10 de abril de 2015

 
Varal de sexta-feira, com branco, renda e alfazema na água de enxaguar
Foto de uma corda de lindezas de por ai
Uma vizinha de blog, que quem dera fosse de janela, porta, telhado, varal, essa semana falou e levou para o blog dela um texto que também falava, de sentir falta de varais. Não que não tenha um na casa dela e na da jornalista que escreveu o texto, ou na minha, a saudade é de varal extenso, numa área grande, quintal, laje, que os lençóis são estendidos abertos e caso ameacem encostar no chão, uma vassoura faz pezinho.
No apertamento dos apartamentos tem o não poder colocar nada na janela, na varanda, nem para aproveitar o sol depois de dias de chuva, nem num horário tal a tal. Nada! Do tipo pague para lavar na lavandeira, seja moderna mulher, ou lave roupa todo dia miúdo a miúdo, estenda seus lençóis dobrados e deixe uma calça jeans cinco dias no varal até secar. Edredon nem pensar, por causa de lavar e guardar, não há armário suficiente nem para árvore de Natal.
Varal e liberdade para ser casa e ter vizinhança com vida me dá inveja das favelas e não me manda bater na boca não, tenho chegado a conclusão de que lugar bom de morar, de vizinhança educada e amiga, festa de final de ano, torcida de futebol fiel, de bandeiras na rua e pintura no asfalto, troca de pratinhos no São João, é bairro pobre, não fosse a violência (que nos enganamos pois está nos bairros nobres também), lugar de gente mais feliz.
E nessa vontade doméstica que agiliza a secagem das roupas e diminui a pilha na lavanderia, tem um querer poético (meu e das meninas: Ana e Giovana) de ver as roupas lado a lado na corda de nylon ou arame, esticadinhas e compondo um visual artístico de cores e estampas, com o céu azul, tem também o corre corre quando a chuva chega sem avisar. Tem o cheiro do sabão quando o vento bate e o balé das peças presas com os pregadores. Passar por entre as peças só de cabelo lavado e banho tomado para não sujar as bonitas.
Desejo de poder lavar na mão, num tanque com espaço para ficar com uma perna dobrada sobre a outra e espaço atrás para baldes, bacias, pregadores, para sacudir as peças e as delicadas lavadas com sabonete,  sem torcer porque estraga o aplique ou tecido, serem estendidas sem pregador, pelo meio e o pinga-pinga cair no chão de cimento, sem problema de estragar o piso e fazer poça no chão. Desejos e memórias boas eu tenho de varais, lajes e quintais.

10 comentários:

  1. Tina, eu também adoro os varais e esse da tua foto, todo branco e me fez voltar, me fez lembrar a alvura dos varais , do tempo de morar em casa...

    Primeiro eram as fraldas de todos... Depois as cores misturadas! Adoro. Hoje só os vejo nos quintais vizinhos... bjs, tudo de bom, adorei te ler! chica

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    1. A foto ñ é minha e ñ tinha de quem era onde achei e pena ñ são minhas as toalhas e paninhos.

      Adorei suas memórias!

      Só roupa branca estendida é uma poesia extra.
      Um quê do tempo de quarar e engomar...
      Uma paz...

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  2. Eu nem nos quintais vizinhos vejo...
    E era mesmo na sexta que minha mãe lavava lençóis e cortinas e tinha cuidado porque poderiam enganchar no limoeiro.
    Ah são tão boas essas lembranças ainda mais aromatizadas com alfazema.
    Beijo!

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  3. Eu sinto falta pq meu apertamento não permite que eu possa estender minhas roupas de cama desta forma tão linda como nas fotos, fica tudo espremido, essa é a desvantagem de morar em apertamento (rs)...

    bjokas =)

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  4. Excelente amiga. Amei o tema que nos relembra a infância, a casa dos nossos avós, a doçura de uma vida leve. Bjs mil, Roseli

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  5. Rsss... Tenho também lembranças iguais as suas, só que de roupas lavadas por outras pessoas.Do quintal lá de casa, quando menina e era do jeitinho que você falou. Nunca soube lavar roupas, acho que por medo de não deixá-las tão brancas e tão cheirosas. Mas é um tempo bom de se lembrar.
    Beijinhos e bom fim de semana

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  6. Passando para bater asas nos teus ouvidos só pra te causar arrepio!
    Saudades de você! Estava sem tempo para dar um voltinha nos telhados vizinhos!!!
    Beijos amiga+passarinha+flor :)

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  7. Olá, querida Tina
    Eu também me refugiava numa lage de casa pra ficar com a prima e partilhar confidências... rs...
    Bjm pascal

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  8. Lindo varal e que boas lembranças eles nos trazem. As roupinhas de meus irmãos estendidas, o cheiro de sabão de coco, o anil. Hoje moro em casa e posso colocar roupas a fio no varal sob o sol a pino, o que me era impossível quando morava em SP, bjs e bom fim de semana, obrigada pela visita e tem mais novidades no blog

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  9. Hoje quase tudo ê de máquina para máquina.... Beijo Lisette.

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