15 de dezembro de 2014

Para reflexão

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Imagem de Namolio by Flickr

“Quando conheci o Coletivo Agulha, eu fiquei enlouquecida, sempre amei Yarn Bombing! Aí, quando eu comecei a fazer a peça que tinha prometido para elas, a ficha caiu: tanta gente passando frio que poderia se beneficiar da disposição que algumas crocheteiras têm em por a mão na massa e esse esforço todo vai para "abraçar" postes e árvores na rua. Além disso, esse tipo de arte é muito efêmero e os resíduos desse trabalho acabam virando, em pouquíssimo tempo, mais lixo nas nossas cidades tão sujas. “
Acima o depoimento de uma amiga, sobre essa lindeza que é troncos de árvores, bancos de praça e gradis adornados de crochê. Uma intervenção com uma proposta de humanizar os locais públicos, promover interação e juntamente com isso devia estar incluído cuidar do que colocou ali na rua, quando chover, estragar etc. Não sei como funciona o projeto original, nem como são administradas as ramificações e as intervenções anônimas e autônomas dessa natureza, nem mundo a fora, nem aqui no Brasil, mas sei que aqui nada é levado a sério quando a questão é o público (nem o privado).
Não falo sobre pequenices e tal, mas as grandes produções, metros e mais metros de crochê que seriam cobertores para idosos, crianças, pessoas necessitadas de calor, cores e carinho. Tem muita gente que participa de modinhas por gosto, aprendizado, socialização, mas poucas pessoas não fazem um sapatinho que seja para dar a um baby na rua ou até a uma vizinha grávida.
Seria válido transformar essa moda, essa proposta contagiante em algo social, quem sabe forrar as árvores, fotografar e fazer um trabalho local e virtual por uns dias e retirar a produção para ser doada a quem tem frio, para decorar as paredes destruídas de creches e escolas públicas que vão cuidar do trabalho e fazer trabalhos com o trabalho.
Vejo em muitos projetos sociais, artísticos, educativos e interativos uma falta de interação, de abertura para opiniões, muitos interesses pessoais, ego, entrelinhas. Isso me desestimula a fazer coisas e a participar confesso. Ai vou, faço, mas uso todas essas observações para trasver certas pessoas e ideias, ver e saber muitas vezes rima com sofrer e não como se esconder.
De remendo nessa reflexão das intervenções urbanas, meu apoio a que se retire os cadeados da , pelo problema estrutural que está causando, pelo problema ambiental que as chaves na água causam, por amor não combinar com cadeados, por ser poética a origem da tradição e o volume atual e a falta de amor e excesso de exibição descaracterizar tudo. Uma normatização, uma gestão é necessária. Aqui as fitas do Bonfim amarradas no portão da Igreja são periodicamente retiradas, pela higiene e beleza, pela ideia de renovação, por não estar na fita que amarramos, nem no cadeado que colocamos nem no crochê que fizemos com alguma ou várias intenções o poder, a transformação, o valor, está na fé, no coração e coração é coisa pulsante.

5 comentários:

  1. Amei ver a árvore decorada e de uma forma bem diferente.
    Todo trabalho social que a gente faz buscando algo para nós, deixa de ser social, primeiramente precisa haver doação.
    Quando vc se disponibiliza em ajudar o outro de certa forma vc está amadurecendo e tb se ajudando.
    Agora se for esperar retornos financeiros e reconhecimento ai deixa de ser social.
    Muita gente que ajuda as pessoas nem são reconhecidas, ficam atrás da cortina, é como teatro toda magia acontece pq tem gente atrás preparando e doando seu tempo, mas o que vemos são apenas os atores principais.

    bjokas =)

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  2. Tina, te entendo bem. Também não consigo participar quando a coisa é pra alimentar egos, personalidades,enfim, pra aparecer!!! Gosto do anonimato!

    Lindas árvores e trabalhos e trouxeste uma bela lição de casa pra pensar! bjs, chica

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  3. Tina, olá! Que legal, que edificante... e a gente sempre acha que faz muito. Faço tão pouco;e preciso fazer mais.

    Te compreendo perfeitamente Tina. E por concordar contigo na crônica é que vivo separando boas e verdadeiras intenções de intenções EGOístas e "holofoteescas".
    Um dia o ser humano evolui...
    Beijos mais.

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  4. Lindo trabalho. Lindas as árvores, e deveríamos mais fazer o bem sem olhar a quem e sem precisar mostrar. Te apoio. bjs e tem novidades no blog

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  5. Oi Tina, concordo com você, poderia-se fazer uma intervenção num ambiente público, como uma exposição, tirar fotos e depois doar as peças para quem precisa.
    Embora eu seja louca por crochê, estou sempre crochetando quando tenho uma folguinha, também não me agrada ver uma árvore coberta de crochê, dá a impressão que está sufocando.
    E por gostar tanto do crochê e saber o trabalhão e o tempo envolvidos em fazer mesmo uma peça pequenina, me dá uma pena danada ver o crochê ao relento, tomando sol e chuva, correndo o risco de ser destruído por outras pessoas que não dão o menor valor.
    Bjs

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