8 de março de 2015

Momento Cinderela

Gosto de teorias, mesmo que não concorde, quando concordo então, me sinto traduzida, entendida. Também gosto de não teorizar, não ter explicação. Arianamente complicado e simples assim!
Dia desses a atriz Ingrid Guimarães teorizou sobre a paixão feminina por sapatos. Uma teoria muito compreensível, coisa de infância, baseada na literatura clássica, o que me deu nada menos que um argumento literal para uma característica fútil: amar sapatos.
Dando uma pausa na teoria de Ingrid pela paixão por sapatos, sou mulherzinha para muitas coisas, acho válido comportamentos, posturas, frescurices, artesanias e particularidades do sexo frágil, forte e multifuncional e ao mesmo tempo me permito ser menino para outras tantas coisas desde pequena.
Puxando um fio dessa matiz, que em pleno século vinte um, no Brasil e em outros tantos países que a Religião não é uma questão, um colégio ou órgão público permitir mulheres de saia e homem de bermuda não, é ridículo e é incompreensível e surreal o argumento comum, se não expresso velado de que o tamanho do vestido da mulher, do short, o decote, o modelo é permissão para assédio ou para a falta de respeito. Não trato alguém bem porque está de paletó, assim como um mendigo não tem que ser ignorado pela sua condição de rua.
Andar de calça e camisa comprida no Rio ou Salvador, social e informalmente, por exemplo, é além de calorento, uma falta de comunicação com o cenário, estar coberta da cabeça ao pés não faz de nenhuma mulher santa, traje elegante não faz de nenhum ogro príncipe.
Gostar de coisa curtas, estar a fim naquele dia, ter ou não corpinho violão, ter gostos por figurinos de 18 com 28 ou 38, não dá direito de ninguém rotular, assediar, tocar, de dizer: Tá procurando! É hora, na verdade já é tarde, de procurar quebrar esses preconceitos e tantos outros que andam de mãos soltas do libera geral.
Sem essa bandeira de desprezar o dia da mulher, ou das paradas gays ou fazer bico para o Dia dos namorados porque é comercial, porque amor é coisa de todo dia ou porque não ter namorado ser a sua volta ou no mundo, mais comum que ter e daí querer fazer emplacar festas para os solteiros no dia. #concorrênciaboba
Para que complicar! É Dia da mulher dia 8 de março e pronto, pra quem ama, feliz dia, quer usar isso de desculpa e sair dando rosas as mulheres de sua vida, mandar mensagens pelo zap, fazer homenagens, legal. Quer se sentir a diva que quer ser copiada? Ok! Não quer nem saber? Vai correr na pela, trabalha, malha, passa o dia falando de borboletas, do céu, não liga a tv e não fica gongando #faltadoquefazer. Estatísticas dizem que 10% dos conflitos são causados por diferenças de opiniões, 90% por falta de respeito a opinião contrária.
Então! Como é comum as mulheres, falei de mil assuntos que partiram de um e vou voltar para os sapatos tá! (Nem sempre volto ao assunto de origem, eu e a torcida do Flamengo ou para ser dentro do tema, eu e as apaixonadas por sapatos).
A culpa de mulheres terem uma relação afetiva com os pisantes é da Cinderela gente! Ela toda preocupada com a roupa, toda uma história em torno do vestido, passarinhos, pedraria, tecido e mais tecido e o que faz a bonita conquistar o príncipe? O sapato!

4 comentários:

  1. Iniciaste pelos sapatos, passeaste muito bem pelos fatos que nos cercam e voltaste aos pisantes,rs... Que onde quer que com eles pisemos, possamos encontrar respeito, educação e carinho! beijos, lindo nosso dia! chica

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  2. Sim Tina, é um dia para tantas reflexões, onde o respeito deve imperar. A todo momento, nós, as mulheres, estamos sendo rotuladas e nossas atitudes são justificativas para atitudes machistas injustificáveis.
    Ah Cinderela, pois são pelos sapatos que eles se apaixonam?!
    Beijo.

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  3. OI Tina, hoje é um dia de reflexão, e o seu post trouxe muitas!

    Quanto aos sapatos...bom, isso tem muitos significados psicológicos que não caberia entrar aqui, mas na verdade, o conto da Cinderela é um reflexo desta visão do feminino e acabou perpetuando-a.

    Também concordo com o ridículo dessa exposição excessiva dos corpos das mulheres, só elas são objeto de desejo? E por que elas insistem em se colocar nesse lugar? Só por dinheiro? Por que a revista paga bem, ela sai pelada, mas tem também a ilusão de se sentir poderosa e fazer os homens fantasiarem e gozarem com seu corpo...por que algumas mulher precisam dessa falsa sensação de poder? Isso dá o que pensar, hein....

    Bom, mas o que me conforta é saber que cada vez mais mulheres buscam o caminho da feminilidade consciente. Um passinho de cada vez e a gente chega lá!
    Bjs querida e ótimo domingo

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  4. Sou apaixonada pelo meu pé: depois de tantos anos. já na 3ª idade, vejo que eles não engordaram, não têm estrias ou celulite

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