4 de fevereiro de 2014

Por menos

Assisti dia desses a uma entrevista de Marília Gabriela com o neurocientista Rodrigo Bressan e peneirando apenas uns cristaizinhos do muito do que ele falou, é uma necessidade urgente e alarmante hoje da sociedade, cuidados além de com as doenças físicas (para as quais os tratamentos avançam). As doenças mentais tem uma grande lacuna de estudos avançados, seriedade na parte diagnóstica e executiva, falta de formação e investimento em profissionais e centros de atendimento, deficiência no acesso e tudo isso e outros fatores consequentes prejudicam a saúde mental individual e coletiva numa velocidade incompatível a que o mundo está adoecendo.
Além dessa constatação e alerta, o Dr. Bressan fez uma ponderação que eu julgo necessária se discutir, tanto no meio médico, quanto na mesa do jantar ou nos bares, que a necessidade de nos policiarmos quanto ao volume de informções que acessamos, buscamos, consumimos, pois segundo ele, entendido do assunto, nosso cérebro é limitado.
Sim! Mesmo com os avanços e seus milhões de circuitos, nossa capacidade de armazenamento e depuração é limitada. São muitos canais de tv, internet, celulares e outros eletrônicos, velhas e novas tecnologias que oferecem muitas informações. Muitos canais de comunicação, muitos compromissos pessoais, sociais, profissionais, muitas necessidades de consumo, muitas opções. Acesso muito fácil e rápido a tudo, o significado de uma palavra, uma localização geográfica, qualquer tipo de resposta em um clique, um infinito e múltiplo universo de informações, acessados por pessoas de todas as idades, desde a infância ou de repente, após ter-se vivido dentro de um universo mais limitado.
E daí? O que acontece, em inglês: over load e em bom português: sobrecarga,. Trocando em miúdos, um leque de sintomas: cansaço mental, falta de atenção, agitação, desânimo, deformação de valores, falta de limites, falta de foco, competição, busca por não se sabe o que, sentimento de estar como popularmente se diz: de saco cheio o tempo todo, como a ave da ilustração de penas cheias ou como baiacus em estado de alerta, gatilho sempre a postos e disparado por nada, comprometimento de espaço com informações inúteis, tomada de decisões por impulso ou por influências externas, doenças mentais e físicas.
E assim caminha a humanidade, sem querer saber de passos de formiga, de dizer não, de cultuar o silêncio e a reflexão. E eu sugiro, cá com minha nenhuma formação na área de neurociência, apenas como observadora, em linguagem bem leve e acessível, tipo desenho animado, que cada coloque peneiras nos olhos, nos ouvido, nos dedos (para os compulsivos cliques) e uma bem grande no cérebro, para filtrar tudo que há, para se limitar por escolha, por gosto e pelo que o doutor falou, por recomendação médica, porque assim como na moda, na alimentação, na vida, tudo demais é sobra, menos é mais.

10 comentários:

  1. Precisamos peneirar sempre para nossa boa saúde mental!!! beijos, lindo dia e fizeste um lindo texto, mais uma vez!

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  2. Oi Tina

    Talvez o ser humano não esteja preparado para acompanhar toda essa tecnologia, pois se não for bem usada acaba sendo uma arma.
    Para ter paz interior, e saúde mental a gente só precisa cuidar daquilo que a gente deixa nossos olhos verem, e aquilo que a gente deixa entrar no nosso coração.

    bjokas =)

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  3. Olá Tina,
    Perfeito! Fico até atordoada com tanta informação. Grande parte é lixo, simples e puro lixo e não vale a pena vê, lê ou guardar. A internet, que sem dúvida é uma maravilha e mudou nossas vidas, é um grande produtor de lixo. Aprender a usar com parcimonia não é tarefa fácil, mas aprender a selecionar e regular a informação é a melhor opção para o nosso bem estar.
    Beijos

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  4. De verdade é impossível filtrar quando já estamos condicionadas ao absurdo de tais informações. Temos que ter sabedoria pra saber desligar-se.
    um forte abraço _estou voltando aos blogs depois de um breve descanso,
    bons dias Tina

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  5. Oi Tina, isso que você menciona é muito sério e verdadeiro! O excesso de informações realmente adoece. Nosso cérebro não foi feito para tantos excessos!
    Adorei a imagem da peneira, é ótima. Temos que realmente filtrar, ver o que é importante e não ficar lotando nosso cérebro com entulho.
    O nosso meio ambiente interno merece cuidado e carinho.
    Bjs

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  6. Aqui nesta postagem se aconchega perfeitamente a frase: precisamos fazer mais programas de índio.
    Adorei a reflexão. Beijo!

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  7. Oi Tina! Grande entrevista e excelente seu texto! Penso que estamos aprendendo devagar a usar tanta tecnologia. Como crianças estamos fuçando tudo,curiosos. Espero que aprendamos a ser mais seletivos. Adorei seu post! bjs e boa semana!

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  8. Meu Deus, Tina, estes tem sido meus pensamentos e preocupaações nos últimos tempos...
    Venho acompanhando o destrambelhado emocional deste pessoal ligado e participante da tão "importante" necessidade de estar, ser e participar de tudo. E acabam por ser nada ou melhor ser um doente sem perceber, o que é mais triste ainda.
    Bjs

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  9. Ah, Tina! Eu ando bem seletiva por isso mesmo. Pra controlar a sobrecarga!
    Adorei a reflexão proposta. Normalmente só se ingere as informações, mais nada!

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