7 de abril de 2014

Das coincidências ou não

 
"A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca
A gente nasce, isto é, começa a piscar
Piscar é abrir e fechar os olhos
Viver é isso
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso
Um rosário de piscadas
Cada pisco é um dia
Pisca e anda
 Pisca e brinca
 Pisca e estuda
Pisca e ama
Pisca e cria filhos
Pisca e geme os reumatismos
Por fim, pisca pela última vez e morre
- E depois que morre – perguntou o Visconde
- Depois que morre, vira hipótese”
Diálogo entre Emília e Visconde de Sabugosa do Sítio do pica-pau amarelo
Partiu de repente uma estrela brasileira, o Jose Wilker, ou Zé, como muitos colegas e amigos o chamam e acho sua cara. Ele parou de pedalar pelos caminhos da vida dormindo, o que muitos julgam ser uma benção e em conversa com marido concordamos: bom para quem vai, difícil para quem fica. Assisti as muitas homenagens e depoimentos sobre seus trabalhos e sobre sua pessoa, como recortes de uma entrevista em Ana Maria Braga na ocasião de lançamento do filme fruto de seu personagem verborragicamente folclórico e popular na novela Senhora do destino, onde ele disse que o que fazia em Juazeiro do norte, onde nasceu, antes de virar artístico era olhar a vida que já lhe parecia tão grande e ele nem imaginava quanto maior era.
Talento, humor, inteligência, simpatia, intensidade e o que para muitos são simples coincidências transformadas em exoterismo ou sinais espirituais, aqui virou post adornado com essa ilustração de quem desconheço a autoria e que se encaixou luminosamente com o que escrevi e que no rosto do ciclista vi ludicamente ele.
Havia visto por esses dias no clássico programa vespertino: Vídeo show, sorrisos, vozeirão, holofotes sobre sua carreira, homenagem em vida, aplausos, declarações e suas mãos e assinatura numa placa de cimento foram marcadas. Na mesma semana ele doou seu grande acervo pessoal de filmes para emissora, para que jovens pudessem ter acesso as obras. Jantou em um restaurante na véspera de sua última piscada, um de seus pratos preferidos.
Hoje estava convidada para o programa de Fátima Bernardes a cantora italiana que participou do Festival Lollapalooza, com a canção popularizada como tema dele em sua última novela. Diriam: Música tema do Zé! - com outro tom, com vida em curso. Falaram do inesperado adeus!
Hipóteses de coincidências ou migalhas de pão de João e Maria deixados por ele volta para de onde veio. Uma luz que se apaga na terra, se ascende no céu e fica na memória.

7 comentários:

  1. Luminosa homenagem Tina!
    Sua vida tão grandemente olhada por ele agora nos deixa a saudade de um magnífico ator, diretor. Enfim, que brilhe no Alto o nosso querido Zé.
    Beijo.

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  2. Lindo ,Tina! Sempre que alguém parte, penso ou digo: ele descansou. Mas Zé não queri descansar! Tinha muiiiiito a fazer por aqui! Pena! Triste! beijos,chica

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  3. Bela homenagem , Tina! Foi uma grande perda, mas que me parece, ele curtiu demais sua passagem por aqui. Só nos resta a saudade.
    Bjos,
    Sheyla.

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  4. Olá Tina,
    Uma homenagem tão carinhosa, de verdade será difícil para quem fica.
    Beijos

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  5. Tina,uma grande perda,com certeza! Ficou muito lindo seu texto e merecida homenagem! bjs,

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  6. Ele vai ficar por muito tempo entre nós com as imagens dos seus trabalhos.

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  7. Simplesmente texto lindo...amei a questão do depois que morre vira hipótese...Bjs Roseli

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