30 de abril de 2014

Tomara

"Tomara que os olhos de inverno das circunstâncias mais doídas não sejam capazes de encobrir por muito tempo os nossos olhos de sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu.
Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem de sentir confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz." Texto de Ana Jácomo, como minha despedida de mais um abril e preparação para o inverno que acena ao longe com seu lenço branco neve. Aqui em Salvador nem nas portas de sua chegada a parte fria dessa neve faz morada, mas o branco toda sexta é sagrado, faça frio ou calor, chova ou faça sol.

29 de abril de 2014

"Festa é aquilo que se espera"

Recebi por e-mail o link de uma matéria da Revista Vida simples, escrita por Viviane Zandonati, enviada a mim pela amiga blogueira Chica, que falava dos espetáculos e falta de tempero familiar nas festinhas infantis de hoje em dia. Para mim vale para festas de um modo geral, tudo muito cênico, escalafobético, teatral. A parte teatral sempre me lembra um episódio do artístico Bob esponja, clica aqui para assistir.
O que me trouxe aqui para cronicalizar sobre o assunto foi a matéria, minha concordância com a reflexão proposta e um papo entre amigos sentada no chão da sala em visita a uma menininha que fará um aninho e que convivi pequenina com sua mãe e juntas assopramos muitas velinhas nas salas de nossas casas, na mesa toalhas de crochê feitas por nossas mães, herdadas por elas de suas mães, ou por tia rendeiras. Toalhas brancas do tipo para dias de festa ou estilo floral, com frutas e estampadas que destoavam com tudo e nem reparávamos isso. No dia anterior do aniversário uma festa a parte acontecia, a chamada trabalheira hoje, era divertida, tirada de letra, feita enquanto se assistia a novela e a mãe dela entre o descolar de forminhas e enrolar de balas com papel de franjas, descascava laranjas em espiral sentada no chão para chupar enquanto resenhávamos, para animar a mexer no fogão: brigadeiro, beijinho, moranguinho, cajuzinho, deixar esfriar e todo mundo enrolar e fazer rolar em açúcar ou confeito.
Essa minha amiga reservou uma casa de festas e o marido disse que achou que dessa vez, após o chá de fraldas com mínimos detalhes, culinarices, decoração artesanal, vai e vem sem fim, só iria a festa e pronto, mas ela achou que tudo era muito impessoal e está produzindo enfeites para as mesinhas e para mesa principal, providenciando forminhas diferenciadas não disponibilizadas pela tal casa e tive que dar meu apoio, mais do que pela personalização, pelo envolvimento, pela participação, pelo prazer e poder dizer: fui eu que fiz.
No caso das crianças vale sempre as festinhas em casa, só para família e sem bebidas alcoólicas, detalhe coerente e destilado de valores. Festa com balões coloridos, assoprados com ar familiar e bons desejos, amarrados com maestria (no meu caso, com medo), espalhados pelo chão, painel colado na perde com fitas que hoje em dia não arrancam tacos da tinta e que quando arrancavam, isso não era desculpa, criança devidamente fantasiada ou com a roupa de todo dia que lhe confere identidade e descontração, bolo feito pela mãe, vó ou até mesmo encomendado mais não enlatado, nem com sabores exóticos e mais enfeites que sabor. Fotos que amanhã vão ter exclamações do tipo: - Lembro dessa mesa, dessa estante, desse quadro! Ó minha blusinha que eu amava!
Para os convidados mirins além de pula pula e espaço necessário para tal ou para outros brinquedos alugados, muitas vezes fora do orçamento, vale e faz feliz folhas de cartolina ou papel metro espalhados pelo chão, lápis de cor, hidrocor, cola, recortes de papel, areia prateada. Um balde cheio de água com sabão e sopradores de bolinhas. Vale pega-pega e se esconder com adulto junto para organizar e aproveitar para voltar a ser criança.
Trilhas sonoras adequadas e selecionadas previamente, lembrancinhas originais. Como bem define o título da postagem, frase recortada da matéria da vida simples, dita pelo psicanalista francês Lacan. No dia, tudo feito, visto e vivido acabará ali. Ao passo que vale aproveitar a preparação quando tudo é porvir e tantos sentimentos e sensações são latentes e nesse quesito o deixar para decidir na hora muito comum nas comemorações de aniversários de gente grande, por praticidade, modinha, marra, por não ser prática programar coisas, viver ao sabor do momento, que acaba por perder o sabor dos preparativos planos, idealizações. Tudo muito prático e impessoal, sem identidade ou referencias, num bar invariavelmente, vale até festa de Natal da empresa em uma boate. Que horror!
No quesito ser anfitrião reprovação em massa, seja em festas espetaculosas ou nas em salões de festas e no espaço ínfimo de uma casa. Os aniversariantes, formandos, donos da comemoração, não circulam, ficam muitas vezes focados em determinados convidados, se instalam em uma mesa, são alheios a seu papel coletivo na festa, além do individual. 
É massante também a necessidade de exibir o valor dos gastos, figurinos, menus e esbanjamentos que do que muitas vezes não se tem e que não faz o evento ser mais divertido, apenas mais ostentador e se esse é o valor dado por quem nos cerca, temos que rever quem nos cerca, penso eu cá com meus balões. "Não foi apenas o trabalho que ficou envenenado pela filosofia da competição, o lazer está igualmente envenenado. O lazer sereno e restaurador dos nervos passou a ser encarado como enfadonho." (Bertrand Russell) Pena! Mas como sou passarinha e cercada de passarinhos, penas para quem queremos e o que queremos e somos, sigamos saltitantes e contagiantes, lambendo panelas e colocando cirandas do sol na janela para no dia das festinhas não chover.

28 de abril de 2014

#avidaesagrada

A vida é sagrada e tem que ser
A nossa e a dos outros
A de quem amamos e a de quem nem conhecemos
É sagrado viver como diz e publicou um livro com esse título
Padre Fábio de Melo
Do qual recortei um trechinho:
"No momento em que você olha e sente o acontecimento
Você começa a fazer parte dele
A querer fazer parte dele
Pois no momento em que você olha mas não vê
É porque aquele acontecimento não te interessa
Os olhos não escondem o sentimento"
Os meus choraram com o Programa Global Esquenta de ontem
Pela antes terrestre e agora celeste estrela Douglas Silva
Pela homenagem coletiva
Por tantas dores parecidas
Pelo poder da dança, da música, da união e da fé em dias melhores
Nunca reparei nesse rapaz, em específico, nas muitas vezes que assisti ao programa
Porque o programa tem muito e tudo se mistura sem destaque
Para mim esse é um dos temperos que esquenta como pimenta meu gostar dele
Não conheço ninguém que morreu com uma bala perdida
Nem vítima de violência
Quando eu era pequena ia muito numa favela
Num barraco entupido de gente e de amor
Barraco de uma mãe preta
Eurides, que mora em meu coração e é parte indelével de minhas memórias
E de valores que carrego comigo e agradeço
Como na música do meu conterrâneo Marcio Vitor
Favela ê favela, favela eu sou favela
E respeito o povo que vem dela
Gosto de pobrezinhas, hábitos, comidas, tradições
Da riqueza de afeto e parceria que existe nas comunidades carentes
Entre as pessoas que tem pouco e por vezes nem imaginam o quanto tem
Um cara menino, do bem, contagiante, novo, cheio de vida
Uma vida perdida dentre muitas todos os dias
Um bonde de alegria, um pavão estiloso
E pelas costas, sem que nem para que
O galo não cantará mais igual no Canta Galo 
Era trabalhador, filho, amigo, pai de família
Fazia boa vizinhança, era considerado
Era mais um Silva
Coroinhas simples escolhi para ilustrar
Coragem e força para família
E o desejo de um mundo cada dia melhor e não pior
Da consciência individual e coletiva de que é sagrado viver

27 de abril de 2014

Sobre de onde viemos

"Que despertes para o mistério de estar aqui
E compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam
Que respondas ao chamado do teu Dom
E encontre a coragem para seguir-lhe o caminho
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos 
Que não buscam atenção"
Trecho de uma oração Celta
Hoje resolvi falar de medicina. Quem convive com arianos sabe que falamos de tudo, gostamos de nos informar sobre assuntos diversos e principalmente de dar opinião. Li sobre algo bem interessante certa vez, em busca de alguma tradição, prece, ritual Celta para reverenciar a chegada de meu sobrinho, já que minha irmã, a mãe dele e uma amiga nossa, também gestante na época, são admiradoras da cultura Celta.
O interessante que descobri é sobre o descarte da placenta após os nascimentos, assunto pouco discutido, eu pelo menos nunca tinha ouvido falar em nada parecido, nem tinha conhecimento sobre utilidades e simbologias desse material, como é de grande utilidade também o cordão umbilical e pouco se produz nesse sentido, pouco incentivo, estudos limitados perto do que deveria ser estudado e levado a prática o armazenamento e uso. O tema, percebo, parece só vir a tona apenas quando pessoas famosas, precisam de células tronco e se faz um movimento para conseguir e incentivar a doação a bancos de armazenamento ou quando passa em novelas e filmes, mães que geram outros filhos para salvar os que lutam pela vida.
Descobri que há muitos rituais e crenças ligados a placenta e que é costume "moderno" ela ser jogada no lixo e diga-se de passagem, sem abertura para que o descarte não seja feito. É todo um processo complicado querer a própria placenta, bem como para doar os cordões umbilicais. Uma realidade na prática diária das muitas maternidades e hospitais, tudo muito burocrático, aos passo que procedimentos nocivos passam longe de burocracias.
Na África, a placenta é considerada a ligação espiritual da criança com o céu e em muitas culturas ela sempre foi e ainda é considerada sagrada. Há muitos simbolismos e o ritual mais comum entre os povos é enterrar ela como que transferindo a ligação da criança com sua mãe e com a vida, para a ligação com a terra e com o mundo do qual ela, a partir de seu nascimento, fará parte.
A placenta é muitas vezes simbolizada por uma árvore, pois como raiz da vida ela filtra e recebe os nutrientes da terra mãe semeada pelo pai e leva através do caule (o cordão umbilical) para o fruto, o bebê. Quando o fruto está maduro, ele cai do pé e passa a ser semente, terra, raiz, vida. Lindo né?

25 de abril de 2014

Sós e juntos

Leio, ouço e até aconselho e concordo que temos que nos completar e os outros nos transbordar, que temos que ser protagonistas de nossas histórias, mas e aquele se mover mais e melhor de mãos dadas?
Quem precisa, gosta, brota junto? Dependência sem rótulo de subserviência ou incompetência, como ser parte de uma corrente feita de elos? Passageiro que curte a viagem da janela, porque e como julgar?
A vida e a felicidade são como receitas de bolo? Creio sem amarras e com amarras e marras também, sem amarguras ou peso, com a leveza das ondas do mar e doçura de suspiros que não. E você?
Branca, rosa, azul, vermelha, animada ou branda, doce, leve, individual e coletiva sexta-feira, com brisa boa, sol, sombra, chuvinha leve e bençãos divinas.

24 de abril de 2014

Sonhos, asas, lonas e prêmios

O que a gente faz com nossos sonhos quando cresce? Essa é uma das perguntas do documentário: Jonas e o circo sem lonas, da Plano 3, produtora da qual meu irmão faz parte. Na terça ele contou, diretamente de NY que o documentário foi uma das produções latinas ganhadoras do Festival Tribeca 2014.
O Festival de Cinema Tribeca foi criado pelo ator Robert De Niro juntamente com uma produtora local para incentivar e promover a 7ª arte, além de movimentar o sul de Manhattan. E todo esse agito lá, com gente nossa marcando presença é um orgulho para mim, contudo tive a decepcionante constatação buscando através do amigo Google, de poucas e limitadas notícias aparecem pelo nome do festival. Penso que tinha que estar na ponta da digitação e do clique o evento em si e os premiados, com o reconhecimento dos meios de comunicação de seus países de origem e também nos jornais impressos e televisionados. Cabe um cartaz aqui em Salvador (lugar de origem da produção), em Sampa (capital cultural), no Rio (fomentadora do cinema nacional). Em tempo real, no mais tardar enquanto ainda está quentinha. Enfim, é pouco, mas, eis-me aqui com uma poeirinha!
Vale dizer que o documentário já participou de outros festivais e já ganhou prêmio, mas por aqui nem nos canais virtuais, nem nos impressos, nem na tv, há divulgação e reverência a altura. Não falo por meu irmão e amigos fazerem parte do projeto, falo por ser uma produção do cinema brasileiro. Falo pelo conteúdo que é bom, tanto que ganhou em concorrência com produções diversas de qualidade em um festival conceituado. E sendo esse circo sem lonas cheio de estrelas de luz própria e mambembe, ele não para e vai estat entre outros quatro selecionados de todo o mundo na sessão Rough Cut do Festival Visions du Reel, em Nyon, Suíça, dia 28 agora.
Recortei respostas de uma entrevista concedida por Haroldo Borges, um dos integrantes da trupe Plano 3 filmes, sobre um outro filme que fala de sonhos de vida, de infância e dos de comer, que já trouxe para cá, com o menino palhaço Jonas no papel principal. Fiz com tais recortes uma colcha de retalhos que segue como bandeira de aceno e lona do meu aplauso para o espetáculo que é fazer cinema, que é escolher o circo como carro chefe, fonte de inspiração, de valores, lições, magia e realidades tão próprias e próximas de qualquer um, em qualquer idade e continente.
"Nos apaixona contar histórias onde a criança seja a protagonista. Já realizamos outros filmes para esse público, todos eles com carreira em festivais e difusão em escolas da rede pública, cineclubes e pontos de cultura, entre eles “Meninos” que foi o único sul-americano que participou do Pangea Day, evento transmitido dos estúdios da Sony para todos os continentes. Teve ainda o “Piruetas”, que integra o Programa Curta Criança, do Minc/TV Brasil, bem como o “Pequeno”, que também está rodando muitos festivais agora, entre eles o festival infantil Divercine no Uruguai, o Festival de Cinema Infanti (FICI), no Brasil, e o Festival de Cine para Ninos y no tan Ninos, no México."
"É muito importante a realização de obras representativas da nossa cultura, da nossa identidade, para que nossas crianças se reconheçam...Minha infância foi vivida nos anos 80. Assistia a todas as aventuras dos super-heróis dos Estados Unidos. Não existe nenhum problema em assistir à produção estrangeira...mas algo anda muito mal quando uma geração ou duas ou até três trazem suas lembranças mais afetivas relacionadas às culturas estrangeiras."
Jonas no documentário é um menino de 13 anos, seu sonho é manter o circo criado em seu quintal e enquanto ele vive esse desafio, ele cresce, como cresce na vida real diante de nossos olhos, como segue obstinado em ser palhaço, viver e fazer viver o circo, nos ensinando e aprendendo a não perder os sonhos a medida que crescemos, a sermos emoção e em meio a emoção descobrirmos a razão. Gato bebe leite, cachorro late e Jonas e a Plano 3 fazem cinema e circo, com ou sem lonas, com ou sem aplausos.

23 de abril de 2014

Para escutar a cor da poesia

Escutando a cor do vento, fui guiada como personagens de desenhos e filmes infantis a tortas na janela, a uma descoberta. Navegando, abri um site, que abriu outro, que abriu outro e numa sombra boa, encontrei um tesouro para dividir.  
Márcio de Camillo é um moço que gosta de poesia desde quando um professor lhe deu um livro de Mario Quintana. Aos vinte anos ele debandou solto através das asas do apassarinhado Manoel de Barros. Colocar melodia na obra do poeta virou meta e depois de passados 17 anos com a ideia na cabeça, tempo grande que eu entendo. Dou meu depoimento de ter o endereço do Manoel, que pedi timidamente, nem mesmo esperando conseguir, desde 26 de março do ano passado e não ato nem desato a escrever, desenhar, rechear um envelope de passarinhices e admiração que idealizo mandar para ele.
O músico garimpou todos os livros do escritor, que lhe sugeriu calma para dar voz, som e poesia ao trabalho chamado: Crianceiras. E apesar de o produtor e o poeta mensurarem as coisas por valores além de moedas e medidas, está a venda, em livrarias, por ai e através do próprio Márcio de Camillo (marciodecamillo@hotmail.com) esse trabalho lindo. Fica a dica!

22 de abril de 2014

Petisquices

Eu ia colocar no título da postagem a petisquice a que vou me referir, mas pensei melhor e poupei os leitores mais pudicos de se chocarem ou me acusarem de atentado ao pudor. Vou confessar que sou pura proza, poesia e meninices, mas falo palavrões, não vejo outra maneira de desabafar ao dar uma topada por exemplo, uso variadas palavras de baixo calão para mandar para aquele lugar o juiz que rouba no jogo, para responder desaforos alheios que não há simpatia que dê conta e por ai lá vai, ladeira abaixo o habitual e recomendado palavreado formal e doce.
Sou de paz, de fé mas ser cem por cento equilíbrio e sensatez eu acho que faz um pouco mal, entope as artérias, pelo menos a de quem for nascido(a) sob os signo de Áries eu acho que entope se não der uns palavrões, uns murros num saco de box ou algo do tipo. Confesso também (já que ajoelhei vou rezar), que falo alguns palavrõezinhos por gosto, como o nome que é dado ao dito petisco: sacanagem. Falo muito esse palavrão e crianças de plantão, não façam como eu hein! Ai! Ai! Ai!
Era presença certa nas mesas de aniversários e festinhas em geral, nos idos de mil novecentos e bolinha, uma tal de meia bola de isopor forrada com papel alumínio ou um abacaxi todo espetado com palitos que espetaram antes quadradinhos de queijo, presunto, mortadela, azeitonas e salsichas. Porque sacanagem era o nome desse petisquinho retrô? Decidi não pesquisar para não perder a poesia e gosto pelos espetinhos de minha infância com nome nada infantil e visual decorativo. 
Para ilustrar o post escolhi essa frase que me representa. Adoro comer brigadeiro quente, bolo quente, pão quente, não dando ouvidos que dá dor de barriga, queima o esmalte dos dentes e a língua. E porque com as geladeiras cheias de chocolates da Páscoa não vou causar muito água na boca, sem falar que brigadeiros são gulodices presentes desde antigamente até hoje em festinhas, seja cobertos de chocolate granulado, confeitos coloridinhos, sejam doces ao extremo, meio amargos, molengas, durinhos, com casquinha e derretidos por dentro, em potinhos, tacinhas ou direto da panela nas nossas comilanças caseiras que mandam a dieta e a boa alimentação as favas como diz minha mãe, para não dizer um palavrão.

21 de abril de 2014

Nos trilhos da vida

Foto que tirei do primeiro trem que vi e andei (na Disney em 2010)

Foto tirada de dentro do trem
Boba e feliz que nem foca com bola no nariz

A vida é como trem, passa depressa
No trem da nossa vida somos maquinistas e passageiros
Os sonhos e experiências são como vagões
Se a viagem será longa, não sabemos
Portanto, nas paradas e da janela devemos apreciar as estações
Ver de fora o trem de outras vidas como pareja e paisagem
Infante, forte, veloz deve ser o misto de nosso trem e nós
A fumaça, apito, trilhos e faróis
Por fora e por dentro
Cansados ou animados 
Não esqueçamos que a viagem prossegue
Seja longa ou breve, carreguemos na bagagem o que for leve

20 de abril de 2014

Ovos mexidos

Dei uma de repórter investigativa sobre o que fazem as pessoas hoje em dia no dia de Páscoa, cisquei aqui, ali e acolá para ver se achava algumas sementinhas variadas e não achei lá muita coisa. Aqui em terras baianas, nada de decoração nas casas, guirlandas nas portas como em países europeus e da América do norte, mesas postas com detalhes temáticos, tradição de esconder ovinhos para os menores ou colocar o ovo fora da porta e dizer para criança abrir pois alguém tocou e perguntar fantasiosamente se não terá sido um coelhinho.
E não venha me dizer que as crianças de hoje não são bobas. Nunca fui boba, mas tive infância, não nasci com tpm e cheia de certezas e inteligência pura. Acreditava em contos de fadas, histórias, duvidava as vezes, mas tinha magia na vida que me era apresentada, pois são os adultos que apresentam a vida, com mistérios, sonhos e realidade as crianças. Tem uma história, de um menino que conheço e criei que trocou a chupeta por um ovo de páscoa.
De lado anda a tradição de serem os padrinhos quem dão os ovinhos a seus afilhados, ao lado de tantas crianças que nem batizadas são mais, padrinhos que não dão a menor importância ao papel que assumiram e por ai lá vai. Nada de a maioria saber os símbolos da páscoa e nem de longe o que tem a ver cenoura, com ovos, coelhos e chocolates.
Mexido tudo isso, que nem ovo de galinha, há a obrigatoriedade e falta de originalidade no objeto comercial da data ser o famoso ovo de chocolate. Para as crianças pequenas ou grandes nada de variações, uma caixa de chocolates não vale, coelhinhos de pelúcia ou plásticos para crianças menores também não valem ou valem se vierem com um ovo de chocolate. Nas maioria das escolas, além dos amigos secretos de chocolate, dos ovos e coelhos nas ilustrações das tarefas, nada de pintar ovos de galinha e ensinar como esvaziar sem quebrar a casca e rechear com doces ou papel picado. Nada de confecção de cenourinhas, no máximo orelhas nas crianças e em escolas públicas, uma data qualquer.
Há os não tão famosos e deliciosos pães de páscoa, que são como os do Natal,  minha mãe disse que lá onde ela nasceu e cresceu, era tradição os padrinhos darem aos afilhados um pão, chamado roscão. Os almoços são tradicionais, religiosos e diferentes em cada região, cada família. Lá na casa de meus pais espanhóis por exemplo, sexta-feira santa é dia de peixe ou bacalhau e a Bahia se rende ao caruru. Domingo fartura como filhotes de coelhos de pratos diversos.
A Semana santa, foi para muitos e hoje ainda é para poucos um momento de estar em casa, em família, tipo um Natal de meio de ano, de ir as missas e não um feriadão, uma oportunidade imperdível de viajar, encher a cara e fazer coisas que se faz o ano inteiro além da conta.
Eu tenho em mim umas americanices, não por influência, por gosto mesmo e acho o máximo a tradição dos coelhinhos na Casa Branca. Ritual infantil seguido por um homem poderoso, que publicamente se diverte e curte, se não é com gosto, bem fingidamente. Obama me pareceu uma criança no ano passado.
Minha ciscada, cutucada e desejo de que em cada casa e de maneira viral como se é moda fazer algo pegar hoje em dia a semana santa e a Páscoa sejam uma oportunidade extra de reflexão, de agregar, de sermos tradicionais e criativos, de valorizarmos os laços de família e adornarmos nossa fé!

19 de abril de 2014

Desembestada

"Velho é criança de fôlego diferente
Já não lhe interessam as correrias nos jardins
O sobe e desce das gangorras
O vaivém dos balanços
É tudo muito pouco
O que ele quer agora é desembestar no céu
Soltar os bichos que colecionou a vida inteira
Os bichos todos
Domésticos, selvagens, úteis e nocivos
Os pesados répteis que ainda guarda no coração
E as borboletas, peixes
E passarinhos
Tudo solto”
Pensamento do livro Arroz de Palma 
De Francisco Azevedo
Tinha que vir de um Francisco essas saborosas migalinhas
Trouxe elas para repartir e eu mesma ciscar
Para quem como eu está ficando mais velho
Velho para mim é palavra bonita
Tem cara, cheiro, valor, carinho de vó e vô
Conforto de roupa e sapato que já se moldaram a gente
Tem poder, sabedoria e tradição latentes
Que eu seja uma velinha de fôlego diferente
Cercada de gente
Desembestada no sentido de ativa e de sem besteira
Guiada por estrelas, grilos falantes, cães e gatos
Com raízes e asas
Fazendo das pedra do caminho barcos, pontes, castelos
Movida por crenças e quebra de mitos
Silêncio e sons
Acompanhada e cercada de quem me quer bem
Velha, sempre nova e feliz
Amém!

18 de abril de 2014

Por literatura infantil para crianças e adultos

Pedido no título em plena sexta-feira santa
Pois hoje é dia nacional da literatura infantil
Para que seja ilustrada, cheia de valores
De cores, de crenças nossas vidas
E como amanhã é o dia do índio
Fonte de personagens, cenários, histórias, mitos e lendas
Da nossa rica literatura
Segue pescaria já que hoje é dia de comer peixe
Pescada em um rio alheio para sentar e saborear com deleite
"Nós os índios, conhecemos o silêncio
Não temos medo dele
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio 
E eles nos transmitiram esse conhecimento
"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam
Esta é a maneira correta de viver
Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes
Observa os anciões para ver como se comportam
Observa o homem branco para ver o que querem
Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos
E então aprenderás
 Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar
Com vocês, brancos, é o contrário
Vocês aprendem falando
Dão prêmios às crianças que falam mais na escola
Em suas festas, todos tratam de falar
No trabalho estão sempre tendo reuniões nas quais todos interrompem a todos
e todos falam cinco, dez, cem vezes
E chamam isso de "resolver um problema"
Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos
Precisam  preencher o espaço com sons
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer
Vocês gostam de discutir
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase
Sempre interrompem
 Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.
Se começas a falar, eu não vou te interromper
Te escutarei!
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo
Mas não vou interromper-te
 Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste
Mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante
 Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei
Terás dito o que preciso saber
Não há mais nada a dizer
Mas isso não é suficiente para a maioria de você
Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando
E que devemos ficar em silêncio para escutá-la
Existem muitas vozes além das nossas
Muitas vozes
 Só vamos escutá-las em silêncio"
Preceitos e tradições Xamanistas ancestrais
Para refletir e praticar

17 de abril de 2014

Inventei do nada, de no meu aniversário esse ano, meu pai fazer para mim uma torta de Santiago, suspiros e pão de chocolate com calda de anis. É que meu pai padeiro, pasteleiro, confeiteiro e meu puxa saco, faz tudo para mim qualquer dia do ano, mas esse dia é de culinarices especiais então peço sem medida.
A tal torta é de amêndoas (amo amêndoas) com açúcar fininho peneirado por cima sob um molde de uma cruz de Santiago Apóstolo, que pela devoção espanhola, caminho espiritual e história, sou fã. Tenho uma pulseirinha com um cantil penduradinho ao final de continhas azuis, salteadas de conchinhas. Ganhei a tal pulseira, mas ainda vou lá na arquitetônica Catedral, faço o caminho e volto cheia de bençãos e adereços.
A torta segundo pesquisei era receita da nobreza e foi servida a um rei com essa cruz confeitada em cima, tenho um primo do tipo adotado com o nome de Thiago, que mima meu pai e ele mima ele com essa torta, ai resolvi pedir uma para mim (ciúmes é o nome do inventei do nada...risos).
O pão de chocolate com cobertura nevada de anis eu sempre gostei e ele sabe que eu gosto. Quando estive na Disney e vi o tal pão vi meu pai em terras americanas, o que para ele não é exatamente uma honra, mas tirar foto e dizer que lembrei dele ele gostou. Sei ser conquistadora quando quero.
Esse moldes de ponta cabeça na foto, foram feitos por meu pai, com pegadores atrás para serem retirados após serem açucarados. Um é de uma cruz de Santiago o outro de um berimbau, que segundo ele é outra opção de torta para mim, com amendoim no lugar das amêndoas. Um artista esse Seu Guilherminho! Suspiro com suas histórias e adoro o branquinho e forma pingada desses docinhos puro açúcar como algodão doce. É meu lado erezinha, formiga, criança que depois fica enjoada e bebe água a valer.

16 de abril de 2014

Folgo saber

Imagem da internet
"Em um mundo onde as pessoas mal se ouvem, onde a indiferença e a intolerância insistem em permanecer nas relações, me alegra e me causa um certo alívio saber que ainda existem pessoas que dão valor ao amor real, a entrega sem medo, a amizade sem reservas, que se interessam de verdade pelo problema alheio e diariamente, em respeito próprio e ao próximo, exercitam a prática do perdão e da compreensão, trazendo leveza e alegria a existência de quem os cercam." Erick Tozzo se alegra e eu também! Que pessoas assim cruzem nosso caminhos e façam morada em nossas vidas!

15 de abril de 2014

Lonjuras, lugares e histórias

Imagem da internet
Senta que lá vem história, dizia o chamado da TVE para a programação infantil nos idos da infância de meu filho. Aqui na Bahia andar por um longo percurso é dar uma paleta e eu numa empreitada dessas em Maceió ao pronunciar tal expressão aprendi como se diz lá, ou como dizia quem me deu informação: é uma lapada. Sendo longe onde Judas perdeu as botas e muito longe onde resolveu tirar as meias e não tendo eu achado sentido na tal lapada, nem nunca tendo questionado sobre a paleta, resolvi pesquisar sobre a história de Judas e suas botas perdidas.
Vale pontuar, que fazendo uso da capacidade e gosto por fantasiar e transformar as narrativas, uma história ou ditado popular sofre reinterpretações que os transforma desde um traço cultural a referência de uma época. Na Idade Média, por exemplo, o pouco acesso aos textos bíblicos foi responsável pela produção de várias narrativas envolvendo os personagens cristãos, seus feitos e não feitos. Levando em conta que boa parte da população era pouco letrada, não cabia rigor, coerência e imparcialidade e de um dos mitos criados nessa época advém a expressão popular da perda das botas do delator de Jesus.
Não há registros de que alguém nessa época usava botas, mas diz a lenda que o discípulo traidor teria escondido em um par, as trinta moedas que firmaram o acordo com os sacerdotes judeus, acontece que o defunto estava sem botas e os 30 dinheiros não foram encontrados com ele, logo os soldados partiram sem rumo e além em busca das tais butinas e não se sabe se acharam ou não elas e o dinheiro.
Para incrementar em inglês, "onde Judas perdeu as botas" pode ser traduzido como "in the back of beyond" , expressão britânica que significa "na parte de trás do além" e "in the boondocks" , expressão americana, que descreve uma zona pouco habitada ou "in the middle of nowhere", no meio do nada. Busquei para ilustração a casinha de Coragem o cão covarde, personagem de um desenho animado que apesar de meio punk louco, eu achava o máximo o nome do cãozinho e do lugar onde moravam, não localizável pelo Google maps, longe de tudo, no meio do nada: lugar nenhum era o nome e nenhuma imagem descente do casebre eu achei, é que não devia ter fotógrafos dispostos a ir lá eu presumi. Fico por aqui, com esse mix de referências, distâncias, lugares e histórias. Inté!

14 de abril de 2014

Budices

O que tem essa imagem a ver com Buda?
Para mim os paninhos amarrados
Um que de simplicidade
E bem pode ser representação de uma religião
Ou cultura qualquer
Budismo mais que uma religião é uma filosofia de vida
Que pode ser agregada a nossas crenças, culturas
Agrega somando e multiplicando
Não divide, segrega, pede exclusividade
Além desse simples, sublime e subliminar ensinamento
O budismo tem muitos outros
Nada complicado, misterioso
Muita filosofia e prática de faxinas por dentro e por fora
Uma observação interessante é como aproveitamos pouco o presente
A maior parte do que ocupa nossa mente e dias
Faz parte do passado ou do futuro 
Para orientação: mantras
Na mão: um janpamala, uma espécie de terço
Ou mãos e mente vazias para encher de leveza o coração
Uma semana de budices para todos!

13 de abril de 2014

Sobre amigos da onça

Não vou falar mal de ninguém em pleno domingo, nem desabafar, nem cronicalizar sobre falsidades. É uma curiosidade tipo: De onde veio, que resolvi compartilhar. Na década de 40, o chargista Péricles Andrade Maranhão, criou para Revista "O Cruzeiro", um personagem nascido por sugestão do então diretor da revista, Leão Gondim de Oliveira, fã do personagem "El inimigo dele Hombre" , de uma revista argentina.
Para compor o personagem, que deu origem a uma expressão usada até hoje por nós, o chargista se inspirou em um garçom muito chato do bar onde frequentava e que acabou virando sinônimo de amigo falso, que vive colocando os outros em situações perigosas ou embaraçosas. Segue a piada de origem do codinome: amigo da onça, que muitos de nós com certeza já deu a alguém.
"Dois caçadores estão conversando:
- O que você faria se estivesse na selva e aparecesse uma onça na sua frente?
- Dava um tiro nela
- E se você não tivesse uma arma de fogo?
- Furava ela com minha peixeira
- E se você não tivesse uma peixeira?
- Pegava qualquer coisa, como um grosso pedaço de pau, para me defender
- E se não encontrasse um pedaço de pau?
- Subia numa árvore
- E se não tivesse nenhuma árvore por perto?
- Saía correndo
- E se suas pernas ficassem paralisadas de medo?
Nisso, o outro perdeu a paciência e explodiu:
- Peraí! Você é meu amigo ou amigo da onça?"
Fonte: "A Origem Curiosa das Palavras", de Márcio Bueno

12 de abril de 2014

Dons

"Sou cristão, eu acredito no dom
A pessoa nasce como uma predisposição
Você sabe o que é se apaixonar pela palavra? 
É você sonhar com ela, e você tomar nota
E de manhã você saber se ela dormiu
Eu acho que poesia é um parafuso a mais na cabeça,
Outra uma vez três de menos
Escrevi para o meu pai e para minha mãe 
Que já tinha descoberto minha vocação
Que não era pra médico
Dentista, engenheiro
Era pra fazer frase"
Recortes do dom, encanto, prazer
Poder com palavras de Manoel de Barros
Em entrevista à revista Caros Amigos
Ilustração de um pouco do dom de Alexandre Reis

11 de abril de 2014

Cinemices

Cena e sonhos do filme: Sonhos

Sonhos mais de perto

"Fascina-me esta ideia de que temos todos um cinema metido na cabeça. Um cinema que implica a produção do filme, a câmara que filma, o projetor que envia uma torrente de luz para o ecrã, os espectadores que estão entre o projetor e o ecrã. Temos isto tudo na cabeça, e quando olhamos para o mundo, tudo isto se põe em movimento, a funcionar. O cinema é a nossa maneira natural de criar imagens sobre o mundo", definiu Manuel Gusmão, poeta e ensaísta português
Penso que meu irmão e sua trupe pensam mais ou menos assim e com esse trabalho e paixão deles e depois do filme: A invenção de Hugo Cabret eu sempre vejo, imagino e quero mais dos filmes. Sobre os sonhos, ilustrei com a cena do filme para referenciar, ai adicionei mais sonhos para provocar desejos e me encontro providenciando providenciar sonhos para matar a vontade que me causei. Açucarada e cinematográfica sexta-feira a todos!

10 de abril de 2014

Das distâncias

Esse é um post de reconhecimento, percepção e reflexão sobre distâncias. Dos tipos concretas e abstratas. Os parceiros que escolhemos na vida amigos e amor, por exemplo, são próximos de nós por nossa opção e distantes no que se refere as vezes a geografia, a afinidades e destemperanças comuns a sermos cada um de um jeito e a acontecimentos diversos dos caminhos que percorremos juntos e também dos que percorremos separados.
Essa foto é da distância percorrida por meu marido até a portaria de onde ele foi pelo trabalho, em Atibaia, por dois dias. Porque que ele tirou essa foto e para que ia até a portaria? Porque Atibaia tem pareja com Tapiré, lugar fictício da novela Além do horizonte, lá no mundo real e conectado de hoje, não tem sinal de celular e internet, o que não me parece um bom lugar para concentrar gerentes e responsáveis por equipes, produtos e serviços, mas vamos a parte romântica da história. Ele fez muitas vezes esse percurso, simplesmente para dar bom dia, falar que ia para reunião, perguntar como eu estava, contar coisinhas, saber coisinhas, mandar fotos que tirou por lá. Vale valorizar, tarde da noite e de dia sob o sol, camisa, calça e sapatos sociais.
Mas isso é pouco para o que ele fazia a uns anos atrás quando foi transferido para Maceió e ia de carro toda segunda e voltava toda sexta: 600km, todo final de semana por muitos meses. Fez isso também quando passou um tempo Aracaju. Ele também ia nos idos da adolescência, a pé para a escola ou de minha casa para a dele (longe a beça). Guardava o dinheiro do transporte para comprar coisas para mim ou não tinha o tal dinheiro para o transporte.
Uma vez fomos juntos a pé por um percurso longinho para sacar um dinheiro no banco e chegando lá lembrei que esqueci a senha em casa. E ele brigou? Fez cara feia? Me chamou de mil e um nomes feios? Não! Voltamos conversando e de volta fomos no banco e de volta fomos para casa. Essa parte tolerante e doce está um pouco gasta, com reações encaroçadas as vezes, mais seguimos caminhando juntos, pelas distâncias e proximidades nossas de cada dia.

9 de abril de 2014

Para...

"Conheço muitos que não puderam quando deviam
Pois não quiseram quando podiam"
Fica a reflexão, a dica, o incentivo
Para para não desistir
Não se deter
Descer, subir
Para ter fé e pisar no primeiro degrau
Mesmo sem ver a escada inteira
A passos curtos, lentos e pisadas leves
Ou fortes, longos e ligeiros
Com os pés firmes no chão
Ou saltitantes
Para ir e se der medo ir com medo mesmo
Para querer e poder, sempre e além

8 de abril de 2014

Sobre caixas do nada

Assisti dia desses um vídeo com uma explicação reveladora de muitos comportamentos masculinos, que até então eu não entendia e não conseguia achar tão simples. Não vale para algumas poucas exceções de homens, como muitas regras não valem para todas as mulheres, mas que é uma descrição real, elucidativa e bem feita do funcionamento da mente do sexo oposto para mim é inegável. Vou explicar com minhas palavras e algumas interseções (leia-se desabafos).
É sabido que homens tem uma certa dificuldade para fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo ou prestar nem que seja atenção a mais de uma coisa ao mesmo tempo. Por exemplo, escolher o prato com os dedos no cardápio do restaurante diante do garçom enquanto se está no telefone é exigir demais deles. O cérebro do homem é feito de pequenas caixas segundo a teoria e eles tem uma caixa específica para tudo. Uma para o trabalho, outra para família, outra para mulher, outra para os filhos e caixas menores dentro de cada departamento, como uma na da família para a sogra (geralmente no porão). No dia a dia eles acessam suas caixas, abrem, vivem aquilo ali, resolvem o que tiver de resolver, aproveitam se for o caso, fecham aquela caixa e só então abrem outra.
Para traçar um paralelo e dar sentido a coisa, o cérebro da mulher pode ser comparado a uma caixa central onde estão contidas um universo infinito, variado, ilustrado, explicativo e sensitivo de outras caixas, por fios e conexões de alta velocidade. O gerenciamento das caixas femininas se chama emoção e a supervisão é com a razão, no caso dos homens é o inverso e eles não entendem, não adianta explicar, que o domínio da emoção é o responsável pela tal força, pelo borogodó e pelo apoio logístico que eles precisam das mulheres.
Breve descritivo do processo mental feminino: O trabalho se conecta ao carro, que se conecta a passar no mercado e na padaria, quem tem filhos aos filhos e ao marido e a mãe e a amiga que não tem carro e ao horário da seção do cinema e a roupa que vai usar e dar tempo de fazer o café sem esquecer de que um gosta fraco, outro com pouco açúcar, outro gosta de suco, sem deixar de ser gentil, amorosa e estar com a pele, cabelos e unhas em dia para não ficar por baixo e não passar de desmazelada. Porque homem desmazelado é sexy, mulher é horrorosa, nem que seja Gisele Bundchen.
Voltando as caixas, na sistemática e limitada mente dos garotos há uma chamada: caixa do nada. O que tem nela? Nada e talvez Freud explicasse, eu não consigo entender essa parte, essa é a caixa preferida deles.
Os homens sempre abrem e se perdem na tal caixa do nada, é uma das maiores e talvez por isso eles consigam fazer por horas coisas que invejo como pescar e coisas que me irritam como ficar passando sem parada, foco ou curiosidade pelos canais da tv. Também estão lá quando falamos, falamos, falamos e eles só absorvem 1% do que foi dito. Quando estão dirigindo abrem muito essa caixa, mulher dirige pensando desde o dia anterior ou o que tem para fazer até na paz mundial, homens dirigem calados e concentrados ao que parece, mas não estão concentrados, estão como respondem estar e não acreditamos: pensando em nada. Como alguém não pensa em nada a não ser monges budistas em meditação? Eu não sei!
Por conta dessa disfunção, talvez, eles tem certeza para depois duvidar, pedem para depois saber o que pediram, não se interessarem pelos detalhes do programa que toparam para depois questionarem que não foi dito que era aquilo e muitos etc.
A fama é das mulheres, mas os homens tem muitos mimimis, não gostam de ser interrompidos quando estão falando ao telefone (telefone para a mulher é como um brinco, para o homem é uma caixa) e de caixa em caixa o acesso dos coitados ao mundo ao redor é reduzido a um certo limite que não adianta forçar. É ver jogo e só, estar almoçando e só, estar se falando de um assunto e ter que fazer pausa, sinal, introdução para mudar de assunto se não eles não acompanham e por ai lá vai e vamos que vamos.

7 de abril de 2014

Das coincidências ou não

 
"A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca
A gente nasce, isto é, começa a piscar
Piscar é abrir e fechar os olhos
Viver é isso
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso
Um rosário de piscadas
Cada pisco é um dia
Pisca e anda
 Pisca e brinca
 Pisca e estuda
Pisca e ama
Pisca e cria filhos
Pisca e geme os reumatismos
Por fim, pisca pela última vez e morre
- E depois que morre – perguntou o Visconde
- Depois que morre, vira hipótese”
Diálogo entre Emília e Visconde de Sabugosa do Sítio do pica-pau amarelo
Partiu de repente uma estrela brasileira, o Jose Wilker, ou Zé, como muitos colegas e amigos o chamam e acho sua cara. Ele parou de pedalar pelos caminhos da vida dormindo, o que muitos julgam ser uma benção e em conversa com marido concordamos: bom para quem vai, difícil para quem fica. Assisti as muitas homenagens e depoimentos sobre seus trabalhos e sobre sua pessoa, como recortes de uma entrevista em Ana Maria Braga na ocasião de lançamento do filme fruto de seu personagem verborragicamente folclórico e popular na novela Senhora do destino, onde ele disse que o que fazia em Juazeiro do norte, onde nasceu, antes de virar artístico era olhar a vida que já lhe parecia tão grande e ele nem imaginava quanto maior era.
Talento, humor, inteligência, simpatia, intensidade e o que para muitos são simples coincidências transformadas em exoterismo ou sinais espirituais, aqui virou post adornado com essa ilustração de quem desconheço a autoria e que se encaixou luminosamente com o que escrevi e que no rosto do ciclista vi ludicamente ele.
Havia visto por esses dias no clássico programa vespertino: Vídeo show, sorrisos, vozeirão, holofotes sobre sua carreira, homenagem em vida, aplausos, declarações e suas mãos e assinatura numa placa de cimento foram marcadas. Na mesma semana ele doou seu grande acervo pessoal de filmes para emissora, para que jovens pudessem ter acesso as obras. Jantou em um restaurante na véspera de sua última piscada, um de seus pratos preferidos.
Hoje estava convidada para o programa de Fátima Bernardes a cantora italiana que participou do Festival Lollapalooza, com a canção popularizada como tema dele em sua última novela. Diriam: Música tema do Zé! - com outro tom, com vida em curso. Falaram do inesperado adeus!
Hipóteses de coincidências ou migalhas de pão de João e Maria deixados por ele volta para de onde veio. Uma luz que se apaga na terra, se ascende no céu e fica na memória.

O difícil e o certo

"Difícil não é fazer o que é certo
É descobrir o que é certo fazer"
Para começar a segunda trouxe essa reflexão de Robert Srour
E a imagem de um moedor de carnes caseiro antigo
Dificil de se ver hoje nas casas
Lembrança do girar a manivela e a carne moidinha sair ligeirinha em fileiras
Certa de que para muitos essa imagem não significa nada
Que tenhamos curiosidade com coisas que não são do nosso tempo
Novos e velhos jeitos de fazer, ser, viver
Que aceitemos que as vezes existe mais de um jeito certo
Mais de uma maneira
Que as vezes o mais fácil não é o melhor
Que muitas vezes é fácil o que pensamos ser difícil
Que é certo comer alimentos saudáveis
Embora seja difícil não experimentar e gostar do que não faz bem
Que priorizemos o bem feito ao bem rápido
O bem rápido quando for preciso, mas não como regra
Que levemos em conta as consequências das novidades e praticidades
E as vantagens também
Que fazer algo difícil uma vez as vezes facilita as próximas vezes
Que moer e remoer as vezes não ajuda, atrapalha
Fica mais fácil quando compreendemos
Que o difícil e o certo andam lado a lado ou de lados opostos
Dificil é saber quando
Certo é sempre tentar

6 de abril de 2014

Sobre saber ver

Saber ver li em algum lugar dia desses exige uma aprendizagem de desaprender
Precisamos nos desfazer do que já vimos
E do que achamos que já sabemos ser como as vezes não é
Não foi, não é mais
Um domingo de velhos e bons olhares
E de novos

5 de abril de 2014

Para variar

Andar do outro lado da calçada
Ver as coisas de outra ótica
Provar novos sabores
Em canecas, pratos, copos diferentes do habitual
Ir a um restaurante novo
Fazer novas amizades
Deixar pegadas por outros territórios
Colecionar novas experiências
E também seguir o mesmo caminho
Optar pelos mesmos sabores
Ir onde somos conhecidos
Onde fazemos parte da história do lugar, as vezes não tenhamos noção disso
E o lugar faz parte de nossas histórias
Associar variedades a permanências é uma arte
Uma prática difícil mas ideal
Nem sempre gostar do que todo mundo gosta
Mas as vezes sim
Começar o dia pensando e falando de assuntos densos
Pensando nos outros
E depois pensar e falar de algo mais leve
Dar uma atenção especial a nós mesmos
Essa postagem foi para relaxar
Mudar o rumo da proza de hoje cedo
Afinal hoje é sábado
Bom e variado sabadão a todos

Never to say never

"Eu nunca direi nunca
Eu lutarei para sempre
Vou deixar tudo certo
Vou levantar quando cair
Não ficarei no chão"
 Trechos da música Never say never
Assisti pela segunda vez dia desses ao filme documental do astro Justin Bieber e fiz reflexões e questionamentos bem distintos de quando vi a apenas 2 anos atrás, a cerca das várias frases ditas por ele, sobre ele e para ele. Que na sua maioria hoje carecem de ser levadas ao pé da letra, promessas aquém da realização por quem as disse e quem é corresponsável, ao meu ver, não só pelo que ele fez de bom, quanto pelo que está fazendo de ruim, seja por má conduta, por perturbações mentais, morais ou químicas, levando em conta o impacto do que ele foi encorajado e por muitas vezes obrigado a fazer e parecia inofensivo.
Um garoto dissecado sem medidas em prol de fama e de dinheiro. Limites excedidos que ao meu ver são mais importantes para quem é rico e poderoso do que para quem tem que ter limites por falta de opções. Famoso, com o ego constantemente inflado, promessas de nada vai dar errado com você e outras garantias que não foram cumpridas, pois não se tem o domínio do futuro, o futuro é fruto do que se planta. A adolescência é um turbilhão de hormônios, de mudanças, de inquietações, uma fase que faz as rédeas de quem conduz a carruagem da infância escaparem. O que não se teve ou se teve em excesso aflora em comportamentos, valores, senso individual e coletivo, tudo isso potencializado com a praga e acesso fácil as drogas e más companhias, recheado no caso dos famosos friamente por interesses comerciais. 
Um adolescente problema, como muitos. Problema de quem? De todo um conjunto que no caso dele tem a impressa fazendo questão de colocar os maus feitos na capa, no assunto do dia, dando cartaz ao que não deveria dar, julgando como sociólogos e zeladores da moral e dos bons costumes. Tem ainda o tom nocivo de colocar ele na condição de sem salvação, apostas nas redes sociais de  por quantos anos ele vai viver. Que horror!
Cabe refletir se estarão interessadas e insuflam essas noticias desde o primeiro sinal de fumaça, as marcas e parceiros, na intenção comercial da quebra de vínculos de imagem e patrocino, para se garantirem. Fazer questão de colocar na vitrine e esmiuçar o que ele faz de errado com requintes de sensacionalismo para abonar as sanções, sem se preocupar nas entrelinhas com a geração que o seguia e que ainda seguem e ao invés de se chocarem pode se espelhar?
Never say never bem podia ser o tom da impressa e da multidão de fãs ou um grupo salvador deles, pedindo, chamando o ídolo para a razão, rezando, fazendo homenagens em vida ao invés de póstumas, incentivando uma maneira diferente de olhar dos jovens para esses casos, para fazer o senso comum achar triste. E se não tiver jeito, não teve, mas não fica o gosto amargo do eu sabia, eu disse, não tinha jeito mesmo. Uma vida, um adolescente, um menino bonito, com talento, que conseguiu o sucesso sonhado por muitos, uma pessoa a alcance de ajudas públicas que é colocada na cruz e apedrejada muitas vezes por quem tem um amigo, um irmão na mesma situação lastimável de perda para as drogas, para a ilusão de poder, de estar no topo, quando se está no fundo do poço.
Desejo que ele, assim como outros jovens e adultos, levantem como na letra da canção ou como o bíblico Lázaro. Que esse rapaz reescreva no cimento da calçada da fama e da vida, seu nome, cante sua virada com o amigo Jaden e receba aplausos de quem deseja sua salvação como a dos muitos adolescentes perdidos no mundo das drogas. Que ele não seja um mito morto, seja um milagre vivo. Que anjos celestes e Santa Cecília, padroeira dos músicos digam: Amém!

4 de abril de 2014

Meu pedacinho de espera

Assim que vi o anúncio da nova novela global, que começa segunda, dia 7, me encantei de cara. Sinto que nesse pedacinho de horário, com a musiquinha instrumental de entrada e saída, barulhinho de pozinho mágico, personagens e histórias terei um momento de distração, encantamento, inspiração e lições.
Passou, segundo pesquisei, na TV Cultura, nos idos de 1971, uma telenovela com o mesmo nome e do mesmo autor, mas essa de agora não será um remake declarou o criador. Tem o mesmo nome lugar onde tudo se passará: Vila de Santa fé (minha cara), mesmo nomes terão os personagens e só segundo ele, que pensou em aproveitar e dizer nesse novo pedacinho que além de encantado passa recados, coisas que a censura na época não deixava, sobre política, saúde, educação, atualizando também linguagem, comportamentos e miudezas que comuniquem, agreguem, transformem o imaginário atual que anda meio descolorido e pobre.
A trama com muitas cores, cenários e figurinos de contos de fada e jeitinho de cordel, conta a história de uma professora de cabelo cor de algodão doce que chega a uma cidadezinha para ensinar as crianças e se depara com um povo humilde, hospitaleiro e acuado pelos desmandos de um coronel arrogante e malvado. Pelas beiradas histórias de amor, amizade, buscas, encontros, fábulas, reflexões, coisinhas de interior, de vilarejo, de fazer relaxar, pensar e viajar.
Uma sexta fabulosa a todos, com cheirinho de algodão doce ou pipoca, muitas cores, sabores, diversão e descanso.

3 de abril de 2014

Fadados

Na hora do Ângelus, da Ave-Maria nos rádios, no coração, do sinal da cruz e sinos das igrejas soando vim refletir coletivamente sobre a sensação de que estou fadada a ser uma eterna crédula, idealista e romântica como se isso fosse ruim e das vezes que agradeço por essa unção divina, já que meu nome: Cristina, vem do latim ungida pelo Senhor.
Hoje cedinho publiquei aqui o desenho de uma fada com fadinha auxiliar feito por uma amiga de 9 anos completados hoje a meu pedido de: Desenha-me uma fada e recebi por e-mail um outro desenho de uma outra fada rabiscada pelo poeta ilustrador Alexandre Reis, essa lá em cima, lá de cima, tão requisitada e por mim amada.
Assim que recebi com a descrição de ser nos moldes do que eu propus: "uma fada com o recado nas entrelinhas de sermos livres nas caracterizações, idealizações, no papel e na vida", linkei com a notícia do dia da beatificação não por milagres mas por história de vida, do Padre José de Anchieta, que aqui em Salvador semeou e viu germinar em suas andanças pelo Terreiro de Jesus mais do que se dispunha a ordem Jesuíta. E mais do que pregador, evangelizador e homem de ação e fé, ele escreveu autos e uma gramática do tupi-guarani, sendo ele nascido na Espanha e tendo escolhido o Brasil como sua terra.
Penso como publiquei aqui esses dias que o divino e muito mais e menos e ouvindo no Programa do Jô, a um Frei Carmelita fora dos padrões, chamado Frei Cláudio Van Balen, solidifiquei minha crença e a certeza de que Deus não opera milagres, não salva uma casa e deixa 10 caírem, não cura um doente e deixa morrerem mil, não aceita pedidos e não castiga. Deus não está fora, nem além, Deus está dentro. Dentro da natureza, das coisas e de cada um de nós, ele se manifesta ao homem como diz as escrituras, através do próprio homem.
Na Bíblia não está escrito e o que está foi escrito por homens, que existam tantas regras, tantos dogmas e poderes concentrados na figura dos representantes religiosos e pregados pelas igrejas. Um padre, pastor ou um líder religioso qualquer não torna uma criança ou adulto abençoado com o batismo ou proclamam o matrimônio de um casal e nem nenhum dos 7 sacramentos. Toda criança é benta, todo casal tem que ter em si e viver e renovar a cada dia o matrimônio, o padre e a igreja são o ritual, a celebração, o milagre está em cada um. Os homens são fadados a glória, fazedores de seus caminhos, autores e responsáveis por verdades e mentiras, guerras e paz, escuridão e iluminação e para cada homem há um Deus, com forma, valores, força, papel social, espiritual e individual.
Que Nossas senhoras do céu e da terra, anjos e santos, que o Deus que habita em cada um de nós se manifeste e salde o Deus do outro, cuide do outro, do mundo. Eu conheço Padre Anchieta dos livros e aulas de história e religião e do colégio que tentei colocar meu filho para estudar esse ano. A cidade de São Paulo cresceu em volta da igreja fundada por ele, escola ao lado, praça, pombos, mensagens e práticas de boa convivência, produtividade, cidadania, santidade, contemplação e plenitude desde nos grandes feitos as rotinas diárias.  Que assim sejamos!

Desenha-me uma fada?

Se ao pedido de desenha-me um carneiro
Uma caixa com furos pode surgir no papel
Ao pedido de desenha-me uma fada
Quantas possibilidades encantadas?
Vestidos longos, curtos
De filó, seda, cetim, chita
Com brilhos, apliques
Simples ou chiques
E a cor da pele?
Branca, negra, amarela
E porque não verde
Olhos?
Azuis, mel, puxados, arregalados
Fada com asas
Cheiro de pétalas, terra, mar
Cabelos longos, curtos, lisos
Crespos, encaraminhoculados
Cor de sol, de uva, de chuva
Brancos como a neve
Com coroa, aro de flores multicores
Um lenço, um laço
Com trancinhas ou continhas
Com ou sem varinha?
Conta!
Como seria para você uma fada madrinha?
A fada acompanhada da ilustração
Foi desenhada por Ju que hoje faz 9 anos
Para ela, peço a permanência além da infância, de seu encanto
Por meu amiguinho Pedrinho
Que passará hoje por uma cirurgia, peço proteção
Transformações mágicas para uma sobrinha emprestada levada
Que hoje também aniversaria
Bençãos ao encantado carneirinho de Deus que é o Padre Fábio de Melo
Mais um aniversariante do dia além de outros dois
Uma moça encantada chamada Alê Biet
E um menino passarinho chamado Maurício
Filho de uma amiga fada
Feliz e grata que fada não é igual a gênios
Que geniosos só aceitam 3 pedidos
Falando em pedir
Pede a uma criança para desenhar uma fada
Ou desenhe você uma e não me venha dizer que não vai conseguir
Nem seguir os padrões de fadas rotuladas ao invés de encantadas
Sugestões, dicas diretas e nas entrelinhas anotadas?

2 de abril de 2014

Eu torcedora

Depois que eu vim morar nesse apertamento que moro hoje, diretamente das janelas, ao alcance das vistas, infantes, surgiram e se estabeleceram três quadras de futebol, uma ao lado da outra. Barulho de gente jogando, torcendo, bola para lá e para cá, holofotes que alumiam toda a rua, não sendo necessário estar na janela ou ouvir os sons das partidas para lembrar que os campos estão ali.
Meu filho eu bem gostaria fosse frequentador, tentei levar para aulas de futsal na infância, incentivei, torcia e vibrava vendo ele não jogar. Zero de vocação e menos um de esforço. O pereba saia da frente se estivesse no gol, para bola não pegar nele, batia papo e perambulava no meio do campo e se dessen a ele uma camisa do Vitória, Bahia ou de qualquer clube, para ele dava no mesmo.
Tentei os álbuns de figurinhas, partidas na tv, mas não nasceu com o garoto o bichinho da bola. Há que se aceitar além de lamentar. Incrível é que não nasceu também com meu irmão e olha que o gene é brasileiro com espanhol, tudo para serem boleiros por natureza. 
Não me lembro de nunca, eu disse nunca, nem na escola, nem nos prédios onde moramos, nem em casa, ver meu irmão chutar um bola ou vestir a camisa de algum time. E esse foi portanto para mim, um dos atrativos de meu marido, além da prancha de surf que nunca vi ele usar e que sumiu de repente de seus objetos de uso. Propaganda enganosa eu diria, pois ele é totalmente de gravatas e não de havaianas. 
Vi muitas vezes, nos idos de anos atrás, ele chegar suado do baba (como se chama aqui em Salvador o futebol entre amigos, a conhecida pelada), marcar de jogar, ouvia encantada os comentários sobre as partidas, os dribles, adorava os joelhos esfolados e joguei muito bola com ele na área, tipo corredor, do prédio onde eu morava (ele morava em um prédio vizinho). Chutei muito a canela do coitado, dei chutes mais fortes que o necessário, disse muitos palavrões, praguejei (adoro essa parte terapêutica do futebol), mas vê ele jogar mesmo, só uma vez muitos anos depois, numa comemoração de dia dos pais no colégio de nosso filho, em que achei (cega talvez) ele o melhor, gritei e torci como se fosse final de copa do mundo.
Fico irada com o machismo coletivo, que a mulher ir ver o marido ou namorado jogar é grude ou fiscalização, é inapropriado, intimidador dos papos e do clima clube do bolinha. Além de a maioria das mulheres não curtirem o espetáculo, acharem surreal irem domingo as 7 da manhã ver os maridos, filhos, irmãos jogarem ou irem a estádios. Chatas! Eu acho o máximo e iria se tivesse quem ver e nem ai para o que geral fosse dizer.
Me realizei quando fui no Pacaembu, em Sampa, em visita turística ao museu do futebol e também na única vez que fui ver um jogo, no Estádio de Pituaçu, aqui em salvador. Eu disse a meu marido que ele no papel de pai deveria levar nosso filho para viver essa experiência, ele embarcou no programa solicito e certo de que era eu que queria ir. O jogo escolhido foi o de meu time (Vitória) com um que não tem torcida eu presumi, pois o estádio estava um deserto só. Contudo, para mim valeu, teve até banho de chuva para dar emoção, tirei muitas fotos, xinguei, falei mil bobagens e no começo do segundo tempo o menor dormindo e o grande já no limite, decidiram que era hora de ir. Já tentei ir uma segunda vez com o argumento de conhecer a nova e imponente Arena fonte nova, mas não obtive sucesso ainda.
Meu pai nunca torceu por nada, nem para chover, é alheio a tomar partido a não ser político, diz ele que foi goleiro, mas contar histórias também não é muito com ele, contou isso e pronto, detalhes nem espremendo ele que nem laranja. Meu avó ouvia assiduamente jogos e notícias em seu radinho de pilhas, para mim uma lembrança e uma cena poética: um senhor e um rádio colado no ouvido, gestos, olhares e o entendimento daquela narração na velocidade da luz. Eu nunca entedia nada, nem entendo até hoje. Não consigo acompanhar para onde vai e vem a bola, realizar se os nomes dos jogadores com ela são os meus ou os dos adversário, aturar os bordões e comerciais pelo meio do jogo. Espero o nome do time que fez o gol após o grito ou o placar para me situar é o máximo que consigo. Nunca perguntei porque ele decidiu sendo espanhol e tenho o time Galícia aqui torcer, ser Vitória, presumo que seja bom gosto, era um homem de bom gosto. Gostava de fazer piadas com os rivais, ficava sorridente quando ganhava e também quando perdia, mais um motivo presumo de ele ser rubro negro, torcedores tricolores e alvo e negros tem mais dificuldade de perder.
Todo esse papo de bola e de minha carência por não ter camisas de time no varal e quem ir ver jogar bola, com quem falar de futebol, quem pare tudo para ver uma partida com direito a torcer loucamente e sacanear com gosto o time rival, sem falar do que já falei por aqui: minha tendência por torcer para times avulsos por motivos n, é um registro de esperança verdinha que nem gramado bem cuidado. É que, lá estava eu na casa de meus pais, na varanda que já apresentei aqui e minha irmã tirou do kit mil e uma coisas de meu sobrinho uma bola e assim que ela tocou no chão o garoto de um ano não foi com a mão para pegar nela, foi direto com o pé, com total intimidade, muitos chutes seguidos, domínio e a consagração: coloquei um chinelo paralelo ao outro e lhe apresentei o golzinho de rua, de improviso, chuta aqui no meio que é gol Zaion! Ele entendeu prontamente pois o pai assiste muito a jogos na tv e ele conhece a palavra gol como conhece papai e mamãe. Sorriu, entendeu, mas não tem a coordenação necessária ainda.
Ai chegou o tio ruim de bola com uma trave bonita, do tamanho do guri, totalmente burguesinha tipo bola de couro de marca de quem não sabe jogar mas tem a melhor bola. E o moleque? Ah! Orgulhou a tia e não gostou da tal trave. Vai gostar de bola esse eu idealizei e resolvi aqui cronicalizar para quanto mais gente vibrar junto, vingar.
Desejo que para ele bola seja qualquer coisa esférica que role, um papel embolado, uma tampinha de garrafa, uma laranja, a bola dele, a dos outros, as achadas sem dono. E que jogue descalço ou de chuteiras, no time dos sem camisa e sem juízes e seus milhares de não podes. Com medida, claro, mas vamos combinar, que carrinho é uma coisa linda de se ver, fazer então deve ser o máximo. E quem é o pino de boliche no drible? Bem! Que não seja ele!
Rubro negro claro, de usar a camisa em festas, em domingos de jogo e nos dias depois dos jogos só se o time ganhar. Com histórias de quebrar vidraças e telhados, pular muros para pegar a bola ou para jogar em campinhos alheios e se a dona onde a bola cair no quintal for chata: charme.
Que não fique no banco e se ficar seja chamado de volta porque é o melhor, que sai do jogo pela orelha para fazer a lição mas nunca porque arrancou a tampa de um joelho ou uma unha. Nos casos de confronto, conversa, correr mais rápido que todo mundo e se for inevitável que saiba bater ou tenha quem chamar que saiba.

1 de abril de 2014

Por muitos primeiros e últimos

Tem um desejo que é bem comum e que o filho de Arnaldo Antunes traduziu e resolvi pegar de empréstimo. Desejo como ele, muitos primeiros e últimos. Hoje por exemplo, desejo um primeiro de abril veranil, anil, engraçado, encantado, cantado, rimado. Desejo também que seja um mês de muitos últimos sentimentos e acontecimentos ruins, de ultimas vezes do que não faz nem traz o bem.
A imagem é pelo dia do índio, é que conheço a 38 anos uma pessoa que aniversaria nesse dia. As tartarugas são para evocar que a gente viva devagar, o barquinho para navegar, a cena em si para as boas energias da água evocar, refrescar, mergulhar e vir a tona, para sentir igual índio, ter sabedoria de índio. Muitas primeiras coisas boas, novas, reveladoras, agregadoras a todos e últimas vezes do que faz mal, empaca, emperra ou acelera sem curtir a paisagem, o percurso, os sabores e aromas da vida.