20 de outubro de 2014

Das ocupações e alienações

Imagem da web

A gente aprende na escolinha de pequeno e depois de grande sobre as profissões. Era assim e ainda é e muitas vezes é uma seleção bem pontual que se faz e que precisa ser revista. Médicos, Enfermeiros, Professores, Bombeiros é o lugar comum e eu acho que é preciso uma variedade maior, seja nas ilustrações das tarefinhas, no incentivo no segundo grau e pré-vestibular, nos resultados de testes de aptidão, nas fantasias, no profissional que é levado para falar em palestras, bem como na mentalidade das pessoas. 
Palhaços, pedreiros, donas de casa, sapateiros, barbeiros, são profissões, como tantas outras e tem muito barbeiro mais culto que muito médico, não tenha dúvida. Pedreiros ou até ajudante de pedreiro mais educados que muitos advogados. Muita dona de casa mais antenada que muitas madames empresárias e descoladas.
Pensei nisso das profissões que são apresentadas nas escolas, que são idealizadas para filhos, netos, irmãos, porque ouvi a mesma frases duas vezes esses dias. Uma foi por eu saber o nome de um tipo novo de torta, outra por eu saber o nome, história e frescurices sobre uma pulseirinha de marca, famosa e bem popular, que confesso meu espanto foi maior de as pessoas em questão desconhecerem. Enfim, a frase sentencial dita por duas pessoas relativamente próximas foi de que eu sei dessas coisas porque sou desocupada, lei-se não ter carteira assinada, não trabalhar no momento em uma empresa, firma, não prestar serviço, embora tenha alguns carimbos na minha azul, sigo a um tempo cuidando da casa, do filho, dando apoio logístico a marido e família, faço vez ou outra arteirices e vale pontuar, não peço nada a ninguém.
Não respondi nada porque acho que quem diz algo assim não é capaz de entender ou não merece muitas explicações. Em tempo, das muitas coisas que sei, úteis e inúteis (que acho super úteis para o quesito criatividade, interação, compreensão e adorno das úteis) eu sei porque presto atenção, porque me ocupo por inteiro das pequenas ocupações que tenho e das ocupações ao meu redor, infinito e além. Pergunto, leio, me interesso pela história das receitas, nomes, origens de pratos, gosto de coisas simples, artesanais e também de marcas, modices e afins. Leio muitos livros e nele muitas coisas além da história principal se aprende. assisto filmes com olhos e ouvidos atentos para pequenezas, vejo documentários, converso com diferentes tipos de pessoas.
Não uso por exemplo bigodes na tee e acessórios sem procurar saber o que é. Não vejo uma loja nova do shopping e passo por ela sem passar o olho, sem depois comentar com alguém, sem registrar o logo e ver por acaso depois em outros lugar e linkar. Não ouço uma música que adoro e não me interesso em saber quem canta, não vejo um filme e adoro a atriz e nem me interesso em saber seu nome e procurar outros trabalhos dela. Para mim tudo tem muita coisa e o espaço que separamos para guardar informações, culturices e bobagens independe da profissão que temos, da classe social, da idade. Sei de coisas de crianças para ter assunto com elas, pela criança que fui e assim para assuntos de adolescentes, idosos.
Acho limitador achar que temos que sair ao pares comuns, uma casal de médicos com outro de médicos, uma turma que gosta de golf que só sai junta, porque todos gostam e sabem jogar golf. E a troca, fica onde? Penso que surfistas tem que ter amigos padeiros, donos de mega empreendimentos, advogados, pastores, costureiras, budistas, ateus, pastores, tudo junto e misturado, alinhavado, tipo colcha de retalhos, um mosaico, que faz o nível de informação, respeito e admiração mútua se elevar no individual e no coletivo. E tenho dito!

8 comentários:

  1. Gostei de tudo e alinhavo: Quanto mais diversificada for essa colcha de retalho ,mais aprendemos. Se estivermos sempre juntos com as mesmas pessoas que gostam das mesmas coisas, restaurantes , lugares, emburrecemos. Não ha nem a necessidade de trocas de informações e então ,tudo vai pras cucuias...

    bjs, linda semana,chica

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  2. oi Tina

    E por isso que tem gente que acha sua profissão melhor que a outra.
    Eu tb acredito e apoio na troca de informações.


    bjokas =)

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  3. Muito bem dito e eu assino embaixo!
    Eu fiquei feliz ao conversar com uma profissional de teste vocacional e ficar sabendo que lá nos testes existe a florista, o açougueiro. É preciso expandir as definições, explicações, os olhares.
    Aliás, eu também já ouvi sobre as curiosidades que descubro por aí, que é porque sou dona de casa. Respondi sim: é que eu olho e enxergo.
    Beijo!

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  4. Amiga, disse tudo! Adorei!!!
    Aprendemos muito com a convivência diversificada, é que quanto mais convivemos com pessoas diferentes, mais adquirimos experiências para tocar a vida.
    Beijos
    Amara



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  5. Aplaudida de pé por mim e por muitas de verdade!!!
    Bjs

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  6. Como tem gente que gosta de meter o nariz na vida da gente: sou assim e pronto. E daí? É uma cobrança para a gente ficar do jeito que acham que devemos ser e olham horrorizadas se não atendemos ao que esperam de nós. Aff, cansei disto.

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  7. Helô, amiga de Jú, disse-lhe ontem que quer ser confeiteira!
    doce e diferente escolha!

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  8. Adorei Tina! Abaixo as mentes estreitas!
    Delete esse tipo de comentário, revela muito mais sobre quem o emitiu do que sobre você. Além do mais, quem disse que cuidar da família não é trabalho?
    Também aprecio a diversidade, fonte de grande aprendizado.
    Bjs e ótima semana

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