7 de outubro de 2014

Marombeiras e crocheteiras. Pode ser?

Chá de lições
Costurices e modernices
Li um depoimento ímpar esses dias, num blog vizinho, de uma amiga que tem alguns aninhos a mais que eu. Trocamos pelo blog e bastidores, muitas ideias, desconsiderando nossas idades e localizações geográficas, como se fossemos comadres, vizinhas de porta e não pude resistir em pedir a ela para trazer para cá trechos do texto, com toda minha concordância no quesito modernices sim e antiguices também.
Somos, ela e eu, das conexões e das artesanais. De orações e palavrões, receitices, yoga, caminhada e pernas para o ar. De bordados, futebol, faxina e salão. De tá na moda e além dela.
Ela falava de resenhas faceboquianas sobre o máximo que é senhorinhas indo e vindo de roupas de ginástica das academias e não estarem bordando ou fazendo crochê. Com muitos kkks e perguntas de que se alguém no mundo ainda faz crochê ou borda. E ela pintou e bordou por lá!
"Tudo em um grande fosso: cozinhar, bordar, fazer crochê ou tricô, cuidar de uma casa, trocar receita com as amigas, passar roupa, gostar de comprar um lençol novo para a sua casa, costurar... tudo isto passou a ser horrível...Hoje os seus ideais são aqueles que a sociedade de consumo prioriza. Falam várias línguas mas são incapazes de compreender o que o seu filho diz. Se submetem à cirurgias perigosas para exibir o corpo que a modelo (que foi abençoada pela natureza) exibe nas capas de revista.
Ficaram mais masculinas, sem que isto signifique absorver o que o sexo masculino tem para nos ensinar. Perderam a diferença que nos tornava especiais.
No meu primeiro dia de curso de pós-graduação o professor entregou a cada aluno uma folha onde ele teria que identificar as características de cada aluno. E trazia uma série de opções, tais como: quem tem cachorro, quem é casado, quem tem filhos, quem pratica esporte, etc.etc.etc. E, de repente, me vi cercada por 40 jovens, todos com idade para serem meus filhos, porque era preciso identificar “quem sabe fazer crochê?” Fui selecionada pela idade. E todos acertaram a resposta: sim, ela faz crochê...
Apesar de ter ficado longe dos bancos escolares por mais de 25 anos eu me dei muito bem no curso. Primeiro, porque sempre acreditei e acredito que é preciso aprender para não morrer e me dediquei muito aos estudos. Segundo: eu podia não conhecer todas as teorias modernas de marketing mas eu vivi todas as histórias que serviam de exemplo – Mappin, Lojas Brasileiras, Arapuã, Mesbla, Rede Tupi, Transbrasil, Varig, Vasp."
Palavras de uma empresária, dona de casa, que cozinha, borda, faz crochê, lava, passa, vai ao estádio torcer pelo Cruzeiro com o marido, tem blog, celular, não tem papas na língua,  de uma mulher, como muitas, que quebra o coco sem arrebentar a sapucaia.

9 comentários:

  1. Estive lá também e gostei ou melhor me identifiquei bastante, kkkk...
    O mundo anda dando suas voltas e acho que até as antiguices vão voltar um dia. Quem sabe?!
    Bjs

    ResponderExcluir
  2. Perfeito! Parabéns!

    ResponderExcluir
  3. Que legal!!E depois com calma, vou conhecer essa mulher, blogueira, de tudo um pouco! Estamos no aeroporto, esperando o voo davolta!PENA!!! bjs

    ResponderExcluir
  4. Tão bem costurado por você e pela vizinha o das antigas e de agora, a tradição e o moderno. Tudo pode conviver, ser resgatado sem se anular.
    adorei. Beijo!

    ResponderExcluir
  5. Querida Tina, quando me arrisco a escrever alguma coisa é quase sempre um desabafo e perceber que não estou sozinha me faz bem. No fundo penso que todo tipo de cobrança, que toda tentativa de impor um determinado padrão nos amordaça e é preciso dar um berro.

    ResponderExcluir
  6. Clap, clap, sinta-se aplaudida por uma senhorinha, com mais de 50 anos, mas q acha lindo cozinhar, bordar, e tudo mais. E que no entanto sabe configurar, montar e desmontar pc, celular da Geração Y,Z, Tinha uma discurseira pra escrever aqui :-) Como disse uma colunista da BandNewsFM, para combater a bobagens da Geração Y,Z, precisamos da Geração Ctrl+Z ou Ctrl+Alt+Del, para resetar e começar tudo de novo.

    ResponderExcluir
  7. Arrasou de novo! é um erro valorizar o que é moda na mídia.
    Também acho que as artes manuais precisam ser mais valorizadas, eu adoro todas, faço crochê, bordado, costuro….e faço ginástica também! Mas não consigo ir a academias, acho o ambiente insuportável.
    Bjs

    ResponderExcluir