8 de abril de 2014

Sobre caixas do nada

Assisti dia desses um vídeo com uma explicação reveladora de muitos comportamentos masculinos, que até então eu não entendia e não conseguia achar tão simples. Não vale para algumas poucas exceções de homens, como muitas regras não valem para todas as mulheres, mas que é uma descrição real, elucidativa e bem feita do funcionamento da mente do sexo oposto para mim é inegável. Vou explicar com minhas palavras e algumas interseções (leia-se desabafos).
É sabido que homens tem uma certa dificuldade para fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo ou prestar nem que seja atenção a mais de uma coisa ao mesmo tempo. Por exemplo, escolher o prato com os dedos no cardápio do restaurante diante do garçom enquanto se está no telefone é exigir demais deles. O cérebro do homem é feito de pequenas caixas segundo a teoria e eles tem uma caixa específica para tudo. Uma para o trabalho, outra para família, outra para mulher, outra para os filhos e caixas menores dentro de cada departamento, como uma na da família para a sogra (geralmente no porão). No dia a dia eles acessam suas caixas, abrem, vivem aquilo ali, resolvem o que tiver de resolver, aproveitam se for o caso, fecham aquela caixa e só então abrem outra.
Para traçar um paralelo e dar sentido a coisa, o cérebro da mulher pode ser comparado a uma caixa central onde estão contidas um universo infinito, variado, ilustrado, explicativo e sensitivo de outras caixas, por fios e conexões de alta velocidade. O gerenciamento das caixas femininas se chama emoção e a supervisão é com a razão, no caso dos homens é o inverso e eles não entendem, não adianta explicar, que o domínio da emoção é o responsável pela tal força, pelo borogodó e pelo apoio logístico que eles precisam das mulheres.
Breve descritivo do processo mental feminino: O trabalho se conecta ao carro, que se conecta a passar no mercado e na padaria, quem tem filhos aos filhos e ao marido e a mãe e a amiga que não tem carro e ao horário da seção do cinema e a roupa que vai usar e dar tempo de fazer o café sem esquecer de que um gosta fraco, outro com pouco açúcar, outro gosta de suco, sem deixar de ser gentil, amorosa e estar com a pele, cabelos e unhas em dia para não ficar por baixo e não passar de desmazelada. Porque homem desmazelado é sexy, mulher é horrorosa, nem que seja Gisele Bundchen.
Voltando as caixas, na sistemática e limitada mente dos garotos há uma chamada: caixa do nada. O que tem nela? Nada e talvez Freud explicasse, eu não consigo entender essa parte, essa é a caixa preferida deles.
Os homens sempre abrem e se perdem na tal caixa do nada, é uma das maiores e talvez por isso eles consigam fazer por horas coisas que invejo como pescar e coisas que me irritam como ficar passando sem parada, foco ou curiosidade pelos canais da tv. Também estão lá quando falamos, falamos, falamos e eles só absorvem 1% do que foi dito. Quando estão dirigindo abrem muito essa caixa, mulher dirige pensando desde o dia anterior ou o que tem para fazer até na paz mundial, homens dirigem calados e concentrados ao que parece, mas não estão concentrados, estão como respondem estar e não acreditamos: pensando em nada. Como alguém não pensa em nada a não ser monges budistas em meditação? Eu não sei!
Por conta dessa disfunção, talvez, eles tem certeza para depois duvidar, pedem para depois saber o que pediram, não se interessarem pelos detalhes do programa que toparam para depois questionarem que não foi dito que era aquilo e muitos etc.
A fama é das mulheres, mas os homens tem muitos mimimis, não gostam de ser interrompidos quando estão falando ao telefone (telefone para a mulher é como um brinco, para o homem é uma caixa) e de caixa em caixa o acesso dos coitados ao mundo ao redor é reduzido a um certo limite que não adianta forçar. É ver jogo e só, estar almoçando e só, estar se falando de um assunto e ter que fazer pausa, sinal, introdução para mudar de assunto se não eles não acompanham e por ai lá vai e vamos que vamos.

16 comentários:

  1. Rssss...Com as devidas exceções, falo daqui de casa: Kiko não consegue falar ao telefone,tendo conversas por perto. Chegar a dar as raras telefonadas que faz, antes exige um acerto na garganta. Se vê jogo, ensurdece, ao dirigir, quer um co-piloto(por isso adoooooooro cada vez mais os táxis),rs...Bem, chega!! Sobrou pro kiko aqui que, com tudo isso, o adoro muito ,rs beijso,chica

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  2. Queria poder comentar com ilustrações...
    Amei a reflexiva postagem e eu não sabia dessa caixa do nada, apesar de já ter me deparado com ela por aqui!
    Beijo.

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    1. Ilustrações do livro O homem que amava caixas, recebidas por e-mail e conexão de ter ensaiado comprar para meu pai e irmão acionada, além da adequada e encantada relação :)

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  3. Enquadro-me bem nessas caixas rs abraços

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  4. Menina,
    tô pasma com toda esta clareza encaixotada...e não é que é assim mesmo?
    Tenho aqui em casa três representantes que funcionam desse jeitinho, cada um na caixa correspondente ao momento e vá querer abrir todas juntas;impossível.
    Nós somos multi-tarefas, eles são ações-estanques.Custei pra caramba pra ter uma rasa visão sobre isso no início do casamento e me descabelei aos montes.Hoje tô zen, rsrsrsrs
    Olho primeiro qual caixa está em funcionamento :)
    Adorei essa conversa fértil, Tina.
    Bjkas,
    Calu

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  5. kkkk, agora entendi muita coisa rs...

    bjokas =)

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  6. Ahahaha... Eu conheço este vídeo e ele me ajudou por demais a entender o marido, filho e genro...
    É bom saber o limite do outro e melhor ainda é reconhecermos os nossos também.
    Bjs

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  7. Oi Tina, eu também já vi esse vídeo e ri muito…mas não deve ser levado ao pé da letra, ele trabalha com estereótipos e o ser humano (mesmo homem) não cabe numa caixinha.
    Bjs querida

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    1. Com certeza!
      Mas penso que na vertical há muito de esteriótipos nos sexos, classes, profissões...tanto quanto não há. E é bom a gente ver com olhos de série um pouco para entender, aceitar, valorizar as particularidades.
      Beijos!

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  8. Olá, Tina.

    Não falo por todos, óbvio, mas por mim. Reconheço que fazer duas coisas ao mesmo tempo é extremamente difícil, mas de uns tempos pra cá estou tentando ser menos cartesiano.

    Um abraço!

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  9. E eu assino em baixo... Sempre fico pensando em como pode ser? Como conseguem não pensar em nada quando falam que não estão pensando, pois eu não consigo não pensar em nada... minha cabeça vive a mil por hora... Olha Tina, suas palavras disseram tudo, e responderam a muitas duvidas, sempre achei que era só o meu amado marido que era assim, agora sei que são todos os homens...

    Beiju, beijuuuu

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  10. oi Tina
    Gostei tanto disso , muito real com o que acontece no dia a dia dos homens.
    Nós polivalentes e eles unilaterais _funciona só de um lado ... kkk
    Impressiona o que as mulheres são capazes , imagine se o homem tivesse que parir... rs impossível _ qualquer dorzinha estão doentes enquanto a gente tem Tpms de diversos estilos rs
    Adorei Tina
    mando abraços

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  11. kkkk, a caixa do nada é enorme, dá para deitar e rolar. E esquecer que existe o mundo.

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  12. Muito legal e bem humorada descrição do universo masculino. Bem no estilo do meu marido que teve ter muitas caixa e por vezes não encontra a desejada ou não sabe em qual gardou oquê, rs. Continua sendo meu amor.
    Beijos

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  13. Faço parte desse grupo com dificuldade em realizar múltiplas tarefas simultaneamente e isso ficava nítido demais no trabalho. Quando treinei a moça que ficaria em meu lugar, ela se destacou muito mais nesse quesito. Atendia aos telefonemas enquanto escutava alguma tarefa que deveria realizar e anotava tudo.
    A minha caixa do nada certamente não é tão assim como o exemplo genérico. Deve haver algum decoro, jujuba ou canto do cochilo pra me chamar tanta atenção rs.

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