31 de julho de 2014

Do espetáculo da vida

Extra! Extra! Vida com manual!
Quando salvei essa imagem vi nela as páginas picotadas de livros escolares
E revistas antigas
Era destacar, dobrar, colar e voilá
Também fiz com lápis em cartolina e folha de duplex (cartolina durinha)
Os desenhos ensinados por meu pai, para recorte e montagem
E na escola as maquetes que saiam lá de casa já saiam com nota dez
Janelas vazadas com papel celofane imitando vidro
Portas que abriam e fechavam, com maçanetas de bolinhas de durepox
Tijolos desenhados por fora nas paredes
Telhados de palha, de telhas desenhadas ou telhados de papel ondulado
Fazíamos também casinhas para o presépio e para brincar
E também caixinhas
Eu, particularmente fiz e recortei muitas bonecas
E uma infinidade de roupas e acessórios para elas
Quando escrevi essa postagem visualizei na banquinha de jornais a noticia
Quem legal saísse num jornal:
Vida com manual
Um guia prático
Bom falar e ouvir falar, bom ler sobre mansidão, soluções, aspirações, mas também é bom refletir  e trazer a tona o que nos tira da rota, cutucar feridas, trocar confissões sobre os medos das tempestades que atravessamos, dos papéis que assumimos e dos que nos são impostos e que não vem com manual de instruções.
O ser humano varia do desejo de ser ilha a ser universo, uns mais outros menos, momentos de desejar que o mundo não passasse das fronteiras do quarto a ir ao espaço. E para os dois tipos de desejo, cada passo, cada rota é cheinha de desafios e renúncias e saber lidar com essa mistura de desejos, nossos e de quem nos cerca, o que queremos, não queremos, podemos e não podemos, é um desafio e tanto.
O palco da vida bem podia ter marcações de onde e como devemos atuar, técnicas de troca rápida de figurinos, cenários que mudassem de acordo ao nosso momento, placas, luzes ou avisos sonoros de quando entrar, sair, falar, calar. Vale a reflexão de que temos sempre o ímpeto de ter o papel principal e por vezes melhor nos cabe ser meros coadjuvantes, sem muitas responsabilidades, que ficam de boa na coxia, enquanto o personagem principal se desdobra. Bye! Bye! Julho! E bem vindo agosto, ao gosto de cada um.

30 de julho de 2014

Momento style and friendship

Finalzinho do mês, um mês de modelitos além dos habituais por conta do inverno que é quase uma piada em Salvador, mas sentimos frio tá e também precisamos tirar casacos e roupas mais quentes do armário para nem que seja darem uma volta. Resolvi hoje falar de estilo, com indicação direta e afetiva ao blog de uma amiga fashion, do chique ao básico que mora em meu coração com status de griffe, ela é style desde o sobrenome e muito simpática, doce e do bem, Nanda Pezzi, essa da foto que estou publicando sem autorização prévia para fazer surprise. Clica aqui para se inspirar e conhecer ela, que fez aniversário na semana passada e a amiga aqui só se deu conta nos 45 do segundo tempo.
"Estilo não é uma questão de estar certo ou errado é uma questão de ser quem se é", definiu a autoridade em moda masculina Bruce Boye. Eu concordo plenamente, acho que tem gente que combina com um certo estilo e tem gente que não combina, seja pelo tipo físico, pelos traços, mas principalmente pela atitude, pelo conjunto de coisas que para mim estão associados ao que se veste, que compõe o visual, como gostos musicais, locais frequentado etc.
E sendo sintônica a composição, cai bem, seja estiloso ou cafona, o que seja a identidade de cada um, valendo é claro experimentar algo que não tem a ver com a gente, para brincar, testar, seja do nada, por um estalo ou em fases pontuais de mudança: de idade, de cidade, de país, de estilo de vida.
Acho que vale ter nem que seja um referencial, que os outros e nós identifiquemos em nossas roupas e acessórios, seja a preferência de uma cor, de uma peça, de um tecido. Você, diz ai, o que acha? Gosta de moda? De acessórios, acha que a roupa é parte da identidade da pessoa? Qual sua cor preferida?

29 de julho de 2014

Sem conexões, pode ser?

Essa ilustração pescada na net, tem uma assinatura
Paúho é o que leio
Procurei e não achei nada sobre
Quem souber ou achar, trás pra cá
Como homenagem, dessas tipo sem motivo especial
E sem dizer o nome
Vi nela uma amiga, que gosta da cor laranja
Ela vai saber e quem souber pode dizer
Interessante observar e refletir como criança separa tudo, as percepções, os processamentos de sentidos e sentimentos, tudo divididinho. Não lhes ocorre simultaneidades, já os adultos tem a tendência e atualmente a agravância, de colocar tudo em uma vala comum, uma síndrome coletiva de simultaneidade, correlações, quase que uma mania de conspiração. Como diz uma nova personagem de uma das novelas globais: "- Aff com 3 f".
Vale pensar como criança, separadinho e sem muito questionar ou correlacionar. O bicho não vem! Vale olhar para trás, para frente, vale até olhar sem agonia para os dois lados, o que não vale, não tá certo, é querer olhar, ouvir, interagir com tudo a nossa volta. Olhar 360 é coisa de coruja, cada ave e cada macaco no seu galho, cada coisa a seu tempo, no seu lugar, nem sempre tudo conectado. E tenho dito! Barquinhos a navegar em rios ou alto mar, sem muitas voltas dar.

28 de julho de 2014

Das dobras, vincos e vínculos

Sempre que estico os braços que nem o Cristo redentor para dobrar um lençol, lembro de minha avó. Como sábado foi dia dos avós, resolvi trazer para cá uma das muitas histórias minhas com Dona Maria Francisca, a única avó que conheci e que segue aqui cada dia mais dobradinha. Dobrar os lençóis era uma tarefa que ela com certeza podia fazer sozinha, mas que jamais fazia, chamava sempre um ajudante merim que estivesse de bobeira, eu sempre me escalava. Segurávamos, cada uma duas das pontas e na medida certinha e num vai e vem que nem sanfona dobrávamos os tais lençóis e cobertores retirados do varal ou os de cima da cama desforrada ao dormir e religiosamente forrada todas as manhãs.
Uma tarefa para se sentir na obrigação de ajudar, uma companhia para os afazeres rotineiros, uma vivência de carinho, de dobras, vincos e vínculos, como tantas outras que só damos valor algum tempo depois ou que no ato já nos recheia e direciona. Voinha também me ensinou como colocar os pregadores em cada tipo de roupa, vestidos, blusinhas de alcinhas, camisas de homem, pendurar sem pregadores roupas de tecidos finos para não marcar, como lavar roupa na mão, como suspender e manter a corda o varal com um cabo de vassoura para os lençóis e pernas de calça não arrastarem no chão, como improvisar varais, colocar roupa para quará e também como comprar e tratar peixe, galinha, como passar roupa. Desde miúda, como telespectadora e ouvinte, até maior como coadjuvante e no papel principal.
Assistindo a um filme em uma cena onde muito havia para prestar atenção, eu prestei atenção no fato de a mãe avisar a amiguinha pequena do filho que jogava batalha naval com ele, que o avô dela a chamava e não houve cara feia, pausa, nova jogada, questionamento, nenhuma reticência. Dito que o avô a chamou, a menina se despediu. Obediência e respeito, ensinamentos que devem ser repassados urgente, assim como dar atividades das mais variadas, seja varrer, lavar, levar o lixo, colocar a mesa. Vale para aos pequenos, médios e grandes. Mais do que senso de coletividade, são valores semeados que brotam dessas prosaicas práticas. E tenho dito!

25 de julho de 2014

Ode ao adeus

Pintura de Joan Miró
"A vida é um sopro", bem definiu o poeta arquiteto Oscar Niemeyer. E num sopro se foi na sexta passada, o mestre letrado e simpático João Ubaldo Ribeiro. No dia seguinte para o infinito e além, além do infinito que em vida foi, se foi o mestre Rubem Alves. Fiquei vazia de palavras, assim como o mundo literário ficou e dei um tempo de uma sexta a outra. Entre esse suspiro, e homenagem escrita e agendada, anteontem, Ariano Suassuna, estrela da terra e lonas dos circos foi para o firmamento.
Sexta-feira dia de todos os santos aqui na Bahia, de toda roupa ser branca, todo canto, conta, toda renda, como diz a canção e reza a tradição. Branca é para mim a cor do luto, cor da paz, que emana luz e todas as cores. Durante a semana, relembrei, reli, pesquisei os ditos e escritos dos três. Do que escrevi e transcrevi nas tantas postagens aqui, com citações, reverência, essência e adorno de Rubem Alves, separei algumas publicações, para quem já leu reler, quem não leu, ler, comentar, compartilhar, é só clicar aquiaquiaquiaqui e aqui.
Dar adeus a pessoas queridas, as de perto e as de longe, mas de dentro, varia no que tange as reações, sentimentos, processamento, de acordo a quem seja, a como estejamos e a tantos outros fatores que estão diretamente ligados a como lidamos com a morte. Publiquei no dia da partida dele em meu instagram e recortei para trazer para cá, o que segue: "Os mágicos conhecem o segredo, só porque não vemos uma coisa não significa que não está lá" e assim é com os que se vão  Não creio que morrer é não ser mais visto. Creio que enquanto formos lembrados, seja nosso nome, causos, seja quando alguém vê uma flor, um pássaro, uma cor, um doce que gostamos, estaremos vivos.
O doutor, professor, filosofo recheado de poesia, com cheirinho de passarinho molhado pousado em uma carregada jabuticabeira, vizinha a um ipê amarelo dourado em flor, disse o que segue e que encerra essa ode ao adeus, essa homenagem, esse sopro que ele foi e deixou e nunca vai se apagar: "A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe. Fósforo que foi riscado. Nunca mais acenderá. Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festas de aniversário."

24 de julho de 2014

Hemisférios rei e palhaço

Foto de Ricardo Sena

"A alma humana divide-se no hemisfério rei e no hemisfério palhaço
O que há de trágico é ligado ao primeiro
E o que há de cômico, ao segundo
O hemisfério rei se complementa com o hemisfério profeta
O hemisfério poeta, com o palhaço
No meu entender
O ser humano tem duas saídas para enfrentar o trágico da existência
O sonho e o riso"
Salve o nordeste!
As xilogravuras
Salve o cangaço tão mal visto!
Os cangaceiros mansos
E porque não, Lampião e Maria Bonita
Salve os circos mambembes!
A Cultura popular
Salve Ariano!
Caetana, como é chamada a morte nas bandas de Suassuna levou ele, mardita e prevista para algum dia a danada. Mas o levou sem sofrer, sem o acamar, sem o deixar perder a alumiada lucidez. Ele passou aqui por Salvador esses dias agora, deu uma de suas aulas teatro no maior teatro daqui e nada de chamados, avisos, matérias na tv local, nem em jornais, nem em programas voltados para divulgações do que acontece de bom na cidade, nada de chamados de hora em hora, como para show´s, bares e apresentações teatrais "pops". Está tendo aqui uma Exposição na Caixa Cultural sobre a obra dele e também nenhum chamado ou aviso. Talvez agora que ele se foi e por conta disso eu soube, se faça a devida divulgação. Como ele questionou tantas vezes sobre muitos artistas americanos em suas polêmicas declarações: Serão lembrados daqui a décadas, ou daqui a cem anos? Não! Ainda bem! Ele será! Imortal, como decretado na honrosa e merecida cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, na literatura, na história, na cultura popular. Os dois hemisférios ficaram ontem mais pobres, tendo ele os deixado tão mais ricos.

23 de julho de 2014

Compadecida

Para não ficar o corriqueiro, de que as homenagens só são feitas na ausência, embora seja fato que numa conta de sentimentos e reconhecimento do valor das coisas e das pessoas, o que é ausente parece ser bem maior do que a soma do que havia, aqui, aqui e aqui um tantinho da minha candura e bem querer por Ariano, que já no nome me cativa. Ariana orgulhosa que sou e amante de palavras o Suassuna completa o meu gostar como palavra que assobia.
Ouvi uma atriz, dos tempo que não é levado a mal dizer o que se pensa e sente, sem o peso da responsabilidade ou cobrança de ser profética, sem longas explicações e provas, sem vínculos religiosos definidos, que, quando se vai um grande artista vão outros dois junto. Escritores, embora assim não sejam citados ou considerados, são artistas. Das letras, em forma de palavras, que formam imagens, exalam cheiros, emitem sons, provocam sentimentos, artistas do real e do imaginário. Com a palavra o mestre Ariano: "Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa."
Quem sabe esse preceito seja verdade, não sei, que não seja! Creio que há sim mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia. Seja como for, foram-se João, Rubens e acena Suassuna. Ficarão para sempre. Uma soma de infinitudes, estrelas de luz própria que rogo sejam guias para novos escritores de igual valor, valores, produções. 
Terão cumprido suas sentenças, como dito no Auto da Compadecida. Encontrando-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre. E dessa certeza, sem melindres de falar no nome da dita, sabendo que um dia será o último para nós e para todos, sejamos um mix de João Grilo e Chicó, pés no chão e cabeça nas estrelas.

Da Disney a Grécia antiga

Me empolguei nas viagens, que nem sempre precisam de passagem aérea, que vale pontuar, ainda que com tanta concorrência e promoções, estão pela hora da morte. De histórias dos Estados unidos para onde fomos ontem, vamos para uma das muitas histórias da mitologia grega?
Escolhi uma que envolve dragões, por estarmos as portas do mês de agosto. E por falar nisso: Quem sabe o que tem a ver dragões com o mês de agosto levanta a mão! Quem nãos sabe, volta aqui no primeiro dia de agosto, que com gosto vou contar.
Por hora, diz uma lenda, que o último dos 12 trabalhos de Hércules era roubar as maçãs douradas da macieira que Gaia, a mãe terra, deu a Hera, rainha dos céus, no seu casamento com Zeus. Hera tinha escolhido Ladon, um monstruoso dragão com 100 cabeças, para guardar a sua preciosa árvore. Ladon ficaria no seu jardim, enrolado à volta da árvore e Hera não teria preocupações em relação ao furto dos frutos.
Héracles, insatisfeito e astuto pesquisou informações sobre o dragão, descobrindo como enganá-lo. E para por em ação seu plano foi pedir a companhia de Atlas, para ajudá-lo.
Por ter contrariado Zeus, Atlas que entrou de gaiato na história, foi punido em ter de carregar o mundo nos seus ombros. O mapeamento geográfico do planeta terra se chama atlas por conta de Atlas? Seria essa a origem da expressão: Carregar o mundo nas costas? Não sei! Provavelmente sim.
O que sei é que Atlântidas, as filhas de Atlas, que tinham ordem expressa para não deixar ninguém tocar aqueles frutos, diante da bravura de Hércules ao enfrentar o dragão, entregam-lhe as maçãs. E fim!

22 de julho de 2014

Histórias do Tio Sam



Fotos na terra do Tio Sam
Para ilustrar
Compartilhar
Com um quê de quero ir de novo
E de momento relembrar é viver

Tio Sam, a personificação nacional dos Estados Unidos, um dos símbolos mais famosos do mundo, é representado como um senhor de fisionomia séria com cabelos brancos e barbicha. Muitos vêem uma semelhança do rosto delê com o do presidente Andrew Jackson, outras com o do presidente Abraham Lincoln, sou dessa turma. Um parêntese para quanto adorei o filme, por conhecer a história, pela atuação de Daniel Day-Lewis e todo show cinematográfico de Spielberg.
Diz o folclore que o tiozinho foi criado por soldados americanos no norte de NY, que recebiam barris de carne com as iniciais U.S., refrentes a United States, estampadas. Os soldados teriam dito brincando que as iniciais significavam Uncle Sam (Tio Sam), uma referência ao dono da companhia fornecedora da carne, ai o congresso americano resolveu adotar a lenda e reconheceu Samuel Wilson como inspirador da figura do Tio Sam em 1961. Em 1870, o cartunista Thomas Nast fez o desenho baseado no rosto de Lincoln. Ahaaam!!!
Em 1917, o artista James Flagg desenhou-o em o cartaz com o dedo em riste e com a frase "Eu quero você para o exército dos EUA", encomendado pelas Forças Armadas americanas, que recrutava soldados para a Primeira Guerra Mundial. Este poster foi utilizado ainda com outras frases como: "Continuemos unidos" e "Deus abençoe a America" a mais famosa e difundida juntamente com a ilustração.
Nas histórias em quadrinhos ele é um personagem criado pela Quality Comics que se baseou no mito americano e ajudou a consagrar o símbolo, dando uma mãozinha para que hoje todos se refiram aos EUA como a terra do Tio Sam. Podem chamar de cultura inútil, mas é uma história por trás de um nome que ouvimos, lemos, de uma imagem que vemos e sabendo do que se trata tem um que de conhecimento, é de alguma forma agregador, para quem é e para quem não é americano. Eu adoro saber histórias de histórias, de nomes, coisas, pessoas, lugares e confesso me rendi aos encantos da Disney, a materialização dos personagens que fizeram parte da minha infância, as histórias, a percepção de hábitos de vida e comercias diferentes, a toda organização e magia daquele lugar. Ímpar!

21 de julho de 2014

Por bons resultados

“Somos seres de hábitos
Um pensamento que se repete
Leva a uma ação
Uma ação que se repte
Leva a um hábito
Um hábito define comportamentos
Comportamentos ditam resultados"
Vale para começar a semana
Sustentar e repensar pensamentos, hábitos, comportamentos
Vale para sempre lembrar
Para praticar
Com meu agradecimento ao Sr. meu marido que me mandou essa reflexão
Adoro receber colaborações para o blog
Meu baú as vezes se esvazia
E meu coração se enche quando sou lembrada
Para mostrar nossa carinhas escolhi a foto que ilustra o post
Com espuma e cheiro de mar
Pelo hábito de arrumar tempo de interagir com a natureza
De passar momentos relaxantes com quem amamos
De sermos gratos
De buscarmos entendimento das coisas e com as pessoas
Por uma boa semana

18 de julho de 2014

Morrer é ?

Comecei o dia falando de vida
E a primeira notícia que li ao entrar na internet
Foi de morte
Ditosa morte!
Mas morrer é um rosado de piscadas
Como disse a sábia Emília
E o que acontece depois: hipótese
No primeiro momento e por um bom tempo
Fica o lamento
Como hoje por exemplo
A indagação de porque com tanta gente que não presta circulando por aqui
É João Ubaldo que tem que ir?
Creio que os bons vão primeiro
E bem fizeram os mortais em o fazê-lo imortal em vida
Que é o que seguirá sendo
Baiano, nascido na Ilha de Itaparica
Estudou em um Colégio público de Salvador muito conhecido
O Colégio Central, onde dei aula como estagiária
Onde um dos seus  colegas de classe foi ninguém menos que Glauber Rocha
Quisá sentei numa cadeira onde eles um dia sentaram
Que besteira? Não, que honra!
De lá o mundo
Formado em Direito sem nunca advogar
Ganhou prêmios e reconhecimento
E o céu hoje se encheu de letras, de cultura
No sol de hoje há uma pontinha do sorriso dele
No canto dos passarinhos aplausos
No silêncio a tristeza
Aqui, minha singela homenagem
Que seus livros sejam lidos
Que muitos Joões e Marias brotem do fértil solo nordestino
E floresçam em versos, prozas, crônicas, narrativas, romances
Recebi por e-mail esses dias um texto famoso dele falando sobre política
Que assino embaixo
A muito tempo atrás, li "A casa dos Budas ditosos"
Emprestado por meu irmão
Pedi emprestado a uma amiga o "Viva o provo brasileiro"
Mas não chegou a pousar em minha mãos
Nunca comprei por esperar um momento de poder ler com a atenção necessária
Com a concentração devida
Recomendei o  livro para esse amigo que me mandou o e-mail
Falei do livro ainda não lido e tão rico para meu marido
Vou comprar como quem bebe e joga um pouco da pinga no chão
Uma descrição que por certo ele deve ter feito em seus escritos
A ele!

Viver é ?

Guimarães Rosa disse, tá dito
"Qual o caminho da gente?
Nem para frente nem para trás
Só para cima
Ou parar curto quieto
Feito os bichos fazem
Viver é etcétera!"
Sexta é bem dia de etc
Boa e benta sexta a todos
Com muitas exclamações
Deixemos as interrogações para a segunda

17 de julho de 2014

Suspiramentos nossos de cada dia

Eu gosto de suspiros, não o doce de puro açúcar, esses eu amo. Gosto de suspirar, mas não é suspirar de sonhar, de encantamento, que também gosto e pratico, é do suspiro solto, frouxo e com queixa ou contentamento, após puxar forte o ar, que vim falar, os suspiramentos acompanhados de: Ai meu Deus! Coragem! Ai! Ai! ou um ronronar qualquer, uma sobra de ar preso com sentimentos, que presumo teem a necessidade de sair da gente. E nessa de explicar e falar desse tipo de suspiro, percebi quantos tipos tem.
De mim, faz parte, já involuntariamente, suspirar (do tipo respirar fundo), me faz despressurizar, reenergizar, organizar o meu ar e os meus pensamentos. Para confeitar essa suspirância toda, vou contar que tenho outra mania, que é a de falar de alguma coisa de comer, ver na novela, num filme, em uma revista ou lembrar e ficar como formiguinha doceira roendo o estômago e o pensamento, até comer. Nada obsessivo ou nocivo, corda dada ao dia-a-dia, que pulo com gosto e as vezes suspiros de que não deu, acompanhado de um suspiro de gratidão por ter todo dia comida na mesa, por tudo que já tive, tenho, provei, vivi, por tudo que com o choro aprendi e por tudo que me fez, faz e fará sorrir.

16 de julho de 2014

Parábola do semeador

Essa foto é dos alunos da Pró Shirley, turma do 4º ano de 2011
Colhi ela na busca de uma imagem de plantação de feijão em algodão
Quem nunca fez essa experiência em casa ou na escola?
Fiz na minha infância, com meu filho e tantas outras vezes
E ainda farei com crianças de meu jardim
Essa crianças e essa professora, com carinhas simpáticas
Quadro negro todo preenchido com letras em giz, linda e alinhada
E feijõezinhos em crescimento
Me cativou
Avisei lá no blog do Colégio
Localizado em Joinville, Santa Catarina
Escola Municipal Prof. João Bernardino da Silveira Junior
Que eles estariam aqui hoje
Segue a reflexão do dia
Na verdade uma extensão da reflexão de ontem
Que trouxe hoje para reforçar além da necessidade do plantio
O cuidado com a escolha das sementes
E todos dos cuidados necessários
No cultivo e no acompanhamento do que semeamos
Para isso trouxe uma parábola bíblica
Que vale independente de religião
Um semeador saiu para semear as suas sementes e no caminho caíram algumas pelo chão, que foram pisadas e as aves comeram. Outras caíram sobre pedras e depois de nascidas, secaram, por falta de umidade. Algumas caíram entre espinhos, que crescendo com elas as sufocaram. As que ele semeou em boa terra, nasceram e produziram frutos diz a simplória parábola.
Uma semente de maçã vai ser uma macieira, ouvi e refleti sobre isso nas aulas de filosofia na faculdade, uma afirmação tão simples e tão clara e que levada para vida prática não faz muita gente enxergar o óbvio e praticar a semeadura com a consciência invariável da colheita, além da inerente necessidade de cuidados para que uma semente chegue a virar vida.
Como na parábola, que vale para plantas, pessoas e valores; sementes são lançadas em vários tipos de solo e a semeadura não é garantia de brotarem e darem frutos, para serem fortes, plantas, pessoas e valores precisam de raízes profundas, para nutrição, maturação e para que qualquer vento ou excesso de sol e chuva não seja fatal.
Palavras são sementes, sentimentos, comportamentos, gestos, que cultivadas, a depender do terreno, germinam ou não e de variadas maneiras, dependem do espaço dedicado, de ouvidos e alma, que escutam além de ouvir, que sentem, braços que abraçam e acolhem, raízes e folhas que suportam as variações do tempo. Um semear e brotar, de cada um e de cada coisa individualmente e coletivamente, arado de todo dia, em nossos terrenos e nos alheios, por nós e pelos outros, por dentro e por fora.

15 de julho de 2014

Por semeaduras

Por mudas, colheitas, vôos e pousos
"Encontros preciosos
Não são necessariamente os que nos trazem jardins já floridos
São, um bocado de vezes, aqueles que nos ofertam mudas"
Pontuou Ana Jácomo e eu assino embaixo
Que tenhamos semeado boas mudas até esse meio de ano
Que tenhamos tido encontros preciosos com outras pessoas, culturas
Com nós mesmos
E que assim seja sempre
Que lancemos sementes ou acomodemos cuidadosamente
Para novas mudas já brotarem em agosto, a gosto
Desfrutemos de jardins floridos
Saboreemos bons frutos
Tenhamos fé e paz
Fôlego, força, festas e descanso também
Amém!

14 de julho de 2014

Apertando o pause

Eu estava conversando outro dia com umas amigas e falávamos de que a um tempo atrás quando apareceram os primeiros casos e informações sobre a aids a doença era considerada o mal do século e hoje com mais cuidados e com os avanços da medicina, há menos casos e sobrevida para os infectados, em contrapartida o alastramento do câncer é assustador, muitos casos, variações, muitas causas morte por causa desse mal. Há ainda um outro grande mal, alastrador, o consumo de drogas, que leva em vida e para o além muita gente, principalmente e lastimavelmente muitos jovens. 
Um assunto meio sombrio para começar a semana eu concordo, mais o mundo não é cor de rosa e o mal que creio seja o do século de fato e que leva as drogas e que para alguns estudiosos leva a doenças como o câncer, a depressão e outros distúrbios é a ansiedade. Tem gente, por exemplo, que nem curte o final de semana planejando e sofrendo com os problemas e afazeres da semana,
Por coincidência (ou não), eu estava ensaiando escrever sobre o assunto e flanando pela livraria, vi um livro de auto-ajuda de um autor que já li alguns livros em momentos de necessidade de ajuda e vale dizer: foram muito úteis. Augusto Cury é o nome do autor e o nome do livro: "Ansiedade, como enfrentar o mal do século".
A ansiedade parece ser muitas vezes uma bandeira, que não se sabe, pesa carregar e sendo reconhecida como nociva é mais fácil lidar com ela. Vale também pontuar nos outros, mesmo sendo passível de critica ou mesmo que seja ignorado nosso alerta. Não é sadio estar em junho há pensando no carnaval, em plena segunda pensando na sexta-feira. Vale fazer planos, ter sonhos, ser animado, mas não confundir e desmedir tais sentimentos. Agitações mental, corporal e verbal exageradas e constantes, elucubrações de detalhes, sofrimento por antecipação, fazem tudo ficar mais pesado, complicado, com menos sabor, faz  dormir e acordar cansado, dá dor de cabeça, de estômago, diminui o nível de tolerância e aumenta a expectativa nos outros, aumenta os defeitos dos outros e das coisas, distorce a realidade, impossibilita uma visão fontana das situações e uma curtição ou aprendizado das vivências.
Precisamos aprender a lidar com filas enormes, pessoas lentas, barulhos, precisamos aprender a lembrar das coisas sem anotações, a ficar sem eletro eletrônicos, sem informações constantes, precisamos fazer faxinas mentais para sobrar espaço para não pensar em nada, não fazer nada. Precisamos pausar de vez enquanto e também olhar para trás, reviver e valorizar coisas da infância, apertar o rew como nos tempos das fitas cassetes. Isso faz bem, redimensiona o que temos, faz com tudo não seja tão fugaz, com que não esqueçamos as coisas com facilidade
Considerada pelo psiquiatra Augusto Cury como o novo mal do século, a tal da ansiedade acomete grande parte da população mundial e no livro ele dá uma explicação básica de como funciona a mente humana e propõe práticas para desacelerarmos nossos pensamentos, gerirmos nossas emoções e usufruirmos dos benefícios de uma vida com pausas e desaceleração. Vale para quem se reconhece muito ansioso(a), para dar de presente a jovens, adultos e até idosos que estão numa de tudo ou nada.
Sejamos como Rita Apoena que disse viver tão intensamente o momento presente, que quase chega atrasada ao momento seguinte. Meu desejo de uma semana de intensidade, moderação, pausa, paz e bem.

11 de julho de 2014

Por livramentos

São Braz, para mim, além de nome de mistura para canjica muito popular nas festas juninas, é parte de uma rima: "São Braz! São Bento! Buraco fundo tem cobra dentro", que avisa e pede proteção para os perigos previstos. O santo médico, soube pois uma amiga para quem comprei um pacote de canjica me contou, é popularmente evocado em casos de engasgos. Segundo a história, Dr. Braz, retirou milagrosamente. sem nenhum instrumento, um espinho da garganta de uma criança.
Na liturgia da Igreja Católica São Braz é representado com uma vela nas mãos e em frente a ele uma mãe carrega uma criança com mão na garganta, como que pedindo para ele curá-la. Daí se originou a benção da garganta no seu dia, 3 de fevereiro. O santo é também padroeiro dos veterinários junto com Santo Egídio, pois refugiado em uma caverna cuidou de animais selvagens.
Por uma benta sexta-feira e um feliz final de semana, com gargantas e línguas refinadas, ressonantes de boas palavras, sem engasgos com comidas ou sapos,  coração voltado para o bem e que assim livres-nos dos buracos Nossa Senhora da guia e anjos protetores, amém!

10 de julho de 2014

Mostra suas fraquezas Brasil

"Foi-se a Copa? Não faz mal. Adeus chutes e sistemas. A gente pode, afinal, cuidar de nossos problemas. Faltou inflação de pontos? Perdura a inflação de fato. Deixaremos de ser tontos se chutarmos no alvo exato." Resolvi trazer após a ressaca, ninguém menos que Drummond, para comentar a derrota brasileira, que não se resumiu a perder a copa em casa, deixar escapar a taça do hexa na semi, foi uma derrota em que se deixou derrotar, em que não houve garra e que não se justifica com a desculpa da pressão. 
O mundo inteiro vive sob pressão, em casa, no trabalho e muitas vezes sem dinheiro na carteira para pagar as contas. É até desrespeitoso um time de jogadores do porte da equipe brasileira, com toda estrutura e investimento, com jogadores que jogam em grandes times, comissão técnica veterana em copas, dizer e aceitar a desculpa que sentiram a pressão. Pressão tem jogadores que podem ser executados ao voltarem para seus países, que nunca nem chegaram na semi, que depois da copa vão seguir vidinhas bem medianas.
Os jogadores da Espanha por exemplo, com o jogo perdido jogaram até o juiz apitar, sem caras e bocas, sem desânimo, sem entregar, buscando jogadas e gols, defendendo a camisa. A postura do técnico brasileiro durante o jogo e na entrevista ao final da goleada foi de uma dimensão bem inferior ao espetáculo protagonizado pelos alemães versus a apatia brasileira que a imprensa batizou de apagão. Faltou foi organização, sobrou exibição, cartaz para penteados, entrevistas, platéia histérica nos treinamentos, selfies e sociais nas redes sociais, fofocas. Faltou jogar bola!
Vale questionar a submissão excessiva da CBF a Fifa, os interesses políticos e pessoais, como o fato de, por exemplo, a seleção jogar duas vezes em Fortaleza e não jogar no Maracanã, templo do futebol nacional independente de ir para final, vale repudiar a cobertura corporativa e tendenciosa da imprensa.Vale ter tanta vergonha do placar retumbante quanto da abertura horrorosa no país dos grandes shows e espetáculos carnavalescos e folclóricos. 
Vergonha também é não valorizarmos e exibirmos nossos grandes ídolos antigos e atuais, como Zico, Marta e tantos outros que foram anônimos nas transmissões,  cadeiras cativas, homenagens. Vale saber perder, reconhecer o que é melhor e não ser o melhor, vale ouvir os hinos dos rivais com respeito, sem vaiar, vale cantar o hino inteiro uma  vez mas não fazer disso uma obrigação, uma exibição além do padrão e do direito coletivo, vale além da perda trabalhar a frustração nos pequenos torcedores e nos grandes. 
Perdemos em 50 e essa perda parece ferida aberta, não se usa ela para buscar concertar os erros, se repete os erros, já se fala na marca desses 7 x 1 por várias gerações ao invés de falar de como e do quanto esse placar pode mudar gerações de torcedores, técnicos, jogadores etc. Mas o povo brasileiro tão festeiro e guerreiro tem um que de derrotista, estima baixa, falta de patriotismo. Ao invés de lamentar e amargurar, devíamos buscar concertar, questionar a necessidade de mudanças internas e internacionais, tais como mais qualidade nas arbitragens, respeito dos jogadores ao juiz e não o inverso, a corrupção nas obras dos estádios e vendas de ingressos, o custo altíssimo dos ingressos que excluíram os torcedores comuns que vão aos estágios e cantam, agitam, A elite canta o hino e nada mais, não xinga o juiz, nem o técnico, não entende de futebol para pedir troca de jogadores ao vivo e em coro e por ai lá vai.
Os esportes e as artes refletem muito sobre os artistas, atletas, bem como sobre suas origens, seu país, sua cultura, seu povo. Os latinos são muita paixão e pouca razão e a globalização é uma boa oportunidade para misturar, para buscar um equilíbrio, alemães dançando lepo lepo e brasileiros fazendo o que é certo, vale a prática e a rima. Trazer Drummond além de trazer poesia, é uma maneira de encarar os fatos, a anos essa poesia foi escrita e é totalmente contemporânea, somos humilhados em outros campos, além dos gramados, não tínhamos um time organizado, jogadores completamente ruins se repetindo em campo nas escalações, não merecíamos ganhar, queríamos ganhar, tínhamos esperança, temos história no futebol, mas quem vive de história como reza o dito popular é museu. Estávamos na vibe, mas a realidade sempre chama a gente. Nota dez para Alemanha! Encarar é a melhor opção.

9 de julho de 2014

Sem reclamação

Por mais leveza, para relaxar, por cada vez menos reclamar
Por um dia inteirinho
Uma semana num estágio mais avançado
Tipo fase de jogo
Vi a proposta em um blog amigo
Que viu em um outro
E essa corrente do deixar quieto
Deixar barato, deixar passar
Engolir seco 
Colocar açúcar mexer e engolir
Ou tampar o nariz antes de engolir
Diluir, despressurizar
Faz bem a quem praticar
E descarrega um pouco o mundo e os ouvidos alheios
De tanta reclamação
Não reclamar e pronto
Isso tá assim mas vai passar
Aquilo tá assado mas vai mudar ou vai ficar assado mesmo
As pessoas sem noção que continuem sem noção ou não
Tá frio esquenta
Tá calor abana
Tá cansado senta
Tá chato levanta e anda, corre, dança
E vamos que vamos
Não julgar é uma outra boa aposta
Mas não é para ler, curtir e não tentar
É para aceitar tipo proposta
Uma manhã sem reclamar
Um dia, dois e vamos lá!

8 de julho de 2014

Sobre rabiscos e leituras

E de escrever
Imagem pelos super poderes da escrita
E da leitura
E dos desenhos
Temos asas por dentro
E escrever, ler, desenhar
Pintar
Soltar a nossa imaginação
Nos dá asas por fora

"Na escola, atualmente
Dá-se ênfase à escrita
Muito mais do que à leitura
Por isso deixo uma crítica
A escrita é importante
Mas quem da leitura é amante
Mais inteligente fica

Para quem vai escrever
Só é capaz de fazê-lo
Se souber ler o que escreve
Este é o grande segredo
Pra você ser escritor
Tem que ser um bom leitor
E escrever sem ter medo

Com relação à semântica
Ou ao significado
Das palavras de um texto
Use o dicionário
Faça a criança aprender
Perguntar e entender
No texto, o enunciado

A leitura em voz alta
Deve ser com emoção
Do dialeto da criança
Pro dialeto-padrão
Cuidado com o preconceito
Ensine a leitura com jeito
Dentro da norma-padrão

De acordo com o texto
A leitura vai variar
Ensine suas crianças
Como o texto encarar
Como ler questionários
Provas, jornais, formulários
Sem medo e sem errar

A leitura não pode ser
Algo vil, sem importância
Como hoje nas escolas
Tem que haver uma mudança
Leitura é para ser viva
Diária e efetiva
Da escola, maior herança

Precisamos praticar
A leitura e a escrita
Para que nossa escola
Seja mais bela e mais rica
Leia para estudar
Se divertir, pesquisar
E quem sabe, ser um artista"

Trechos de um cordel
De Carlinhos Cordel, cordelista de Pernambuco

Segue de arremate interrogações e exclamações que já ouvi iguais ou parecidas e me pergunto quantos pais, avós, tios, educadores tem ouvido e quantos tem refletido e respondido com palavras e ações a tais pérolas: - Tia eu não gosto de Português! - Pai quero estudar num colégio com tablet para não ter que escrever, só digitar. - Pró não sei porquê se tudo que lemos na internet e nos livros tem letra de forma, temos que escrever com uma letra cursiva e ainda ser cobrado que seja bonita. - Mãe eu não gosto de redação pois tem muitas regrinhas. - Pró, é sério que eu tenho que preencher todas as linhas com minha resposta?  (n.º de linhas 3 ou 4)
Escreve bem quem lê bastante, é regra antiga e para toda vida. E quem quer saber de "perder tempo" lendo? Quem quer saber de fábulas, com tanta modernidade? E escrever então, para que, desenhar nem pensar, só os primeiros riscos. Bora parar com isso?

7 de julho de 2014

Deslimites, do barro e das formas

 Escultura de Fanny Ferre

"O que ela amava acima de tudo era fazer bonecos de barro, o que ninguém lhe ensinara. Trabalhava numa pequena calçada de cimento em sombra, junto à última janela do porão. Quando queria com muita força ia pela estrada até ao rio. Numa de suas margens, escalável embora escorregadia, achava-se o melhor barro que alguém poderia desejar: branco, maleável, pastoso: frio
Ela lhe agradecia com uma alegria difícil, frágil e tensa; sentia alguma coisa como o que não se vê de olhos fechados. Mas o que não se vê de olhos fechados tem uma existência e uma força, como o escuro
Fazia crianças, cavalos, uma mãe com um filho, uma mãe sozinha, uma menina fazendo coisas de barro, um menino descansando, uma menina contente, uma menina vendo se ia chover, uma flor, um cometa de cauda salpicada de areia lavada e faiscante, uma flor murcha com sol por cima, o cemitério do Brejo Alto, uma moça olhando
Muito mais, muito mais. Pequenas formas que nada significavam, mas que eram na realidade misteriosas e calmas. Às vezes alta como uma árvore alta, mas não eram árvores
Assim juntara uma procissão de coisas miúdas. Quedavam-se quase despercebidas no seu quarto. Eram bonecos magrinhos e altos como ela mesma. Minuciosos, ligeiramente desproporcionados, alegres, um pouco perplexos às vezes, subitamente, pareciam um homem coxo rindo.
Mesmo suas figurinhas mais suaves tinham uma imobilidade atenta como a de um santo. E pareciam inclinar-se, para quem as olhava, também como os santos."
Trechos de escritos de Clarice Lispector, publicado em 1960, na revista Nordeste. A ilustração, conforme a legenda, é uma escultura da artista Fanny Ferre, que segundo li por ai, começou suas estátuas de barro com grande hesitação e fala de seus belíssimos trabalhos sem vaidade, nem mistérios. “Tudo que você tem a fazer é apenas acreditar”.
Vale a pesquisa e encantamento com as muitas esculturas dela. Clicando aqui, histórias de barro, caxixis, bonecos, artistas e moradores de um município baiano.
Formas concretas e abstratas, fontes de inspiração, conhecimentos novos e compartilhamento do que descobrimos, sabemos, temos, sejam dicas, histórias, imagens, palavras, lugares, pessoas, curiosidades . E mãos na massa, seja de barro, pão ou metaforicamente, para o bem da mente e do coração da gente, amém!

4 de julho de 2014

Enlatados

Eu gosto de verduras, frutas, naturebices e afins, mas não posso negar que sou roxinha por um hambúrguer, coxinhas e enlatados que vão de salsichas viena, a azeitonas, atum, sardinha. Amo sardinhas em lata e dia desses comprei uma das grandes do tipo antigo de abrir com o abridor de latas e a medida que abria, com gosto e destreza, pensei de quantas criaturas médias e pequenas ao verem um abridor desses não imaginam a utilidade do gancho e ao abrirem o armário e se depararem com a lata sem o trocinho de suspender e destacar a tampa, não imaginam como fazê-lo. E do jeito que são, a maioria, sem iniciativa ou criatividade, colocam a lata de volta e comem biscoitos, eu nem que fosse explodir ela e perder as sardinhas não desistiria até abrir, ia da chave de fenda com martelas em cima uma ao lado da outra a ideias que não me ocorrem agora, mas me ocorreriam na hora.
Meu filho tem total falta de destreza par abertura de pacotes e embalagens e um pai e geral que abre as coisas para ele. Eu digo calma como quem tomasse suco de maracujá na veia: Tente até conseguir! E ele sempre diz sem nem tentar ou tentar de mentira: - Mas não consigo! E eu sempre digo, tanto que ele já diz antes de mim: Faça de conta que você é a última pessoa no mundo e esse é o último alimento que você tem para comer ou o último cd para ouvir, jogo para jogar.
As sardinhas como com tomates cortados em finas rodelas e cebolas em tirinhas regadas a azeite doce e vinagre, dentro de pão de sal estalando, também fora do pão com o garfo e o pão roído aos tacos e molhado no caldinho. Outra especialidade da casa, desde que minha mãe me deixou usar o fogão, até hoje quando as vezes estou cansada dele, cozinho batatas e ovos com duas pitadas de sal e devidamente cozidos são amassados com um garfo, adicionadas as sardinhas, amassadinhas e tudo é generosamente regado com azeite e devorado em segundos. Outro uso da sardinhas é empanada das de liquidificador, com milho e ervilhas enlatados.
Na ilustração a feirinha de mentirinha é uma foto que tirei numa loja de sabonetes e aromatizantes, além da criatividade e do cheiro maravilhoso, parei na balança antiga. Esse papo me deu uma fome e hoje sendo sexta-feira cabe um belisquete diferente, uma pizza, cachorro quente. Hum? Que tal?  Bom final de semana, com os cuidados alimentares necessários, lazer, prazer, bençãos, paz e bem.

3 de julho de 2014

Por + Platão - Prozac

Mais Platão, menos Prozac, de Lou Marinoff, é um livro com máximas de filósofos de todos os tempos reunidas com o intuito de oferecer uma ajuda auxiliar ao uso de medicações para males da mente e da alma. Um reconhecimento e incentivo ao valor terapêutico da filosofia e suas aplicações no cotidiano, sem nenhum desmerecimento, muito pelo contrário, a psicologia e psiquiatria. Cada caso é um caso e portanto há que se estudar as soluções.
A propósito não li o livro, se alguém que leu tiver considerações a fazer, sinta-se a vontade. Gostei da proposta e do nome e pelo que li por ai o livro traz a desmitificação de alguns problemas que não são doenças e propõe que trabalhemos a nossa perspectiva sobre nossos conflitos e os do mundo, buscando respostas, segurança e bons resultados. Em resumo é um convite a filosofar, remexer na capacidade humana de tecer perguntas, repostas, buscar curas, soluções, de se auto-motivar e assumir o controle da mente, pensamentos, visão, ações e sentimentos.

2 de julho de 2014

Salve! Salve! O 2 de julho!

Hoje é Dia da Independência da Bahia
Com rima e percepção de que não é uma data só para quem é baiano não
Vale a estudação e a valorização
Aqui e aqui duas porções
Que em anos passados fiz publicações
E como nascida no dia do índio
Minhas saudações aos caboclos
Declaração de amor cotiana já faço a minha terra
Encantada, múltipla e bela