13 de maio de 2014

Nada a ver

"Livro é que nem árvore, tem história", trouxe essa correlação, para semear e fazer germinar mudanças de mentalidade e intervenções sobre uma questão que ao meu ver, não ter nada a ver, que é adequar os escritos antigos as mudanças da língua e também adequar as obras aos novos tempos, como por exemplo: desconsiderar preconceitos próprios de uma determinada época ou pessoal de um determinado estilo ou autor. Livros, contos, histórias são registros. E tenho dito! Pirei aqui com os ataques a Monteiro Lobato ano passado, por escolas, pais e mídia afora, faltinha do que fazer!
Nessa vibe (usando vocabulário moderno), seguem recortes do abaixo assinado que mencionei aqui ontem, na tentativa de impedir a alteração das palavras originais nas obras de nossa língua portuguesa. Para assinar, clica aqui.
"Nós, abaixo assinados, leitores e escritores, consideramos inadmissível a aprovação de quaisquer projetos cujo propósito tenha a pretensão de alterar, seja no todo ou em parte, as palavras originais utilizadas por autores em suas obras na língua portuguesa. Referimo-nos, no caso, a recente projeto aprovado pelo MiNC, cujas pretensões imediatas envolvem mudar palavras nas obras de Machado de Assis.
Ampliar o acesso do jovem à cultura deveria representar a ampliação de seu vocabulário, e não a alteração de termos utilizados por um autor. Observa-se, contemporaneamente, um empobrecimento da linguagem. Ainda que faça sentido apontar para a dificuldade do jovem em compreender expressões menos coloquiais, isso poderia ser sanado a partir da elaboração de obras com devidas notas de rodapé, explicando o significado de cada palavra considerada "complicada".
Salientamos que obras com tais notas explicativas já existem, e outras poderiam ser criadas, de modo a atrair o interesse dos jovens.
Ora, ainda que se interprete a presente lei, argumentando "ausência de prejuízo" a Machado de Assis (ou a qualquer autor falecido), tal interpretação é subjetiva e contestável. Consideraria o autor aceitável tal modificação em sua obra? Como sabê-lo? Inadmissível partir do pressuposto de que o autor não se incomodaria com tal intromissão.
Este projeto abre precedentes preocupantes. Teremos nós mesmos os nossos dizeres alterados no futuro? A única posição passível de ser tomada, diante deste fato, é o agnosticismo: diante da impossibilidade de saber o que o autor pensaria disso, não alterem o texto original deste autor. Inclua-se, no máximo, notas explicativas...versões em quadrinhos...os quadrinhos consistem em uma magnífica porta de entrada para o universo da leitura."

13 comentários:

  1. É um assunto complexo, mas de certa forma sempre houveram livros simplificados, alguns eu gosto, outro acho que não tem como simplificar mais! Seu texto me ajuda a refletir melhor sobre o assunto! abraços

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  2. oi Tina

    Já assinei, toda hora quem fazer mudanças, tantas outras coisas para serem mudadas aff.

    bjokas =)

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  3. Tina, tenho a certeza de quem inventou isto é da mesma equipe daqueles que queriam o Monteiro Lobato politicamente correto. Aff Maria, ultimamente tenho recusado a ler e a ouvir as "novidades" deste país porque é sempre um retrocesso, um andar para trás. E penso sempre em pedir ao mundo que pare um pouquinho porque eu quero descer.

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  4. Vi por ai, dentro do tema, segue link para quem se interessar:

    http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/arte-e-livros/2014/05/12/noticia_arte_e_livros,154551/polemica-da-simplificacao-de-classicos-da-literatura-chega-as-escolas.shtml

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  5. Pois é, também achei um absurdo quando ouvi a notícia no rádio, Tina, parece que tudo no Brasil tem que ser nivelado por baixo mesmo... Adorei as sugestões e obrigada pelo elogio ao meu LO, quero ver sua produção, hein? bjks

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  6. Seu texto é perfeito e concordo plenamente com você.
    Beijos.

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  7. Meu, tá ligado no bagulho, belê?

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  8. Lembrei-me de texto ótimo que li recente. Trouxe o link:

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2014/05/1449398-palavras-em-perigo.shtml

    Adorei o teu texto! Beijo

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  9. Perfeita reflexão amiga...bjs Roseli

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  10. Quem sou eu, quem é quem para alterar nossa literatura clássica. Deixe cada palavrinha no seu lugar, sossegada, feliz. Nasceu assim, perfeitinha, nós é que inventamos os defeitos. :) Beijos!

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  11. Tive que voltar e enviar para você esta versão clássica para a música da pensadora contemporânea Valeska (e uma ameaça: se vocês querem simplificar nós podemos complicar):

    SUAVES ÓSCULOS NA ESPÁDUA

    Por: Valeska Esplêndidos Glúteos,
    versão ELITYZADA Alexey Dodsworth,
    a ser aprovada pelo Ministério da Cultura da República Federativa do Brasil [gestão Martha Suplicy]

    Almejo longevidade às antagonistas
    A fim de que vislumbrem rotineiramente nossos louros
    Confrontas? Ofereço disparos!
    Litígios!
    PETARDOS!

    Creio no Primum Mobile, converto-o em resguardo
    Brame teus ganidos, pois não t'atendo
    De cá da frisa dificilmente te vislumbro
    Passas ridículo, desejas tão-somente exibir-te

    Não me tomes por poltrão! Disposto estou a esse confronto
    Mantenha-te bonançoso, livra-te desta zelotipia
    Captações de eflúvios prostitúticos zunem, potentes
    Basta! Porta contigo toda zelotipia! Vai-te para...
    (EVOÉ, súcubo! Evoé!)

    Suaves ósculos na espádua: exorcismo da zelotipia
    Suaves ósculos na espádua: aos ínvidos dedicados
    Suaves ósculos na espádua: para os que cerram os veículos urbanos elétricos
    Suaves ósculos na espádua: para os jubilosos

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