8 de março de 2014

Por reconhecimento a altura

 
Enfatizando a importância do afeto e da expressão criativa no processo de cura, a psiquiatra Nise da Silveira, natural de Maceió, formada pela Faculdade de Medicina da Bahia, lá nos idos de muitos anos atrás inaugurou uma série de ateliês de encadernação, música, modelagem, pintura, teatro para pessoas com problemas mentais, orientando que os monitores não interferissem na produção dos pacientes. Resolvi falar dela aqui hoje pelo dia da mulher, pelas muitas mulheres personagens da história do nosso país, tão pouco conhecidas e valorizadas.
Trabalhei na Faculdade Baiana de Medicina, muitas décadas depois da doutora passar por lá, digitei juntamente com um grupo, todos os nomes, documentos, notas desde a Fundação da Faculdade, ai imaginei: Teria passado por minhas mãos os papéis, nome, notas, da afetuosa e inovadora Doutora Nise?
O Museu do Inconsciente, no Rio de Janeiro é o local que abriga as obras produzidas pelos pacientes sob orientação de Nise com sua sensibilidade e inovação, existindo até hoje, segundo pesquisei, graças à uma sociedade dos amigos do museu, à sua fama internacional (mais que nacional) e ao sucesso artístico de muitas obras e artistas.
De curiosidade da minha restrita pesquisa, trouxe para dividir, que durante a revolta comunista de 1935, ela foi presa por ser simpatizante do movimento e na casa de detenção conheceu ninguém menos que Graciliano Ramos.
Com portas e janelas abertas, sem enfermeiros nem profissionais de jalecos, cercado de animais e plantas, o trabalho desse centro de tratamento da cura de males da mente e da alma é um exemplo e uma experiência inédita no campo da psiquiatria. Um centro de tratamento, casa de artes, museu vivo, abrigo.
O debate entre críticos deu grande visibilidade ao museu e a fantástica relação existente entre arte e saúde mental. Gloria Pires foi Nise no filme: "Nise da Silveira - A senhora das imagens". Conheça mais dessa personalidade cativante, na atuação da também cativante atriz escolhida para lhe representar, tenha mos curiosidade e orgulho do trabalho dessa brasileira, guerreira, iluminada, para reconhecermos ao vermos o seu semblante como reconhecemos o de tantas personalidades de países alheios, saibamos um pouco ou muito de sua história, tão pouco conhecida, na medida de seu valor e representatividade, pouco valorizada e reverenciada, seja no meio acadêmico, escolar, na mídia ou no conhecimento popular. Uma falha, sempre em tempo de ser corrigida.

5 comentários:

  1. Sempre [e tempo de conhecer mais sobre essa mulher e farai tão logo possa! beijos e

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    Parabéns pelo nosso dia!! chica

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  2. Belíssima mulher que você escolheu para relatar a história e prestar homenagem às mulheres.
    Assisti a um programa que falava sobre o filme e a atuação da Nise nos cuidados desses pacientes.
    Que mais exemplos como o dela, tão escondidos, pouco divulgados possam vir à tona, para receber merecida homenagem e também inspirar.
    Beijo!

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  3. Olá, querida Tina
    Vc tem embasamento na escolha... parabésn pelo nosso dia!!!
    Bjm fraterno

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  4. Homenagem muito original, adorei! Já tinha ouvido falar, mas muito superficialmente. Incrível o empenho dessa mulher em ajudar, em entender o próximo e perceber que a expressão não era restrita às pessoas fora dali. Ela concedeu a eles um espaço que o mundo tem tendência a retirar.

    Parabéns pelo seu dia, pelos seus dias!

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  5. Adorei o texto, ele me remeteu também ao trabalho da Zilda Arns com a Pastoral da Criança, que também, foi uma médica. Eu não conhecia o trabalho da Nise da Silveira, pesquisei mais depois de ler o seu texto, e adorei o trabalho dela também.

    Parabéns pelo texto, e pelo nosso dia ;)

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