11 de setembro de 2014

Sobre livros

Em meados do mês de agosto falei aqui de não leituras e hoje vim falar das entrelinhas e bastidores do comércio de livros, que acho há tanto a ser revisto e mudado.
O livro: A culpa é das estrelas, por exemplo é classificado aqui no Brasil como literatura estrangeira e não como juvenil, isso porque é um potencial campeão de vendas e limita as vendas ser considerado "só" como juvenil. Vale a observação do quanto as pessoas tem limitações a rótulos. Eu por exemplo compro livros sem levar em consideração essa classificação, de crianças, de auto-ajuda, para mim não importa. Como quando recomendo ou dou de presente, para mim, o que importa é o conteúdo.
Mas as coisas funcionam nessa linha da classificação, as estatísticas se baseiam em definições estapafúrdias como certos assuntos e autores não serem considerados literatura. Paulo Coelho, por exemplo, tão conceituado fora do Brasil e aqui criticado mais do que valorizado e seus escritos definidos como leituras exotéricas ou categorias similares. Ler ele, tipo não vale.
Já fiz aqui e faço criticas a certo tipo de livros, assuntos, autores, ao que for de alguma maneira nocivo, mas defendo também que vale ler até bula de remédio e placa de rua. No quesito livros, vale o gosto pessoal, vale como leitura tudo que de alguma maneira informe, desafie o raciocínio, o conhecimento, vale fantasias, curiosidades, diversão, terapia, filosofias, poesias.
Existe uma logística muito grande entre escrever um livro, pagar para editá-lo, publicá-lo e fazer chegar as mãos de leitores e uma necessidade de investimento financeiro, reconhecimento do mercado, adoção coletiva da proposta geralmente hoje fruto de contatos e interação nas redes sociais, para que estejam nas prateleiras de uma grande livraria, que tem sua disposições geralmente por gênero e na entrada, uma vitrine e convite aos mais lidos.
Fui a um tempo atrás, numa livraria em Aracaju, que não me esqueço. Ela era muito menor do que as mais famosas e até hoje é a minha favorita, lá nada de categorias, os livros eram dispostos nas estantes do cantinho da entrada até o final por volta de toda ela pelo nome do autor e em ordem alfabética.
Aquilo do livro não ser próprio para crianças e ser indicado para elas, ou vice e versa é de se questionar e não seguir essas indicações. Tantos livros, já disse aqui e digo sempre, são para crianças, mas deveriam ser lidos por adultos, pois a muito a extrair dos personagens, da história, muitas lições para qualquer idade. Uma criança vê só as figurinhas e o básico que a poesia dessas obras contém, absorvendo ainda assim o conteúdo, mas um adulto tem o poder de extrair ao máximo e conscientemente, porque não então?
Outra questão é a casquinhagem das pessoas para comprar um livro. Sempre comparo a um lanche, a duas cervejas para os que gostam e nunca bebem só duas, a uma roupa ou outra coisa qualquer, que a depender, tem menos efeitos positivos sobre nós do que um livro. Não que futilidades não sejam permitidas, sim são e eu até indico, nada como bobagens as vezes. Dou livros de presente que custam o que custaria um perfume caro ou roupa e já ouvi muitas reticências quanto a não ser um presente que se goste de ganhar. Já ouvi de uma mãe, que ela sempre que ia ao shopping, esquecia de ir na livraria comprar livros para o filho. Pode isso? Tem os que dão chiliques e se desdobram em argumentação para o fato de um livro infantil custar o mesmo que um de adulto, não ponderando a parte imensurável do ponto de vista lúdico e do desenvolvimento, comparado a por exemplo gastar, sei lá, 500 reais num tablet pro filho de 2 ou 3 anos. Que muitas vezes quebra em uma semana, que dava para comprar 10 livros caros e inquebráveis...risos
Tipo bordado ou estampa nessa colcha cheia de retalhos rotos um outro ponto a destacar é não ser reconhecido e valorizado o trabalho do ilustrador tanto quanto é merecedor. Não se considera que a quantidade de páginas de um livro com 4 a 5 folhas, seja com figuras (que contem mil palavras e páginas) ou com figuras e meia dúzia de palavras, não deve ser parâmetro para o preço do livro. Há mais ali que nos infinitos e repetitivos cliques em eletroeletrônicos ou em muitas páginas que não dizem nada ao leitor. Não se considera além do livro ser um livro, que ele seja um objeto afetivo, uma forma de educar o abrir com cuidado, o não rasgar, não riscar, para ler, reler, tatear, ser infinitamente reutilizável se for bem cuidado. Parte da estante que diz sobre quem ali mora através dos títulos e autores, parte da nossa memória, objetos max mesmo sendo minis.
Para encerar falando de uma boa leitura, o livro Crônicas Gris de Ana Paula Amaral, é o prêmio do Concurso cultural que lancei aqui na sexta passada e que se encerraria nessa sexta, resultado no sábado, clica aqui e participa.

9 comentários:

  1. Tina, deste uma aula sobre livros, desde o trabalho que dá para faze
    r, editar, distribuir ,passando pela "casquinhagem", que adorei o termo,rs E o livro prêmio da Ana, é maravilhoso!

    bjs às duas,chica

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    1. Eu uso tanto essa expressão: casquinhagem, casquinha
      Para mim foi para o texto como que todo mundo usasse...rsrsrs

      E sim, o livro é maravilhoso :)

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  2. Bom dia Tina

    Eu qdo vou escolher um livro não escolho pela classificação e sim pelo assunto e pela capa rs...
    Ainda existe uma burocracia tão grande para quem quer editar seu próprio livro.

    bjokas =)

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  3. Oi Tina!!!!
    Concordo com você, rótulos são sempre chatos demais...até porque eles vão dos livros às pessoas! Parece que tudo precisa de uma classificação! Aff!!
    Não são eles que pesam na minha escolha de livros...Beijos e lindo dia pra ti!!! =)

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  4. Tina, um texto genial que adorei ler e todo mundo deveria ler tb pra saber o trabalho que dá publicar um livro. Não é facil, ainda mais no Brasil! Eu costumo comprar livros pelo gôsto...rss...não me importa se é um best seller, se é um infantil auto ajuda,o que for. E posso acrescentar que as ilustrações nos livros infantis valem tanto ou mais que a história! Vejo o trabalho que dá pra fazer, pois como sabe meu marido é ilustrador e demora pra acertar o pensamento do autor. Pois é isso que o ilustrador faz: lê pensamentos!...rss...dentre outras coisas! Bem, falei demais! Adorei seu excelente texto! bjs,

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  5. Título, ilustração de capa de O Pequeno Príncipe denunciam uma literatura infantil. Quem disse? Há lições ali para todo mundo, até mesmo para quem passou a vida toda sobrevivendo e quer viver no finalzinho. Não acho que esse deve ser um critério de escolha.
    Ah, e adorei a parte da valorização dos pais sobre os livros. Muitas vezes a disposição em pagar por um eletroeletrônico é muito maior do que sacar o mesmo valor para gastar em livros. Todas as vezes que vou no shopping com minha mãe, arrasto ela pra uma livraria comigo e a gente sai escolhendo títulos para os dois lerem. Eu leio primeiro, faço a crítica e passo pra ela e ela depois faz a dela. Comigo funciona ao contrário, eu tenho dó do meu dinheiro quando o assunto é roupa e eletroeletrônicos. Mas quando é livro, vejo um investimento. E dos grandes!

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  6. Confesso que não tenho muito o habito da leitura, mas quando leio ou quero comprar um livro, não olho por indicação e sim, por algo que eu ache que goste!
    Mas a leitura é algo que tento colocar na vida de Davi, deito ou sento e leio algumas historinhas para ele! Acha um máximo :)
    Concordo com o que você disse!
    Bjs

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  7. Adorei a definição da Anne de que um ilustrador lê pensamentos. Verdade pura!
    Esse mundo mágico, que nos transporta tem sim um submundo escuro e feio. Hoje é publicado quem já tem muita movimentação nas redes sociais e segue um padrão que vai dar lucro neste mercado. Havendo um excelente escritor que nào se enquadre neste padrão, ele não serve para ser publicado.
    Eu já escrevi que adoro esses títulos que são classificados para adultos que comem pipoca e algodão doce e ainda sentem frio na barriga!
    Trocar o lanchinho da lanchonete do palhaço por um livro é mesmo uma boa pedida!
    Beijo.

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    1. Manoel de Barros definiu:
      “Imagens são palavras que nos faltaram.”
      Eu remendo, com pedido solene de licença, que são palavras que faltam, completam, sobram, transbordam :)

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