21 de outubro de 2014

Por todo tipo de cultura e arte

Vários representantes indígenas, acadêmicos, educadores e admiradores da cultura e do papel histórico dos índios, tem pedido mais atenção para a cultura e a literatura dos povos nativos no sistema educacional do Brasil. "Ainda há uma mentalidade retrógrada, que o índio só existe como elemento de folclore. Têm que perceber que os índios estão aí ganhando prêmios literários e de cinema. Isso é a realidade, temos que acabar com o romantismo, com a mentalidade do bom selvagem" (Daniel Munduruku, em uma matéria da Revista Exame).
É urgente parar com essa rotulação de tudo. Com esse papel secundário e coadjuvante do índio na sociedade moderna e nessa via, desvincular o rótulo de arte sere erudita ou popular. Arte é muito mais que estética, tem valor cultural, histórico e terapêutico. Todo artesanato, canto, toda dança ou qualquer manifestação artística tem variadas funções sociais, são sementes que viram flores que adornam e frutos que alimentam e transformam vidas.
Pela arte os homens podem expressar suas angústias, alegrias, podem contar, resgatar, perpetuar histórias, como fizeram e fazem os índios, como devemos fazer com essa cultura nas escolas, na tv, nas notícias, nos bate papos, não folcloricamente ou misticamente. Assim como a cultura africana a arte e cultura indígena já passou da hora de ser mais explorada, valorizada, estudada, desde o ensino fundamental as faculdades. Em canais fechados, programas da tv aberta, nas novelas, revistas, livros.
Para muitos pais, crianças e até educadores e gestores de centros educacionais, as aulas de artes plásticas, desenho e até mesmo de literatura são supérfluas, aulas de distrair, sem que se faça a devida relação e pontuação do trabalho da criatividade, da sensibilidade, das destrezas e o muito que há por trás, entre e além do trabalho manual, do lúdico. Vale referenciar por exemplo os desenhos das cavernas, onde homens primitivos pintaram na parede como forma de expressão e comunicação ou as danças em torno de fogueiras. como expressão de religiosidade, prática de astrologia, astronomia. O bordado como outro exemplo é uma arte que fala da mulher, da sociedade, do trabalho informal, de economia. E por ai lá vai.
A definição de arte é muitas vezes elitizada, limitada, por vezes ridicularizada e pouco refletida, verbalizada, contudo é presente ao passo que mexe com o sentimento de cada um ou de um grupo. A beleza de uma pintura, de um artesanato, o som de um instrumento musical. E nesse mesmo lugar comum estão os filmes, programas de tv e também as novelas, tão queridinhas no Brasil, tão vistas e resenhadas, que são contação de história, são literatura, encenação, cenários, são arte.
A arte é subjetiva e sempre discutível e que assim seja, cada vez mais e cada vez mais múltipla. Que seja mais presente a arte e a cultura indígenas e africanas em nossas vidas, menos colocar a margem o que não é modinha, não é vendido como pop, é secionado como nordestino ou sulista, pobre ou rico. Por menos achar e tratar a arte como parte de galerias e afins. E tenho dito!

6 comentários:

  1. Tanto temos a aprender com os ensinamentos tão antigos dos índios. A conexão e o respeito com a natureza através de sua arte. Que realmente possam fazer parte cada vez mais das escolas e não apenas as "modinhas".
    Beijos!

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  2. Basta tocar o nosso coração e não tem certo ou errado. Tenho uma certa resistência quanto à arte contemporânea por causa da minha ignorância e por não conseguir interpretá-la. Mas como não sou crítica de arte fico no gosto ou não gosto. Faço as minhas escolhas pela beleza. Pelas cores. Sem procurar os sentidos ocultos.

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  3. A arte é multifacetada. Temos que dar oportunidade aos pequenos de experimentá-la nas mais diferentes opções...Texto lindo o tey! Valeu1 bjs,chica

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  4. Bom dia Tina

    Eu acredito que a arte precisa crescer, principalmente nas escolas. Desenvolver as habilidades e criatividades dos alunos.
    Para isso precisam ser estimulados.
    A cultura indígena tem muito para ensinar para todos nós.

    bjokas =)

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  5. Tina, muito boa a colocação.

    Falta muito estimulo para que o índio seja visto como "pessoas" produtivas e cheios de arte. Estamos acostumados a ver o índio somente como aqueles que receberam os portugueses!

    Bêjo

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  6. Oi Tina, também estou fora das modinhas.
    A arte é a linguagem da alma e isso basta, não é?
    Bjs

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