30 de junho de 2014

"Quanto mais você lê
Mais coisas você conhece
Quanto mais você aprende
A mais lugares você vai"
Diz uma frase de um quadro que recebi a imagem por e-mail
Enviada por meu irmão para eu trazer aqui para o blog
Completo, estando ele viajando, como de costume
E eu voltando de uma pequena viagem
Que a quanto a mais lugares você vai
Mais você aprende e conhece
Bye junho e que venha julho
Boas leituras, filmes, escutatórias
Observação do mundo ao nosso redor
Boas viagens para perto ou longe
Por fora e por dentro
Para começar o mês de julho e para todos os dias
Com jura ou ao sabor do vento

29 de junho de 2014

São Pedro, porteiro oficial do portões celestiais, tem seu dia celebrado com festa junina por todo o nordeste no dia de hoje. O apóstolo e exímio pescador, cativa seus devotos pela história pessoal tão humana, pelo perdão recebido, origem humilde, e porque foi o primeiro Papa.
Por sua relação com a pesca o santo é patrono dos pescadores, festejado com a realização de grandes procissões marítimas em várias cidades do Brasil. Em terra, os fogos e o pau-de-sebo são as principais atrações de sua festa.
Depois de sua morte, São Pedro, segundo a tradição católica, foi nomeado chaveiro do céu. Assim, para entrar no paraíso, é necessário que o santo abra suas portas. Também lhe é atribuída a responsabilidade de fazer chover.
Como esse ano, conforme eu já contei aqui é de Santa Bárbara e eles regem as trovoadas, esse ano eles são meus queridinhos, sempre presentes em orações, pedidos e agradecimentos. Vale a popularice de que quando começa a trovejar ser costume acalmar as crianças, dizendo: "Tenha medo não! Esse barulho é São Pedro mudando os móveis de lugar". 
Dentre as tradições do dia de São Pedro, uma é quem tem esse nome, tem a tarefa de acender fogueira na porta casa e outra, que descobri esse ano e adorei, é que se alguém amarrar uma fita no braço algum Pedro, ele tem que dar um presente a pessoa, ou pagar um lanche, uma bebida. Amarre a fita e conte da tradição depois, fica a dica. Viva São Pedro! Viva a cultura popular! Viva as festas juninas!

28 de junho de 2014





“Junho...mês de milho, festivo sonoro, inesquecível, da humilde pipoca ao bolo artístico. Junho, no Império dos Incas, era a ‘Páscoa do Sol’, Inti-Raymi, colheita do milho dominador" Luís da Câmara Cascudo, em "História da Alimentação no Brasil". 
Essa estrela das festas junina é um queridinho meu, cozido, assado, biscoitinhos, sorvete, bolo, pão. canjica, mingau, lêlê, pamonha. O milho está presente desde as cantorias juninas à culinária e decoração. Conhecida como curau, além nordeste onde o que chamamos de mugunzá é a canjica, a canjica, como é chamada aqui no nordeste é feita de milho verde, leite, leite de coco e açúcar. Em ponto de comer de colher ou para cortar em fatias, #amo.
As laranjas também, descascadas em espiral e cortadas ao meio para serem chupadas, em bolos, suco, licor. E o bom e irresistível amendoim cozido, que abrimos e comemos em quantidade e ligeireza de esquilos. Outra estrela alumiante a dançante da festa é a presença colorida das bandeirolas e balões e das emblemáticas, imponentes e quentinhas fogueiras. Imagens, descrições e junices compartilhadas, reparto meu carinho com os amigos passantes, saudação a geral e desejação de um bão sabadão

27 de junho de 2014

Pinhão, cogumelos e elos

Alimentos tem gostos, cores, formas e também memórias e histórias. Muitos, nem imaginamos existir ou um dia provar. Uma amiga com nome e família de flor me perguntou se eu queria pinhão, mandado via correio, de Amparo. Ai, me veio a constatação de não fazer a menor ideia do que era esse tal pinhão, de consumo típico no inverno, segundo ela. Então, como experimentação e com sinceridade e curiosidade que são comigo mesma, disse a ela não saber o que era, nem o gosto que tinha, mas que queria sim. E lá fui eu de antemão pesquisar e descobri que é dos gostos e comilanças das temperaturas baixas, como chocolate quente, fondue e sopas fumegantes.
Descobri também que o dito são as sementes de araucária que embelezam e dão sabor ao outono, bem que o livro da irmã dessa minha amiga, chamado cores de outono, tem cheiros e sensações encarnados nas páginas, ora, ela comeu a vida toda pinhão, pensei cá com meu calor e cores de verão da Bahia.
Mas qual é o melhor jeito de comer pinhão? Varia o costume de lugar para lugar e entre as famílias, foi o que assuntei, enquanto aguei a espera do prometido. Vale pinhão na chapa do fogão a lenha, pinhão cozido e uma tal de sapecada de pinhão, que como já sou bem sapeca, não arrisquei ver a receita. Cozido com uma folha de louro na panela de pressão, tipo castanha portuguesa foi minha opção.
Com a valorização da cultura e consumo da semente, muitas festas regionais têm acontecido e com elas novas receitas elaboradas e mais gente provando e aprovando o pinhão. Quem ai conhecia, viu, comeu ou ouviu falar do tal? Vou trazer fotos dos meus outro dia para pegar pelo estômago quem ler esse post e quem perder.
E quem leu até aqui deve estar se perguntando o que os cogumelos tem a ver com pinhão, eu explico. Junto com o prometido pinhão, vieram folhas de outono, raminho de alfazema deliciosamente perfumado, folhas para chá e costurices, dentre elas, uma bolsinha de tecidos azuis com o bordado de um cogumelo que descobri lendo lá no blog da costureira fada e amiga Camomila Rosa, serem parte de sua imaginação quando criança. Clica aqui para ver e saber.
E eis que passeando na minha pausa junina, avistei esses cogumelos e fotografei para o post e para ela, como sintonia, com gratidão, carinho e desejo de sabores e amor em nossas panelas, flores nas janelas, amizade, chazinho de canela, pipoca na tigela e uma sexta feira divertida, benta e bela.

26 de junho de 2014

Dos refinos

Mosaico que fotografei na Costa do Sauípe
Complexo hoteleiro aqui em Salvador
E que marido tirou uma foto minha no miolinho da grande flor
(Foi sem querer que rimou)
“Não é bastante não ser cego, para ver as árvores e as flores”, concordo com Alberto Caeiro. E dentro dessa percepção, para mim não é bastante publicar um livro, seja o único ou primeiro de muitos, tenha muitas ou poucas vendas, resenhas, críticas ou elogios. Isso tudo é muito importante, motivante, uma realização, mas tem detalhinhos do tipo ter a cara que imagino, com refinos que vão do tipo do papel, cores, possibilidade de aroma talvez e o nome da Editora.
Não o nome como ter nome de peso, mas o nome mesmo. Já fiz bico pelo nome nada simpático ou apático de algumas editoras que pensei em orçar a publicação, assim como sorri e pisquei o olho ao ver o nome de outras e imaginar meu livro publicado por elas, através da relação do nome comigo, meus bem-quereres, minhas crônicas, que transita sintonia ou um que de incrível, de poesia impressa desde a capa, ciente de que essa relação por certo não será percebida por muitos. 
Quero algo como esse livrinho caixinha de fósforos que divulguei aqui ontem, um mix de livro e objeto, adornado de muita criatividade. Uma grande sacada! E eis que uma amiga já publicadora de sua primeira obra, me manda uma crônica do grande Ruy Castro, que vale clicar aqui para ler e comentar e que completa meu sentir e explicar.

25 de junho de 2014

Dois palitos

O dois na foto era minha aposta no jogo do Brasil dessa segunda
Mas trouxe tipo gesto adolescentesco, surfista, funkeiro
Típico em fotos
E pelo título 2 palitos, que já já explico

"Ó minha pátria amada, idolatrada
Um salve à nossa nação
E através dessa canção
Hoje posso fazer minha declaração

Entre house de boy, beco e vielas
Jogando bola dentro da favela
Pro menor não tem coisa melhor
E a menina que sonha em ser uma atriz de novela

A rua é nossa e eu sempre fui dela
Desde descalço gastando canela
Hoje no asfalto de toda São Paulo
De nave do ano, tô na passarela

Na chuva, no frio, no calor
No samba, no rap e tambor
As mãos pro céu igual ao meu redentor
Agradeço ao nosso Senhor"

Após o habitual horário matinal, no clima da bagunça de nossos horários por conta da Copa, blogando tipo dois palitos, expressão que significa rapidinho, de origem paulistana, que aprendi ontem pesquisando o que diz Mc Guime na canção País no futebol.
Trouxe o trechinho da letra que achei bem legal ( os dois palitos é em outro trecho, o que Emicida canta) e trarei outras expressões pitorescas de Sampa, descobertas de lambuja (tipo chorinho, extra). E como eu sou curiosa, acabei por achar um livrinho muito criativo chamado nada menos que: "Dois palitos", que já comprei o meu e trouxe o link do criador com riscadinhas para vocês, clica aqui (clica mesmo e clica lá). 
Trouxe também o link (aqui) do site para aquisição, além de uma breve descrição dessa caixinha de iluminices. Para introduzir, seguem respostas tipo bate-bola do criador em entrevista sobre sua criação:

"Ganha a vida como: Tendo idéias
Uma realização: publicar meus livros
Um sonho: conversar com o Leminski lá em cima
Texto bom é texto….que fala contigo
Personagem literário inesquecível: A Dama do Lotação, ainda cruzo com ela
Um autor: Roberto Bolaño
Um livro: O estranho caso do cachorro morto [de Mark Haddon]
Literatura pra quê? Para reinventar a vida"

Samir Mesquita, natural de Curitiba, em poucas palavras e algumas tiragens criou um dos livros mais vendidos na Livraria da Vila. O livro com cara de caixinha de fósforos é uma coletânea de 50 micro-contos, cada um com até 50 caracteres, de várias temáticas. Segundo o escritor o insight se deu em uma oficina literária em que o primeiro exercício era fazer um micro-conto e no montante de muitos, ele teve a lembrança sintônica da expressão “dois palitos”. 
Além do designer e dos contos rapidinhos, desde a ideia até a produção gráfica foram dois meses, deve ser forte concorrente na categoria livro mais rápido do mundo. Adorei! De cara! Meus aplausos e divulgação, sem ganhar nada por ela, torcendo para que ele e outros tantas pessoas criativas ganhem reconhecimento e dinheiro com suas criações e quem as adquire ganhe pelas formas, bordas e conteúdo.

23 de junho de 2014

Dia e noite
Sol e lua
Calor e frio
Branco e preto
Meninos e meninas
A oposição dos contrários é instigante
Remete a indagação do que seria de um sem o outro
E a constatação da completude que os opostos significam
Para dar as caras
Entre postar e não postar
Se conectar e desconectar-se
E dos dias cotidianos aos passeios
Do de sempre e novidades
De bandeirolas e bandeira verde amarela
Trarei cronicalices e poetices
Para hoje post´s passado sobre Jão
Aqui, aqui, e aqui
Para ler, reler, comentar, remendar comentários
Compartilhar, brindar com licor
Uma mão de traques de massa jogados de uma só vez no asfalto
Cores, estampas e tradições juninas
Luz de fogueira, de gente e divinas
Amém!

18 de junho de 2014

Dos dilemas

Eu esses dias estive num dilema danado
Se só postava depois da copa
Se vinha fazer posts juninos
Se curtia essa pausa de blogar e visitar os blogs amigos
Ou se alimentava o lado da falta, do costume e da saudade
Além da responsabilidade e gratidão pelos pedidos de post
Adoro essa parte!
E eis que ontem fui ver o pop filme baseado no livro
"A culpa é das estrelas"
Com minha celestial sobrinha fã
E entre risos, lanches, selfies e tudo mais antes do filme
E as lágrimas depois
Confesso adolescentemente que gostei
Da história de amor
De pais, filhos, de Anne Frank
Idealizações que fazemos de escritores e histórias
Pessoas, lugares
E o calvário que é o câncer 
Ainda mais na turbulência que é a adolescência
Da referencia ao mito de Sizifo
Da referecia as mensagens póstumas e funerais que são para os que ficam
Um tal filosófico Dilema do bonde
Que eu nunca tinha ouvido falar e assim, que cheguei em casa fui pesquisar
Em resumo o dilema entre razão e emoção
Que acomete a qualquer mortal
E eu trouxe para dividir com vocês
O dilema proposto para reflexão é o seguinte: Você está a bordo de um bonde descontrolado, que matará cinco pessoas que se encontram amarradas. Existe, contudo, outra possibilidade: puxar uma alavanca e desviar o bonde para um trilho lateral, onde encontra-se amarrado um único indivíduo. O que você faria ?
A maioria acha moralmente correto matar apenas uma pessoa, ao invés de cinco. Agora mudemos o cenário: Você está atravessando sobre a linha férrea e próximo a você está um homem atrapalhando o acesso a uma alavanca que impedirá o trem de matar as 5 pessoas amarradas ao trilho. Você poderá deixar o trem seguir adiante ou empurrar o homem empacado a frente da alavanca sobre os trilhos, que deterá o trem e salvará as cinco vidas. Você jogaria o homem na rota do trem?
A maioria das pessoa pensa muito e a reflexão movida pela razão é que há pouca diferença entre os dois cenários, do ponto de vista matemático: em ambos os casos uma pessoa morre para salvar cinco. Seria de se esperar que as pessoas fizessem um julgamento moral e respondessem da mesma maneira aos dois cenários. Mas isso está muito longe da realidade. 
Muitas pessoas respondem que é mais instintivo o primeiro caso, que são muito diferentes os casos, ou que não sabem explicar.
Na vida cotidiana temos comportamentos diferentes para casos assim, bem iguais, somos bastante incoerentes e da reflexão de algo assim, tão grande, levado para as situações menores, podemos moldar nossos gestos, buscar equilibrar razão e emoção e no íntimo sabermos que dilemas são parte de nós.

11 de junho de 2014

Além dos estádios

Foto de Marcílio Godoi
Quem viu na época, ou depois, as imagens da Seleção de futebol brasileira no Haiti, não a partida, mas a chegada ao país, os jogadores pelas ruas, os depoimentos dos haitianos, a pobreza adornada de sorrisos e desprendimento com luxo, regras da Fifa, camisas oficiais ostentadas no lombo, se importar com o resultado contra de 6x0, viu mais que competição, atividade física, viu ainda que não tenha a paixão nacional, uma emanação de energia. E não foi por idolatria, não é só idolatria. É diversão, sonho e trabalho para um dia terem uma seleção como a nossa, como se sonha ter uma de basquete como a dos americanos ou correr como os quenianos.
Para os haitianos e para tantos outros povos, com o poder da comunicação global e informatizada em pareja com o boca a boca, os mitos e lendas mortas e vivas de um esporte tão vibrante dentro e fora de campo são um baú de histórias e sonhos. Para essas pessoas, acreditar que acreditar muda o jogo é de nascença, eles acreditam que acreditar pode mudar suas vidas, acreditar é de graça, acreditar alimenta a alma e assossega o corpo, para essas pessoas vibrar com um gol é alegria de sobra, para elas não precisaria toda uma produção, eles tem bem menos do que o muito pouco que vamos oferecer.
Para seleção da Bósnia, por exemplo, estar na copa e ser aqui, é uma glória e nenhuma manifestação ou mal acabamento de assentos, serviços de transporte ou hospedagem por pior que sejam é como o que viveram e vivem eles em seu país de origem
Acho que não é certo se gastar o que se gastou com a copa, muito dinheiro superfaturado e mal gerido, com saúde, educação e segurança pública precisando de verbas e atenção, não sei dos acordos dessa verba toda, dos meios e possibilidades de tal aporte ser investido no que se precisa. Prefiro pensar, já que nada posso mudar, no princípio econômico de que capital gera capital e desejo que pelas beiradas de uma forma ou de outra o evento traga benfeitorias aos médios e pequenos comerciantes e alegria e satisfação aos pequenos brasileiros que nada entendem de política e problemas sociais. Que se alimentem de sonhos, torcida e patriotismo para quem sabe no futuro mudarem o jogo.
O que não foi e não for bem feito, as faltas e falhas, que seja como em churrascos na laje para 10 pessoas que vão 100, ninguém come, bebesse menos que se deseja, conversasse muito, não há espaço, todo mundo fala mal depois, mas na hora todo mundo se diverte.
Sentida por não ser acessível ir ver os jogos para grande maioria, eu não investi nessa extravagância e venho apesar de achar lindo o espetáculo criando uma postura retraída atrelada a política e ao circo da mídia. Uma cobertura exagerada, massante, de pouca imparcialidade no que tange ser um evento de todo o mundo e não nosso, um que de exibição, falação demasiada e a observação de que saindo tudo bem parece que o governo trabalhou direitinho e isso será usado nas eleições como moeda de troca por votos.
Temo pela violência que vai pegar carona nas brechas. E esse, vale pontuar é um problema social e não um problema da copa, assim como não é um problema a loucura do brasileiro por futebol e sim o questionamento do porque tanta gente é louca por futebol, que tem explicações poéticas, históricas e sócio-econômicas.
Ama-se futebol pois é tradição, porque bola para chutar dá pra ser uma tampinha, papel amassado, meias e todo menino é um rei com uma bola no pé. Porque é cultural, como é cultural outros esportes em outros lugares, que reverenciam e valorizam o que lhe é próprio. Ama-se pois é porta para sair da pobreza e tirar a família do morro para um bairro nobre, upgrade de pão com ovo para lagosta.
Para muitas pessoas, vir ao Brasil é como ir a Meca da bola, que rola nas ruas e nos grandes estádios mundo a fora, onde os olhos brilham, os dribles encantam, os famosos e anônimos, pequenos e grandes fazem acrobacias circenses, passos de balé e verdadeiras pinturas com a bola no pé. Sorrisos, ginga, comemorações, histórias de vida que pela ponta da chuteira deram um bico na pobreza e fizeram o gol dos sonhos, seus, de seus pais, de um irmão, da comunidade onde cresceram.
Tratemos bem os turistas, falemos bem de nossa pátria, nossos costumes, nossas dores eles sabem, não é a copa que vai mostrar isso a ninguém. Aproveitemos para desfazer o que faz a mídia, e desfolclorizemos nossa gente, hábitos, linguajar. Quem é de pouco a bem informado e veio para cá, sabe de nossas deficiências, quem não sabe vai descobrir, como descobrimos as mazelas aonde vamos.
Sejamos orgulhosos de nossos lugares, culinária, tesouros históricos, orgulhosos de nossos heróis, atletas, títulos, de nosso escudo de representação mundial, sejamos verde esperança em um Brasil melhor, solares em amarelo canarinho, azuis do mar, do céu e branco paz. O juiz vai apitar, que seja hexa ou não, que haja uma boa história de bola, sejam em que pés forem, para contar. Que haja no mínimo civilidade, que não hajam histórias ruins, feias e que se houverem dentro ou fora dos gramados rusgas, que Nossa Senhora Aparecida, nossa padroeira, acuda.

10 de junho de 2014

Tipinhos típicos

Imagem da internet
Criativa e encantadora arteirice
Para fazer pareja, segue lista:
Vira-casaca
Fominha
Testa de ferro
Pau para toda obra
Sabe tudo
Pasta pura
Mestre de obras prontas
Sangue de barata
Sangue bom
Boa praça
Zé povinho
Zé Mané
Almofadinha
Mequetrefe
Fulustreco
Fifi
Maria vai com as outras
Muitos nominhos locais, outros nacionais
Que listei para puxar mais nomes
E quem não souber e quiser saber o que algum quer dizer, é só perguntar
Vale também explicar 
E as atribuições de cada tipo, vale pontuar
Bem podem de lugar para lugar variar

9 de junho de 2014

Iluminices

Que as luzes que nos guiam
Seja mais fortes que as dificuldades que nos cercam
Vou da prece para descontração e relatos da vida nossa de cada dia. Do tempo em que as lâmpadas eram do tipo bujudinhas como balões de ponta cabeça enroscados aos bocais do teto ou fios de lâmpadas em festas juninas e dessa meada resolvi trazer esse objeto já tão moderno com nome robótico de luz dicroica, propriedades, modelos e durações além vida ao ouvir a notícia num telejornal de que sairão de circulação as lâmpadas de 60 whatts.
Na minha memória de iluminação está um fio com uma lâmpada comum em uma das pontas, entre as coisas de meu pai, nome da engenhoca para momentos de concertos de carro e outros concertos e necessidades de iluminação em locais escuros e sem tomadas: gambiarra. Tinha tambem umas coloridas, pequenas e pontudas usadas no presépio no natal, as de dentro da geladeira que queimavam e ele me dava enrolada em jornal para eu comprar uma nova em lojas de material de construção, onde fui muitas vezes comprar pregos, parafusos, lixas e mil e uma utilidades e inutilidades
O tempo de vida das lâmpadas eram menores e os preços também e confesso que até hoje vou comprar lâmpadas com a referência das de 60 serem mais fortes e as de 40 as mais fraquinhas e fico perdida nas novas descrições e mil e um modelos que podem caber ou não dentro do plafon, luminária, lustre. E apesar de as lâmpadas terem mudado muito em formatos, duração, consumo e preços, há algo que creio ser uma conexão entre os objetos elétricos e eletrônicos, que não muda.
Sejam antigas ou novas, as lâmpadas e eletrodomésticos e eletrônicos em geral ou partes mecânicas e elétricas de carros, parecem ter uma ligação entre si. Algo acontece, que nem ciência, nem Freud explicam, que quando uma coisa pifa, outras pifam junto, uma atrás da outra feito dominó enfileirado. Sério isso! Uma lâmpada, depois outra, ai o ventilador, a torradeira.
No caso específico das lâmpadas quem ai confessa que quando aperta o interruptor e a luz não ascende entra numa de ligar e desligar trocentas vezes antes de entender que queimou e tem que trocar? E quem ai tem lâmpadas reservas, resistências de chuveiro reservas? Vou fazer que nem criança exibida: - Eu tenho! E também tenho sempre velas numa caixinha, que servem além de para faltas de luz, para decorar, exalar cheirinho de cera que eu adoro, para espantar os maus espíritos, fazer pedidos, prece, oração, para as imagens dos nosso altares se sentirem aquecidas e queridas.
Chega de papo, vamos que vamos e que tenhamos uma semana iluminada, com bençãos, energia, paz e bem, por dentro, por fora e além. Amém!

6 de junho de 2014

Partes de mim

Parte de mim é todo mundo
Outra parte é um punhado seleto de gente
Sou pedra e borboleta
Sou acertos certeiros
E erros corriqueiros
Sou multidão
E também sou solidão
Parte de mim pensa, pondera, planeja
Parte vai, fala, faz, delira
Sou de coisas 
Hábitos e gostos permanentes
Mas também de repentes
Sou do velho e do novo
De simplicidades e luxinhos
Parte de mim é grão outra parte passarinho

5 de junho de 2014

Coisas de junho

Anavantu! Anarriê! Para quem não sabe, querem dizer esses palavrês juninos: ir pra frente e voltar para trás; Francesa a origem desses clássicos comandos de quadrilhas juninas, que esse mês eu já dancei mais meu par, com direito aos cavalheiros cumprimentarem as damas, paquera, túnel, trenzinho em circulo, olha a chuva e olha a cobra. Foi num espaço que não dava nem para dar 5 passos: uns 5 casais, um cantor sanfoneiro, improvisação e diversão num encontro de amigos. 
Comecei junho dizendo por aqui do meu apreço pelos festejos juninos, seus aromas, sabores, sons e tradições, sobre os quais em junhos passados eu já devo também ter proseado e falado de João, muito de Toinho, de comidinhas e de histórias minhas, tudo ao alcance de cliques nos posts antigos, na barra lateral do blog. Sintam-se a vontade! Amigos repetem histórias nas muitas resenhas e vivências das datas comemorativas, causo eu me repetir nas prosas, já tá explicado.
Já comecei a conferir aqui no armário se tem canela em pó, em pau e cravo, procurei caixinha de canjiquinha São Braz no mercado e venho espiando nas vitrines das padarias se já tem canjica de milho verde. Na combinação de amigos para ver o primeiro jogo da copa, para mim nenhuma precisão de churrasco ou bebidas, tendo amendoim para mim já tá de bom tamanho.
Correntes de papel, fiz muitas no colégio, no prédio onde eu morava, em casa e casas alheias com papeis estampados como esses, lisos, com jornal, páginas de revistinhas ou revistas de propaganda de supermercado. Tirinhas cortadas do mesmo tamanho e largura, aros feitos e fechados uns presos aos outros com cola ou grampos. Bandeirolas também já fiz muitas, com os mesmos materiais e também com plástico de forrar livro de escola para locais abertos expostos a chuva e a mais: cordão para fazer o perfilado dos retângulos com um lado triangular para dentro ou para fora.
Fiz na escola para os arraias, laranjinhas com carinha de meninas, pintas, trancinhas, chapéu com babados nas beiradas e laços de fita e milhos com carinhas de meninos, bigode, costeleta e chapéu de palha desfiado. Fiz fogueiras desenhadas e de palitos de picolé, usando celofane vermelho e amarelo para a chama. Os barulhos de bombas e traques são música para meus ouvidos e o cheirinho também, a não ser quando bate o sono ou mau humor, que cabe e faz bem xingar: Esses...que não param de soltar bomba! Gente que queima dinheiro! Que não tem o que fazer!...rarara
Simborá junho, muita chita nas toalhas e nas meninas, babados, tranças, laços, forró, bolos e mingaus de fubá, aipim, carimã, mugunzá, quentão, licor, santos de cada dia, casaquinhos, frio e muito amor. Carimã ou puba para quem não sabe é um produto da mandioca, obtido a partir da fermentação da raiz.

4 de junho de 2014

Por leveza, voos e pousos

Essa ave com leves asas eu fotografei na minha ida a Disney
"Creio que aqueles que mais entendem de felicidade
São as borboletas e as bolhas de sabão
Eu aprendi a andar
Desde então
Passei por mim a correr
Eu aprendi a voar
Desde então
Não quero que me empurrem para mudar de lugar"
Disse Nietszche 
Eu, amo bolhas de sabão, borboletas e aves
Todos livres, leves, dançantes
Que voam e pousam
Dia desses ensinei aqui
Como fazer para que as bolhas de sabão sejam mais resistentes
Colocar um tantinho de mel é o segredo
E além de leveza doçura é outro ingrediente indispensável para felicidade
Dias assim, coração assim: leve e doce
Alma assim para sermos mais felizes

3 de junho de 2014

Do poder da palavra

A palavra, a mais antiga e extraordinária invenção da humanidade, como disse o general romano Catão, é dom de todos. Usá-la com sabedoria, é para poucos infelizmente. Penso que quem escreve é via de libertação de palavras, um garimpador e enfilerador delas e os teclados como disse o Sr. Minúsculo, são língua em pó. Que assim sejam e sejam canais de semeadura, pontes para os livros impressos, para audição e leituras de boas histórias, para a contação, admiração, percepção e descrição das artes plásticas, dança, música, culinária e todas as fonte de beleza, inspiração, cultura, saberes e sentires, que alargam horizontes por fora e por dentro.
Como sementes as palavras que dizemos e ouvimos lavram, levam, livram e também podem aprisionar, minar. As palavras são muito poderosas e por vezes não percebemos tal poder, na verdade percebemos mais ao ouvir do que ao dizer. Tem um provérbio que diz que palavras são como abelha, tem mel e ferrão, acho até que já publiquei ele por aqui.
Uma palavra que seja, ou muitas, assentam nas terras das mentes e corações férteis brotinhos de bons sentimentos ou como fel envenenam. Que escrevamos, leiamos, digamos e ouçamos palavras positivas, de afeto, palavras de perdão, de compreensão, de amor, de alegria, que o dom da palavra seja usado para o bem. Amém!

2 de junho de 2014

Sobre becos e ladeiras

Não é novidade por aqui minha candura e cisma em descobrir o porque de nomes, historinhas de expressões populares e afins. Semana passada falei de uma rua aqui de Salvador e do caldo que rendeu a busca de sua origem, arrematando com uma busca em família por um nome de uma padaria que ficava numa rua da história de minha sogra.
Na pesquisa do porque do nome, que não encontrei, achei tanta história que tenho que dividir. Tantas vezes perguntamos: Qual o nome da rua? Poucas vezes: - Porque esse nome? Fica o incentivo a pesquisa entre os mais antigos, na internet, livros, por curiosidade, por gosto, por lugares que frequentamos, lugares que mudaram de nome, lugares onde vamos a passeio, para aprendermos e ensinarmos sobre nossa cidade, estado, país e além fronteiras.
Hoje trouxe nomes e histórias de becos (adoro esse nome) e ladeiras daqui de Salvador. Garimpei os mais populares e pitorescos. Outro dia trago nomes e histórias de largos (também tenho alargada afeição por esse nome). Vou começar por um tal de Beco da agonia (#minhacara, o uso da palavra e ser agoniada...rarara), ele fica no bairro de Nazaré, onde morei da bebezice a adultice. O beco é assim chamado por causa do desaparecimento de um oratório de Senhor Bom Jesus da Agonia, que ficava em uma de suas esquinas.
Tem um, que eu nunca tinha ouvido falar: Beco da água do gasto, esse nome cumprido é devido a separação que os moradores faziam da água boa para o consumo humano e a água chamada por eles de água para o gasto, que não servia para beber. Adorei!
O beco dos barbeiros retrata a organização medieval trazida pelos portugueses, é que naquele tempo homens que exerciam uma mesma profissão, de um modo geral, moravam na mesma rua, falavam dos mesmos assuntos, divertiam-se com as mesmas coisas, tinham festas religiosas em homenagem ao padroeiro da categoria e as novas gerações raramente aprendiam outra profissão que não aquela herdada dos pais, que, por sua vez, a herdaram de seus pais. O Beco dos Calafates, se encaixa nessa mesma tradição, para quem não sabe (eu não sabia), calafates são profissionais que se ocupavam do ofício de calafetar os buracos que existiam nos cascos das embarcações marítimas, que naquele tempo eram feitas de madeira.
Beco do mingau, ah! mingau de rua, mesinha com toalha branca, donas Marias simpáticas, fumacinha fumegante, concha cheia e destreza para colocar na boca pequena do copo plástico, guardanapos para não queimar a mão das freguesas e chuva de canela por cima. Tomei muitos quando ia com minha vó para fila do INPS e nas minha idas para escola e depois para faculdade e trabalho, lá no bairro de Nazaré. De fácil hipótese para ser explicado e por isso talvez nem sequer questionada a origem, nesse beco houve, em algum período da vida da cidade, um famoso ponto de venda de mingau, essa iguaria ao meu paladar, seja de tapioca, carimã, arroz,  fubá ou mugunzá.
E como diz a canção e se pratica na andação pelas ruas daqui, entrei em beco e sai de beco e agora vou subir e descer ladeira. A penosa Ladeira do Acupe, tem nome de origem tupi, que significa: no calor. Calor faz por toda a cidade e para mim pior é na chuva. Tem uma outra chamada: Ladeira dos aflitos, que tem esse nome pela presença no local da Capela do Senhor dos Aflitos. A Ladeira do boqueirão, que é um nome que sempre achei meio feio, pesado e me atestei ignorante por ser o nome de uma santa. Essa ladeirinha fica no Santo Antônio além do Carmo, bairro que tenho candura além de pelo santo, pelas histórias de infância de marido, pela festa de largo, pelos casarios antigos e a denominação da tal ladeira , entre as ruas Direita do Santo Antônio e dos Adobes, tem sua origem na Irmandade de Nossa Senhora do Boqueirão, que existiu na Igreja de Santo Antônio.
A Ladeira do funil tem esse nome tão somente por seu traçado afunilado e acho tão sonoro esse nome e tão em desuso são os funis hoje, que trouxe ela para cá.
Tem uma tal de Ladeira da preguiça que bem é o que dá quando estamos diante de uma ladeira, como ela, que foi construída para ser mais uma opção de acesso de mercadorias do porto para a cidade, mercadorias essas que eram transportadas em carretões puxados a bois e empurrados por escravos que alegavam ser este um trabalho penoso que além de cansaço dava preguiça. E quem tem preguiça de ler já deve ter desistido antes de chegar aqui ou estar me xingando toda. Eu adorei escrever, saber e contar sobre os nomes de alguns do muitos becos e das muitas ladeiras de minha cidade. Começando a semana em alta atividade, aqui vou eu!

1 de junho de 2014

Junices

Junices by Esther Leeuwrik
Quando ouço o nome junho, ou vejo no calendário, um cheiro de canjica, amendoim cozido, milho assado na brasa, um sonzinho de triângulo e zabumba, um vestir de vestidinhos floridos, babados, tranças no cabelo, arrastar de chinelo, tomam conta de mim. Sem falar na fé em Antônio.
Para o mês de junho começá e alegrá, essa ilustração que eu tinha cá numa pasta de iluminuras, com carneirinhos de colocar a gente para dormir, carneirinhas arianas, bandeirolas, cantoria, estalar, quenturinha e lumiar de fogueira. Simbóra minha gente!