31 de agosto de 2014

Das miudezas

Foto de sinaleira na Liberdade - São Paulo

"É muito útil estudar o alfabeto das flores miúdas 
Esquecidas na beira dos caminhos
Pequenas florezinhas amarelas como mensagens perdidas. 
Elas dizem sim à vida, ao Sol, à chuva
Sim ao amor que nasce todos os dias"
Roseana Murray
Tão gostoso o gosto desse fim de agosto para mim
Que para muitos tenha sido ou no próximo seja assim
Que setembro seja um mês de miudezas
Que tenhamos o olhar, a audição, o tato
O coração recheado por miúdas e grandiosas sensações
Por valores além das cifras
Por sentidos e sentimentos bons
E assim na beira dos caminhos ou no meio deles
Nas esquinas, paradas ou no seguir em frente
 Numa sinaleira ilustrada ou não
Encontros, pequenezas, grandezas
Cores, luz, amor no coração
Fé, paz e bem
Amém!

30 de agosto de 2014

Era uma vez











Imaginar é bom para distrair, relaxar
Para ilustrar a realidade
 E muitas vezes um princípio de criação
Um ponto de partida
Ao imaginarmos, desejarmos, idealizarmos
Podemos ir atrás, na frente ou na carona
Sendo levados ou levando pela mão o que imaginamos

Li a muito tempo em algum lugar que imaginação é pilha que move qualquer brinquedo e acho que imaginação mais que pilha, é energia renovável, gás, força, impulso, cor, que move além de brinquedos dos mais sofisticados a pedaços de papelão para crianças, histórias lidas, ouvidas e contadas, movem as pessoas, contatos, projetos, sonhos, promovem soluções, criações, realizam sonhos.
Era uma vez uma menina (auto massagem na estima) que queria ir na Bienal de São Paulo e imaginava um dia conhecer o oriental bairro da Liberdade que não deu para ela conhecer quando esteve lá, que idealizava conhecer uma amiga de blog e seus dois filhos que moram em Sampa de emenda e também numa outra oportunidade conhecer uma outra amiga que mora em Goiás (além de outras espalhadas mundo a fora). Imaginar e planejar é bem com essa tal menina que conheço desde que nasci, ariana, romântica, idealista, sonhadora, que apesar de tanto planejar e confabular, não imaginou faria tudo isso junto e num dia só, mas assim foi. Ida e volta no mesmo dia, domingo passado, viagenzinha rápida mas pensada e repensada, cálculos do investimento e um fado marido madrinho na coxia que financiou a parte econômica da realização e deu o empurrão.
Uma semana inteira de posts programados e o tempo para pensar e arrumar o que eu ia postar sobre as vivências do dia de pela segunda vez entrar sozinha em um avião, de quem sabe andar pela primeira vez de metrô, de ter esquecido em casa o casaco tão separado para o frio de São Paulo e apelar com fé para o sol da Bahia me acompanhar (acompanhou), dia de Bienal, livros de blogueiras amigas, de mega estandes, mega estrutura, megas filas, ainda bem fiquei zen e adornada pela passeada na Liberdade, com direito a realejo, comprinhas num mercadinho e sorvetinho com frutas delicioso. Algumas fotos para ilustrar e algumas histórias que aos poucos, nas emendas ou como resenhas vou por aqui e por ai contar. Adorei é um resumo!

29 de agosto de 2014

Pedagogia dos caracóis

Ilustração de Stacey Yacula
Em uma de suas crônicas, Rubem Alves, conta sobre um educador que ao ver um caracol faz a reflexão de que talvez chegar na frente não seja tão importante. A conhecida e válida máxima de que o caminho, o ir, é mais educativo e importante que o chegar, que ele chamou de: Pedagogia dos caracóis. Fica a dica para praticar e para ler o livro dele que leva esse nome e é recheado de boas crônicas. E como é fim de mês, últimos posts de agosto programados com gosto, meu desejo de uma sexta de rimas, risos e curtição dos caminhos.

28 de agosto de 2014

Do espanto com gentilezas

Pego sempre vários saquinhos nos puxadores de sacos da seção de frutas e legumes do supermercado e quando vejo alguém cheio de coisas na mão ou pegando algo sem estar com um saco, ofereço um e 99% das vezes a pessoa se espanta. Faço quase que involuntariamente, como também respondo a perguntas feitas no ar, se sei a resposta. Dia desses uma adolescente com carinha marota de que não sabia a diferença de uma batata e um tomate (risos) perguntou diante a imensidão de folhas da seção de hortaliças, o que aqui era hortelã miúdo (com essas palavras). O tal, estava ao alcance de minha mão, então prontamente peguei o maço e dei a ela que sorriu e agradeceu. Dei sem explicações, em resposta ao silêncio, caras e bocas alheias. Vez ou outra, quando a pessoa se mostra interessada e não tem platéia, explico como conhecer as folhinhas que conheço, como saber se tal fruta ou verdura tá boa e adoro quando pergunto e alguém me explica segredinhos.
E vale pontuar que me espanto, como recentemente ocorreu, quando alguém é ríspido com algo tão prosaico como dar uma informação. Foi assim o último episódio que registrei na minha caixinha de malcriações alheias: Uma senhorinha muito elegante estava na hora do almoço com um grupo de amigas, no refeitório do hotel e eu estava me servindo, quando perguntei onde havia algo que tinha no prato dela. A bonita com um ar superior e suspiro enfadonho me respondeu friamente. Por coincidência lá estava eu atrás dos potinhos de manteiga no dia seguinte, no frescor e ânimo do café da manhã e quem estava lá? Ela mesma. Perguntei toda simpática não tenho ainda processado que o azedume dela poderia não ser (e não era) pontual: - Bom dia! A senhora, que sabe das coisas, sabe onde fica a manteiga? Ela me olhou de cima a baixo e disse: - Não sei das coisas não, mas fica ali. Afff!!! #desnecessário e olhe que o hotel era um paraíso. Imaginei: essa criatura tipo na 25 de março, deve morder.
Enfim, que sejamos surpreendidos com gestos de gentileza, como fui com uma historia de uma tal ratinha chamada Tina dia desses (ver aqui). E com finos tratos, não nos choquemos, achemos normal para quisá seja normal. Sejamos gratos, sorridentes, gentis, sem nenhum cartaz ou interesse. Ofereçamos saquinhos no mercado, ajuda para carregar os sacos até o carro, informações e etc, porque vamos combinar, gente mau humorada é um saco.

27 de agosto de 2014

Do que está contido em tudo

As artes e as sabedorias populares qualificavam as tradições e acho que é papel tanto dos órgãos públicos, quanto de empresas privadas e de cada um, não deixar que se percam, de passar de geração em geração, sejam as artesanias, histórias, lendas, hábitos, danças, culinária, sempre valorizando e entendendo o primitivismo das coisas como um tesouro.
Os personagens folclóricos, tradições religiosas (independente de qual seja nossa religião, como símbolo cultural), as estampas, texturas, hábitos, crenças, o vocabulário, tudo isso são símbolos, como são os monumentos, árvores, animais. Tudo pertencente, presentes com e sem data no calendário, cada coisa com sua riqueza, pobreza, beleza, feiura, grandezas e pequenezas. Tudo próprio do coletivo e de cada um de nós. E tenho dito!

26 de agosto de 2014

Pronto! Falei!

O ditado de quem em boca fechada não entrar mosca comigo é bem pontual. Aprendi e aconselho que vale calar e não opinar muitas vezes, não pregar no deserto como se diz, mas vale também se posicionar ainda que geral não tenha a mesma opinião que a gente. Tipo achar nada a ver a mistura de futebol com bebida alcoólica, seja nas propagandas ou na correlação entre uma coisa e outra dos frequentadores de estádio. Assim como a mistura fatal de bebida e direção, venda de bebidas alcoólicas em postos de gasolina, por mais polêmico que isso possa ser, penso assim e tenho o direito de expor e defender minhas opiniões, não acho que tenho que ser a pop e nem que para ser é preciso ser concordante com tudo. 
Acho, por exemplo, que o nome favela não tem nada de pejorativo, que é o mesmo que comunidade ou sei lá o quê, acho que não muda a condição de favela das favelas, nem é uma ofensa. Aqui na Bahia, por exemplo, neguinho(a), negão, negona são nomes carinhosos, assim como mãe preta é cargo de respeito, na figura das mães de santo ou das senhoras negras que são ou foram como mães para crianças brancas.
Afro-antecedentes é o dito politicamente correto e carregado muitas vezes de preconceito, ausente nos nomes populares e carinhosos que se evita chamar nos dias de hoje pessoas de cor escura. Vale para os apelidos comuns as pessoas de cor branca, como menino(a) amarelo(a), branquelo(a), Parmalat etc Que tem toda uma carga a depender do tom e não ofende se for apenas uma brincadeira ou em certos casos um convite a quebra de preconceito. Penso que melindres e regrinhas demais mascaram, não resolvem nada, mistificam, confundem, definem tudo como ofensa, desenham um respeito por exigência e não por excelência. É limitante também definir chamar os mais velhos de pessoas da terceira idade, melhor idade ou qualquer que seja o nome da vez e não de velhinhos, coroas, idosos. O que importa não é o nome é o respeito. E tenho dito!
Dia desses na nova novela global do horário nobre, uma personagem de cor negra, falou uma frase que bem podia ter sido repercutida no dia seguinte, mas notei nem foi percebida, ela disse dentro do contexto de indignação da personagem, com tom agressivo e ofensivo, sobre uma outra personagem de cor branca: "Aquela branquela!". Pensei: Epa!, injúria racial contra negros não pode e contra brancos pode? Como assim?
Em um dos colégios que visitei para fazer meu estágio da Faculdade, vale contar, fui mal recebida e tratada pela pelo corpo docente e alunos (negros em sua maioria), com ofensas verbais, além dos olhares e reticências para minha presença e docência ali. Que ficassem para eles o que me disseram e como me julgaram, foi o que pensei e fiz.
Registro a propósito minha indignação contra a indignação coletiva, matérias, entrevistas e tudo mais que vi, ouvi e li, contra a proibição do retrato no passaporte, de pessoas com o cabelo black power solto. Meu cabelo é escorrido, tenho olhos azuis e pele de pão cru e tive que prender o meu cabelo para a foto do meu passaporte, tive que tirar o brinco também (3x4 já é um horror, assim então #colocarumadesivoemcimafoioquepenseinahora). Sem polêmicas! São regras, pro formes. Menos polêmicas e mais cada um fazendo o seu, sem traumas ou mania de conspiração, por favor!

25 de agosto de 2014

Das pérolas de João

Nomeei essa ilustração que ganhei
De do que imaginamos, o que é, das ficções, contos e encantos de escrever
“Vida de escritor não é tão esplendorosa
Raros são os que têm sucesso de vendas suficiente para se sustentar"
Disse o já saudoso João Ubaldo Ribeiro
Eu por exemplo não ganho nada com o que escrevo, aqui, nem em lugar nenhum
João, um imortal da Academia Brasileira de Letras, vencedor do Prêmio Camões e de dois Jabuti, para 2012, declarou em ocasião a uma revista, em entrevista, que tinha planos definidos, que consistiam basicamente em desligar do mundo, ao menos durante as manhãs, para se dedicar à literatura. “Senão minha obra futura vai ser constituída basicamente de e-mails. E eu não quero isso não.”
Sobre sua participação num evento literário, se sentia confortável entre escritores e críticos, ele respondeu: "Me sinto. Só não me sinto à vontade com o que é muito pomposo. O sujeito pomposo, que encara a condição de escritor como uma coisa meio esotérica ou monástica. Quando é complicado eu não gosto não. Entre os críticos, quando consigo entender o que eles falam, me dou muito bem. Quando não consigo, digo que não entendi e eles acham que estou fazendo piada."

24 de agosto de 2014

Alice! Alice!

Eu sou fã de carteirinha, que tem correntinha com xícara e cadeira do chá e acessórios em geral do filme Alice, fã da história como um todo, dos personagens (principalmente do chapeleiro, que interpretado por Johnny Deep, aumentou meu gostar) e dos detalhes cenográficos, filosóficos e poéticos dessa história que é um clássico atemporal.
Nos moldes de hoje de resumir os clássicos seria a história de uma garotinha, que segue um coelho branco hiperativo até um país de fantasia, lá vivem diversas aventuras, conhecem personagens bizarros e no fim ela descobre que tudo foi um sonho. Não me representa esse resuminho infame, resolvi portanto viajar nos detalhes.
Mandar cortar cabeças é com a Rainha de copas, há quem veja nela uma caricatura da Rainha Vitória, outra correlação é com a Rainha Margaret, figurinha carimbada da Guerra das Rosas, esposa de Henrique VI, que disse: “Fora com a coroa, e, com a coroa, a cabeça”, dirigindo-se ao Duque de York e a sua tentativa de dominar a Inglaterra. A rainha do conto não admite que suas flores sejam de outra cor que não vermelho e tem seu nome como referência alegórica a cartas de baralho e um exército deles, pois, seu passatempo é jogar críquete, sendo que nos jogos ela sempre vence, porque todos sempre trapaceiam ao invés de em favor próprio a favor dela, por apreço a própria cabeça no pescoço, em resumo.
Não podia deixar de confabular o porque de o fashion e doce chapeleiro ser chamado de louco. É que em tempos idos, lá quando a obra foi escrita e o seu autor tido como um louco por tanta inventividade, era utilizado mercúrio no processo da confecção das majestosas e imponentes cartolas e chapéus. O cheiro inalado pelos chapeleiros era tóxico e provocava frequentemente, problemas neurológicos. Davam uma pirada os arteiros chapeleiros.
E quem nunca observou ou se perguntou o por que dos números 10/06 que o chapeleiro carrega em um papel na cartola? Se nunca, fica o incentivo a observação. Este é um pormenor que como muitos não aparece por acaso, o par de números é simplesmente o preço da cartola, 10 xelins e 6 péni (a moeda da época).
O sorridente Gato Cheshire, que como o chapeleiro, já teve post aqui, meio que simboliza a consciência de Alice, é um amigo imaginário. Há quem o considere covarde, o lado medrosa da menina talvez. Ele dá recados, dialoga com Alice, some e aparece ao bel prazer para a alegria e gosto por mistérios da garotada. O nome Cheshire é o nome de um condado na Inglaterra e também uma expressão inglesa (há quem diga que por culpa do gato) aplicada a quem sorri largo.
Um dos personagens mais enigmáticos e queridinhos da história é o acelerado coelho, sempre apressado e atrasado. Apegado ao seu relógio ele simboliza o tempo, rígido e exigente e é o responsável pela quebra de Alice com a realidade tal como ela a conhecia, ele seduz a protagonista a entrar no tal buraco e essa cena é fonte de várias reflexões e ilustrações: “Down the rabbit hole”, por exemplo, se tornou uma metáfora utilizada para todos os que arriscam o desconhecido.
Histórias conhecidas nesse dia da semana lúdico que é o domingo, estando eu hoje em em uma pequena grande viagem para mim fantástica (conto depois), com convite a conhecermos sempre mais, a ver filmes, ler livros, viajar no mundo da fantasia e no real, ir de encontro ao desconhecido que nos agrega algo de alguma forma, ao infinito e além, vou aqui ligeira, ligeiro, que o tempo não para tic tac tic tac, amanhã é segunda-feira.

23 de agosto de 2014

Radiomans

Radioman é "nome" de um mendigo famoso, figura urbana nova-iorquina muito referenciada na década de 90 e assíduo frequentador de sets de filmagens que teria inspirado o personagem Parry, interpretado por Robin Williams, em "O Pescador de Ilusões".
"Lembro que Radioman não conseguia acreditar que o personagem do Robin existia de fato, que estava sendo imortalizado no cinema. Então, ontem, eu tive que abraçar Radioman" disse o ator Bridges na ocasião da morte do colega. O filme bem antigo, tem para mim um que da cena do filme Homem aranha, que uso sempre de argumento para quem dá dicas de blitz no trânsito a amigos e desconhecidos que beberam. A cena é a do bandido que Peter ajuda e na fuga mata seu avô. Assim pode ser quando dizemos a fulano que tem blitz na rua tal e ele pega tal rua e atropela um parente nosso, um amigo.
O Pescador de Ilusões se estrutura basicamente na história do personagem Jack Lucas, ancora de um programa de radio de falsa autoajuda, onde em vez de ajudar, ele desestrutura e zomba dos ouvintes e eis que além dos cotidianos males, acontece uma grande tragédia por consequência de um mau conselho dele a um ouvinte que atira em pessoas inocentes em uma lanchonete. O personagem de Robin, que se chama Parry, é um homem bem sucedido, vitima indireta da tragédia. Três anos depois do ocorrido Jack, desempregado e que sempre teve horror a pessoas pobres, está no fundo do poço com peso na consciência e após beber bastante sai perambulando pelas ruas e quase é morto por dois jovens que odeiam mendigo. Jack é salvo por um mendigo louco que procura pelo Santo Graal, chamado Perry, cuja mulher morreu no tal acidente da lanchonete que ele provocou.
Perceber e ser percebido é denominado por estudiosos de percepção social. Na prática, pensar o que dizemos, como agimos, termos a consciência do nosso papel no coletivo, sabermos que não podemos prever onde nossos pés podem tropeçar, se tornar amigo de um mendigo #issomudaomundo

22 de agosto de 2014

Dos pés

Clica aqui para ver a matéria da fonte da imagem
"É no chão, onde tudo floresce
Hoje, você é pó
Amanhã, flor"
Bruno de Paula
Trabalhei em uma loja de sapatos e abaixava, ajoelhava, me curvava para calçar sapatos nos pés das pessoas que bem podiam fazer isso sozinhas na maioria das vezes e passei a tirar essa tarefa dos outros em minhas compras de sapatos e a observar a tarefa de calçar Cinderelas (rainhas, reis...) como um gesto de humildade, sem a percepção disso por parte dos outros e a reflexão de que, sapatos , são peças tão comuns, que temos vários pares e muitos só tem um único par, outros não tem nenhum.
Já que o assunto são pés calçados e descalços, eu adoro andar descalça em terra, grama, areia, mas nada de calçar o que quer que seja depois sem limpar o pé. Devia ter praças onde a plaquinha dissesse: pise na grama, para terapia pública.
Gosto também de sentar em bordas de piscinas, colocar os pés dentro e balançar e no vai e vem de pés e histórias tenho uma de um curta que vi numa seção onde passaram alguns da produtora que meu irmão faz parte. A história era em uma escola num lugar bem pobre, chão de terra batida e em todo o filme via-se apenas as pernas e pés das pessoas ao som dos burburinhos de uma sala de aula. Alguns alunos calçados com sapatos, outros de chinelos, uns descalços e a professora com saltinho baixo. No final da história na entrada da sala havia uma caixa cheia de sapatos para todos calçarem antes de entrar. Valia, pensei e hoje resolvi compartilhar meu achar, que tivesse também uma vazia para quem estivesse calçado lá seu parzinho deixar.
Uma sexta de pés no chão, cabeça nas estrelas, humildade, brisa boa, folclorices, sorrisos soltos, abraços longos, afeto sincero, paz e bem.

21 de agosto de 2014

Dos divinamentos

"A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá
Mas não pode medir seus encantos
Quem acumula muita informação
Perde o condão de adivinhar: divinare
Os saibás divinam"
Manoel de Barros
Por uma quinta de divinamentos

20 de agosto de 2014

A flor da pele

Foto de Alexandre Severo
Para não entrar no maçante e repetitivo do assunto, hoje, passados dias, resolvi fazer um post sobre o acidente com o candidato a presidência da República, Eduardo Campos, que foi noticiado pelo mundo inteiro. Penso que além do lado político, do vínculo dele com o nordeste, da tragédia ter vitimado mais 6 pessoas e é chocante num meio de um dia qualquer ver uma notícia dessa na tv, como tantas que vejo, me chocam e sempre digo desejar nunca me acostumar.
Também chocante é ouvir as pessoas seja pela internet, nas ruas, pessoas próximas a nós, fazerem pouco caso, piadas, não acompanharem o caso que é um acontecimento triste e histórico. Parei para ver sem nada entender bem e acompanhei a saída do nosso presidente que foi deposto, como testemunha da história, é assim que penso e é assim que o bloco que só cresce dos nada ai para nada deviam encarar.
Da vida de cada um dos que se foram, suas histórias pessoais, de família, de trabalho, como uma das histórias do fotógrafo Alexandre Severo, que vi através do Instagram da Vida Simples, que fotografou uma família composta por negros e albinos, num delicado e premiado ensaio chamado: À flor da pele. Um emaranhado de muitas histórias, como as das muitas pessoas que estavam em suas casas e no entorno na hora do acidente, dos parentes que viram o local pela tv e tem parentes ali. 
Um senhorzinho muito simpático e de fala simples disse em um dos muitos depoimentos que vi pela tv que agradeceu ao piloto estar ali vivo. Ele acha que está vivo por habilidade dele, tenha feito o piloto algo ou não, gratidão é uma forma de oração. Achei lindo!
Mortes, sejam como for, são perdas. Sendo em acidentes há sem dúvida mais dor, há mais sentimentos em suspenso, bem como ter que processar a perda de alguém que tira a sua própria vida. Um assunto pesado, mas que trouxe para cá, pois de beleza, poesia, risos, dores e choro é a vida. Um amigo e colega do ator americano Robin Williams que partiu na mesma semana, disse em entrevista sobre sua a morte: "Eu apenas quero registrar a completitude da vida, as alegrias, as tristezas, que estão nos aguardando a todos. Estou repleto de vida hoje ao saber da morte de meu querido amigo Robin".
Quando alguém parte ou anuncia a sua partida há muita vida, lembranças, histórias, tudo renasce e após a dor passar percebemos, permanece. As pessoas vivem enquanto forem lembradas. Nossa lembrança aos que se foram, nossa certeza de que um dia iremos, dai o valor e a necessidade do cuidado com cada dia, hora, minuto.

19 de agosto de 2014

Chá?


Acho muito chique tomar chá, as cinco então é a cara da finesse e acho fantasioso também, falou em chá, sou remetida diretamente a mesa cheia de xícaras do filme Alice, a convite do chapeleiro Maluco. Uma senhora , que ajudou a me criar, me ensinou de pequena quando eu teimava para não beber os tais chás ou remédios, a tampar o nariz com o polegar e o indicador e tomar de virada. Fazia isso toda confiante, não perguntando e não entendendo o porque. Mas hoje trouxe um chá delicioso. De quê? De poesia! Bebi na vizinhança e trouxe porções. O escritor cheff se chama Will Willmondes.
"Tomo conhecimento de um projeto no Reino Unido que usa poemas e músicas para ajudar pessoas em idade avançada a recuperarem a memória (veja aqui, mas veja mesmo). Não duvido que a poesia que habita poemas, músicas, pinturas ou qualquer outra expressão de arte seja a cura para muitos males do espírito.
O fascínio causado pela poesia nos faz viver um instante divino no universo em forma de pensamentos e sensações. Somos tocados por algo especial, uma luz suave que não ofusca os olhos e não carece de esforço algum para ser entendida, apenas se veste de metáforas que sublimam a razão. “Quer se queira ou não, - admitiu Bachelard (filósofo francês) - as metáforas seduzem a razão”.
Um religioso dirá que esse poder da poesia é dom gratuito de Deus, um cético admitirá ser um inexplicável estado de leveza da alma fruto da criação humana.
É que a poesia desperta nossa memória e serve de espelho para belas cenas e paisagens adormecidas dentro nós. Ela desvela nossa sensibilidade, desnuda-nos, revela nossa essência fazendo simpatizarmos pelo que somos. “O poema nos revela o que somos e nos convida a ser o que somos”, ensina Octávio Paz em O arco e a lira.
Portanto, não duvido do poder curador da poesia, que chega de mansinho, enamora nossas ideias, desarma nossas preocupações, sopra as poeiras da memória como um esbaforido amante, colore um caleidoscópio dentro de nós e num instante estamos extasiados com a beleza desperta no mundo: um campo de girassóis, uma orquídea, um sorriso, um olhar, um por do sol."

18 de agosto de 2014

Por...

"A cobra que não consegue livrar-se de sua casca morre
O mesmo acontece com os espíritos que não mudam suas opiniões
Eles deixam de ser espírito" 
Nietzsche
Por uma semana de mudanças de opinião
Janelas, portas e mentes abertas
Por pensarmos fora da casca, da casa, do lugar comum
Por fazermos parte das mudanças alheias de opiniões
Por adaptabilidade
Por espiritualidade, valores, paz e bem

17 de agosto de 2014

Jabuiti ti ti

Fonte da imagem: clica aqui
Em consideração e honraria ao Prêmio Jabuti, que contempla várias categorias do mundo literário e ontem citei e critiquei aqui, hoje resolvi fazer um post amigo e ameno para falar dele a partir de uma matéria que li na net. É que esse ano, no mês de meu aniversário ele ganhou vida nova, depois de 23 anos, está sob nova direção, o comando passou para Marisa Lajolo, professora de literatura brasileira do Mackenzie e pesquisadora de Monteiro Lobato (já gostei dela). Como novidade para nova gestão a proposta de fortalecer a repercussão da premiação no mercado é uma ótima notícia ao meu ver.
"O Jabuti dá muita mídia no dia da cerimônia, mas depois morre o assunto. Queria torná-lo mais duradouro, um estímulo frequente à leitura. É preciso que, ao longo do ano, ele atraia a atenção dos leitores e dos livreiros", declarou Marisa, que ainda revelou em entrevista a Folha de São Paulo que a curadoria pretende criar selos especiais para os livros vencedores veicularem nas capas. 
Quem já se perguntou ou está se perguntando por que um jabuti para nomear um prêmio de livros, no site do prêmio tem a explicação que eu recortei e trouxe para cá. "A resposta tem explicação no ambiente cultural e político da época, influenciado, sobretudo, pelo modernismo e nacionalismo, pela valorização da cultura popular brasileira, nas raízes indígenas e africanas, nas suas figuras míticas, símbolos seculares carregados de sabedoria e experiência de vida e legados de uma geração à outra. Sílvio Romero, Mário de Andrade, Monteiro Lobato e Luís da Câmara Cascudo, entre o final do século XIX e o início do século XX, foram pioneiros na pesquisa, no estudo e na divulgação dessa rica cultura popular.
E foi Monteiro Lobato, provavelmente, o mais prolífico na recriação literária das histórias desses personagens meio enigmáticos, meio reveladores e sempre sedutores do folclore nacional. Um desses personagens da literatura infantil de Lobato é, como se sabe, o jabuti. O pequeno quelônio, já familiar no imaginário das culturas indígenas tupi, ganhou vida e personalidade nas fabulações do autor das “Reinações de Narizinho”, como uma tartaruga vagarosa, mas obstinada e esperta, cheia de tenacidade para vencer obstáculos, para enganar concorrentes mais bem dotados e chegar na frente ao fim da jornada. Com essas credenciais, ganhou também a simpatia e a preferência dos dirigentes da CBL. Eles o elegeram para inspirar e patrocinar um prêmio para homenagear e promover o livro."

16 de agosto de 2014

Das não leituras

"Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência
Sem isso
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá"
Simplesmente Chaplin
Essa semana  uma amiga me contou que leu antes da filha ler (fiz muito isso) um dos livros de literatura pedidos pelo colégio. O livro foi um de três do mesmo autor da lista de leituras paradidáticas para o ano letivo, desde esse ponto, não achei muito didático, uma vez que a turma é da faixa etária de 9 anos e variações são importantes para o caso de uma não identificação com o estilo do autor e mais ainda pela temática dos três livros serem a mesma, também pelo valor da apresentação de mais de um nome de escritor, editora etc. No tal terceiro livro há descrições e relatos de muita violência, verdadeiras barbáries feitas por e com crianças. Vale ressaltar, sem uma conotação ou desfecho de sonho, tom de ficcionalidade ou lição de moral nas entrelinhas. Absurdo é o mínimo! O livro ganhou o prêmio Jabuti e o autor é super reconhecido, ela disse na descrição que me fez do tal e pensei: Como pode?
Pesquisei sobre o livro, o autor e dentre as muitas ponderações a de que é um registro social e político da época da ditadura, que a recomendação de idade para leitura é inapropriada, que a idade das crianças não contempla tal percepção e trabalho da obra nesse sentido de registro histórico de enfrentamento do mundo real e violento em que se viveu e que vivemos, e ainda não sendo para crianças, é um tipo de leitura questionável para um prêmio literário infanto-juvenil ao meu ver, como foi o que o referido livro ganhou.
Não achei importante citar obra e autor, mas achei interessante dividir essa indignação com certos prêmios, essas incoerências entre combater a violência, ver e se chocar com casos de crimes em escolas e fazer uso na escola de literaturas que ilustram e narram violência. As leituras escolares, devem  circular entre o lúdico e o real em tom educacional, uma realidade compreendida e processada de forma agregadora pelo leitor e sua faixa etária. A escola e se não ela os pais devem atentar para o uso de um material tão contraprodutivo.
Vale para pais, tios avós, além de acompanhar e conferir as tarefas que vão para casa, passar o olho nas feitas na escola, nas questões das provas e questionar questões absurdas, seja do tipo um pássaro arremessado na parede para criar uma questão de física, seja qualquer tipo de proposição agressiva, ou preconceituosa, em qualquer contexto. Muita modernidade, interdisciplinaridade, interatividade, novos métodos, mas ainda é de pequeno que se faz os grandes, colhe-se o que planta-se é invariável esse processo. E tenho dito!

15 de agosto de 2014

Foto do muro de um antigo forte que fica num bairro onde meu marido morou
Onde meu irmão já filmou
Onde passo ao ir a lugares que muitas vezes fui e vou
E que recentemente reformou
Além de rimar que tal boas coisas praticar?
Que tal nessa sexta além do normal
Ou como o habitual
Fazer coisas boas
Falar, pensar, desejar
Do mal se afastar
Falar o que convém
Ou não falar nada a ninguém
Dar bons motivos, conselhos, sorrisos
Fazer alguém melhor
Ser alguém melhor
Crescer espiritualmente
Compartilhar alegrias, esperança
Ser ponte
Transpor muros
Ser elo, ser laço
O mundo precisa de gente assim

14 de agosto de 2014

Dos incômodos

“Atenta ao que te incomoda, tens ali um mestre”
Vi esse ditado dia desses num telhado vizinho com a observação de que é uma prática difícil e extremamente necessária pararmos para analisar o que nos incomoda de forma a transformar o incômodo em aprendizado. Observamos, nos preocupamos, coordenamos o que nos faz bem e não damos a devida "importância" ao que nos faz mal.
Penso que são importantes as mazelas, as incoerências, os sofrimentos, os incômodos nossos de cada dia e os pontuais, passados, presentes e futuros. Não acho porém que essa analise tem que ser minuciosa e rígida, ficar procurando cabelo em ovo, explicações para o que é banal. Tipo catar feijão, o ideal é separar o que for ruim e nocivo e o que não for ou for só casquinha, passar sem noiar. 
Tudo parte de um mesmo pacote, o bom, o que não fede nem cheira, o que é ruim e analisado resinifica e redimensiona o bom. Coisas, pessoas, sentimentos que nos fazem bem e os que nos incomodam tem que ter um olhar atendo, uma gestão.

13 de agosto de 2014

Por mais Gils

Eu estava assistindo a um programa de auditório e ouvindo Gilberto Gil falar, esperando ele terminar cada frase, concluir o raciocínio, no tempo dele, com pausas de notas musicais e olhos nos olhos do apresentador. Fala mansa, argumentos simples, cuidado em escolher as palavras. E nas entrelinhas de minha audição e admiração, o lamento, pela certeza de a maioria das pessoas não param para ouvir pessoas que falam assim, além da lamentável constatação de haver bem poucas que falem assim; com cadência, olhos nos olhos, tom suave e poesia.
Praticasse com normalidade não dar atenção, do tipo ouvir e não escutar, divagar ou até mesmo fazer algo ao mesmo tempo que alguém demora para falar.
Adoro ouvir  Gil cantar, falar, opinar sobre diversos assuntos, ver ele na idade dele ainda e com todo gingado, sambar e vim aqui para desejar aos quatro ventos: mais Gils, para falar do novo trabalho dele, fazer merchan sem ele nem saber e sem nada em troca ganhar, na verdade, se alguém ouvir e se alegrar e o horizonte ao som de suas voz e letras das canções alargar, para mim já é recompensa.
O trabalho novo é uma homenagem ao também baiano João Gilberto, que o nome é pura criatividade: Gilbertos samba. E a medida que escrevi me perguntei, será coisa de Gilberto falar manso? Uma quarta mansa, bamba e boa!

12 de agosto de 2014

Adeus! Ah Deus!

"Comprimidos aliviam a dor
Mas só o amor diminui o sofrimento"
É uma frase dita pelo doutor palhaço interpretado por Robin Williams, em Patch Adams, que vou emendar numa frase dita por Paula Gomes, parceira de meu irmão nos muitos filmes circenses que produziram: "O circo chega aonde o cinema não chega". O cinema chegou para ele e ele para o cinema, o nariz de palhaço caiu nele tão bem e através dele, o ator e seu personagem chegaram em muitos hospitais, em muitos corações. E o coração dele? 
Como diz a sabedoria popular, coração é terra em que ninguém passeia, logo ele que passeou pela Terra do Nunca, protagonizou o menino que nunca cresce, que passou pelas aventuras de Jumanji, pelo Museu de História Natural, incorporou um homem bicentário, se vai, por um desatino, aos 63 anos. Indomável como tantos outros gênios que vemos nas telonas e perto de nós, perdendo para as drogas, para as perturbações mentais.
Pessoas com talento, com carisma, com fortunas, com oportunidades e que não conseguem administrar os insucessos ou para quem o sucesso, a fortuna, as limitações profissionais talvez e muitas vezes pessoais, tomam rumos nocivos. Fazem desconsiderar que o melhor delas para muitos que os cercam ou distante os admiram, é aquele dia fora de cena, uma reação humana qualquer. O filme preferido é o que ela não ganhou o Oscar, é o sorriso natural dela, aquela história que não teve palco, não teve aplausos.
Como disse, em seu personagem de Uma noite no Museu: "Alguns homens nascem grandes, outros tem a grandeza imposta a eles", que era pequeno e foi grande, tenha sido por imposição ou não, parece que lhe pesou. Alguns filmes inéditos entrarão em cartaz com ele e todos os filmes que fez o manterão vivo, falando, andando, atuando. Para mim, dos seus papéis, o do gênio indomável lhe cabe pelo nome do filme e o fim que ele teve em vida, lhe cabe pelas perturbações do personagem, pelo jeito doce, sorriso terno e ao mesmo tempo um olhar triste.
Lhe cabe como uma luva também, o papel de palhaço, pois ele tinha um ar alegre e triste. Nessa foto de sua estrela na calçada da fama, tem uma sombra, não sei do que, uma sombra havia em sua vida, sabiam as pessoas ou não, sabia ele ou não o porque. Agora é tarde para questionar ou ajudá-lo.
Tem ainda outro filme encenado que acho fabuloso, tanto a história quanto sua atuação, a arte do filme, a poesia. Amor além da vida é o nome.
Na história, ele morre e não vai para um céu com arcanjos e harpas, pois o céu seria como um universo particular e o dele era uma pintura. A mulher dele coordenava uma galeria de arte e enquanto o personagem tentava entender tudo aquilo fica sabendo que ela, dominada pela dor, comete suicídio. Assim, ele nunca poderá encontrá-la, pois os suicidas como se diz em todos os credos, são mandados para outro lugar. Mas, mesmo assim, ele decide achar ela, e é avisado de que se a encontrar, não a reconhecerá. É isso que senti ontem, quando vi a notícia de seu suicido, não o reconheci.
Mais um poeta morto! Exclamação com pesar para encerrar em referência e reverência ao filme Sociedade dos poetas mortos, que vi muitas vezes ea ele não pela sua última atuação no palco da vida, mas pelo conjunto da obra. Adeus Sr. Robin!

Das descobertas

Em uma doceria para comprar palmier, o atendente fez uma cara de não saber o que era e me perguntou se era um folhado em forma de coração. E do gostar da comparação, fui direto para a questão de nunca ter associado o doce ao formato, tão no formato que é. Daí me veio a máxima de que sempre há o que se descobrir.
As tais descobertas nossas de cada dia, das pequenas as grandes , tão importantes!

11 de agosto de 2014

Das emendas as costuras

Das emendas que falei ontem, vim falar hoje, de remendo, em costuras. Não sou nenhuma costureira, nem bordadeira de mão cheia, embora tenha feito , sozinha, uma mochila de retalhos, com forro de espuma e tudo, na máquina de costura, nos idos de minha adolescência. 
A contação veio da ilustração, que assim que bati os olhos, me senti numa máquina do tempo, tirando do classificador da escola um dos muitos papéis com o desenho da roupa para o São João ou festa folclórica, um retalinho do pano para ser comprado e a indicação da loja, geralmente uma que não sei se era ou é nacional, chamada: Feira dos tecidos (quantos panos de roupas e para lençóis, fronhas e utilidades gerais compramos lá).
Muito legal isso de todo mundo fazer a roupa padrão, obedientemente, sem um botão a mais ou a menos, de o retalho vir ao lado grampeado, de isso ter sem eu nem imaginar na época, me marcado. Era comprar o tecido e seguir o modelo. Costurar, mães, tias, avós, vizinhas que soubessem ou passar para uma costureira a seu gosto e gasto e todas no dia da apresentação vestidinhas iguais. Amei relembrar e dividir.

10 de agosto de 2014

Pulo e emendas

Não é a toa que poesia rima com magia
Com terapia, sabedoria
Poemas são borboletas encantadas
Sem origem, pouso, porto
Presentes tanto em jardins quanto em estradas
Acompanham as primaveras
Verões, outonos e invernos
Todas as flores, todas as eras
Há poesia no olhar de quem se ama
De quem se espera
De quem nem conhecemos e em quem vemos quimeras
Na chegada, na partida, no centro, num canto
Todo dia ou vez enquanto
Nascem em casulos e voam como borboletas
Não chegam, nem se vão
Estão em nós, a dois, a sós e no meio da multidão

Pulei a sexta! Sem tempo, muitas atividades, nada programado e com uma data especial no domingo, resolvi postar nesse dia, que a maioria está de bobeira, flanando, tricotando e vim tricotar e emendar o blá blá blá na segunda, para já pegar no tranco. 
Especial é a data de hoje pois nasceu nela um escritor amado e uma amiga amada. Falando em emenda, alguns dias seguintes a minha ida sonhada a Bienal de Sampa, em que vou conhecer pessoalmente essa amiga, vou participar de um Colóquio de Literatura Brasileira que vai acontecer aqui em Salvador na sua quarta edição e que até me inscrever não sabia o que significava Colóquio (quem não sabe, como respondi outro dia a uma amiga, a internet tem dicionário além de face, perdãozinho pelo desaforo). 
A partir da participação como ouvinte farei o que muitos fazemos, irei pela primeira vez a dois lugares que sempre penso e ir e nunca vou, que tenho vontade, mas tá ali, sabe como é? Muito feio isso! 
Um esteve ali, ao lado (ao lado mesmo) da escola onde estudei da alfabetização ao 3º ano do ensino médio e não entrei lá, achava lindo o casarão, nada aconteceu lá que eu tivesse tido a oportunidade ou conhecimento para ir, por curiosidade, nem que fosse no jardim da frente, foi ficando pra depois. O lugar é a Academia de Letras da Bahia. O outro lugar é nada menos que a Fundação Casa de Jorge Amado, casario azul e infante no Pelourinho, por onde eu já passei muitas vezes e nunca entrei. E muita coisa acontece lá, mas nunca vou. Ansiosa!
Pois bem, para Jorge meu salve, para minha amiga Ana meu aceno de lenço laranja. Para ambos a poesia abaixo da ilustração, tirada da minha pastinha de escritos ainda não divididos, como quem tira um papel de carta da coleção e escreve para alguém querido.

7 de agosto de 2014

Das leituras, likes, loves

Eu tenho o hábito, na verdade a necessidade de ler livros, revistas, jornal, notícias da internet, blogs, meus escritos, cartas e bilhetes antigos que ganhei. De tudo um pouco, pois para mim cada uma dessas leituras tem um sabor diferente, um valor, cada uma me agrega algo ou me traduz de alguma maneira. 
Dessa listinha de meu eu traça, os blogs se tornaram necessidade com gosto e com alguns desgostos. Pessoas que não escrevem mais em seus blogs, pessoas que escrevem muito bem e não sabem o quanto e por isso escrevem pouco, as que escrevem bem e se tivessem tempo escreveriam mais e por ai lá vai.
Tenho meus blogs de rotina, tipo: Minutos de sabedoria, os de diversão, informação, os que satisfazem uma vontade rotineira, que um blogueiro, menino já crescido, bem descreveu e eu trouxe seu palavrês para descrever e reconhecer os likes, loves e extensos comentários que dou e faço, por gostar de verdade e os muitos loves que gostaria de dar e comentários que gostaria de fazer.
"Um post legal de verdade, daqueles em que a pessoa dá like mesmo antes de termimar de ler. Um post bacana, desses em que a gente dá um like e um deslike em seguida só pra poder ter o prazer de dar like de novo. Queria ler um post, assim, beleza mesmo, desses em que a gente dá logo Lk365,00 redondo e nem pede troco. Um post que compartilhar apenas não baste, que neguinho publique à mão, na LT de cada amigo, um por um. Um post que faça acordar as crianças, as mães, os velhos e que ponha poetas e músicos a preparar-nos canções drummondianas. Sei lá, queria ler um post assim agora. Daqueles que a gente não resolve se vai dar um like, se vai dar um love." Marcilo Godoi.

6 de agosto de 2014

Fora da caixinha

Os antropólogos acreditam que temos que conhecer mundos diferentes para entender e explorar melhor nosso mundo. Isso é muito verdade e vale para praticar em mundos e buscas macros e micros, tipo o mundo de outra pessoa, outro bairro, cidade, estado, país, outra religião, outras culturas e também, o mundo contido em outras leituras, estilos musicais, outros filmes, em outro restaurante além do que habitualmente vamos, outra padaria, cinema. Pensar, experimentar fora da caixa, como se diz.
Pergunta: Você sabe de onde veio essa expressão? Conheço algumas explicações (adoro histórias que tem mais de uma história). Uma, bem limitada, define que significa pensar fora de seu quadrado, sendo que cada pessoa vive dentro de um, de uma caixa. Uma outra explicação ilustrada, mais interessante, corporativa, criativa, surgiu de um desafio em uma dinâmica de grupo, em que o participante tinha diante de si três caixas de fósforo, uma com fósforos, outra com mini velinhas e outra com tachinhas. A tarefa era pregar num quadro de cortiça todos os materiais. Tempo...barulinho de cigarra...música de suspense. Peeemmm! Alguém abriu uma das caixinhas de fósforos, pregou a gavetinha com uma tachinhas no quadro, riscou o fósforo ascendeu uma vela, pingou a cera dentro da caixinha, pôs a vela lá e o fósforo ao lado. Descrição da solução: a pessoa pensou fora da caixa.

5 de agosto de 2014

Ensaio sobre mim





1. Quatro lugares que eu gostaria de ir:
França, Itália, Portugal e Espanha

2. Quatro palavras que me definem:
Impulsiva, idealista, sonhadora e tagarela

3. Quatro cores que mais gosto:
Azul, vermelho, branco e lilás 

4. Quatro pessoas que eu não vivo sem:
Não consigo escolher só quatro

5. Quatro produtos de beleza:
Cremes Natura Todo dia, Nívea, Victoria Secrets (amo cremes)
Óleo de maracujá
Desodorantes Nívea
Lápis de olho

Esse nome da postagem de hoje é o nome do blog da amiga de uma amiga minha (sempre quis dizer isso). A minha amiga se chama , um nominho para mim: vintage e sonoro. Eu e ela temos alguns gostinhos em comum e um deles é adorar fazer listas. De minhas agendas e papéis do baú da adolescência até o bloquinho virtual do meu celular e os tantos amarelinhos concretos que gasto, me realizo, me organizo, me terapeuto e recomendo!
O tanto de ilustração é como referência do blog dela, um show de imagens, desde fotos que ela tira, uma mais tudo que a outra, de pessoas, lugares, coisas, gostosuras a cards e outras iluminuras.
Pois então, além do gosto por listas e fotos, temos outras sintonias e ela me indicou responder esse questionário proposto a ela por essa amiga dela, desse blog do nome do post. Vixe! Quase engasgo! Pois bem! Eu de cara me senti com o caderno daquela menina que deve ter virado psicóloga ou assistente social ou fifi (rararara) da época de escola, que passava questionários copiados folha a folha num caderno pra gente responder: cor preferida, o que quer ser, frase e toda uma infinidade de coisas. Tem um "que" também de testes das revistas Capricho e Carícia que fiz muito.
Disse a ela que responderia, enfeitaria e aqui publicaria o questionário tipo em cartolina com babados de papel crepon e convite para as visitas, publicarem suas listinhas. Sugiro colarem na parede com fita crepe crepon para não rancar uma lasca da tinta hein.

4 de agosto de 2014

Balde de ideias simples

Eu resolvi trazer hoje um balde, uma ruma, uma porção de ideias sobre um assunto que foi tema da primeira campanha que fiz aqui no blog: Lenços que curam, uma proposta de arrecadar lenços para levar para pessoas idosas, abatidinhas e sem cabelo por conta da idade e para pessoas com câncer, gente para quem um adereço imaginei, é uma ferramenta de elevação da auto-estima.
Além da constatação do poder de um objeto e de gestos voluntários conjuntos, o gesto individual contagiante de levar lenços para pessoas em seus estados, comunidades, de dar a alguém próximo, a percepção de mudanças grandes que gestos pequenos podem fazer e uma porção de aprendizados adjacentes, me fizeram voltar com o assunto para contar o que aprendi essa semana e desatei a imaginar outras possibilidades. 
Descobri que a palavra balde sem a letra e, em inglês significa careca e que tem uma campanha muito legal, para ser aplaudida e compartilhada chamada Bald Cartoon. Clica no nome vai lá ver, se encantar, inspirar, compartilhar. Faz uma postagem em seu blog, compartilha via Face, Insta, manda para sua lista de contatos por e-mail o link da campanha.
Nessa descoberta como que enchendo um balde de possibilidades para prática e sugestão, pensei num outro tema que foi assunto aqui, que é a necessidade de cada criança, cada escola, ter um livro, na verdade vários livros e revistas em quadrinhos, filmes, bonecos(as), objetos de decoração com personagens de pele negra. Por um reconhecer da criança de pele negra na fantasia e no real, um reconhecer, das que não são negras, de seus coleguinhas. Com e por naturalidade! Sem bandeira de diferenças, como iguais, como são. Clica aqui para ler o que publiquei nesse tema aqui e os comentários sobre o assunto. Então! O que tem a ver uma coisa com a outra?
Tem a ver, algo que fiz muito, por gosto na minha infância, por peraltice também, e que pensei bem pode virar incentivo: cortar os cabelos das bonecas e bonecas de cabelos raspados. De fábrica ou com intervenções em dinâmicas de grupo, em momentos específicos com crianças que passam por esse processo ou não. Levar para o lúdico, além do divertimento e perfeição, as imperfeições da vida, a identidade para quem está doente. 
Tem ainda a ideia super criativa (olha eu me elogiando) que me ocorreu, de perucas de retalhos de tecido tipo o cabelinho da Emília, ou cabelos de croche ou de lã com modelinho igual para a criança e a(o) boneca(o) ou bichinho de pelúcia. Chapéus, gorros, algum capacete de herói, infinitas possibilidades. Vale nessa prática cobertor nas bonecas quando a criança estiver resfriada, caminha quando precisar ficar deitadinha, termômetro e por ai lá vai. Vale levar o cachorrinho de estimação para tosar quando a criança, o adolescente e até o adulto tiver que passar por isso, parece besteira, mas ajuda de muitas formas.
Muito está se falando e poetizando em torno de pessoas infectadas e o que passam, por do causa do romance: A culpa é das estrelas e além da validade de ler o livro e ver o filme, se emocionar, compartilhar frases nas redes sociais, ser fã dos atores, querer o livro da história real da menina em que se baseou a história fictícia, acho que vale fazer algo concreto, se envolver de alguma maneira, como escrever uma carta para alguém com câncer, proposta de muitos projetos divulgados via redes sociais, curtido, dado like, mas com pouca e efetiva participação. Clicar aqui para conhecer um deles e participar quem sabe! Achei também um projeto de cartas para idosos, que o site indicado está desativado, pode ter sido um evento único e portanto vale ser imitado (sempre vale imitar coisas assim), ver aqui. Lindo!
Muitas possibilidades, muito pouco que podemos dar e fazer e que para quem passa por um problema, quem tem alguma carência, uma gota d´água em um balde de bem olhando ou sem olhar a quem.

1 de agosto de 2014

Refazendo

"Todo tamarindo tem o seu agosto azedo"
Essa postagem de hoje é para como outras já passadas desmistificar, além de eu oralmente sempre pregar, que o mês de agosto não tem nada a ver com azar. Ver aqui uma das prozas. A imagem de picolés trouxe de uma postagem passada, numa de republicar. Clica aqui para ver, fui buscar ela pois ao ouvir ou falar a palavra tamarindo, lembro dos berros dos vendedores na praia ou ônibus: "Picolééé! Capeliiinha! Tem de milho, tapioca, tamarindo..."
Iniciei entre aspas com uma frase de Refazenda, poética e cadente canção de Gil, que adoro, para esse refazer do que o povo insiste em dizer, que tem seu valor cultural, mas não deve ser levado para prática, para justificar mal feitos, tipo achar, por procurar.
Penso que cada um põe ou tira o gosto de seus agostos. Além da popular associação de desgostos do mês com eventos infortuniosos das grandes navegações, talvez pela estação do ano e as marés, uma menos conhecida referência dos males do mês é a temida constelação de estrelas em forma de dragão, que para muitos era sinal ruim a despontar no céu no início do segundo semestre do ano. Thuban é um dos nomes dessa constelação. Os Egípcios a chamavam de Tawaret, a Deusa do céu norte. Eu, particularmente, gosto de dragões, por ser o animal de meu signo no horóscopo chinês, pela imagem imponente, destemida, mística, pelo colorido dos orientais e também pelos personagens de animações e histórias infantis.
Vou então repetir uma recomendação, já aqui feita para o mês de agosto, que é domarmos nossos dragão interior e os exteriores com a sabedoria da maturidade e malemolência da infância. 
Que entre bons ventos e tempestades, nos caminhos que passam por nós e pelos caminhos que passarmos, tenhamos constelações e céu todo azul, sol e chuva, bem-te-vis, gaivotas, dragões, pombas brancas, anjos de luz a nos guiar. Um agosto que começa numa sexta é para rimar e para entrar num bom decoro, de bom agoro. Que assim seja!