31 de outubro de 2014

De lanterna na cara

Com meu pedido de licença a modelo e ao fotografante, que desconheço
Imagem atribuída como semelhante a mim
Não sei se pelo andar disposto da garota
Pelo calçado vermelho
Pelo cabelo desse jeito amarrado
Por ser foto de costas que digo que gosto
#amei

Hoje é dia de Halloween
Dia do Saci
E tudo isso já veio pra cá e tá por ai
Ai, pra variar
E não tô variando das idéias
Trouxe para celebrar e compartilhar, um listar
De nomes de ruas por onde andei e ando
Para quem não é daqui conhecer
E quando vier aqui reparar
Quem já veio se alembrar
Quem é participar
Se identificar
E pelas memórias ou ruas perambular
Com rima, riso e rusgas na testa
Adoro os nomes cheios de poesia
Da minha cidade e suas muitas ruas, ruelas, becos, ladeiras, largos
Larga de criatividade, histórias, sonoridade
E o que isso tem a ver com dia das bruxas?
Lê ou pula os nomes que conto pra vosmicê
Mangueira, Bom Gosto, Jequitaia
Beco do Bambu
Gravatá, Beco do Peixe
Ladeira da Preguiça, Ladeira da Jaqueira
Largo do Hospício
Areal de Baixo e Areal de Cima
Barroquinha
Ladeira das Hortas de São Bento
Lapa, Beco dos Barbeiros, Portão da Piedade
Beco dos Sete Pecados
Rua da Alegria
Rua da Forca, Travessa do Rosário e Quebranças
Mangueira, Campo da Pólvora
Rua do Tingui
Rua da Jaqueira, Jogo do Carneiro
Ladeira do Alvo, Largo da Saúde
Rua do Jenipapeiro
Beco da Agonia
Ladeira do Desterro, Trás do Muro
Ladeira da Cova da Onça
Parando nessa cova, chamando Pedrinho de companhia
Pra caça do Saci ao invés de da onça
Pois essa é a parte da lanterna na cara
Tradição da contação dos contos de assombração
Pelo topo dessa ladeira passei incontáveis vezes
Fica ao lado da escola onde estudei da alfabetização ao último ano do segundo grau
E histórias verdadeiras e lendárias eram contadas
Não sei dizer se ainda são
Devíamos passar rápido
Coisas horríveis aconteciam por lá
Do famoso homem do saco a assaltos (#fato)
Eu obedecia, mas de fato nunca tive medo, nem passei nenhum perrengue por lá
Tive foi sapatos levados para o sapateiro que ficava no topo da ladeira
Fui na casa de umas colegas que moravam bem no meio dela
Em um casario velho e sem assombros
Marido tem histórias de subir e descer para jogar bola no Balbininho
Que ficava ao lado da hoje reformada e gigante Arena Fonte Nova
Um espaço para esportes, eventos escolares e culturais
Um mini estádio ao lado do grande
Que foi derrubado, com desprezo e maldade tipo da Cuca
Enchi a minha cuca de histórias
Vou aqui pedir doces e fazer travessuras
A cara de sexta-feira isso
Fui!
Bu!

30 de outubro de 2014

À moda da casa

À Moda da Casa, foi um dos programas de tv pioneiros de culinária que ensinava receitas para as donas de casa na década de 80, apresentado pela atriz Etty Fraser. Sou anos 80, mas não lembro disso, descobri numa pesquisa que fiz da expressão que eu me peguei dizendo dia desses, escrita com a tal crase, ambas, a frase e a crase pouco usadas hoje em dia, seja no falar, em cardápios ou letreiros que anunciam os pratos nas portas de bares e restaurantes, ai resolvi trazer ela pra cá, para quem viveu o habitual uso da expressão ou assistiu ao programa, comigo compartilhar a lembrança e o divagar.
Essa cobertura branca de anis em pães espiralados de chocolate é à moda de meu pai para mim, tradição nas roscas e tranças do vinduro Natal, as minhas feitas sem frutas cristalizadas, que não gosto, são só com passas, numa padaria aqui perto, ano passado fizeram umas mini roscas só com nozes, nevadinhas de calda de anis.
E enquanto escrevia tive uma ótima idéia, à moda da Tina (ver coisas, ouvir falar e lembrar, desejar e aguar), de já que está nas vitrines, ruas e afins adereços natalinos, vou sugerir a meu pai uma rosca de nozes feita por ele para ver se fica boa. Alguém aceita um pedaço?

29 de outubro de 2014

Felicidade sim

Ilustração do calendário Felicidário do dia de hoje

Penso, logo desisto
Esse é o lema de vida de muitos idosos
Digo isso por obervação
Por reflexão do quanto é difícil mesmo
Pela falta de acesso
De acolhimento
E muitas vezes por questões pessoais além das sociais
Por tabus culturais
E por isso trouxe um vídeo de um projeto
Clica aqui para assistir
Eu, que tenho candor por sotaques, amei além da história
O contar aportuguesado
Para mim o portuga tem um que de Saramago
Cheiro de padaria
E todo um parentesco com nossa língua
Sobre o projeto, mais um que devia ser viral
Sigo na vibe de ontem, com esperança de contagiar
Posts em blogs vizinhos
Compartilhamento em redes sociais
Projetos locais iguais
Em prol da felicidade não ter idade, cor, rótulo
Do ser e fazer feliz
Felicidário: um calendário, um movimento, um site, vídeos e vida
Criado com o propósito de motivar os maiores de 65 anos
Muitas vezes colocados e resignados a margem da nossa sociedade 
Uma proposta para que sejam realizadores e felizes 
E essa senhora do vídeo que linkei dá um testemunho de envelhecimento ativo
É uma de muitas histórias de pequenas e grandiosas felicidades

28 de outubro de 2014

Sobre ser diferente ser legal

"Todo mundo tem seu jeito singular
De ser feliz, de viver e enxergar
Se os olhos são maiores ou são orientais
E daí, que diferença faz?

Todo mundo tem que ser especial
Em oportunidades, em direitos, coisa e tal
Seja branco, preto, verde, azul ou lilás
E daí, que diferença faz?

Todo mundo tem seu jeito singular
De crescer, aparecer e se manifestar
Se o peso na balança é de uns quilinhos a mais
E daí, que diferença faz?

Todo mundo tem que ser especial
Em seu sorriso, sua fé e no seu visual
Se curte tatuagens ou pinturas naturais
E daí, que diferença faz?"

Vi dias desses uma campanha, dessas que deviam ser mais divulgadas e apoiadas em detrimento de outras ou paralelamente e resolvi trazer para cá, fazer minha parte, trabalho de formiguinha.
A campanha se chama: Ser Diferente é Normal, uma iniciativa do Instituto Metasocial para promover a conscientização sobre a igualdade, com colaboração musical de Lenine. Clica aqui para ouvir a canção de onde recortei os trechinhos da introdução.

27 de outubro de 2014

Que

Alegre e linda ilustração que ganhei

Que as facilidades
Felicidades
E fé que nos guia 
Sejam maiores e mais fortes 
Que as dificuldades, faltas e falhas que nos cercam 

24 de outubro de 2014

Um dia de muitos

Amanhã para mim é um dia de muitos com meu parceiro de jornada, mais anos já temos juntos de vida, que sozinhos. Para mim, o dia do aniversário dele é também meu, um dia que marca a minha vida, uma vez que as nossas vidas são misturadas. Tenho lembrança dos presentes, das comemorações, fotos, daria para escrever um livro selecionando só essa data e suas histórias e eu acho isso muito legal.
Adoro contar histórias, adoro ser coautora da história dele e tê-lo como coautor da minha, para lembrar o que as vezes esqueço, para abonar, para completar, para reviver junto, para ver com os olhos de agora o que já vimos e vivemos e para ver com os olhos de ontem e eternamente o que se passa hoje e se passará diante de nós.
Juntos, passamos pelas fases do segundo grau, vestibular, faculdade, primeiro emprego e todos os seguintes, por essa janela da foto que ilustra o post, vi ele chegar e sair várias vezes para ir estudar e trabalhar e ele a mim, vimos nosso pequeno infante andar, ouvimos ele brincar, ir e vir da escola. Dessa e de tantas outras janelas, tantos lugares, com tantas pessoas, tantos acontecimentos, histórias nossas, de família, de amigos, da história, modinhas, tv, marcas, lugares. Dizem que a gente tem que se casar com alguém que goste de conversar porque um dia será basicamente essa a rotina, assunto sei, não irá nos faltar.
Minha felicitação pública, com essa pequena declaração de parceria e amor e a seguir, finalizando. um texto que peguei emprestado da amável, poética e adorável Ana Jácomo, pois aprendi não sei onde nem com quem, mas pratico e ensino, que em eventos tipo dia do casamento, virada de ano, ou em comemoração de algo importante, tem que ter algo nosso, algo emprestado, algo novo e algo usado. Usei então um pouco de tudo e fica aqui no mural por todo final de semana esse post, com o axé das sextas-feiras.
"Tomara que os olhos de inverno das circunstâncias mais doídas não sejam capazes de encobrir por muito tempo os nossos olhos de sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu.
Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem de sentir confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito"...que a gente continue tendo valentia e amor suficientes para não abrir mão de se sentir e fazer feliz". Tomara!

23 de outubro de 2014

Dica

Imagem da web

"Quando eu deixei de olhar tão ansiosamente para o que me faltava 
E passei a olhar com gentileza para o que eu tinha
Descobri que, de verdade, há muito mais a agradecer do que a pedir"

Ana Jácomo fez isso
Faça também
Eu passei a fazer a um tempo já
A agradecer e a dar o devido valor ao muito que tenho
Seja a maravilha de poder enxergar, ouvir, falar, andar
Seja o companheiro que tenho
O filho que tenho
Que são cheios de defeitos que se perdem no montão de qualidades
O tanto de roupas, acessórios, maquiagens
Que para muitos é nada
Que para outros é muito
Ter uma casa para morar, comida nos armários e na geladeira
Com o gostar e valorizar das coisas básicas e dos supérfluos
Das frescuras e luxos
Que tem seu lugar
Feliz por tudo e por nada

22 de outubro de 2014

Poesia como reino

Janelas, varandas, terraços
Cercas, portas, portões
Sótãos e porões
Almas e corações
Estejam abertos
Para vermos tudo que nossos olhos possam enxergar
Na natureza, no nosso dia-a-dia
Em nosso lar
E também além de onde os olhos e compreensão possam alcançar
Na simplicidade ou em complicada engenharia
No silêncio, barulho 
Ou ao som de uma bela sinfonia
Através do olhar, cheiro, som, sabor, tato
Na espera, descanso, calmaria
E também na agitação e euforia
Nas partidas e chegadas
Que a poesia entre, desabroche, adorne
Se acomode e em nós faça morada

21 de outubro de 2014

Por todo tipo de cultura e arte

Vários representantes indígenas, acadêmicos, educadores e admiradores da cultura e do papel histórico dos índios, tem pedido mais atenção para a cultura e a literatura dos povos nativos no sistema educacional do Brasil. "Ainda há uma mentalidade retrógrada, que o índio só existe como elemento de folclore. Têm que perceber que os índios estão aí ganhando prêmios literários e de cinema. Isso é a realidade, temos que acabar com o romantismo, com a mentalidade do bom selvagem" (Daniel Munduruku, em uma matéria da Revista Exame).
É urgente parar com essa rotulação de tudo. Com esse papel secundário e coadjuvante do índio na sociedade moderna e nessa via, desvincular o rótulo de arte sere erudita ou popular. Arte é muito mais que estética, tem valor cultural, histórico e terapêutico. Todo artesanato, canto, toda dança ou qualquer manifestação artística tem variadas funções sociais, são sementes que viram flores que adornam e frutos que alimentam e transformam vidas.
Pela arte os homens podem expressar suas angústias, alegrias, podem contar, resgatar, perpetuar histórias, como fizeram e fazem os índios, como devemos fazer com essa cultura nas escolas, na tv, nas notícias, nos bate papos, não folcloricamente ou misticamente. Assim como a cultura africana a arte e cultura indígena já passou da hora de ser mais explorada, valorizada, estudada, desde o ensino fundamental as faculdades. Em canais fechados, programas da tv aberta, nas novelas, revistas, livros.
Para muitos pais, crianças e até educadores e gestores de centros educacionais, as aulas de artes plásticas, desenho e até mesmo de literatura são supérfluas, aulas de distrair, sem que se faça a devida relação e pontuação do trabalho da criatividade, da sensibilidade, das destrezas e o muito que há por trás, entre e além do trabalho manual, do lúdico. Vale referenciar por exemplo os desenhos das cavernas, onde homens primitivos pintaram na parede como forma de expressão e comunicação ou as danças em torno de fogueiras. como expressão de religiosidade, prática de astrologia, astronomia. O bordado como outro exemplo é uma arte que fala da mulher, da sociedade, do trabalho informal, de economia. E por ai lá vai.
A definição de arte é muitas vezes elitizada, limitada, por vezes ridicularizada e pouco refletida, verbalizada, contudo é presente ao passo que mexe com o sentimento de cada um ou de um grupo. A beleza de uma pintura, de um artesanato, o som de um instrumento musical. E nesse mesmo lugar comum estão os filmes, programas de tv e também as novelas, tão queridinhas no Brasil, tão vistas e resenhadas, que são contação de história, são literatura, encenação, cenários, são arte.
A arte é subjetiva e sempre discutível e que assim seja, cada vez mais e cada vez mais múltipla. Que seja mais presente a arte e a cultura indígenas e africanas em nossas vidas, menos colocar a margem o que não é modinha, não é vendido como pop, é secionado como nordestino ou sulista, pobre ou rico. Por menos achar e tratar a arte como parte de galerias e afins. E tenho dito!

20 de outubro de 2014

Das ocupações e alienações

Imagem da web

A gente aprende na escolinha de pequeno e depois de grande sobre as profissões. Era assim e ainda é e muitas vezes é uma seleção bem pontual que se faz e que precisa ser revista. Médicos, Enfermeiros, Professores, Bombeiros é o lugar comum e eu acho que é preciso uma variedade maior, seja nas ilustrações das tarefinhas, no incentivo no segundo grau e pré-vestibular, nos resultados de testes de aptidão, nas fantasias, no profissional que é levado para falar em palestras, bem como na mentalidade das pessoas. 
Palhaços, pedreiros, donas de casa, sapateiros, barbeiros, são profissões, como tantas outras e tem muito barbeiro mais culto que muito médico, não tenha dúvida. Pedreiros ou até ajudante de pedreiro mais educados que muitos advogados. Muita dona de casa mais antenada que muitas madames empresárias e descoladas.
Pensei nisso das profissões que são apresentadas nas escolas, que são idealizadas para filhos, netos, irmãos, porque ouvi a mesma frases duas vezes esses dias. Uma foi por eu saber o nome de um tipo novo de torta, outra por eu saber o nome, história e frescurices sobre uma pulseirinha de marca, famosa e bem popular, que confesso meu espanto foi maior de as pessoas em questão desconhecerem. Enfim, a frase sentencial dita por duas pessoas relativamente próximas foi de que eu sei dessas coisas porque sou desocupada, lei-se não ter carteira assinada, não trabalhar no momento em uma empresa, firma, não prestar serviço, embora tenha alguns carimbos na minha azul, sigo a um tempo cuidando da casa, do filho, dando apoio logístico a marido e família, faço vez ou outra arteirices e vale pontuar, não peço nada a ninguém.
Não respondi nada porque acho que quem diz algo assim não é capaz de entender ou não merece muitas explicações. Em tempo, das muitas coisas que sei, úteis e inúteis (que acho super úteis para o quesito criatividade, interação, compreensão e adorno das úteis) eu sei porque presto atenção, porque me ocupo por inteiro das pequenas ocupações que tenho e das ocupações ao meu redor, infinito e além. Pergunto, leio, me interesso pela história das receitas, nomes, origens de pratos, gosto de coisas simples, artesanais e também de marcas, modices e afins. Leio muitos livros e nele muitas coisas além da história principal se aprende. assisto filmes com olhos e ouvidos atentos para pequenezas, vejo documentários, converso com diferentes tipos de pessoas.
Não uso por exemplo bigodes na tee e acessórios sem procurar saber o que é. Não vejo uma loja nova do shopping e passo por ela sem passar o olho, sem depois comentar com alguém, sem registrar o logo e ver por acaso depois em outros lugar e linkar. Não ouço uma música que adoro e não me interesso em saber quem canta, não vejo um filme e adoro a atriz e nem me interesso em saber seu nome e procurar outros trabalhos dela. Para mim tudo tem muita coisa e o espaço que separamos para guardar informações, culturices e bobagens independe da profissão que temos, da classe social, da idade. Sei de coisas de crianças para ter assunto com elas, pela criança que fui e assim para assuntos de adolescentes, idosos.
Acho limitador achar que temos que sair ao pares comuns, uma casal de médicos com outro de médicos, uma turma que gosta de golf que só sai junta, porque todos gostam e sabem jogar golf. E a troca, fica onde? Penso que surfistas tem que ter amigos padeiros, donos de mega empreendimentos, advogados, pastores, costureiras, budistas, ateus, pastores, tudo junto e misturado, alinhavado, tipo colcha de retalhos, um mosaico, que faz o nível de informação, respeito e admiração mútua se elevar no individual e no coletivo. E tenho dito!

17 de outubro de 2014

Do saber ver

Foto web

"É necessário abrir os olhos
E perceber que as coisas boas estão dentro de nós
Onde os sentimentos não precisam de motivos
Nem os desejos de razão
O importante é aproveitar o momento
E aprender a sua duração
Pois a vida está nos olhos de quem sabe ver
Se não houverem frutos, valeu a beleza das flores
Se não houverem flores, valeu a sombra das folhas
Se não houve folhas, valeu a intenção da semente"
Henfil
Por sabermos ver
Por uma sexta de boas visões
Coroada de conchas, flores, louros
Com cheiro de mar, de chuva, de bolo ou do que queremos bem
E um avistar de final de semana agradável
Animado ou parado
Com os olhos, a alma e o coração arejados
Energias boas e lições do vai e vem das ondas do mar
Odoiá!

16 de outubro de 2014

Down the rabbit hole

Imagem da internet
Eu sou fã de carteirinha, de ilustrações, objetos e acessórios em geral do filme Alice, da história como um todo, dos personagens (principalmente do chapeleiro e tendo sido interpretado por Jonny Deep, aumentou o gostar) e dos detalhes cenográficos, filosóficos e poéticos dessa história que é um clássico atemporal.
Nos moldes de hoje de resumir os clássicos não passaria de a história de uma garotinha, que segue um coelho branco, chega a um país de fantasia, e após viver diversas aventuras e conhecer personagens bizarros, ela descobre que tudo foi um sonho.
Mandar cortar cabeças é com a Rainha de copas, há quem veja nela uma caricatura da Rainha Vitória, outra correlação é com a Guerra das Rosas, uma representação da Rainha Margaret, esposa de Henrique VI, que disse: “Fora com a coroa, e, com a coroa, a cabeça”, dirigindo-se ao Duque de York e a sua tentativa de dominar a Inglaterra.
A rainha do conto não admite que suas flores sejam de outra cor que não vermelho e tem seu nome de cartas de baralho e um exército deles pois  gosta de jogar críquete, sendo que nos jogos ela sempre vence porque todos sempre trapaceiam ao invés de em favor próprio, a favor dela.
Não podia deixar de confabular o porque do fashion e doce chapeleiro ser chamado de louco. É que em tempos idos, lá quando a obra foi escrita e o seu autor tido como um louco, era utilizado mercúrio no processo da confecção das majestosas e imponentes cartolas e chapéus. O cheiro inalado pelos chapeleiros eram tóxicos e provocavam, frequentemente, problemas neurológicos.
Quem nunca observou ou se perguntou o por que dos números 10/06 que o chapeleiro carrega em um papel na cartola este é um pormenor que como muitos não aparece por acaso. O número é simplesmente o preço da cartola, 10 xelins e 6 péni (a moeda da época).
O Gato Cheshire, sorridente é um símbolo de medo, covardia, de consciência, que dá recados, que some e aparece ao bel prazer. E o nome Cheshire é o nome de um condado na Inglaterra e também uma expressão inglesa (há quem diga que por culpa do gato) aplicada às pessoas que sorriem largo.
Um dos personagens mais enigmáticos e queridinhos da história é o acelerado coelho. Sempre apressado e atrasado, com seu relógio ele simboliza o tempo, rígido e exigente, e marcam a quebra com a realidade de Alice, tal como ela a conhecia. Ele é o responsável por tentar a protagonista a entrar no tal buraco. Essa cena é fonte de várias reflexões e ilustrações: “Down the rabbit hole” se tornou uma metáfora utilizada para todos os que arriscam o desconhecido. 
Como o desconhecido é companheiro da caminhada de qualquer um, em qualquer idade, momento, lugar, meu cronicalizar e poetar para um bom explorar, o negar do que não vale a pena experimentar, nem mexericar e um incentivar do gostar do que é conhecido, um ver e ter como fantástico o cotidiano, o mundo real que temos a nossa volta.

15 de outubro de 2014

Das escolhas

Imagem que recebi por e-mail
Somos livres para escolher e responsáveis pelas consequências de nossas escolhas #fato. E essa segunda parte, muito desconsiderada, gera o que eu chamaria de rifa de culpas, que fazemos inconscientemente. 
Se o caminho escolhido foi o de pedra e a gente foi descalço ou de salto alto a culpa não é do fabricante de sapatos ou da criação divina das nossas sensíveis solas dos pés, nem do caminho.
Se fazemos um financiamento cientes dos juros e condições, depois não podemos nos achar no direito de entrar na justiça para rever as condições, que certas ou erradas foram aceitas por nós na aquisição do produto ou serviço. Vale pontuar que aceitar esse tipo de ação é um dever da justiça, que se enche de processos sem coerência e deixam na fila questões bem mais pertinentes a ações judiciais.
Fui da filosofia poética a vida prática, porque creio que tudo está misturado, com tudo podemos fazer pareja, com o cuidado da abertura para justificas e variações no que tange os comportamentos dos seres humanos, que de racionais tem bem pouco se formos olhar de perto, como disse Caetano, e eu assino embaixo: De perto ninguém é normal.
Há tantas variáveis em casa escolha, cada caminho. Muitos espaços cheios e vazios que cada um preenche a seu modo, com o fruto de suas escolhas e das alheias também.
E assim, no dia-a-dia, além dos fóruns e processos, além das idas e vindas que são escolhidas por nós, feliz de que a palavra além não perdeu o acento como idéia, senão seriam duas palavras a eu estar grafando errado. Meu recado, para geral  e para mim também, de não sermos vitimas de nós mesmos, de más escolhas, de plantar sementes de maçã e esperar colher morangos.

14 de outubro de 2014

Bordados, mudas, aprendizado e dica

"Chega um momento
Em que a gente se dá conta de que às vezes
Para sermos verdadeiros com nós mesmos
Precisamos ter o desprendimento para abençoar as tentativas sem êxito
Agradecer pelo o que cada uma nos ensinou e seguir
De que, às vezes
Para se reconstruir
É preciso demolir construções que por mais atraentes que sejam
Não são coerentes com a ideia da nossa vida
A gente se dá conta do quanto somos protegidos
Quando estamos em harmonia com o nosso coração
De que o nosso coração é essencialmente puro
Essencialmente amoroso
O bordador
Capaz de tecer as belezas que se manifestam no território das formas
De que, sabedores ou não
É ele que tem as chaves
Para as portas que dão acesso aos jardins de Deus
Vez ou outra
Quando em plena comunhão criativa
Entra lá
Pega uma muda de planta
E traz para fazê-la florescer no canteiro do mundo"
Ana Jácomo

13 de outubro de 2014

Erro por opção

Imagem que recebi por e-mail
E minha opção foi rir assim que vi
Tem gente que começa a segunda-feira fazendo dieta, quem começa ou volta a malhar, escolhe o dia da semana como ponto departida para colocar planos em ação. Eu, vou começar declarando um erro por opção. Falo, defendo e pratico a escrita correta, a fala também, grafia, pronúncia, concordância, tudinho como tem que ser, como rezam o dicionário e a gramática, mas essa tal Reforma ortográfica, me deixou de bico em algumas de suas mudanças, perdida em outras e uma palavra em especial escolho sempre escrever do jeito velho, porque não consigo escrever do novo.
A medida que escrevi, pensei, toma jeito Tina, escreve certo e pronto, mas o certo é mais feio respondi amim mesma no automático, fica estranho, me causa aflição. Ai me ocorreu o que será que o doutor ia dizer se eu marcasse uma consulta e dissesse: - Doutor o caso é o seguinte, não consigo escrever idéia, sem acento. Não é para rir doutor! É sério! Quer dizer, é até uma boa idéia a gente rir.
E olhem que não é sem querer, os corretores do editor de texto, do rascunho do blog, do celular e do tablet sempre grafam a idéia, mas na minha idéia de correto o acento é parte da idéia e pronto. Punto e basta!

12 de outubro de 2014

De mãos dadas

"Digo às vezes 
Que não concebo nada tão magnífico e tão exemplar 
Como irmos pela vida levando pela mão a criança que fomos
Imaginar que cada um de nós teria de ser sempre dois
Que fôssemos dois pela rua
Dois tomando decisões
Dois diante das diversas circunstâncias que nos rodeiam e provocamos
Todos iríamos pela mão de um ser de sete ou oito anos
Nós mesmos
Que nos observaria o tempo todo e a quem não poderíamos defraudar
Por isso é que eu digo
Deixa-te levar pela criança que foste
Creio que indo pela vida dessa maneira 
Talvez não cometêssemos certas deslealdades ou traições
Porque a criança que nós fomos, nos puxaria pela manga e diria:
Não faças isso"
Quem disse foi José Saramago 
Eu assino embaixo
E minha criança anda sempre de mãos dadas comigo
Pegue a sua pela mão
Leve num balanço
Ouça ela
Reveja, relembre
Coma algodão doce
Lamba a tampa do iogurte
Contemple um arco-Íris como se nunca tivesse visto um
Faça perguntas
Desenhe, recorte, pinte
Feliz dia das crianças as crianças que andarilham aqui pelo meu jardim
As de pouca e as de muita idade

11 de outubro de 2014

Salve Malala!

Imagem da internet
De uma menina como tantas
De franjinha, como eu tinha franjinha
Com arco e flecha nas mãos, que adoro
Uma adolescente como Malala, menina guerreira paquistanesa
Uma flecha foi lançada por ela para mudar um pouco o mundo
"Por meio da minha história quero dizer que todos sigam o que querem ser
Falem alto para que todos ouçam
Que lutem pelos seus direitos"
Malala Yousakzai
Adolescente ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2014
Baleada por defender a educação escolar das mulheres em seu país

10 de outubro de 2014

Da água que passarinhos não bebem

Não sou noiada no quesito não ingerir bebidas alcoílicas, nem mesmo condeno alguém tomar um porre uma vez na vida ou mais de uma vez se for o caso ou o acaso. Muito menos o hábito social de bebemorar e confraternizar, desde de que isso não seja um pré-requisito para socialização, nem um vício nocivo a saúde física e mental e sou veemente contra a mistura de álcool e direção, bem como o consumo de bebidas alcoólicas por jovens, que cada dia mais cedo e em mais quantidade consomem álcool e outras drogas, porque não se verbaliza e se categoriza o álcool como uma droga, sendo que ele é. Sou também totalmente contra a mistura explosiva de bebidas alcoólicas com energético e do consumo individual dessa bebida popular e consumida como se fosse água.
É triste ver jovens na porta das escolas em plena luz do dia, fardados ou com as camisas sob os ombros e uma lata de cerveja na mão ou garrafas de batida e copinhos plásticos. Gosto de ver adolescente fardado comendo cachorro quente e refrigerante antes do almoço com um que de se minha mãe sabe disso me mata. Comendo pipoca, churros, pastel, caldo de cana ou tomando o bom e velho refresco com salgado a preços de figurinhas. Tem seu lugar os que comem açaí, pedaços de melancia ou outras frutas, onde se vende fatias em carrinhos de mão.
Porta de escola é lugar de comércio de lanches desse tipo, de bancas de revistas, ambulantes vendendo pulseirinhas, adesivos, canetas, lápis, cds de game e não bebidas. Mas cadê o poder público, as escolas, grupos de pais para exigir uma mínima distância desses tipo de pontos comerciais e de vendas perambulantes nas imediações das escolas? Que eles trazem ou arrumam quem traga, é verdade, mas quanto mais dificultado for o acesso do que é ruim, mais difícil fica o mal se alastrar e se sentir a vontade.
Indo para a faixa etária dos que já deviam ter noção e que cada dia mais aumenta a fila dos que não tem, hoje em dia é mais fácil você chamar a atenção dizendo que não bebe ou que não quer beber do que sair literalmente com uma melancia pendurada no pescoço. Não beber ou é coisa de evangélico, ou é porque se está tomando remédio (isso para quem se importa com isso) ou porque vai dirigir ou vai ter prova e trabalho cedo no outro dia, porque está no horário comercial, não valendo esses critérios para muitos e sendo massivo o incentivo a quebra de todas essas regras.
Já ouvi as frases que seguem inúmeras vezes: - Você não vai beber nada? Ai não vale! - Não vai beber? Não existe isso!  - Você vai ter que beber! -  Beba só um golinho para se animar, relaxar! - Fica chato todo mundo bebendo e você não! Vou pular comentar sobre cada uma delas e registrar o rótulo que se põe nas pessoas que não bebem e que deveriam ser postos nas que bebem demais, nas moças, meninas, mulheres lindas e charmosas que ficam bêbadas, que perdem a compostura, ficam sem batom no meio da noite e com bafo de onça. Homens com panças de urso, comportamentos e falas inapropriadas. Onde está a beleza disso? Muito sem charme e glam, sem falar do desperdício do investimento e esforço na academia, gastos em roupas caras e perfumes, sofrimento e cuidados com a boa alimentação, tudo entornado em álcool. Heloooooouuuu!!!

8 de outubro de 2014

Para!

Eu acho super válido os pais e responsáveis se preocuparem com a situação de segurança dos brinquedos dos parquinhos que os filhos brincam na escola, no prédio, praça e com os brinquedos, mas ouço e vejo cada coisa, que clamo por um recall em pais, educadores, matérias de revistas, e programas de tv.
Tá ficando todo mundo noiado além do normal. Daqui a pouco as crianças vão ser criadas numa bolha desinfetada a cada uma hora, alimentadas por um orifício com suplementos (as que não forem por total negligencia alimentadas por pizza, batatas fritas e refrigerante) e terão da bebezice a adultês um tablet como único brinquedo e brincadeira "segura" de distração e interação.
Lembro como quem presenciou, questionou e abandonou o posto de professora da alfabetização a alguns anos e até hoje não acredita, que tinha uma menina que não podia correr. Ordem da mãe! Motivo, acatado sem argumentação pela coordenadora: não se machucar. Parque nem pensar.
Parquinho, para os demais, era com supervisão: nesses todos não, nesse pode um de cada vez, nesse pode um minuto cada um. Qual a graça disso? E como tudo pode sempre melhorar e piorar, virou regra o pedido da mãe da menina que não podia correr, ninguém podia, nem no intervalo nem para ir de encontro a um coleguinha, sob pena de a professora que vos fala receber bronca na sala da coordenação ou na frente do alunos, como se estivesse permitindo que eles fizessem algo ilícito. Criança que não corre, não fala alto, não fala e faz besteira, não é criança e eu é que não fiquei lá, zelo pela minha sanidade mental e sofria pela deles.
Dia desses vi uma responsável por segurança em uma matéria na tv alertar os pais, já problemáticos, multiplicados como mato por ai, que correntes no balanço são um perigo, a criança pode botar os dedinhos na corrente e ficar presa ali ela disse. Pode mesmo! Pode também botar o dedo na tomada, na boca de um cachorro, pode colocar o lápis de cera no ouvido.
E seguindo conselhos como esse da tal "educadora" muitos pais não dão as as limitadas crianças lápis de cera, pois podem machucar e elas também podem comer. E é verdade, muitas já comeram e comeram massinha de modelar, areia e são adultos e idosos saudáveis hoje. E muitas não comeram, olha que fantástica estatística!
Se você está lendo e se reconhecendo assim uma pessoa neurótica, não fique com raiva de mim, fique com vergonha de você, repense, analise, lembre de sua infância, eu na minha fiz coisas que nem sei como tenho cabelos, como não tenho marcas pelas pernas, no rosto, como vermes não se reproduzem como praga de marimbondos em mim. Passei tinta de papel crepom molhado e espremido nos cabelos e usei a mesma técnica para mechas com graxa (flor mais conhecida como hibisco). Bebi muita água de torneira, comi iogurtes vencidos, subi em árvore, joguei bola com meninos maiores e truculentos sem juiz ou pais de olho. Andei descaça na rua, pisei em asfalto quente, brinquei em areias de parques públicos limpas sabe-se Deus de quanto em quanto tempo e com certeza levei a mão na boca. Brinquei com tampas de refrigerante das de metal, que furam, algumas enferrujadas e não morri, tô aqui sã e salva.
Escolhi rir dia desses quando uma mãe descreveu uma gangorra como uma montanha russa sem cinto de segurança. Ela disse: - Aquilo sobe e desce sem a criança ter um cinto para colocar, sem proteção lateral e é de metal caso a criança se desequilibre e cai sobre o eixo é um perigo. Oi ??? Para tudo!
É, não tem nada disso as centenárias gangorras eu pensei após o riso. Balanços também sobem bem alto, que perigosos ela e tantas outras pessoas noiadas devem achar. Um balanço desses descabimentos precisa ser feito, um vai e vêm do que é demais. Perigoso é comer ervilhas, como dizia em um comercial um senhorzinho que fazia kitesurf e contava de um amigo que morreu engasgado almoçando seguro em sua casa, sentado na cadeira com recosto, bem firme ao chão. Eu como pensei em falar nesses excessos, não ia ficar engasgada. Pronto falei!

7 de outubro de 2014

Marombeiras e crocheteiras. Pode ser?

Chá de lições
Costurices e modernices
Li um depoimento ímpar esses dias, num blog vizinho, de uma amiga que tem alguns aninhos a mais que eu. Trocamos pelo blog e bastidores, muitas ideias, desconsiderando nossas idades e localizações geográficas, como se fossemos comadres, vizinhas de porta e não pude resistir em pedir a ela para trazer para cá trechos do texto, com toda minha concordância no quesito modernices sim e antiguices também.
Somos, ela e eu, das conexões e das artesanais. De orações e palavrões, receitices, yoga, caminhada e pernas para o ar. De bordados, futebol, faxina e salão. De tá na moda e além dela.
Ela falava de resenhas faceboquianas sobre o máximo que é senhorinhas indo e vindo de roupas de ginástica das academias e não estarem bordando ou fazendo crochê. Com muitos kkks e perguntas de que se alguém no mundo ainda faz crochê ou borda. E ela pintou e bordou por lá!
"Tudo em um grande fosso: cozinhar, bordar, fazer crochê ou tricô, cuidar de uma casa, trocar receita com as amigas, passar roupa, gostar de comprar um lençol novo para a sua casa, costurar... tudo isto passou a ser horrível...Hoje os seus ideais são aqueles que a sociedade de consumo prioriza. Falam várias línguas mas são incapazes de compreender o que o seu filho diz. Se submetem à cirurgias perigosas para exibir o corpo que a modelo (que foi abençoada pela natureza) exibe nas capas de revista.
Ficaram mais masculinas, sem que isto signifique absorver o que o sexo masculino tem para nos ensinar. Perderam a diferença que nos tornava especiais.
No meu primeiro dia de curso de pós-graduação o professor entregou a cada aluno uma folha onde ele teria que identificar as características de cada aluno. E trazia uma série de opções, tais como: quem tem cachorro, quem é casado, quem tem filhos, quem pratica esporte, etc.etc.etc. E, de repente, me vi cercada por 40 jovens, todos com idade para serem meus filhos, porque era preciso identificar “quem sabe fazer crochê?” Fui selecionada pela idade. E todos acertaram a resposta: sim, ela faz crochê...
Apesar de ter ficado longe dos bancos escolares por mais de 25 anos eu me dei muito bem no curso. Primeiro, porque sempre acreditei e acredito que é preciso aprender para não morrer e me dediquei muito aos estudos. Segundo: eu podia não conhecer todas as teorias modernas de marketing mas eu vivi todas as histórias que serviam de exemplo – Mappin, Lojas Brasileiras, Arapuã, Mesbla, Rede Tupi, Transbrasil, Varig, Vasp."
Palavras de uma empresária, dona de casa, que cozinha, borda, faz crochê, lava, passa, vai ao estádio torcer pelo Cruzeiro com o marido, tem blog, celular, não tem papas na língua,  de uma mulher, como muitas, que quebra o coco sem arrebentar a sapucaia.

6 de outubro de 2014

Amizade por favor

Eu resolvi escrever esse texto para cronicalizar sobre quanto é difícil hoje em dia marcar algo simples, desde um encontro de final de semana a comemoração do nosso aniversário, um amigo secreto de Natal ou o que quer que seja.
E eis que fui revisar o que escrevi e percebi que ficou grande o texto e no automático pensei: Será que meus amigos e leitores vão ter paciência, tempo, atenção para ler? E esse é o fio da meada de onde puxar esse papo, pois esse um dos problemas modernos, as prioridades que damos a cada leitura, audição, pessoa, assunto, as prioridades da nossa presença real em meio a tantos chamados e demandas.
Cada vez mais cada um segue com o umbigo como ponto central, com o  rei na barriga sem nenhuma cerimônia, movido por seus interesses, com suas exigências, limitações e mimimis e nessa vibe, para que seu grupo de pessoas, das que você conhece a anos ou das que você convive todo dia no trabalho ou o grupo familiar tope tomar café juntos, jantar além do horário comercial e apertado do almoço, tope jogar um dominó, ir num cinema, praia ou algo assim bem prosaico, seja uma vez na vida ou algo periódico, tipo uma vez por mês para botar o assunto em dia e tal é preciso um estudo avançado de onde, o que, como. É preciso criar, fazer parte e estar 24 horas disponível num grupo no whatsapp, ou de alguém que se habilite aligar para cada um. É preciso pedir por favor, confirmação, mandar lembrete no dia anterior para ninguém esquecer e fazer sei lá mais o que para que aconteça o tal encontro. E tem mais, menos na verdade, nada de se pegar gosto, embalo, liga. Há que se fazer toda essa manobra a cada nova proposta de encontro. Com inevitáveis e variáveis furos, desculpas e desânimos individuais e coletivo.
Indo mais fundo, sinto falta dos papos nos portões das casa, na área de entrada ou corredores dos prédios, de estar neles, de jantar, tomar banho e sair para papear e quando ver já não dá mais para ver nem o jorna, nem anovela, porque papo bom é assim o tempo voa e nós ficamos ali plantados. Sinto falta de ver pessoas rindo alto, duas ou três falando ao mesmo tempo e o barulho parecer de 20, de crianças correndo, pulando, de brinquedos, de bola sem que ninguém ligue para a portaria ou para o síndico para reclamar.
Sinto receber ligações ou mensagens, já que ligar hoje é segunda opção, chamando para ir ali na Mac ou numa lanchonete do bairro onde se cresceu junto e se lanchou a muito custo um suco e misto e hoje o dinheiro dá para escolher o que quer no cardápio, com a sensação de que crescemos e ao mesmo tempo dimensionar o valor do que temos e muitas vezes não damos  o devido valor. O simples prazer de fazer um lanche em 15 minutos e passar 5 horas jogando conversa fora.
Queria ligar para as pessoa e dizer bora ali comer um acarajé, vamos caminhar na praia (só caminhar e beber água de oco, sem cachaça, sem motivo, sem nenhum assunto a tratar) e não haver mil lacunas e reticências. Queria não perceber sem muito esforço que as pessoas focam no objetivo comercial, pessoal ou logístico dos encontros (se perto, longe, o que tem, como, com quem, porque...)  que não é importante não ter nenhuma importância, que pagar para lavar o carro é super prático e vale o quanto custa, mas vale um dia lavar com um amigo, por terapia e para relembrar os tempos de pé na estopa. 
No quesito cada um na sua, já ouvi justificativas de compromisso inadiáveis que vão do futebol, academia, salão, indisponibilidade de acordar cedo porque foi dormir tarde no dia anterior até o fato preponderante de que não vai ter nada que interesse, assim, sem nenhuma elegância ou delicadeza para dizer isso.
Queria que de súbito, como que num estalo as pessoas percebessem que a quantidade de contatos que tem no face, insta ou zap, os likes, curtidas, compartilhamentos, são legais, mais não representa nem a quantidade de "amigos" que temos, a qualidade dos amigos que devíamos ter, que cada dia mais as pessoas estão inacessíveis, superficiais, individualistas, caras e rasas. Que amigos do tipo de graça, baratos, de pequenezas valiosas são artigo raro.
Tem quem tenha, eu tenho, amigos "ao alcance", dos tempos de escola, de rua, que cresceram juntos, que viveram tempos bons e ruins, histórias comuns, que poderiam fazer desses laços algo valiosos e agregadores uma base sólida, que conversassem e interagissem sempre em lugares menos barulhentos que não se ouvem uns ao outros e datas fixas. Que fosse habitual se juntar para ver fotos antigas numa tarde qualquer, sem inventar memórias ou distorcê-las, rir, chorar, lembrar, relembrar, resenhar, tirar novas fotos, saber mais uns do outros, o que mudou, como se sentem o que gostam, sonham, o que planejam.
Vivemos num mundo de muitos excesso e paralelo a isso muita carência e eu sigo aqui com paciência e pequenos gestos diários, como esse alerta, na esperança de papos no portão, mais ligações, interligações, da consciência individual e coletiva acompanhada de mudanças de atitudes, baseadas na certeza de que abraços, olho no olho, escutar além de ouvir, de que como disse o escritor e filósofo Voltarie:  "O supérfluo é coisa muito necessária".

4 de outubro de 2014

Chiquinho meu

Tenho candura pelos santos e Frades Franciscanos
Toinho e Chiquinho são meus queridinhos
Com respeito e carinho
O Jesus menino em seus colos
O cordão de nós, as vestes cor da terra
Os pássaros nas imagens de São Francisco
Ser ele protetor dos animais
Andar de pés descalços
Ser simples
Pobreza cheia riqueza é para mim em resumo sua beleza
Barbudo que nem meu pai
Com quem muito ouvi a canção do vinil da Arca de Noé 
Que tinha a letra num livrinho
"Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesus Cristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Para os passarinhos"
Hoje é dia dele, de lembrar, contar, ouvir
De rir que meu filho aborrecente disse:
"São Francisco!
O cara dos pombos?"
Quando ontem falei que ia ligar para minha mãe
Para ascender uma vela na imagem de barro
Pinhada de pássaros que dei a ela
De pedidos pelos animais de nossas famílias e os das ruas
Mares, rios, matas, do mundo a fora
Dia de reverenciar a história desse homem
De conhecer nem que seja um resuminho
Refletir sobre seus ensinamentos
Praticar seus gestos de zelo pela natureza, animais, pessoas
Outubro e seus festejos
Eu, meus bem-queres e aqui meus desejos de Paz e Bem
Hoje e sempre
Amém!

3 de outubro de 2014

Garimpices

Pode ser inusitado comprar um livro garimpado além de um indicado ou um dos mais vendidos, sugeridos pela editora, dispostos no centro da livraria, nas prateleiras da entrada. Um livro de um autor desconhecido, de uma editora pequena ou publicação independente. Comprar livros após folhear, ler as orelhas, por simpatia pela capa, pelo nome, pelo assunto, vale tudo e caso após ou durante a leitura você não gostar você pode fazer esse livro voar, via correio para algum amigo, para uma biblioteca, pousá-lo num banco de uma praça ou do shopping para algum passante pegar e quem sabe gostar. 
Fica a dica de garimpagens de leituras, de vôos, pousos, de múltiplas escolhas e desejo de uma sexta feira estrelar, iluminada, radiante, solar, de meias luas e luas inteiras. Que o final de semana seja recheado de coisas boas, de boas semeaduras e colheitas, adubado de vazios que abrem espaços, cheiuras que aconchegam, acrescentam, que nos movam e nos assentem.

2 de outubro de 2014

Gramática interativa

Imagem que ganhei na interação de mimos via e-mail
Para o começar o mês falando de trocas, interação, indicação
Eu desde sempre amo gramática, depois da Faculdade de Letras fiquei ainda mais amiga desse bicho que muita gente detesta, a pobre coitada toda hora alterada e questionada. Amo os muitos porque e nunca me perguntei o porquê de não ser um só. Amo as classificações das palavras e suas nuances, amo conjugações verbais e amei quando vi um livro, desses que custam além do que temos no orçamento para livros e que apesar do valor matemático elevado, eu daria sem pena se tivesse. Por hora resolvi falar dele, pesquisar, resenhar.
A cerejinha dessa gramática, que antes de comprar tenho que comprar a de Bechara que roubaram a minha branca e sábia novinha na faculdade sem eu ter nem pago a fatura do cartão como contei aqui certa vez, é a proposta de William Cereja e de Thereza Magalhães de um estudo reflexivo e interativo da nossa amada língua. Um desconstruir (palavra da moda) de a gramática ser bicho de sete cabeças, livro pesado e chato, que não explica, complica.
Em sua 4ª edição a Gramática Reflexiva - Texto, Semântica e Interação da Editora Atual, traz situações atuais e cotidianas da comunicação oral e escrita de letras de músicas, textos de jornais, revistas, quadrinhos, diálogos de filmes, cartuns e isso é muito legal, muito produtivo, uma gramática que provoca e promove o gostar, o aprendizado, enriquece a língua e o laço entre as pessoas e a língua, entre os livros didáticos e o mundo didático e paradidático. 
Uma gramática ímpar, com exercícios inteligentes, desafiadores, estimulantes, material atualizado e diversos de variações linguísticas, contextualização, textualidade e discurso, cultura popular. Um capa muito fashion e conceitual que recebe minha dica, meus aplausos e desejo de quero a uma para ler e reler, consultar e chamar de minha.

1 de outubro de 2014

Oi outubro!

Hello mês do niver de marido
Ele que eu espiava da janela
Eu nela e ele embaixo batemos muitos papos
Ele que mais da metade de sua quarentena de vida segue comigo
Abrindo e fechando janelas, portas
Por ruas retas e tortas
Que nascido na primavera é para mim como um girassol
Declaração de amor a parte
Outubro é mês do niver de muitos amigos e parentes nossos
Mês de Nossa Senhora Aparecida
Do dia das crianças
Que hajam muitos motivos festivos
Que se confraternizem os amigos
Que tenhamos esperança 
Que rima com criança
E que faz bem 
Que tenhamos paciência
Alegria, paz e bem
E que os anjos digam amém