31 de maio de 2014

Que...

Hoje é dia do Espirito Santo
Que pombas brancas de paz voem sobre nós
Que o frescor e poder de transformação do barro nos tome
Que os bons espíritos nos guiem
Que o Divino nos dê leveza e fortaleza
Faça fluir o que é beleza
Espante o mal e a tristeza
Amém!

30 de maio de 2014

Concurso fotográfico

Maridão em ação
Vi por ai e trouxe para cá, o concurso Wiki Loves Earth Brasil - Patrimônio Natural, que é um concurso fotográfico mundial que incentiva fotógrafos e entusiastas a contribuírem com imagens dos principais patrimônios naturais do mundo, para serem incorporadas aos artigos da Wikipédia. O concurso é organizado em vários países ao redor do mundo sendo dividido em duas etapas, uma nacional, com envio de fotos entre os dias 1 e 31 de maio, amanhã é o último dia, em cima da hora como muita gente deixa para fazer as coisas, então, a hora é agora.
O anúncio dos vencedores será nos dia 15 de junho e tem ainda uma etapa Internacional, com envio de fotos a partir do dia 15 de junho para os viajantes e mais programáticos de plantão. Maiores informações aqui. Uma sexta feira de benção, fotos, vivências, sorte, saúde e paz. Gratidão pelas bem aventuranças e lições dos perrengues de maio e que venha junho em ritmo de arrastapé.

29 de maio de 2014

Na mesma tecla

Acho válido bater na mesma tecla quando se trata de determinados assuntos, pois nesse meio aqui onde escrevo, muitos passam um dia e não passam no outro, muitos prestam atenção em um dia e não no outro, comentam ou não e também porque as vezes o cesto é tão cheio que temos que esvaziar mais de uma vez. Falei aqui dias desses sobre um assunto que na mídia e na prática muito tem se discutido: a alteração dos textos de Machado de Assis, que se estende aos clássicos de uma maneira geral. Essa proposta, tosca ao meu ver, de reimprimir as obras objetivando um vocabulário simplório, ao nível do público menos letrado e ao alcance de cifras, é surreal!
A escritora Nélida Piñon resumiu bem quando disse que hoje se publica o que vende e não mais o que fica. E qual a literatura consumida no Brasil? Os tais sádicos tons cinzentos, vampiros, ficções medievais, caricatos romances melodramáticos, desconstrução de clássicos sem muita criatividade, substância ou com relevantes maus exemplos.
Para mim além da proposta, é chocante a complacência de pessoas cultas, sejam as que me cercam, sejam figuras ilustres e críticos com essa subliteratura e o apoio a simplificação e atualização da literatura.
Tantos escritores bons sem leitores na proporção ideal e tantos escritores de conteúdo e ritmo industrial, que não se importam com estética e se importam demais com fama! Oh Lord!, como diz uma amiga minha. Acho que toda literatura é válida, com públicos e usos bem específicos em certos casos,  mas as que deveriam ganhar visibilidade não deveria ser as que os editores definem como comerciais ou que o autor seja corporativo cumpridor de metas de vendas e antenado com as necessidades do mercado.
Vibrei em laranja quando o livro de Leminski ficou no topo dos mais vendidos e suspirei da cor da capa ao verde esperança, mas, analisando friamente, os autores e obras que as editoras inserem e sustentam na mídia, ruins ou bons são negociados e sustentados por interesses diversos, seja no alcance de sua popularidade seja no tempo de permanência nas prateleiras e noticiários.
E nessa geração de leitores de massa, do bobo ao tosco, Machado de Assis precisa, pensando pequeno, ser reescrito para vender e fazer pareja com os novos clássicos pobres e vulgares da literatura em resenhas, programas de entrevistas, blogs, cadernos culturais e afins. Triste fim de Policarpo Quaresma! Triste fim de seu criador Lima Barreto, de Machado, de Monteiro, de Pessoa, das pessoas. Triste fim da literatura de qualidade. Que os bons a tenham!
Policarpo como bem sabe quem leu e para os que não leram (vai que no resumo e atualização mudam isso), tem muito de Dom Quixote, ambos com uma visão do sublime que a realidade em volta não comporta. Assim como sou com meus muitos ideais românticos e recebo críticas na lata ou veladamente e venho percebendo que a zombaria esconde muitas vezes as limitações e distorções dos outros. Sou fã de Policarpo e seu idealismo e carão de não ter se deixado levar pelo mundo enlatado e limitado da alta sociedade carioca do século XIX. E tenho dito!

28 de maio de 2014

#issomudaomundo

Fazer um bom trabalho
Independente de plateia
De cobrança, de recompensas

27 de maio de 2014

Slow culinarices

Eu sempre falo de culinarices por aqui, não dou receitas e se já dei não me lembro, mas sabores, aromas, lembranças da infância, desejos meus, sabores nordestinos e provocação de desejos tem lugar no menu de minhas postagens.
Já indiquei leiturinhas de receitices com histórias de família e de amor como ingredientes e confeitos e tenho o hábito de fazer uso dos muitos canais da minha tv por assinatura para sair das notícias ruins e programações enfadonhas. Dentre os meus canais favoritos, que já indiquei aqui programas, vejo muito o GNT e por lá curto o múltiplo e mágico Jaime Olivier e suas habilidades, viagens, destreza, simpatia, bem como a finess de Olivier Anquier, as descomplicações e dicas de Rita Lobo e recentemente a cozinha saudável, visitas e baianidade de Flora Gil.
Dia desses recebi uma revista pelo correio que falava desse comer com os olhos e fazer com o coração, enviada por uma amiga leitora que lembrou de mim quando viu a matéria de capa. Amei e entrou na minha lista de desejos, mais livros do tema. 
Um livro é a prova de que os homens são capazes de fazer magia, li em algum lugar e receitas também são poções mágicas que nos remetem a lugares, pessoas, que provocam criatividade, promovem aprendizados de matemática, química, física, biologia e também proza e poesia. E por esse sentimento e percepção, trouxe hoje uma novidade para mim, que vi na janela de uma casa vizinha, um movimento chamado: Slow food, proposto por Carlo Petrini em 1986, cuja sede é na apetitosa e tradicional Itália e já se tornou uma associação internacional sem fins lucrativos, cujo princípio básico é o prazer da alimentação, desde as possibilidades e práticas de cultivos caseiros, escolha dos ingredientes e utensílios, preparo, até a degustação e a qualidade nutricional dos comes e bebes, opondo-se à tendência de rapidez, praticidade e padronização do alimento e dos processos de preparo fast food.
Com uma associação da arte de cozinhar a de aprender a dar o devido tempo as coisas, saber e valorizar o fato de alimentos serem culturais, locais, sazonais, explorar a imensa diversidade de temperos, ingredientes, possibilidades, modos de fazer, de servir e com propostas e desdobramentos políticos e sociais, o Slow food conjuga o prazer e a alimentação com consciência e responsabilidade, ganhando adornos de crônicas e poesias, difundindo a educação do gosto, o curtir fazer, provar interagir através da culinária.
Boa e apetitosa terça, com bons momentos na feira, padaria, cozinha, barraquinhas, bares ou restaurantes :)

26 de maio de 2014

Do esperar sem conversar

Nas filas do mercado, banco, em salas de espera de consultas, exames, cursos e afins, não tenho ouvido e visto muitos bate papos, trocas de receitinhas e crendices de curas caseiras, dicas, histórias alheias nem entre as pessoas que vão juntas, muito menos entre vizinhos da cadeira, da turma em pé, vejo é entre atendentes que impossibilitados de usar redes sociais nos seus monitores e aparelhos de telefone, aproveitam para botar o papo em dia enquanto uma legião cheia de compromisso e muitas vezes incapaz de reclamar sem grosseria, espera.
Isso sem falar nos almoços e outras "socializações" entre amigos e até a dois, que um não foca no outro ali presente, não interage. Reflexões que já viraram mudança de comportamento por aqui após uma ida a baiana do acarajé acompanhada e na ida e durante o pedido e o comer e o pagar fui sozinha pois minha companhia estava no celular e sem fazer bico ou pensar duas vezes pediu desculpas e como que por encanto não fez mais isso. Também de uma espera dia deses em que observei a minha volta as pessoas  caladas, o silêncio me incomodou e anotei num papel para cronicalizar.
Resolvi trazer em plena segunda-feira essa #focanobatepapo, como observação, cutucada e desejo de uma semana interativa e comunicativa. De arremate, a lembrança do sorrisão tipo o da foca da ilustração, com minha saudação a Jair Rodrigues, para que se deixe de lado smarts, anti-socialidades e que as pessoas se olhem, se falem, digam bobagens, se conectem na real, que não precisa de wi-fi e limites não tem, na espera ninguém tá fazendo nada, você também! 

25 de maio de 2014

De copa, cozinha e rua vizinha

Já que estamos em plena copa e hoje é domingo dia desse assunto rolar solto além do normal e como já pontuei aqui, não sendo alienada, mas não perdendo o encantamento e o valor de extrair o que há de bom nas coisas, não é esse um post de protesto, nem sobre nossa seleção ou jogadores. É que ouvi no noticiário, por conta das ruas que serão interditadas nos dias de jogos, o nome de uma rua, ladeira na verdade que fica ao lado da escola onde estudei por vida e por repetidas vezes disse seu nome, sem nunca ter me perguntado que eu me lembre o porque dele. 
A ruela, tão sem pretensões é uma rua de passagem, com lateral de prédios, da escola, casarões antigos, chão de pedras e uma já a muito fechada barraquinha mal acabada, que está em meus registros, onde trabalhava um sapateiro. Por falar nisso, reivindico sapateiros e engraxates pelas ruas.
Nos registros de meu marido, está descer e subir a tal rua para ir jogar bola ao lado de onde hoje é a Arena Fonte nova, que era simplesmente a Fonte nova e que apresentei aqui
Ao lado ele ia, pois tinha um mini-estádio de esportes, chamado Balbininho que era muito frequentado, para lazer e prática continua de esportes. Fui algumas vezes nesse estádio descendo por essa ladeira, mas não presenciei bolas caídas de jogos alheios e furtadas e amigos correndo a contento outros não, nem bati bola na ladeira com o estádio ali esperando espaçoso, nem a definição pelo caminho de quem era de qual time, quem ia jogar com e quem, quem ia jogar com e sem camisa e tantas outras resenhas, além do perigo ignorado de poder ser assaltado ou algo assim pelo pouco movimento e nenhuma segurança do local, que era tido como perigoso, do tipo mil vezes das duzentas mil que fui para escola, ouvi: - Cuidado quando passar pela...!
Nesse tal apelidado Balbininho, cujo nome era, pois foi demolido: Antonio Balbino, nessas épocas de agora havia muito arrastapé, lá acontecia o famoso Arraiá do galinho, um concurso de quadrilhas, televisionado e lotado, com quadrilhas que ensaiavam o ano inteiro e vinham de todo canto do nordeste. Era um céu de bandeirolas, ralar de fivelas, chinelos de couro, caravanas de escolas para assistir, desfile de chitas, tranças, bater de triângulos, zabumbas, chorar de sanfonas e comer compulsivo de amendoim e milho cozido que inté me deu fome e vontade de forrozá. 
Sem querer, até que os quitutes caíram bem na história e eu bem podia citar outras delícias típicas, para fazer jus a parte cozinha do título que era só para fazer relação com a copa, sem ser a do futebol, a das casas antigas e rimar com rua vizinha, mas vou poupar a saliva alheia e a minha também.
Voltando para a rua, que não disse ainda o nome, pois resolvi pesquisar sua história, para arrematar a contação, depois de falar do que eu lembrava dela e provocar quem é daqui ou foi a saber. Cova da onça é seu nome e na busca da origem não achei nada além da lenda urbana pouco criativa e possível de no local ter sido enterrada uma onça e a descoberta de outro local de mesmo nome, o povoado de São sebastião, aqui na Bahia, que também é conhecido como Cova da onça e onde teria sido aberto no século XVII, um duto subterrâneo que lembra uma cova e onde, segundo a crença popular, jesuítas, refugiando-se dos índios, teriam deixado uma imagem de São Sebastião. E onde entra a onça? Não achei nenhuma explicação ou relação.
Sei é que dessa história toda achei muitas histórias legais de nomes de ladeiras, becos e ruas de Salvador, que foi assunto saudoso e prazeroso de conversa esses dias entre mim, meu marido e minha sogra e juntos entre matutação, ligações para minha mãe e meu pai e pesquisa no Google, lembramos do nome de uma padaria que ficava embaixo de uma das casas que ela morou na sua infância. Volto com mais contações, nomes pitorescos e honrosos de ruas, avenidas, praças, becos, histórias, memórias minhas e vizinhas.

24 de maio de 2014

Deus é mais

Além da historia de trabalho, garra, futebolices e amor do vídeo que recortei do programa de esportes que assisti no sábado passado, clica aqui para assistir, ele veio parar aqui pelo alerta para o sonho e a realidade de milhares de meninos que entram no mundo da bola de cabeça e porque amo, como já disse mil vezes por aqui, pessoas idosas e essa senhorinha da história, além de fofa é arretada e não é um tipo arretada abatida, sofrida, é uma arretada sorridente e que faz duas atividades tão necessárias e sem o devido valor: reciclagem e limpeza das ruas. 
Além de por ela, apaixonei pelo garoto, por jogar no meu time e mais ainda pelo carinho dele com a avó, o brilho no olhar, o sorriso, pelo jeito de falar e o dizer, que tantas vezes digo e se diz aqui em terras baianas: Deus é mais! 
Deus é menos que templos, que dogmas, Deus é mais, na verdade Deus é isso, é a simplicidade e valor de histórias como essa. Registro aqui meu desejo de que a história de Geovane seja de vitória, que ele alce altos vôos, que consiga dar uma casa a avó e encha a geladeira deles de latinhas, verduras, carne, peixe, frango, que ele jogue na seleção e essa história seja novamente contada ou que, o que acontecer, seja bom para ele, para ela, além do bom, que além do suor e limitações, eles tem, infinitamente valioso: amor e a coragem.

23 de maio de 2014

De P a G

Hoje foi o dia em que nasceu um certo serzinho que morou em mim por 9 meses e que a 14 anos atrás, já era preguiçoso, quando nasceu, para chorar, teve que ser sacudido. E na dele ficava no moisés com forro de cerejas, com móbile de papel que fiz e girava como um planetário e ele admirava. 
No berço ou na imensidão da varanda da casa dos avós, dentro de casa, na biblioteca que frequentava assiduamente, na pracinha, na espera pelas cobsultas do pediatra, almoços na rua, casa dos outros, ele se detinha com pequenas coisas, por longo espaço de tempo.
Nos prédios onde moramos os vizinhos se admiravam de ter uma criança morando ali, nada de gritos, berros, chutes de bola, gudes rolando pelo piso.
Montava tapetes de quebra-cabeças, numa ligeireza e destreza de nos espantar. Arrumava os carrinhos como se fossem peças de uma loja ou exposição, nada de explosões ou arremessos. E assim fazia com os bichinhos e bonecos. Adora brinquedos de encaixar e ficava irritado quando uma peça tinha mal encaixe, além da quantidade necessárias de peças para ele montar sem querer que nada do que montasse fosse desmontado.
Para dormir ainda bebezinho invariavelmente colocávamos o cd ou cantávamos as músicas de: Memórias, crônicas e declarações de amor, de Marisa Monte. Tudo a ver o nome do álbum com as nossas vivências, minhas, do pai, dos avós e tios com ele. Sempre inteligente, com tiradas e compreensões de uma casa velha, um pouco agridoce, ainda mais agora adolescente, teimoso e inflexível como esse período entre P e G se manifesta em todos nós.
Uma fonte de muitas memórias nossas que são dele, de crônicas, poemas, comédias, tratados de aprendizados e ensinamentos, ele vive no mundo da lua, vou ter que entregar. Ele até já disse no auge de sua disposição infantil que teria três empregos e um dele seria ser astronauta. Hoje, não há coragem nele nem para um emprego de 4 horas, nem mesmo, vale pontuar e desabafar, para tarefas mínimas diárias, mas creio (acreditar é preciso...risos) isso mude ou esteja na paradeira dele e habilidade com os jogos sua vocação.
Muitas moedas de cinquenta centavos e um real foram investidas em bolinhas pula pula, que saiam dos globos rolando e o destino nunca foi nas mãos dele, pularem por ai e ele sair atrás, serem perdidas por debaixo de lugares ou jogadas para o alto, infinito e além. Moravam num pote e estão aqui até hoje dentre as muitas coleções que ele fez e guardei para ele usar na decoração de seus quartos ou escritórios ou para ser herança para sues filhos e netos, com direito a anotações de histórias, frases célebres, embalagem da bolacha maisena da marca Pilar, que até hoje ele toma molhada no café, adorada, como salame e outras coisinhas que ele se orgulha em dizer que gosta igual e se furta de novos experimentares. Como uma fã e colecionadora por tabela, tenho guardadas roupinhas, objetos, incontáveis fotos com legendas, revistas, livros e todo um arsenal filhoamado.com
Meu registro polido, sem mimis para não desagradar a fera, mas sem poder deixar passar a data sem uma homenagem, uma declaraçãozinha de amor, uma benção de sexta-feira, com sinal da cruz de mãe na testa, além de festa, likes e compartilhamento de bons desejos de dimensões inter estrelares.

22 de maio de 2014

Reflexão, canção, oração

Aqui estou na missão de trazer
Uma mensagem que possa ser
Com palavras, rimas, imagem
Uma luz ou um mantra
Para adultos e crianças
Para mim
Com a certeza de que as coisas mudam sempre
E que tudo está ligado
Inteiro ou quebrado
Feito elos ou mosaicos
Para a aceitação de que a vida não é só como esperamos
Que há falhas nossas e nos pisos
Mas é certo que colhemos o que plantamos
Que somos nós que a nossa vida e caminhos pintamos
Trilhamos, adornamos
Que existe um dom natural que todos temos
E que nossas escolhas vão dizer pra onde iremos

- Uma adaptação em forma de oração de uma canção do Charlie Brown Jr -

21 de maio de 2014

Crescer, brincar, aprender e ensinar

Imagem que ganhei por e-mail
E pousei de primeira os olhos nos bordados nos bustos dos vestidos
Não sei ao certo se são letras
Sei que acho lindo isso antigo de marcar as roupas com a letrinha das crianças
Ou do casal
Para não misturar, para personalizar
Parei também o olhar e teci meu admirar nos vestidos
Longos e simples que tão bem caem em meninas crianças
Além da familiaridade do contramarco velho da porta
E gosto por pés descalços
“Você é jovem ainda
Amanhã velho será
A menos que o coração sustente
A juventude, que nunca morrerá”
Chaves
Eu confesso e escracho aqui meus saudosismos e gostinho por hábitos, valores, objetos e eteceteras antigos. A lembrança e querer de hoje é ver nas brincadeiras das crianças o velho pega varetas. Adorava e tinha precisão cirúrgica. O largar das varetinhas, as cores, a simplicidade do jogo que exige concentração, cuidado, destreza manual e momentinhos de calmaria, além do saber perder, passar a vez, desenvolver e repetir gestos e técnicas, me encanta.
Dá para ensinar na escola ou em casa sobre cores para os menores e matemática para os maiores jogando pega varetas. Dá para produzir um maço na aula de artes com palitos de churrasco na semana das crianças ou em casa num dia de chuva qualquer. E nas beiradas da produção ensinar a colocar jornal no chão, molhar o pincel num copo d´água para usar outra cor, pintar de um lado e esperar pacientemente secar para virar e pintar o outro. Sentir o prazer de dizer: Fui eu que fiz!
Pegando o gancho de Chaves com o pega varetas, para não perder a deixa, eu acredito, que é na infância que habilidades, valores e caráter se formam e assim sendo, é clichê, mas é uma verdade atemporal, que as crianças são o futuro. As de hoje, serão os médicos, professores, cientistas, advogados, políticos de amanhã e o serão conforme suas experiências na infância. Ter consciência disso, muda o mundo.
Legal toda essa tecnologia de hoje, avanços, mudanças, muito bom para todas as idades, o acesso pela internet a informações, imagens, interação, aparelhinhos digitais e toda uma adequação que é necessária e sadia as novas práticas, entretanto, quem é das gerações de 80, 70 ou qualquer outra passada, tem o papel e gosto, penso eu, de passar as vivências, memórias e práticas de sua infância e adolescência, para que as novas gerações absorvam os ensinamentos contidos no que foi fruto de aprendizado e diversão de tempos atrás e também para os adultos de uma certa forma lembrarem, reaprenderem, reafirmarem suas vivências, aprendizados, habilidades e assim se manter e a adornar os laços com valiosos adereços educacionais e sentimentais. Sem exagero, simples assim, seja em um brinquedo, uma brincadeira, uma história contada. Enfim! Alguém ai tem um pega-varetas? Numa latinha, amarrado com elástico de dinheiro, numa gaveta qualquer. Eu quero!

20 de maio de 2014

Junto e além

Clicks de Chica

Para mim lugares, pessoas, objetos, palavras
Tem cheiros, gostos, texturas
Temperatura, sensações
É só respirar fundo, olhar com atenção, tatear
Não passar singular seja em meio ao verde, sob o azul do céu
Sob sol ou chuva
Num areal, de frente para o mar, num estádio, numa praça
Inspirar e sentir os cheiros
Ouvir os sons, perceber os tons, as cores
Correlacionar sabores, lembranças, sonhos
Passarinhos, passantes
Não com agonia de antenas ligadas e agitadas
Com calmaria
Treinando os sentidos
Participando dos processos
Pulsando junto e além

19 de maio de 2014

Filosofar é preciso

Debruçados na janela
De joelhos dobrados, pernas cruzadas
Ou no correr do dia, filosofar faz bem
Muitos mistificam, banalizam e até ridicularizam a filosofia. Tinha uma frase escrita na placa da entrada de uma casa por onde eu passava quando morava em outro bairro, que dizia: "A verdade é tudo aquilo em que se crê." E nem sempre para se crer, é preciso ver, muitas vezes porém é preciso ver, sentir, entender, questionar.
A vida de cada pessoa e suas verdades, anseios, opiniões, por mais parecida que seja com a de outra pessoa e perto ou longe do senso comum é algo completamente pessoal e portanto cada um, cada história de vida é uma parte de muitas verdades. Certo?
Há muitas verdades que são próprias de quem as encara como tal, oriundas de como e onde se foi educado, da cultura, da fé, dos valores que se tem. Vemos cada vez mais descabidas notícias de violência gratuita, crimes por motivos banais, bem como abismos na educação transmitida aos filhos, a falta de respeito para com os mais velhos, a falta de gentileza, de zelo pela natureza, pela própia saúde e bem estar.
Será essa crise de valores da contemporaneidade uma conjunção da falência das religiões enquanto forças moralizadoras, com a aceitação e valorização de um modelo falsamente liberal de sociedade que incentiva a individualização e o desapego as tradições, a família e as condutas morais?
Dentro de minhas crenças e verdades vejo a necessidade de mudanças imediatas de mentalidade, hábitos, bem como um resgate de modelos antigos que funcionavam bem e foram descartados pelo avanço que a cada dia mais avança para o caos. Reflexão para começar a semana com perguntas, respostas, filosofia, para na busca da luz, germinarmos e semearmos sabedoria e poesia em nossos dias, para termos borboletas no estômago e nos nossos jardins, vaga-lumes pelos nossos caminhos, alumios, suspiros bons.

16 de maio de 2014

Simples assim

"Simplicidade é um conceito que nos remete ao estado mais puro da realidade
A semente é simples porque não se perde na tentativa de ser outra coisa
É o que é
Não desperdiça seu tempo querendo ser flor antes da hora
Cumpre o ritual de existir, compreendendo-se em cada etapa" 
Pe. Fábio de Melo

15 de maio de 2014

Regras para que te quero?

Regras são um pilar excelente para vários segmentos, setores, condutas. Mas existem algumas regrinhas que são excessos, são desnecessárias, sobram. Toda regra, ao meu ver, que não serve para ordenar, que não seja justa, que não promova crescimento, expansão, que não seja seletiva ou preconceituoso é limitante, não é regra é tabu, frescura, descabimento. Exemplo: Um mulher querer comprar uma pick-up financiada tem sérios problemas, porque esse não é um carro com perfil de mulheres. Oi? Hein? É isso ai cara amiga!
Médicos por exemplo, não tem perfil para determinados modelos segundo um padrão de consumo instituído e compartilhado pelas instituições de crédito ao consumidor, professores tem perfil para determinados modelos e por ai vai o descabimento que não se refere a valor da renda ou do carro, mas a enlatar quem usa o que. O cartão estranha se você compra numa loja de produtos de pesca ou de bebes se esse não é seu hábito de consumo e se diz protetor de sua segurança., ignorando seu direito de escolha e de mudança de hábitos ou exceções, assim, deliberadamente. Outro dia meu cartão foi bloqueado e eu só pude usá-lo após o final de semana pois usei ele dez vezes no mesmo dia. 10 vezes é o limite, ninguém nunca me avisou e se me avisasse eu não teria direito de argumentar. Cafezinho assim que cheguei, almoço num lugar para mim, noutro para minha sobrinha, roupa numa loja para ela, sapato na outra,um livro, um pretzel, outro café, um brinco, os ingressos do cinema e se eu não tivesse dinheiro na carteira, nada de pipocas que pelo preço são passáveis no crédito sem precisar sentir vergonha.
E que tal um professor de matemática organizar uma horta na escola. Porque não? O cara gosta de horta vai se sentir bem fazendo, os alunos vão ter um algo mais na escola, um exemplo, inspiração. O material todo levado por ele e tempo após o seu de aulas utilizado e a escola não aceitar pela verba não ser da escola, as professoras de biologia e ciências fazerem cara feia pois não tiveram a ideia, ou não tem tempo, a coordenação não ver lógica em um professor de matemática fomentar hortices. Regras ou mimimis?
E aquela estátua da praça de seu bairro, aquele banco sujo ou pichado ao alcance de um paninho e um balde com sabão, levado por você e em dez minutinhos tudo limpo, ou uma mão de tinta, por decisão voluntária ou em grupo ao invés de ficar cobrando de quem tem que cuidar por via de regra e você já sabe não vai resolver ou vai demorara uma eternidade.
Regras bestas e braços cruzados, rifar e dificultar, hoje não, não tenho tempo, não é minha responsabilidade, tem quem faça, é pesado, é difícil e blá blá blá é de última. E tenho dito!

14 de maio de 2014

Ponto a ponto

Puxa a cadeira, passa a linha pelo buraco da agulha e assunta o programa de dia das mães de Dona Conchita (minha mãe) com suas três Marias (nós, as filhas, que não nos chamamos Marias, mas nossa vó e toda mulher se chamam), que foi, ir na exposição de um projeto chamado: Bordar os sonhos. 
Minha mãe tem paninhos de mesa, toalhas, panos de copa e roupinhas nossas de bebes bordadas como nem imagino alguém consegue bordar, até o avesso é bonito. Sem exagero! Muitos paninhos coloquei na mesa e na cesta do pão para enfeitar, do avesso, bordados e de crochê. Na leva da ida para a exposição já programada com antecedência, pedi meu nome bordado por ela em um retalinho de tecido para guardar na minha agenda, trago foto, junto com palavras alinhavadas com histórias de minhas agendas outro dia.
O projeto foi idealizado pela arte-educadora e ilustradora Flávia Bomfim, a partir dos trabalhos de bordados livres, de mulheres de um subúrbio daqui de Salvador, chamado: Sussuarana, com a proposta: Bordar sonhos e na ponta de suas agulhas, costuraram linhas, ideias, imaginação, talentos e emoções. A exposição foi e está até o dia 22 de maio, no Espaço Xisto que fica na Biblioteca dos Barris, pertinho da Escola onde fiz meu estágio supervisionado do Curso de Letras Vernáculas nos idos de 15 anos atrás.
Chegamos ao local após enfrentar o cansaço do dia e um trânsito caótico e lá não havia nenhum pé de gente. Um programa tão para mães, pensei! Na verdade, haviam lá além dos nossos, os dois pés e a simpatia do segurança do local, que não tendo nada a ver com a exposição foi incluído por nós nela, Eliseu seu nome, que bordou com minha mãe tagarela de quem sou herdeira direta, papos sobre mães, programas alternativos, filhos, bordados e é claro, sonhos. Há um livro catálogo do projeto, fruto da pareceria com a Editora Movimento contínuo, que pode ser adquirido através do e-mail: movicontinuo@gmail.com ou no local, no Café da Sala Walter da Silveira.
Toda essa interação, num pequeno espaço, os trabalhos expostos em duas paredes que são corredores no local, fotos com pequenas histórias das artistas, tudo costurado a muitos selfies, risadas altas que não é de bom tom dar em exposições, vontade de tomar café que me fez ver no bordado da panela de feijão uma xícara com um menorzinho fumegante. Filhas mães, irmã mais velha mãe, e desenho de todas em mensagem escrita pela matriarca em um caderninho com indagação em um letreirinho de papel numa mesinha alta: Qual o seu sonho?, lápis ceras de várias cores (amo lápis cera), caneta e entre muitos desenhos de crianças lá ficou nosso registro de passagem, prestigiação ao projeto e comemoração. Conchita e filhas de Conchita.
Mãe com suas filhas e filho viajando livre, para quem mandamos no ato as fotos (um viva a tecnologia), bordados livres, imagens com e sem palavras, com palavras por dentro e além, humildes senhoras com mãos de fadas, orgulhosas de si mesmas por seus trabalhos estarem em uma exposição e em um livro. Mulheres que voaram juntas, que vão pousar em casas, corações, estantes, tecidos, dedais, linhas, que nos remetem ao valor dos trabalhos manuais, como objetos de arte, de expressão, de libertação, de desenvolvimento emocional e a imensurável riqueza do universo caseiro, de interagir, da simplicidade, da poesia de bordar, tecidos e sonhos.

13 de maio de 2014

Nada a ver

"Livro é que nem árvore, tem história", trouxe essa correlação, para semear e fazer germinar mudanças de mentalidade e intervenções sobre uma questão que ao meu ver, não ter nada a ver, que é adequar os escritos antigos as mudanças da língua e também adequar as obras aos novos tempos, como por exemplo: desconsiderar preconceitos próprios de uma determinada época ou pessoal de um determinado estilo ou autor. Livros, contos, histórias são registros. E tenho dito! Pirei aqui com os ataques a Monteiro Lobato ano passado, por escolas, pais e mídia afora, faltinha do que fazer!
Nessa vibe (usando vocabulário moderno), seguem recortes do abaixo assinado que mencionei aqui ontem, na tentativa de impedir a alteração das palavras originais nas obras de nossa língua portuguesa. Para assinar, clica aqui.
"Nós, abaixo assinados, leitores e escritores, consideramos inadmissível a aprovação de quaisquer projetos cujo propósito tenha a pretensão de alterar, seja no todo ou em parte, as palavras originais utilizadas por autores em suas obras na língua portuguesa. Referimo-nos, no caso, a recente projeto aprovado pelo MiNC, cujas pretensões imediatas envolvem mudar palavras nas obras de Machado de Assis.
Ampliar o acesso do jovem à cultura deveria representar a ampliação de seu vocabulário, e não a alteração de termos utilizados por um autor. Observa-se, contemporaneamente, um empobrecimento da linguagem. Ainda que faça sentido apontar para a dificuldade do jovem em compreender expressões menos coloquiais, isso poderia ser sanado a partir da elaboração de obras com devidas notas de rodapé, explicando o significado de cada palavra considerada "complicada".
Salientamos que obras com tais notas explicativas já existem, e outras poderiam ser criadas, de modo a atrair o interesse dos jovens.
Ora, ainda que se interprete a presente lei, argumentando "ausência de prejuízo" a Machado de Assis (ou a qualquer autor falecido), tal interpretação é subjetiva e contestável. Consideraria o autor aceitável tal modificação em sua obra? Como sabê-lo? Inadmissível partir do pressuposto de que o autor não se incomodaria com tal intromissão.
Este projeto abre precedentes preocupantes. Teremos nós mesmos os nossos dizeres alterados no futuro? A única posição passível de ser tomada, diante deste fato, é o agnosticismo: diante da impossibilidade de saber o que o autor pensaria disso, não alterem o texto original deste autor. Inclua-se, no máximo, notas explicativas...versões em quadrinhos...os quadrinhos consistem em uma magnífica porta de entrada para o universo da leitura."

12 de maio de 2014

Todo mundo pode?

Eu acho o máximo o incentivo e desprendimento do Ratatouille: Todo mundo pode cozinhar! E nesse mesmo conceito: todo mundo tirar foto, escrever, tal e coisa, coisa e tal. Mas, porém, contudo, todavia, não acho ser correto colocar em lugares comuns: fazer e ser profissional, ter atitude e ter talento.
Sem ofensa, tenho ouvido falar de tanta gente atualmente que faz Direito, por exemplo. Parece viral e o tal passar na OAB não parece ser tão fácil, mas isso parece não importar. É de sempre ser símbolo de status, além de vocação, fazer Direito e Medicina, doravante o acesso era restrito a poucos, não no sentido limitante, mas no sentido seletivo e consequentemente qualitativo dos profissionais formados. Oxalá que tantos estudantes e candidatos a exercer as ditas profissões façam a diferença, mudem leis e entraves, salvem vidas, descubram curas, modernizem o atendimento e procedimentos e ao mesmo tempo mantenham tradições milenares, protocolos, posturas.
Essa cronicalizada, além de por observação pessoal brotou de uma matéria que vi por ai por acaso, clica aqui para ler a íntegra, de onde recortei para trazer os trechos que seguem:
"Pois se alguém achava que estávamos mal, acabaram-se os problemas: no ar, um novo produto — a facilitação na literatura. “Simplificações Tabajara”, a nova onda. Peguemos Shakespeare e o simplifiquemos. E vamos “orelhar” Machado de Assis. E assim por diante. A vida imita a arte. Ou a arte imita o direito?...Só espero que isso não chegue na física e na química. Se chegar na medicina vou estocar comida...Incrível como perdemos os fundamentos e os sentidos. É essa praga da pós-modernidade que-ninguém-sabe-o-que-é. Pulamos da modernidade e caímos em um vazio recheado de simplificações,twitters, sertanejos-universitários e universitários sertanejos...Solução tabajara: uma nova versão de Júlio Cesar simplificado, na qual poderíamos ler: Cássio era um intrigueiro (=fuxiqueiro). Odiava Cesar. Para mostrar como Cesar era um sujeito bundão, contou para Brutus que Cesar não sabia nadar e um dia quase morreu de sede. Resumindo a fala de Cassio: Cesar se achava um Deus, mas era um incompetente e medroso. Nem nadar sabia. Ah: o Enéias do texto não é o “Meu nome é Enéas!”. Final: Brutus acreditou nisso e acabou com Cesar."
E desse desabafo e cutucada bem humorada, veio meu apoio, que vai ser o post de amanhã, a uma petição pública para impedir que se altere as palavras originais nas reimpressões e novas edições dos clássicos da língua portuguesa. Sem mais! Alguém de jure ? (expressão em latim de uso no Direito, que significa: opõe-se ao fato).

11 de maio de 2014

Sobre mães

Tem objetos e falas que são típicos de mães, sejam brasileiras, espanholas, americanas ou africanas. E fazendo pareja com as igualdades, estão as diferenças de estilo, gosto, tempo e personalidade. E cada um tem aquela brincadeira, brinquedo, paninho, toalha, acessório, comidinha, aquela coisinha que é parte de sua história e que remete diretamente a essa figura tão ligada a cada um. Tem quem não tenha tido mãe de sangue presente, ou tenha tido prematuramente ausente, tem quem teve mais de uma mãe e em todos os casos algo sempre fica, cercado de referências e sentimentos.
Eu repito por gosto e por diversão frases clássicas de minha mãe e pontuo as muitas coisas que são a cara dela, cada vez que vejo. E isso, saiba ela ou não, representa o valor que dou a ela, a presença dela em mim e no que me cerca e nessa prática tão simples e as vezes involuntária, creio reside amor, gratidão, homenagem, mais que em um buquê de flores gigante, uma joia, um jantar e essas coisas que tem seu valor, seu sabor, seu papel, mas que não chegam perto dos desenhos que fiz para ela de dia das mães quando pensava que sabia desenhar.
O chamar: mama, de Zaion para minha irmã Kátia é presente e som de se ouvir como melodia para toda vida. Paulinho, meu filho, que nas horas de porre ou de alegria extrema queria a mim e mais ninguém, as primeiras muitas coisas que vi e que assim sendo, ainda que ele não saiba ou reconheça agora a dimensão que tem, sei, sou sua arca.
Tem uma frase de iniciação para momentos em que fazemos besteiras e desejamos não ter feito, que para mim tem o som da voz de Dona Conchita a cada vez que falo: "Andava Deus comigo se..." e uma exclamação usada para quando se pratica o venha nós ao vosso reino nada: "E eu que parta um raio!". É clássico também, quando ela anda seja por uma praça cheia de flores, diante de vitrines de lojas ou para diante da tela do computador para ver seleções de bordadinhos, artesanices, bichinhos, crianças ou qualquer coisa tchuc-tchuc: Oh! Ah! Que lindo! Olha! com entonação e cara de encantamento de criança. Tem ainda o sobrenatural que ela vê em barulhos, ao ouvir coisas que só ela ouve (como o barulho dos cupins roendo a madeira do assoalho), ao ver coisas onde não tem (um bicho no que é uma folha no chão ou um buraco na parede), o desaparecer de papéis e objetos diversos que ela mesmo perde ou guarda tão guardados que não acha e jura ser misterioso, espiritual, inexplicável o desaparecimento.
Memórias e relatos sobre o meu doce de mãe a parte, brinde de coca-cola por minha avô Maria que sempre foi roxinha, pretinha para ser mais exata, por coca-cola e um doce ao gosto de cada mãe que por aqui passar, chá com torradas ou uma cervejinha para relaxar, abraços, beijos, fotos, puxões de orelha nas que estão precisando, passeios, colo e tudo que for carinho, reconhecimento e gratidão pela dedicação que só elas tem.

9 de maio de 2014

"Nem a juventude sabe o que pode
Nem a velhice pode o que sabe"
José Saramago em A Caverna
Por uma (várias é o ideal) sexta-feira de super-poderes e saberes
De brisa boa, do vento ou por dentro

8 de maio de 2014

Adulta criança, pode ser?

"A vida pode ser mais leve, mais lúdica
Se eu não brincasse, enlouqueceria
Não posso, nem sei
Ser essa imagem que tanta gente congelou a respeito do que é ser adulto
Passo longe desse freezer
Quero o calor da vida
Quero o sonho e a realidade melhor que ele puder gerar
Quero alguma inocência que não seja maculada
Quero descobrir coisas que não suspeito existirem
E que para minha surpresa, têm significado para o meu coração
Adulta, quero caminhar de mãos dadas vida afora com a criança que me habita
Curiosa, arteira, espontânea"
Ana Jácomo e eu
E você?

7 de maio de 2014

Campanha dê a vez

Resolvi ser Embaixadora dessa campanha lançada aqui em primeira mão, porque esse pronome de tratamento: Embaixadora, tem um poder e um quê de realeza e não sei se um dia me chamarão para ser de alguma coisa, ai resolvi me intitular. A plataforma é a conexão que impera no momento presente, comum a avós, pais, filhos e netos que usam o celular para vídeos e aplicativos diversos, redes sociais de fotos, papos e em alguns casos para fazer ligações e receber. O que não é muito comum é a tecnologia do aparelho, a velocidade de conexão, a habilidade com acesso ao sinal de wifi público ou privado e tempo disponível de muitos dos mais velhos.
Então eis-me aqui para propor o projeto doméstico, familiar, escolar, pessoal e coletivo para o empréstimo de celular, também por dar a vez no computador, tablet e afins a pais, tios, avós. Para que as crianças e adolescentes ensinem as coisas com candura, que não criem uma conta para nós e usem, mecham, publiquem, comentem. O incentivo vale, o primeiro empurrãozinho ou atualizações vez ou outra, mas a coparticipação vale ainda mais. E não vale disfarçar, nem fazer bico, é bem assim que é o comportamentozinho de geral!
Nada de mãe compre o seu, de vó você não sabe e não tenho paciência de te explicar, de agora é minha vez (uma vez que agora é o tempo todo). Também, meninada de plantão, não só esperem as suas mães, tias, vós, vôs, amigos pedirem ajuda ou pedirem para usar seu celular ou outro objeto qualquer, ofereça. Muito chique ser gentil e desapegado!
No prédio onde eu morava, pouca gente tinha bicicleta e ai lembro bem de ter ouvido e falado muitas vezes: - Me dá uma volta? e também - Quer uma volta? E uma volta podia ser várias ou longas ou um ir e vir rapidinho que já valia, como já vale um tome aqui e publique algo, tire foto se quiser, comente no post novo daquela sua amiga que vi hoje. (adolescentes e adultos conectados veem tudo e dividem pouco tudo que veem, fala sério, desperdício isso, economia de compartilhamento verbal).
Por mais: - Filho me empresta o celular! (para não ouvir que não emprestam porque você não pede e eles estarem certos) - Neto amado, você deixa eu usar o computador uma meia horinha! - Filho preciso do computador para pagar uma conta! Por inéditos, constantes, simpáticos e contagiantes: - Mãe quer o celular? - Pai você não posta foto no seu instagram a quanto tempo? Posta uma nova! - Vô você tem publicado suas fotos no seu blog? - Vó, você tem comentado nos blogs de suas amigas? - Quer ajuda! - Quer usar meu computador que é mais rápido? - Mãe, tira foto disso aqui! - Tia você sabe fazer isso no seu Whats app? - Tio você tem coisinhas para mandar para seus amigos? - Vou te mandar umas coisas legais! 
#emprestar e vamos lá, ai, aqui, dar a vez e dividir, pais e mestres, tios, tias e avós, crianças e aborrecentes, repassem a quem é fominha, ou não é, mas tá ficando, ou conheeece alguém que é, mas não é para fazer como de praxe hoje em dia, curtir, comentar e não praticar, o olho cibernético escondido no inconsciente e reitor das benfeitorias fica de olho e soa alarme, se o seu não soar, veja isso, tem algo com defeito, um bug, uma pane na sua caixola e isso passa para o coração e apodrece ele, cuidado que assistência técnica de  má administração e partilha de coração ainda não existe não :)

6 de maio de 2014

Serendemplice

Fonte da imagem e história: aqui
Serendipity ou happy accidents, em bom (e complicado ainda assim) português: serendipidade, é a aptidão para descobrir coisas agradáveis por acaso. Aprendi essa palavrinha com a amiga Ana Paula e descobri sem querer uma história bem legal, que vou contar começando com uma pergunta: O que fazer quando seu sentimento de gratidão por algo é tão grande que você precisar compartilhá-lo? 
Um brasileiro chamado Lucas Jatobá, morando em Sydney, na Austrália, resolveu dar 30 presentes para 30 desconhecidos que encontrasse na rua. O resultado? Reações de surpresa, carinho, presentes além dos pacotes, na vida das pessoas que ganharam os embrulhos e na das muitas que passaram em volta, um acorda Alice, um que de humano, uma onda de afeto gratuito, amizades nascidas ali, admiração, contagiação.
Ele ganhou sorrisos, abraços, bons desejos, presentes que não se embrulham e que se desembrulham nele todo dia. Imitar é uma dica, não precisam ser no dia de seu aniversário, pode ser no dia das crianças, no Natal. Não precisam ser muitos presentes, pode ser um presente só, alguma coisa fútil ou útil. É só dar a alguém na rua dizendo ou não o porquê, colhendo de uma forma ou de outra a recompensa, agradecendo por ter recebido de presente da vida essa e outras tantas oportunidades ao acaso e conscientes de expressar e semear sensibilidade.

5 de maio de 2014

Sobre diminutas grandezas

Marcílio Godoi de quem já falei aqui algumas vezes, além de poeta e palavrista é arquiteto e jornalista com textos na Coluna "O português é uma figura", da Revista Língua Portuguesa dentre outras escrivinhanças. Estou com um rascunho de uma resenha sobre seu livro: Ingrid uma história de exílios, que não ato nem desato e eis que ganho de presente de aniversário mês passado, da amiga Ana Paula, o livrinho: A Inacreditável História do Diminuto Senhor Minúsculo, obra ganhadora do Prêmio Barco a vapor de 2012, que a categoria é infantil, mas para mim tem cheirinho de vapor de leite fervendo, recomendado para todas as idades. Livros para crianças também são para adultos eu creio e eu que sou uma criança grande então, me perco e me encontro.
O teclado, segundo Sr. Minúsculo é palavra em pó, amei essa frase e definição e toda a imaginativa criação e aprontação desse diminuto ser que vive dentro de uma velha máquina de escrever e dá vida, graça e garbo às palavras datilografadas pelo seu criador. 
Personagem, histórias, detalhes, recadinhos, parênteses, resignificâncias. Uma leitura ímpar! As ilustrações são um capítulo a parte, além de nas entrelinhas haver um aceno a já tão tecnológica e hoje poética máquina de escrever, o alcance da simplicidade, a comunicação como essência e não os meios.
O tal senhorzinho palavresco e arteiro não se deu bem com as novas tecnologias e decidiu ser vintage e depois de conhecer ele, que defino como um mix de Visconde de Sabugosa com o Saci, desconfio ser o dito parente bem próximo de algum Sr. ou Sra. que vive no tal errador de palavras que tem no meu celular. Ah se eu pego essa criaturinha!
Divagações e recomendação de leitura feitas, meus aplausos ao escritor e desejo de que crianças, adultos e idosos nunca fiquem sem saber o que foi um máquina de datilografar, eu fiz até curso (entregando minha idade avançada). Que não deixem de usar lápis, papel, giz de cera, cola, lantejoulas, glitter, clips, grampos. Que vivam, aprendam, ensinem, além telas. Computador segundo minha sogra em sua simplicidade e sabedoria que não imagina ter, faz mal, tv demais atrofia o cérebro digo a meu filho desde pequeno, que hoje adolescente e conectado não me ouve e nem por isso deixo de dizer, deixo de lhe dar livros, papel, lápis, canetas, folhas secas e pedrinhas que cato no chão.

2 de maio de 2014

Sabores, memórias e histórias

Leite derramado já é uma expressão que não comunica em sentido e visualização para a nova geração. Quem ainda ferve leite levante o dedo! E quem ferve, que criança ou adolescente está perto nessa hora ou presta atenção ao mundo ao redor quando não está no celular, diante da tv ou de games? Poucos! Aqui, consumimos leite em pó para o café e eu para regar bananas e abacates amassados com chuvinha de açúcar por cima. Para beber purinho uso os de caixa. Bebo geladinho sem açúcar, morninho com mel e canela para acalmar na hora de dormir, vale também fervido com canela e açúcar mascavo e batido no liquidificador até espumar. 
Lembro como se fosse hoje de ir ao mercado e na geladeira onde ficam manteiga e iogurtes, embaixo, estatrem lá uns sobre os outros, sacos de leite. Em época de racionamento tinha que se chegar cedo e ir de galera para cada um ir para fila com um pacote e nem notícia da marca favorita de meu avô: Catui, já meu pai gostava do Alimba. O leite era fervido assim que chegava em casa, levado com cuidado para não estourar no meio do caminho e não era permitido demorar papeando com ele dentro do saco ao sol para não talhar. 
Para para ferver, não ficar olhando para não demorar e não tirar o olho para não entornar e uma panelinha específica, as simpáticas e charmosas leiteiras (comuns, as de apito nunca vi, só ouvi falar) ou umas esmaltadas muito usadas para fazer papinha de bebes e ferver bicos. Branquinhas geralmente (por sinal comprei uma dia desses, desejo vintage), ou qualquer cacinho (panela pequena na linguagem de minha avó) com ou sem cabo, velha de preferência. A nata eu já contei aqui, aprendi na casa de minha Tia Nélia, a colocar em cima do biscoito Cream cracker como cobertura. Em casa, adicionava um toque especial, salpicava açúcar por cima. Hummmm!!! Gostinho de infância.
Leite com Nescau ou Ovomaltine, batido no liquidificador com pedrinhas de gelo também é de meu gosto e nos tempos de escola ia na garrafa plástica na lancheira ou térmica o leite com achocolatado batido a mão mesmo e sem açúcar de preferência. Em casa na hora do lanche, pão fatia com queijo dentro e chocolate quente era o paraíso das delícias. O tal chocolate era mexido sem parar no fogo: leite, achocolatado e uma colher de maisena para engrossar, sem a tensão do ponto do brigadeiro e sem a doçura para mim exagerada do leite condensado. Para o preparo geral usava o famoso chocolate da caixa dos padres, com receitas no verso recortadas e guardadas até hoje por minha mãe, assim como as do papel do leite condensado. Fazer, ela não faz nem 10% do que recorta e guarda, mas colecionar é com ela mesma (risos). 
Aprendi com ela a fazer mingau com leite, uma gema de ovo e uma colher de maisena, espalhado no prato e salpicado de canela em pó. Adoro! E também adoro leite com sucrilhos, com granola e nessa minha viagem pasteurizada, descobri que tomei toda vida e sirvo, leite batizado. É que sempre se misturou na casa de minha avó e mãe e sigo misturando o leite em pó com um tantinho de água antes de adicionar o café, confesso que quando pequena fazia a mistura e comia, sem adicionar café nenhum e chamava de creminho. Tinha uma xícara azul plástica pequena, tipo para cafezinho que era a habitual para meus creminhos das cinco. Esse leite usado para acompanhar o café, quando misturado com água é o que os franceses chamam de leite “cristão”, pois  foi batizado com água. Cada coisa!  Vou aqui beber um copo de leite e limpar devidamente o bigode. Boa, benta e saudável sexta!

1 de maio de 2014

Comer, ler, escrever...

Foto de Dinah Fried, do livro: Fictitious Dishes
Tenho visto, de um tempo para cá, muitos livros e crônicas que falam de comidas associadas a sentimentos, vivências, memórias. Eu mesmo publiquei algumas coisas aqui, escritas por mim, que ganharam tempero especial após eu ganhar o livro de receitas de Dona Etelvina, ver aqui. E ai, mais um tipo de literatura pela qual tenho me interessado e que tenho colocado títulos em minha lista de desejos. Para desejar junto, seguem breves resenhas, uma é do livro: Fictitious Dishes: An Album of Literature’s Most Memorable Meals (em tradução livre: Pratos ficcionais: um álbum das refeições mais memoráveis da literatura), a outra do livro: Comidinhas de Rua, que pelo diminutivo comidinhas já me ganhou, pois adoro falar diminutivos e comidinhas em particular me lembra fazer comidas com folhas, pedrinhas e água nas panelinhas de minha infância.
O estrangeiro é da designer e diretora de arte Dinah Fried, que produziu e fotografou pratos citados em livros como Alice no País das Maravilhas (retrato que ilustra o post) e O Apanhador no Campo de Centeio, a obra foi publicada pela Harper Collins. Mais no site da autora.
O das comidinhas, além do diminutivinho me pegou de jeito por ser de belisquetes de rua, sou do pastel ao acarajé, passando por churrasquinhos com farofa, milho e amendoim cozido, caldo de cana com abacaxi e tudo que é popular. Adoro! E o que não conheço faço questão de provar. Tenho um certo parâmetro de limpeza e asseio para comida e quem vende, mas sem neuroses, acho até que pretume de assadeira, tacho, panela velha, vento da rua, papel de embrulho de má qualidade (daqueles com cheiro de padaria das antigas), faca que corta a cebola e depois a cocada, dão um toque de gourmet aos pratos. O livro é de autoria de Tom Kime, pela Publifolha. O mesmo autor publicou outro chamado: Comidinhas orientais e eu outro dia confessei via Instagram que sou uma baiana com dendê e pimenta, filha de espanhóis, louca por italianices e doçurinhas portuguesas e com apetite oriental insaciável. E sou mesmo! Tem quem pergunta ou só pensa para onde vai essa comida toda. Acho que para língua e para os dedos pois falo feito a nega do leite. Falando em leite, amanhã tem leite aqui, é que tô nessa de culinarices, leituras e escritas sobre o assunto, causar desejos (nos outros e em mim) e provocar papos e reflexões poético alimentares. Um brinde a maio! Saboreemos cada dia, muita leitura, candura, carinho e cantos de passarinhos.