26 de agosto de 2014

Pronto! Falei!

O ditado de quem em boca fechada não entrar mosca comigo é bem pontual. Aprendi e aconselho que vale calar e não opinar muitas vezes, não pregar no deserto como se diz, mas vale também se posicionar ainda que geral não tenha a mesma opinião que a gente. Tipo achar nada a ver a mistura de futebol com bebida alcoólica, seja nas propagandas ou na correlação entre uma coisa e outra dos frequentadores de estádio. Assim como a mistura fatal de bebida e direção, venda de bebidas alcoólicas em postos de gasolina, por mais polêmico que isso possa ser, penso assim e tenho o direito de expor e defender minhas opiniões, não acho que tenho que ser a pop e nem que para ser é preciso ser concordante com tudo. 
Acho, por exemplo, que o nome favela não tem nada de pejorativo, que é o mesmo que comunidade ou sei lá o quê, acho que não muda a condição de favela das favelas, nem é uma ofensa. Aqui na Bahia, por exemplo, neguinho(a), negão, negona são nomes carinhosos, assim como mãe preta é cargo de respeito, na figura das mães de santo ou das senhoras negras que são ou foram como mães para crianças brancas.
Afro-antecedentes é o dito politicamente correto e carregado muitas vezes de preconceito, ausente nos nomes populares e carinhosos que se evita chamar nos dias de hoje pessoas de cor escura. Vale para os apelidos comuns as pessoas de cor branca, como menino(a) amarelo(a), branquelo(a), Parmalat etc Que tem toda uma carga a depender do tom e não ofende se for apenas uma brincadeira ou em certos casos um convite a quebra de preconceito. Penso que melindres e regrinhas demais mascaram, não resolvem nada, mistificam, confundem, definem tudo como ofensa, desenham um respeito por exigência e não por excelência. É limitante também definir chamar os mais velhos de pessoas da terceira idade, melhor idade ou qualquer que seja o nome da vez e não de velhinhos, coroas, idosos. O que importa não é o nome é o respeito. E tenho dito!
Dia desses na nova novela global do horário nobre, uma personagem de cor negra, falou uma frase que bem podia ter sido repercutida no dia seguinte, mas notei nem foi percebida, ela disse dentro do contexto de indignação da personagem, com tom agressivo e ofensivo, sobre uma outra personagem de cor branca: "Aquela branquela!". Pensei: Epa!, injúria racial contra negros não pode e contra brancos pode? Como assim?
Em um dos colégios que visitei para fazer meu estágio da Faculdade, vale contar, fui mal recebida e tratada pela pelo corpo docente e alunos (negros em sua maioria), com ofensas verbais, além dos olhares e reticências para minha presença e docência ali. Que ficassem para eles o que me disseram e como me julgaram, foi o que pensei e fiz.
Registro a propósito minha indignação contra a indignação coletiva, matérias, entrevistas e tudo mais que vi, ouvi e li, contra a proibição do retrato no passaporte, de pessoas com o cabelo black power solto. Meu cabelo é escorrido, tenho olhos azuis e pele de pão cru e tive que prender o meu cabelo para a foto do meu passaporte, tive que tirar o brinco também (3x4 já é um horror, assim então #colocarumadesivoemcimafoioquepenseinahora). Sem polêmicas! São regras, pro formes. Menos polêmicas e mais cada um fazendo o seu, sem traumas ou mania de conspiração, por favor!

9 comentários:

  1. Temos mesmo que colocar pra fora.Não dá pra ficar guardado. E preconceitos disfarçados na hora de falar, mudar palavras.Um horror. Aqui no Sul chamamos os brigadeiros de negrinhos.Agora não pode! Tanta besteira ,façam-me o favor! Gostei de te ler! Aplaudo daqui as indignações e compartilho das mesmas ideias! bjs,chica

    ResponderExcluir
  2. A reforma ortográfia nem bem "pegou", ainda há dúvidas se é com ou sem acento, mas o tal politicamente correto pegou e virou regra. Aqui em São Paulo não pode falar favela, mas pode dizer nóis vai e nóis fica... Como você bem pontuou, o que estar embutido na frase, na palavra dita é sempre o respeito. Também sinto que por fora, todos cumprindo regrinhas, tudo mascarado. Acho que algumas mudanças nestes tempos de "correto" são bem vindas, por exemplo, a substituição do aleijado, que tinha uma conotação pejorativa, para o deficiente. Muitas outras, o exagero tira a poesia! Tão interessante o porquê do nome favela e antes que se aprendam, já proibem.
    Beijo!

    ResponderExcluir
  3. Esta história do "politicamente correto" já ultrapassou a barreira do bom senso. E quando perdemos o bom senso também perdemos o riso e a naturalidade no nosso cotidiano.

    ResponderExcluir
  4. oi Tina

    Tem horas que a gente tem que se calar rs... Pensei nisto hj, pq as pessoas não gostam de ouvir inclusive a verdade.
    Tem preconceito em todo canto, mascarado e encoberto.
    Se eu chamar alguma branquela de nega ( é no sentido de carinho).
    Eu sempre chamei meu filho de negão ( e ele não é rs...).

    bjokas =)

    ResponderExcluir
  5. A gente tem que calar e consetir com tanta coisa não é? e se fala é pq é chata , é careta, do contra. Aqui a gente nem pode lutar ou reinvidicar direitos, a cidade pequena se vc não gosta de algo é pq é contra o prefeito, se tá do lado deles . não pode falar com a oposição, muita gente até perde o emprego, uma politicagem só.

    ResponderExcluir
  6. TINA,

    Sou seu mais novo seguido.

    E cheguei até aqui através de amigos comuns.

    Foi muito bom ter encontrado seu blog ao qual voltarei sempre!

    Realmente vivemos numa sociedade, cuja hipocrisia é cada vez mais assumida por quase todos como resposta ao que se convencionou chamar de "Politicamente correto".

    O politicamente correto é uma mordaça que o poder organizado colocou nas pessoas para que, e cada vez mias , pessoas e mais, muito mais que pessoas , cidadãs como você, sejam proibidas de falar na lata, na cara, na frente e aos quatro cantos, a verdade das suas interpretações e as reflexões sobre o dia-a-dia.

    É o BIG BROTHER que pisa na vontade de todos e quer criar uma sociedade amorfa e dominada como aquela que Aldous Huxley em Admirável mundo novo descreveu!

    Parabéns,Tina nem tudo está perdido.

    Também, estou lhe convidando para conhecer alguns dos meus blogues cujas temáticas são humor, narrativas de vida e amor.

    Amor que transcende,enaltece, valoriza e encanta a vida de cada um de nós.


    Confira: e ficaria honrado com sua presença e quem sabe seguir-me:

    FALANDO SÉRIO.
    http://ptamburro.blogspot.com.br/

    FRAGMENTOS DO ACASO
    http://paulotamburrosexo.blogspot.com.br


    HUMOR EM TEXTOS
    http://paulotamburro.blogspot.com.br/


    Se quiser conhecer todos os meus blogs, basta clicar, no meu nome, neste comentário, lá em cima ao lado da chave que espero lhe abra todas as portas.

    Um abração carioca

    ResponderExcluir
  7. Tina,
    de modo claro e registrado, teu desabafo se interliga com a Bc da Anne desta semana: sapos...tidos, engolidos, proliferados.
    Esta cruzada carregada nas tintas tem provocado inúmeras controvérsias lamentáveis.
    Igualdade tem de ser para todos.
    Bjos,
    Calu

    Obs: me interesso sim pelo blog sobre haicais.

    ResponderExcluir
  8. Falou e disse Tina!
    Concordo com tudo isso. Estamos precisando de mais ação e menos imposição sem função...
    Bjs

    ResponderExcluir
  9. Adorei, colocar para fora é fundamental...
    Beijo Lisette.

    ResponderExcluir