25 de maio de 2014

De copa, cozinha e rua vizinha

Já que estamos em plena copa e hoje é domingo dia desse assunto rolar solto além do normal e como já pontuei aqui, não sendo alienada, mas não perdendo o encantamento e o valor de extrair o que há de bom nas coisas, não é esse um post de protesto, nem sobre nossa seleção ou jogadores. É que ouvi no noticiário, por conta das ruas que serão interditadas nos dias de jogos, o nome de uma rua, ladeira na verdade que fica ao lado da escola onde estudei por vida e por repetidas vezes disse seu nome, sem nunca ter me perguntado que eu me lembre o porque dele. 
A ruela, tão sem pretensões é uma rua de passagem, com lateral de prédios, da escola, casarões antigos, chão de pedras e uma já a muito fechada barraquinha mal acabada, que está em meus registros, onde trabalhava um sapateiro. Por falar nisso, reivindico sapateiros e engraxates pelas ruas.
Nos registros de meu marido, está descer e subir a tal rua para ir jogar bola ao lado de onde hoje é a Arena Fonte nova, que era simplesmente a Fonte nova e que apresentei aqui
Ao lado ele ia, pois tinha um mini-estádio de esportes, chamado Balbininho que era muito frequentado, para lazer e prática continua de esportes. Fui algumas vezes nesse estádio descendo por essa ladeira, mas não presenciei bolas caídas de jogos alheios e furtadas e amigos correndo a contento outros não, nem bati bola na ladeira com o estádio ali esperando espaçoso, nem a definição pelo caminho de quem era de qual time, quem ia jogar com e quem, quem ia jogar com e sem camisa e tantas outras resenhas, além do perigo ignorado de poder ser assaltado ou algo assim pelo pouco movimento e nenhuma segurança do local, que era tido como perigoso, do tipo mil vezes das duzentas mil que fui para escola, ouvi: - Cuidado quando passar pela...!
Nesse tal apelidado Balbininho, cujo nome era, pois foi demolido: Antonio Balbino, nessas épocas de agora havia muito arrastapé, lá acontecia o famoso Arraiá do galinho, um concurso de quadrilhas, televisionado e lotado, com quadrilhas que ensaiavam o ano inteiro e vinham de todo canto do nordeste. Era um céu de bandeirolas, ralar de fivelas, chinelos de couro, caravanas de escolas para assistir, desfile de chitas, tranças, bater de triângulos, zabumbas, chorar de sanfonas e comer compulsivo de amendoim e milho cozido que inté me deu fome e vontade de forrozá. 
Sem querer, até que os quitutes caíram bem na história e eu bem podia citar outras delícias típicas, para fazer jus a parte cozinha do título que era só para fazer relação com a copa, sem ser a do futebol, a das casas antigas e rimar com rua vizinha, mas vou poupar a saliva alheia e a minha também.
Voltando para a rua, que não disse ainda o nome, pois resolvi pesquisar sua história, para arrematar a contação, depois de falar do que eu lembrava dela e provocar quem é daqui ou foi a saber. Cova da onça é seu nome e na busca da origem não achei nada além da lenda urbana pouco criativa e possível de no local ter sido enterrada uma onça e a descoberta de outro local de mesmo nome, o povoado de São sebastião, aqui na Bahia, que também é conhecido como Cova da onça e onde teria sido aberto no século XVII, um duto subterrâneo que lembra uma cova e onde, segundo a crença popular, jesuítas, refugiando-se dos índios, teriam deixado uma imagem de São Sebastião. E onde entra a onça? Não achei nenhuma explicação ou relação.
Sei é que dessa história toda achei muitas histórias legais de nomes de ladeiras, becos e ruas de Salvador, que foi assunto saudoso e prazeroso de conversa esses dias entre mim, meu marido e minha sogra e juntos entre matutação, ligações para minha mãe e meu pai e pesquisa no Google, lembramos do nome de uma padaria que ficava embaixo de uma das casas que ela morou na sua infância. Volto com mais contações, nomes pitorescos e honrosos de ruas, avenidas, praças, becos, histórias, memórias minhas e vizinhas.

4 comentários:

  1. Cova da Onça? E quem passava por lá?rsss.. Adorei essas informações, mescladas com tuas e de toda família e viva a interação familiar...vale sempre! bjs, lindo domingo!chica

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  2. Eu que também não passava e não morava na Cova da Onça!
    Bolandeira acho mais simpático. E por que será que esse nome não me esqueci?!
    Beijo! ( será que a chuva espantou o pessoal do blog? )

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  3. Um dos livros mais interessantes que li chamava-se "O seu nome está na rua" e contava a origem dos nomes das ruas da cidadezinha pequena e eu acho que toda cidade deveria ter o seu.

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