30 de setembro de 2013

Dadi, paz e bem

Inspirada por um comentário carinhoso dia desses quando citei palavras de Dadi Janki, com relação a sua pessoinha franzina e sábia, resolvi trazê-la para cá, em uma postagem só dela, uma guia espiritual indiana, praticante de yoga, de 87 anos, que recebeu da Organização das nações unidas o título de Guardiã do Planeta, por seu trabalho em prol de mentes mais livres e pacíficas. Em 1978, ela foi submetida a um teste na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, quando então se tornou conhecida como "a mente mais estável do mundo" (suas ondas cerebrais não se alteram mesmo em situações extremas).
Dadi, como é chamada, é a tranqüilidade e paz em pessoa, veste branco por dentro e por fora. Suas palavras encantam pela pureza e ensinam basicamente que as mudanças possíveis ao mundo começam no coração de cada pessoa. Segue uma de suas pérolas:
"- Vivemos com muitas demandas de consumo. Eu quero isto, eu quero aquilo, aquilo outro e assim por diante. E todo mundo tem muitas demandas e expectativas. Se vivemos ao sabor das demandas externas, tudo o que conseguimos ver em termos de reconhecimento da personalidade humana é o que aparece na superfície, o que é artificial. E vida simples significa vida real."
Por uma semana e um mês de outubro em que o que de bom plantarmos, cresça e floresça e que a simplicidade, a verdade, o equilibro, o bem e a paz sejam sementes que se multipliquem.

28 de setembro de 2013

Sobre chaves, portas e janelas

Isso de ganhar quando se dá é mais que sensitivo e espiritual, é matemático. Em certas equações inclusive, ganhamos mais do que damos. Eu, por exemplo, quando abri a porta para o Projeto lenços que curam, ganhei várias chaves.
Venho recebendo mais que lenços e mais do que imaginei ganhar, que era a alegria nem que fosse por um minuto de quem vai receber cada um dos lenços e espero que a alegria dure mais, que se transforme, que faça brotar autoestima, esperança, coragem, curas.
Trouxe algumas histórias dos bastidores do projeto hoje, uma delas é a de um grupo de amigas que se reúnem para ler, conversar, refletir juntas e nesses encontros elas combinam de levar doações para serem dadas a quem precisa. Na última reunião todas levaram lenços para ajudar no projeto e eles estão vindo para Salvador com uma delas que vem a passeio para cá. Pessoas de quem nunca ouvi falar, não interagem aqui pelo blog comigo e que fazem algo espontâneo, leve e que enche de força o lado da corda de quem tem atitude.
E vai ter alguém que vai ganhar um lenço vindo do museu de Monet na França, com cores e aromas de carinho e desapego, esse veio com um bilhetinho contando a história da compra do lenço sem uso pretendido mas com destino parece que desenhado e assim muitas pessoas vão estar felizes pelo gesto de outras tantas que fizeram o bem, sem olhar a quem.
Trouxe para apresentar também, um contato, Ana Sanches que é psicóloga, voluntária na Ong Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos de Ubatuba, a Sapo Uba, desde 2006. Seguem palavras dela:
"Aprendi com as minhas "meninas", como carinhosamente chamo as bravas pacientes, que amar as pequenas coisas da vida é muito mais valioso do que imaginamos e que estar vivo todos os dias, é um grande presente de Deus! A Joaninha, assistente social aposentada e ex-paciente de câncer de mama, criou a Ong, anos atrás, e teve a ideia de montar um grupo de artes.
A Sapo distribui medicamentos e alimentação adequada a quem está em tratamento quimioterápico, apoio psicológico (óiii eu aqui), orientação durante todo o processo da doença...esclarecimentos sobre direitos do paciente....que mais??? Ah, tem as visitas domiciliares aos pacientes em estado grave, onde nossos voluntários levam além de carinho, a tentativa de suprir algumas necessidades básicas destes pacientes.
Enfim...Ubatuba não tem atendimento oncológico, tudo é feito fora daqui... daí somos referência para essas pessoas numa hora tão dolorida."
Clica aqui para conhecer o grupo de artes que nasceu da Ong, chamado Doces mimos, para apoiar, divulgar, ajudar e quem sabe se inspirar a fazer algum trabalho social, voluntário, pequeno ou grande e de coração, eu garanto que você vai ganhar muito mais do que vai dar, ajudar é uma chave que abre muitas portas e janelas dentro e fora de nós.

27 de setembro de 2013

Hoje é dia de caruru na Bahia

Cosme e Damião, irmãos gêmeos e médicos, conhecidos porque curavam pessoas e animais sem cobrar dinheiro, são santos na religião católica, protetores das crianças e dos doentes. No Candomblé eles são conhecidos como os orixás Ibejis, filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer o “Caruru dos Santos” ou “Caruru dos sete meninos”, em referência os sete irmãos: Cosme, Damião, Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi. Ver aqui e aqui as postagens dos anos passados.
O prato principal do chamado caruru como conjunto de pratos, é feito a base de quiabo, camarão seco e dendê e apesar de comum na mesa dos baianos, requer uma preparação especial quando feito como oferenda. Para manter a tradição, famílias inteiras passam, de geração em geração, os rituais e culinarices.
As regras começam na preparação, com sete quiabos inteiros em meio aos cortadinhos em rodelas. O convidado que tiver no seu prato, ao acaso, um desses quiabos, fica na obrigação de oferecer aos santos, a partir do ano seguinte, outro caruru. Geralmente junta-se uma turma para o preparo e quem oferece o caruru deve cortar o primeiro quiabo. Durante a festa, quem segue a tradição a risca, não serve bebida alcoólica.
Os primeiros a serem servidos são os donos da festa, os santos. Em um pratinho branco ou de barro, costuma-se colocar um tantinho de cada coisa e colocar aos pés da imagem, com balinhas em volta e velas cor de rosa. Os convidados especiais do banquete são sete crianças, que iniciam a comilança. Antigamente era colocada uma toalha de mesa no chão e as crianças se sentavam ao redor e comiam com as mãos a comida servida em uma bacia de barro.
É chamado de Caruru completo quando muitas iguarias acompanham o quiabo, não sei a lista completa, mas listei alguns itens: xinxim de galinha, vatapá, arroz branco, milho branco, feijão fradinho, feijão preto, farofa, acarajé, abará, banana-da-terra frita, pedacinhos de cana, pipoca.
“A comida é elo entre a comunidade e os ancestrais”, disse o antropólogo Vilson Caetano de Sousa Júnior, professor da Uneb (Universidade do Estado da Bahia) e autor do livro “Banquete Sagrado”. O acarajé também é uma comida de origem sagrada que passou a ser vendida nas ruas de Salvador. No passado muitas negras compraram sua alforria vendendo os quitutes feitos nos terreiros.
Há ainda a distribuição e consumo de doces,os mais comuns são balinhas de mel, cocada e rapadura, como simbolo de alegria, doçura, infância e para fazer pedidos, agradecimentos, cumprir promessas feitas e homenagear os santos irmãos, curandeiros, protetores, e festeiros.
Na Bahia, todas as sexta-feiras em restaurantes de comidas nordestinas e também nos de culinárias diversas, nos de comida a quilo e nas entregas de quentinhas, (marmitas, o popular pf), tem caruru no cardápio. Tradição e gosto que mais que gosto. Adoro! Salve Cosme e Damião! Sabores, fé, bençãos e proteção!

26 de setembro de 2013

Adotemos desaforos

Gosto de Dr. Drauzio Varella, a quem ouvi falar de pertinho em uma palestra no Salesiano quando meu filho estudava lá.  Me senti saudável só de estar perto dele, uma pessoa de voz mansa, explicações simples, gentil e culto.
Tem uma crônica dele muito legal e de utilidade pública que sugere deixemos barato e até de graça aborrecimentos comuns do dia-a-dia, como a disputa por uma vaga no estacionamento e o mal humor alheio. Saíamos da cena e do carro pelo carona, façamos um bom dia sem esperar ter de bandeja, sem reclamar ou praguejar. Essa é a melhor opção, Dr. Drauzio garante.
Acho que as pessoas tem que exigir seus direitos, chamar a atenção para abusos, falta de educação e gentileza alheios, não levar certos desaforos para casa sabe, mas tem uns que faz mais bem que mal adotar. Dar palco aos exaltados e nervosos é lhes dar cartaz não merecido. Não dar holofotes e ceder, sutilmente, deixar eles com vergonha (ou não) é uma boa escolha, tipo falar mais baixo a cada subida de voz ou sair de perto em casos de ataques, como se aconselha fazer com animais raivosos. Dizer a vaga é sua, pode ficar com a mesa, pode passar na minha frente, vou aqui, fique bem, tudo de bom pra você, não por gosto, mas por lição de moral.
Engolir o sapo, a rã ou o gorila, triturado em tudo de bom que temos em nós sem deixar que o azedume alheio estrague nossa doçura. Entrar numa de redefinir o que é ganhar e perder, pode ser a melhor das saídas e entradas.
Adotar um desaforo perdido, dado de graça ou um recorrente e levar ele para casa, tratar com talento, superioridade, psicologia, leveza e habilidade é a minha dica do dia. Vamos fazer juntos?

25 de setembro de 2013

Por um mundo melhor

Sabe quando agente começa a fazer algo novo, tipo yoga, ai passamos a saber sobre outros lugares que se pratica além do lugar onde fazemos as aulas, de lojas de roupas, de encontros, de tudo que envolve aquele universo, pois me envolvendo com o projeto dos lenços, outros tantos projetos foram sendo apresentados a mim, além de minha intenção em divulgar e apoiar alguns que conhecia se efetivarem.
Penso que não podemos sozinhos mudar o mundo, por questões financeiras, pessoais, emocionais, por limites que temos e que temos que ter e porque a muito o que ser mudado, então vamos fazer como formiguinhas, trabalhar em equipe.
Separei alguns projetos e trouxe para cá hoje. Um se chama: Brechó EcoSolidário, que para se informar sobre a proposta e colaborar é só clicar aqui. E a partir dele aproveito para falar de se criar o hábito de fazer faxina no armário, dividir roupas com quem precisa, dar um par de meias na rua a quem passa frio, um casaco, espontaneamente, sem alarde ou campanha e incentivar as crianças a fazerem esse tipo de ação. 
Fica a dica também para um brechó coletivo entre amigas, vizinhas e assim fazer as roupas tomarem novos destinos e o valor da arrecadação se transformar em algo mais útil, necessário ou pode até ser revertido em novas roupas. O que eu acho legal é fazer as coisas serem usadas, sair mais ao invés de comprar mais roupas também é uma boa opção.
Mudando de assunto para algo mais necessário ainda que roupas, mas no mesmo campo da solidariedade, quero pedir a todos que conheçam e divulguem um projeto que o valor de contribuição é pequeno e a importância, seriedade e alcance é muito grande, o Médico sem fronteiras. Clica aqui para conhecer e ajudar.
Para fechar, uma sementinha projeto de uma blogueira amiga, um movimento em prol de fazer algo, clica aqui para saber do que se trata, dar sugestões, apoiar, e ajudar. Paz, ação e bem a todos de bom coração!

Origens, círculos e nós

Essa imagem que não sei a autoria
Me fez lembrar do filme: Irmão urso
Que adoro e recomendo
E vei para cá para fazer pareja com algo que li em um blog vizinho:
"Tudo o que um indígena faz está num círculo
E isto é porque o poder do mundo sempre acontece em círculos
E tudo tenta ser redondo
O céu é redondo
E a terra é redonda como uma bola
E assim são as estrelas
O vento, em seu poder máximo, gira
Pássaros fazem seus ninhos em círculos
Pois deles é a mesma religião que a nossa
O sol se eleva e se põe em círculo
A lua faz o mesmo
E ambos são redondos
As estações formam um grande círculo em suas mudanças
E sempre voltam outra vez de onde vieram
A vida de um homem é um círculo
De infância à infância
E assim é em tudo onde se movimenta o poder"
Eu, nascida no dia do índio, me vejo na obrigação, fora o gosto, de revindicar, como já reivindiquei aqui (ver aqui e nas entrelinhas aqui e aqui) por mais respeito, reverências, valorização histórica e cultural a figura do índio, suas tradições e o vasto conhecimento que eles detém, além do reconhecimento de serem eles e não os portugueses os nosso descobridores, afinal no relato de chegada diz-se que eles estavam aqui e se estavam, foram eles que descobriram ora pois!
Fui cutucada por uma amiga de tribo, a cacique Ana Paula, com um link que ela me mandou de um Programa chamado "Diálogos", exibido na web, no canal Educartis, onde o apresentador Maurício Curi, entrevista: Kaká Verá, um índio que dentre outras coisa discorre sobre a expressão "programa de índio" se referir originalmente a todo programa que não tinha objetivos específicos, encontros para contemplação, para flanar, para jogar conversa fora. Com a desenvolução, porque vamos combinar, ao mesmo passo que evoluímos em algumas frentes e regredimos em outras,  a expressão passou a ser usada inadvertidamente para programas chatos, porque para os agitados de plantão com intenções em tudo, de metas numéricas de caças a serem abatidas a bebidas a serem entornadas, negociações a serem feitas, bater papo, tomar sorvete, caminhar pelo shopping para ver vitrine, bem como coisas bizarras, foram colocadas em um mesmo lugar comum, na categoria programa de índio.
Como propôs o entrevistador eis-me aqui para fortalecer a liga  pela mudança de uso da expressão: Passemos a dizer com sorriso e suspiro, agora vou fazer um programa de índio, quando for cozinhar, quando for pescar, quando for fazer trabalhos manuais, quando for bater papo bom furado etc.
Os índios por muitos são vistos como vadios, como espertos por serem por vezes representados nos eventos culturais das escolas, dentre outros, por uma minoria sem respeito ou ligação de fato com a filosofia de vida e raízes legítimas indígenas, tem também a turma politizada e mercenária, de valores duvidosos como há as pencas de gente de todo tipo do mesmo tipo.
Tribo também é um termo usado de forma pejorativa, tribo disso e daquilo, turma, galera, gangue é mais da hora e com referências não tão da hora assim. Mas é tudo uma questão de hábito e eis-nos aqui para mudar o mundo, tarefa tão ao alcance e tão mistificada. Somos brasileiros, nosso chão foi adubado e germinado por índios, destemidos, guerreiros, sábios. Valor a quem é de se dar valor. "Um povo que não conhece o seu passado tem dificuldade de construir o seu futuro. Quem não sabe de onde veio, tem dificuldade de saber para onde vai. Quem não valoriza seus antecessores terá dificuldade de valorizar seus sucessores."
Em um circulo de reconhecimento, busquemos a simplicidade, vida de índio, com irmandade, energias trocadas com a natureza, espiritualidade, hierarquia, em danças, em roda, dados as mãos, elevando os pensamentos, incluindo expressões, defesas, objetos nas estantes, enfeites no figurino, comida saudável e feita com amor na mesa, sabedoria na nossa vida de escravos tão se achando libertos.

24 de setembro de 2013

Eu Lieri Calcanhoto

"Hoje penso que entendia mais do que imaginava
Hoje imagino muito mais do que entendo"
"Saiba!
Todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão, também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem
Saiba!
Todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
E também você e eu
Saiba!
Todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar
Saiba!
Todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano"
Adriana Calcanhoto

Tem um tempinho que não publico essa tag : Eu alguém, ai como tinha tempo, me mixei em dobro...risos. Anne Lieri é uma amiga blogueira, poeta, faceira, meio criança, característica boa, que faz agente ser as vezes maior do que quem é só grande, como Adriana Calcanhoto, que tem voz mansa, bonita e suave e um quê de poesia. 
Os dois cds Partimplim, não poderiam ter nome melhor, são pozinho mágico e encantado para adultos voltarem a ser crianças, para cantarolar com a colher de pau ou controle da tv fazendo as vezes de microfone, para crianças serem crianças, decorarem as letras, assistirem ao dvd, representarem nas escolas, ser trabalhado como material didático e lúdico nas escolas em em casa. Obras destinadas para “crianças de qualquer idade”, como ela mesma define,
Soube que Adriana publicou um livro chamado: “Antologia ilustrada da poesia brasileira”, uma reunião ilustrada de poemas de Gonçalves Dias, Drummond, Vinicius de Moraes, Adélia Prado, Leminski, dentre outros nomes. Um dos mais novos itens da minha lista de comprinhas literárias.
Por hoje e para hoje e todos os dias: poesias, os outros em nós, nós nos outros, energia e alegria de criança, boas vivências, leituras, comprinhas e aventuranças.

23 de setembro de 2013

Anota ai

Elisa Lucinda, para quem não sabe, é uma poetisa, jornalista, cantora e atriz brasileira, por quem tenho especial admiração, gosto do seu jeito simples, do olhar, da energia quando canta e atua, do seu lado poeta e trouxe hoje algumas palavras dela, que em uma entrevista na semana passada, disse achar que para escrever, para ser poeta é preciso não perder o espanto, ser como criança e não achar o biscoito de ontem igual ao de hoje, ainda que sejam idênticos, ter o gostinho, o encantamento, a euforia de estreia a cada estreia e reestreia de tudo, ter olhos abertos para coisas simples. Anotei no papel e coloquei em negrito por dentro o que eu já tinha como certeza, de não ser o necessário não só para escrever, mas para viver. Segue trecho de apresentação de um de seus livros, chamado: "A Fúria da Beleza":
"Uma hora a gente joga, outra hora é a vez da vida jogar. É assim sempre. Mas, às vezes, a gente quer forçar a barra da vida, impor a ela nosso desejo, enquadrá-la à nossa pressa, determinar o seu tempo, ditar sozinho a ordem das cenas do grande roteiro. Acontece que a vida também é rio, é mar; está sujeita às correntezas, às luas, às tempestades, aos sóis, aos desígnios do vento e nos põe diante da sua verdade incontestável: ela flui. E nos cabe respeitar sua fluência.
Por vezes é difícil aceitá-la. Então a literatura vem e ensaia a gente: quando esse livro começou a nascer, seu embrião tinha outro nome, Caderno abóbora. Pretendia esse ser um livro ensolarado, explodido de cores, matizes, com poemas nascidos de um caderninho laranja que tive, donde só saia poema bom. Organizei-o nessa viagem, cuja estrutura se concentrava na variação desse tema cor. Como um fruto que amadurece e passa do seu tempo de colheita, esse Caderno abóbora caiu na relva.
Ficou lá, exposto às chuvas, às secas, invernos, geadas, verões intermitentes e às minhas mudanças. Enquanto isso, saiam da mesma árvore e na frente, livros para criança. O fruto ao cair partiu-se e partindo retornou ao seu estado de semente, se misturando de novo à velha terra. Silêncio sobre esse nome.
Enquanto isso a fábrica de poema trabalhava dia e noite sem parar e, quando pude me dedicar ao velho livro, cinco anos depois de sua ideia original, ele já era outro. É certo que não deixou de ser um livro de tons na sua ossadura onírica de cronos e cromos. Havia um espanto além das cores e havia também outros cadernos cheios de outros poemas que falavam ao meu coração, além daquele caderninho fértil. Aos poucos A fúria da beleza, mero nome de poema, foi virando o nome de um capítulo do livro. Dei uma saidinha e quando voltei ele já era o nome do livro e tinha tomado o poder."
Tomemos o poder, ouçamos e observemos o que nos cerca, o poder da natureza, dos ensinamentos e valores em que acreditamos e sigamos com poesia, proza, crônicas, narrativas, no comando e na carona, olhando para o lado, pra trás, para frente, observando, contemplando com euforia de estreia, se adaptando ao que for preciso se adaptar, colocando  a mão na massa, a faca no dente, os pingos nos is, buscando e praticando paz e bem nessa semana e em todas as outras que vem.

22 de setembro de 2013

Boas vindas a primavera

Cecília Meireles definiu:
"A primavera chegará
Mesmo que ninguém mais saiba seu nome
Nem acredite no calendário
Nem possua jardim para recebê-la"
Que vejamos ainda muitas primaveras chegarem
Sabendo o dia exato
Repetindo seu nome
Se admirando com suas flores, cores, aromas
Acreditando nos cuidados do homem com a natureza
Acreditando no calendário
Possuindo jardins, praças
Canteiros, vasos
Terra, água
E todos os sentidos para recebê-la
Com suas flores e frutos

21 de setembro de 2013

Tias e árvores

Tinha contado aqui que no dia 21 de setembro é comemorado o dia das tias, então hoje vim parabenizar todas as tias, as de verdade e as de mentirinha. Tia é tudo de bom! Hoje também é o dia oficial e comemorativo das árvores, que são de todo dia, que fazem fotossíntese, renovam o ar que respiramos, fazem qualquer cenário mais bonito, fazem poses, balançam ao vento, dão flores e frutos, ensinam sobre viver com suas raízes e folhas em asas. Dica: abrace uma tia e uma árvore e cuidemos uns dos outros. Amanhã tem um post especial para primavera que traz flores, cores, encantos, simbologias e poesias.

Não a perfeição crônica

Ilustração de Gustavo Aimar
O nome da pintura é Autoboicot
E achei sintonicamente na busca por uma imagem para o texto que segue
Não existe ser humano perfeito, nem vida perfeita, sem erros, sem dores. Entrar nessa exigência do mundo atual de estar sempre sorrindo, de não ser aceito um dia estarmos para baixo, ou mais de um dia, por motivos aparentes ou por estarmos mais sentimentais, saudosos ou seja lá o que for.
Alguém está doente, de repouso, se recuperando física e mentalmente e há quem fica como formigas em doce querendo arrancar a pessoa de casa, como se o mundo fosse acabar por ela estar em pausa. E isso é um exemplo ameno, tem que não deixa o amigo ou familiar viver o luto, quer que a pessoa aceite e mude de humor e de sintonia como quem muda a estação no rádio. Tem quem não dorme, por contas, calor, barriga cheia ou tudo junto, um ou dois dias seguidos e antes de cogitar identificar os motivos, toma remédio para dormir.
Tem quem vê um amigo passando por problemas com bebida, com drogas, com comportamentos impróprios e ao começar a se tratar, tomar remédios, desacelerar, estranha e incentiva que ele volte ao "normal", com uma definição de normal completamente distorcida e nessa euforia desenfreada leva a pessoa para lugares onde o que lhe faz mal é o prato principal, tudo em nome do sorriso fácil e a qualquer preço.
Há felicidade no silêncio, debaixo do cobertor, em salas de cinema nas sextas a noite, além da bebida, além da gargalhada e da dança. Há palavras e riqueza no silêncio que muito pouco se faz, na falta de pressa, de compromissos. Cada uma em seu ritmo, a seu tempo, sem padronização ou perfeição como bandeiras de salvação.
"Na vida, estamos constantemente descobrindo o que nos faz buscar nossa inteireza. A metáfora é interessante e pode nos ajudar a compreender melhor: o mosaico é feito de partes; essas partes se conjugam e compõem uma única peça. São inúmeros e pequenos significados que constroem a trama do mosaico. A pequena peça é fundamental para a construção do todo, e por isso não pode ser negada, separada. Assim somos nós." Palavras de Padre Fábio de Melo, que fala muito nesse assunto no livro: Quem me roubou de mim, onde são abordados os roubos pelos outros e as vezes por nós mesmos dos pedaços de nosso mosaico, dos pedaços bons e ruins que compõe o nosso todo, o sentido de ficar triste, chorar, errar, o valor que há no que é ruim, o que os erros nos ensinam, como as perdas e dores fazem dimensionarmos o que temos de bom, o que almejamos, tudo parte do que somos e do que podemos ou não vir a ser, depende de como lidamos com cada pecinha.
As dores, a saudade, a insatisfação são partes da vida e esses sentimentos não devem ser maquiados, medicados, desconsiderados por um viver por fora crocante e por dentro bolorento. Que cultivemos mais de humano em nós e a nossa volta. Bom final de semana!

20 de setembro de 2013

Arianices

Tinha essa imagem guardada aqui
E na busca por uma ilustração para os escritos que seguem
Achei ela um mix de encantada, ariana e joia rara
Essa semana começou uma nova novela no horário das seis, quem é leitor assíduo por aqui sabe da minha estreita relações com as novelas desse horário e já leu sobre filosofias novelescas divididas e costuradas em verso e proza.
Ainda hoje cantarolo e vejo claramente as ceninhas ilustradas e nordestinas da abertura de Cordel Encantado e eis que Açucena e muitos outros atores da novela cordelista estão na nova novela, para mim de cara um joia rara, pois os ensinamentos e filosofias de Buda, são um prato cheio, na verdade um prato vazio que enchemos a gosto e o gosto é de pura sabedoria.
Buda vale pontuar, conforme definiu um dos artista na apresentação de seu papel, não é tido como um Deus, mas como um homem que se iluminou e portanto é um convite a que cada um busque a iluminação, a sabedoria, saiba-se e faça-se joia rara.
Como autêntica ariana que sou, simplicidade é um dos meus sobrenomes, um outro é complicada, para não ter lógica, porque lógica e poesia não tem muito a ver. Então! Acontece que eu agora estou com saudade de Flor do caribe, de Dona Veridiana, da paradisíaca e praieira Vila dos ventos, dos barcos, das músicas da trilha sonora, das culinarices dos cafés das manhãs e almoços das casas alheias, de Candinho e da cabra Ariana. que tinha seu nome em homenagem a Ariano Suassuna, com sua permissão, contento e referências ao Alto da Compadecida, que já perdi a conta de quantas vezes assisti.
Fiquei matutando que algum autor bem podia lançar a moda de se fazer uma novela de continuação de novelas passadas, com histórias ainda por fiar. Fica a dica e desejo de uma sexta-feira com cores e sabores praieiros, de feira, pés na areia, no chão, na grama, arianices, flores, leite de cabra, suassunices, filosofias e budices a todos.

19 de setembro de 2013

A palavra é passiflora

A palavra do dia é: passiflora e veio nada menos, que do banho de meu sobrinho Zaion e seus muitos produtinhos de higiene pessoal: sabonete, shampoo e condicionador para um punhadico de cabelos sedosos por si só e perfume para finalizar.
Criança devidamente cheirosa, embora eu adore cheirinho de criança azedinha, o cheiro e o nome da fragrância que espiei na embalagem: passiflora, juntamente com ele de cabelos lambidos e roupinhas lavadas, para mim figuraram um passaverso palpável e post na certa.
E lá fui eu pesquisar e descobri que passiflora é um dos nomes da flor do maracujá, que tem, assim como a polpa do fruto, propriedades calmantes, relaxantes, analgésicas, sedativas. Essa imagem é de uma passiflora fechadinha e laranjinha, existem de várias cores e tipos.
O aroma da flor de maracá, como chamo intimamente o maracujá, é muito utilizado na aromaterapia e sua beleza e delicadeza são de acalmar os olhos. Enquanto florescia na escrita da postagem lembrei de um certo menino que tomava suco de maracujá na casa de sua vó e contou em seu blog que o suco derramado por ele mesmo em seus escritos sedaram qualquer tipo de leitura dos mesmos. Foi nesse dia que virei leitora de suas crônicas e amiga de sua vozinha, Dona Valdice. Vós são passifloras, sejam maleáveis, duronas, doces, azedinhas, bordadeiras, fazedoras de bolinhos de chuva ou tempestade em copo d´água, cozinhadeiras de frango grelhado ou arroz doce como ninguém, caseiras, empresárias ou rainhas da dança de salão, esquecidas, com memória boa, não importa as habilidades, o humor, elas são flores de nosso jardim, como nossos avôs, pais, mães, filhos(as), sobrinhos(as), irmãos.
Com poesia, carinho, aceitação e suco de maracujá quando a agitação de assalto nos tomar, tenhamos apreço e enchamos de adereços nossas relações familiares. Passifloras, paciência, parentices e pacimônia a todos!

18 de setembro de 2013

Entre amigos

A medida que venho "conhecendo" Moacyr Scliar, através de suas crônicas e escritos sobre ele, venho me sentindo em casa. Ele conheceu, conviveu, trocou cartas e dedicatórias com ninguém menos que Clarice Lispector, que acreditem: não foi reconhecida como uma boa escritora a primeira e a segunda vista. Mas o sensível Sciliar desde algo lido, escrito por ela na adolescência, se perguntou: Como alguém pode escrever tão bem? 
Um outro amigo dele por quem tenho, como por Clarice, especial admiração, foi Saramago, segundo palavras dele uma pessoa leve. Sempre o imaginei leve além da forma física, sisudez e opiniões fortes.
Leminsk por sua vez, descobri dia desses é o autor da música Verdura de Caetano, vi foto dele com Gil e soube que era amigo pessoal de Arnaldo Antunes, de quem sou fã.
Quando o agora famoso poeta bigodudo partiu, juntamente com a viúva e poética Alice Ruiz, Arnaldo Antunes compôs e gravou uma música por sua partida, que já cantarolei sem saber de sua história, uma melodia doce e letra triste e linda, de despedida, chamada: Socorro.
Ver aqui, matéria sobre Leminsk, depoimentos da família e as produções que estão por vir, como áudios, filme e outros livros. Eu adorei saber que em comum temos o hábito e gosto de escrever em guardanapos e sacos de pão.
Divaguei: - Será que um dia serão contadas ou comentadas as minhas crônicas e opiniões, falando de minhas amigas também escritoras Ana Paula e Keila Gon e vice-versa ? Será que meus poemas serão algum dia cantados por alguém famoso? Será que estarei entre amigas literárias e nossos livros com dedicatórias, ficarão para história?

17 de setembro de 2013

Do campo e da cidade



Outro dia eu trouxe para cá um texto que não era de minha autoria, mas me apropriei da reflexão, de ser uma escritora do asfalto, sem rios, árvores, nem mesmo quintal, mas com mar, graças a geografia, para me inspirar a poetar e cronicalizar.
Da mesma autora li outro dia um texto no qual ela revela que não consegue associar o cheiro de verde ao asfalto, usando outra analogia similar a que ela usou. Como nasci contestadora, eu declaro a quem interessar possa, que eu acho que a graça da coisa é justamente essa, ser urbano e sentir-se rural ou ser rural e ter desejos de cidade grande. Eu por exemplo, adoro cheiro de mato, de terra molhada, passarinhos, galinhas e pintinhos ciscando, leite de vaca fresquinho, mas estaria em um lugar assim por vezes pensando no letreiro da Mac-Donald´s. Assim como receberia um sedex e sentaria na grama para folhear um livro recém lançado, vindos de além mar de coisas que por ali eu certamente não iria encontrar, sem deprimir ou me enraivar.  Bem como entre prédios, barulheira de buzinas, obras, gente de lá pra cá, televisão e parafernalhas eletrônicas, passarinhos cantando para mim é som que combina, como salvação, sinal de vida, de leveza.
Comentei com uma amiga, nos bastidores aqui do blog, que também leu o texto e disse ter se lembrado de mim, que para mim, vale a canção: "Quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé" e eu não nasci no samba, nem no samba me criei, filha de espanhóis, na terra do axé, o samba para mim é canção que contagia, batucada na mesa, em balde virado de ponta-cabeça ou caixa de fósforo, em pandeiro ou tamborim, som de cuica, chocalho, letras que são verdadeiras poesias, o traje branco do malandro, todo cheio de elegância, a saia rodada das meninas, o prazer de sambar, rodar e cantarolar é sem igual, bate por dentro. Tem um quê africano, brasileiro, brejeiro, que para quem dança, toca e canta, parece que os males espanta.
Na mesma leva, sempre achei que quem não gosta de criança tem algo errado, bem como tem em quem gatos e passarinhos não gostam de se aproximar, essa é aprendizado da cultura popular. Como diz um amigo meu, nesse mundo vamos morrer e não ver de tudo, tem quem não gosta de passarinho e não um não gostar traumático ou velado, tímido e explicável por alguma situação, coisa narrada com requintes, que se estende a estampas e objetos com os voadores e tentativa de explicação e perdão, essa parte do achar que precisa de perdão, bem pode ser um sinal salvação.
Enfim, como diziam os antigos, o que é de gosto é regalo da vida, que assim seja, mas eu cá comigo acho que não gostar de moscas, cobras ou crocodilos tem melhor expliqueza. A propósito no fio da mesma meada, li uma matéria (aqui) sobre pessoas em Sampa incomodadas com a cantoria dos sabiás laranjeiras, essa espécie das imagens de perfil e refrescância lá em cima. "Diz uma antiga lenda indígena que, durante as madrugadas, no início da primavera, quando uma criança ouve o canto de um sabiá-laranjeira, ela é abençoada com amor, felicidade e paz." Será que vale para adultos por fora que tem uma criança por dentro?

16 de setembro de 2013

Ação é a solução

Eu tenho tido com o Projeto lenços que curam muitos retornos, no que se refere ao objetivo em si, a pessoas que achei que iam colaborar e se envolver e não o fizeram, cada uma com seus motivos, que não estou aqui para julgar, a pessoas desconhecidas de diversos lugares, inclusive do exterior, que surgiram das conexões virtuais, pessoas que se apresentaram e estamos mantendo contato, outras que simplesmente pegaram o endereço e mandaram sua contribuição, pessoas envolvidas com projetos voluntários de artesanato e costura que estão fazendo com uso de retalhos e trabalho comunitário lenços para enviar, pessoas que estão divulgando em sues blogs, sites, por e-mail, entre os seus parentes e amigos.
Dentre os feedback´s que recebi porém, há muitos relatos de desânimo e falta de retorno concreto quanto as doações, ai vim dizer que para mim isso não foi novidade, apesar de ser otimista, como ariana genuína, também sou bem realista. Nas redes sociais virtuais, curtidas e compartilhadas se fazem com cliques e sem compromisso, sem envolvimento efetivo. Se repassa uma campanha, se curte, mas muitos poucos se dão ao trabalho de comentar e menos ainda de fazer algo, acha-se que replicar já é o bastante. Isso também ocorre nas nossas redes de relacionamentos reais, as pessoas se dizem sensibilizadas, cristãs, disponíveis, interessadas, mas não estendem a mão, não movem uma palha como se diz, não dão um prego numa barra de sabão, não agem.
Quem ai conhece a campanha "Não foi acidente", que versa sobre a mistura de álcool e direção, bem como condução de veículos sob condições adversas e isso ser crime e não acidente? Quem ai entrou lá no site e assinou? Uma estrelinha para quem o fez. Quem incentivou? Não só falando, mas sentando diante do computador e pedindo o cpf e assinando com e por filhos, marido, irmãos, mães, pais? Um pedacinho de céu estrelado para quem o fez ou vai fazer isso, em 10 minutos a qualquer hora do dia, não precisa ser no atribulado horário comercial. Vale gastar vários 10 minutos, as vezes gastos com fofocas e acompanhamento da vida do alheio e expandir os horizontes, como por exemplo, na mesa de bar, festinha de aniversário, encontro casual de amigos, quando o discursador da vez estiver a plenos pulmões falando de cidadania e atitudes, acessar no celular o site da campanha e fazer todos assinarem. #Isso muda o mundo.
Mudando de assunto: Quem se abaixa e pega um papel na areia da praia e leva até o lixo? E quem conhece e acha legal a criação e manutenção de Carol, de uma biblioteca comunitária numa área carente de Goiás? Quem já mandou um livro (um só que seja, que é muito bem vindo) para lá? Quem não tinha livros para mandar e foi num sebo e comprou alguns e mandou? Quem comprou livros novinhos e mandou? Quem ai teve a ideia de comprar os tais livros, de sebo ou livraria convencional pelo site e já colocar o endereço de lá para baratear o envio? Quem reuniu livros, saiu pedindo: - Me dá um livro para eu doar? Me dê um caixa de lápis?, entre os colegas de trabalho, os vizinhos, os parentes. E quem nunca mandou porque o envio pelos correios é caro? Já pensou em a cada doação pedir 1 real, ou 2 e assim pagar o envio que até meio quilo é o mesmo valor. Acontece que livros pesam. É! Pesam! Mas livros tem taxas mais baratas para serem enviados pelos correios, chamadas: Impresso ou Registro módico.
Lenços não pesam, lenços são baratos e o gasto com o envio bem podia ser encarado como um chopp não tomado, um lanche, um café por vários sorrisos. Podem ser arrecadados marcando-se um encontro no shopping ou numa praça, para se aproveitar e rever quem não se vê a muito tempo, pode ser solicitado que seja levado no almoço de família domingo em casa, no dia de reunião na empresa.
Viu algum caso na tv que te tocou? Liga para emissora, entra no site, manda uma mensagem, escreve uma carta, entra na internet e procura o que quer doar naquela cidade com serviço de entrega.
Eu acho que soluções existem aos montes para os empecilhos que há entre nós e a ajuda que podemos dar. Sair do papel de telespectador para o de coadjuvante em muitas histórias, depende de nós, rumo a quem sabe o papel principal com direito a prêmios de atuação valiosos. Sejamos mais que otimistas, sensíveis, compartilhadores, incentivadores, sejamos possibilistas e atuantes. E tenho dito!

Trapiches e nós

Imagem da web
"O trapiche, frágil construção fincada no mar, é o porto seguro daqueles que ultrapassam profundezas e ondas agitadas. Frágil construção, segurança para frágeis vidas. Mas quantas são as vezes que eu frágil-trapiche fui apoio para outros e quantas vezes outros foram apoio para mim, livrando-me das profundezas do mar, de tormentas e grandes ondas?"
Rita Maçaneiro é escritora e realiza um trabalho voluntário, muito legal, que incentiva a valorização da vida através da leitura. É o Projeto: "De papo pro ar", uma iniciativa de prática de inclusão social através da leitura e interpretação de textos com crianças, jovens e adultos em escolas da rede pública, especialmente na zona rural. As atividades culturais e leituras entre a população de baixa renda acaba por se constitui em lastro e engrenagem para a vida pessoal, para a auto-estima, dignidade e cidadania de cada individuo participante e dos que circundam ele.
Em um de seus livros, que é voltado para o publico infanto-juvenil, mas é do tipo para todas as idades, chamado: 7 bilhões, a história contada é a de um homem maluquinho que busca perceber o essencial da vida nas coisas mais simples: "as surpresas da chuva, do vento, do sol, do riso, de um doce, de um abraço" e o aproveitamento do momento presente. 
Que percebemos o essencial, vivamos e pratiquemos a simplicidade e as melhorias e mudanças que queremos ver no mundo, o futuro como fruto do que cultivamos no presente. Sejamos ao mesmo tempo trapiches e sólidas construções.

15 de setembro de 2013

Sobre plantar e colher

"Para plantar há escolhas
Para colher, apenas o que plantamos"
Provérbio oriental
Desde os tempos de namoro que ganho flores do maridão, foram muitos buquês entregues em mãos, no trabalho, no cursinho, em casa, em cestas de café da manhã, com cartões, bilhetes, bichinhos de pelúcia, tenho pétalas e muitos adesivos colados nas agendas, rosas vermelhas a maioria das vezes, orquídeas e sempre foi e ainda é uma emoção. Eu amo receber flores e ele é fiel na compra, sempre na mesma floricultura, a Ikebana.
Como amante das palavras e de curiosidades, para quem não sabe, ikebana é um termo em japonês que significa flores vivas e consiste na arte de montar arranjos de flores, com base em regrinhas e simbolismos.
Eu também adoro ver flores, árvores, grama, por onde passo. Lugares arborizados são lugares vivos, assim como uma flor no meio do centro da cidade de pedra que é Sampa, que fotografei e postei aqui uma vez, é a humanização do asfalto, um toque de poesia no dia de quem não passa despercebido por esse convite a um sorriso e reflexão sobre o milagre e beleza da vida.
Abrindo no final de semana passado minha caixa de e-mail´s a Ikebana estava lá, me apresentando uma campanha e me convidando para participar. Pelo simpático convite, a causa, pelas flores que já me entregaram e por amor a natureza estou aqui hoje.
Em novembro de 2012, a Floricultura deu inicio a campanha Plante uma Árvore no Gandarela e está plantando mudas com o auxilio de diversos blogs e sites na Serra do Gandarela, lá em Minas Gerais. 
Até o momento, mais de 100 internautas contribuíram com a campanha, obedecendo a um cronograma de plantio, no qual a muda é plantada em uma área devastada em nome do internauta colaborador. Esse ano já foi realizado um plantio em janeiro e outro está programado para outubro. A ideia de uma árvore plantada em meu nome me deixou arvorosamente floral.
Achei a campanha super positiva, uma iniciativa agregadora e que tem tudo a ver com o que sempre trago para cá e o que diz a frase da ilustração, devemos ser a mudança que queremos ver no mundo, devemos ter atitude além do discurso no cuidado com a natureza.
Meu lado passarinha e minha razão humana dizem que bons plantios são necessários tanto para natureza, quanto para as vivências de cada um, precisamos ter posturas e atitudes de boa semeadura e cuidados para uma boa colheita. Convido todos a participarem e a terem a campanha como exemplo para inciativas semelhantes em seus bairros, cidades, seja individual ou coletivamente.

14 de setembro de 2013

O certo do errado

Acredito que tem algo que faz o bom e ruim terem serventia
A nossa atitude
O lado certo da vida errada é o nome de uma das músicas do Charlie Brown Jr e vendo uma homenagem feita a Chorão e Champignon por ocasião do começo do Rock in Rio ontem, fiquei pensando como a morte de um cantor, de um artista ou alguma figura pública marca nossas vidas. Lembro pessoalmente das notícias e dos sentimentos pela morte de Cazuza, de Renato Russo, Ayrton Sena e José Saramago, mortes de pessoas tão distantes de mim e tão perto, através do que escreveram, falaram, fizeram e com o que me identificava, da história de suas vidas, por serem pessoas para mim inspiradoras, por estarem ao alcance das memórias de minha adolescência e adultência, de momentos meus, como trilha sonora,  livro de cabeceira, programa de domingo, referências por seus bons e também maus exemplos.
"Gostaria de olhar nos olhos do Chorão e falar alguma coisa que tocasse o coração dele. Infelizmente eu não posso mais", disse Rodolfo Abrantes, ex-vocalista dos Raimundos, na ocasião da partida do amigo. Não deixemos para quando não for mais possível dizer nos olhos de quem é nosso amigo ou conhecido e está perdido ou se achando na razão, que o buraco é mais embaixo, que o caminho tá errado e que você não concorda, se preocupa e está fazendo a sua parte em não fazer cara de paisagem.
Na discografia do Charlie Brown Jr em muitas músicas é citado o nome do altíssimo, Chorão gostava de "trocar uma ideia com Deus", frase usada por ele para batizar a faixa bônus que fecha o disco "Nadando com os tubarões". Ele falava em Deus, fala em salvação, superação e não se salvou, isso faz dele um perdedor ou um lutador? Devemos não acreditar nem seguir o que ele dizia, por julgar que nem ele mesmo ele seguia? Eu não concordo, pois muitas vezes já escrevi para mim mesma ler e absorver a mensagem e em muitas vezes absorvi, outras não, como disse a mestre Clarice: "Escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria vida".
Já fui muito e ainda me pego e luto contra, de deixar de ir a tal lugar ou usar tal coisa por fazer referência a momentos ruins,  cismar com determinado cantor ou ator por saber detalhes amargos de sua vida, mas isso é uma bobagem, afinal ninguém é perfeito, o lugar e as coisas não são a fonte de nossos erros, nem acertos e não é só o lado bom das pessoas e da vida nossa única fonte de aprendizados.
A canção Lugar ao sol diz: "Eu descobri que é azul a cor da parede da casa de Deus". Que os meninos da Charlie Brown de fato tenha descoberto, ainda que tarde demais, eu daqui já tenho plena certeza disso. Que estejam em paz, que busquemos a paz em terra firme mesmo, pois creio que o céu e o inferno são aqui e fechar os olhos para o que é ruim não nos mantém livre, mistifica e há mais mistérios dentro, do que fora de nós. Decifremos ou seremos devorados. 
"Viva cada segundo com respeito. Quando se movimenta rápido demais você perde o ponto de encontro entre a mente e a matéria e torna-se como a lebre, que era mais ligeira, mas perdeu a corrida." Palavras de Dadi Janki em Pérolas de Sabedoria. Bom e sábio final de semana a todos!

13 de setembro de 2013

Por mais doçura

Queijo coalho e melaço
Adoro!
Tirei essa foto num restaurante que marido me levou para conhecer
Cadeiras, mesas e gostosuras embaixo de amendoeiras
Ao ar livre, sem nenhum outro ponto comercial por perto
Amei, fotografamos uma amendoeira
Comi super bem
Peguei uma folha para meu amigo Pedrinho que coleciona folhas
E vou escrever outro dia sobre esse dia
Hoje o assunto é por doçuras além do paladar
Por doçura nas palavras das receitas
Como assim?
Vou explicar
Ligo eu para minha mãe para saber como fazer arroz doce, que sou especialista em comer, mas nunca havia feito. Ai minha mãe me disse que eu colocasse a água para ferver, já com o arroz dentro, uma pitada de sal, uma lasca de canela e um pedaço da casca de um limão. Tudo ia bem até ela dizer uma coisa que entristeceu a receita. 
Sempre digo por aqui como gosto de palavras e também como desgosto de algumas. Pois bem! D. Conchita disse que quando o arroz já estivesse quase secando eu colocasse o leite de coco, o açúcar e desprezasse o limão. Oi? Hein! Que violência com o limão! O que uma palavra tão feia faz numa receita de um doce?, eu pensei. Seria muito mais educado e gentil com o colaborador limão, dizer que ele precisa ser retirado, ou algo mais cortês. Desprezo é muito forte, nas minhas receitas não entra.
O rabisco dessa história estava no forno e eu trouxe ela para cá pois uma amiga falou no blog dela na semana passada sobre a ordem as vezes sem sentido de adicionar os ingredientes em uma receita, fazendo uma analogia com a vida, que tem desde passos a passos a serem seguidos para se ter um bom resultado final, como espaço para intervenções para se ter resultados diferenciados.
No tema culinária, vejo por ai receitinhas por demais expliquentas, com descrições dantescas, tipo: são 3 ovos, ai na receita diz: coloque um, depois o outro, depois o terceiro = coloque os 3, ou todos os ovos, para que tanto suspense, parecendo que um dos ovos vai ter outro destino.
Não gosto também de finais do tipo: sirva, coma, ou imperativos como: sirva quente, corte em pequenos pedaços, um atentado muitas vezes ao raciocínio óbvio ou ao gosto de cada um. Divagações e piadinhas a parte, fico por aqui com o incentivo a arte e prazer de cozinhar e de comer, sem pressa e celular na mão, sem falar palavrões na mesa, nem fazer cara feia para o que não gosta ou nunca provou, com a dica de colocar sempre palavras bonitas como ingrediente em tudo e desejo de uma saborosa sexta-feira.

12 de setembro de 2013

Twitices

Li por ai em meus voos internéticos que lá na rede social do passarinho azul estão sendo semeadas histórias miúdas, mudas de histórias, histórias em pílulas como nomeou a matéria.
Na chamada "Twitteratura" escritores de todo o mundo estão se aventurando a produzir prosas, poesias, nanocontos, aforismos e até mesmo sequências de tweets que montam tweet-contos, tweet-novelas e tweet-criativices.
Pratasmente o gênero teria como representante o grande Oswald de Andrade, que antes da primeira metade do século XX se destacava no Brasil praticando uma literatura curta, sem rima ou métrica, com linguagem coloquial e descrições em poucas palavras. Convenhamos que em muitos casos, 140 caracteres são até excessivos para passar, com qualidade uma mensagem, provocar curiosidade ou cutucar um leitor adormecido.
Seguem perfis de twiteiros literários para quem faz parte da rede:
@cemtoques - O projeto "Cem Toques Cravados" é mantido pelo escritor e roteirista de HQs paulista Edson Rossatto. Traz nanocontos com exatos 100 toques
@millorfernandes - Perfil oficial do escritor e chargista carioca Millôr Fernandes (1923 - 2012). Aproveita ditos do próprio, famoso por suas tiradas de gênio
@marcelinofreire - O pernambucano Marcelino Freire ficou conhecido por seus contos. Na twitteratura e se deu bem. Seu primeiro livro, é uma coleção de aforismos
@carpinejar - O poeta gaúcho Fabrício Carpinejar é um dos mais bem autores brasileiros da rede social. Publica poemas e nanocontos. A conta já rendeu até um livro

Identidade, por favor

Ilustração pescada na web

Não vou falar de pedido de rg, nem sobre faixa etária, o assunto é a total falta de identidade dos times de futebol, que se vendem aos patrocinadores sem cerimônia em descaracterizar as cores de cada bandeira. Eu acho um absurdo e estou aqui para incentivar que os amantes de suas bandeiras questionem e façam essa realidade surreal mudar.
Fico, como torcedora e admiradora do esporte, indignada por de costas já não saber mais se uma pessoa vestida com uma camisa azul é cruzeirense, pode ser um corintiano. Vejam só aonde chegamos!
Qualquer cor pode ser qualquer time, por causa das camisas assumirem a cor ou cores do patrocinador, ou serem temáticas. De frente não fica melhor, os escudos dos times brasileiros, que conheço quase todos, parecem dizer: Estou na padronagem errada! Tirem-me dessa camisa, não pertenço a ela!
As pessoas deviam ser mais exigentes, dos diretores e jogadores aos torcedores. Eu sou, como rubro-negra me nego a vestir qualquer camisa de meu time que não seja preta e vermelha. Vi esses dias uma de listras brancas e pretas, o vendedor disse sorridente que é lançamento e que está vendendo muito. Pensei: Serão santistas encubados? ou Saudades de Neymar?
Afirmo, sem tem quem me convença do contrário: Vai muito mais além de patrocínio a cor da camisa de um time. Nos Estados Unidos, por exemplo, números de camisas são eternizados como exclusivos de jogadores que fizeram história, camisas de times são as mesmas desde a fundação dos clubes. Isso se chama: tradição. E é bonito, cheio de valores que não se paga com dinheiro e patrocínio.
O nome do patrocinador na camisa é o que devia ser permitido, com suas cores e símbolos, dentro da sua logomarca. Punto e basta! Alguém por favor faça alguma coisa, ou não demora para aparecerem camisas quadriculadas, poás, florais e outras padronagens que representem o patrocínio e quem sabe até a seleção brasileira não passe a ter padrão vermelho, laranja ou preto. Eu já não duvido mais de nada.
Outra reclamação também no tema: Futebol e patrocínios é a associação indevida entre o esporte e bebidas alcoólicas, cervejas para ser mais exata. É esdruxula essa correlação entre álcool, esporte, saúde, os muitos torcedores menores de idade, uma incitação ao consumo de algo nocivo, uma relação completamente inadequada. E tenho dito!

11 de setembro de 2013

Bolhas de sabão, bicicletas e eu

Na busca de imagens para ilustrar minhas postagens vi essa bicicleta ai de cima, soltando bolhas de sabão e pensei no ato como criança em loja de brinquedos ou diante de uma vitrine de doces: Quero!
Pesquisei e descobri que é um dispositivo que ganhou um prêmio de designer que faz isso e ainda lança sementes nos lugares por onde as pedaladas do ciclista passar. Resultado: Quero ainda mais! 
Não descobri onde comprar, mais trouxe para juntos descobrimos ou para produzirmos algo parecido, para compartilhar o desejo e a descoberta e sairmos, nem que seja pedalado com um copo de água com sabão preso ao guidão e arame em um das mãos assoprando bolhas por ai.
Bloom é o nome da criação de genial simplicidade: um pequeno tubo de alumínio colocado junto ao eixo da roda traseira da bicicleta que em movimento faz ele espalhar bolhas de sabão recheadas de sementes, deixando um rastro encantado e ecológico de beleza e futuras folhas e flores. 
Outro dia eu soube, ensinado por um artista de rua, que colocar um tantinho de mel na mistura água e sabão, faz as bolhas serem mais resistentes, demorarem de estourar. Adorei! Sempre achei bolhas de sabão doces, com mel, só reforça minha ideia. Fica a dica!
A bicicleta, simbolo dos veículos não poluentes e da vida ao ar livre fez ao meu ver boa pareja com esse acessório que precisa ser popularizado. Descobri ainda sobre o Bloom, que o sabão utilizado pelo criador é vegetal e um detalhinho mecânico para os engenheiros de plantão: o sistema liga-se ao eixo da bicicleta através de uma roda dentada que faz girar uma hélice que produz um sopro de ar contínuo, dando origem as dezenas de bolas de sabão que são lançadas acompanhadas das sementes que são transportadas pelo vento até caírem e germinarem, umedecidas pela água contida na bolha. Quem ai amou como eu, levanta a mão!

10 de setembro de 2013

Por memórias de elefante

Elefantemente feliz eu fico por não fazer parte da maioria no que se refere a memória. Chego nos lugares ou me vejo diante de um formulário a ser preenchido e sei sem consultas, os números de meu Rg, Cpf e também os de meu marido, sei o Cep de minha casa e o da casa de minha mãe aonde não moro a anos, mas já morei e o número ficou em meus registros, por mim muito valorizados. Sei muitos telefones e datas de aniversário, sem precisar consultar em agenda ou rede social e quando quero me lembrar de algo, faço todos os esforços possíveis de lembrar, de consultar quem se lembre, antes de recorrer a busca na internet, #isso treina a mente.
Acho que a nova geração e a velha que anda se entregando além da conta as facilidades e praticidades da modernidade vão precisar fazer muita cruzadinha para treinar a memória. Felizes são os animais por não saberem da existência do Google Maps, se não ia ser um tal de consultar trajeto, roteiro, distâncias, sem mais conseguirem se virar sozinhos. Que voem livres e sem preguiça os passarinhos e mantenham suas memórias de elefantes os espertos, simpáticos e gigantes mamíferos terrestres. Que os humanos façam uso do vasto e fantástico poder de cadastro e memorização que possuem, é um desperdício desprezar e um prejuízo que limita. E tenho dito!

9 de setembro de 2013

Fins, começos e recomeços

 
"Resgate suas forças e se sinta bem
Rompendo a sombra da própria loucura
Cuide de quem corre do seu lado e de quem te quer bem
Essa é a coisa mais pura" 
Postei aqui na ocasião da partida de Chorão, da banda Charlie Brown Júnior, pelo pesar da ida de uma pessoa jovem, talentosa, poética, de uma banda que eu curtia. Li na Revista Rolling Stones, a seguinte definição sobre o que aconteceu com o músico:
"Vivendo no limite e buscando incessantemente respostas, Chorão alcançou o sucesso, colecionou fãs e propagou mensagens. Mas nada foi suficiente para que ele conseguisse salvar a si próprio."
Hoje com a notícia da partida de seu companheiro de banda, Champignon, que assumiu o seu lugar de vocalista na nova configuração da banda, rebatizada de A banca, de súbito liguei para minha sobrinha de 15 anos, que gosta da banda, das músicas (gravei várias para ela) e que com 15 entende menos ainda que eu o porquê dessas coisas, de como e porquê as pessoas se perdem, maltratam a si e aos outros, se drogam, roubam, matam, tiram suas próprias vidas. Tanta gente lutando para viver, parece louco. E é! Achei que era meu papel falar alguma coisa. Como nas letras cantadas e escritas se ensina uma coisa e na própria vida não se pratica? Discurso e ação em desalinho não é um bom caminho. 
Penso que ninguém é juiz, perfeito, imune a desespero, erros, para julgar, criticar, explicar o que perpassa por um conjunto complexo de coisas, mas podemos tirar sempre lições dessas notícias e de acontecimentos mais próximos de nós, do descontrole da vida de pessoas a quem queremos bem, do labirinto mental, degradante, limitado em que se metem. 
Fechar os olhos, nem julgar são boas opções, abrir os olhos, abrir o fichário e bater o carimbo, ascender o alerta e orar por quem sofre perturbações, por quem partiu cedo, por quem desperdiça o milagre da vida, que há regras básicas, não há mistérios ou algo mais, é isso mesmo e é muito, é suficiente: acordar, dormir, trabalhar, se divertir com moderação, enxergar o valor, o prazer e a beleza das coisas simples,  saber perder e ganhar, comer, rezar, amar.

De grama em grama

Eu gosto de grama, para pisar descalça
Para deitar se estiver limpinha
Para estender uma esteira ou toalha em cima
Gosto do cheiro de grama sendo cortada
Molhada de chuva
E também do cheiro dela aquecida pelo sol
Gosto de grama para jogar futebol
Gostava quando criança de arrancar punhados
Para fazer comidinha para minhas bonecas
Fiz de tudo: pães, bolos, ensopados
Me sinto desafiada pelas placas: 
Não pisar na grama
E vou contestar e sugerir
Devia ter escrito em placas onde há grama nas grandes cidades
Fique descalço para pisar na grama
Que tal essa novidade?
Que de grama em grama
Grão em grão
De alma leve e bons sentimentos no coração
Tenhamos uma boa semana
Com sonhos voantes e pés nos chão

6 de setembro de 2013

Por lenços

Quem já tá por dentro do meu Projeto, já separou e comprou lenços, está fazendo, pedindo, divulgando, meu muito obrigada. Quem ainda está por fora, clica aqui. Eu soube que a caixa postal já vai ser inaugurada, Chica mandou a primeira das doações que o projeto vai receber. Muito auspicioso, pois joaninhas dão sorte e pessoas do bem também.
Para reforçar, antes de eu começar a tagarelar sem parar, segue o endereço para envio dos lenços que serão entregues junto com abraços, sorrisos que nem os das cinco marias da imagem e esperança a crianças e adultos com câncer e idosos de um lar com poucas visitas de parentes e amigos.
Cristina Couto
Caixa postal 5814
Agência Sumaré - Salvador - Bahia
CEP: 41.820.970
Vou contar sobre a entrega. Os lugares escolhidos vão depender de quantos lenços eu conseguir arrecadar, contarei por aqui tudinho. De certo já, é que vou fazer no dia 05 outubro um chá de arrecadação junto com a amiga companheira de Projeto de quem falei, que se chama Erika e uma nova parceira, amiga dela, uma guerreira chamada Aline, que está passando pela segunda vez por uma travessia pela doença. Nesse dia, tiraremos fotos usando lenços para mostrar as doações que chegarão de todo canto, incentivar a modinha do acessório e desmistificar o uso como um sinal da queda de cabelos.
Eu por exemplo, costumo amarrar a bandeira do Brasil como lenço na cabeça em dias de jogos da seleção, também já amarrei bandanas na adolescência e acho super charmoso. As mães e vós costumavam usar lenços e uma onda noiada de feminismo exagerado e beleza padronizada minou esse hábito que bem podia voltar. São tantos tecidos, estampas, possibilidades de amarração. Um acessório de fácil confecção e imensa variedade de estilos e preços, do popular ao de grife, a mais famosa é a Hermes, que ainda terei um para chamar de meu.
Na busca de imagens para essa postagem, descobri uma brincadeira chamada: Lenço vai atrás ou Corre Cotia, com direito a musiquinha desenterrada do meu baú de memórias e a lembrar de brincar não exatamente com lenços, nem com esse nome a brincadeira, mas o que vale é que atrás de lenços cá estou e achei uma delicia o achado e também achei um livro, chamado: O lenço, de Patricia Auerbach, que conta a história de uma menina que encontra um lenço na gaveta da mãe e transforma ele em vela, manto, vestido e muitas outras coisas, mostrando que todo objeto tem seu lado encantado.
Para quem tem criança ou quer relembrar os tempos de infância, a brincadeira do lenço atrás é assim: a turma senta em roda e tapa os olhos com as mãos, se a turma for muito danada, manda abaixar a cabeça com as mãos nos olhos. Alguém de pé anda por fora da roda, passando pelas costas dos outros enquanto canta: "Corre cotia, na casa da tia, corre cipó, na casa da vó, lencinho na mão caiu no chão, moça bonita do meu coração!", ai a criança de pé pergunta: Poso jogar? E as crianças da roda respondem: Pode!, a de pé pergunta: Ninguém vai olhar?, todas: Não!”. Neste momento o lenço é solto e cai atrás de alguém, todos começam a tatear e quando alguém acha começa o pega-pega e quem não sentar primeiro no lugar que ficou vazio sai e a brincadeira recomeça.
Além de brincar, as crianças também podem usar lenços na cabeça e ficam fofas. Homens mais fashionistas também podem apostar no uso, como alternativa além dos bonés e gorros. Além de na cabeça, vale usar os lenços amarrados no pescoço, no braço, na bolsa, mochila, na cintura.
Aproveito para convidar quem por aqui passar a conhecer umas das fontes desse projeto, uma garota portuguesa com certeza, guerreira e inspiradora, clica aqui. Vi a história dela em um blog amigo e juntei com a vontade de fazer alguma ação voluntária inspirada pelo carteiro de quem falei no mesmo dia desse post vizinho, em meu blog, costurando por fim ao encantamento com uma matéria que vi sobre o uso de acessórios, como capas, óculos coloridos, cintos tidos como mágicos para crianças que passam pelo sofrido processo da quimio. Uma história contada, uma magia, uma fonte de forças, tão ao alcance, objetos inocentemente poderosos.
Enfim, o projeto está acontecendo, vamos popularizar e incentivar o uso de lenços e sermos disseminadores de atitudes positivas, cooperação, carinho e alegria. Seguem as datas escolhidas para as entregas das arrecadações:
21 de novembro será a primeira entrega
Dia de São Gelásio, padroeiro dos palhaços
Penso nesse dia ir na ala infantil
Com crianças palhaços e balões além dos lenços 
E na ala de adultos, com um palhaço adulto e um realejo.
22 de novembro a segunda
Dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos e poetas
Que em muitas imagens usa lenço na cabeça
 Nesse dia quem receberá lenços, carinho, atenção
Baralhos, marcadores de livro com poesia
Livros, papéis e canetas será uma turma de idosos
Garimpei e escolhi esses dois dias simbólicos para a entrega, que além da fé, tem as figuras dos palhaços e poetas e suas imagens lúdicas, leves, coloridas, que não matam a fome, não são medicação, não fazem cabelo crescer, mas transcendem em energia boa, fazem sorrisos e esperança nascerem e florescerem. Que assim seja!

Pé de histórias

Ilustração que amei e de quem é não sei
Soube dias desses, foi de uma história do tipo vivida no Sítio do Pica-pau amarelo, narrada pela mãe de um amigo meu, a quem dei por conta do episódio, um codinome artístico: Bernardo Carrapato de Sabugosa. Clica aqui para saber do ocorrido.
Eu, como Emília Passarinha da Tagarela Solta, que sou e a irmã desse tal de Bernardo, como uma graciosa e linda Narizinha Magali das Jujubas, que é, bem poderíamos ser personagens das histórias que meu marido contava para nosso filho quando o já aborrecente, ainda era pequeno. Ele pegava personagens de histórias diferentes e partes das histórias, juntava coisas do cotidiano e fazia uma marmelada encantada.
Fiz um dia desses nomeações por ai num paralelo com os personagens do Sítio, Dona Benta seria Chica, a contadora de histórias, Neno e Santiago seus netos também ganharam seus papéis, que tomei alguma poção da Cuca (leia-se esquecimento) e já não me lembro mais quais foram.
Sim! Acordei infantil hoje, tagarela e com vontade de bolinhos de chuva, que ainda não provei e não arrisquei fazer pois não tenho mão boa para doces e queria que os primeiros fossem de primeira, de mãos de cozinheira aparentada com Tia Anastácia. Na verdade, na verdade, eu acho mesmo é que como falei em goiabas na postagem de anteontem, meu gaveteiro de memórias danou-se a mexer nos fichários e colocou na vitrola o vinil do Sítio e desatei a cantarolar em pareja com Gil: "Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo..." e costurarei todo esse blá blá blá.
Sem bolinhos de chuva, vou aqui comer goiabada com queijo na versão tradicional, já que também não tem na minha geladeira a versão americana, cheesecake, que adoro. Doce dia a todos e aviso: mais tarde tem outro post, que vai ficar aqui sob sol e chuva, todo o final de semana, para render bons frutos. Retripliquem por favor.

5 de setembro de 2013

Felizes juntos

Li em um blog amigo dia desses sobre uma experiência feita com crianças de uma tribo africana, na qual, o mentor da brincadeira colocou um cesto cheio de frutas junto a uma árvore e disse para as crianças que a primeira que chegasse junto a árvore ganharia todas as frutas. Criançada alinhada e sinal dado, de mão dadas todas saíram juntas e chegaram juntas a árvore e ao prêmio, sentaram-se e aproveitaram em conjunto a recompensa.
Um antropólogo foi o idealizador dessa brincadeira teste e ao perguntar as crianças porque haviam agido daquela forma, sabendo que um entre eles poderia ter todos os frutos para si, eles responderam: Ubuntu, que em tradução livre significa: "Sou o que sou pelo que nós somos", filosofia africana que prega a prática e crença nas alianças, no compartilhamento que conecta e beneficia. Como um pode ser feliz se todos os outros estiverem tristes?
Achei lindo e sintônico com a data de hoje, que para mim é um marco, onde entrou na minha vida uma pessoa que fica triste se estou triste, alegre se estou alegre e vice versa. A meu namorado marido e a todos que dividem suas vidas, conquistas, perrengues e sempre vão além, sempre juntos, buscando ter mais para ter mais o que dividir. Aos que mantém a chama acessa a aquecer e guiar seus passos e os de seus companheiros, seja em dias de sol e sob arco-iris ou em ventanias e enchentes, meu desejo de coragem, força e bençãos.
Santa Clara clareie os caminhos de quem escolhe nunca deixar quem ama ganhar ou perder sozinho. Amém!

4 de setembro de 2013

Sobre meninos, goiabas e palavras

Sou fã do Chico Bento e acho que já disse isso por aqui. Nhô Lau eu só gosto do nome, muito chato ele esbravejar por conta de pequenos afanos na ruma de goiabas que ele tem dependuradas nas goiabeiras de sua fazenda.
No quintal da casa de meus pais tinha uma goiabeira, na verdade ainda tem, só que tá bichada. Pratrasmente subi muito nela para pegar goiabas ou tirar folhas da calha. Também cutucava os araçás, como chamamos aqui as goiabas brancas por dentro, como eram as de lá, com uma vara que tinha um saquinho na ponta, feita por meu pai.
Comi muitas lavadas e ainda molhadas, outras sem lavar, para ter gosto de céu e bico de passarinhos. Encontrar meia minhoca nunca foi um pensamento que me inibisse a comilança. Minha mãe fazia compota e eu também caia de boca.
No mundaréu que é a internet e nas descobertas trocadas via e-mail com a amiga Ana, juntas saboreamos muitas goiabas de um tal menino das goiabas verdes, que se chama Marcílio Godoi. Imagens, poesias, crônicas, sensibilidade de passarinho que pousa, canta, olha a paisagem, se deixa fitar por nossos olhos e se vai deixando o fruto pra gente. O blog não tinha muitas visitas e comentários e lá se foi ele pousar seus versos e prosas na terra tão fértil e mal utilizada do Face. É preciso perfis como o dele por lá, eu pensei no ato. Que faça boas semeaduras então, ensine as pessoas a se alimentarem de palavras saudáveis e a curtirem e compartilharem o que é bom. Segue de aperitivo, um trecho de seus escritos:
"A poesia o pega no elevador. Em flagrante correria, entre espelhos um de frente para o outro, você vê de relance sua própria imagem se refletir ao infinito, milhares de vezes repetidas numa curva espiral. Você sorri amarelo, pensa que amanhã vence o aluguel e, sem tempo para essas surpresas da poesia, aperta nove vezes o botão do andar térreo.
Você ganha rapidamente a rua e a poesia o aborda de novo na calçada, com um tapete de pitangas caídas de uma árvore que sempre esteve ali, mas que você jamais supôs ser tão portentosa e perfumada pitangueira. Você esmaga solenemente alguns frutos com o sapato e entra no primeiro táxi que lhe aparece.
Dentro do veículo, a poesia fica lhe espremendo contra o estofado, apontando para o canário de plástico que brinca no retrovisor do taxista e também para o esfiapado de retalhos coloridos do trono de rei momo do assento dele. Você se inquieta, a poesia saúda a florada de ipês rosas e amarelos que passam apressadas pelo pára-brisa, assaltando a paisagem lá fora."
Olhos de poesia e paisagens com ipês, ingás, canarinhos, coleirinhas, amendoeiras,  rios, mares, cerejeiras, oliveiras, pombas e goiabeiras nas nossas vidas, seja no cotidiano ou viagens e sempre por dentro.

3 de setembro de 2013

É pra documento?

Sou do tempo de sentar no meio da praça para tirar retrato 3x4 no lambe-lambe e de guardar na carteira um 3x4 do namorado. Ainda hoje guardo um dos tempos de namoro e outro atual dele em minha carteira, com a ressalva de não querer o meu na dele, uma foto recortada, na verdade várias, há por lá.
Se me fosse dada a opção não me queria em retrato 3x4 nem nos meus documentos, aproveito para declarar que o retrato de minha identidade não me representa e seria, ao meu ver, muito interessante se fazer um estudo sobre haver algum processo automático na nossa face quando sabemos que a foto é para documento, pois ela incorpora feições padrão 3x4, leia-se: horríveis.
Acreditei piamente no que me contou uma fotógrafa de uma cabine num shopping em SP, na ocasião do pedido de emissão de meu visto para ir a Disney. Resmunguei como de costume para tirar a bendita foto e perguntei se podia ser recortado meu rosto de uma foto qualquer e a moça me disse que não e que eu não achasse que era pessoal, pois ela havia tirado um 3x4 de Tiago Lacerda (ator global) e ele também não havia ficado bem. Se ele não ficou, quem sou eu, pensei. Pode ter sido essa a intenção dela, uma boa história para o cliente sair feio na foto e satisfeito ou a mais pura verdade.
Li uma certa vez e achei a melhor e mais precisa explicação da história das descrições a pérola que segue:
"A câmera que tira sua foto 3x4 traça um objetivo quando te vê: juntar todas as suas imperfeições e piores expressões faciais em uma única foto, que vai parar em seus documentos."

2 de setembro de 2013

Sisífo, S. Guillermo e Eu

Seu Guillermo, meu pai, que faz aniversário hoje, tem umas frases prontas, expressões, nomes que sempre estão em suas falas e que muitas vezes eu antevejo, anteouço se essa palavra existisse.
"Como dizia Confúcio, ai é que está o detalhe", ele diz isso quase tanto quanto bom dia ou boa noite. Além da frase, ele cita sempre o nome do próprio Confúncio e o de um tal de Sisífo, personagem principal de um mito que sei de trás para frente, ou de cima para baixo, para ser mais específica.
Comprei tem um tempinho e guardei para dar a ele hoje, um livro descoberto por acaso, chamado: Sisífo desce a montanha, de Affonso Romano de Sant’Anna. O nome do livro é uma referência ao mito grego de Sísifo, um homem que fez intriga com o nome de Zeus, driblou o seu destino, aprisionou a morte  e como castigo foi condenado ao exaustivo trabalho de rolar uma grande pedra de mármore até o cimo de um monte, caindo a pedra invariavelmente da montanha sempre que alcançasse o topo e este processo seria repetido até a eternidade.
As lições de moral do castigo e do mito são sobre o desejo de vencer a morte, sendo a vida sem sentido pior que ela e sobre os esforços sem sentido a que nos submetem ou nos submetemos. Quantas pessoas rolam pedras morro acima que nitidamente rolarão morro abaixo? Quantas pessoas se encontram em martírio sem fim, sem questionar. Quanto dinheiro é gasto, quantas inadequações e falta de aproveitamento da maturidade no inútil esforço de parar o tempo, querer ser sempre jovem.
Na epígrafe do livro, Clarice Lispector,  no recheio o autor usa o mito para tratar da finitude e o faz com poesia. Os versos falam de vida falando de morte, de impermanência e das várias nuances da experiência humana de “estar no mundo”. Sísifo desce a montanha, cujo tema central é a morte, os medos, as angústias e incertezas que a rondam, faz o tema central de quem o lê ser viver.
Que pipas, poemas, pedras, montanhas, planícies, olhares cotidianos e divagações mexam com nossas emoções.  Boas descidas e subidas a todos nessa semana e na vida.