27 de abril de 2014

Sobre de onde viemos

"Que despertes para o mistério de estar aqui
E compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam
Que respondas ao chamado do teu Dom
E encontre a coragem para seguir-lhe o caminho
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos 
Que não buscam atenção"
Trecho de uma oração Celta
Hoje resolvi falar de medicina. Quem convive com arianos sabe que falamos de tudo, gostamos de nos informar sobre assuntos diversos e principalmente de dar opinião. Li sobre algo bem interessante certa vez, em busca de alguma tradição, prece, ritual Celta para reverenciar a chegada de meu sobrinho, já que minha irmã, a mãe dele e uma amiga nossa, também gestante na época, são admiradoras da cultura Celta.
O interessante que descobri é sobre o descarte da placenta após os nascimentos, assunto pouco discutido, eu pelo menos nunca tinha ouvido falar em nada parecido, nem tinha conhecimento sobre utilidades e simbologias desse material, como é de grande utilidade também o cordão umbilical e pouco se produz nesse sentido, pouco incentivo, estudos limitados perto do que deveria ser estudado e levado a prática o armazenamento e uso. O tema, percebo, parece só vir a tona apenas quando pessoas famosas, precisam de células tronco e se faz um movimento para conseguir e incentivar a doação a bancos de armazenamento ou quando passa em novelas e filmes, mães que geram outros filhos para salvar os que lutam pela vida.
Descobri que há muitos rituais e crenças ligados a placenta e que é costume "moderno" ela ser jogada no lixo e diga-se de passagem, sem abertura para que o descarte não seja feito. É todo um processo complicado querer a própria placenta, bem como para doar os cordões umbilicais. Uma realidade na prática diária das muitas maternidades e hospitais, tudo muito burocrático, aos passo que procedimentos nocivos passam longe de burocracias.
Na África, a placenta é considerada a ligação espiritual da criança com o céu e em muitas culturas ela sempre foi e ainda é considerada sagrada. Há muitos simbolismos e o ritual mais comum entre os povos é enterrar ela como que transferindo a ligação da criança com sua mãe e com a vida, para a ligação com a terra e com o mundo do qual ela, a partir de seu nascimento, fará parte.
A placenta é muitas vezes simbolizada por uma árvore, pois como raiz da vida ela filtra e recebe os nutrientes da terra mãe semeada pelo pai e leva através do caule (o cordão umbilical) para o fruto, o bebê. Quando o fruto está maduro, ele cai do pé e passa a ser semente, terra, raiz, vida. Lindo né?

9 comentários:

  1. Lindo mesmo, Tina! E adoro ver essa ariana agitadinha que sempre busca e nos traz maravilhas! beijos,lindo domingo! chica

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  2. Tina! Que interessante isso flor! Leio muitos livros sobre a tradição celta, mas nunca li sobre este detalhe do nascimento.
    Sabe...vou te contar, não sei se vc já viu ou se é costume por aí, mas minha mãe tinha e tem o costume de enterrar aos pés de uma roseira ou uma linda flor o restinho do cordão umbilical que caía semanas após o nascimento. Foi assim comigo, meus irmãos e meus filhos. Ela veio com esse costume passado pela nona dela da Itália, as Stregamamas.
    Sabia que tenho um irmão? Entre eu e a Keila, segundo filho, mas que foi embora muito cedo e ficou em nossos corações, o nome dele era Leandro. Falo dele pela primeira vez no mundo virtual.
    Adorei saber mais Tina Flor, obrigada!
    Beijos, carinhos, emoções e um lindo domingo em sua casa!
    CamomilaRosa

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    1. Não conhecia essa semeadura tradicional e umbilical. Linda!
      Seu se sentir a vontade e dividir essa nuvenzinha negra me deixou emocionada e certa de que ele é presente em vocês e que não ter perdas e dores não é ser feliz mais sim saber o que fazer com isso. Que ele seja sempre luz após ter passado o momento da tempestade.
      Amor dobrado para mamãe Alfazema, meu carinho e cantos de passarinhos :)

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  3. Maravilhoso seu post Tina!
    O mundo ocidental e científico perdeu muito da sabedoria ancestral.
    Mas hoje já existe um movimento de resgate, mas o número de médicos e pacientes envolvidos ainda é pequeno. Precisamos aumentar essa consciência. Quanto mais pessoas buscarem esse outro olhar, mais rapidamente poderemos fazer essa mudança de paradigmas.
    Bjs querida e ótima semana

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  4. Ah! Esqueci de dizer, temos um grupo de estudos aqui sobre o papel simbólico dos ciclo femininos, da gestação, parto e menopausa, estudando e fazendo vários rituais ligados a estas passagens.
    Está sendo um verdadeiro resgate para muitas mulheres.
    Bjs

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  5. Aprendi sobre lindos rituais sobre as placentas quando trabalhava num centro obstétrico e um pai veio da Austrália para ver o nascimento da filha e foi embora com a placenta devidamente empacotada para a longa viagem de volta, onde ela seria plantada junto com uma muda de árvore. Ao olhar a árvore crescendo saberia que a placenta estava ali e sua filha, mesmo distante, vicejando! Achei lindo.

    Encantador também foi a imagem escolhida :)

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  6. Maravilhoso esse costume africano! Eu não conhecia e gostei muito do seu texto! bjs,

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  7. Acredita-se que hoje não sejam mais necessários 'rituais' para que a vida aconteça... Eles podem se recriar mas deixar de 'existir' não tem como...se não a Vida se perde. O nosso 'ritual' na chegada do nosso bebê não teve - cordão, nem placenta - mas foi realizado através da árvore da vida como símbolo na sua chegada e na Tatoo que Papai fez em sua homenagem.

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    1. Lembrei da tatoo da árvore de Adriano ou de Zaion, de vcs na verdade :)

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