20 de novembro de 2014

Para passar

Todo mundo com as palmas das mãos juntas, como que rezando, que vou passar minhas mãos assim por entre cada par de mãos. Entre um dos pares, que tem que disfarçar, vou deixar um anel. Quantas vezes brinquei disso e de lagarta pintada beliscando as mãos alheias e depois segurando em pontas de orelhas. Porque a velhinha pintou a lagarta? De que cor? Não sei! Também não sei a origem dessas brincadeiras e não me pus a procurar. Sei que muito da nossa cultura popular, brincadeiras, danças, cantigas, muito do nosso vocabulário, da culinária é de origem africana e indígena também.
Querer bem além da cor, viver, para ver não ser preciso um dia para celebrar a consciência negra, mais sim a cultura negra, as raízes negras, personalidades e pessoas simples que fizeram e fazem a diferença e que sejam homenageadas e valorizadas no cotidiano, misturadas a tudo e todos.
Que a consciência seja multi-racial, multi-étnica, que a essência seja o respeito e a mistura excelência. Que passemos de mãos em mãos, de geração em geração, de coração para coração, circular com um anel, os valores que não tem cor, dígitos, localização geográfica, religião. Axé odô!

6 comentários:

  1. APLAUSOS!! bela a relação que fizeste com a imagem, o brinquedo de PASSAR e o que devemos fazer,pensar, mostrar e deixar de exemplo para as outras gerações! Adorei! bjs, chica

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    1. Quando escolhi a imagem pensei que haverá quem julgue que não há uma criança negra nela, mas esse é meu sentimento, o da não distinção de cor. Assim como é o de ser todos tão igualmente vistos e tratados que não precise conscientização.

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  2. Concordo Tina, precisar de uma data para lembrar de uma determinada etnia é uma forma sutil de mostrar que ainda não há igualdade, assim como o dia da mulher. Precisar de um dia para lembrar dos direitos de um grupo é triste.
    Bjs

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    1. Triste e ultrapassado num mundo tão moderno e globalizado
      Mas o preconceito não é coisa do passado, existe escrachado e muitas vezes velado. Se é tão aberto e permissivo a tantas coisas nocivas e leva-se em consideração a cor de uma pessoa, incoerente, feio, ridículo.

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  3. Essa de beliscar a mão conhecia como : Coqueiro cai, não cai , cai na terra de meu pai. dai beliscava assim: varre , varre vassourinha que essa casa tá cheia de titica de galinha e beliscava escolhia uma que deveria segurar a orelha até terminar todas abraçadas ás orelhas, ensinei a Alice e as sobrinhas, que saudade. Olha no blog as novidades, bjs

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    1. Nunca ouvi essa musiquinha do coqueiro cai. A dinâmica da brincadeira é a mesma, mas a música por aqui era:

      Lagarta pintada
      Quem te pintou
      Foi uma velinha que por aqui passou
      Tempos de areia, fazia poeira
      Pega essa lagarta pela ponta da orelha

      Nunca pensei na total falta de sentido da letra, mas não era para fazer sentido, quem tem que fazer sentido é soldado como poetizou Quintana

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