21 de março de 2015

Da eficiência na deficiência

Ilustração de Marina Terauds
O depoimento que segue é de Dona Eleide e Seu João, pais de Aline. Ela nasceu com Síndrome de Down e está aqui hoje pelo dia internacional da síndrome e para indicação de leitura do livro escrito por Seu João: A eficiência, na deficiência, que é um regador de olhar o mundo, os outros, nossas deficiências e as dos outros, o quanto podemos ser eficientes. Para fazer refletir o quanto o mundo está carente de simplicidade e o quanto o simples tem valor.
“Todos sabemos dos mais diversos acontecimentos existentes ao redor do mundo. A globalização deixou o mundo pequeno. As boas e as más informações chegam ao nosso conhecimento bem mais rápidas do que nosso pensamento.
As pessoas ditas “normais” correm atrás de riquezas materiais, de prestígio, de figurarem nas estatísticas dos bem sucedidos, dos milionários, dos mandatários, dos artistas e por aí afora. Mal sabem estes que existe um outro mundo dentro desta galáxia que poucos sabem avaliar. Nós sabemos e explicamos porquê. Há quase trinta anos convivemos e vivemos na companhia de uma jovem que nasceu com a síndrome de down. Logo nos primeiros dias da vida, concluímos que não deveríamos esperar que ela entendesse o mundo em que vivemos. As características da síndrome nos fizeram entender isso. E mais, aprendemos que deveríamos ser nós a conhecer o mundo deles. Aprendemos muito. Estamos a aprender e sabemos que ainda nos falta conhecer muitas coisas. Mas fiquemos com o que já conhecemos. Trata-se de um outro mundo; sem guerras, sem maldades, sem ambições desmedidas, sem orgulho, sem vaidades e mais, sem pensamentos voltados para o mal. Entre tantos exemplos, citamos alguns: A nossa filha Aline, bailarina clássica, tem nos levado aos mais diferentes e sofisticados ambientes. Temos ido também a locais humildes, para que todos conheçam o potencial das pessoas consideradas “diferentes”. A Aline apresenta- se para mil pessoas, ou para uma só, com o mesmo entusiasmo; para ela, a primeira ou a última dama de uma sociedade merecem a mesma admiração. Em algumas ocasiões falamos, assim, com ela: - Filha, você vai se apresentar num local importante e muitas pessoas assistirão você. E mais, vai ganhar um bom dinheiro. O que você deseja comprar? Eis a resposta: - Quero comer um salgadinho depois do espetáculo.”

8 comentários:

  1. Noooooooooossa, essa simplicidade é demais e esse mundinho da Aline a deixa maior! Que beleza a resposta dela ao final.Após tudo, um salgadinho vale como paga! beijos, lindo fds! chica

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  2. Belo exemplo. Todos temos nossas diferenças e deficiências, é preciso saber aprender com o outro, a respeitar, amar. No blog tbm trago uma homenagem pela data, depois passa lá, bjs

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  3. Boa tarde Tina Flor!!! Acredito que vc disse muito na frase "... nós a conhece o mundo deles." Bem assim mesmo, um mundo puro e sincero!
    Lindo texto!
    Beijos
    CamomilaRosa

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  4. Você escolheu uma linda e sensível família - dona Eleide, seu João e Aline para nos ensinar, para homenagear os portadores desta síndrome.
    Quanta pureza, sinceridade no viver num mundo sem guerras, sem ambições desmedidas.
    Amei conhecer esta história!

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  5. Sabe, me fez lembrar uma frase que ouvi outro dia: "É simples ser feliz, o difícil é ser tão simples." E não é que é?
    Bjs

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  6. Que história boa de ler! Quem dera as pessoas ditas "normais" vissem o mundo com um pouco da pureza de Aline!
    Beijo é bom domingo!

    querendoserblogueira.blogspot.com.br

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  7. A ingenuidade e pureza desta grande bailarina fazem a diferença não é a síndrome é sim a magia do ser humano.... Beijo Lisette

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