16 de agosto de 2014

Das não leituras

"Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência
Sem isso
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá"
Simplesmente Chaplin
Essa semana  uma amiga me contou que leu antes da filha ler (fiz muito isso) um dos livros de literatura pedidos pelo colégio. O livro foi um de três do mesmo autor da lista de leituras paradidáticas para o ano letivo, desde esse ponto, não achei muito didático, uma vez que a turma é da faixa etária de 9 anos e variações são importantes para o caso de uma não identificação com o estilo do autor e mais ainda pela temática dos três livros serem a mesma, também pelo valor da apresentação de mais de um nome de escritor, editora etc. No tal terceiro livro há descrições e relatos de muita violência, verdadeiras barbáries feitas por e com crianças. Vale ressaltar, sem uma conotação ou desfecho de sonho, tom de ficcionalidade ou lição de moral nas entrelinhas. Absurdo é o mínimo! O livro ganhou o prêmio Jabuti e o autor é super reconhecido, ela disse na descrição que me fez do tal e pensei: Como pode?
Pesquisei sobre o livro, o autor e dentre as muitas ponderações a de que é um registro social e político da época da ditadura, que a recomendação de idade para leitura é inapropriada, que a idade das crianças não contempla tal percepção e trabalho da obra nesse sentido de registro histórico de enfrentamento do mundo real e violento em que se viveu e que vivemos, e ainda não sendo para crianças, é um tipo de leitura questionável para um prêmio literário infanto-juvenil ao meu ver, como foi o que o referido livro ganhou.
Não achei importante citar obra e autor, mas achei interessante dividir essa indignação com certos prêmios, essas incoerências entre combater a violência, ver e se chocar com casos de crimes em escolas e fazer uso na escola de literaturas que ilustram e narram violência. As leituras escolares, devem  circular entre o lúdico e o real em tom educacional, uma realidade compreendida e processada de forma agregadora pelo leitor e sua faixa etária. A escola e se não ela os pais devem atentar para o uso de um material tão contraprodutivo.
Vale para pais, tios avós, além de acompanhar e conferir as tarefas que vão para casa, passar o olho nas feitas na escola, nas questões das provas e questionar questões absurdas, seja do tipo um pássaro arremessado na parede para criar uma questão de física, seja qualquer tipo de proposição agressiva, ou preconceituosa, em qualquer contexto. Muita modernidade, interdisciplinaridade, interatividade, novos métodos, mas ainda é de pequeno que se faz os grandes, colhe-se o que planta-se é invariável esse processo. E tenho dito!

7 comentários:

  1. Aplausos,Tina! Temos mesmo que estar de olho nos conteúdos, temas, estudos e livros que são recomendadas as leituras!

    Pra que colocar mais violência e coisas ruins? As crianças, mesmo não lendo, as veem.Chega. já é demais!

    Aliás, acho que devia haver uma bela mudança e nada de leitura IMPOSTA! Isso é uma atraso de vida e pode causar danos irreparáveis.Podem pegar nojo ! Tenho dito também,rs bjs,chica e lindo fds!

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  2. Tina, concordo plenamente com você!
    Quando eu tinha por volta de 12 ou 13 anos, uma professora dividiu a classe em pequenos grupos e deu um filme a cada um para que fosse feita uma análise.
    O meu grupo ficou com o "Em nome de Deus".
    Fomos assistir na casa de uma das componentes do grupo, e a mãe dela fez pipoca e veio assistir ao filme conosco.
    Tinha cenas de sexo com nu frontal, inclusive uma filmada dentro de uma igreja...foi absurdamente desconcertante...
    Ela parou o filme e nos pediu a capa: a censura era para 18 anos.
    No dia seguinte, ela foi à escola reclamar.
    Tudo tem sua idade, talvez as crianças de hoje podem até estar habituadas com situações mais maduras que na minha época...mas ainda acho que deve haver um limite!
    Beijos e ótimo final de semana pra vc!!! =)

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  3. Tina,achei graça porque eu tb fazia a mesma coisa quando minha filha era pequena. Vc tem toda razão em sua cronica: há leituras que são completamente dispensáveis e os professores devem estar atentos a isso, com certeza! Quando for o caso os pais devem interferir. Por leituras mais significativas,mesmo que não tão em moda. bjs,

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  4. Tina, excelente abordagem a partir de uma experiência incoerente nesta escola. Qual o sentido de colocar uma leitura permeada de violência sendo que vivemos a violência real, nas tvs, nos videogames? Não seria este o momento de trazer outras leituras, como disse simplesmente Chaplin "Mais de bondade e ternura?". Não é fugir da realidade, mas barbáries feita com e por crianças, o que isso acrescenta?

    Sobre prêmios que você citou que este livro mesmo sendo tão desmedido ganhou, quero citar uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo de 12 de agosto, falando da nova curadora para o prêmio Jabuti - Marisa Lajolo - vem substituir o antigo curador José luiz Goldfarb.
    "A nomeação agradou a escritores e ao mercado. Nos bastidores, comenta-se que a gestão de Goldfarb ficou desgastada após recentes embates envolvendo o Jabuti."

    Aí está apenas uma das indignações sobre prêmios...

    Recado muito bem dado para se por em prática sobre acompanhar e se interar e simpatizo muito com a sugestão da Chica de não ser imposto as leituras. Talvez uma liberdade orientada pode ser bem vinda - vamos ler um clássico esse mês; agora vez da poesia.
    O mundo precisa de mais ternura e não mais violência. Beijo!

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  5. Sensacional a tua postagem; estar atento naquilo que é proposto aos nossos filhos e ouvir a nossa intuição. Só ganhamos com isso. Gostaria do teu endereço para te enviar um mimo, pode ser para meu e-mail: claudiaroma@terra.com.br beijos e bom fim de semana

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  6. Muito bem dito, por sinal. Não que eu batalhe por uma literatura alienante, mas se ela apenas repetir a barbárie que nos cerca, de que nos servirá? Quero, antes, o mundo de poesia, ficção e beleza - essenciais à construção de novos mundos.
    Abraço!

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  7. Concordo amiga, precisamos ficar muito atentos se quisermos preservar o desenvolvimento e construção mental, espiritual e mocional dos nossos filhos. Parabéns pelo alerta, tem muita gente confiando demais nas escolas...
    Bjs

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