29 de abril de 2014

"Festa é aquilo que se espera"

Recebi por e-mail o link de uma matéria da Revista Vida simples, escrita por Viviane Zandonati, enviada a mim pela amiga blogueira Chica, que falava dos espetáculos e falta de tempero familiar nas festinhas infantis de hoje em dia. Para mim vale para festas de um modo geral, tudo muito cênico, escalafobético, teatral. A parte teatral sempre me lembra um episódio do artístico Bob esponja, clica aqui para assistir.
O que me trouxe aqui para cronicalizar sobre o assunto foi a matéria, minha concordância com a reflexão proposta e um papo entre amigos sentada no chão da sala em visita a uma menininha que fará um aninho e que convivi pequenina com sua mãe e juntas assopramos muitas velinhas nas salas de nossas casas, na mesa toalhas de crochê feitas por nossas mães, herdadas por elas de suas mães, ou por tia rendeiras. Toalhas brancas do tipo para dias de festa ou estilo floral, com frutas e estampadas que destoavam com tudo e nem reparávamos isso. No dia anterior do aniversário uma festa a parte acontecia, a chamada trabalheira hoje, era divertida, tirada de letra, feita enquanto se assistia a novela e a mãe dela entre o descolar de forminhas e enrolar de balas com papel de franjas, descascava laranjas em espiral sentada no chão para chupar enquanto resenhávamos, para animar a mexer no fogão: brigadeiro, beijinho, moranguinho, cajuzinho, deixar esfriar e todo mundo enrolar e fazer rolar em açúcar ou confeito.
Essa minha amiga reservou uma casa de festas e o marido disse que achou que dessa vez, após o chá de fraldas com mínimos detalhes, culinarices, decoração artesanal, vai e vem sem fim, só iria a festa e pronto, mas ela achou que tudo era muito impessoal e está produzindo enfeites para as mesinhas e para mesa principal, providenciando forminhas diferenciadas não disponibilizadas pela tal casa e tive que dar meu apoio, mais do que pela personalização, pelo envolvimento, pela participação, pelo prazer e poder dizer: fui eu que fiz.
No caso das crianças vale sempre as festinhas em casa, só para família e sem bebidas alcoólicas, detalhe coerente e destilado de valores. Festa com balões coloridos, assoprados com ar familiar e bons desejos, amarrados com maestria (no meu caso, com medo), espalhados pelo chão, painel colado na perde com fitas que hoje em dia não arrancam tacos da tinta e que quando arrancavam, isso não era desculpa, criança devidamente fantasiada ou com a roupa de todo dia que lhe confere identidade e descontração, bolo feito pela mãe, vó ou até mesmo encomendado mais não enlatado, nem com sabores exóticos e mais enfeites que sabor. Fotos que amanhã vão ter exclamações do tipo: - Lembro dessa mesa, dessa estante, desse quadro! Ó minha blusinha que eu amava!
Para os convidados mirins além de pula pula e espaço necessário para tal ou para outros brinquedos alugados, muitas vezes fora do orçamento, vale e faz feliz folhas de cartolina ou papel metro espalhados pelo chão, lápis de cor, hidrocor, cola, recortes de papel, areia prateada. Um balde cheio de água com sabão e sopradores de bolinhas. Vale pega-pega e se esconder com adulto junto para organizar e aproveitar para voltar a ser criança.
Trilhas sonoras adequadas e selecionadas previamente, lembrancinhas originais. Como bem define o título da postagem, frase recortada da matéria da vida simples, dita pelo psicanalista francês Lacan. No dia, tudo feito, visto e vivido acabará ali. Ao passo que vale aproveitar a preparação quando tudo é porvir e tantos sentimentos e sensações são latentes e nesse quesito o deixar para decidir na hora muito comum nas comemorações de aniversários de gente grande, por praticidade, modinha, marra, por não ser prática programar coisas, viver ao sabor do momento, que acaba por perder o sabor dos preparativos planos, idealizações. Tudo muito prático e impessoal, sem identidade ou referencias, num bar invariavelmente, vale até festa de Natal da empresa em uma boate. Que horror!
No quesito ser anfitrião reprovação em massa, seja em festas espetaculosas ou nas em salões de festas e no espaço ínfimo de uma casa. Os aniversariantes, formandos, donos da comemoração, não circulam, ficam muitas vezes focados em determinados convidados, se instalam em uma mesa, são alheios a seu papel coletivo na festa, além do individual. 
É massante também a necessidade de exibir o valor dos gastos, figurinos, menus e esbanjamentos que do que muitas vezes não se tem e que não faz o evento ser mais divertido, apenas mais ostentador e se esse é o valor dado por quem nos cerca, temos que rever quem nos cerca, penso eu cá com meus balões. "Não foi apenas o trabalho que ficou envenenado pela filosofia da competição, o lazer está igualmente envenenado. O lazer sereno e restaurador dos nervos passou a ser encarado como enfadonho." (Bertrand Russell) Pena! Mas como sou passarinha e cercada de passarinhos, penas para quem queremos e o que queremos e somos, sigamos saltitantes e contagiantes, lambendo panelas e colocando cirandas do sol na janela para no dia das festinhas não chover.

15 comentários:

  1. Certíssima em tudo Tina Flor...bom dia!
    Bom, como você sabe, minha família é toda das antigas, ou vintage, hehehe!
    Ainda usamo no dia a dia costumes da década de 80 e que no simpples nos faziam muito felizes!
    Domingo agora vou reunir a família para o aniversário de meu filho que fará 06 anos e como sempre a festinha será no quintal, com bolha de sabão, pula corda e chapeuzinho, hehehehe! Mas é tudo de bom!
    Adorei seu texto! Beijos Tina flor e sopros de lingua de sogra por aí!
    Camomilarosa

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  2. Muito bom,Tina e eu sabia que pensávamos igualzinho e que irias concordar! Não gosto de frescuradas.
    Gosto da simplicidade! Aqui, com meus filhos, tudo foi simples e com os netos a coisa continua. Festa em salões uma ou duas tivemos. O resto, depois sempre em casa ,com família!Que volte a simplicidade! Isso é legal! Adorei te ler!

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  3. Me empolguei e esqueci os beijos,chica

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  4. Tininha concordo com você em parte !! rs
    Adorava nossas festinhas em casa, mas lembre que nossas mães também trabalhavam em casa, enfim ...
    Meu objetivo na casa de festas não é ostentação de forma alguma e sim a praticidade. Não precisarei sair contratando um a um os fornecedores, som, bebidas, bolo, balões, comida, etcetcetc.
    Como é a festa de um ano de minha pequena, não quis ter muito trabalho e assim poder me divertir mais junto com ela e com os convidados.
    Mas concordo com você que algo mais caseiro e intimista é muito bom. Dá trabalho, mas é bom.
    Beijos

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    1. Tenho certeza que seu caso não é de ostentação, tanto que vc quer colocar cerejinhas no bolo, cuidar dos detalhes, está acompanhando tudo, tem quem paga e nem escolhe nada, só vai no dia.
      Trabalhar fora e não só isso, as mil exigências do mundo de hoje nos levam para coisas mais práticas mesmo, para dentre outros fins, não enlouquecermos...rsrs
      Enfim, o texto foi para registrar tanto nossas festinhas, quanto seu cuidado e zelo com os detalhes da festa toda pronta.
      Saudosismo e elogio :)

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  5. Tina, sinto grande irritação porque tudo virou em mega evento. Até a 1ª Eucaristia, virou desfile de roupas alugadas, onde já se viu? E os casamentos, então? Eu sempre fiz sozinha os aniversários de meus filhos e foram ótimas as festinhas. Lindo texto, como sempre! Beijos!!

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  6. oi Tina

    Adoro festas,mas qualquer coisa que se vá fazer hj está um absurdo de caro.

    bjokas =)

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  7. Sempre tive meu aniversário junto com minhas irmãs e uma prima pois somos do mesmo mes, com dias de diferença. Seu texto me lembrou de uma festinha que tivemos quando pequenas que participamos em tudo:enrolando brigadeiros,enchendo as bexigas e enfeitando a mesa...isso é mais legal que a própria festa!...rss...adorei seu texto,Tina! bjs,

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  8. Que tenha sempre o sentido de celebrar, agregar pessoas, sentimentos bons, sorrisos.
    Toda essa festança me deu uma vontade de batatinhas bolinhas dormidas em tempero e sanduíche de carne maluca ( ou seria louca? ).
    Tinha desses quitutes aí na mesa de toalha com flores? fiquei curiosa...

    Ah! Não posso esquecer que todo brigadeiro enrolado sem simetria tinha sempre uns "crocantes" por dentro, algo meio empedrado mesmo. E aí?!
    Beijo.

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    1. Batatinhas bolinhas dormidas em tempero não tinha mas faço gosto, bem como batata de todo jeito: cozida, ensopada, assada, em tortilhas, frita e molhada na gema de ovo frito com gema mole...huuummm! Amo!

      Carne só em bolinhos, empadinhas, empanada e pastéis fritos (frios, murchos e gostosos) ou nos de forno. Por vezes era pouca, mas não louca ou maluca que eu soubesse ou tenha descoberto até o momento.

      Seria rosbife essa carne maluca?
      Volte para contar, sou faminta e curiosa, não me deixe com água na boca!

      Sanduichinhos havia,quadrados tipo 1/4 de um pão de forma com patês variados que ninguém perguntava o que era e ñ sobrava um.
      Tinha cones também, com patê dentro, coxinha, quibe...
      Tubaína, Frateli, sucos...
      Rasga saco

      Os brigadeiros variavam de empelotafos a molengas e empedrados.

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    2. A tal carne tanto pode ser chamada de maluca ou louca! É desfiada, mas tem detalhes que não se encontram nas receitas do google como por exemplo, a panela ser emprestada da vizinha...
      Ai, ai. Toda esta festança em buffet ou no quintal de casa me trouxe recordações empelotadas pelo tempo, mas acho que vai virar uma história para o blog em breve!
      beijo

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  9. Nos remete a uma reflexão sobre mudança no conceito de família,mas com seu lado bom e seu lado ruim que todo ciclo de mudança possui.Bjs Roseli

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  10. Minha mamãe sempre fez os meus aniversário na minha casa , só um foi na escola! As decorações sempre foram feitas pela vovó e a mamãe, mas eu gosto mais na escola, lá tenho muito amigos!
    Beijinho Pedrinho

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  11. Que lindo Tina!
    Precisamos recuperar o verdadeiro espírito das celebrações que não está nas aparências, mas na essência: amor.
    Bjs e bom feriado

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  12. Tá lá na panela, ainda quentinha, te esperando, um pão com carne maluca!
    Beijo.

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