27 de março de 2015

Por tarja branca pra geral

Que tal doses homeopáticas ou encorpadas de tarja branca?  Descobri sem querer um Documentário com esse nome: tarja Branca (clica aqui para assistir) que defende uma revolução pela brincadeira para crianças e adultos. "A liberdade é perigosa" e muitas vezes sobreposta a ela estão as metas, a austeridade, extremamente valorizadas no mercado de trabalho, nas escolas, nos relacionamentos, na adolescência e até na infância, em detrimento do lúdico, do ócio criativo, do fazer a gente mesmo, do sem conexão.
A ludicidade é um ferramenta importante, digo isso como professora, como mãe, tia, como quem teve infância e anda de mãos dadas com a criança que foi. Fiquei encantada com um projeto, que já vi os vídeos mil vezes e coloquei nos favoritos (veja e saiba mais aqui) e que iria a São Paulo só para participar se passagem custassem balinhas tipo troco antigo de mercearia.
Do encantamento a realidade que fico abismada, a falta de crianças e do brincar nas ruas que passo, nas quadras dos prédios, das escolas, assim como com a falta do bom e velho tempo livre da infância e juventude, que tem agenda cheia de domingo a domingo. “Ninguém nasceu para fazer vestibular, a gente nasceu para ser gente. As escolas deveriam ter muito mais tempo de recreio, mas quando defendemos o resgate do brincar as pessoas acham que é voltar no tempo”, palavras da educadora Lydia Hortélio, uma das entrevistadas do filme.
Eu sempre digo que brincar mais se faz urgente, para crianças, adolescentes e adultos. O mesmo vale para mais leituras lúdicas e para o olhar poético para as coisas da vida, o fazer algo novo, algo bobo e que na verdade, uma coisa puxa a outra. Piaget, considerado um dos mais importantes pensadores do século 20 dedicou-se dentre outros temas, ao estudo de como o desenvolvimento cognitivo se dá ao longo da vida. Ele criou, a partir de pesquisas e por meio da observação diária dos próprios filhos, a famosa Teoria Cognitiva, segundo ela a construção da personalidade se dá pela interação e pela completa utilização dos cinco sentidos da criança, e da infância se faz a vida adulta e se refaz se forem identificadas e trabalhadas as lacunas.
Os brinquedos de hoje estimulam variados sentidos? Visão e audição, quando em vez raciocínio sãos os sentidos utilizados ao jogar videogame e isso, digo sem ser especialista e essa brincadeirinha comoda e limitante vai resultar em uma geração com características físicas e psicológicas diferentes e pobres. Pouco ou nada lúdicas, ágeis, proativas e criativas.
Quem já participou de um processo seletivo em que uma das etapas era uma dinâmica de grupo envolvendo um jogo ou uma brincadeira? Pois bem, só nesse exemplo e baseada nessa falta de habilidades, de convívio porque não dizer, de trocas, frustrações, conquistas, de jogo de cintura reais, de muitos jovens, logo adultos, se quiserem de fato contratar as empresas vão ter que abolir esses testes. E eu não sou eu que estou jogando areia para fora da caixinha do parquinho não. A reflexão nesse tema levou à criação do Instituto Nacional da Brincadeira, nos estados Unidos em 1996 (fato que ratifica, como outros, que as coisas demoram a chegar aqui, não tem internet, nem passagens baratas que resolvam esse atraso social, oh Lord!).
O fundador da instituição, Stuart Brown, com seus mais  de 20 anos de prática clínica e pesquisas na área, afirma estar tudo muito claro (#gosteidessecara). Os empreendedores de sucesso, as inovações, os cientistas indicados ao prêmio Nobel, as crianças mais bem adaptadas a qualquer ambiente e as famílias mais felizes têm algo em comum: o entusiasmo pelo ato de brincar ao longo da vida. Brincar é tão fundamental quanto dormir e sonhar. 
Diante de todos esses pontos de observação e estudos que investigam como a brincadeira contribuiu para o desenvolvimento do cérebro humano ao longo do tempo, há um consenso absoluto: brincar é mais do que uma distração e divertimento, é uma parte central do crescimento e desenvolvimento neurológico, importante para formação de cérebros mais complexos, sensíveis, socialmente hábeis e cognitivamente flexíveis.
Sexta-feira dia de vestir branco na Bahia, de brincar, de bater papo, de relembrar e reviver a infância e a adolescência, dia de não tem aula amanhã (para poucas crianças), dia de fazer planos para o sábado e domingo ou eixar ao sabor do dia, do tempo, do humor. Dia do Circo hoje!
Fica então as reflexões e minha dica de ver o trailer do filme e o filme e meu desejo de muita tarja branca em nosso dias, que vire prática o brincar, que sejamos a mudança que queremos ver no mundo.

13 comentários:

  1. Lindo,Tina e acredito que todas as crianças devem brincar, brincar muito e nós temos que proporcionar tais momentos.Fazem falta depois! Lindo fds! beijos, tudo de bom,chica

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  2. Tina, sinto que o brincar está sendo bombardeado dia a dia. Perdemos as ruas onde a turma se reunia, os pais sentavam na calçada, papeavam para as grandes vias cheias de carros, para a violência. O slogan das escolas, já no berçário, é ser bilingue para preparar para o vestibular. O vestibular que deveria acontecer só lá no fim do ensino médio, colegial, virou um monstro gigante que abocanha pais e criancinhas e a último bombardeio veio esses dias de uma pesquisa, não me lembro se americana ou inglesa, que diz, com palavras importantes de pesquisadores, que não é bom a menina brincar de casinha, bonecas e panelinhas porque ela pode não ser uma executiva de sucesso; outra pesquisa acusa as tais bonecas e panelinhas do desempenho abaixo dos meninos em matemática, portanto, não pode. E agora? O que pode? tem regras, tem cartilha para os tipos de brincadeiras?
    Tarja branca sem restrição! Muito quintal, de terra, de corredor de apartamento, mas que brinquem e do que quiserem ( regras e leis só para telintas brilhantes! )
    E por falar em brincar, em não fazer nada, ficar de bobeira, eu que também ando de mãos dadas com minha criança, vou assistir a um desenho ma tv. Meu preferido é Shaun, o carneiro, e o teu?!

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    1. Cara Ana Paula, se puder colocar meu endosso abaixo de seu comentário, vou fazer.
      Vi, recentemente, uma reportagem pela TV que uma rua de um bairro aqui do Rio de Janeiro estava "ressuscitando" brincadeira de rua. O negocio tomou tanto gosto, que foi contagiando ruas adjacentes.
      Um dos 2 irmãos que iniciaram o Projeto, disse "joelho de criança é para ficar ralado, ter marquinha de tombo e bandaid". Achei isso tão bacaninha... E os responsáveis disseram que as crianças que participam desses encontros com brincadeiras de rua, finalmente se desgrudaram da TV, dos celulares e de computador para interagir com gente de verdade =oO e conheceram seus vizinhos!!!

      Que Projetos assim tomem conta do Brasil e retransformem crianças e adolescentes em "gente" de novo. Beijos mais

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    2. Meus joelhos viviam esfolados e canelas, cotovelos, testa
      Engessei, levei ponto, coisa pouca, nem era levada eu
      E a cor dos pés e da pessoa toda se revelavam no chão do box na hora do banho, tinha que rolar bucha de louça do lado verde pra dar conta e cabelos devidamente esfregados com sabão de coco

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    3. E eu vi uma matéria, sobre essa matéria das brincadeiras contraproducentes, nada corporativas que "educadores" e "estudiosos" acham de última e tem post sobre isso programado para tá aqui semana que vem

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  3. Paula RB, eu acho que nossas crianças precisam ser contagiadas! É só ver gente brincando que elas entram e se soltam e soltam os celulares!
    Acho que é nato no ser humano brincar. Que mais ideias como essas tomem as ruas - com pião, pipa, boneca, brinquedo de sucata, brincadeiras como mãe da rua, ah... tanta coisa boa para ressuscitar! Beijo Paula!

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    1. Beijos mais Ana Paula. Adoro seus comentários, viu?!! Adoro =0)

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  4. Oi Tina olha só: Como professora e mãe hiper defendo o brincar, de boneca, pular corda andar de bike, se r feliz nas invensões, na imaginação d aleitura. Ainda percebemos o quanto faltam as crianças brincar se sujar, moro numa cidade pacata pequena, menos de 12 mil hab, mas as crianças já estão internauticas, cada uma vive no celular etc. Bem estamos trabalhando o tema A magia do circo e ai fomos fazer cambalhotas estrelinhas etc. Dos 30 alunos meus 5 se negaram a participar, outros com medo de dar camabalhotas, se machucar, se sujar, uns precisaram de ajuda isso crianças com 6 anos, alguns não gostam de sentar no chão, e por ai vai. Ontem fui fazer uma foto de meu sobrinho com uma bola, a dele rasgou pedi pra pegar na rua com algum amigo, foi em 6 casas de meninos advinha quem tinha uma bola? nenhum deles. Me espantei. Esta é a realidade de nossas crianças da cidade grande sem poder ir á rua, da cidade pequena já viciados no computador e jogos afins. Triste realidade que precisamos mudar. passa no Poesia, bjs

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    1. Pois é, vale por essa realidade, a discussão do assunto, falar, chamar a atenção, promover e provocar soluções, mudanças.
      E além da criançada brincar com brinquedos e brincadeiras, vale gente grande brincar também, seja de jogos de tabuleiro ou uma sentadinha e ida e vinda em um balanço numa praça, jogar bola, aproveitar as crianças para brincar junto ou brincar com o maridão, amigos, família, porque brincar faz bem e não tem idade.
      E se cair, levanta para cair de novo!

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  5. É Tina, eu que estou vendo meu netinho crescer e esperando a chegada de mais um, percebo que hoje a preocupação dos pais é a de ocupar as crianças e encontrar alguém que cuide deles. E eu olho aqueles olhinhos que amam o avô porque este só sabe brincar, cuidar para não sujar ou não cair, ele não sabe, só sabe brincar e é por isto o mais amado...
    Gostei muito dos videos... deu uma saudade!
    Bjs

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  6. Oi Tina, eu amei esse filme, foi um dos três melhores que vi no ano passado, até fiz um post sobre ele também.
    Brincar é vida para adultos e crianças!
    Bjs

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  7. Olá Tina! Todo ser humano deveria assistir este filme....
    Brincar é urgente!

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  8. Lá no despassarado, tem a Dona Carminha Cebolinha que ensina crianças a brincar e sonhar!
    beijo!

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