20 de agosto de 2014

A flor da pele

Foto de Alexandre Severo
Para não entrar no maçante e repetitivo do assunto, hoje, passados dias, resolvi fazer um post sobre o acidente com o candidato a presidência da República, Eduardo Campos, que foi noticiado pelo mundo inteiro. Penso que além do lado político, do vínculo dele com o nordeste, da tragédia ter vitimado mais 6 pessoas e é chocante num meio de um dia qualquer ver uma notícia dessa na tv, como tantas que vejo, me chocam e sempre digo desejar nunca me acostumar.
Também chocante é ouvir as pessoas seja pela internet, nas ruas, pessoas próximas a nós, fazerem pouco caso, piadas, não acompanharem o caso que é um acontecimento triste e histórico. Parei para ver sem nada entender bem e acompanhei a saída do nosso presidente que foi deposto, como testemunha da história, é assim que penso e é assim que o bloco que só cresce dos nada ai para nada deviam encarar.
Da vida de cada um dos que se foram, suas histórias pessoais, de família, de trabalho, como uma das histórias do fotógrafo Alexandre Severo, que vi através do Instagram da Vida Simples, que fotografou uma família composta por negros e albinos, num delicado e premiado ensaio chamado: À flor da pele. Um emaranhado de muitas histórias, como as das muitas pessoas que estavam em suas casas e no entorno na hora do acidente, dos parentes que viram o local pela tv e tem parentes ali. 
Um senhorzinho muito simpático e de fala simples disse em um dos muitos depoimentos que vi pela tv que agradeceu ao piloto estar ali vivo. Ele acha que está vivo por habilidade dele, tenha feito o piloto algo ou não, gratidão é uma forma de oração. Achei lindo!
Mortes, sejam como for, são perdas. Sendo em acidentes há sem dúvida mais dor, há mais sentimentos em suspenso, bem como ter que processar a perda de alguém que tira a sua própria vida. Um assunto pesado, mas que trouxe para cá, pois de beleza, poesia, risos, dores e choro é a vida. Um amigo e colega do ator americano Robin Williams que partiu na mesma semana, disse em entrevista sobre sua a morte: "Eu apenas quero registrar a completitude da vida, as alegrias, as tristezas, que estão nos aguardando a todos. Estou repleto de vida hoje ao saber da morte de meu querido amigo Robin".
Quando alguém parte ou anuncia a sua partida há muita vida, lembranças, histórias, tudo renasce e após a dor passar percebemos, permanece. As pessoas vivem enquanto forem lembradas. Nossa lembrança aos que se foram, nossa certeza de que um dia iremos, dai o valor e a necessidade do cuidado com cada dia, hora, minuto.

7 comentários:

  1. As mortes sempre e ainda mexem conosco e quando essas tragédias acontecem, nos pegam de jeito e nos marcam muito. Pensamos na pessoa e não no político, artista, homem simplesmente que se foi e nas famílias que não merecem chacotas idiotas como vimos no dia seguinte. Pena, mas acontece! bjs, lindo dia e que haja mais leveza,respeito e respeito pela dor alheia!

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  2. oi Tina

    Fico muito chateada com as piadinhas na internet diante de mortes e tragédias.
    Uma falta de respeito e um humor negro grotesco.


    bjokas =)

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  3. amiga muitas coisa nem leio mais,
    e realmente Gratidão é com certeza
    uma forma de oração

    Linda Tarde
    ♥beijokas da Nanda♥

    Mamãe de Duas
    Google+Nanda

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  4. Oi, Tina, tudo bem?
    Hoje a minha oração é para que as lembranças dos que queremos bem nunca adormeçam e que sejamos mais humanos.

    Beijos,
    Nina & Suas Letras

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  5. Fiquei triste ao ver aquele menino filho do Eduardo Campos chorando pela morte do pai. Como pessoas podem ser tão insensível? Não há mais respeito e nem amor! Maravilhoso seu texto Tina!
    Beijos
    Amara

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  6. As vezes tenho a impressão que ao ver o brilho de um relâmpago as pessoas já fazem pose achando que é o flash de uma máquina. E vimos cenas lamentáveis de pessoas querendo mostrar que estiveram presentes, que participaram e demonstrando uma total falta de respeito com a dor e o sentimento de perda de amigos e parentes. Mas quero registrar que poucas vezes vi os anjos da guarda trabalhando tão bem porque as circunstâncias do acidente poderiam ter provocado muitas vítimas.

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