27 de dezembro de 2013

Além da virada

Todo mundo se apega em crenças, superstições, rituais de fazer mentalização, de estar em determinados lugares, fazer coisas, vestir cores, listar promessas na virada de um ano para outro. Muito legal do ponto de vista da elevação das nossas potencialidades e das coisas, dos bem quereres e é em alguns casos divertido, cultural, muitas vezes de valor espiritual, mas todo dia ao acabar traz o poder de um primeiro de janeiro no dia seguinte, todo novo dia é mais um dia e traz em si infinitas possibilidades, podemos fazer rituais, mentalizar, confraternizar, mudar em pleno mês de agosto, setembro, outubro ou qualquer outro mês. Podemos ser caridosos além do Natal.
Quem é pequeno dorme e o ano não passa por cima, quem é idoso, quem esta doente, cansado. Quem fica em casa pode vir a passar o ano circulando por muitas festas, viagens, passeios e quem passa a virada em uma festa pode passar o ano todo enfiado em casa. Não é atestado, carimbo, passaporte para os 365 dias vindouros o que estivermos fazendo, sentindo ou desejarmos num minuto, quem dera fosse assim.
E se a ideia é brincar, para variar que tal de trás pra frente esse ano não contar? É! Nada de contagem regressiva, vamos progredir, contar de um até dez. Que tal brindar com água com gás? Ou com café. Que tal a saudação em inglês: Cheers! Aprendi essa palavra nova sem querer e adorei, significa: Saúde! Viva! Uhuuuu! Que tal colocar no mar as flores sem papel, fitas, cordões, plásticos e barquinhos de papel que se degradam ao invés dos de madeira ou isopor com oferendas a Iemanjá? Que tal não jogar nada no mar e nas areias e nas rua ao invés de reclamar que tá tudo sujo e achar que os bueiros entopem e você não tem nada a ver com isso?
Que tal no primeiro dia do ano comer sonho para dar sorte? Já ouvi essa? Eu nunca tinha ouvido essa história, ouvi e já quero fazer isso, para ver se dá sorte e aproveitando que amo sonho, com recheio de doce de leite de preferência.
Hoje é a última sexta-feira do ano, tradição aqui na Bahia ir na Igreja do Bonfim, agradecer pelas conquistas, repensar os erros, dia de tradição, fé e reflexão. Vamos então agradecer e se comprometer em não só na primeira sexta-feira do ano, dia de pedidos e promessas, nem só no dia 31 a 10 minutos da meia noite, mas todos os dias e mais focados no dia 31 de dezembro e 1 de janeiro inteirinhos, de manhã a noite agradecer e perdoar além de pedir. Agradeçamos pelo ano que está terminando e por tudo o que aconteceu de bom e também pelas dificuldades que nos fizeram aprender um pouco mais da vida. Façamos o nosso novo ano ser bom, pedir só não vale! Inté 2014! Paz e bem!

20 de dezembro de 2013

Quereres

Quero elogiar e render a propaganda de final de ano do Bradesco, uma campanha linda, clica aqui para ver, identificar e listar seus quereres. Eu quero ter um cachorro que de vez em quando vire gato e um passarinho que de vez em quando vire pato. E para meu marido um fraque que vire pinguim.
Quero uma caneta a prova de letra feia e erros gramaticais. Quero que alguns finais de semana por ano tenham dois sábados e dois domingos. Quero que as pessoas entrem nos ônibus e tendo a opção, escolham a janela e olhem por ela. Que sejam proibidos aparelhos de vídeo nos painéis dos carros, dirigir exige concentração e responsabilidade.
Quero uma festa de renovação dos votos com direito a uma cerimônia antes com um outro vestido de casamento e alguns bailes alheios para eu me fantasiar de princesa, de espanhola, baiana, da arqueira Merida do filme Valente e de pirata.
Quero que toda criança tome um banho de chuva por pura diversão e que não fique doente e que também tome um banho no chuveiro toda vestida, de pijama pode ser e um outro de balde jogado de vez em cima da cabeça e uns cinco de mangueira, com o perdão pelo gasto da água, vale o quanto alegra e purifica. 
Quero também que toda criança veja um passarinho tomar banho em uma pocinha ou se refestelar em terra ou areia como que se coçando. Quero ver muitos também, além dos que já vi.
Quero empinar uma pipa e ser boa nisso. Quero que todas as pessoas e empresas parem de agendar tudo para janeiro depois do meado de dezembro e tudo para depois do carnaval em meados de fevereiro. Quero provar bolinho de chuva e comer um tal de um pão com pernil famoso, vendido aqui em Salvador, num boteco de um espanhol. Quero também provar amora e jabuticaba tiradas do pé. Chega né!

19 de dezembro de 2013

Passarinhices

 Na janela

 Super

 Estilo Niemeyer

 Casa pão

 Conjunto habitacional

Que tal essas lindas moradinhas? Convites para passantes, moradores fixos talvez, com direito a som, shows de performances, belezinhas e naturezices.
Semana passada lá fui eu fechar a janela do meu quarto, apesar de morar no décimo sexto andar e por isso ter o privilégio de poder dormir de janela escancarada, a chuva não é visita grata no meio da noite. Eis que vejo no escuro uma coisa escura nos trilhos da janela e digo para marido: - Liga a luz, tem um bicho aqui!
E lá estava todo aninhando um filhote de passarinho dormindo como se estivesse hospedado em um hotel, sem nem ligar para a luz ou a barulheira da tv e de sua descoberta. Apagamos a luz e ele passou ali toda a noite hospedado (detalhe: esse da foto não é ele, essa foto eu tinha guardada aqui, garimpada na net).
Por e-mail recebi essa semana o link de um site apassarinhado que trouxe hoje para compartilhar com vocês, é só clicar aqui. Clique, assista, leia, observe os detalhes, ouça os sons e depois vem aqui comentar, se inspira, faz uma casinha, fotografa, observa as espalhadas por ai.

18 de dezembro de 2013

Lenços, semeaduras e colheitas


A imagem acima é da torre da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora no bairro de Nazaré, onde nasci e cresci e onde os sinos batem as seis da matina, ao meio dia e as dezoito horas, quando meu filho bem pequeno, nos fazia correr para praça, todos os dias, religiosamente para ver. A foto foi tirada na volta pra casa no dia da entrega dos lenços, que não foi em nenhum dos dias que idealizei, após arrecadar os muitos lenços enviados de todo o canto do mundo via correio na Campanha que nomeei de Lenços que curam. 
Doei toda a arrecadação ao NACCI uma casa de apoio a pacientes com câncer e suas famílias, pessoas que enfrentam a doença sem ter condições financeiras e emocionais, vindas na grande maioria dos interiores da Bahia. Um lugar onde encontram além do apoio de moradia e afetivo, encaminhamento para o tratamento em hospitais públicos parceiros, remédios, esperança de cura e amor dado por voluntários que trabalham pelo bem comum. Tudo a base de doações que as vezes são muitas, as vezes poucas, de notas fiscais, alimentos, material de limpeza e higiene em menor escala, roupas, mas eles também precisam de dinheiro e arrecadações mão a mão, por empresas, pequenas e grandes, por campanhas e por esforços individuais para que o dinheiro entre e pague as contas de luz, água, telefone, manutenção, infraestrutura, transporte dos pacientes e todos os gastos que uma casa comum e uma desse tipo tem.




Uma casa de apoio, apoiada e acompanhada pelas janelas por torres, como a da Igreja de Nossa Senhora da Divina providência, total sintonia e comandada regiamente pelo presidente e fundador, Clayton Oliveira, antigo morador de um prédio vizinho ao meu nos idos da infância e da adolescência lá no bairro de Nazaré, seu irmão era uma pessoa atenciosa e benta e hoje é padre, sua mãe parceira e apoiadora de seu projeto, vi numa foto parede de uma das salas com o papa João Paulo II, do lado de quem hoje ela está. Uma família sem dúvida divina. O lugar não tem luxo,  mas tem de sobra organização, higiene, receptividade e essas vistas abençoadas retratadas a cima.
O bairro onde a antiga construção está localizada, se chama Saúde (Amém!), velhinha por fora, cuidada e conservada por dentro a muito custo. A casa fica em uma rua pobrezinha, com problemas de violência a tráfico, mas Deus toma conta e Nossa Senhora do Rosário dos Pretos também vigia dali de pertinho, do Pelourinho além de outras santas, anjos e orixás, que creio dão  proteção ao lugar e a quem por ali está e passar.
A falta de receptividade foi um dos motivos das entregas não terem sido feitas em outros lugares, nos mais pops ou em alguns que me indicaram e que não tiveram desde boa vontade e horário disponível a julgamentos sobre a importância e serventia dos lenços para os pacientes. Lugares onde foi sugerido deixar os lenços na portaria ou recepção, que segundo depoimentos agendam as doações para que providenciem a organização e limpeza do local, lugares que atendem pessoas carentes e pessoas que podem financeiramente arcar com o tratamento  e comprar lenços e foi as que podem que direcionaram as doações. Lugares que se interessaram pela campanha, mantiveram contato, cortaram e realizaram projetos de incentivo ao uso e doação de lenços individualmente. Fui ainda questionada quanto a minha religião, se os lenços eram novos ou usados, se eu tinha o diagnóstico da doença e sendo que não o porquê de doar, caras, bocas e um desdém velado: Lenços?


Sim! Lenços! Muitos e de muitas estampas, tecidos, todos lindos e enviados com carinho, esforço e que fazem diferença, enfeitam, acalentam, levantam o astral e eu estava decidida a entregar nos corredores do hospitais os lenços sem marcar ou pedir autorização das partes competentes e incompetentes, ai na sintonia das boas energias e crenças em comum das coisas simples que podem ser coisas grandes, de que qualquer hora é hora para receber quem quer ajudar, qualquer boa intenção, religião vale, fui juntamente com minha mãe recebida pelo NACCI, seu fundador, pacientes e funcionários como que sendo da família e fizemos uma farra de bate-papo, escolhas e amarrações dos lenços, sem pesares ou frescuras, tiramos fotos, rimos, confraternizamos.
Mães ganharam lenços mesmo não estando doentes, para os filhos se animarem, se verem nelas, para o lenço não ser uma marca e sim um charme. Guardei um e amarrei na cabeça de minha vozinha quando cheguei na casa de minha mãe, cheia das boas energias que colhi e ela se achou a bonita. Dei alguns a outras pessoas contando que os frutos serão colhidos pela casa de apoio ou por alguém próximo, seja pelo exemplo, pelas fotos que serão tiradas ou pelo uso de lenços sendo desmistificado e popularizado.


Um menino com cabelinho já crescendo me disse que queria raspar para ficar igual aos outros. A menina que está o site e no panfleto da Campanha de pedido de doações, Silvany o nome dela, puro charme e simpatia, está já com as madeixas grandes (ela é a segunda da esquerda para direita na foto, com um lenço vermelho no ombro). Gabriel, o garotinho na foto abaixo, ao meu lado e do moço que carregou as sacolas de cima para baixo, foi o fotógrafo. Um menino com nome de anjo que foi um anjo de menino.


Obrigada a todos e registro do santo do dia dessa publicação da doação: dia de São Graciano, graças então e de brinde clica aqui, para ver uma Campanha de final de ano, que vi nos blogs de duas amigas que desenharia como anjas e colaria na parede de meu quarto se fosse adolescente, quem sabe um dia eu tenha um ateliê de arteirices e elas e tantas ouras pessoas queridas estarão lá em escritos, desenhos, cores, na imagem de uma joaninha, no azul gris, em trilhos de trem, notas musicais, em coisas simples, lenços, livros, listas, detalhes que inspiram, agregam, iluminam por dentro.

17 de dezembro de 2013

Culturices

"Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício
Acho medonho alguém viver sem paixões"
Graciliano Ramos
Eu sou fã das culturices, regionalices, personagens, histórias e pérolas de Graciliano Ramos, bem como sou fã do ator Ney Latorraca, que se entrega em suas atuações, faz caras e bocas, pronúncias com entonações, sotaques e mimetismos. Ele é genuinamente teatral atuando e ao dar entrevistas é solicito, falante, gesticulante, apaixonado pelo que faz, diz na lata que é vaidoso, elétrico e impulsivo, pontuando as dores e delícias da fama e de falar o que pensa e sente.
E em meio a programação de final de ano da Globo, eis que vão passar histórias gracilianas recheadas de feitos épicos, em que um tal de Alexandre, representado por Ney tem o dom de contar causos e encantar os amigos. Um dos produtores do especial disse em uma entrevista que o personagem precisa contar causos para existir, não por dinheiro, mas pela necessidade de contar histórias. Fica a dica para espiar amanhã a noite o especial nacional na emissora global, ou ler Alexandre e outros heróis e as tantas outras histórias do grande Graciliano. 
Indo de um canal pop mas não muito cult para o canal mais educativo da tv aberta, a Cultura está de identidade visual retrô por conta de seus 45 aninhos no ar, resgatando o seu logotipo original e lançando a campanha Abrace: “Abrace o novo, abrace cultura”.
A campanha tem depoimentos sobre a história e a importância da emissora em vinhetas espalhadas por toda a programação, como comemoração e com o objetivo de convidar antigos e novos telespectadores para o universo variado e rico da programação e resgatar a memória afetiva dos telespectadores. Em junho de 2014, é o mês de aniversário do canal, com várias ações locais e pontuais como: “Abrace São Paulo, abrace cultura”, na semana do aniversário da cidade.
Com vossas licenças e graças! Inté amanhã, dia de abraços, espiadinha e espichadinha na Cultura, Alexandre, nós e outros heróis.

16 de dezembro de 2013

Oração de Natal

 


Papai Noel e do céu, gnomos e anjos
Afastem de nós pessoas, informações, energias que não nos acrescentam
Dai rumo a quem pensa que o mundo gira em torno de si e não do sol
Que mais pessoas parem para que a gente tire uma foto
Atravessem a rua na faixa
Parem na sinaleira
Que a gente faça mais silêncio
E convivamos bem com as diferenças
Que todos se cumprimentem ao entrarem e saírem de elevadores
Que digamos bom dia, boa tarde, boa noite antes dos pedidos de informação
Ao entrar nos táxis, ônibus
Ao comprarmos ingressos, ao passarmos por porteiros
Que digamos mais obrigado, por favor, com licença, desculpa
E se a cortesia não for recíproca, sigamos fazendo nossa parte
Que além de rezarmos estendamos as mãos para ajudar, doar, abraçar
Que os jovens e adultos consumam menos álcool e drogas
Que os programas em grupo sejam mais variados
Que os estádios de futebol sejam lugares seguros
Programa de família
Espetáculo em que se ganha e perde sem perder a civilidade 
Que as pessoas se alimentem melhor, cuidem de sua saúde
Cuidem uns dos outros, de suas ruas, cidades
Que hajam crenças e rituais de fé que acrescentem, humanizem
Que a nossa vida seja valorizada como presente raro, valioso
E a do próximo e do planeta também
Amém!

13 de dezembro de 2013

E se...

"E se as histórias para crianças 
Passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente 
O que há tanto tempo têm andado a ensinar?"
Eu compartilho dessa reflexão e questionamento do mestre José Saramago, por quem tem um apreço imenso. Acho e já disse aqui várias vezes que, por exemplo, o livro O Pequeno Príncipe devia ser leitura além da infância, assim como O menino no espelho de Fernando Sabino, O fazedor de amanhecer de Manoel de Barros, A maior flor do mundo de Saramago (história animada aqui). Aproveito para elogiar as novelas da globo, pois venho observando que todas elas inseriram cenas com pessoas lendo e dizendo o nome do livro e do autor. Quem ai já reparou nisso?
Para hoje e todos os dias, meus desejos de boas práticas, leituras, garimpos, aprendizados e ensinamentos.

12 de dezembro de 2013

Estórias e Histórias

Antigamente o que acontecia pelo mundo era contado e recontado através dos contadores de histórias, viajantes que levavam e traziam relatos do que viam, ao pé da letra ou do tipo quem conta um conto, aumenta um ponto.
E foi assim até que Heródoto, um geógrafo e historiador grego que nasceu nos idos de 484 a.C., reuniu tudo aquilo que viu e ouviu falar dos costumes, mitos e histórias de diversos povos. ao longo de suas andanças, em um grande livro chamado Histórias. Ele foi considerado pelos seus sucessores como "pai da história" e como o "maior embusteiro". Você já tinha ouvido falar dele? Se não, agora você tem mais essa história para contar.
Dia desses alguém me lembrou em um comentário que haviam duas formas de escrever a palavra história. Antigamente o termo "Estória" era usado para contação de fábulas, contos, ficção e  "História" para contação de fatos sobre a humanidade, a vida de uma pessoa, seus feitos. Atualmente o termo "Estória" caiu em desuso e o termo "História" é usado em todos os sentidos.

11 de dezembro de 2013

Nadezas

Tudo merece um olhar
Se o ruim para o bom valorizar
Se o bom para a alma adornar
Nada é por acaso
Acaso decidamos questionar
Nada é em vão
Tudo e nada
Razão e emoção
Parece filosofia, loucura, mas é pura sanidade, é simples, claro e de muita utilidade entender que tudo é cheio de nadas e que tem nadas cheios de muitas coisas. Como o muito que há nas pausas entre uma palavra e outra, um assunto e outro, um dia e outro, uma e outra canção.
Na pausa, no nada, reside o processamento da informação, suspiros, intenções, emoções. Aproveitemos tanto a bolha de sabão quanto seu estourar, o dente de leão em flor e no ar, a agitação e o descanso, os sons e o silêncio. Existem muitas coisas escondidas no nada e nada onde parece haver muitas coisas.

10 de dezembro de 2013

Sem e com

Lembro que brincava nas escadas dos prédios onde morei, nos corredores, na área de circulação de baixo, meu filho também quando era pequeno brincou em corredores e na escada do primeiro prédio onde moramos, eu fazia bilhetinhos escondidos com pistas, mapas, uma caça ao tesouro. Num lugar sem espaço ele brincou bem mais do que no grande play do próximo prédio onde fomos morar.
Hoje adolescente não desce para bater papo, dar uma volta, ler lá embaixo, jogar, usar as salas de jogos, de ginástica, piscina e tudo mais que tem a disposição dele. Nem ele nem nenhum outro adolescente, que não vejo nunca nas vezes que saio e chego da rua. Raramente também vejo crianças menores, quando em vez, no máximo babás com as de colo, com carinhas de querer ir para o chão.
Sem área adequada nem equipada, brincávamos de pega-pega, se esconder, de pular elástico, bambolê, futebol, vôlei. baleado, mímicas. Sentávamos no chão ou ficávamos horas de pé, nos juntávamos para ouvir música, jogar baralho, dominó, falar besteira, desfilar roupas, perfumes, novidades, combinar saídas, fazer planos, falar da vida dos outros, da nossa, contar histórias.
Hoje os grandes e planejados espaços de socialização ficam na sua maioria as moscas, crianças e adolescentes cheios de não me toques, com distrações e socializações virtual. Muito sem graça, sem cheiro, sem gosto, sem pés sujos, sem suar, se descabelar, sem abraços, fotos, sem ter muito o que contar.

9 de dezembro de 2013

Capacidades ilimitadas

Somos capazes de tantas coisas que as vezes nem imaginamos e descobrimos isso testando, fazendo, por instinto, intuição, sugestão, necessidade, acaso. Todos temos potencialmente capacidade de superação, de adaptação, percepção, criação, temos força motora e interior e podemos atingir resultados surpreendentes, basta trabalharmos nossas fortalezas e fraquezas.
O ser humano é capaz de mudanças, improvisos, assim como de linearidade e constância. É inevitável termos que driblar medos, dúvidas, inseguranças, incertezas, perdas, dores, doenças, dificuldades e é imprescindível darmos a volta por cima, pelo lado, por baixo, sermos e fazermos pequenos e diários milagres. Somos uma obra-prima genial e assim devíamos nos comportar, utilizando nossas capacidades ilimitadas para nosso bem e o bem comum.
Fé, determinação, força, coragem e bons potencias potencializados é uma boa pedida para segundas-feiras e para todos os dias. Vamos que vamos!

7 de dezembro de 2013

Luz depois da curva

Eu tinha programado deixar por todo o final de semana a postagem de ontem e só voltar a postar na segunda. Mas um voo inesperado rumo ao céu, uma curva na estrada fez nascer essa publicação para uma pessoa tão pessoa, tão humana, tão poética sendo política, a quem dedico as poucas e significativas palavras de Pessoa: "A morte é a curva da estrada, morrer é só não ser visto."
Tenho em mim esse sentimento de perpetuação de todos em todos e em tudo, seja uma pessoa com poucos relacionamentos que vai ser lembrada pelo cara da padaria, a moça do supermercado e os coleguinhas da escola, que fez um banco que vai ficar numa praça por anos a fio, que riscou seu nome numa calçada ou no tronco de uma árvore, seja uma pessoa tão expoente como Mandela, que teve muitos e mundiais contatos pessoais e interpessoais, que fez marcas indeléveis, deixou lições, frutos, sementes, pessoais, sociais, morais, espirituais. 
Aparentado direto de Deus, sem sobra de dúvida. Como foi dito na recepção a ele aqui na Bahia em sua vinda em 1991: "A casa é sua irmão", acho que foi o que Deus disse a ele ontem, um dia após a sua chegada e bate papo com os anjos locais, em uma sexta-feira, dia de todos os santos aqui na Bahia, lembrando que ele partiu para sua terra Natal na época da estrela guia, um iluminado sem dúvida.

6 de dezembro de 2013

Visão fontana

Palavras, versos e visões 
Da poesia Canção de ver, de Manoel de Barros:
"Por viver muitos anos dentro do mato
Moda ave 
O menino pegou um olhar de pássaro
Contraiu visão fontana
Por forma que ele enxergava as coisas por igual
Como os pássaros enxergam
As coisas todas inominadas
Água não era ainda a palavra água
Pedra não era ainda a palavra pedra e tal
As palavras eram livres de gramáticas
E podiam ficar em qualquer posição
Por forma que o menino podia inaugurar
Podia dar às pedras costumes de flor"
Visão fontana é enxergar as coisas por igual, como os pássaros enxergam e isso não é coisa natural dos homens infelizmente, embora quando crianças se tenha essa visão.
Quando somos pequenos, por exemplo, e não sabemos ainda os nomes das coisas e aprendemos ficamos espantadas a cada olhar para elas, a cada pronúncia dos adultos dos nomes ditos geralmente com ênfase: O Cachorro! A Bola! Água! Depois, com o aprendizado, os adultos nada fontanos, tiram a cara de espanto, o tom, o encantamento associado a cada palavra e coisa e com isso, além das definições e usos determinados, limitamos as ilimitadas utilidades e sentidos de tudo.
Penso que vale seguir depois da infância investindo além dos aprendizados, pressões, limite, objetividade, pressa, lógica, em encantar-se, emoldurar, desconstruir significados, utilidades, importâncias, funções, seja das coisas, objetos, acontecimentos, pessoas e assim treinarmos, buscarmos, usufruirmos do olhar dos passarinhos, como que dando as pedras costumes de flor, como diz o fontano Manoel. Fica a dica!

5 de dezembro de 2013

Graça que não se lava

Outro dia Clara, uma das filhas de uma amiga, clareou e adoçou uma de minhas publicações, ver aqui. Eu não a conheço pessoalmente mas sei de suas histórias através do blog de sua mãe e sabendo que ela tem uma irmã, chamada Bruna e sendo eu de uma turma de quatro irmãos, sempre gostei de tudo repartido, tem para um tem que ter para todo mundo, nem que seja uma tarefa difícil como dividir uma bala em quatro.
A minha tarefa e objetivo não teve nada de difícil, pedi a dona mamãe para me agraciar com um desenho, frase ou historinha da Bruna e eis que para compor e acompanhar a claridade doce de Clara, segue historia com leveza de bruma da Bruna, com fantasia e graça que não se lava, não se explica.
Ela não é essa garota da imagem, que foi pescada na web, sem uma fonte precisa. Bruna quando tinha quatro anos teve um sonho que contou para mãe e que ao meu ver, revela nas entrelinhas um que de coletivo dos nascidos gêmeos, o sentir humano de toda criança e o entender com poéticos porquês.
"- Tive um sonho muito esquisito.
- Esquisito como? Conta!
- Foi depois que a gente foi ao circo.
Sonhei que o palhaço foi tomar banho e esfregava, esfregava o rosto, mas não conseguia tirar o vermelho do nariz.
Não é esquisito?
(Pensei antes de responder.)
- Não há nada de estranho, Bruna!
O vermelho do nariz não saiu porque não vai sair nunca.
- Como nunca?
- É que a alegria e a graça pertencem ao palhaço e não podem ser lavadas. Quem é que não acha graça do nariz do palhaço?
- Ah! Entendi!"

4 de dezembro de 2013

Proteção, devoção e dendê

"Luz que alumia
Esse povo bom da Bahia
Nos livre das tempestades
Desse mundo
Dos raios dessa vida nos proteja
Dona das rosas vermelhas
Soberana divina
Que assim seja"
Trecho da canção Santa Bárbara
Na vermelha voz de Maria Bethânia
Hoje aqui na Bahia é uma data devotada a Santa Bárbara, a poderosa, destemida, guerreira orixá Iansã, Senhora dos ventos e tempestades. Por sintonia a data caiu no dia da semana em que se devota a ela, quarta-feira, dia de vestir vermelho. 
Para saudar ela, alvorada de fogos no Pelourinho no raiar do dia, procissão, missas, oferendas e o tradicional caruru. Uma curiosidade é que no de Cosminho e Damião os quiabos são cortados em rodelas e cada rodela cortada em cruz, o caruru fica então bem miudinho. No caruru para Iansã os quiabos são cortados apenas em rodelas e só devem ser cortados por mulheres. 
Meu avô dizia que só lembramos de Santa Bárbara quando trona, (troveja em espanhol),  eu de ouvir, aprendi e rezo sempre para ela, em brisas, ventanias e quando troveja também, lembrando que não é só no dia dos estrondos que lembro dela.
Eu não tenho medo de muitas das coisas que a maioria das pessoas tem, mas quando ouço os estampidos vindos do céu e vejo os clarões e rasgos como fogo descendo do firmamento, saio de qualquer lugar aberto que eu esteja, fico longe de janelas, de espelhos, de telefones e eletrônicos em geral. Sinto medo com um que de respeito. Dia desses Gilberto Gil, meu conterrâneo e sentidor do mesmo mix de sentimentos, assim como minha vozinha que quando troveja lembra de mim, disse em uma entrevista em um depoimento sobre sua fé e crenças que ele reza como os antigos quando troveja, que sente que Deus está reclamando de algo, que a natureza está lembrando de seus poderes de bondade e de destruição e que temos que respeitá-la.
Respeito, devoção, sincretismo, caruru, coragem, força e plantações de brisas para colhermos ventos, pois quem planta ventos, colhe tempestades bem diz o ditado.

3 de dezembro de 2013

Bons tempos

Imagem de picolés Capelinha
O picolé popular de griffe aqui de Salvador
Com vários sabores
Tamarindo, cajá, coco, amendoim, goiaba, tapioca...
Todo mundo sente nostalgia, nem que seja um bocadinho. Nostalgia é como uma porção de coisas que na medida faz bem, não é ilegal, pode ser imoral e a depender do que seja, engorda. Eu fiz uma listinha nostálgica e poética minha, que de muitos também deve ser. Depois de ler, conta: Você, tem saudade de quê?
Bons tempos em que tarefa de casa era colorir e que eu não sabia como as roupas apareciam limpas e passadas em meu armário. Bons tempos em que o lanche da tarde era Vitamina de banana acompanhada de pão com manteiga e queijo e caloria era uma palavra desconhecida. Que férias eram sinônimo de mais de um mês de folga, de folga de verdade. Que o jogo da vida era um brinquedo de tabuleiro.
Bons tempos em que a mania coletiva no verão era geladinho, picolé, abafa banca e os passeios com a galera incluíam bater perna, pizza e cinema, não só bares e bares e bares. Bons tempos em que meu cabelo lavado com sabão de coco era mais bonito do que hoje com hidratação, cauterização, selagem, escova. Pois é, mas tudo tem seu lado bom e ruim, para com rima alegrar e fechar o papo, bom nosso pé não crescer mais e por isso nao perdemos os sapatos.
Só para explicar, abafa banca aqui na Bahia e não sei se em mais lugares, é o nome que se dá a um tipo de picolé popular obtido ao colocar suco ou outro liquido na cuba de gelo, uma sobremesa ou lanche caseiro para se lambuzar, adoçar o paladar e se refrescar do calor de abafar.

2 de dezembro de 2013

Sobre procurar

“Procura-se um equiibrista
Que saiba caminhar na linha que divide a noite do dia
Que saiba carregar nas mãos um fino pote cheio de fantasia
Que saiba escalar nuvens arredias
Que saiba construir ilhas de poesia na vida simples de todo dia”
Roseana Murray
A procura acima foi o tira gosto para a procura que vou sugerir, que vou pedir que seja sugerida, por ai, uns aos outros, as pessoas próximas e as desconhecidas, as vezes a solução para inquietações, dúvidas, angústias, enfermidades, está em procurar e achar o que nos faz bem, que para cada um pode ser algo bem diferente. Procure o que te faz bem! Incentive outras pessoas a fazerem o mesmo, seja para fazer como lazer, como profissão, seja um estilo de vida, um esporte, um hobbie.
Tem que ser algo que faça relaxar, refletir, descarregar, faça sorrir por dentro, por fora, faça o corpo se mexer ou parar quieto, faça tudo isso junto ou uma coisa só. Pode ser caminhar, correr, pedalar, nadar, mergulhar, surfar, pescar, malhar, dançar, fazer yoga, meditação, artesanato, curso de culinária, de decoração, de moda, de mecânica, soltar pipa, fazer origami, aula de japonês, de alemão, de malabares...
Pode ser algo que se tenha experiência ou que nunca se fez, nem mesmo se imaginou fazer, essas descobertinhas são transformadoras. Vai, se mexe, encontra sua válvula de escape, seu ponto de equilibro e faz alguém em sua volta encontrar também, faz bem, aposte nisso, é mais garantido e tão transformador quanto apostar e ganhar na mega-sena.

1 de dezembro de 2013

Eco bom

Uma adorável promoção
Por mais gentileza
Mais boas palavras
Elejamos uma palavra
Ou várias
Um cumprimento, agradecimento
Uma frase
Estufemos o peito e digamos em voz alta
Ou em silêncio
Todos os dias, a todo momento, ou quando em vez
Percebamos a força que as palavras tem
E assim tenhamos cuidado com elas
Filtro para recebê-las
Sem o calor de momentos ásperos
E amargor que as vezes nos são ofertadas
Que tenhamos destreza para medi-las
Prazer em adoçá-las e adorná-las
Que sejam leves e que as boas o tempo nunca leve
Como que jogássemos um bumerangue
As palavras, pensamentos, ações
As energias vem e vão
Fazem eco dentro e fora de nós
Bons arremessos
Nossos e alheios para o mês de dezembro
E para todos os meses, dias, horas, minutos