beje, branca, branda e sem acompanhar os mais lidos e vendidos das livrarias, surpreendo-me, fico laranja e com bigodes ao saber que um livro de poesias bate recordes de vendas. Livro que comprei por indicação de meu irmão e seria para dar a ele, mas não será mais, engordarei a lista de vendas da Companhia das letras, pois o que está aqui é meu.
Estou multicor, é um fenômeno em nosso país um livro nacional e de poesia está na lista do mais vendidos. Leminski, o responsável por tal feito, nasceu em Curitiba, em 24 de agosto de 1944 e em 7 de julho de 1989 foi escrever poesia nas nuvens. Um escritor, poeta, crítico literário, tradutor e professor brasileiro que penso eu, teve por parte tanto da editora, quanto das livrarias, no lançamento e na visibilidade dada ao livro Toda poesia, o mesmo tratamento dado aos best seller´s de carteirinha, sem distinção por ser de um autor nacional e de um gênero pouco lido. Apostaram e confiaram na potência do autor e dos seus escritos e devem estar comemorando.
O resultado aproxima os leitores de bons autores, escritores e da poesia e quem sabe abra portas, janelas, estantes, para os escritores brasileiros, de longa estrada e novos, que alargue visões, poetize o mercado editorial e as boas escolhas de leitura das pessoas. Oxalá que assim seja!

15 de julho de 2013

A semente e os frutos

Em um papel ofício dobrado e amassadinho vindo lá das terras portuguesas, mais precisamente da Fundação José Saramago, pelas mãos de meu irmão amado (para puxar o saco e não perder a rima), palavras de José e sobre ele, entregues na exposição permanente que há lá Fundação, chamada: A semente e os frutos.
Lembrei dos tempos de Faculdade, fiz o curso de Letras Vernáculas e havia uma matéria chamada Metodologia científica, que deveria ensinar sobre métodos de estudo e pesquisa, mas o professor dava umas viajadas além do conteúdo curricular. Lembro que em um de seus dias de inspiração ele discursou sobre sermos o que semeamos, sobre uma semente de macieira gerar invariavelmente maçãs. Simples e filosófico assim! Para se pensar e praticar.
Voltando a Saramago, das primeiras linhas do tal papel, que vou espremer como laranja cheia de sumo, separei um trechinho para trazer para cá:
"Vivemos ao lado de tudo que é negativo como se não tivesse importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro. Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isso continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica". Palavras dele uma entrevista em 20 de fevereiro de 1994. A 19 anos atrás e tão atual, lamentável.
Tanto nós como o mundo em que vivemos é o que plantamos. E depois de pesquisar sobre a Fundação e andarilhar pelas terras, plantações, sementes e frutos desse autor que adoro, descobrir um ingrediente a mais no meu gostar dele. Amo azeitonas e Saramago amava oliveiras. Descobri que ele plantou em sua casa uma oliveira levada entre suas pernas no avião de sua terra natal. Aterrizou na ilha de Lanzarote sã e salva a viajante e ele cuidou para que ela se adaptasse vento forte e ao solo rochoso do lugar.
Numa cerimônia no primeiro ano de sua morte foi plantada uma oliveira centenária transplantada de lá de Azinhaga (sua terra natal) e ali foram colocadas suas cinzas. No local diante da Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, há um banco de jardim e uma pedra mármore que faz as vezes de lápide, com uma frase do seu livro Memorial do Convento: “Mas não subiu para as estrelas se à terra pertencia". 
A relação entre ele e a árvore foi eternizada e esse ano poeticamente reforçada com a plantação de uma oliveira de aço de cinco metros de altura em homenagem a ele, no mesmo local. As iniciais do seu nome compõe a escultura, um J no tronco e muitos S em suas copa.
Semeada a minha vontade de ir lá ver de perto, histórias Saramaguianas contadas, o recado de plantar para colher dado, deixo para finalizar meu desejo de uma frutífera semana a todos.

13 de julho de 2013

T de Tia

Estou ensaiando comprar para meu sobrinho que vai fazer um aninho em outubro, para quando ele já não estiver com tanta fome pelos livros (entenda-se: colocá-los na boca e comê-los) um tal de um livro das tias de Ziraldo e eis que pesquisando informações sobre o livro, descobri que há uma série com o tema tias, escritos por ele.
Vou ver cada um de pertinho, para comprar totalmente intencionada a ele me amar e me dar um quando crescer, com direito a uma linda dedicatória. Tudo a ver um livro de Ziraldo, dado por um Zaion a uma Tia Titi.
O grande livro das tias, Tantas tias, Tia te amo, Tia nota dez e  O caminho das sete tias são os nominhos dos livrinhos e quando Ziraldo diz que "tia é o melhor amigo do homem", ele está falando de tias de um modo geral: as tias da escola (que na minha época eram as ajudantes e hoje muitos alunos chamam as professoras assim), as tia de consideração e tios também, além das irmãs e irmãos de nossos pais e suas esposas e maridos que já são agregadas automaticamente ao cargo. Todo mundo tem uma tia legal, preferida e muitas histórias com tias. Eu já devo ter falado aqui algumas vezes de minha tia preferida, Tia Nélia e de memórias do baú de histórias que tenho com ela. Tenho ainda uma lista de outras tias que quero muito bem, vale pontuar.
Ser tia de verdade ou de mentirinha é muito legal. Eu era até a chegada de meu fofucho sobrinho Zaion uma tia emprestada dos sobrinhos de meu marido, sendo que uma menininha que esse ano vai me fazer lembrar que estou velha, fazendo quinze anos e que se chama Luisa, sempre foi a minha menina do olhos. 
Esse post é uma declaração de amor às tias(os) e sobrinhos(as) que fazem parte de nossas vidas. Dizem que dia 21 de setembro é o dia das tias, anota ai viu Kátia e coloca no calendário de Zaion. Não poderia ser mais poética a data, pois esse é o dia da árvore e tias são como árvores, cheias de braços, abraços, folhas, flores e frutos.

12 de julho de 2013

Terapia em grupo

Eu sou tipo Lp, como eu disse aqui o outro dia, tenho lado A e B, para várias coisas, gosto de petit-gateau´s, marcas, modices e afins, mas também curto café em caneca plástica, pão com ovo e adoráveis simplicidades. Adoro estar com os cabelos esvoaçantes, unhas pintadas, mas vou a qualquer lugar sem bater ponto no salão. Gostando ou não, sendo clientes assíduas(os) ou de caju em caju, salões de beleza são verdadeiros centros de terapia em grupo.
Sem exceção, sempre volto mais do que com as unhas e cabelos transformados, trago histórias da cliente ao lado, da funcionária, de algum passante, do canal de tv que não podemos escolher ou das revistas dos mais variados tipos e datas (umas fresquinhas do mês outras de anos atrás). 
Semana passada cheguei a pedir um pedaço de papel a moça do balcão e fiz anotações de uma revista que nem vi a data, com os lápis de cores da mesinha de diversões para crianças. Uma criança que acompanhava a mãe falou uma palavra que não precisei anotar, gravei. Ela disse que queria ir no shopping, o salão sendo em um mini-shopping, a mãe respondeu que elas estavam num shopping e ela retrucou no ato: - Mas eu queria ir em um shopão!
Outra história desse dia foi uma sacada ecológica que me chamou a atenção. Hoje em dia nos salões, por higiene e prevenção, tudo tem que ser esterilizado, individualizado e para as mais exigentes, personalizado. As lixas deixaram a muito de ser de uso comum, já trouxe muitas para casa por conta disso e outras novinhas e estalando vi sendo descartadas sem a menor cerimônia.
Lixar unha para mim já é em si uma terapia, como a minha cresce como mato, me acabo na lixação, sempre bem redondinhas e simétricas com suas vizinhas. Para minha surpresa, na hora da manicure lixar minhas unhas, ela sacou da gavetinha de utilidades um palito plástico em forma de lixa, lisinho, sem lixa Ai ela pegou duas tirinhas adesivas com lixa, destacou e colou na extremidade do palito, sobrando um pontinha para fora, para arrancar quando acabasse o serviço. Modernice e menos lixo no mundo. Adorei!
Fora a terapia grupal dos salões de beleza, o joguinho de dominó, baralho, futebol, o bate papo entre amigos, também são terapias muito agregadoras. Agradeço as parceiras e parceiros de divã e desejo uma terapêutica e proveitosa sexta-feira e final de semana a todos.

11 de julho de 2013

Impermanência e Coerência

Aceitar a impermanência nos permite tirar proveito dos altos e baixos, compreendendo a mutabilidade das coisas, dos sentimentos, das sensações, da natureza. Essa reflexão ficou fazendo eco em mim, bem como o nome de São Miguel arcanjo, por conta de um entrevista que vi com Miguel Falabella semana passada. E entre essa entrevista e uma outra no mesmo programa, pesquisas que fiz, lampejos de luzes e inspirações de anjos e arcanjos, descobri e reuni uma porção de curiosidades e historinhas.
A tradução literal para o nome Miguel é “Aquele como Deus”, fica a dica para repartimos os pedidos e orações entre o arcanjo e o imediato que por vezes deve ficar atolado de pedidos. Nos ensinamentos católicos o arcanjo é guerreiro espiritual contra o mal, entre os homens e internamente.
Os arcanjos Miguel (anjo dos anjos), Gabriel (o mensageiro) e Rafael (arcanjo da cura, da dedicação e protetor dos viajantes) são os mais venerados na Igreja Católica. Há outros e diversas histórias sobre esses três em outras religiões e no próprio catolicismo, que fica a dica, vale a pena conhecer.
Entre anjos, arcanjos a santos, fiquei me perguntando qual o sentido, onde está a coerência em se erguer e cultuar um templo ostentador dedicado a São Francisco? Simbolo de votos de pobreza, vida e obras de simplicidade e desapego. Estou me referindo a Igreja de São Francisco, uma das mais famosas igrejas aqui de Salvador (bem como devem haver outras por ai), conhecida como a igreja de ouro, linda por fora e por dentro que em seu belíssimo estilo Barroco destoa em coerência com o santo que representa, sendo internamente toda talhada em ouro. Calcula-se que foi usada uma tonelada de ouro nos douramentos. O santo não deve estar de acordo lá do alto e nem se sentir bem lá.
Ai fiquei pensando no pedido do papa para as delegações dos países gastarem o que gastariam indo ver sua pose, com os pobres, com os problemas de suas nações. Senti vergonha do tamanho da delegação e do gasto de D. Dilma. Não me senti representada por ela.
O pedido do papa e as mudanças de hábitos e posturas em seu pontifício é uma aula de coerência, é discurso e com exemplo, e isso dá liga. Falando em liga, liguei essa reflexão ao filme sobre Mandela que indiquei semana passada aqui: Invictus, que além da história de vida dele, é uma fonte de inspiração e motivação, com lições de perdão, superação, bom uso da impermanência, de união e civilidade é um guia sobre coerência, sobre começar por si e em casa o que queremos ver do lado de fora de nossas janelas.
Para finalizar vou dividir com vocês uma reflexão muito legal e coerente sobre as vezes na vida em que nós corremos atrás de algo que desejamos e parece que quanto mais pedimos aos anjos e santos, quanto mais querermos e quanto mais nos movemos, a coisa se afasta de nós. Nessa circunstância a técnica de parar pode ser a melhor forma de alcançar o que se quer, como quem corre atrás de um balão de ar e a corrida faz criar um vaco entre a pessoa e o balão e parar faz a atmosfera se acalmar e o balão vir. Ouvi de Falabella essa metáfora e ela entrou no meu manual.
Que aprendamos a viver na impermanência, que tenhamos fé, seja no que for, que sejamos coerentes e que saibamos distinguir as bolas de couro que ao avançar alcançamos e os balões de ar que ao pararmos vem a nós.

10 de julho de 2013

Comunicação. Eis a questão!

Sinto uma mania viral de quando falo (ou outras pessoas falam umas com as outras) e o ouvinte pensa, julga, faz correlações, numa velocidade incompatível, numa ruidosa dessintonia. 
Estou ensaiando comprar um livro que vi na revista de anúncios da Livraria Cultura chamado: Palavras que funcionam. Não é o que você diz, é o que as pessoas ouvem. É um livro voltado para a comunicação empresarial, que bem podemos aplicar os conceitos e práticas em nossas vidas e relações, afinal nas empresas e nas famílias ou ciclos sociais, há em comum a existência de regrinhas, leituras, entrelinhas e entremeios que envolvem pessoas, metas, objetivos e busca pelo sucesso.
Tenho chegado a conclusão de que as pessoas ouvem o que querem e também ouvem, vêem e enxergam o que são, o que tem como valores, verdades, vivências. Há portanto que se perceber o limite do outro, o universo, a linguagem, para como diz o dito popular não pregarmos no deserto.
O tempo todo da hora que acordamos a hora que vamos dormir, de bebês a idosos necessitamos nos comunicar e somos os beneficiados ou vítimas da qualidade dessa comunicação, estejamos conscientes ou não. 
Escolher as palavras, ouvir atentamente, sem rótulos, elimina ruídos, promove entendimento, engrandece a comunicação e com isso as relações.

9 de julho de 2013

Rachi o quê?

A utilização do símbolo # (hashtag) vem se expandindo e marcando presença. Antes ele era usado esporadicamente para confirmação de procedimentos via telefone e em alguns aparelhos fixos a tecla com esse símbolo tinha (tem) a função redial (que redisca automaticamente para o último número chamado).
Falando em discar que agora se chama digitar, lembrei dos telefones de disco, que com o dedo dentro da vaga do número se ia até o fim de linha e voltava. Quem não usou ou mexeu em um deve estar sem entendimento sensorial do que estou dizendo.
O hashtag também chamado de lasanha, jogo da velha e outros nomes pitorescos é agora muito usado como ferramenta de comunicação nas redes sociais e como peça-chave de campanhas publicitárias. Com quatro riscos dá-se uma nova roupagem, um upgrade em expressões, marcas e tudo acompanhado por ele assume uma visualização e identidade descolada e jovem.
Na rede do passarinho azul, quando o usuário clica em uma # ele obtém acesso imediato a todos os outros # (lá chamados de tweets), sobre aquele assunto.
Existe uma disputa por ser top#. Entre os britânicos, #stayonyourfeet está entre as favoritas do ano, a frase, que quer dizer "fique em pé" em tradução livre, foi usada por um comentarista de futebol inglês durante um jogo da Liga dos Campeões entre o time espanhol Real Madrid e o inglês Tottenham Hotspure virou mania, uma nova mania de criar gírias e jargões.
Alem de moda o danado do # economicamente falando, assumiu valor agregado, uma vez que é uma ferramenta de custo zero, empresas e marcas não pagam para criar uma hashtag, o que a torna acessível a qualquer anunciante.

8 de julho de 2013

Lógica e poesia

Quando comecei a estudar pela primeira vez lógica, para concurso público, descobri que não há muita lógica na lógica e isso me deixou encafifada. Os exercícios, raciocínios, perguntas e respostas subliminares dão um ar interpretativo as questões e a interpretação geralmente não leva a resposta certa. Um professor explicou em uma das vídeo-aulas que assisti, o conceito dele sobre lógica e achei uma pérola poética, vale para se ver com poesia, para ver coisas onde aparamente não há, como sugere o personagem escritor de Morgan Freeman no filme: O reencontro, que super-recomendo. Ando recomendando muitos filmes por aqui e semana passada falei inclusive de um com esse mesmo ator, parta mim uma sumidade.
Voltando ao professor e sua definição, ele disse que lógica é procurar por um chapéu preto em uma sala escura sabendo que ele não está lá.
Poesia então é lógica pura, histórias, sonhos, tudo muito lógico, matemático, garantia de multiplicações, divisões, somas e algumas subtrações que fazem parte da vida, que dimensionam o valor do que temos.

7 de julho de 2013

P qd td ficar p&b

Amanhã é segundona e segundas-feiras, dias  atípicos, situações tensas, angustiantes, momentos em que estamos sem paciência, assoberbados, cansados, da vontade total de dizer: Parem o mundo que eu quero descer! Não é? 
Não! Não é o meu caso hoje, tô só ponderando para quando eu estiver assim, me auto-aconselhar e quem sabe dar um sacode em alguém que esteja.
Quando bater o desânimo, seja pela segunda ou por qualquer outro motivo, podemos parar o mundo que gira freneticamente em nossa cabeça e se der para parar o movimento ao redor, melhor ainda.
É indispensável parar, pausar, combater o que nos põe para baixo, desacelerar, diminuir a marcha, o ritmo e seguir em frente, porque o mundo e o tempo, como dizia Cazuza, não para. Colorido domingo a todos!

5 de julho de 2013

Negra é a raiz da liberdade

"Um ganhador é um sonhador que nunca se rende"
"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes 
Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida 
É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta"
Palavras do resistente e sábio Nelson Mandela, Madiba para os íntimos, adorei esse nominho. E nessas poucas palavras, bem como em suas histórias de vida ele nos chama a razão, a verdade de que bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
"Á medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo". Separei um trechinho de um filme inspirado na vida de Madiba, com o grande Morgan Freeman no seu papel, no qual, em um diálogo, há muitas lições. Clica aqui para ver. Reflexões, frases, atitudes, exemplos de um homem que é exemplo de luta, de raça, de busca pelo bem comum, pelos direitos humanos, pela dignidade, pela sua liberdade e a de milhares de pessoas que construíram nações a custo de sangue e humilhações. 
Acompanhando as notícias sobre seu estado de saúde, seus feitos, lendo frases suas, li em algum lugar que ele disse: "Não há nada como regressar a um lugar que está igual Para descobrir o quanto a gente mudou." Ele regressará ao céu, de onde veio e vai descobrir além do que já sabe, o quanto ele mudou e o quanto mudou a vida de tanta gente.
Desejei em um comentário em um blog amigo que o homenageou que ele deixasse fiapinhos de sua coragem, doçura, equilibro, paz, sagacidade, garra, sabedoria no ar para cada um de nós absorver e como toda sexta aqui na Bahia é dia de orações e de boas energias, resolvi refazer o pedido, com as benção de todas os santos, orixás, todas as contas, todos os credos e cantos, porque toda sexta toda pele é negra e todo mundo é baiano junto, diz a canção. Que assim seja. Resistência, dignidade, respeito, paz e bem a todos os homens de bom coração! A Mandela minha admiração!

4 de julho de 2013

Tão longe, tão perto

Os Estados Unidos é bem longe, nunca fui boa em geografia, mas posso garantir o quanto é longe pois foi minha primeira viagem internacional e como tinha medo de avião fiquei acordadinha todo o voo, sei que não sei voar, sou só passarinha no apelido, infelizmente, mas fiquei de olhos abertos, monitorando o piloto, risos. Medo superado, Disney visitada e a certeza de que é tudo muito legal lá, mais do que eu já achava que era legal, sem política, histórias, economia e outras questões na baila. Eu curto todas as influências positivas e afinidades pessoais que tenho com todo canto do mundo.
Hoje, 4 de julho, tenho no cadastro uma data cívica que não é minha, mas resolvi trazer para cá. Resumindo, tudo começou em 1607, quando um pequeno grupo de colonizadores fundou a primeira colônia inglesa permanente na América, seguidas de outras tantas espalhadas pela costa Atlântica, todas sob o domínio do rei da Inglaterra que resolveu cobrar impostos dos parceiros colonizadores, que se recusaram a pagar, dando início início a muitas revoltas e à Guerra da Independência em 1775 e um ano depois foi formulada a Declaração da Independência para proclamar a separação das 13 colônias americanas da Inglaterra, escrita por uma comissão liderada por Thomas Jefferson e promulgada em 4 de julho de 1776 na Filadélfia por delegados de todos os territórios.
Resolvi fazer essa postagem, não só pela presença constante da cultura, costumes, língua, produtos americanos em nosso dia-a-dia, seja nas grandes metrópoles ou em lugares distantes e recônditos, mas também para pegar o gancho para falar de um filme chamado: "Tão forte e Tão perto", uma história  muito triste e ao mesmo tempo muito linda, sobre um filho muito apegado ao pai que o perde no dia 11 de setembro, outra data que é deles e é do mundo, o infeliz dia em que as torres gêmeas foram atingidas.
Assisti a esse filme mais de uma vez e assistirei outras ainda e a cada vez me sensibilizo com as mensagens centrais e adjacentes, com o menininho, com a atuação de Tom Hanks (adoro), do senhorzinho que o fantástico papel do avó do menino e com Sandra Bullock, que dá show no desfecho da história.
Toda a história é cheia de sutilezas, metáforas, de exemplos de amor, de lições de vida, de vínculos familiares, de busca, de superação, de perdas, de independência. O artifício do personagem Oskar para vencer a ansiedade e o medo batendo em um pandeiro, a catalogação, visitas e encontros interessantes dele em sua busca por respostas, o livro de colagens e recorte, com o pai voltando a World Trade Center, as fotos do corpo caindo no ar que ele diz que cada filho, mulher, mãe, vê características de quem perdeu, as lembranças e frutos emocionais de suas brincadeiras com pai  que driblam e curam as manias do garoto, que usa máscara de gás e é um mini-gênio mas sem traquejos sociais. Ao meu ver, os jogos e brincadeiras criadas e incentivadas pelo pai são uma maneira que ele encontrou caso se ausentasse ou mesmo com sua presença, de que o garoto saísse de casa e se relacionasse com pessoas. Os traços do pai encontrados em seu avô e a confiança que ele deposita nele, a comunicação sem palavras e cheia delas entre os dois, clica aqui para ver um vídeo com cenas do filme sobre eles dois e entrevista com os atores sobre Max von Sydow, o ator que faz o papel do avô.
Do muito que gosto no filme, destaco a lição dada ao avô por Oskar, sobre o porque de ele não falar, de isso ter sido uma decisão dele como referência a um evento ruim, decisão essa que pode ser revogada, se assim ele decidir, como muitas das travas que muito de nós temos, que por vezes nos vencem, mas podemos vencê-las, como heróis que somos, cada um de nós.

3 de julho de 2013

Barcos, ilhas e nós

"Sim, às vezes naufraga-se pelo caminho, mas, se tal me viesse a acontecer, deverias escrever nos anais do porto que o ponto a que cheguei foi esse. Chegar sempre se chega”. Frase de um conto sobre a busca de uma ilha que não consta em nenhum mapa, em um livrinho pequenino e cheio de lições, chamado: O conto da ilha desconhecida, de Saramago. Eu ainda não tenho ele em minha coleção mas já o li mais de uma vez e sempre recomendo por ser uma leitura breve, uma história de paralelos com as histórias e vidas de todo ser humano, suas buscas, pensamentos, encontros.
Um homem buscava um barco e após tê-lo a sua disposição procurou por marinheiros, que não quiseram ajudá-lo na busca pela tal ilha que não existi no mapa. Eles não queriam sair de suas vidas tranquilas e sair à procura do “impossível”. É preciso coragem, esperança, obstinação, paixão para sair em busca de algo que não se vê e não há garantias de sucesso. E como em muitas histórias de vida, o homem encontra uma parceira, a mulher da limpeza do palácio do rei que lhe cedeu o barco e que sai pela porta das decisões para acompanhá-lo. Adoro esse nome dado a porta por onde ela sai, por onde nós saímos e entramos tantas vezes. "Cada escolha uma renúncia", ter isso em mente faz toda diferença e nos faz abrir as portas com mais consciência e mais envolvimento e as portas deixadas para trás ficam lá, fechadas.
E no conto, um completou o outro e as mãos dadas rumo ao desconhecido é a compreensão das verdades e dúvidas escondidas na alma (como uma ilha) que ainda que sem mapa, como é cada alma, pessoa e coração, é real, possível e habitável.
Sonhos que se sonham juntos, sonhar além do que se vê e se entende, do que possa ser só sonho, navegações para além mar, além razão, facilidade e com resistência para as adversidades em prol do porto seguro. Eles nomearam o barco de “Ilha Desconhecida” e como ocorre na vida e nos nossos barcos se lançaram ao mar, a procura e ao encontro de ilhas conhecidas,  desconhecidas e deles mesmos.

2 de julho de 2013

Datas cívicas e significativas

Até 1763, Salvador foi a capital do Brasil e cá estavam instalados de malas e cuias os patrícios portugueses, há mais de 200 anos. Com as pressões pela independência, as tropas portuguesas concentravam e centralizavam seu comando em Salvador. Em fevereiro de 1822, chegou de Portugal a designação do brigadeiro Madeira de Mello para o comando das armas na Bahia e ai foi batalha pra tudo que foi canto de todo o recôncavo com os brasileiros no incio sob o comando do general Pedro Labatut e depois do coronel José Joaquim de Lima e Silva. A batalha decisiva foi em 2 de julho de 1823 quando as tropas brasileiras entraram em Salvador.
Um soldado muito hábil e audacioso de nome Medeiros, juntou-se às tropas que combatiam os portugueses no movimento de Independência. Maria Quitéria de Jesus Medeiros, disfarçada de homem, foi esse soldado, que teve uma infância normal e depois da morte de sua mãe, assumiu a tarefa de cuidar dos dois irmãos mais novos. Já crescida, ao saber da convocação do exército pediu permissão ao pai para se alistar, mas ele não deixou. Ela então se disfarçou com roupas emprestadas do cunhado e, contra a vontade do pai, alistou-se no regimento de artilharia, como soldado Medeiros. Foi transferida para a infantaria e passou a integrar o Batalhão dos Voluntários do Imperador, tornando-se a primeira mulher a pertencer a um unidade militar no Brasil. 
Maria Quitéria é patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Em 1953, aos cem anos de sua morte, o governo brasileiro decretou que seu retrato fosse inaugurado em todos os estabelecimentos, repartições e unidades do Exército do Brasil.
O festa do 2 de Julho, apesar de pouco conhecida nacionalmente é de grande valor e significado político e social para todo Brasil, na conquista de sua independência. O reconhecimento histórico e conhecimento dos heróis de nossa história, gente que simboliza nossa gente, é  justo e necessário no meu modo de ver, para uma sociedade mais interessada nas questões políticas e sociais, mais envolvida patrioticamente com suas cidades, seus patrimônios históricos materiais e imateriais. Homens e mulheres, de grande e baixa patentes,  lavradores, escravos, índios, pessoas que com seus estudos e habilidades de diversos tipos contribuíram para a independência de seus estados e do Brasil com um todo.
Maria Quitéria, Joana Angélica de quem falei aqui e tantos outros nomes devem ser apresentados nas escolas, falados em casa, lembrados, cultuados por seus feitos no dia-a-dia e em suas datas cívicas, com orgulho, respeito e admiração.

1 de julho de 2013

Justo em julho

Justo em julho começa o segundo semestre do ano
Acho justo e propício fazermos um balanço
Jurar em julho fazer melhor ou igual ao que já fizemos
Juntar tudo que sobra, que é luxo e dividir
Roupas, sapatos, livros, objetos entulhados
Nas gavetas, nos armários
E de coração transformar em doação
Jogar fora tudo que é lixo
Reciclar o que der para reaproveitar
E incinerar o que for poluente e nocivo
Isso vale para coisas concretas e abstratas
Justo em julho sejamos mais justos
Busquemos ficar juntos dos bons e justos
Juntando todo o meio ano que já passou
E mais um meio ano novinho em folha que temos pela frente
Acreditemos, busquemos, sejamos com as lagartas
Que justo quando parecem que vão morrer viram borboletas