15 de abril de 2014

Lonjuras, lugares e histórias

Imagem da internet
Senta que lá vem história, dizia o chamado da TVE para a programação infantil nos idos da infância de meu filho. Aqui na Bahia andar por um longo percurso é dar uma paleta e eu numa empreitada dessas em Maceió ao pronunciar tal expressão aprendi como se diz lá, ou como dizia quem me deu informação: é uma lapada. Sendo longe onde Judas perdeu as botas e muito longe onde resolveu tirar as meias e não tendo eu achado sentido na tal lapada, nem nunca tendo questionado sobre a paleta, resolvi pesquisar sobre a história de Judas e suas botas perdidas.
Vale pontuar, que fazendo uso da capacidade e gosto por fantasiar e transformar as narrativas, uma história ou ditado popular sofre reinterpretações que os transforma desde um traço cultural a referência de uma época. Na Idade Média, por exemplo, o pouco acesso aos textos bíblicos foi responsável pela produção de várias narrativas envolvendo os personagens cristãos, seus feitos e não feitos. Levando em conta que boa parte da população era pouco letrada, não cabia rigor, coerência e imparcialidade e de um dos mitos criados nessa época advém a expressão popular da perda das botas do delator de Jesus.
Não há registros de que alguém nessa época usava botas, mas diz a lenda que o discípulo traidor teria escondido em um par, as trinta moedas que firmaram o acordo com os sacerdotes judeus, acontece que o defunto estava sem botas e os 30 dinheiros não foram encontrados com ele, logo os soldados partiram sem rumo e além em busca das tais butinas e não se sabe se acharam ou não elas e o dinheiro.
Para incrementar em inglês, "onde Judas perdeu as botas" pode ser traduzido como "in the back of beyond" , expressão britânica que significa "na parte de trás do além" e "in the boondocks" , expressão americana, que descreve uma zona pouco habitada ou "in the middle of nowhere", no meio do nada. Busquei para ilustração a casinha de Coragem o cão covarde, personagem de um desenho animado que apesar de meio punk louco, eu achava o máximo o nome do cãozinho e do lugar onde moravam, não localizável pelo Google maps, longe de tudo, no meio do nada: lugar nenhum era o nome e nenhuma imagem descente do casebre eu achei, é que não devia ter fotógrafos dispostos a ir lá eu presumi. Fico por aqui, com esse mix de referências, distâncias, lugares e histórias. Inté!

11 comentários:

  1. Como uso essa expressão! Nunca imaginei as tais moedas escondidas numa bota.
    Sua curiosidade nos leva à lonjuras! Beijo.

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  2. Que bom viajar contigo .Aprendemos sempre!! Adorei! bjs,chica

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  3. Olá Tina,

    Que caminhada longa e gostosa a de hoje! Adoro ditos e termos populares, minha mãe era um verdadeiro dicionário. Muito legal pesquisar a origem. Adoro fazer longas caminhadas, ir atrás das botas mesmo, ou como acabo de aprender uma paleta.
    Beijos

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  4. Onde Judas perdeu as botas? Eu acho que foi lá do outro lado do mundo, na China, não? Adorei a viagem costurada no texto. Beijos e ótima semana! :)

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    1. Minha disse quando confabulei com ela minha pesquisa, que deve ter sido no mesmo lugar onde o vento faz a curva...engraçadinha ela...adoro

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  5. Tina sua linda,

    Te acho super inteligente, sabe bem brincar e criar postagens interessantíssimas. Adoroooo

    bjokas =)

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  6. Viajar e ver coisas lindas
    Uma bela história, ou um texto valioso
    Eu adorei elogios pra vc

    Passando para deixar meu bom dia de chuva

    Bjusss

    ╭•⊰✿¸.•* Rita!!

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  7. viajei com você e ainda bem que não uso botas.

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  8. Adorei Tina #comosempre
    Nunca tinha parado para pensar em "como" onde judas perdeu as botas... boa Tina... fui lendo e imaginando... as moedas são uma curiosidade para mim...

    Beijão Tina loira linda!!

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  9. Oi Tina!
    Obrigado pela visita!
    Tenha um ótimo dia!
    Bjs do Neno

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