8 de outubro de 2014

Para!

Eu acho super válido os pais e responsáveis se preocuparem com a situação de segurança dos brinquedos dos parquinhos que os filhos brincam na escola, no prédio, praça e com os brinquedos, mas ouço e vejo cada coisa, que clamo por um recall em pais, educadores, matérias de revistas, e programas de tv.
Tá ficando todo mundo noiado além do normal. Daqui a pouco as crianças vão ser criadas numa bolha desinfetada a cada uma hora, alimentadas por um orifício com suplementos (as que não forem por total negligencia alimentadas por pizza, batatas fritas e refrigerante) e terão da bebezice a adultês um tablet como único brinquedo e brincadeira "segura" de distração e interação.
Lembro como quem presenciou, questionou e abandonou o posto de professora da alfabetização a alguns anos e até hoje não acredita, que tinha uma menina que não podia correr. Ordem da mãe! Motivo, acatado sem argumentação pela coordenadora: não se machucar. Parque nem pensar.
Parquinho, para os demais, era com supervisão: nesses todos não, nesse pode um de cada vez, nesse pode um minuto cada um. Qual a graça disso? E como tudo pode sempre melhorar e piorar, virou regra o pedido da mãe da menina que não podia correr, ninguém podia, nem no intervalo nem para ir de encontro a um coleguinha, sob pena de a professora que vos fala receber bronca na sala da coordenação ou na frente do alunos, como se estivesse permitindo que eles fizessem algo ilícito. Criança que não corre, não fala alto, não fala e faz besteira, não é criança e eu é que não fiquei lá, zelo pela minha sanidade mental e sofria pela deles.
Dia desses vi uma responsável por segurança em uma matéria na tv alertar os pais, já problemáticos, multiplicados como mato por ai, que correntes no balanço são um perigo, a criança pode botar os dedinhos na corrente e ficar presa ali ela disse. Pode mesmo! Pode também botar o dedo na tomada, na boca de um cachorro, pode colocar o lápis de cera no ouvido.
E seguindo conselhos como esse da tal "educadora" muitos pais não dão as as limitadas crianças lápis de cera, pois podem machucar e elas também podem comer. E é verdade, muitas já comeram e comeram massinha de modelar, areia e são adultos e idosos saudáveis hoje. E muitas não comeram, olha que fantástica estatística!
Se você está lendo e se reconhecendo assim uma pessoa neurótica, não fique com raiva de mim, fique com vergonha de você, repense, analise, lembre de sua infância, eu na minha fiz coisas que nem sei como tenho cabelos, como não tenho marcas pelas pernas, no rosto, como vermes não se reproduzem como praga de marimbondos em mim. Passei tinta de papel crepom molhado e espremido nos cabelos e usei a mesma técnica para mechas com graxa (flor mais conhecida como hibisco). Bebi muita água de torneira, comi iogurtes vencidos, subi em árvore, joguei bola com meninos maiores e truculentos sem juiz ou pais de olho. Andei descaça na rua, pisei em asfalto quente, brinquei em areias de parques públicos limpas sabe-se Deus de quanto em quanto tempo e com certeza levei a mão na boca. Brinquei com tampas de refrigerante das de metal, que furam, algumas enferrujadas e não morri, tô aqui sã e salva.
Escolhi rir dia desses quando uma mãe descreveu uma gangorra como uma montanha russa sem cinto de segurança. Ela disse: - Aquilo sobe e desce sem a criança ter um cinto para colocar, sem proteção lateral e é de metal caso a criança se desequilibre e cai sobre o eixo é um perigo. Oi ??? Para tudo!
É, não tem nada disso as centenárias gangorras eu pensei após o riso. Balanços também sobem bem alto, que perigosos ela e tantas outras pessoas noiadas devem achar. Um balanço desses descabimentos precisa ser feito, um vai e vêm do que é demais. Perigoso é comer ervilhas, como dizia em um comercial um senhorzinho que fazia kitesurf e contava de um amigo que morreu engasgado almoçando seguro em sua casa, sentado na cadeira com recosto, bem firme ao chão. Eu como pensei em falar nesses excessos, não ia ficar engasgada. Pronto falei!

9 comentários:

  1. E falaste muito bem! As crianças devem ter a chances de brincar, se sujar, cair, trepar nas árvores, experimentar e ser crianças!!! Adorei te ler e ainda bem não ficaste com esse sapo engasgado! bjs, chica

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  2. Asssiti uma entrevista com a idealizadora do Território do Brincar, que em breve lança documentário de suas andanças pelos mais remotos cantos desse nosso Brasil filmando as brincadeiras ao ar livre das crianças. E ela disse em certo momento: essas crianças manuseiam martelo, pregos e facas para fazerem seus próprios brinquedos. E muitas outras, sequer sabem o que é fazer um brinquedo. Pobres crianças ricas...
    Beijo!

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  3. oi Tina

    Todo mundo tem um pouco de neurose rs...
    Só que se a gente priva nossos filhos das coisas, o mundo não vai privar.
    Queremos o melhor, mas nem sempre o nosso melhor é o melhor para eles.
    Hj a principal distração é o computador, celular e os games.
    Ninguém quer soltar pipa, pular corda, brincar de amarelinha.
    Eu não vejo nada disto.
    Nossas crianças tem a infância roubada, pela tecnologia e pelas redes sociais.
    Postam fotos mostrando o corpo, fazendo poses sensuais.
    Eu acredito que a gente quer cuidar tanto de um lado e descuida de outros.

    bjokas =)

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  4. pelamor, dá uns tapas na mãe que falou aquilo da gangorra, hein? Mas está assim mesmo. Uma vez uma pessoa me falou no face que não deixava a filha cantar "atirei o pau no gato" por que não queria que a criança odiasse os animais quando crescesse. Achei absurdo, nem respondi por que se respondesse, teria falado o quanto acho essa pessoa imbecil...
    Pois é, eu comi giz, lambi pingo de caneta bic, engoli caroço de azeitona, capotava uma vez por semana com a bicicleta e, milagrosamente, estou viva!!
    texto maravilhoso, minha amiga!
    beijos

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  5. Adorei Tina, a ilusão da onipotência e do controle está invadindo todos os setores da vida. E quem disse que a vida se deixa controlar? Quando você menos imagina vem uma rasteira.
    Lamento profundamente quando vejo um pequenino com um tablet na mão, um desperdício da infância.
    É como diz a propaganda de sabão em pó: não há aprendizado sem manchas. Quando eu atendia crianças, ficava muito incomodada com as mães fanáticas por limpeza.
    Bolha de Plástico, só no filme….
    Bjs querida
    P.S. amei a imagem, muito criativa!

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  6. Sim eu concordo que devemos nos preocupar com o brinquedo, peças pequenas, material etc.. mas realmente se formos viver dentro duma bolha não dá, deixemos as crianças correrem, brincar. No blog tem dica d elivro e umas atividades que realizei na escola commeus alunos esta semana especial das crianças

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  7. Oi Tina!
    Sensacional a tua postagem; também vejo limitações que não entendo e em contrapartida falta de limites em outras tantas. Acho que tudo isso tem a ver com o excesso de tudo e falta de tempo para o autoconhecimento, que nos leva ao encontra da paciência, tolerância, essência! adorei...beijos e bom fim de semana!

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  8. Olá Tina!
    Criança tem que brincar na chuva, correr, andar de bicicleta, ralar joelho, trepar em árvore.
    Mamães, agradeça por seu filho poder fazer tudo isso!
    Por favor, jamais impeça uma criança de brincar e ser feliz!
    Beijos
    Amara

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  9. E sobrevivemos. Com barrigas cheias de lombrigas, tomando óleo de rícino, brincando com os girinos no córrego atrás da casa, etc.etc E sem celular, sem videogame, sem tênis de grife. Mas com liberdade.

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